A lógica do mecanismo na política ipiraense

Nota-se que os casos de improbidade administrativa que ocorrem no município de Ipirá não são algo que acontece na política e sim na lógica que estrutura uma gestão em todos os níveis da administração pública em nossa cidade.

 

Nota-se que os casos de improbidade administrativa que ocorrem no município de Ipirá não são algo que acontece na política e sim na lógica que estrutura uma gestão em todos os níveis da administração pública em nossa cidade. Essa lógica funciona da seguinte maneira: Os partidos têm seus candidatos e estes são financiados por empresas que têm interesse em receber verbas públicas, prestadores de serviço para o município, agiotas, particularmente construtoras e bancos. Essas empresas então financiam todos os partidos, a mesma empresa que investe na campanha do partido da Jacuzada investe na campanha do partido da Macacada. Alguns desses políticos são eleitos e esses políticos então tem que compor o seu governo e depois devolver os investimentos que essas empresas fizeram nas campanhas eleitorais. Daí eles apontam pessoas chaves para cargos importantes e quanto maior o orçamento de um cargo mais importante ele é. Além disso, esses cargos são utilizados para recontratar as empresas que financiaram a campanha, pagando muito mais do que os serviços que elas prestam. Daí sobra dinheiro do caixa dessas empresas. Esse dinheiro então é lavado, vira caixa dois e é redistribuído para os políticos ou como propina ou como investimento nas próximas campanhas políticas.  Sendo que a parte mais interessante dessa história é perceber que as pessoas ainda não acordaram para a noção de que o mecanismo não tem ideologia! 

        O site Ipirá Negócios publicou uma denúncia que mostrava os seguintes dados: “A Câmara dos vereadores de Ipirá pagou por um litro de água sanitária a quantia de R$ 7,57 quando nos mercadinhos da cidade o preço não ultrapassa R$ 1,99; pelo pinho sol de 500 ml foi paga a quantia de R$ 13,02 e, no varejo, a unidade custa no máximo de R$ 4,10, e por duas caixas de lâmpadas G-light 30W com 10 unidades cada uma, a presidência pagou mais R$ 543,93, ou seja, R$ 27,19 por unidade quando nos mercados o mesmo produto sai o varejo ao máximo de R$ 11,75.” O que a matéria não explicava é que, muito provavelmente, essa empresa onde foi feita a compra dos produtos é uma das que financiaram a campanha eleitoral.

A pergunta que não quer calar é: Por que a população ipiraense toma conhecimento dessas informações e não há protestos na Câmara dos Vereadores de Ipirá, indignação nas redes sociais, cobrança de explicação por parte de seus representantes? Devem existir razões para que essa cultura do silêncio faça algum sentido e uma delas é quando o povo faz parte de uma estratégia que os políticos usam nas eleições de estimular as escolhas por meio da emoção. Ou seja, nas campanhas para a reeleição poderiam ser abordadas as mudanças que foram feitas na gestão e as promessas que não foram cumpridas durante o mandato daquele político, contudo a estratégia de manipulação de massa começa quando o político inicia o seu discurso abordando o que a oposição não fez durante o tempo em que esteve no poder. Ao fazer isso desperta no eleitor um sentimento semelhante ao de torcida de futebol. Sendo que quem é movido por emoção, não pensa! Isso funcionou no passado, funciona e funcionará enquanto a gente não reavaliar a maneira como estamos lidando com a política na nossa cidade. Pois “Quem ocupa o trono tem culpa”, mas quem alimenta a lógica do mecanismo direta ou indiretamente também tem.

 [Texto adaptado]  

Ipira City -Rodrigo Santana Costa é professor e escritor. Publicou a obra: “Clarecer” em verso e prosa.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Ipirá City. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não respeitem os critérios podem ser removidos sem prévia notificação.

ESCREVA SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui