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	<title>CITY RURAL |</title>
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	<title>CITY RURAL |</title>
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		<title>Governo investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 01:37:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acordo levará assistência técnica e extensão rural a 48 municípios Luciano Nascimento &#8211; Repórter da Agência Brasil &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026 O governo federal e a&#160;Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) formalizaram contratos para desenvolver ações de regularização fundiária e assistência técnica para atender mais de sete mil famílias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acordo levará assistência técnica e extensão rural a 48 municípios</p>



<p><strong>Luciano Nascimento &#8211; Repórter da Agência Brasil</strong> &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026</p>



<p><strong>O governo federal e a&nbsp;Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) formalizaram contratos para desenvolver ações de regularização fundiária e assistência técnica para atender mais de sete mil famílias e auxiliar no controle do desmatamento na Amazônia Legal.&nbsp;</strong><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1684939&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1684939&amp;o=node"></p>



<p>Com a assinatura de&nbsp;14 entidades prestadoras de serviços, os contratos&nbsp;somam aproximadamente R$ 132 milhões e&nbsp;fazem parte do Programa União com Municípios,</p>



<p>O programa é dividido em três ciclos,&nbsp;coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Anater.</p>



<p><strong>O projeto prioriza pequenas propriedades rurais – imóveis com até quatro módulos fiscais – localizadas em assentamentos ou áreas de glebas públicas federais sem destinação.&nbsp;</strong></p>



<p><strong>A primeira etapa será realizada nos 48 pontos prioritários para controle do desmatamento nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima e prevê a regularização de 2,3 milhões de hectares</strong>, para&nbsp;<strong>atender as cerca de 7,3 mil famílias de agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais ainda sem destinação ou assentados do Incra.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Edital</h2>



<p>Pelo cronograma, em abril começa o processo de formação das equipes, a assinatura das ordens de serviço com cada uma das 14 entidades vencedoras. Entre as ações iniciais estão a identificação e visita aos agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas em diálogo entre os parceiros.&nbsp;</p>



<p>Em seguida o início do trabalho de campo com as famílias que serão atendidas. As equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e de sistemas agroflorestais.&nbsp;</p>



<p>A iniciativa mira na garantia da propriedade da terra e na inclusão produtiva na Amazônia. Além da regularização ambiental e fundiária, o programa também foca no apoio à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).</p>



<p>Segundo o edital do projeto, também será oferecida assistência técnica, fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável, mantendo a floresta em pé.&nbsp;</p>



<p>“Essa região, marcada por uma multiplicidade de atores, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação, demanda estratégias de atuação que considerem as especificidades locais, os conflitos pelo uso do solo, a regularização fundiária e as diferentes formas de apropriação e valorização dos recursos naturais”, diz o edital do programa.&nbsp;</p>



<p><strong>Ao final do terceiro ciclo, a expectativa é que o processo de regularização fundiária alcance 9,5 milhões de hectares, uma área equivale ao estado de Santa Catarina. A meta é fazer a regularização completa de cerca de 30 mil famílias.</strong></p>



<p>Criado por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro de 2023, o Programa União com Municípios definiu, com base em dados oficiais, 81 municípios prioritários para o controle do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia. Desses, 70 aderiram ao programa.</p>



<p>Para o desenvolvimento das ações, estão previstos investimentos de cerca de R$ 815 milhões, provenientes do Fundo Amazônia/BNDES, do Projeto Floresta+ Amazônia — implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) —, além de recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF), do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA/MMA) e do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (FDD/MJSP).</p>



<p>Fonte: Agencia Brasil / © Marcelo Camargo/Agência Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ELEIÇÕES BRASILEIRA 2026" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/DOOb1GDs5sY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Experimentos indicam que agrotóxicos e fertilizantes desequilibram ecossistemas aquáticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 18:12:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Contaminantes provocaram desaparecimento de predadores e interferiram em papeis ecológicos de organismos aquáticos Texto: Ivanir FerreiraArte: Leonor T. Shiroma Domingo, 5 de abril de 2026 Em meio à expansão do setor sucroenergético brasileiro que demanda uso intensivo de defensivos agrícolas, pesquisa da USP alerta para os impactos desses contaminantes na base da cadeia alimentar aquática, [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/experimentos-indicam-que-agrotoxicos-e-fertilizantes-desequilibram-ecossistemas-aquaticos/">Experimentos indicam que agrotóxicos e fertilizantes desequilibram ecossistemas aquáticos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Contaminantes provocaram desaparecimento de predadores e interferiram em papeis ecológicos de organismos aquáticos</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Ivanir Ferreira<br>Arte: Leonor T. Shiroma</h2>



<p>Domingo, 5 de abril de 2026</p>



<p>Em meio à expansão do setor sucroenergético brasileiro que demanda uso intensivo de defensivos agrícolas, pesquisa da USP alerta para os impactos desses contaminantes na base da cadeia alimentar aquática, com efeitos indiretos sobre peixes e outros predadores. O estudo mostra que os macroinvertebrados bentônicos — como larvas de insetos, moluscos e minhocas — estão entre os organismos mais sensíveis às substâncias. A aplicação isolada ou combinada do inseticida fipronil e do herbicida 2,4-D (herbicida), além da vinhaça — resíduo líquido da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar —, levou ao desaparecimento de predadores e a desequilíbrios ecossistêmicos. A contaminação comprometeu funções essenciais desempenhadas por esses organismos, como a decomposição da matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e o controle populacional de espécies.</p>



<p>A coleta e a análise das amostras de água, assim como o monitoramento dos macroinvertebrados, foram realizados em tanques experimentais (mesocosmos) instalados a céu aberto, próximos a áreas agrícolas no município de Itirapina (SP), onde a cana-de-açúcar é a principal atividade econômica. As observações ocorreram 7, 14, 28, 75 e 150 dias após a exposição aos contaminantes.</p>



<p>Os resultados foram publicados no artigo científico<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166445X26000202?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Impacts of pesticides and vinasse on the composition and functional diversity of aquatic macroinvertebrates exposed in a mesocosm system</a>, assinado, entre outros autores, pela professora Raquel Aparecida Moreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, e pelo pesquisador Thandy Junio da Silva Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Mesocosmo-montagem.jpg" alt="Montagem de imagens de tanque de água turva e poluida, contendo insetos, caramujos e invertebrados boiando na superfícei." class="wp-image-986027"/></figure>



<p>Macroinvertebrados – Larvas, insetos, moluscos e minhocas afetados pelos poluentes – Foto: Allan Pretti Ogura</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vinhaça</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Raquel-Moreira.jpg" alt="Imagem de uma mulher branca de cabelos pretos e longos. Sorri e veste uma blusa branca. Fundo, campo de flores." class="wp-image-986031" style="width:146px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Raquel Aparecida Moreira, FZEA/ USP &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p>A professora Raquel destaca que os resultados confirmaram a toxicidade da vinhaça e seu elevado potencial de impacto ambiental, especialmente quando aplicada em conjunto com agrotóxicos, prática comum na agricultura brasileira. Segundo a pesquisadora, a vinhaça é um resíduo líquido da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e é utilizada como fertilizante, por [td1.1]fertirrigação. O produto apresenta altas concentrações de nutrientes, como potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio.</p>



<p>“É justamente a elevada carga de nutrientes e de matéria orgânica que compromete o ecossistema aquático”, relata. A vinhaça analisada apresentou Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 46.500 miligramas por litro e Demanda Química de Oxigênio (DQO) de 107.000 miligramas por litro — indicadores de grande quantidade de matéria orgânica e alto consumo de oxigênio na água.</p>



<p>“A redução do oxigênio pode ter consequências graves. Se os níveis caem muito, peixes e outros organismos aquáticos podem morrer por asfixia. Por isso, a DBO é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da água e o grau de poluição de rios e lagoas”, explica Raquel.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312_mesocosmo6.jpg" alt="Imagem de vários tanques de águas instalados em uma área rural para monitoramento da qualidade da água e dos macroinvertebrados que vivem no ambiente aquático" class="wp-image-986914"/></figure>



<p>Visão geral dos mesocosmos instalados próximos a áreas agrícolas – Foto: Allan Pretti Ogura</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contaminação por fertilizantes e agrotóxicos potencializa efeitos</h2>



<p>Thandy da Silva Pinto- afirma que, nas amostras em que a vinhaça foi aplicada junto aos agrotóxicos, houve prolongamento da permanência do fipronil na água e aceleração da degradação do 2,4-D em subprodutos (metabólitos) que, segundo o pesquisador podem ser tão ou mais tóxicos que a molécula original.</p>



<p>De acordo com o pesquisador, essas alterações químicas tiveram impacto direto sobre a fauna aquática. “Na prática, o ecossistema deixa de funcionar de forma equilibrada, mesmo que nem todas as espécies desapareçam”, diz. Nos tanques contaminados com 2,4-D, foi registrado aumento de organismos conhecidos como coletores-catadores — que se alimentam de partículas orgânicas — e redução acentuada de raspadores, grupo essencial no controle de algas, sobretudo na amostragem realizada aos 75 dias.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Thandy-300x300.jpg" alt="Homem branco, cabelos e olhos castanhos, usa jaleco branco e camiseta azul." class="wp-image-986032" style="width:148px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Thandy Junio da Silva Pinto, Unicamp &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p>O fipronil foi o contaminante mais tóxico. Nas amostras contaminadas com inseticida, os pesquisadores observaram ausência total de predadores após a exposição. O mesmo ocorreu quando os dois agrotóxicos foram aplicados em conjunto.</p>



<p>Já nos ambientes com aplicação exclusiva de vinhaça, houve predominância de predadores e redução de coletores-catadores. Quando a vinhaça e os agrotóxicoss foram utilizados simultaneamente, os coletores-catadores permaneceram até o sétimo dia, mas posteriormente foram registradas mudanças significativas na composição dos grupos funcionais, evidenciando o efeito combinado dos poluentes.</p>



<p>Os pesquisadores destacam que os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de critérios mais rigorosos para o uso combinado de agrotóxicos e fertilizantes em áreas próximas a corpos d’água. Segundo eles, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para reduzir os riscos de contaminação e evitar impactos duradouros sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.</p>



<p>Mais informações: Raquel Aparecida Moreira, raquelmoreira@usp.br e Thandy Junio da Silva Pinto, thandyjuniosilva@gmail.com</p>



<p>Fonte: Jornal USP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="INÍCIO DOS TRABALHOS LEGISLATIVO E ELEIÇÃO 2026" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/c7rOGVfkUpg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/experimentos-indicam-que-agrotoxicos-e-fertilizantes-desequilibram-ecossistemas-aquaticos/">Experimentos indicam que agrotóxicos e fertilizantes desequilibram ecossistemas aquáticos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Ajustar iluminação de plantas em cultivos pode fortalecer camada protetora de frutos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 04:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo descreve os mecanismos fisiológicos que usam a luz para estimular a formação da cutícula, camada de proteção que envolve frutos carnosos como o tomate e a maçã Texto: Júlio BernardesArte: Leonor T. Shiroma Domingo, 5 de abril de 2026 Em frutos carnosos, como a maçã e o tomate, a cutícula é uma camada impermeável [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Estudo descreve os mecanismos fisiológicos que usam a luz para estimular a formação da cutícula, camada de proteção que envolve frutos carnosos como o tomate e a maçã</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Júlio Bernardes<br>Arte: Leonor T. Shiroma</h2>



<p>Domingo, 5 de abril de 2026</p>



<p>Em frutos carnosos, como a maçã e o tomate, a cutícula é uma camada impermeável que serve de barreira à perda de água, protegendo contra fungos e bactérias e contribuindo com o brilho, a firmeza, a resistência e o maior tempo de prateleira. Pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da USP, por meio de experimentos com plantas de tomateiro, verificaram que as condições de iluminação durante o cultivo influenciam diretamente a espessura e a funcionalidade da cutícula.</p>



<p>O estudo descreve os mecanismos fisiológicos que conectam a captação de luz à regulação do desenvolvimento da cutícula, e foi publicado em&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1093/jxb/erag053" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;na revista científica&nbsp;<em>Journal of Experimental Botany</em>. Os resultados mostram que atributos de qualidade em frutos carnosos são influenciados pela qualidade luminosa, que pode ser alterada por meio de práticas simples, como podas, ajuste do espaçamento das plantas e o uso de plásticos ou telas que modulam a luz.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260316-Luciano-Freschi-249x300.jpg" alt="Luciano Freschi - Homem de cabelos pretos e olhos escuros, usando camiseta preta, tendo ao fundo arbustos com folhas verdes" class="wp-image-987060" style="width:179px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Luciano Freschi – Foto: Reprodução/IB</figcaption></figure>
</div>


<p>“Frutos carnosos são aqueles que, ao amadurecerem, apresentam uma parte interna suculenta e macia, como tomate, maçã, manga e uva. Em termos biológicos, têm como função principal proteger e favorecer a dispersão das sementes, geralmente ao atrair animais que consomem sua polpa”, explica ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;o professor Luciano Freschi, do IB. “Eles são extremamente importantes do ponto de vista econômico porque fazem parte da base da alimentação humana, fornecendo vitaminas, fibras, minerais e compostos antioxidantes essenciais à saúde, além de movimentarem cadeias produtivas que abrangem o cultivo, a colheita, o transporte, o processamento e a comercialização. Dentre eles, o tomate está entre os principais frutos produzidos e comercializados, movimentando bilhões de dólares em mercados internos e internacionais, incluindo o consumo&nbsp;<em>in natura</em>&nbsp;e o processamento industrial, em polpa, molho, extratos e conservas.”</p>



<p>De acordo com Freschi, a cutícula é uma camada protetora fina e impermeável que recobre a parte externa dos órgãos aéreos das plantas, incluindo folhas e frutos, sendo formada principalmente por cutina (um polímero lipídico) e ceras.&nbsp; “Nos frutos carnosos, a cutícula funciona como uma barreira física e química, que reduz a perda de água, protege contra a entrada de microrganismos, como fungos e bactérias, e ajuda a evitar danos mecânicos”, relata. “Além disso, ela influencia características importantes, como brilho, firmeza, resistência ao transporte e tempo de prateleira.”</p>



<p>Em frutos como o tomate e a maçã, a espessura e a composição da cutícula podem determinar a suscetibilidade a rachaduras, desidratação e infecções, impactando diretamente a qualidade e o valor comercial do produto, observa o professor. “Depois de colhidos, os frutos carnosos deixam de receber água e nutrientes da planta, e a taxa de desidratação passa a depender quase exclusivamente da integridade e das propriedades da cutícula”, ressalta. “Quando essa camada é espessa, contínua e rica em ceras, a transpiração é reduzida, preservando a massa, a firmeza e a aparência comercial. Por outro lado, cutículas mais finas ou com microfissuras facilitam a perda de água, levando ao murchamento, ao enrugamento da superfície e à redução do tempo de prateleira”, diz.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260316-Bruna-orsi-300x300.jpg" alt="Bruna Orsi - Mulher de cabelos loiros compridos, olhos azuis, usando óculos de aros redondos, blusa preta e colar com pingente no pescoço, tendo ao fundo uma estante com livros e objetos decorativos" class="wp-image-987050" style="width:174px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Bruna Orsi – Foto: Reprodução/Research Gate</figcaption></figure>
</div>


<p>“Além disso, a cutícula atua como primeira linha de defesa contra fungos e outros microrganismos oportunistas que exploram rachaduras ou áreas fragilizadas para penetrar no tecido. Alterações estruturais que ocorrem durante o amadurecimento, como mudanças na composição de ceras e na reorganização da cutina, também podem afetar a resistência mecânica e a suscetibilidade a danos durante o transporte e o armazenamento”, enfatiza a pesquisadora de pós-doutorado, Bruna Orsi, uma das primeiras autoras do artigo. “Portanto, a qualidade e a integridade da cutícula são determinantes diretos das perdas pós-colheita no tomate e em outros frutos carnosos, influenciando a desidratação, a incidência de doenças, a resistência a danos físicos e, consequentemente, o valor econômico do fruto.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sinalização luminosa</h2>



<p>Inicialmente, os pesquisadores cultivaram plantas de tomateiro sob condições de luz controlada, nas quais houve alteração na proporção entre luz vermelha e luz vermelho-distante, um sinal ambiental que indica a ocorrência e o nível de severidade do sombreamento sobre a lavoura, causado por plantas da mesma ou de outra espécies. “Esse sinal ambiental é percebido na planta principalmente por um grupo específico de fotorreceptores, denominados fitocromos”, relata Freschi.</p>



<p>“Nesse sentido, numa segunda etapa do trabalho, linhagens de tomateiro com modificações genéticas que alteram a atividade desses sensores, bem como como de outros componentes dessas cascatas de sinalização luminosa, foram cultivados sob condições naturais de iluminação, em casa de vegetação”, descreve o professor. “Os frutos maduros foram analisados quanto à espessura e à composição química da cutícula, por meio de métodos que medem a camada de cutina e de ceras depositada, a expressão dos genes envolvidos na biossíntese da cutícula e as respostas fisiológicas dos frutos, como perda de água e suscetibilidade a patógenos.”</p>



<p>Segundo Freschi, também foram realizados ensaios moleculares para entender como os diferentes componentes dessas cascatas de sinalização luminosa, incluindo os fotorreceptores e os fatores de transcrição, interagem no interior das células vegetais para controlar a expressão de genes que codificam proteínas envolvidas na formação da cutícula nos frutos de tomateiro. “Nossos resultados mostraram que a sinalização induzida pela luz vermelha, mediada pelos fitocromos, leva à formação de frutos com cutícula mais fina e menor deposição de ceras e de cutina. Como consequência, esses frutos apresentam maior murchamento e maior suscetibilidade a fungos patogênicos”, destaca.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20260316-cuticula-traduzido-1-rklj3a6m14gv8croomyp66u6jv3f0j3qvnzkvbhocg.jpg" alt="Esquema gráfico demonstrando os efeitos de diferentes quantidades de luz na sinalização dos genes responsáveis pela espessura da camada superficial de frutos, menor ou maior conforme a intensidade luminosa" title="20260316-cuticula traduzido 1"/><figcaption class="wp-element-caption">Em ambientes sombreados, com maior proporção de luz vermelho-distante (no gráfico à direita), a sinalização luminosa leva à formação de frutos de cutícula mais espessa e maior deposição de ceras, que apresentam menor murchamento e suscetibilidade a fungos &#8211; Imagem: Cedida pelos pesquisadores</figcaption></figure>
</div>


<p>“Enquanto as condições de luz plena estão associadas a uma proporção semelhante de luz vermelha e vermelho-distante, os ambientes sombreados apresentam um enriquecimento na faixa de luz vermelho-distante. Dessa forma, em termos práticos, ajustes na qualidade luminosa durante a produção de frutos carnosos podem ser uma estratégia viável para estimular o desenvolvimento de uma cutícula mais espessa”, aponta Bruna Orsi. “Essas condições podem ser alcançadas por práticas simples de manejo, como o controle da arquitetura da planta por meio de podas e do ajuste do espaçamento entre plantas. Em cultivos protegidos também é possível utilizar plásticos ou telas que modulam o espectro de luz, uma tecnologia já empregada para controlar o crescimento e o florescimento e que pode, potencialmente, impactar também características relacionadas à conservação do fruto.”</p>



<p>O professor Freschi comenta que, além do manejo agrícola, compreender as vias reguladas pelos fitocromos abre caminho para o desenvolvimento de linhagens mais adaptadas a diferentes condições luminosas. “No entanto, é importante ressaltar que a luz é essencial para o desenvolvimento das plantas e, nos frutos, desempenha papel fundamental no acúmulo de nutrientes. Em nosso estudo não observamos prejuízo no acúmulo de nutrientes importantes, mesmo com alterações na via luminosa”, afirma.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“É necessário compreender melhor em quais condições uma cutícula mais espessa é realmente vantajosa. Em frutos carnosos, ela oferece uma via sustentável para reduzir o uso de agrotóxicos contra fungos, diminuir as perdas pós-colheita e garantir que o alimento chegue com qualidade à mesa da população” – Luciano Freschi</p>
</blockquote>



<p>“Já em folhas, estudos adicionais serão necessários para avaliar se os benefícios oriundos de uma barreira mais espessa, tais como a redução na perda de água e na infecção por fungos, não seriam contrabalanceados por impactos negativos em termos de gastos energéticos para a produção de uma cutícula mais espessas, em prejuízos na dissipação de calor ou outras consequências imprevistas”, conclui Freschi. “Esse equilíbrio entre proteção e troca com o ambiente ainda precisa ser mais bem explorado e tem potencial para contribuir significativamente para o uso mais racional dos recursos ambientais, permitindo a produção de frutos nutritivos e mais protegidos durante o armazenamento.”</p>



