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	<title>Ciência |</title>
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	<title>Ciência |</title>
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	<item>
		<title>O Fantasma de Ubajara: cientistas registram macaco-prego sem pigmentação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 20:13:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tabita Said &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Manchas brancas espalhadas pelo corpo de “Fantasma”, como foi chamado pelos pesquisadores, pode indicar falta de variabilidade genética e fragmentação da população Cientistas brasileiros&#160;publicaram&#160;o primeiro relato de leucismo em um&#160;Sapajus libidinosus, uma espécie de macaco-prego cuja variação de cores vai de pelagens marrom-escuras até amarelo-douradas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">por: Tabita Said &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</p>



<h2 class="wp-block-heading">Manchas brancas espalhadas pelo corpo de “Fantasma”, como foi chamado pelos pesquisadores, pode indicar falta de variabilidade genética e fragmentação da população</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cientistas brasileiros&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10329-026-01243-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicaram</a>&nbsp;o primeiro relato de leucismo em um&nbsp;<em>Sapajus libidinosus</em>, uma espécie de macaco-prego cuja variação de cores vai de pelagens marrom-escuras até amarelo-douradas claras, com extremidades geralmente pretas. A presença de manchas brancas mostra uma perda parcial de melanina na pelagem e é extremamente rara em primatas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diferentemente do albinismo, que já foi identificado anteriormente em um macaco-prego-preto e em um macaco-prego-das-guianas, ambos em cativeiro, o caso relatado agora mostra um filhote, de aproximadamente três meses, com leucismo – doença congênita que causa perda parcial ou total de melanina na pelagem ou nas penas dos animais, embora a cor dos olhos permaneça escura, o que é considerado “normal”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O macaquinho, chamado informalmente pelos pesquisadores de “Fantasma”, vive no Parque Nacional de Ubajara – Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada na região da Serra da Ibiapaba, Estado do Ceará, e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_Tiago-Falotico_LucasNinno.jpg" alt="" class="wp-image-978686" style="width:189px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Tiago Falótico &#8211; Foto: Lucas Ninno</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“Eu estava instalando os gravadores de som na área, daí observei primeiro esse macaco branco ali, diferente, que nem era do nosso grupo de estudo. Fui atrás e vi esse filhote branquinho”, conta ao&nbsp;<strong>Jornal da USP&nbsp;</strong>o primatólogo Tiago Falótico, pesquisador associado ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, na Alemanha, e presidente da Neotropical Primates Research Group (NeoPReGo), associação brasileira de apoio à pesquisa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O animal foi observado duas vezes, em um intervalo de 30 dias. Todas as características estavam preservadas e seu comportamento foi o mesmo esperado de um infante saudável: era carregado pela mãe e, eventualmente, sua curiosidade também o levava a explorar o local sozinho. Mas estava socialmente integrado ao bando, sem sinais de rejeição pelos demais membros do grupo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="First observation of leucistic wild capuchin monkey" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/-VaHvoMe130?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O Fantasma e o Jenipapo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Características do parque, como fragmentação territorial e intensa ocupação humana nas extremidades, poderiam indicar alguma influência que resultasse no aparecimento do leucismo entre os macacos. Entre essas influências estaria a poluição, alterações ecológicas ou mesmo uma mudança na alimentação padrão dos animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Uma das hipóteses dessa diferença de coloração seria o fator ambiental. O primeiro é o genético, alguma mutação aleatória que deu essa característica. A outra seria a questão da alimentação, alguma deficiência alimentar ou algum poluente; alguma coisa que está contaminando os macacos que a gente nem tem ideia”, explica Falótico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O parque Ubajara tem 6.300 hectares e engloba florestas, montanhas, cavernas e cachoeiras, marcado por áreas úmidas e frias, no planalto, e outras secas, de transição para o semiárido, na planície. A diferença entre a parte de baixo e de cima do parque também se reverte em microclimas distintos, e uma diversidade de plantas e frutas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a tese da influência ambiental, a princípio, está descartada. “Se fosse alguma coisa mais ambiental, de poluição e de alimentação, a gente espera que veria muito mais [casos de leucismo] espalhados nos grupos”, argumenta o pesquisador, que não desconsidera a análise genética. “Não temos desse indivíduo, em particular, mas a gente pode pelo menos dar uma olhada se tem algum gene conhecido de leucismo rodando na população e que não está ativo. Mas, o mais provável, é que ele seja uma mutação nova.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pulga atrás da orelha tem uma razão de ser: ao descobrirem o Fantasma, os pesquisadores decidiram revisar vídeos e informações em antigos bancos de dados, onde encontraram registros de um macho adulto, que também apresentava uma mancha branca na cabeça, embora mais sutil. Esse macaco é o Jenipapo. E não: ele não é pai do Fantasma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O Jenipapo é de outro grupo, e provavelmente é o macho alfa de lá”, explica Tatiane Valença, coautora do artigo que foi publicado durante a conclusão de seu doutorado no Instituto de Psicologia (IP) da USP. Tatiane também é pesquisadora visitante do Instituto Max Planck de Comportamento Animal em Konstanz, na Alemanha. “O mais fofo do grupo do macaquinho branco é o Zeca, provavelmente o pai dele. A gente conhece bem”, completa a pesquisadora e atualmente coordenadora de campo na base de pesquisas da NeoPReGo no parque cearense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na verdade, tem outra característica que a gente não colocou [no artigo], mas, além da cabeça, o Jenipapo tem uma descoloração nos testículos”, conta Falótico ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>. Nenhum outro macaco-prego com esses padrões foi observado pela equipe nessa população desde o início da pesquisa, há seis anos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2024/06/20240619_Tatiane-Valenca.jpg" alt="Foto de Tatiane Valença " class="wp-image-771871"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Tatiane Valença &#8211; Foto:&nbsp;<a href="http://lattes.cnpq.br/2091669300699008">CV Lattes</a></h5>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_macaco-prego-Ubajara_NeoPReGo.png" alt="" class="wp-image-978694"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Filhote leucístico de macaco-prego-barbudo (Sapajus libidinosus) do Parque Nacional de Ubajara e sua mãe. Ele tem membros e cauda com coloração esbranquiçada, diferente do padrão de coloração da pelagem da mãe &#8211; Imagens: NeoPReGo / extraídas do artigo</h5>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_macaco-prego-leucistico-adulto2.jpg" alt="" class="wp-image-978698"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Jenipapo é um macho adulto com uma mancha de pelo mais claro no topo da cabeça &#8211; Foto: Tiago Falótico / Extraída do artigo</h5>



<h2 class="wp-block-heading">O risco da perda de uma tradição</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para os pesquisadores, a presença de dois macacos-prego com padrões de coloração anormais é um sinal de alerta para manter um monitoramento de longo prazo. Não apenas preservando a espécie, mas uma longa tradição de uso de ferramentas que é passada de geração em geração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa população é bem interessante porque, durante o meu doutorado, eu descobri que eles usam não só as pedras para quebrar coco, como boa parte dos macacos-prego, mas eles também usam pedras para cavar e usam varetas para tirar aranhas de alçapão de tocas. Um comportamento que a gente só tinha visto na Serra da Capivara”, destaca Tatiane Valença.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se a hipótese genética estiver correta, o leucismo pode ser uma consequência do cruzamento de uma população pequena na qual a diversidade genética diminui significativamente. Com isso, genes recessivos raros (que normalmente não se manifestam) ganham maior probabilidade de aparecer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somente o acompanhamento e o registro sistemático desses animais poderá confirmar o aumento dessa característica na população de macacos-prego do Ubajara, um parque que também sofre a pressão das mudanças climáticas e do desenvolvimento urbano.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Esse sinal de mutação – um bicho com cor diferente – pode ser um indicativo de endogamia de uma população que está restrita, ali, num fragmento, e não está tendo fluxo gênico. E tem outros problemas, como a população de animais domésticos entrando e interagindo com os animais do parque”, aponta Tiago Falótico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Conservar essas populações é importante para a gente conservar a diversidade de tradições dos macacos-prego. Esses comportamentos são importantes para a sobrevivência desses animais, mas também nos ajudam, enquanto seres humanos, a entender mais sobre nós mesmos”, conclui Tatiane.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>First observation of a leucistic bearded capuchin monkey (Sapajus libidinosus)</em>&nbsp;foi&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10329-026-01243-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado na revista&nbsp;<em>Primates</em></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: tiago@neoprego.org, com Tiago Falótico</p>



<p class="wp-block-paragraph">FONTE: Jornal da USP / <em>Sapajus libidinosus</em>, também chamado de macaco-prego barbado ou capuchinho, foi registrado por pesquisadores brasileiros no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará &#8211; Foto: Tatiane Valença/NePReGo</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="COMO FAZER UMA BOA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/i-kywYY-vZw?start=3&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Por que narcisismo é menos óbvio em mulheres que em homens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 17:42:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Narcisismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O termo&#160;narcisismo&#160;pode evocar imagens de homens arrogantes e cheios de si. Este traço de personalidade — com as suas características marcantes de ostensiva grandiosidade, assertividade e superioridade — é, de fato, mais frequentemente observado no sexo masculino. Isso acontece porque estas características centrais estão bastante alinhadas com os traços masculinos tradicionais. Na verdade, até 75% [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ava Green e Claire Hart</strong></li>



