Ataques matam agentes da saúde que combatiam ebola na República Democrática do Congo

Grupos armados reivindicaram os ataques que mataram quatro profissionais de saúde que combatiam o ebola e feriram outros cinco no leste da República Democrática do Congo.

Trabalhador de saúde cuida de criança em isolamento em centro de tratamento do ebola em Beni, Kivu do Norte, República Democrática do Congo. Foto: UNICEF/Guy Hubbard

Grupos armados reivindicaram os ataques que mataram quatro profissionais de saúde que combatiam o ebola e feriram outros cinco no leste da República Democrática do Congo.

O ataque aconteceu no campo de Biakato Mines e em um escritório de coordenação de resposta ao ebola. A informação foi confirmada pelo chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (28).

A agência da ONU, que pediu o fim dos ataques, afirmou que os ataques podem reverter progressos significativos contra a epidemia que assola o país desde agosto de 2018. Nas últimas semanas, o número de infecções caiu.

“Ataques realizados por grupos armados em Biakato Mines e Mangina no Congo resultaram em mortos e feridos entre os que têm respondido ao ebola”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no Twitter.

“Estamos de coração partido por nossos maiores medos terem se tornado realidade. Nosso foco é cuidar dos feridos e garantir que as equipes de outros locais estejam seguras.”

Ecoando a mensagem, a diretora-regional da OMS na África, Matshidiso Moeti, disse que seu “coração está voltado para as famílias e amigos dos socorristas mortos nos ataques”.

“Estamos fazendo todo o possível para colocar em segurança os feridos e os funcionários da linha de frente das áreas afetadas”, disse ela durante pronunciamento, antes de insistir que “esses constantes ataques precisam parar”.

O coordenador de resposta de emergência ao ebola, David Gressly, expressou solidariedade, através de seu Twitter, às famílias das vítimas dos ataques e também às famílias que estão sendo afetadas pela escalada da violência na região.

De acordo com a OMS, entre as vítimas, estavam um integrante da equipe de vacinação, dois motoristas e um policial. Nenhum funcionário da OMS estava entre os mortos, mas um deles ficou ferido. De acordo com a organização, a maior parte dos demais feridos é do Ministério da Saúde.

Ataques a trabalhadores de saúde, centros de tratamento e comunidades têm sido uma questão frequente no surto de ebola nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. A epidemia que começou no ano passado é a segunda maior já registrada.

Os casos de violência mais recentes de autoria de grupos armados têm tido como alvo pessoas do leste do país. Pelo menos 19 pessoas foram assassinadas na quarta feira (27) pelo grupo rebelde Forças Democráticas Aliadas, que atua em Uganda e na RDC.

Em sua última atualização sobre o surto, o Ministério da Saúde do país informou a “interrupção de atividades (de saúde) nos setores de Beni e Butembo, após manifestações populares depois do assassinatos de civis”.

De acordo com a OMS, na terça-feira (26), equipes foram temporariamente realocadas de Beni, “embora a maior parte ainda permaneça no local para continuar atendendo”.

Desde o começo do ano, a OMS já documentou mais de 300 ataques, que deixaram seis mortos e 70 feridos, entre trabalhadores da área da saúde e pacientes.

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