<p>A pesquisa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O trabalho foi conduzido por uma equipe do Departamento de Botânica do IB que estuda as cascatas de sinalização responsáveis pela modulação do desenvolvimento e do metabolismo das plantas em resposta a sinais ambientais. A doutoranda Letícia Fernandes e a pesquisadora de pós-doutorado Bruna Orsi dividem a primeira autoria do trabalho, sendo responsáveis por conduzir a maior parte dos experimentos e por redigir o artigo, sob supervisão do professor Luciano Freschi. O estudo também contou com a participação de outros pesquisadores do IB, incluindo Juliene Moreira, de pós-doutorado, da mestranda Jessica Ueda, do aluno de Iniciação Científica Pedro Oliveira e dos professores Magdalena Rossi e Diego Demarco, além da colaboração do pesquisador Christophe Rothan do Instituto Nacional Francês de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (Inrae).</p>



<p>O artigo<em>&nbsp;Shedding light on cuticle formation: phytochrome B and downstream signaling events controlling cuticle deposition in tomato fruits</em>, publicado na revista científica&nbsp;<em>Journal of Experimental Botany</em>, pode ser lido neste&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1093/jxb/erag053" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p>Mais informações: e-mail freschi@usp.br, com o professor Luciano Freschi</p>



<p>Fonte: Jornal USP / No tomate e em outros frutos carnosos, qualidade e a integridade da cutícula são determinantes diretos das perdas pós-colheita, influenciando a desidratação, incidência de doenças, resistência a danos físicos e o valor econômico do fruto – Foto: Luigi Chiesa / Wikimedia Commons</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ANÁLISE DO CENÁRIO PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES 2026" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/HMt8wG92U18?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/ajustar-iluminacao-de-plantas-em-cultivos-pode-fortalecer-camada-protetora-de-frutos/">Ajustar iluminação de plantas em cultivos pode fortalecer camada protetora de frutos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Compostos da própolis verde mostram potencial contra doenças neurodegenerativas​</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 21:59:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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		<category><![CDATA[doencas neurodegenerativas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por Caroline Castro &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Em testes de laboratório e computacionais, o Artepelin C e a Bacarina conseguiram proteger e regenerar neurônios O termo “própolis” está relacionado à proteção e dá nome à substância produzida pela abelha para revestir e higienizar a colmeia, mas que também tem poder antibacteriano para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por Caroline Castro &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</p>



<h2 class="wp-block-heading">Em testes de laboratório e computacionais, o Artepelin C e a Bacarina conseguiram proteger e regenerar neurônios</h2>



<p>O termo “própolis” está relacionado à proteção e dá nome à substância produzida pela abelha para revestir e higienizar a colmeia, mas que também tem poder antibacteriano para o organismo humano. Esses atributos medicinais da própolis são antigos conhecidos da ciência, mas agora uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP encontrou uma nova dimensão medicinal envolvendo a própolis verde, que abrange doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.</p>



<p>A própolis verde é produzida a partir da resina coletada do alecrim-do-campo (<em>Baccharis dracunculifolia</em>&nbsp;– planta nativa do Brasil, presente no Cerrado e na Mata Atlântica) que as abelhas misturam à saliva e cera. Ao separar e analisar os compostos principais dessa própolis – o Artepelin C e a Bacarina -, os pesquisadores observaram a capacidade de induzir diferenciação neuronal (transformação de neurônios especializados em outras células do sistema nervoso), de aumentar a capacidade de conexão entre neurônios e de promover ações antiapoptóticas (diminuição da morte celular).</p>



<p>Os resultados foram obtidos em estudos&nbsp;<em>in vitro</em>&nbsp;(cultura de células) realizados durante a pesquisa para o doutorado do farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, sob orientação do professor Jairo Kenupp Bastos da FCFRP. O pesquisador diz que os achados representam uma linha promissora, especialmente na prevenção e controle de doenças do sistema nervoso, “que pode ser explorada em trabalhos futuros, seja por mim ou por outros grupos de pesquisa interessados no potencial terapêutico da própolis verde”.</p>



<p>Para além de significativas informações para a saúde, Caldas acredita que a pesquisa investe na valorização de um recurso prioritariamente nacional, já que a própolis verde é uma exclusividade brasileira que pode gerar impactos científico, econômico e social.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20260126_Gabriel-Rocha-Caldas-ri8n0s4wqrq3zex16lmgdkl1jq47x5y7wkcfd96r7o.jpg" alt="Homem jovem, branco e de barba, sorrindo, trajando um smoking preto, tendo ao fundo uma folhagem verde" title="20260126_Gabriel-Rocha-Caldas"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Gabriel Rocha Caldas &#8211; Foto: Arquivo Pessoal</h2>



<p>Os resultados integram a tese que conferiu o título de doutor a Caldas:&nbsp;<em>Investigação do Potencial de Artepelin C e de Bacarina da Própolis Verde e Artepelin C Acetilado na Indução da Neuritogênese</em>, apresentada à FCFRP no ano passado. Parte desses resultados também podem ser conferidos em&nbsp;<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cbdv.202301294?utm_medium=article&amp;utm_source=researchgate.net" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo publicado</a>&nbsp;na edição de novembro de 2023 da revista&nbsp;<em>Chemistry &amp; Biodiversity</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Função de compostos em ambiente neuronal</h2>



<p>O Artepelin C e a Bacarina foram isolados a partir da própolis verde utilizando uma sequência de técnicas cromatográficas (métodos de separação). “O processo funciona como uma espécie de ‘peneiração química’: usamos solventes e diferentes métodos cromatográficos para ir separando a própolis em frações menores, até isolar cada molécula pura. É parecido com pegar uma caixa cheia de peças misturadas e ir separando uma por uma até restar só o que você precisa”, compara o pesquisador.</p>



<p>A partir do isolamento dos compostos, os pesquisadores utilizaram duas técnicas para compreender como o Artepelin C e a Bacarina funcionam dentro do organismo: a modelagem computacional e os experimentos com células PC12 – células de ratos usadas como modelo de estudo de neurônios.</p>



<p>Com a modelagem computacional, avaliaram as propriedades físico-químicas dos compostos, como solubilidade, permeabilidade e a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (membrana seletiva que reveste vasos sanguíneos do cérebro e medula espinhal). “Isso ajuda a entender se, teoricamente, essas moléculas poderiam atingir o tecido nervoso em um organismo vivo. Já os experimentos com células PC12 mostraram, na prática, como os compostos atuam em células neuronais”, explica Caldas.</p>



<p>Para facilitar a entrada do Artepelin C no sistema nervoso, utilizaram o processo de acetilação, uma modificação química que tornou a molécula mais lipofílica – com mais afinidade por gorduras, óleos e solventes não polares (moléculas com carga elétrica homogênea). Esta abordagem foi escolhida com base nos estudos computacionais que confirmaram a maior facilidade do Artepelin C acetilado atravessar a barreira hematoencefálica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/20260126_artepelin-C.jpg" alt="" class="wp-image-973095"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Artepelin C, extraída da própolis verde (destaque), induziu diferenciação neuronal e aumentou conexão entre neurônios &#8211; Foto: Cedida pelo pesquisador</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Regeneração de neurônios</h2>



<p>Pelos experimentos com células PC12 foi possível identificar que, após o tratamento com os compostos da própolis verde, as células passaram a formar neuritos, pequenas projeções que futuramente se transformarão em axônios e dendritos (ramificações dos neurônios), indicando o início da diferenciação das células neuronais. “Essas estruturas são fundamentais porque é por meio delas que os neurônios enviam e recebem mensagens. Sem neuritos não existe comunicação entre células nervosas”, informa o pesquisador.&nbsp;</p>



<p>Além disso, os testes também identificaram o aumento da presença das proteínas sinapsina I e GAP-43, importantes no processo de diferenciação, já que funcionam como marcadores de que o neurônio está crescendo, amadurecendo e formando novas conexões. Caldas explica que o aumento dessas proteínas representa a célula entrando em um estado favorável à regeneração, algo muito desejado em doenças neurodegenerativas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/20260126_propolis-verde_alecrim-do-campo.jpg" alt="" class="wp-image-973109"/></figure>



<p>Própolis verde, foto cedida pelo pesquisador sobre imagem de Alecrim do Campo, de&nbsp;<a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flickr_-_Jo%C3%A3o_de_Deus_Medeiros_-_Baccharis_dracunculifolia.jpg">João Medeiros/Flickr/Wikimedia</a>/<a href="https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en">CC BY 2.0</a></p>



<p>Outro fator importante na proteção das células neurais observado no estudo foi o potencial antioxidante do Artepelin C e da Bacarina. Os compostos da própolis verde foram capazes de neutralizar moléculas reativas de oxigênio, excessivas em doenças neurodegenerativas.&nbsp;</p>



<p>O pesquisador adianta que quadros de enfermidades ativam vias que levam à morte celular programada, ativação que foi reduzida pelos compostos da própolis verde por meio de seu efeito antiapoptótico e evitando, assim, a morte celular.&nbsp;Para Caldas, os estudos mostram o potencial do Artepelin C e da Bacarina na proteção de neurônios em situações de estresse, como ocorre nos estágios iniciais de doenças neurodegenerativas.</p>



<p>O artigo&nbsp;<em>Brazilian Green Propolis’ Artepillin C and Its Acetylated Derivative Activate the NGF-Signaling Pathways and Induce Neurite Outgrowth in NGF-Deprived PC12 Cells</em>&nbsp;está disponível&nbsp;<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cbdv.202301294?utm_medium=article&amp;utm_source=researchgate.net" target="_blank" rel="noreferrer noopener">on-line</a>.</p>



<p>Mais informações:&nbsp;<a href="mailto:caldasrgabriel@gmail.com">caldasrgabriel@gmail.com</a>, com Gabriel Rocha Caldas</p>



<p><em>*Estagiária sob supervisão de Rita Stella</em></p>



<p>Segue entrevista da repórter Susana Oliveira com o pesquisador Gabriel Rocha Caldas, que foi ao ar no Jornal da USP no Ar – Edição Regional, no áudio a seguir:</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/02/PROPOLIS-VERDE-459-SUSANA-OLIVEIRA.mp3"></audio></figure>