<li><strong>The Conversation*</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O termo&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-61654950">narcisismo</a>&nbsp;pode evocar imagens de homens arrogantes e cheios de si. Este traço de personalidade — com as suas características marcantes de ostensiva grandiosidade, assertividade e superioridade — é, de fato, mais frequentemente observado no sexo masculino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso acontece porque estas características centrais estão bastante alinhadas com os traços masculinos tradicionais. Na verdade, até 75% das pessoas diagnosticadas com transtorno de personalidade narcisista são homens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, na realidade, o narcisismo é uma epidemia moderna que afeta igualmente homens e&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94yx8n48t">mulheres</a>. A nossa nova pesquisa,&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s11199-024-01471-4">publicada na revista acadêmica Sex Roles</a>, mostra como o narcisismo se manifesta de forma diferente no sexo feminino — mas revela que as mulheres narcisistas podem ser tão perigosas e violentas quanto seus homólogos masculinos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o nosso estudo, as mulheres com traços elevados de narcisismo tendem a ser mais vulneráveis ​​e inseguras do que seus pares do sexo masculino. Isso significa que a condição, às vezes, pode passar despercebida pelos profissionais de saúde — sendo, por exemplo, diagnosticada erroneamente como <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-45442710">transtorno de personalidade limítrofe ou borderline</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O narcisismo é um traço de personalidade complexo. Embora o transtorno de personalidade narcisista propriamente dito não seja muito comum, afetando cerca de 1% a 2% da população, todos nós apresentamos narcisismo em variados graus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-58412229">traços de personalidade narcisista podem ser manifestados de duas formas: grandiosa e vulnerável</a>. Pessoas que apresentam características mais grandiosas são autoconfiantes e socialmente dominantes. Pessoas que possuem características mais vulneráveis ​​são introvertidas e têm baixa autoestima. Ambas as formas compartilham um núcleo antagônico, demonstrado por elevados níveis de senso de merecimento e uma vontade de explorar os outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto das relações íntimas, o narcisismo tem sido igualmente associado à prática de violência por parte dos homens. As ameaças à sua autoestima podem evocar sentimentos de vergonha, humilhação e orgulho ferido, levando a comportamentos agressivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as mulheres sejam menos propensas a apresentar manifestações estereotipadas de narcisismo, isso não significa que o narcisismo não seja tão comum nas mulheres. Basta lembrar, por exemplo, das várias celebridades de reality shows que são notórias por seu egocentrismo e vaidade — características frequentemente associadas ao narcisismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o narcisismo nas mulheres vai além do traço autocentrado. O narcisismo vulnerável envolve características como vulnerabilidade emocional, baixa autoestima e inibição. Estas características se sobrepõem às noções tradicionais de feminilidade. Tais diferenças de&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cwr9jr0jyj9t">gênero</a>&nbsp;no narcisismo podem ser resultado de estereótipos específicos de gênero masculino e feminino, arraigados desde a infância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consequentemente, a tendência dos homens de exibir características mais grandiosas, e das mulheres de exibir características mais vulneráveis ​​pode, em parte, ter origem em estilos de criação destinados a deixar os meninos mais assertivos, e as meninas mais carinhosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, existe o perigo de interpretar o narcisismo nas mulheres como menos prejudicial devido à sua apresentação inicial como mais afáveis, carinhosas, passivas e vulneráveis do que os homens. Sob esta persona, elas podem ser desprovidas de empatia e nutrir altos níveis de senso de merecimento e vontade de explorar os outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso sugere que homens e mulheres podem ser agressivos ou violentos de maneiras diferentes. As mulheres narcisistas podem ser mais propensas a manipular as pessoas, espalhar rumores ou ser mais passivo-agressivas do que os homens narcisistas, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossa pesquisa recente testou isso pela primeira vez. Em um estudo com 328 adultos (176 mulheres e 152 homens), analisamos a complexa dinâmica entre experiências da infância, narcisismo e atos de violência conjugal em homens e mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os participantes preencheram um questionário online e responderam a perguntas sobre seus traços de personalidade. Detectamos assim características grandiosas e vulneráveis ​​do narcisismo com base no Inventário de Narcisismo Patológico. Os participantes também foram solicitados a indicar quaisquer conflitos que possam ter surgido durante seus relacionamentos íntimos passados ​​ou atuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os homens obtiveram uma pontuação mais alta no narcisismo grandioso, enquanto as mulheres apresentaram uma pontuação mais alta no narcisismo vulnerável. Apesar destas diferenças marcantes de gênero, é importante lembrar que o narcisismo existe ao longo de um espectro. Os homens podem exibir características vulneráveis, ​​e as mulheres também podem exibir características grandiosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O narcisismo grandioso nos homens foi associado a uma maior perpetração de violência psicológica conjugal, como ser controlador, intimidador ou manipulador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Surpreendentemente, o narcisismo grandioso nos homens não estava associado à violência física. Isso entra em conflito com algumas pesquisas anteriores que mediram o narcisismo usando métodos diferentes. Mas, em geral, os homens são mais propensos do que as mulheres a praticar atos de violência, então uma proporção de homens narcisistas é susceptível a ser violenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais surpreendentemente, o narcisismo vulnerável nas mulheres estava associado a uma maior perpetração de violência física, sexual e psicológica conjugal. É importante observar aqui que nem toda mulher com traços narcisistas vulneráveis ​​é violenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez disso, características específicas do narcisismo vulnerável, como desvalorizar os outros (atribuindo qualidades negativas exageradas) e ter raiva relacionada ao senso de merecimento (atacar quando não consegue o que acha que merece) estão associadas ao comportamento violento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres que apresentam estas características em maior grau têm mais chance de depender vergonhosamente de outras pessoas para proporcionar admiração. Como resultado, são mais propensas a reagir violentamente numa tentativa de regular sua autoestima e ganhar posições de poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as mulheres, recordar que tiveram uma mãe atenciosa durante a infância foi associado a níveis reduzidos de narcisismo vulnerável e atos de violência contra seu parceiro. Isto sugere que pode haver &#8220;amortecedores&#8221; que podem ser reconhecidos e integrados em programas de intervenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="As-mulheres-narcisistas">As mulheres narcisistas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das evidências de longa data que retratam os homens narcisistas como mais violentos do que as mulheres, a nossa pesquisa mostra que as mulheres narcisistas não são apenas agressivas verbalmente, como frequentemente são retratadas nos estudos, mas também violentas fisicamente com seu parceiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, a maneira como as mulheres narcisistas abusam dos outros pode não ser reconhecida como estereotipadamente narcisista. Pelo contrário, elas podem usar sua identidade feminina para se aproveitar das expectativas sociais das mulheres como sendo carinhosas e passivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto pode incluir explorar sua aparente vitimização para ganhar posições de poder e controle. Entre as táticas insidiosas, podem estar: fazer ameaças de (falsas) acusações de abuso, negar intimidade e afeto, explorar a maternidade para colocar os filhos contra o pai, e agredir fisicamente o parceiro e alegar legítima defesa para ganhar a simpatia das autoridades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa pesquisa desafia o estereótipo de que as mulheres são sempre as vítimas nos relacionamentos abusivos. Esta compreensão equilibrada promove uma visão com mais nuances da dinâmica relacional e dos papéis de gênero nas relações íntimas. Ao procurar características de narcisismo nas mulheres, podemos reconhecer e desmascarar melhor sua verdadeira natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Ava Green é professora de psicologia forense, City, Universidade de Londres, no Reino Unido.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Claire Hart é professora de psicologia na Universidade de Southampton, no Reino Unido.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas </em><a href="https://theconversation.com/"><em>The Conversation</em></a><em> e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. </em><a href="https://theconversation.com/narcissism-why-its-less-obvious-in-women-than-in-men-but-can-be-just-as-dangerous-231392"><em>Leia aqui a versão original</em></a><em> (em inglês).</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / GETTY IMAGES</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A importância do trabalho de comunicação no Sistema de Justiça" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/wjhJIeSwAgU?start=4431&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>As misteriosas partículas &#8216;fantasmas&#8217; buscadas por cientistas do maior acelerador de partículas do mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 20:18:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[partículas 'fantasmas']]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há muito tempo, físicos suspeitam que as misteriosas&#160;partículas&#160;&#8220;fantasmas&#8221; que nos rodeiam poderiam ajudar a avançar muito na&#160;compreensão&#160;da verdadeira natureza do Universo. Agora os cientistas acreditam que encontraram uma maneira de provar se essas&#160;partículas&#160;existem ou não. O centro europeu de investigação de partículas, Cern, aprovou uma experiência concebida para encontrar provas da sua existência. O novo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Há muito tempo, físicos suspeitam que as misteriosas&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62054807">partículas</a>&nbsp;&#8220;fantasmas&#8221; que nos rodeiam poderiam ajudar a avançar muito na&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cw4vq0nj5kjo">compreensão</a>&nbsp;da verdadeira natureza do Universo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora os cientistas acreditam que encontraram uma maneira de provar se essas&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56536889">partículas</a>&nbsp;existem ou não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O centro europeu de investigação de partículas, Cern, aprovou uma experiência concebida para encontrar provas da sua existência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O novo instrumento será mil vezes mais sensível a essas partículas do que os dispositivos anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele esmagará as partículas em uma superfície dura para detectá-las, em vez de umas contra as outras, como o principal dispositivo do Cern, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, por suas siglas em inglês) — o maior acelerador de partículas do mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-que-são-partículas-fantasmas">O que são partículas &#8216;fantasmas&#8217;?