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	<title>Afa Neto |</title>
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	<title>Afa Neto |</title>
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		<title>Generosidade da sobra x prática da primazia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jun 2021 00:29:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afa Neto]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Generosidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Afa Neto &#8211; Sábado, 19 de junho de 2021 “Tem uma geladeira lá em casa que não usamos mais e vou doar para a igreja”, “Levei um monte de roupas para aquele abrigo”. A priori, não há nada de errado com esses gestos. O problema é que podem esconder uma espécie de bondade calculada. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Afa Neto &#8211; Sábado, 19 de junho de 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem uma geladeira lá em casa que não usamos mais e vou doar para a igreja”, “Levei um monte de roupas para aquele abrigo”. A priori, não há nada de errado com esses gestos. O problema é que podem esconder uma espécie de bondade calculada. Somos generosos com as sobras, com coisas que não mais queremos, que não nos servem mais. No fundo, isso não é generosidade, é descarte.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>É assim que temos levado a vida, tanto material, quanto relacional e também espiritual. Da mesma maneira que temos doado as sobras materiais para aqueles que achamos que precisam delas, temos dispensado as sobras afetivas para as pessoas que amamos e nos amam.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Da mesma maneira que doamos bens materiais que não mais nos servem para quem deles têm necessidade, estamos dispensando para o Sagrado as sobras do nosso tempo e da nossa dedicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>O grande problema é que, enquanto as coisas materiais sobram para alguns, a afetividade e a abertura para o Sagrado nunca sobram em uma vida autocentrada. Então, nunca sobra carinho para quem amamos e que nos amam e nunca sobram tempo e dedicação para Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A solução? Parece-me que já foi apontada e atende por vários nomes, mas o que mais gosto é aquele que o Texto Sagrado usa: Primazia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Primazia é você começar pelo outro. Antes de pensar em mim, penso em você. Sabe aquelas instruções de segurança em voos? Aquela que manda colocar as máscaras de oxigênio primeiro em você e, só depois, em quem precisa de ajuda? Pois bem, essa lógica não serve para a vida altruísta. Esta, aliás, a única maneira de viver que pode tornar nossa convivência nesse planeta digna e prazeirosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Então, vai a sugestão: Troquemos a generosidade da sobra pela prática da primazia.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/generosidade-da-sobra-x-pratica-da-primazia/">Generosidade da sobra x prática da primazia</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Só é feliz quem sofre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Jan 2021 16:47:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afa Neto]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Afa Neto &#8211; Segunda, 4 de janeiro de 2021 Felicidade não se constrói ou se descobre através de momentos de prazer e alegria. Felicidade é fruto que nasce da semente do sofrimento. Essa é uma lógica estranha, mas verdadeira. Achamos que feliz é aquela pessoa que desfruta de momentos agradáveis e, por isso, nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Afa Neto &#8211; Segunda, 4 de janeiro de 2021</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Felicidade não se constrói ou se descobre através de momentos de prazer e alegria. Felicidade é fruto que nasce da semente do sofrimento. Essa é uma lógica estranha, mas verdadeira. Achamos que feliz é aquela pessoa que desfruta de momentos agradáveis e, por isso, nos pomos a uma busca desenfreada por situações prazerosas. Buscamos entretenimentos, banquetes, compras, festas, sexo, etc; tudo numa tentativa de produzir felicidade. Estranhamente, quanto mais nos divertimos, mais nos sentimos vazios e tristes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Olhemos agora para pessoas sofridas, pois estão destituídas dos símbolos do prazer que a nossa sociedade consumista propagandeia. Cantam, dançam, choram, gritam, se calam, mas seguem felizes apesar de tudo. Olhamos para elas e nos perguntamos: como conseguem ser felizes com uma vida tão sofrida como tem? O que não sabemos é que elas só conseguem ser felizes porque aprederam duas lições básicas:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A primeira está relacionada à consciência de gratuidade. Ser feliz é um presente, é uma dádiva que vem até nós. E vem lá de cima; de Deus. Do Pai das luzes, de onde provem toda boa dádiva e todo dom perfeito. Não temos como comprar, não há dinheiro nem poder neste mundo que consigam adquirir a felicidade. A única coisa que podemos fazer é descansar na certeza infantil de que Aquele que nos criou tem interesse todo especial em me fazer feliz. E o faz não por que tenho algum direito, do contrário não seria dádiva, mas por que o doador é generoso e amoroso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A segunda diz respeito a buscar a felicidade dentro delas e não naquelas coisas que estão no âmbito da exterioridade. A alegria pautada na experiência sensorial é fugaz, ao passo que a felicidade que está dentro de nós não pode ser solapada pelas experiências adversas. Quando o mundo à minha volta grita que a única atitude sensata é a depressão, algo dentro em mim sussurra em meu coração que ainda vale a pena ser feliz.