<p>Radio USP</p>



<p>Fonte: Jornal USP /Abelha operária (<em>Apis mellifera</em>) coletando resina de alecrim-do-campo (<em>Baccharis dracunculifolia)</em> que ao entrar em contato com enzimas de sua saliva torna-se própolis verde – Foto: <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Abelha_coletando_resina_do_alecrim-do-campo.jpg">Michel Stórquio Belmiro/Wikimedia Commons</a>/<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.pt">CC BY-SA 3.0</a><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="COMO FAZER UMA BOA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/i-kywYY-vZw?start=3&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/compostos-da-propolis-verde-mostram-potencial-contra-doencas-neurodegenerativas/">Compostos da própolis verde mostram potencial contra doenças neurodegenerativas​</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Pesquisa confirma tamanho da maior boca de caverna do Brasil e investiga ondas de enchentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 21:07:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tecnologia de precisão mensurou altura do pórtico da Casa de Pedra em 197 metros; análises pluviométricas indicam risco de inundação no interior da caverna Texto: Tabita Said Arte: Simone Gomes &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Uma pesquisa em andamento no Instituto de Geociências (IGc) da USP conseguiu confirmar a medida exata do pórtico [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Tecnologia de precisão mensurou altura do pórtico da Casa de Pedra em 197 metros; análises pluviométricas indicam risco de inundação no interior da caverna</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Tabita Said</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Simone Gomes &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</h2>



<p>Uma pesquisa em andamento no Instituto de Geociências (IGc) da USP conseguiu confirmar a medida exata do pórtico da Casa de Pedra, caverna com abertura monumental localizada no município de Iporanga, dentro do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), no Vale do Ribeira, em São Paulo. A medição foi feita utilizando Lidar aerotransportado – um sistema de sensoriamento remoto que realiza o escaneamento a laser pulsado, emitido de um drone. A tecnologia de alta precisão, capaz de coletar milhões de pontos por segundo, realizou o mapeamento 3D e mensurou a altura da boca da caverna da Casa de Pedra em 197 metros, podendo alcançar medidas ainda maiores considerando o topo.&nbsp;</p>



<p>Dados ainda em processamento pelos pesquisadores e obtidos pelo&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;confirmam que episódios de chuva com duração de uma hora aumentaram o nível de água em mais de dois metros na saída da gruta, um fator de risco em atividades de exploração. O levantamento pode ser útil para auxiliar no planejamento de visitas e manejo da caverna, que tem cerca de três quilômetros de extensão.&nbsp;</p>



<p>Alvo de imprecisões e controvérsias, a caverna Casa de Pedra está fechada para visitação desde 2003, quando um grupo de turistas e um guia foram atingidos por uma tromba d’água. Um dos turistas e o guia que acompanhava o grupo morreram afogados. Atualmente o local só é acessado por pesquisadores autorizados e integrantes da Defesa Civil.&nbsp;</p>



<p>“A caverna, por exemplo, nunca foi para o&nbsp;<em>Guinness [Book]</em>. A gente nem sabia exatamente a medida, até então”, explica Nicolás Strikis, professor do IGc da USP e um dos pesquisadores envolvidos na medição. Segundo ele, o patrimônio caiu no esquecimento e sumiu do imaginário das pessoas após seu fechamento. “É como se o Estado de São Paulo tivesse uma Baía de Guanabara, um grande ativo não só turístico, mas ambiental, estético e natural, simplesmente ignorado”, disse ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>.</p>



<p>Após o levantamento, foi possível afirmar que a Casa de Pedra tem mesmo a maior abertura de caverna do Brasil e, muito provavelmente, do mundo. “Com essas configurações de elemento paisagístico, é o maior pórtico que nós temos até hoje medido no mundo”, destaca Strikis.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Nós temos em São Paulo um patrimônio que sempre foi meio relegado, que é a caverna Casa de Pedra, porque é um dos mais belos portais de caverna do Brasil e do mundo. É realmente muito bonito: você tem uma Mata Atlântica ombrófila densa [ombrófilo significa, literalmente, ‘amigo da chuva’]. Um rio que percorre um desfiladeiro estreito e, de repente, você se depara com o que nós chamamos de sumidouro – que é quando o rio se mete para debaixo da montanha” – Nicolás Strikis</em></p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_gruta-casa-de-pedra-1.jpg" alt="" class="wp-image-975135"/><figcaption class="wp-element-caption">Guia Silnei Florindo da Silva e pesquisadora da USP Vanessa Bohrer durante deslocamento no interior da Caverna Casa de Pedra &#8211; Foto: Melissa Medina</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_vista-sumidouro-1.jpg" alt="" class="wp-image-975136"/><figcaption class="wp-element-caption">Vista do sumidouro da Caverna Casa de Pedra, com rio Maximiano fluindo para dentro da caverna &#8211; Foto: Paulo Natanael Messias dos Santos</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Medo da chuva</h2>



<p>O mapeamento 3D da Casa de Pedra surgiu no meio da pesquisa de mestrado de Vanessa Faria Bohrer, no IGc, do qual Strikis é orientador. No trabalho, Vanessa realiza a medição da vazão da nascente do rio que passa por dentro da caverna, monitorando as ondas de enchente da Casa de Pedra.&nbsp;</p>



<p>“Já havia um plano de manejo espeleológico desde 2010 nessa caverna, mas faltava o monitoramento hidrológico para o parque avaliar uma possível reabertura”, conta a mestranda que publica periodicamente as movimentações de coleta de dados na página do&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/projeto_casa_de_pedra/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Instagram Projeto Casa de Pedra</a>. Vanessa lembra das dificuldades envolvidas na pesquisa, cujas coletas são realizadas bimestralmente à base de muito planejamento, já que os riscos de enchentes e inundações são iminentes.&nbsp;</p>



<p>“É um campo cansativo: são três horas de trilha até o pórtico, mas é superprazeroso. Nós sempre acreditamos no impacto desse projeto para a sociedade, tanto para o turismo local, quanto nacional e internacionalmente”, diz. Além de contarem com a ajudinha da previsão do tempo, Vanessa e Strikis recebem apoio de hidrólogos do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e integrantes da Defesa Civil de Iporanga durante o processo de coleta. Ao todo, são quatro dias de dedicação: o primeiro para deslocamento até Iporanga; no segundo, o grupo planeja a ida até a chamada ressurgência – local de reaparecimento das águas submersas do rio Maximiliano caverna adentro. No terceiro dia, a coleta de dados é realizada no pórtico e, por fim, o quarto dia é destinado à coleta de registros de precipitação na cabeceira do rio no Núcleo Caboclos, no centro do parque.&nbsp;</p>



<p>De acordo com Strikis, a Casa de Pedra é um importante patrimônio para o qual não há nenhum histórico de medição. “Além de um produto científico inédito, o trabalho também poderia apoiar a gestão de políticas públicas no local”, afirma. Apesar da possibilidade de reabertura da caverna para visitação, o pesquisador destaca que o local é de alta dificuldade, exigindo muita experiência em ambientes subterrâneos. “É como se você estivesse andando dentro de um monte de ruínas desmoronadas, com o rio passando e vários segmentos sem área de escape. É uma coisa técnica, mas ela não é um turismo qualquer. Isso eu não recomendaria”, pondera.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Dados da pesquisa ainda em processamento indicam o registro de episódios de enchente com um aumento importante do nível da água na área de reaparecimento do rio dentro da caverna. Uma chuva de 60 milímetros/hora (mm/h) resultou no aumento de 2,17 metros no início do ano passado; já registros de dezembro mostraram que uma chuva de 50 mm/h fez com que o nível d’água chegasse a 1,90 metros no mesmo salão. Chuvas menos intensas, com 10 mm/h, também foram suficientes para o rio chegar a 1 metro na área de ressurgência.</p>



<p>“O intervalo de tempo entre o pico da chuva e o pico do nível da água foi cerca de uma hora e meia. Ou seja, foi bastante rápido, mas não o tempo de uma pessoa evacuar a caverna”, comenta Vanessa. Ela reforça que os dados ainda estão sendo analisados com diferentes métodos para chegar a respostas como o tempo médio de aumento no nível da água em diferentes intensidades de chuvas, além do tempo médio de recessão – tempo de o rio voltar ao nível considerado normal.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_cristo-caverna.jpg"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_cristo-caverna.jpg" alt="" class="wp-image-975018"/></a><figcaption class="wp-element-caption">O grupo comparou o tamanho da entrada a cinco estátuas do Cristo Redentor empilhadas &#8211; Crédito: Reprodução / Gestão Engenharia&nbsp;</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_casa-de-pedra.jpg"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/20260203_casa-de-pedra.jpg" alt="" class="wp-image-975017"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapeamento de alta precisão gerou um modelo 3D da caverna, revelando a magnitude da abertura em rocha calcária &#8211; Crédito: Reprodução / Gestão Engenharia</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Colaboração e pertencimento</h2>



<p>O trabalho de mapeamento 3D da boca da caverna da Casa de Pedra foi feito numa parceria entre a USP, a Fundação Florestal, a Gestão Engenharia, patrocinadora do projeto, e pelo espeleólogo mineiro independente Thiago Ferreira Lima. O levantamento confirmou o tamanho monumental do pórtico – cinco estátuas do Cristo Redentor empilhadas não chegariam ao topo da entrada da caverna – e também resultou em um conjunto massivo de imagens que servirão para a compreensão de seu processo evolutivo.</p>



<p>“A gente pode entender melhor a morfologia dela, porque é difícil: o leito vai descendo e você nunca tem uma imagem que mostra a caverna inteira, da base até o teto. O 3D consegue nos dar isso”, explica Nicolás Strikis. Ele conta que o grupo de pesquisa também está trabalhando no processo de criação de uma maquete, que deverá permanecer junto à comunidade local.</p>



<p>Devido à alta resolução das imagens geradas pela tecnologia do Lidar, o grupo gerou um “gêmeo digital” – modelo virtual preservando os aspectos métricos da nuvem de pontos que tem, originalmente, milhões de dados. O material ainda será trabalhado em uma futura publicação científica.</p>