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, afinal, o que são essas partículas &#8220;fantasmas&#8221; e por que foi necessária uma nova abordagem para detectá-las?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria atual da física de partículas é chamada de Modelo Padrão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela diz que tudo no Universo é composto por uma família de 17 partículas, algumas bem conhecidas como elétron e o bóson de Higgs, assim como os menos conhecidos quark charm, neutrino do tau e glúons.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas são misturadas em diferentes combinações para formar as partículas maiores, mas ainda incrivelmente pequenas, que constituem o mundo que nos rodeia, bem como as estrelas e galáxias que vemos no espaço, enquanto outras estão envolvidas nas forças da natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há um problema: os astrônomos notaram coisas nos céus – a forma como as galáxias se movem, por exemplo – que sugerem fortemente que tudo o que podemos observar representa apenas cinco por cento do Universo.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/d0cb/live/521cc3d0-eaae-11ee-9410-0f893255c2a0.png" alt="Ilustração BBC"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns, ou mesmo todo o resto do Universo, podem ser constituídos por partículas &#8220;fantasmas&#8221; ou &#8220;ocultas&#8221;. Acredita-se que sejam&nbsp;<em>doppelgangers&nbsp;</em>(sósias) fantasmas das 17 partículas do Modelo Padrão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se existirem, são realmente difíceis de detectar porque muito raramente interagem com o mundo que conhecemos. Como fantasmas, passam direto por tudo e não podem ser detectadas por nenhum dispositivo terrestre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a teoria é que as partículas podem, muito raramente, desintegrar-se em partículas do Modelo Padrão, e estas podem ser encontradas por detectores. O novo instrumento aumenta as chances de detectar essas desintegrações, aumentando consideravelmente o número de colisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de colidir partículas, como faz a maioria dos experimentos atuais, o Buscador de Partículas Ocultas (em inglês Search for Hidden Particles, SHiP) irá colidi-las em um grande bloco de material. Isso significa que todas as partículas são quebradas em pedaços menores – em vez de apenas algumas delas. O diagrama abaixo mostra por que esta abordagem de &#8220;alvo fixo&#8221; é muito mais eficaz.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/f9ef/live/833bfda0-eaae-11ee-860f-4b0b053e4cd0.png" alt="Ilustração"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O caça-fantasmas-chefe do projeto, Andrey Golutvin, profesor da Imperial College, em Londres, disse que o experimento &#8220;marca uma nova era na busca por partículas ocultas&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O SHiP tem a possibilidade única de resolver vários dos principais problemas da física de partículas, e temos a perspectiva de descobrir partículas que nunca foram vistas antes&#8221;, disse ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A caça às partículas fantasmas requer equipamento especialmente adaptado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com experimentos normais, usando o Grande Colisor de Hádrons, por exemplo, novas partículas podem ser detectadas até um metro da colisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas as partículas fantasmas podem permanecer invisíveis e viajar dezenas ou mesmo centenas de metros antes de se desintegrarem e se revelarem. Por isso, os detectores do SHiP poderão localizar uma distância muito maior.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Somos-exploradores">&#8216;Somos exploradores&#8217;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O professor Mitesh Patel, da Imperial College, descreveu a nova abordagem como &#8220;engenhosa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que realmente me atrai nesta experiência é que estas partículas estão mesmo debaixo dos nossos narizes, mas nunca fomos capazes de as ver devido à forma como interagem, ou melhor, pela forma como não interagem.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Somos exploradores e acreditamos que podemos ver algo interessante neste novo terreno. Então, temos que dar uma olhada.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SHiP será construído dentro das instalações existentes no Cern, de acordo com Claudia Ahdida, física do Cern.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Usaremos uma caverna e infraestrutura existente e de peças que tentaremos reutilizar tanto quanto possível e o que teremos é uma instalação que nos ajudará a procurar esse setor oculto, que nunca foi visto antes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O SHiP será executado ao lado de todos os outros experimentos do Cern, o maior dos quais é o Large Hadron Collider, que tem procurado os 95% desaparecidos do Universo desde que foi concluído em 2008, a um custo de £ 3,75 bilhões (cerca de R$ 23,5 bilhões). Até agora não foi encontrada nenhuma partícula fora do Modelo Padrão e, portanto, o plano é construir uma máquina três vezes maior e muito mais poderosa.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/c807/live/9c8d0240-eaae-11ee-8bf3-195418ba9285.png" alt="Ilustração BBC"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c72grpvx5x1o">Future Circular Collider</a>&nbsp;(FCC), um novo supercolisor apresentado por pesquisadores na Suíça, tem um custo inicial estimado em £12 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A data de início de operação planejada desse equipamento é em meados da década de 2040, embora não atinja todo o seu potencial de caça a partículas até 2070.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contraste, a experiência SHiP está programada para começar a procurar novas partículas em 2030 e será cerca de cem vezes mais barata, custando cerca de £ 100 milhões (cerca de R$ 628 milhões).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas os pesquisadores dizem que todas as abordagens são importantes para explorar todas as opções possíveis, para encontrar as partículas que, segundo eles, levariam a um dos maiores avanços na física de todos os tempos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / VICTOR DE SCHWANBERG/SCIENCE PHOTO LIBRARY</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Processo eleitoral ipiraense: uma análise para 2024" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/hU-_gJlixx0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Dados da ONU alertam para o derretimento de geleiras e contínua ameaça às cidades costeiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jan 2024 14:09:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[cidades costeiras]]></category>
		<category><![CDATA[Derretimento de geleiras]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo Alexander Turra, a dificuldade em medir o nível do mar é justamente porque muda de ponto a ponto, mas, ao longo dos anos, esses milímetros de elevação acabam afetando diversas cidades costeiras como um todo Por Sandra Capomaccio &#8211; Segunda, 22 de janeiro de 2024 O fenômeno da elevação do nível do mar é complexo&#160; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>Segundo Alexander Turra, a dificuldade em medir o nível do mar é justamente porque muda de ponto a ponto, mas, ao longo dos anos, esses milímetros de elevação acabam afetando diversas cidades costeiras como um todo</em></p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/01/OCEANO-ELEVADO_SANDRA-CAPOMACCIO.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption">Radio USP</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Por <a href="https://jornal.usp.br/author/scapousp-br/">Sandra Capomaccio</a> &#8211; Segunda, 22 de janeiro de 2024</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="343" height="343" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/01/image-26.png" alt="" class="wp-image-110859" style="width:149px;height:auto" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/01/image-26.png 343w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/01/image-26-300x300.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/01/image-26-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 343px) 100vw, 343px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Alexander Turra – Foto: Reprodução/IEA USP</em></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno da elevação do nível do mar é complexo&nbsp; e fortemente ligado ao aquecimento do planeta e do&nbsp; oceano.&nbsp;&nbsp;Também está associado ao derretimento das calotas polares, dos glaciares e do gelo acumulado em áreas elevadas do planeta. Apesar desses serem&nbsp; alguns dos motivos, existem outros, segundo o biólogo Alexander Turra,&nbsp; professor do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo e coordenador da cátedra Unesco para a sustentabilidade do oceano, especialista em gerenciamento costeiro. Existe dificuldade em medir a elevação do nível do mar, justamente porque muda de ponto a ponto, mas, ao longo dos anos, esses milímetros de elevação acabam afetando diversas cidades costeiras como um todo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A salinização dos estuários acaba levando a migração dos manguezais para o interior das encostas, justamente onde não existem construções. São problemas de grande magnitude que afetam o meio ambiente e pouco visíveis para a maioria das pessoas.&nbsp;Existe maneiras de reduzir esse quadro, porém é preciso diminuir as emissões de gases e retirada do excesso de gás carbônico da atmosfera de forma drástica.&nbsp;O racismo ambiental é gerado nas camadas mais vulneráveis da sociedade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A migração de algumas comunidades e populações em áreas arenosas das encostas&nbsp; já vem ocorrendo em diversas localidades no mundo. Aqui no Brasil, o fato já ocorre em cidades como o Rio de Janeiro.