<br>Daí que, alardear que se é feliz às expensas de momentos recortados de prazer, é falácia. Só sabe o que é felicidade quem aprendeu a trilhar corajosamente o caminho do sofrimento.<br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/so-e-feliz-quem-sofre/">Só é feliz quem sofre</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Basta saber que não estamos sós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2020 14:18:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afa Neto]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade do Capital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Afa Neto &#8211; Sexta, 16 de outubro de 2020 O que restou foi a sensação de estar abandonado à própria sorte.&#160; Pessoas, existem, e muitas, ao nosso redor, mas sabemos que não podemos contar com elas quando a situação for extrema. Entrentenimento, existe em quantidade bem maior do que nossa capacidade de nos envolver [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Afa Neto &#8211; Sexta, 16 de outubro de 2020</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>



<p class="wp-block-paragraph">O que restou foi a sensação de estar abandonado à própria sorte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas, existem, e muitas, ao nosso redor, mas sabemos que não podemos contar com elas quando a situação for extrema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entrentenimento, existe em quantidade bem maior do que nossa capacidade de nos envolver com ele se vivêssemos 200 anos. Mas não nos torna felizes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modo de produção capitalista montou uma sociedade para a obtenção do lucro e moeu todos em sua máquina de gerar zumbis. O que fazer para tentar reparar esse &#8220;efeito colateral&#8221; da sociedade do capital?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o sistema capitalista não iria pagar a conta, que o Estado o fizesse. E assim se criou o &#8220;estado do bem-estar social&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há razões para o desespero.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se vc adoeçe pela loucura da vida de trabalho imposta pela sociedade, o estado deve prover tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você enlouquece devido ao modo de vida louco do sistema, o estado providencia internação.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se voce se torna obsoleto para o mercado de trabalho, depois de ter sido sugado por ele, o estado providencia o seguro desemprego e te requalifica para voltar à exploração. Afinal, você é do &#8220;exército de reserva de mão de obra&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você não vê futuro, porque o futuro te foi negado, não se desespere; o estado providencia uma previdência para exorcizar seus fantasmas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o monstro evoluiu e como virus mutante, transmutou-se para uma forma mais perversa e difícil de combater. Veio a sociedade do consumo e tudo virou mercadoria, e nada era pra sempre, e nós já não sabemos quem somos, onde estamos, ou mesmo se somos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que era ruim, ficou pior; pois o estado disse que não pagaria a conta. Foi-se o &#8220;estado do bem-estar social&#8221;. Quem assume o ônus? Não será o causador do problema (o sistema capitalista) nem seu sócio (o estado moderno). A conta caiu em nosso colo. Eis que o cíclo da perfeição do sistema de produção capitalista se fechou. Agora somos vítimas e vilões. Explorados por um sistema desumano e acusados de fracassados quando não conseguimos nos adequar a ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua saúde foi solapada na roda da fortuna movida pelo modelo de produção da sociedade de consumo? Se vira. Trata de arrumar um plano de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficou desempregado devido ao fato de que a empresa onde você trabalhava fechou pois viu uma relva mais verde em outro lugar? Trate de fazer das tripas coração, bote sua criatividade para funcionar e vá para a selva, pois o emprego como você conheceu já não existe. Ah, lembre-se: o desempregado já não é mais parte do &#8220;exército de reserva de mão de obra&#8221;, ele agora é um estorvo e um inconveniente sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De vez em quando você é assaltado com pensamentos inconvenientes sobre sua velhice? É melhor aprender logo a reprimí-los. Aposentado é um gigantesco empecilho ao progresso da humanidade. São chamados de &#8220;inativos&#8221;. Não contribuem para alimentar o apetite voraz do sistema e, ainda por cima, consome o resultado dos nobres e bravos trabalhadores da &#8220;ativa&#8221;. Sua filosofia de vida agora é a do AA: &#8220;só por hoje&#8221;. Fique satisfeito por ter conseguido sobreviver a mais um dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois bem caro leitor, como sou um místico inveterado e um pálido seguidor do do Homem/Deus retratado nas páginas do Novo Testamento, fico a me perguntar: Na vida e nas palavras de Jesus há alguma coisa que me norteia nessa escuridão? Que não se resuma à negação aliendada do agora nem à adesão submissa ao que está aí?</p>