<p>Mais informações: strikis@usp.br, com Nicolas Misailidis Strikis&nbsp;</p>



<p>Fonte: Jornal USP / Patrimônio natural do Estado de São Paulo tem a maior abertura de caverna já medida do mundo – Foto: <a href="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/03/Parque_Estadual_Tur%C3%ADstico_do_Alto_Ribeira_Thomas-Fuhrmann_%2802%29.jpg">Thomas Fuhrmann/Wikimedia</a><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="COMO FAZER UMA BOA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/i-kywYY-vZw?start=3&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/pesquisa-confirma-tamanho-da-maior-boca-de-caverna-do-brasil-e-investiga-ondas-de-enchentes/">Pesquisa confirma tamanho da maior boca de caverna do Brasil e investiga ondas de enchentes</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Práticas domésticas de segurança dos alimentos têm falhas persistentes no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 20:35:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo avalia práticas de higiene e manipulação de alimentos em lares brasileiros, indicando a necessidade urgente de ações educativas Texto: Alicia Nascimento Aguiar* &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Dados epidemiológicos de diversos países indicam que a maioria dos surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) ocorre dentro das residências, porém há pouca informação [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/praticas-domesticas-de-seguranca-dos-alimentos-tem-falhas-persistentes-no-brasil/">Práticas domésticas de segurança dos alimentos têm falhas persistentes no Brasil</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estudo avalia práticas de higiene e manipulação de alimentos em lares brasileiros, indicando a necessidade urgente de ações educativas</p>



<p>Texto: Alicia Nascimento Aguiar* &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</p>



<p>Dados epidemiológicos de diversos países indicam que a maioria dos surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) ocorre dentro das residências, porém há pouca informação sobre práticas domésticas de higiene e manipulação de alimentos.&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949824426000273?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um estudo</a>&nbsp;realizado em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP avaliou práticas de higiene e manipulação de alimentos em lares brasileiros e revelou dados preocupantes.</p>



<p>Para estabelecer um paralelo entre as falhas de higiene identificadas no Brasil e no mundo, o estudo revelou que as Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) ocorrem em todas as regiões do mundo e estão frequentemente associadas a falhas de higiene na manipulação e no armazenamento dos alimentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 600 milhões de pessoas, ou seja, quase um em cada dez indivíduos no mundo adoece todos os anos após consumir alimentos contaminados.</p>



<p>Em território brasileiro, dados do Ministério da Saúde no Brasil revelam que, entre 2014 e 2023, foram notificados 6.874 surtos de DTHA, resultando em 110.614 casos de doença e 121 óbitos. As bactérias&nbsp;<em>Escherichia coli</em>&nbsp;(34,8%),&nbsp;<em>Staphylococcus aureus</em>&nbsp;(9,7%) e&nbsp;<em>Salmonella</em>&nbsp;(9,6%) foram as mais prevalentes. Já o principal local de ocorrência foram as residências (34%), quase o dobro do observado em restaurantes e padarias, que aparecem em seguida com 14,6%, evidenciando o papel do ambiente doméstico na ocorrência de DTHA no País.</p>



<p>Para compilar os dados, um estudo foi conduzido por pesquisadores brasileiros, com participação da professora Daniele Maffei, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Esalq, e&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949824426000273?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado</a>&nbsp;recentemente na revista&nbsp;<em>Food and Humanity,</em>&nbsp;da Elsevier. Por meio de um questionário on-line aplicado a 5 mil pessoas em todo o País, os pesquisadores buscaram as práticas de higiene, manipulação e armazenação de alimentos em domicílios brasileiros.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized" id="attachment_971803"><a class="no-lightbox" href="https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-agrarias/praticas-domesticas-de-seguranca-dos-alimentos-tem-falhas-persistentes-no-brasil/attachment/20260122_daniele-maffei/"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/01/20260122_Daniele-Maffei.jpg" alt="Mulher branca de cabelos pretos compridos, blusa de mangas curtas preta. Sorri para a foto" class="wp-image-971803" style="width:169px;height:auto"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Daniele Maffei – Foto:&nbsp;<a href="https://www.researchgate.net/profile/Daniele-Maffei-2">ResearchGate GmbH</a></figcaption></figure>
</div>


<p>O estudo registrou temperaturas de 216 refrigeradores domésticos, sendo que, destes, 91% estavam dentro da faixa recomendada (0 a 10°C), além de mostrar que a maioria dos participantes (81%) não utiliza bolsas ou sacolas térmicas para transportar alimentos refrigerados ou congelados do mercado até suas casas. “O transporte sem bolsa térmica permite que alimentos refrigerados fiquem em temperatura favorável ao desenvolvimento microbiano”, alerta Daniele Maffei. Muitos também relataram descongelar alimentos à temperatura ambiente (39,5%) ou em um recipiente com água (18,3%). “Descongelar fora da refrigeração também favorece a multiplicação de microrganismos na superfície dos alimentos”, adverte a pesquisadora.</p>



<p>Apenas 38% dos participantes higienizam corretamente frutas e verduras; 46,3% relataram ter o hábito de lavar carnes na pia da cozinha; 24% consomem carnes malcozidas; e 17% consomem ovos crus ou malcozidos. A renda familiar mensal influenciou diretamente as práticas de higiene, manipulação e consumo de produtos de origem animal, indicando diferenças nos padrões sanitários entre faixas de renda.</p>



<p>Esses resultados indicam que pequenas atitudes do dia a dia podem favorecer a contaminação e, consequentemente, o adoecimento, quando a higiene na manipulação e no armazenamento dos alimentos não é adequada. “Falhas significativas persistem nas práticas domésticas de segurança dos alimentos no Brasil, indicando a necessidade urgente de ações educativas e estratégias de comunicação voltadas à prevenção das Doenças Transmitidas por Alimentos no ambiente domiciliar. Isso reforça a importância de ações educativas para melhorar a segurança dos alimentos, algo que buscamos sempre disseminar por meio das atividades de extensão”, concluiu Daniele Maffei.</p>



<p>O artigo pode ser&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2949824426000273?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">acessado neste link</a>.</p>



<p><em>*Da Divisão de Comunicação da Esalq</em></p>



<p>Fonte: Jornal USP / Pequenas atitudes do dia a dia, como não descongelar alimentos fora da refrigeração, podem prevenir contaminação – Foto: Gerhard Waller/Esalq<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/praticas-domesticas-de-seguranca-dos-alimentos-tem-falhas-persistentes-no-brasil/">Práticas domésticas de segurança dos alimentos têm falhas persistentes no Brasil</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Análise mostra caminho para Brasil reduzir “dívida de carbono” dos solos agrícolas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 20:28:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo quantifica perdas causadas pela remoção da vegetação nativa e aponta agricultura sustentável como resposta às mudanças climáticas Texto: Redação* Arte: Simone Gomes &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Pesquisadores da USP e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) analisaram 4.290 registros de solos brasileiros e calcularam as perdas de carbono causadas pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="wp-block-heading">Estudo quantifica perdas causadas pela remoção da vegetação nativa e aponta agricultura sustentável como resposta às mudanças climáticas</h3>



<h3 class="wp-block-heading">Texto: Redação*</h3>



<h3 class="wp-block-heading">Arte: Simone Gomes &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</h3>



<p>Pesquisadores da USP e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) analisaram 4.290 registros de solos brasileiros e calcularam as perdas de carbono causadas pela conversão da vegetação nativa em áreas agrícolas em cada bioma do País. Ao revelar a “dívida de carbono” do Brasil, o estudo mostra que o manejo sustentável pode diminuir emissões e repor de modo significativo as perdas do solo, honrando compromissos climáticos internacionais e avançando na produção de alimentos, sem novos desmatamentos.</p>



<p>O trabalho foi realizado por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da USP (CCARBON), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e da Embrapa Agricultura Digital. As conclusões do estudo são apresentadas em&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1038/s41467-026-68340-4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;publicado no site&nbsp;<em>Nature Communications.</em></p>



<p>“A principal contribuição deste trabalho foi a estimativa da dívida de carbono no solo, interpretada como o potencial teórico de recarbonização dos solos agrícolas e como um indicativo do potencial para o mercado de carbono”, conta João Marcos Villela, primeiro autor do artigo elaborado durante estudo de pós-doutorado na Esalq, com bolsa da Fapesp. “Além disso, foi feito o estabelecimento da linha de base dos estoques de carbono orgânico em áreas nativas e agrícolas.”</p>



<p>“Com base na elaboração de um banco de dados inédito sobre carbono orgânico no solo nos biomas brasileiros, o trabalho também evidenciou o potencial de práticas conservacionistas na recomposição do carbono perdido”, relata Villela. “Espera-se que esses resultados subsidiem a formulação de políticas públicas de mitigação climática no Brasil e orientem ações do setor privado, contribuindo para o direcionamento de estratégias de intervenção adaptadas às realidades regionais e para o cumprimento das metas climáticas do setor agropecuário.”</p>



<p>O estudo é baseado em uma metanálise que reuniu 4.290 registros sobre estoques de carbono orgânico do solo nos seis biomas brasileiros. O trabalho estima que a conversão de áreas naturais para a agricultura provocou uma perda acumulada de 1,40 ± 0,1 petagrama de carbono (Pg C) na camada de 0 a 30 centímetros do solo. A massa de um petagrama equivale a 1.015 gramas. Esse valor expressa a chamada dívida de carbono, ou seja, a quantidade de carbono que deixou de ser armazenada no solo após a substituição da vegetação nativa.</p>



<p>Para chegar a essa estimativa os pesquisadores compararam áreas agrícolas e remanescentes de vegetação natural nos biomas do Brasil. A análise também levou em conta como diferentes sistemas de manejo, as características de formação dos solos e as condições climáticas regionais influenciam a perda, a manutenção ou a recuperação dos estoques de carbono ao longo do tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">“Dívida de carbono”</h2>



<p>Um dos pontos centrais da pesquisa é a explicação de como a “dívida de carbono” se acumula. O estudo destaca que o clima e as características pedogenéticas (da formação dos solos) são fatores determinantes. Solos que possuem naturalmente maiores estoques de carbono — geralmente localizados em regiões mais frias, úmidas ou com alta presença de argila e minerais que protegem a matéria orgânica — são os que sofrem as maiores perdas quando convertidos.</p>



<p>Isso ocorre quando práticas de manejo que envolvem o revolvimento mecânico (como a aragem e a gradagem) quebram os agregados do solo que protegiam o carbono. Com a ruptura dessas estruturas, o oxigênio penetra nas camadas internas e acelera a oxidação da matéria orgânica por microrganismos.</p>



