Brasil perde R$ 1 trilhão em 20 anos ao não garantir saneamento básico, diz especialista

A cidade de São Paulo recebe entre os dias 17 e 19 de novembro o principal evento internacional sobre saneamento básico.

© Folhapress / Pedro Ladeira

A cidade de São Paulo recebe entre os dias 17 e 19 de novembro o principal evento internacional sobre saneamento básico.

Chamado de World Toilet Summit, o evento tem como objetivo debater deficiências dos serviços de saneamento básico no mundo.

No Brasil atualmente 35 milhões de pessoas não possuem acesso à água potável, o equivalente à população do Canadá, e mais de 100 milhões de pessoas não têm acesso à coleta de esgoto.

Além do dano social e ambiental, Édison Carlos, presidente Executivo do Instituto Trata Brasil, um dos organizadores do evento, diz que a falta de saneamento básico também gera prejuízos econômicos.

“O Brasil perde cerca de R$ 1 trilhão em 20 anos se não fizer o saneamento. Isso começa com gastos na saúde. Com as doenças, internações, remédios, custos do SUS. As doenças drenam recursos das prefeituras”, disse à Sputnik Brasil.

Apenas 46% do esgoto gerado no Brasil passa por tratamento, gerando poluição ininterrupta às águas, mas também gastos de saúde pública por conta de doenças.

“O Brasil tem perdido posições no IDH mundial por não ter conseguido dar esse salto, é um problema não só social, ambiental, mas um problema econômico também”, afirmou.

Dados coletados pelo Painel Saneamento Brasil, mostram que o Brasil ainda possui quase 4 milhões de habitantes sem banheiros.

Para Édison Carlos, o Brasil precisa dobrar o investimento atual de R$ 11 bilhões em saneamento e, para isso, é necessário deixar de contar somente com recursos públicos.

“A gente não tem mais conseguido avançar na velocidade que o Brasil precisa. A gente investe quase R$ 11 bilhões por ano a gente precisaria investir de R$ 22 a R$ 25 bilhões ao ano. A gente precisa trazer atores novos para o saneamento, iniciativa privada, PPPs, outros tipos de modelo para que a gente consiga avançar”, defendeu.

O Brasil também é um dos países do continente com piores indicadores quando nos referimos ao acesso ao saneamento básico.

“O Brasil está muito pior que o Chile, pior que o México, pior que a Argentina, pior que a Colômbia, mesmo quando a gente se compara com países irmãos e vizinhos a gente está ruim”, completou Édison Carlos.

No mundo, de acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), há mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso sequer a um banheiro.

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