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mobilidade sustentável</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_646804"><a href="https://jornal.usp.br/universidade/campus-da-usp-usa-tecnologia-de-biolarvicida-para-controle-do-mosquito-transmissor-da-dengue/attachment/20230605_raquel_rolnik_fau_usp/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/06/20230605_raquel_rolnik_fau_usp.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-646804" style="width:134px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Raquel Rolnik – Foto: Marcos Santos/USP Imagens</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A urbanista e professora Raquel Rolnik, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, reforça o tema de que&nbsp; uma mobilidade mais sustentável contribuiria de forma importante para a eliminação de parte do uso de veículos movidos por combustíveis fósseis.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da colocação de&nbsp; obras de contenção como muros, diques, quebra-mar e pedras, nada deve mudar o quadro, justamente por causa de dois fatores: solo arenoso e de baixa elevação, fazendo com que cidades e até países desapareçam do mapa, como está ocorrendo no Oceano Pacífico, avalia Raquel.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É preciso entender o meio ambiente e a natureza de cada um deles,&nbsp; um bom exemplo disso são as palafitas na Amazônia, que foi uma solução adequada para viver em locais onde as águas sobem de acordo com&nbsp; o nível do rio”, explica a urbanista.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro tipo de solução são as “áreas esponjas” como os mangues, onde a água é absorvida como uma espécie de barreira, uma espécie de colchão entre o mar e a terra. Isso sem falar das cidades flutuantes. A Universidade tem papel fundamental para a obtenção de resultados importantes, na medida em que prepara alunos, docentes e profissionais para o futuro desafio das cidades.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Efeito estufa</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O efeito estufa e a elevação da temperatura do planeta têm um efeito direto sobre o oceano, que presta um grande serviço à atmosfera, eliminando o gás carbônico. Na medida que a temperatura da atmosfera aumenta, a do oceano acompanha, trazendo diversos problemas às espécies marinhas e à biodiversidade. Exemplo disso é o branqueamento dos corais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Meteorológica Mundial (OMM)&nbsp; confirmou a elevação recorde em 2022 e alertou que a tendência continuará por milênios. O derretimento acelerado de geleiras deve continuar ameaçando cidades costeiras e países insulares. Não menos grave é o fato de que o&nbsp;&nbsp;aquecimento dos oceanos afeta também os peixes que vivem em determinadas regiões, porque acabam migrando para outras localidades menos quentes, afetando a vida de pescadores e, consequentemente, a economia local.&nbsp;A matriz energética, dizem os especialistas, precisaria ser alterada, isso sem falar da necessidade de trabalhar para uma economia de baixo carbono em países como os EUA e a China, onde a tecnologia impera. Valores precisam ser revistos, já que ambos prejudicam todo o mundo.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Exercícios físicos e os pontos positivos na rotina diária" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/lpyYdUUHKy0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/dados-da-onu-alertam-para-o-derretimento-de-geleiras-e-continua-ameaca-as-cidades-costeiras/">Dados da ONU alertam para o derretimento de geleiras e contínua ameaça às cidades costeiras</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>James Webb acha possível sinal de vida próximo da Terra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 11:02:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[James Webb]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Finalmente o telescópio James Webb trouxe algo além de fotos bonitas que parecem de AI: a novidade é a presença de moléculas contendo carbono em um planeta relativamente próximo daqui. A descoberta complementa estudos mais antigos sobre esse mesmo exoplaneta, chamado nada carinhosamente de K2-18, feitas por outros dois super telescópios. Por que isso é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Finalmente o telescópio James Webb trouxe algo além de fotos bonitas que parecem de AI: a novidade é a presença de moléculas contendo carbono em um planeta relativamente próximo daqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta complementa estudos mais antigos sobre esse mesmo exoplaneta, chamado nada carinhosamente de K2-18, feitas por outros dois super telescópios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que isso é importante? Essas moléculas indicam que o K2-18 pode ter uma atmosfera rica em hidrogênio e uma superfície coberta de água, o que traz chances reais de vida.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/12.jpg" alt="" class="wp-image-86863" style="width:838px;height:105px" width="838" height="105" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/12.jpg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/12-300x38.jpg 300w" sizes="(max-width: 838px) 100vw, 838px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Explicando melhor, esse exoplaneta possui entre duas e três vezes o tamanho da Terra e está a cerca de 120 anos-luz de nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da hipótese que pode haver um oceano por lá, o K2-18 se localiza na zona habitável da sua estrela, onde a temperatura também favorece a existência de formas de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já podemos pensar nos ETs? Calma lá… Alguns outros fatores importantes ainda precisam ser estudados para que as hipóteses sejam confirmadas, mas os cientistas consideram os dados atuais animadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até porque as novas descobertas mostram a importância de considerar vida em diversos ambientes. Anteriormente, o foco era apenas em planetas rochosos e menores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: The News</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Eleições Conselho Tutelar 2023" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/ZdCK9ysY590?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/james-webb-acha-possivel-sinal-de-vida-proximo-da-terra/">James Webb acha possível sinal de vida próximo da Terra</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Força Nacional terá presença reforçada na Amazônia Legal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Aug 2023 04:45:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonia Legal]]></category>
		<category><![CDATA[Força Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Dino fez o anúncio na 1ª Cúpula Judicial Ambiental da Amazônia Por Daniella Longuinho &#8211; Sábado, 5 de agosto de 2023 O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou nesta sexta-feira  que o governo federal vai ampliar a presença de forças de segurança nos estados da Amazônia Legal. O anúncio foi feito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Flávio Dino fez o anúncio na 1ª Cúpula Judicial Ambiental da Amazônia</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por Daniella Longuinho &#8211; Sábado, 5 de agosto de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou nesta sexta-feira  que o governo federal vai ampliar a presença de forças de segurança nos estados da Amazônia Legal.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1547593&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1547593&amp;o=node"></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="720" height="90" data-id="94432" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/2.jpg" alt="" class="wp-image-94432" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/2.jpg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/2-300x38.jpg 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">O anúncio foi feito durante a 1ª Cúpula Judicial Ambiental da Amazônia, em Belém. O evento é promovido pelo Conselho Nacional de Justiça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ministro destacou que o maior desafio de comando e controle na região é a presença de facções criminosas, que operam atividades ilegais de garimpo, extração de madeira e tráfico de armas e de drogas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o ministro, para aumentar o combate aos crimes o governo vai investir R$ 2 bilhões&nbsp;em novas estruturas de segurança, como um centro integrado em Manaus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também está&nbsp;prevista a criação de um centro internacional de cooperação comandado pela Polícia Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ministro Flávio Dino também defendeu, durante o encontro, que a sustentabilidade ambiental não é dissociada da dimensão social&nbsp;e pediu esforços para garantir trabalho, dignidade e direitos ao povo da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agencia Brasil &#8211; EBC</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Abertura dos jogos escolares de Ipirá - JEI 2023" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/QJQ0rCOn2QA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Entenda o fenômeno da &#8220;superlua&#8221; que vai iluminar o céu em 1º e 31 de agosto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Jul 2023 23:13:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[super lua]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sábado, 29/07/2023 &#8211; 20h00 Por Redação Neste mês de agosto, ocorrem as duas superluas de 2023. Como resultado desse fenômeno, a lua estará maior e mais brilhante em 1º e 31 de agosto, pois estará no perigeu, ponto da órbita de máxima aproximação da Terra. A Superlua de 31 de agosto é também chamada de &#8220;Lua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sábado, 29/07/2023 &#8211; 20h00</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por Redação</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste mês de agosto, ocorrem as duas superluas de 2023. Como resultado desse fenômeno, a lua estará maior e mais brilhante em 1º e 31 de agosto, pois estará no perigeu, ponto da órbita de máxima aproximação da Terra.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70022" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022"/></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">A Superlua de 31 de agosto é também chamada de &#8220;Lua Azul” por ser a segunda lua cheia do mês. Assim, em 31 de agosto teremos uma &#8220;Super Lua Azul&#8221;, que será a superlua mais próxima da Terra este ano. As informações são do Observatório Nacional, instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme explica a Dra. Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional – unidade de pesquisa vinculada ao MCTI – os termos &#8220;lua azul&#8221; e &#8220;superlua&#8221; não são definições científicas. O termo &#8220;superlua&#8221; foi criado pelo astrólogo Richard Nolle em 1979. Na revista periódica americana Dell Horoscope, que não existe mais, ele escreveu que receberia o selo “super” uma lua cheia que ocorre com a lua no perigeu ou até 90% próxima desse ponto. Não está claro por que ele escolheu o corte de 90% em sua definição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como o termo não é originalmente científico, instituições astronômicas podem divergir sobre a distância da Lua em relação à Terra que caracteriza a Superlua. A superlua, que pode ser cheia ou nova, ocorre de uma a seis vezes por ano. No entanto, em alguns casos, a distância Terra-Lua é menor do que em outros. Isso ocorre porque a órbita da lua não é circular, mas sim elíptica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portanto, em sua trajetória ao redor da Terra, a lua fica ora mais próxima, ora mais afastada. Quando o satélite se encontra no ponto da órbita mais próximo em relação à Terra, está no perigeu. Por outro lado, quando está no ponto da órbita mais afastado da Terra, a lua está no apogeu. Em média, a distância entre a Terra e a Lua é de cerca de 382.900 quilômetros. “Os observadores poderão notar uma lua mais brilhante do que outras luas. O fenômeno poderá ser visto em todas as regiões do planeta, basta que o tempo esteja favorável”, destacou Josina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A astrônoma explica que todas as luas cheias nascem no horizonte (a leste), quando o sol se põe (a oeste), e se põem (a oeste) quando o Sol nasce (a leste), portanto é possível ver a Lua durante toda a noite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo Josina, no dia 14 de novembro de 2016, ocorreu a Superlua mais próxima da Terra desde 26 de janeiro de 1948. Naquela data, a Lua estava 356.509 quilômetros de distância do nosso planeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A próxima vez que a Lua Cheia vai chegar ainda mais perto da Terra será em 25 de novembro de 2034.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/entenda-o-fenomeno-da-superlua-que-vai-iluminar-o-ceu-em-1o-e-31-de-agosto/">Entenda o fenômeno da “superlua” que vai iluminar o céu em 1º e 31 de agosto</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Brasil gasta quase quatro vezes mais com sistema prisional em comparação com educação básica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 May 2022 13:09:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Gasto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cada preso custa, em média, R$ 1,8 mil por mês aos cofres públicos, enquanto um aluno da educação básica custa R$ 470,00. Para pesquisador, comparativo se torna ainda mais relevante quando associado ao caráter dessocializador do sistema prisional   Domingo, 22 de maio de 2022 Autor: Vinicius Botelho Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coletados [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="wp-block-heading">Cada preso custa, em média, R$ 1,8 mil por mês aos cofres públicos, enquanto um aluno da educação básica custa R$ 470,00. Para pesquisador, comparativo se torna ainda mais relevante quando associado ao caráter dessocializador do sistema prisional</h3>



<p class="wp-block-paragraph">  Domingo, 22 de maio de 2022</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autor: Vinicius Botelho</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coletados em&nbsp;2022&nbsp;apontam que um preso custa, em média, R$ 1,8 mil mensais aos cofres brasileiros. Já um aluno da educação básica – segundo informações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – recebe um investimento mínimo médio anual de R$ 5,6 mil – cerca de R$ 470,00 por mês, valor quatro vezes menor.&nbsp;A atualização mensal do custo do preso no Brasil é recente, e surgiu após um&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/nao-ha-transparencia-sobre-gastos-com-presos-diz-pesquisador/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>&nbsp;na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP identificar a falta de transparência em relação a informações relacionadas aos presídios brasileiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, o grupo de pesquisadores, liderados pelo professor Cláudio do Prado Amaral, já buscava definir o valor gasto com cada encarcerado, entretanto, de todos os Estados brasileiros consultados durante a pesquisa, apenas três responderam às solicitações, e nenhum deles informou se os números seguiam os parâmetros do Ministério da Justiça.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ouça, no player abaixo, entrevista do professor Cláudio do Prado Amaral e do procurador da república José Rubens Plates sobre o gasto médio no Brasil com cada preso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo José Rubens Plates,&nbsp; que utilizou a pesquisa, o acesso aos gastos da administração carcerária está previsto na Resolução 6 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) e era sonegado ao cidadão brasileiro. “O problema foi solucionado após a conclusão da primeira parte da pesquisa, cujos resultados da falta de transparência foram encaminhados diretamente ao Ministério da Justiça.”&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Mudança de olhar</h2>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o professor Amaral, o comparativo dos valores destinados à educação e ao sistema carcerário chama a atenção, mas se torna ainda mais relevante quando associado ao caráter dessocializador do sistema prisional. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que, em 90% dos casos, uma pessoa encarcerada sai do sistema prisional com dificuldades em exercer atividades cotidianas, classificadas, pelo professor, como socialização negativa.</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/05/PRESO-CUSTO-VINICIUS-BOTELHO-4.mp3"></audio><figcaption>Radio USP</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Frente a essa realidade, o procurador defende que “a sociedade brasileira precisa mudar a ótica com que olha as cadeias”, deixando de lado o desprezo e adotando uma postura de análise social dos presídios brasileiros. Essa prática, segundo Plates, viabiliza discussões e propostas que contribuem para uma melhora do sistema prisional como um todo e, consequentemente, uma melhor utilização dos recursos públicos da sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ouça no player abaixo entrevista do professor Cláudio do Prado Amaral e do procurador da república José Rubens Plates sobre a falta de transparência dos dados do sistema carcerário no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/05/PRESO-TRANSPARENCIA-VINICIUS-BOTELHO-3.mp3"></audio><figcaption>Radio USP</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Participação social nas políticas penitenciárias</h2>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/05/20220522_claudio.png?fit=300%2C298&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption>Cláudio do Prado Amaral – Reprodução/ Youtube</figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Cláudio explica que o acesso aos dados do sistema penitenciário é essencial para garantir a participação da sociedade na construção de políticas públicas. A população só pode questionar e cobrar mudanças do poder público se tiver acesso aos valores gastos com cada encarcerado, direito fundamental de todo cidadão, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o professor, “as pesquisas desenvolvidas no ambiente universitário e acadêmico possuem potencial de impacto social positivo”. A partir delas, políticas públicas podem ser planejadas e estruturadas, evidenciando a importância e o papel daquilo que é produzido na Universidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa é do Grupo de Estudos Carcerários Aplicados da USP (Gecap), responsável por desenvolver trabalhos que possam contribuir na melhoria do sistema prisional e da justiça criminal brasileira.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail cpamaral@usp.br com Cláudio do Prado Amaral</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Loiane Fernandes - Diretora da APLB e Jeane Alencar - Vice-diretora da APLB" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Sv5amhQrsls?start=15&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Emergência climática: soluções existem, mas é preciso agir agora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 21:13:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emissões globais precisam cair 43% até 2030 para evitar aumento acima de 1,5 ºC, segundo o IPCC. Governo brasileiro divulgou meta menos ambiciosa do que a anterior Autor:&#160;Herton Escobar Arte: Rebeca Fonseca Sábado, 9 de abril de 2022 “Ainda há tempo de evitar o pior das mudanças climáticas, mas esse tempo está se esgotando. É preciso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Emissões globais precisam cair 43% até 2030 para evitar aumento acima de 1,5 ºC, segundo o IPCC. Governo brasileiro divulgou meta menos ambiciosa do que a anterior</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Autor:</strong>&nbsp;Herton Escobar</h2>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Arte:</strong> Rebeca Fonseca</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sábado, 9 de abril de 2022</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ainda há tempo de evitar o pior das mudanças climáticas, mas esse tempo está se esgotando. É preciso agir já.” Se você acha que já ouviu essa mensagem antes — muitas vezes até, provavelmente —, sim, você está certo. Ela vem sendo repetida há anos, exaustivamente, pelos cientistas, e o problema é exatamente esse: o recado não muda porque a situação não muda (só piora) e o tempo disponível para agir está cada vez mais curto.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse é o principal recado, mais uma vez, do sexto Relatório de Análise (<a href="https://www.ipcc.ch/assessment-report/ar6/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">AR6</a>) do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que teve seu&nbsp;<a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">terceiro</a>&nbsp;e último fascículo publicado no início desta semana, 4 de abril. Os dois primeiros blocos (divulgados em agosto de 2021 e fevereiro de 2022) trataram das evidências científicas do aquecimento global, das suas consequências para o clima do planeta e para a espécie humana, e da necessidade urgente de preparação e adaptação a essas mudanças. Já este terceiro fascículo descreve o que é necessário fazer para impedir que a situação piore ainda mais daqui para frente — as chamadas “medidas de mitigação”. E atenção: o cenário não é nada bom.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos aos números: as emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs) na década de 2010 a 2019 foram as maiores de todos os tempos. Ou seja, a espécie humana nunca jogou tanto gás carbônico na atmosfera como agora, apesar de todos os alertas, desastres e acordos climáticos das últimas décadas. A média no período foi de 56 bilhões de toneladas lançados na atmosfera por ano; 9 bilhões a mais por ano do que na década anterior (2000-2009) e bem mais do que em qualquer outro período da história humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de dois terços dessas emissões, segundo o relatório, são de dióxido de carbono (CO<sub>2</sub>) gerado pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) na indústria, principalmente para a geração de energia e transportes. As emissões de CO<sub>2</sub>&nbsp;oriundas das chamadas “mudanças de uso do solo e florestas” são 11% do total, enquanto que as de metano (CH<sub>4</sub>) respondem por 18%, segundo o relatório. É nessas duas últimas categorias que o Brasil dá sua maior contribuição para o aquecimento do planeta, por meio do desmatamento (que libera quantidades enormes de CO<sub>2&nbsp;</sub>para a atmosfera) e da agropecuária (que é uma grande fonte de CH<sub>4</sub>), como mostra o&nbsp;<a href="https://plataforma.seeg.eco.br/total_emission#" target="_blank" rel="noreferrer noopener">último relatório</a>&nbsp;do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa&nbsp;(SEEG), do&nbsp;Observatório do Clima.