<p>O resultado é a rápida degradação do carbono que é liberado para a atmosfera. O tempo desde a conversão é uma variável crítica. Os primeiros 15 anos após a substituição da vegetação nativa pela agricultura são os mais graves. É nesse período que ocorre a perda mais drástica e acelerada de carbono.</p>



<p>Segundo os pesquisadores, o trabalho fez uma avaliação individualizada por biomas, o que permitiu revelar que a dívida de carbono no solo não se distribui de maneira homogênea pelo território brasileiro, refletindo a grande diversidade de solos, climas e formações vegetais do País. Biomas como a Mata Atlântica, por exemplo, apresentam elevado aporte de matéria orgânica ao solo, resultado da alta produtividade vegetal, e grande parte desse carbono é estocado. Ao contrário da Amazônia, que mesmo com o grande aporte de matéria orgânica, o clima favorece a decomposição, reduzindo a capacidade de estocagem. Já em outros biomas, como o Cerrado ou a Caatinga, a dinâmica do carbono no solo responde a combinações distintas de clima, textura do solo e histórico de uso da terra.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Potencial de recarbonização</h2>



<p>Os resultados indicam que a área agrícola brasileira concentra um elevado potencial de recarbonização do solo. De acordo com um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1007/s10113-022-01945-9" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;de 2022 citado no estudo, a recuperação de pastagens degradadas, por exemplo, apresenta potencial para recompor entre 14% e 23% dos estoques de carbono orgânico perdidos. Já sistemas mais diversificados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além do uso de plantas de cobertura e do plantio direto, mostraram-se capazes de reproduzir parte da dinâmica dos ecossistemas naturais, aumentando o aporte de resíduos vegetais e favorecendo o acúmulo de carbono no solo.</p>



<p>De acordo com as estimativas do estudo, a recarbonização de cerca de um terço do potencial total identificado seria suficiente para que o Brasil atingisse a meta de redução de 59% a 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, estabelecida em sua nova&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mda/pt-br/noticias/2024/10/brasil-entrega-a-onu-nova-ndc-alinhada-ao-acordo-de-paris" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC)</a>. Na prática, esse objetivo poderia ser alcançado ao se aproveitar aproximadamente 40% a 45% do potencial de recuperação da Mata Atlântica e do Cerrado, estimado em 3,8 Pg de CO₂ equivalente.</p>



<p>“A principal contribuição do estudo foi revelar a oportunidade que existe na agricultura”, diz Maurício Cherubin, diretor de pesquisa do CCARBON da USP. “Ao quantificar a dívida de carbono dos solos, conseguimos enxergar com mais clareza o potencial de recarbonização dos biomas brasileiros e as possibilidades reais de recuperação de áreas degradadas, mostrando que práticas sustentáveis podem transformar o solo em um aliado da produção e da mitigação climática.”</p>



<p>Esses resultados ganham ainda mais relevância quando consideramos a área total agrícola do País. Segundo dados do&nbsp;<a href="https://brasil.mapbiomas.org/wp-content/uploads/sites/4/2023/10/FACT_MapBiomas_Agropecuaria_04.10_v2.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas,</a>&nbsp;cerca de 282,5 milhões de hectares – aproximadamente um terço do território nacional – são, atualmente, destinados à agricultura e à pecuária. O estudo mostra que, ao adotar práticas de manejo sustentável nessas áreas já convertidas, o Brasil pode avançar simultaneamente na produção de alimentos, na recuperação dos solos e no cumprimento de seus compromissos climáticos internacionais, sem necessidade de novos desmatamentos.</p>



<p>Para o diretor do CCARBON, professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, os resultados reforçam o papel da pesquisa para o desenvolvimento de políticas públicas. “Quando a gente mapeia a lacuna de carbono no solo, fica mais fácil fortalecer programas como o ABC+, hoje RenovAgro”, enfatiza. “A informação ajuda a dar mais credibilidade aos créditos de carbono baseados no solo e identificar onde estão as melhores oportunidades de sequestro e restauração. Isso conecta a ciência às políticas públicas e ao mercado, e coloca o solo no centro da ação climática.”</p>



<p>Nesse cenário, o estudo reforça que não é necessário avançar sobre novas áreas de vegetação nativa para aumentar a produção agropecuária. O caminho apontado pelos pesquisadores é a intensificação das áreas já convertidas, por meio de práticas de manejo que recuperem o carbono do solo, aumentem a eficiência produtiva e ampliem a resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças climáticas. O artigo&nbsp;<em>Soil carbon debt from land use change in Brazil</em>&nbsp;está disponível neste&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1038/s41467-026-68340-4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p>Mais informações: cepcerri@usp.br, com o professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri</p>



<p><em>* Escrito pela equipe de Disseminação Científica do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da USP. Revisado por Júlio Bernardes</em></p>



<p>Fonte: Jornal USP / Manejo quebra agregados do solo que protegiam o carbono, fazendo o oxigênio penetrar nas camadas internas e acelerar oxidação da matéria orgânica por microrganismos, levando à rápida degradação do carbono que é liberado para a atmosfera – Foto: George Campos / USP Imagens<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="COMO FAZER UMA BOA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/i-kywYY-vZw?start=3&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/analise-mostra-caminho-para-brasil-reduzir-divida-de-carbono-dos-solos-agricolas/">Análise mostra caminho para Brasil reduzir “dívida de carbono” dos solos agrícolas</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O Fantasma de Ubajara: cientistas registram macaco-prego sem pigmentação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2026 20:13:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por: Tabita Said &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026 Manchas brancas espalhadas pelo corpo de “Fantasma”, como foi chamado pelos pesquisadores, pode indicar falta de variabilidade genética e fragmentação da população Cientistas brasileiros&#160;publicaram&#160;o primeiro relato de leucismo em um&#160;Sapajus libidinosus, uma espécie de macaco-prego cuja variação de cores vai de pelagens marrom-escuras até amarelo-douradas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>por: Tabita Said &#8211; Terça, 17 de fevereiro de 2026</p>



<h2 class="wp-block-heading">Manchas brancas espalhadas pelo corpo de “Fantasma”, como foi chamado pelos pesquisadores, pode indicar falta de variabilidade genética e fragmentação da população</h2>



<p>Cientistas brasileiros&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10329-026-01243-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicaram</a>&nbsp;o primeiro relato de leucismo em um&nbsp;<em>Sapajus libidinosus</em>, uma espécie de macaco-prego cuja variação de cores vai de pelagens marrom-escuras até amarelo-douradas claras, com extremidades geralmente pretas. A presença de manchas brancas mostra uma perda parcial de melanina na pelagem e é extremamente rara em primatas.&nbsp;</p>



<p>Diferentemente do albinismo, que já foi identificado anteriormente em um macaco-prego-preto e em um macaco-prego-das-guianas, ambos em cativeiro, o caso relatado agora mostra um filhote, de aproximadamente três meses, com leucismo – doença congênita que causa perda parcial ou total de melanina na pelagem ou nas penas dos animais, embora a cor dos olhos permaneça escura, o que é considerado “normal”.&nbsp;</p>



<p>O macaquinho, chamado informalmente pelos pesquisadores de “Fantasma”, vive no Parque Nacional de Ubajara – Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada na região da Serra da Ibiapaba, Estado do Ceará, e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_Tiago-Falotico_LucasNinno.jpg" alt="" class="wp-image-978686" style="width:189px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Tiago Falótico &#8211; Foto: Lucas Ninno</figcaption></figure>
</div>


<p>“Eu estava instalando os gravadores de som na área, daí observei primeiro esse macaco branco ali, diferente, que nem era do nosso grupo de estudo. Fui atrás e vi esse filhote branquinho”, conta ao&nbsp;<strong>Jornal da USP&nbsp;</strong>o primatólogo Tiago Falótico, pesquisador associado ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, na Alemanha, e presidente da Neotropical Primates Research Group (NeoPReGo), associação brasileira de apoio à pesquisa.&nbsp;</p>



<p>O animal foi observado duas vezes, em um intervalo de 30 dias. Todas as características estavam preservadas e seu comportamento foi o mesmo esperado de um infante saudável: era carregado pela mãe e, eventualmente, sua curiosidade também o levava a explorar o local sozinho. Mas estava socialmente integrado ao bando, sem sinais de rejeição pelos demais membros do grupo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="First observation of leucistic wild capuchin monkey" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/-VaHvoMe130?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h2 class="wp-block-heading">O Fantasma e o Jenipapo</h2>



<p>Características do parque, como fragmentação territorial e intensa ocupação humana nas extremidades, poderiam indicar alguma influência que resultasse no aparecimento do leucismo entre os macacos. Entre essas influências estaria a poluição, alterações ecológicas ou mesmo uma mudança na alimentação padrão dos animais.</p>



<p>“Uma das hipóteses dessa diferença de coloração seria o fator ambiental. O primeiro é o genético, alguma mutação aleatória que deu essa característica. A outra seria a questão da alimentação, alguma deficiência alimentar ou algum poluente; alguma coisa que está contaminando os macacos que a gente nem tem ideia”, explica Falótico.&nbsp;</p>



<p>O parque Ubajara tem 6.300 hectares e engloba florestas, montanhas, cavernas e cachoeiras, marcado por áreas úmidas e frias, no planalto, e outras secas, de transição para o semiárido, na planície. A diferença entre a parte de baixo e de cima do parque também se reverte em microclimas distintos, e uma diversidade de plantas e frutas.</p>



<p>No entanto, a tese da influência ambiental, a princípio, está descartada. “Se fosse alguma coisa mais ambiental, de poluição e de alimentação, a gente espera que veria muito mais [casos de leucismo] espalhados nos grupos”, argumenta o pesquisador, que não desconsidera a análise genética. “Não temos desse indivíduo, em particular, mas a gente pode pelo menos dar uma olhada se tem algum gene conhecido de leucismo rodando na população e que não está ativo. Mas, o mais provável, é que ele seja uma mutação nova.”&nbsp;</p>



<p>A pulga atrás da orelha tem uma razão de ser: ao descobrirem o Fantasma, os pesquisadores decidiram revisar vídeos e informações em antigos bancos de dados, onde encontraram registros de um macho adulto, que também apresentava uma mancha branca na cabeça, embora mais sutil. Esse macaco é o Jenipapo. E não: ele não é pai do Fantasma.</p>