<p class="wp-block-paragraph">SIM. Tudo que ele viveu e falou é uma confrontação ao que está diante dos nossos olhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas não temos tempo aqui para ir adiante. Por enquanto, basta dizer que não estamos sós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afa Neto</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/basta-saber-que-nao-estamos-sos/">Basta saber que não estamos sós</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A RE-HUMANIZAÇÃO DO SER</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2020 01:05:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Afa Neto]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Afa Neto ( Portal Ipirá City ) &#8211; Quinta, 20 de agosto de 2020 Página final do livro &#8220;Confiança e Medo na Cidade&#8221; de Zigmunt Bauman (Jorge Zahar Editor) e ele lembra das aulas de um professor de Antropologia quando ainda estudava. Segundo ele, os antropólogos &#8220;conseguiram identificar a aurora da sociedade humana graças [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Afa Neto  ( Portal Ipirá City ) &#8211; Quinta, 20 de agosto de 2020</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="wp-block-paragraph">Página final do livro &#8220;Confiança e Medo na Cidade&#8221; de Zigmunt Bauman (Jorge Zahar Editor) e ele lembra das aulas de um professor de Antropologia quando ainda estudava. Segundo ele, os antropólogos &#8220;conseguiram identificar a aurora da sociedade humana graças a descoberta de um esqueleto fóssil&#8221;. O detalhe era que o tal esqueleto daquele humanoide tinha uma deficiência em uma das pernas. Provavelmente sua perna sofrera uma fratura ainda quando aquele ser era uma criança, no entanto, ele só morrera aos 30 anos. Conclusão: aquele só poderia ser um ser humano; pois se fosse uma criatura outra, um outro animal, sua deficiência poria fim à sua vida. Ela não teria mais condições de se sustentar e acabaria morrendo em algumas horas ou dias. Se a criatura sobreviveu tantos anos é porque alguém cuidou dela. E só o ser humano é capaz desse gesto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os demais seres podem parar por algumas horas ou até dias em companhia do outro ferido, mas, o instinto fala mais alto e ele tem que seguir deixando para trás o companheiro. Entretanto, o ser humano não se contenta com um réquiem. Ele insiste em lutar contra as forças da morte e quer levar junto com ele o seu semelhante. Então, ele não somente pára e lamenta, mas solidariza-se e CUIDA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois bem, esse cuidado, que é uma das marcas distintivas do ser humano, está sofrendo tentativas vorazes dessa sociedade pós-moderna no sentido de sufocá-lo, de suprimí-lo. A banalização da vida, o cotidiano de violência, a espetacularização da tragédia, estão produzindo seres humanos inferiores. E são inferiores porque estão sufocando os apelos constantes da nossa mais básica expressão de humanidade: a capacidade de solidarizar-se e cuidar do outro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O outro se apresenta de duas maneiras: Como o outro &#8220;conhecido&#8221; e como o outro &#8220;desconhecido&#8221;. E vejam vocês como a lógica dessa nossa sociedade de mercado soube potencializar essa desumanização para tirar proveito dela. No caso do outro &#8220;conhecido&#8221;, procuramos evitá-lo porque cuidar dele demanda um tempo que eu não tenho, uma paciência que me foi tirada e recursos que preciso canalizar para o meu bem estar. Mas a consciência ainda grita e quer ser ouvida; então, para ajudar a sufocá-la, eu me chafurdo na indústria do entretenimento e ajudo a movimentar a economia. Talvez assim, esse outro possa &#8220;merecer&#8221;, através das suas capacidades, reverter a sua situação (da mesma forma como eu mereci).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O outro &#8220;desconhecido&#8221;, por sua vez, foi transformado no estranho e, como tal, em uma ameaça. E aqui estamos diante de um verdadeiro filão da economia mundial: A paranóia da segurança. Condomínios fechados, circúitos internos de tv, cercas eletrificadas, monitoramento via satélite e uma inteligência orquestrada para gerar o terror. Nesse universo da insegurança o principal vilão é o outro &#8220;desconhecido&#8221;. Mas não se desespere: O terror movimenta a economia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso ser honesto. Pensar em solidariedade no mundo da economia de livre mercado é um desatino imperdoável deste que vos escreve. O que as pessoas estão sendo ensinadas a crer é que a competição é a solução para os nossos problemas. Vejam esta pérola do tal do Rodrigo Constantino em seu artigo desta semana (articulista da VEJA): &#8220;A livre concorrência é o melhor aliado que os consumidores possuem. Quanto mais empresas tiverem de competir para atender à demanda, melhores terão de ser os serviços prestados, e menor terá de ser o preço cobrado. Poder trocar de fornecedor é a arma mais poderosa dos clientes&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O raciocínio parece perfeito. Entretanto é preciso lembrar que uma sociedade é feita, antes de mais nada, de pessoas e não de consumidores/clientes. E não me venham pra cá dizer que são áreas diferentes que nós todos sabemos que não funciona assim. Não há como competir e solidarizer-se ao mesmo tempo. A mesma lógica que impera nas questões econômicas é reproduzida nas relações interpessoais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredito que seja esse o grande desafio que temos: o resgate da COMPAIXÃO. &#8220;Nascer de novo&#8221; enquanto seres humanos e experimentarmos nossa condição básica e primeva da Solidariedade. De olhar para o outro não como uma ameaça mas, como o companheiro de caminhada nesta existência marcada pelas ambiguidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Grande abraço.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Afa Neto</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teólogo, Historiador e Especialista em Ética, Subjetividade e Cidadania</p>



<p class="wp-block-paragraph">@afaneto4</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/a-re-humanizacao-do-ser/">A RE-HUMANIZAÇÃO DO SER</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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