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220407_gees-1.jpg?ssl=1"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220407_gees-1.jpg?fit=886%2C465&amp;ssl=1" alt=""/></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Diante deste cenário (que já elevou a temperatura média do planeta em 1ºC), a janela de oportunidade que a humanidade tem para frear as mudanças climáticas está mais apertada do que nunca. Ainda não se fechou por completo, mas resta apenas uma fresta — falta saber se vamos passar por ela.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ter uma chance razoável (acima de 50%) de manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC — que é o “limite de segurança” estipulado pela ciência e definido como meta pelo Acordo de Paris — as emissões globais de GEE precisam parar de subir até 2025, no máximo, e depois cair 43% até 2030, segundo o relatório. Para um limite de 2ºC, essa redução precisa ser de 25%.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De um jeito ou de outro, os cortes são grandes, e precisam começar imediatamente. Pelo andar da carruagem atual, se nada for feito além do que já está sendo feito agora, segundo o IPCC, o aumento de temperatura será de 3,2ºC em 2100; um cenário desastroso para o planeta. A previsão é que os eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes à medida que a temperatura aumenta, potencializando o risco de falta de alimentos, falta de energia, escassez hídrica, extinção de espécies, incêndios, inundações, ondas de calor, enchentes e tempestades, como as que arrasaram a cidade de Petrópolis (RJ) no início deste ano. Entre outras ameaças. (No gráfico ao lado, a linha vermelha representa para onde estamos indo; as linhas verde e azul mostram para onde deveríamos ir para cumprir o Acordo de Paris.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mais do que qualquer outro relatório lançado (até agora), este aponta a necessidade da urgência de redução de emissões”, disse o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, em um&nbsp;<a href="https://youtu.be/n42y0A7y1Gc" target="_blank" rel="noreferrer noopener">webinário</a>&nbsp;sobre o tema, organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “O relatório fala que nós precisamos agir já”, completou ele, ressaltando que as mudanças climáticas não são mais uma preocupação do futuro, mas “uma questão do presente”.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2018/11/20181126_paulo_artaxo_perfil.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1" alt="" width="244" height="244"/><figcaption><em>Paulo Artaxo &#8211; Foto: Wikimedia</em></figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Reduzir as emissões rapidamente é absolutamente necessário, mas não suficiente, pois os gases do efeito estufa, ainda que em menor quantidade, continuarão se acumulando na atmosfera por longos períodos. Para frear de vez o aquecimento do planeta, segundo o IPCC, o mundo precisa se tornar “carbono neutro” por volta de 2050 (para estabilizar o aquecimento em 1,5ºC) ou 2070 (para o limite de 2ºC). Isso significa que todo o carbono lançado por atividades humanas na atmosfera precisa ser reabsorvido de alguma forma, seja por vias naturais ou tecnológicas. Para cada molécula de carbono que sobe, uma precisa descer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para isso vamos ter que construir uma nova sociedade, muito diferente da que temos hoje; muito mais sustentável e com muito mais igualdade econômica e social”, disse Artaxo — um dos 21 cientistas brasileiros que participaram diretamente da confecção do relatório (AR6 completo), produzido por um exército científico de quase 800 autores e revisores internacionais, ao longo de sete anos, com base em dezenas de milhares de estudos publicados sobre o tema na literatura científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É agora ou nunca, se quisermos limitar o aquecimento global a 1,5°C”, disse Jim Skea, especialista em clima e tecnologia do Imperial College London, que foi um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 3 do IPCC (responsável por este último fascículo do relatório). “Sem reduções imediatas e profundas de emissões em todos os setores, será impossível.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220408_pessoas_turbina.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption><em>Ativistas levantam uma turbina eólica na África do Sul &#8211; Foto: Shayne Robinson / Greenpeace</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Soluções limpas, boas e baratas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia, em meio a esse cenário desalentador, é que “já temos todas as soluções tecnológicas que precisam ser implementadas” para dar essa guinada, “em todos os setores”, pontua Artaxo. E a custo relativamente baixo: segundo o IPCC, a adoção ampla de medidas com custo abaixo de US$ 100 por tonelada de gás carbônico já seria suficiente para reduzir pela metade as emissões globais de GEE até 2030, comparado a 2019. As opções estão aí, só falta vontade para implementá-las.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos infográficos mais interessantes do novo relatório (SPM.7,&nbsp;<a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg3/figures/summary-for-policymakers" target="_blank" rel="noreferrer noopener">disponível aqui</a>) mostra a relação custo-benefício das várias estratégias atualmente disponíveis para mitigar o aquecimento global. A opção que se destaca como a mais barata e eficiente para reduzir emissões no curto prazo é a substituição de energia fóssil por energia solar e eólica — que, além de limpas e renováveis, tiveram seu custo de produção significativamente reduzido nos últimos dez anos. Em seguida aparecem estratégias ligadas ao setor de agricultura e florestas: redução do desmatamento, sequestro de carbono pela agricultura, reflorestamento e restauração florestal — também com alto potencial de mitigação de emissões, porém a custo maior do que o das energias renováveis.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220408_Matopiba.jpg?fit=1024%2C538&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption>Fronteira de área agrícola com vegetação nativa do Cerrado, na região conhecida como Matopiba<em> &#8211; Foto: Marizilda Cruppe /</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><em>Greenpeace</em></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas intervenções chegam a ter custo negativo, no sentido de que permitem reduzir gastos ao mesmo tempo que reduzem emissões e melhoram a qualidade de vida das pessoas. Por exemplo: a redução de demanda e aumento da eficiência energética nos setores de transporte e construção, com a adoção de carros e prédios mais econômicos e menos poluentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Reduzir as emissões de gases do efeito estufa em todo o setor de energia requer grandes transições, incluindo uma redução substancial no uso geral de combustíveis fósseis, a implantação de fontes de energia de baixa emissão, a mudança para transportadores alternativos de energia e eficiência e conservação de energia”, diz o&nbsp;<a href="https://report.ipcc.ch/ar6wg3/pdf/IPCC_AR6_WGIII_SummaryForPolicymakers.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Sumário para Tomadores de Decisão</a><em>,&nbsp;</em>um resumão simplificado de todo o conteúdo científico do relatório, feito para subsidiar as discussões políticas e diplomáticas sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio é enorme, mas não inatingível. Segundo o relatório, com uma combinação de boas políticas, boas tecnologias e bons comportamentos (pautados pela sustentabilidade) é possível reduzir as emissões globais de GEE em 40% a 70% até 2050, sem precisar inventar nenhuma roda. O que já seria suficiente, segundo os cientistas, para segurar o aquecimento global abaixo de 2ºC, pelo menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O custo econômico dessa mudança seria alto, claro, mas com uma relação de custo-benefício excelente. O impacto no PIB mundial seria de apenas alguns pontos porcentuais até 2050, segundo o relatório do IPCC. Ou seja, a economia mundial continuaria crescendo, apenas cresceria um pouco menos, com a vantagem nada desprezível de evitar o caos climático no planeta. “O custo da mitigação é alto, mas o custo de não reduzir emissões é pelo menos três vezes mais alto”, pontuou Artaxo. “É um preço muito grande que a nossa sociedade vai ter que pagar, e portanto temos que evitar e minimizar os danos o máximo possível.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220408_navio_petrobras.jpg?fit=1024%2C538&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption><em>Navio plataforma da Petrobras &#8211; Foto:</em> André Ribeiro / Agência Petrobras</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Captura de carbono</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Feita essa redução emergencial de emissões, a conquista da neutralidade de carbono, necessária para estabilizar a temperatura do planeta a longo prazo, vai exigir um esforço adicional de captura, estocagem e até remoção de gás carbônico da atmosfera — um conjunto de ações descrito pela siglas em inglês CCS (de&nbsp;<em>carbon capture and storage</em>) e CDR (de&nbsp;<em>carbon dioxide removal</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O novo relatório nos alerta para a necessidade de reduzirmos drasticamente as emissões num prazo muito curto e, depois, ainda implementarmos processos de captura do carbono já liberado anteriormente. Neste cenário, tanto tecnologias para captura de CO<sub>2</sub>&nbsp;concentrado na fonte quanto disperso na atmosfera terão papel importante, algumas em momentos mais preponderantes que outras”, diz o engenheiro Gustavo Assi, professor da Escola Politécnica da USP e diretor de inovação e difusão de conhecimento do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases do Efeito Estufa (RCGI).&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211028_gustavo-assi.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1" alt="" width="-4" height="-4"/><figcaption>Gustavo Assi &#8211; Foto: RCGI</figcaption></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">Inaugurado em 2016 na Poli, com financiamento da Fapesp e da empresa Shell, o RCGI investe fortemente no desenvolvimento de tecnologias de CCS e CDR — além de CCU, que contempla também a utilização do carbono capturado como matéria-prima para produção de energia e outros materiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O contexto do Brasil é muito interessante”, avalia Assi. “Repare que o novo relatório atribuiu um papel importantíssimo para a mitigação das emissões através de reflorestamento, agricultura, biocombustíveis, energia eólica e energia solar. Estas soluções aparecem com a melhor relação custo-benefício para implementação urgente, e sabemos que o Brasil tem muito potencial para contribuir nestas áreas.