<p>“O Jenipapo é de outro grupo, e provavelmente é o macho alfa de lá”, explica Tatiane Valença, coautora do artigo que foi publicado durante a conclusão de seu doutorado no Instituto de Psicologia (IP) da USP. Tatiane também é pesquisadora visitante do Instituto Max Planck de Comportamento Animal em Konstanz, na Alemanha. “O mais fofo do grupo do macaquinho branco é o Zeca, provavelmente o pai dele. A gente conhece bem”, completa a pesquisadora e atualmente coordenadora de campo na base de pesquisas da NeoPReGo no parque cearense.</p>



<p>“Na verdade, tem outra característica que a gente não colocou [no artigo], mas, além da cabeça, o Jenipapo tem uma descoloração nos testículos”, conta Falótico ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>. Nenhum outro macaco-prego com esses padrões foi observado pela equipe nessa população desde o início da pesquisa, há seis anos.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2024/06/20240619_Tatiane-Valenca.jpg" alt="Foto de Tatiane Valença " class="wp-image-771871"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Tatiane Valença &#8211; Foto:&nbsp;<a href="http://lattes.cnpq.br/2091669300699008">CV Lattes</a></h5>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_macaco-prego-Ubajara_NeoPReGo.png" alt="" class="wp-image-978694"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Filhote leucístico de macaco-prego-barbudo (Sapajus libidinosus) do Parque Nacional de Ubajara e sua mãe. Ele tem membros e cauda com coloração esbranquiçada, diferente do padrão de coloração da pelagem da mãe &#8211; Imagens: NeoPReGo / extraídas do artigo</h5>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/02/260213_macaco-prego-leucistico-adulto2.jpg" alt="" class="wp-image-978698"/></figure>



<h5 class="wp-block-heading">Jenipapo é um macho adulto com uma mancha de pelo mais claro no topo da cabeça &#8211; Foto: Tiago Falótico / Extraída do artigo</h5>



<h2 class="wp-block-heading">O risco da perda de uma tradição</h2>



<p>Para os pesquisadores, a presença de dois macacos-prego com padrões de coloração anormais é um sinal de alerta para manter um monitoramento de longo prazo. Não apenas preservando a espécie, mas uma longa tradição de uso de ferramentas que é passada de geração em geração.</p>



<p>“Essa população é bem interessante porque, durante o meu doutorado, eu descobri que eles usam não só as pedras para quebrar coco, como boa parte dos macacos-prego, mas eles também usam pedras para cavar e usam varetas para tirar aranhas de alçapão de tocas. Um comportamento que a gente só tinha visto na Serra da Capivara”, destaca Tatiane Valença.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Se a hipótese genética estiver correta, o leucismo pode ser uma consequência do cruzamento de uma população pequena na qual a diversidade genética diminui significativamente. Com isso, genes recessivos raros (que normalmente não se manifestam) ganham maior probabilidade de aparecer.&nbsp;</p>



<p>Somente o acompanhamento e o registro sistemático desses animais poderá confirmar o aumento dessa característica na população de macacos-prego do Ubajara, um parque que também sofre a pressão das mudanças climáticas e do desenvolvimento urbano.&nbsp;</p>



<p>“Esse sinal de mutação – um bicho com cor diferente – pode ser um indicativo de endogamia de uma população que está restrita, ali, num fragmento, e não está tendo fluxo gênico. E tem outros problemas, como a população de animais domésticos entrando e interagindo com os animais do parque”, aponta Tiago Falótico.</p>



<p>“Conservar essas populações é importante para a gente conservar a diversidade de tradições dos macacos-prego. Esses comportamentos são importantes para a sobrevivência desses animais, mas também nos ajudam, enquanto seres humanos, a entender mais sobre nós mesmos”, conclui Tatiane.</p>



<p>O artigo&nbsp;<em>First observation of a leucistic bearded capuchin monkey (Sapajus libidinosus)</em>&nbsp;foi&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10329-026-01243-6" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado na revista&nbsp;<em>Primates</em></a>.</p>



<p>Mais informações: tiago@neoprego.org, com Tiago Falótico</p>



<p>FONTE: Jornal da USP / <em>Sapajus libidinosus</em>, também chamado de macaco-prego barbado ou capuchinho, foi registrado por pesquisadores brasileiros no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará &#8211; Foto: Tatiane Valença/NePReGo</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="COMO FAZER UMA BOA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/i-kywYY-vZw?start=3&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/o-fantasma-de-ubajara-cientistas-registram-macaco-prego-sem-pigmentacao/">O Fantasma de Ubajara: cientistas registram macaco-prego sem pigmentação</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Mais calor e menos polinização: o impacto das mudanças climáticas sobre as abelhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 03:24:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Abelha]]></category>
		<category><![CDATA[calor]]></category>
		<category><![CDATA[mudanca climatica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quinta, 15 de janeiro de 2026 Estudo orientado pelo pesquisador Breno Freitas, da Universidade Federal do Ceará, apresentado na 49a&#160;Apimondia alerta: a polinização do maracujá pelas abelhas Mamangavas já está sendo prejudicada pelo aquecimento global Com uma produção anual em torno de 700 mil toneladas ao ano, o Brasil é o maior produtor e consumidor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quinta, 15 de janeiro de 2026</p>



<p><em>Estudo orientado pelo pesquisador Breno Freitas, da Universidade Federal do Ceará, apresentado na 49</em><em>a</em><em>&nbsp;Apimondia alerta: a polinização do maracujá pelas abelhas Mamangavas já está sendo prejudicada pelo aquecimento global</em></p>



<p>Com uma produção anual em torno de 700 mil toneladas ao ano, o Brasil é o maior produtor e consumidor de maracujá do mundo. Parte significativa dessa produção se encontra no estado do Ceará, onde pesquisadores desenvolveram um estudo que observou a diminuição do forrageamento das abelhas Mamangavas sobre duas espécies de maracujá, provocada pelo aumento das temperaturas.&nbsp;</p>



<p>O estudo&nbsp;<em>“Climate change may disrupt crop pollination in the Neotropics: rising temperatures lead carpenter bees to avoid pollinating passion fruit flowers”</em>&nbsp;(Mudanças climáticas podem prejudicar polinização das culturas nos Neotrópicos: aumento das temperaturas leva abelhas Mamangavas a evitar a polinização das flores do maracujá), que&nbsp; contribui para compreender o impacto das mudanças climáticas sobre o comportamento das abelhas, será apresentado na 49a&nbsp;edição da Apimondia, em Copenhague, na Dinamarca. A pesquisa foi orientada pelo engenheiro agrônomo, doutor em Abelhas e&nbsp;Polinização&nbsp;e professor da Universidade Federal do Ceará, Breno Freitas, no município de Maranguape.&nbsp; O assunto foi tema da dissertação de Mestrado de Letícia Ferreira Paiva, defendida em 2023.&nbsp;Também participaram do estudo os pesquisadores Epifânia Emanuela Macedo Rocha, Felipe Jackson de Farias-Silva, Vitória Inna Mary de Sousa Muniz, Larysson Feitosa dos Santos, Luciano Pinheiro da Silva, todos do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará.&nbsp;</p>



<p><strong>Aquecimento global e polinização</strong></p>



<figure class="wp-block-image" id="attachment_18887"><img decoding="async" src="https://abelha.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Breno-Freitas-1-300x200.jpeg" alt="Breno Freitas 1" class="wp-image-18887" title="Mais calor e menos polinização: o impacto das mudanças climáticas sobre as abelhas 1"/><figcaption class="wp-element-caption">O pesquisador Breno Freitas, professor da Universidade Federal do Ceará. Crédito: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Os resultados sugerem que o aquecimento global pode comprometer o serviço ecossistêmico de polinização das abelhas, afetando a produtividade, o peso do fruto, da polpa e o número de sementes. Os pesquisadores observaram que as abelhas mamangavas (<em>Xylocopa frontalis</em>) evitaram forragear flores de duas espécies de maracujá (<em>Passiflora edulis and P. cincinnata</em>), pois com o aumento da temperatura ambiente há também um aumento elevado da temperatura corporal ao longo do dia, chegando a valores que a abelha não suporta e para de trabalhar para evitar o superaquecimento.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>“Forrageando cada vez menos à medida que a temperatura aumenta, elas terão menos acesso a alimentos, produzirão menos crias e, ao longo do tempo, suas populações poderão se tornar menores e menores, até não ser mais possível sobreviver naquele local. As altas temperaturas estão influenciando o forragear dessas espécies de abelhas e isso pode ter consequências futuras como a extinção local delas e a impossibilidade de polinizar o maracujá e outras espécies”, explica Freitas.&nbsp;</p>



<p>Os pesquisadores verificaram uma redução na frequência e na duração das visitas das abelhas às flores nas horas mais quentes do dia. A redução na frequência e duração das visitas às flores&nbsp; também foi constatada na comparação entre as estações seca e chuvosa. Essa mudança no comportamento das abelhas prejudica sua eficiência como polinizador e é especialmente preocupante para a espécie de maracujá&nbsp;<em>P. edulis&nbsp;</em>(maracujá amarelo), cujas flores abrem ao meio-dia e têm apenas algumas horas da tarde para serem polinizadas.</p>



<p><strong>Cuidados para o futuro</strong></p>



<p>Com o avanço da velocidade das mudanças climáticas – em oposição à morosidade para combatê-las – pesquisadores têm empreendido esforços para identificar as espécies de abelhas mais ameaçadas e as áreas que serão adequadas para as abelhas e cultivos no futuro. A partir daí, eles têm trabalhado para manter as condições dessas áreas estáveis. “Outra possível solução é&nbsp; recuperar áreas degradadas, preferencialmente próximas aos cultivos para permitir corredores ecológicos que fornecerão abelhas para esses cultivos quando florescerem. Além disso, o desenvolvimento de técnicas de criatório e manejo para as diversas espécies de abelhas brasileiras, seja em condições naturais ou em criatório racional, dependendo de cada espécie e estratégia mais adequada” relata Breno Freitas.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Em 2025, a A.B.E.L.H.A. está sendo representada por três pesquisadores que integram o Comitê Científico da Associação na 49a&nbsp;Apimondia, o maior evento global de apicultura e meliponicultura, entre os dias 23 e 27 de setembro. São eles: o engenheiro agrônomo, doutor em Abelhas e&nbsp;Polinização&nbsp;e professor da Universidade Federal do Ceará, Breno Freitas; o biólogo, doutor em Entomologia e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Cristiano Menezes, e o engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni. Com o lema “Unity and knowledge sharing” (União e partilha de conhecimento), a Apimondia ressalta o objetivo de promover o intercâmbio global de informações e práticas da apicultura e meliponicultura.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image" id="attachment_18888"><img decoding="async" src="https://abelha.org.br/wp-content/uploads/2025/09/WhatsApp-Image-2025-09-25-at-12.45.12.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025 09 25 at 12.45.12" class="wp-image-18888" title="Mais calor e menos polinização: o impacto das mudanças climáticas sobre as abelhas 2"/><figcaption class="wp-element-caption">Membro do Comitê Científico da A.B.E.L.H.A., Breno Freitas participa da 49a Apimondia. Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>



<p>Fonte: Abelha.org / Mamangava nativa do Brasil polinizando flor de maracujá. Crédito: anju (CC BY-NC)/ Arquivo A.B.E.L.H.A.<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ATIVIDADES DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/E4B1OIER-XI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/mais-calor-e-menos-polinizacao-o-impacto-das-mudancas-climaticas-sobre-as-abelhas/">Mais calor e menos polinização: o impacto das mudanças climáticas sobre as abelhas</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Como as abelhas contribuem para a saúde do solo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 03:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Abelhas]]></category>
		<category><![CDATA[solo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quinta, 15 de janeiro de 2026 Celebrado em 5 de dezembro, o Dia Mundial do Solo foi instituído pela FAO para chamar a atenção global sobre a importância de proteger e recuperar esse recurso vital. Além de garantir a produção de alimentos e regular o clima, solos saudáveis são essenciais para a vida na Terra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quinta, 15 de janeiro de 2026</p>



<p>Celebrado em 5 de dezembro, o Dia Mundial do Solo foi instituído pela FAO para chamar a atenção global sobre a importância de proteger e recuperar esse recurso vital. Além de garantir a produção de alimentos e regular o clima, solos saudáveis são essenciais para a vida na Terra — e, talvez você não saiba, mas as abelhas desempenham um papel importante nesse equilíbrio.</p>



<p>Os benefícios dos serviços ecossistêmicos prestados pelas abelhas vão muito além da polinização, ainda que esta, por si só, já seja essencial: estima-se que cerca de 75% das culturas agrícolas no mundo dependem de polinizadores. Mas o impacto positivo das abelhas também chega ao solo.</p>



<p>“Ao favorecer a diversidade vegetal nas paisagens rurais, as abelhas estimulam o crescimento de diferentes espécies que, por sua vez, contribuem para a cobertura do solo, a fixação de nitrogênio e o aumento da matéria orgânica. Isso reduz a erosão, melhora a infiltração de água e fortalece a microbiota do solo. Em síntese, a presença ativa de polinizadores contribui para sistemas agrícolas mais resilientes, férteis e sustentáveis”, destaca Rogério Avellar, engenheiro agrônomo e líder executivo da A.B.E.L.H.A.</p>



<p>Ou seja, as abelhas colaboram direta ou indiretamente para combater a erosão, descompactar o solo, melhorar a infiltração de água e a ciclagem de nutrientes — fatores essenciais para a regeneração e conservação dos solos.</p>



<p>Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), um terço dos solos do planeta já está degradado. E, se nada for feito, a perda de produtividade agrícola pode chegar a 10% até 2050, devido à erosão. Isso torna ainda mais urgente a proteção dos solos e o reconhecimento de todos os elementos — inclusive os menos visíveis — que sustentam sua saúde.</p>



<p>Neste 5 de dezembro, a mensagem é clara: solos saudáveis precisam de paisagens diversas, vegetação viva e polinizadores ativos. Cuidar das abelhas também é cuidar do solo — e do nosso futuro.</p>



<p><strong>Benefícios diretos</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft" id="attachment_19136"><img decoding="async" src="https://abelha.org.br/wp-content/uploads/2025/12/abelha-solo-1-Cristiano-Menezes-300x198.webp" alt="abelha solo 1 Cristiano Menezes" class="wp-image-19136" title="Dia Mundial do Solo: como as abelhas contribuem para a saúde do solo? 1"/><figcaption class="wp-element-caption">A maior parte das abelhas nativas brasileiras constrói seus ninhos no solo. Crédito: Cristiano Menezes.</figcaption></figure>
</div>


<p>Além dos benefícios indiretos relacionados à polinização e à manutenção da biodiversidade, algumas espécies de abelhas contribuem diretamente para a saúde do solo. É o caso das abelhas solitárias que constroem seus ninhos no chão, cavando túneis e galerias que favorecem processos físicos e biológicos essenciais ao equilíbrio do ecossistema.</p>



<p>De acordo com o estudo&nbsp;<em>“A review of the impacts of soil tillage on ground-nesting wild bees – mechanisms, implications, and future research directions”</em>&nbsp;(“Uma revisão dos impactos do preparo do solo sobre as abelhas selvagens que nidificam no solo – mecanismos, implicações e perspectivas para pesquisas futuras”), publicado na revista científica&nbsp;<em>Agriculture, Ecosystems and Environment</em>, em 2024, essas abelhas criam poros verticais profundos e contínuos, comparáveis aos formados por minhocas anécicas. Essas estruturas melhoram a aeração, o fluxo de água e o transporte de nutrientes, impactando positivamente as funções do solo e beneficiando o desenvolvimento das culturas agrícolas.</p>



<p>Para Avellar, o comportamento das abelhas solitárias de construir ninhos escavando galerias no solo tem um papel ecológico relevante. “Além de aumentar a aeração e a permeabilidade do solo, facilitando o fluxo de ar e de água, elas também promovem a mistura de camadas e a ciclagem de nutrientes, o que melhora as condições para o desenvolvimento radicular das plantas. Em áreas agrícolas, esses processos naturais funcionam como uma forma de ‘engenharia ecológica’ gratuita, contribuindo para solos mais vivos e produtivos”, afirma.</p>



<p>A maioria das espécies nativas de abelhas do Brasil nidifica no solo. Algumas escavam diretamente suas galerias, como a abelha-de-óleo (<em>Centris flavifrons</em>) e a mamangava (<em>Epicharis flava</em>). Outras utilizam cavidades já existentes, como as mombucas (<em>Geotrigona spp.</em>), guiruçus (<em>Schwarziana spp.</em>) e jataís-da-terra (<em>Paratrigona spp.</em>), que se instalam em ninhos abandonados de formigas ou cupins. Há ainda espécies como as mamangavas-de-chão (<em>Bombus spp.</em>), que constroem seus ninhos diretamente sobre a superfície do solo.</p>



<p><strong>Conservar para restaurar</strong></p>



<figure class="wp-block-image" id="attachment_18809"><img decoding="async" src="https://abelha.org.br/wp-content/uploads/2025/08/rogerio-avellar-entrevista-2-242x300.jpg" alt="rogerio avellar entrevista 2" class="wp-image-18809" title="Dia Mundial do Solo: como as abelhas contribuem para a saúde do solo? 2"/><figcaption class="wp-element-caption">O engenheiro agrônomo e líder executivo da A.B.E.L.H.A. destaca que as abelhas contribuem para sistemas agrícolas mais resilientes. Crédito: A.B.E.L.H.A.</figcaption></figure>



<p>Tanto as abelhas que proporcionam benefícios diretos, com a construção de ninhos no solo, quanto as que oferecem benefícios indiretos, resultantes da polinização, necessitam de cuidados e boas práticas para sua conservação. A mecanização da agricultura e o uso incorreto de pesticidas estão entre os principais riscos aos polinizadores, grandes aliados na manutenção da saúde e restauração de solos.</p>



<p>“O agricultor é parte da solução. Ao adotar Boas Práticas Agrícolas, como o manejo responsável de defensivos, a manutenção de áreas de vegetação nativa, o plantio de espécies floríferas e o cuidado com fontes de água, ele cria um ambiente favorável às abelhas e demais polinizadores”, defende Rogério Avellar. “Em troca, obtém melhor polinização, aumento de produtividade e maior estabilidade ambiental em sua propriedade. Esse é um verdadeiro círculo virtuoso: a conservação das abelhas fortalece o equilíbrio ecológico e garante a sustentabilidade econômica da agricultura”, complementa o engenheiro agrônomo e líder executivo da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas.</p>



<p><strong>Fontes consultadas:</strong></p>



<p>Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.). Casa própria ou aluguel?. Acesso em 3 de dezembro de 2025. Disponível em:&nbsp;<a href="https://abelha.org.br/voce-sabia-que-8-no-solo/">https://abelha.org.br/voce-sabia-que-8-no-solo/</a></p>



<p>FAO. Solos saudáveis para as pessoas e para o planeta: FAO pede reversão da degradação do solo. Acesso em 4 de dezembro de 2025. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/fr/c/1472352/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/fr/c/1472352/</a></p>



<p>Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. 05 de Dezembro: Dia Mundial do Solo. Conservá-lo significa garantir um futuro! Acesso em 3 de dezembro de 2025. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.gov.br/dnocs/pt-br/assuntos/noticias/05-de-dezembro-dia-mundial-do-solo-conserva-lo-significa-garantir-um-futuro" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.gov.br/dnocs/pt-br/assuntos/noticias/05-de-dezembro-dia-mundial-do-solo-conserva-lo-significa-garantir-um-futuro</a></p>



<p>Tschanz, Philippe et. al. A review of soil tillage impacts on ground-nesting wild bees – mechanisms, implications, and future research perspectives. Agriculture, Ecosystems &amp; Environment Volume 375, 1 November 2024. Acesso em: 2 de dezembro de 2025. Disponível em:&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167880924003426#:~:text=Beyond%20benefits%20for%20crop%20pollination,lack%20mechanical%20loosening%20of%20soils" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167880924003426#:~:text=Beyond%20benefits%20for%20crop%20pollination,lack%20mechanical%20loosening%20of%20soils</a></p>



<p>Fonte e Foto: Abelha.org / <em>Mais do que polinizadoras, elas são aliadas invisíveis na construção de solos férteis, vivos e resilientes.</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/como-as-abelhas-contribuem-para-a-saude-do-solo/">Como as abelhas contribuem para a saúde do solo?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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