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que não significa, porém, que o Brasil deva simplesmente abandonar sua indústria de óleo e gás do dia para a noite, diz o professor. “Ao mesmo tempo que novas soluções precisam aparecer no cenário para redução de emissões, necessitaremos de uma drástica descarbonização dos setores alimentados por combustíveis fósseis”, afirma Assi. “A exploração de hidrocarbonetos ainda é uma necessidade para o desenvolvimento dos países, mas a transição da matriz energética deve ser mais que um discurso bonito. Como solucionar estas duas demandas que parecem conflitantes? A resposta está na transformação da indústria de óleo e gás, na sua integração com novas fontes de energia, na sua integração com a nova matriz energética do hidrogênio e na busca por uma indústria de hidrocarbonetos neutra em emissões. Este movimento, que parece utópico — extrair óleo e gás sem emitir carbono — é possível através de uma revolução tecnológica no setor.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pedalada climática</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão de todos esses alertas da ciência, o governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (7 de abril) a nova versão da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) — o conjunto de ações que o país se compromete a realizar, de forma voluntária, em contribuição ao esforço internacional de enfrentamento da mudanças climáticas globais, norteado pelo Acordo de Paris, da Organização das Nações Unidas (ONU).</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/04/20220408_grafico_metas-reducao.jpg?fit=886%2C577&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption><em>Fonte: Observatório do Clima / Reprodução</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A nova NDC traz uma atualização dos compromissos assumidos pelo Brasil em 2015, na gestão da presidente Dilma Rousseff, que previam uma redução de 37% das emissões nacionais de GEEs até 2025 e de 43%, possivelmente, até 2030, em relação ao que o País emitia em 2005. Em 2020, já na gestão do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil enviou à ONU uma atualização dessa NDC, que basicamente mantinha as mesmas metas de redução, porém utilizando uma nova base de cálculo (a&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/comunicacoes-nacionais-do-brasil-a-unfccc/arquivos/mcti_tcn_3sumario_executivo_port.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terceira Comunicação Nacional</a>, de 2016), que revisava para cima as emissões do País em 2005 e, consequentemente, reduzia o tamanho das reduções que precisavam ser feitas proporcionalmente até 2025 e 2030. Uma manobra contábil de carbono que ficou conhecida na comunidade científica e ambiental como “pedalada climática”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova NDC, apresentada agora, eleva a meta de corte de emissões de 43% para 50% até 2030, mas segue permitindo que o País emita mais carbono até esta data do que estava previsto na NDC original, de 2015, segundo uma <a href="https://www.oc.eco.br/brasil-segue-violando-acordo-de-paris-com-nova-meta-do-clima/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">análise </a>divulgada pelo Observatório do Clima. Em suma: o novo compromisso reduz o tamanho da pedalada, mas continua pedalando. “É como ter uma dívida no cartão de crédito e pagar só uma parte da fatura. Continua sendo um retrocesso, num momento em que as Nações Unidas fazem um chamado para os países aumentarem suas ambições. O Brasil não responde ao chamado e ainda continua retrocedendo”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, em nota da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Cantor Ipiraense Isaac Lima é o convidado do Bate Papo na City" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/WOQiccSvhDc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>COP 26: Países retomam negociações para evitar o caos climático</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 19:45:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conferência da ONU que começa neste domingo em Glasgow, na Escócia, vai debater novas metas e estratégias para frear o aumento da temperatura da Terra. Brasil chega ao encontro desacreditado e com aumento de emissões em 2020, apesar da pandemia   Publicado: 30/10/2021 Por&#160;Herton Escobar Arte:&#160;Simone Gomes Com a pandemia do coronavírus finalmente sob controle, as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Conferência da ONU que começa neste domingo em Glasgow, na Escócia, vai debater novas metas e estratégias para frear o aumento da temperatura da Terra. Brasil chega ao encontro desacreditado e com aumento de emissões em 2020, apesar da pandemia</h2>



<p class="wp-block-paragraph">  Publicado: 30/10/2021</p>



<h2 class="wp-block-heading">Por&nbsp;<strong>Herton Escobar</strong></h2>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Arte:</strong>&nbsp;Simone Gomes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com a pandemia do coronavírus finalmente sob controle, as atenções do mundo se voltam, mais uma vez, para aquela que muitos consideram ser a maior ameaça que paira sobre o futuro da espécie humana: as mudanças climáticas globais. Milhares de ativistas, cientistas, empresários, diplomatas e lideranças políticas das menores e maiores potências econômicas do planeta vão se reunir em Glasgow, na Escócia, a partir deste domingo (31 de outubro), para a vigésima-sexta Conferência das Partes (COP 26) da Convenção do Clima da ONU, com o desafio de talhar uma nova aliança global de combate ao aquecimento do planeta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As COPs são realizadas anualmente desde 1995, com exceção de 2020, quando a conferência teve de ser cancelada em função da pandemia. Delas nasceram acordos emblemáticos, como o&nbsp;<a href="https://unfccc.int/kyoto_protocol">Protocolo de Kyoto</a>, que estabeleceu as primeiras metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, no início deste século, e o&nbsp;<a href="https://unfccc.int/process-and-meetings/the-paris-agreement/the-paris-agreement">Acordo de Paris</a>, forjado em 2015, que tem como missão segurar o aquecimento do planeta “bem abaixo” de 2 graus Celsius e, preferencialmente, abaixo de 1,5 ºC, “reconhecendo que isso reduziria significativamente os riscos e impactos das mudanças climáticas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As 25 conferências realizadas até agora foram fundamentais para chamar a atenção do planeta para a gravidade do problema; mas os resultados práticos obtidos até o momento são pouco animadores. As emissões de gases do efeito estufa continuam subindo, a temperatura do planeta continua aumentando, os efeitos das mudanças climáticas estão cada vez mais graves, o desmatamento de florestas tropicais voltou a crescer (especialmente no Brasil) e a economia mundial segue fortemente viciada no uso de combustíveis fósseis e outras práticas insustentáveis de consumo e desenvolvimento.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211028_raios.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption>Tempestade em Cachoeira Paulista (SP), onde fica o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – Foto: Caio Graco</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Seja qual for o resultado, será uma reunião muito importante”, disse ao <strong>Jornal da USP</strong> o pesquisador Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, especialista em física atmosférica e mudanças climáticas globais. “A tarefa que temos pela frente é gigantesca e o problema não vai ser resolvido em uma única reunião, mas é importante que haja uma sinalização clara da comunidade internacional sobre uma série de coisas que precisam acontecer daqui para frente. E rápido.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atenções deste ano estão voltadas, principalmente, para as novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são os compromissos formalmente adotados por cada país para descarbonizar suas economias ao longo das próximas décadas. As primeiras NDCs foram apresentadas a partir de 2015, no bojo do Acordo de Paris, com o compromisso de serem revisadas a cada cinco anos, no sentido de torná-las mais ambiciosas, à luz de novas evidências científicas. Até o fim desta COP, portanto, espera-se que todas as 192 “partes” (países ou blocos signatários do acordo) apresentem suas novas NDCs.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211029_grafico.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O que a luz da novas evidências científicas nos mostram é assustador. A situação atual é a seguinte: pelos cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), a temperatura média do planeta já aumentou 1,1ºC desde o início da era industrial e, para manter esse aquecimento global abaixo de 2ºC, o mundo precisa reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25% até 2030, comparado ao que era emitido em 2010 (ou em 50%, para respeitar o limite de 1,5ºC, o que muitos já consideram ser uma missão impossível). As NDCs apresentadas até o início deste mês, porém, projetam um aumento de 16% até 2030, o que resultaria num aquecimento de 2,7ºC até o fim deste século, segundo um <a href="https://unfccc.int/documents/307628" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório Síntese</a> divulgado pela Convenção do Clima no último dia 25. Ou seja, o que os países estão prometendo fazer é muito menos do que precisa, de fato, ser feito para frear o aquecimento e impedir uma derrocada climática de proporções potencialmente catastróficas para a saúde econômica, ambiental e social do planeta.<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/ipcc-se-nada-for-feito-colapso-climatico-e-iminente/"></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Coletivamente, esses novos compromissos representam uma redução adicional de emissões de apenas 7,5% em relação às primeiras NDCs protocoladas desde 2015, segundo o último&nbsp;<a href="https://www.unep.org/pt-br/resources/emissions-gap-report-2021" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Relatório sobre a Lacuna de Emissões</a><em>,&nbsp;</em>do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado no dia 26. Em outras palavras: a lacuna entre onde estamos e onde deveríamos estar diminui um pouco, mas continua enorme. Num cenário muito otimista, considerando a implementação completa de tudo o que está previsto nas NDCs, mais as outras metas que vem sendo anunciadas por diferentes países — de se tornarem “carbono neutros” em 2030, ou próximo disso —, seria possível restringir o aquecimento global a 2,2ºC, o que já implicaria em mudanças climáticas gravíssimas, segundo o IPCC. A distância entre o anúncio e o cumprimento de metas é longo, com pouca margem para otimismo. A maioria dos países do G20 (grupo das maiores economias do mundo, incluindo o Brasil) está longe, ainda, de cumprir seus compromissos para 2030.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, há quem tenha esperanças de que essa nova COP inaugure um processo de engajamento político mais efetivo no combate ao aquecimento global, em função das lições aprendidas durante a pandemia e do agravamento das próprias mudanças climáticas, que se tornaram muito mais perceptíveis nos últimos anos — na forma de tempestades, estiagens, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos, cada vez mais agudos e frequentes. O professor Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, é um desses otimistas cautelosos: “A percepção do risco determina o resultado das negociações, e acho que a percepção do risco hoje é muito maior, em função do que vem acontecendo nesses últimos anos”, afirma Dias, que é meteorologista e acompanha os trabalhos da Convenção do Clima desde os seus primórdios — sempre com muitas frustrações. “Talvez seja ingenuidade de cientista”, brinca ele, “mas é algo que me deixa mais esperançoso daqui para frente.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211029_queimadas2-1.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fogo em área recentemente desmatada em Porto Velho (RO). Desmatamento e queimadas são a principal fonte de emissões de gás carbônico do Brasil — Foto: Christian Braga / Greenpeace</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra grande novidade deste ano é o retorno dos Estados Unidos à linha de frente da diplomacia climática, após quatro anos de negacionismo do governo Donald Trump, que chegou a retirar o país do Acordo de Paris. O enfrentamento das mudanças climáticas é uma das principais bandeiras do presidente Joe Biden, que logo no primeiro dia de sua gestão colocou os EUA de volta no acordo e anunciou um plano multibilionário de descarbonização da economia americana. Os Estados Unidos são o segundo país que mais emite gases do efeito estufa atualmente, atrás da China, e o primeiro do mundo em emissões&nbsp;<em>per capita</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não tenho grandes esperanças de que saia alguma decisão importante dessa reunião, mas estou esperançoso de que haja um direcionamento positivo, puxado pelos Estados Unidos”, avalia o meteorologista Tercio Ambrizzi, professor do IAG e coordenador do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Mudanças Climáticas da USP. Ele ressalta que as projeções científicas sobre a progressão e os efeitos do aquecimento global têm se mostrado extremamente confiáveis, o que não deixa dúvidas sobre o risco de se manter na trajetória atual de desenvolvimento. “Temos que trabalhar muito mais para reduzir emissões”, diz. “O aquecimento continua e já estamos vendo o aumento dos extremos climáticos e seus impactos na sociedade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As emissões globais de dióxido de carbono (CO2), principal gás do efeito estufa na atmosfera, caíram 5,4% em 2020, em função da pandemia de covid-19 — que forçou a paralisação de diversas atividades econômicas e, consequentemente, reduziu o uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão mineral) durante esse período —, segundo o Pnuma. Mas nem isso foi suficiente para frear o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, que chegou a 413,2 partes por milhão (ppm), segundo o último&nbsp;<a href="https://library.wmo.int/index.php?lvl=notice_display&amp;id=21975#.YXwzIC270Ts" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Boletim de Gases do Efeito Estufa</a>, da Organização Meteorológica Mundial, divulgado no dia 25.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO2 foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura era 2ºC a 3ºC mais quente e o nível do mar estava 10 a 20 metros mais alto do que agora. Mas não havia 7,8 bilhões de pessoas&nbsp;<em>[no mundo]</em>, então”, declarou o secretário geral da OMM, Petteri Taalas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211028_grafico5.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O caso do Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil chega à COP 26 com sua imagem ofuscada pelo aumento do desmatamento na Amazônia e pelo negacionismo científico do presidente Jair Bolsonaro — que se negou a realizar a COP 25 no Brasil, em 2019, e que não participará presencialmente desta conferência em Glasgow, “por motivos de agenda”, segundo sua secretaria de governo. Os primeiros dois anos do governo ficaram marcados na diplomacia climática internacional pelo negacionismo do então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e pela arrogância do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que deixaram uma péssima impressão na comunidade internacional. Para esta conferência, os ministros são outros, mas as políticas do governo continuam as mesmas, caminhando na direção oposta do resto do mundo, segundo especialistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Pnuma, o Brasil é o único país, até agora, que revisou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para emitir mais carbono, em vez de menos, comparado ao que havia sido originalmente proposto. A meta principal não mudou: reduzir as emissões totais de gases do efeito estufa em 43% até 2030, comparado ao que o País emitia em 2005. O problema é que a linha de base mudou. Na primeira NDC, apresentada à Convenção em setembro de 2016, a estimativa era de que o Brasil emitira 2,1 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e) em 2005. Já na NDC revisada, apresentada em dezembro de 2020, esse valor foi recalculado para 2,8 GtCO2e, com base em uma nova metodologia; mas a meta de redução não foi alterada na mesma proporção, permitindo que o País chegue a 2030 emitindo 400 milhões de toneladas de CO2 equivalente a mais do que estava previsto na NDC original, como explica esta&nbsp;<a href="https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2020/12/AN%C3%81LISE-NDC-1012FINAL.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">análise</a>&nbsp;do Observatório do Clima. É o que os especialistas passaram a chamar de “pedalada de carbono”, confirmada agora no relatório de Lacuna de Emissões do Pnuma. (O programa da ONU calcula uma pedalada um pouco menor, da ordem de 300 milhões de toneladas de CO2 equivalente.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também na contramão do mundo, as emissões de carbono do Brasil cresceram 9,5% em 2020, apesar da pandemia, segundo o mais recente&nbsp;<a href="https://seeg-br.s3.amazonaws.com/Documentos%20Analiticos/SEEG_9/OC_03_relatorio_2021_FINAL.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">relatório</a>&nbsp;do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa&nbsp;(<a href="http://seeg.eco.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">SEEG</a>), do Observatório do Clima, divulgado na última quinta-feira (28). A causa principal do aumento não poderia ser outra: desmatamento. Segundo o relatório, elaborado por pesquisadores de diversas organizações não-governamentais, a emissão de gases do efeito estufa oriunda de mudanças no uso da terra e florestas no Brasil aumentou quase 24% em 2020, enquanto que as emissões geradas pelo setor de energia caíram apenas 4,5%. Muita coisa parou de funcionar no País durante a pandemia, mas não o desmatamento. Só o estrago feito na Amazônia, segundo o SEEG, lançou mais carbono na atmosfera em 2020 do que a Alemanha inteira.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211028_grafico2.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">São números que “completam o ciclo negativo do governo Bolsonaro”, segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. “Tudo que o governo plantou em termos de destruição ambiental ele está colhendo agora, em forma de emissões”, disse Astrini, no&nbsp;<a href="https://youtu.be/SaEB2F_K8BA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">evento de lançamento</a>&nbsp;do relatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suzana Kahn Ribeiro, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente do comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas&nbsp;(<a href="http://www.pbmc.coppe.ufrj.br/index.php/en/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">PBMC</a>), classificou os dados como um “retrato do atraso” do Brasil, não só com relação ao enfrentamento das mudanças climáticas, mas também à adaptação do seu modelo de desenvolvimento às exigências do mundo atual. “A gente não está se ligando nem numa transição energética nem tecnológica, que é para onde o mundo está caminhando”, disse. “Vamos ficar a reboque das nações que se modernizaram.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Artaxo acredita que esses 9,5% de aumento trarão muita pressão sobre o Brasil em Glasgow. “Nenhum país vai querer colocar dinheiro no Brasil para reduzir desmatamento com um quadro desses pela frente”, diz o pesquisador, ressaltando que o país não depende de recursos estrangeiros para proteger a floresta, pois já fez isso com muita eficiência no passado, utilizando apenas recursos próprios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como fez na última COP, em 2019, o governo Bolsonaro deverá condicionar suas ações de combate ao desmatamento e redução de emissões ao recebimento de ajuda financeira externa. “A expectativa, sinceramente, é que vamos passar vergonha de novo”, diz o professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, que conversou sobre o tema com o&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;e tratou do assunto em sua coluna semanal na Rádio USP (ouça a entrevista&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/atualidades/governo-brasileiro-tem-muito-pouco-a-mostrar-na-cop26/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>). Segundo ele, o governo já viaja para Glasgow com a “desculpa perfeita” para não fazer o que precisa ser feito. “Vai pedir um dinheiro que sabe que não vai ser dado, e depois dizer que não agiu porque não recebeu a ajuda necessária”, diz. “O governo Bolsonaro não tem absolutamente nenhuma credibilidade para pedir seja lá o que for na COP.”&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Programa Nacional de Crescimento Verde,&nbsp;<a href="https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/noticias/2021/outubro/201co-brasil-tem-que-assumir-o-protagonismo-na-economia-verde201d-afirma-paulo-guedes" target="_blank" rel="noreferrer noopener">lançado pelo governo</a>&nbsp;no dia 25, é “mais uma fake news” da gestão Bolsonaro, segundo Côrtes. “É um governo que vive de falsos planos, falsas expectativas e nenhuma realização.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário do que se costuma dizer, quando se leva em conta as emissões por desmatamento e da agropecuária, o Brasil é um dos países que mais contribuem para o aquecimento global. A posição no ranking varia dependendo de como é feita a conta, mas fica sempre entre os&nbsp;<a href="https://ourworldindata.org/grapher/total-ghg-emissions?tab=chart&amp;country=USA~GBR~CHN~IND~BRA~RUS~IDN~DEU~JPN~AUS~CAN" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeiros</a>, ao lado de China, Estados Unidos, Rússia, Índia e Indonésia. Mesmo na contabilidade&nbsp;<em>per capita</em>&nbsp;(que divide as emissões totais do país pela sua população), o Brasil fica entre os maiores poluidores do mundo. Segundo o SEEG, a média de emissão<em>&nbsp;per capita</em>&nbsp;do Brasil foi de 10,2 toneladas brutas de CO2 em 2020, comparado a 6,7 toneladas da média mundial.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/10/20211028_grafico4.jpg?fit=1200%2C630&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Gráfico_ Fonte Carbon brief / Jornal da USP</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP/Foto: Caio Graco</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/cop-26-paises-retomam-negociacoes-para-evitar-o-caos-climatico/">COP 26: Países retomam negociações para evitar o caos climático</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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