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	<title>CITY RURAL |</title>
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	<title>CITY RURAL |</title>
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		<title>Projeto cria regras permanentes para importação de cacau após fim de medida provisória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 03:06:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabado, 08/08/2026 Por&#160;Redação O Projeto de Lei nº 4.912/2026 foi apresentado&#160;nesta quinta-feira (6) na Câmara dos Deputados para criar regras permanentes para a utilização do regime de drawback na importação de amêndoas de cacau. A proposta surge após a perda de validade da Medida Provisória nº 1.341/2026, que deixou de vigorar por não ter sido [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sabado, 08/08/2026 </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por&nbsp;Redação</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Projeto de Lei nº 4.912/2026 foi apresentado&nbsp;nesta quinta-feira (6) na Câmara dos Deputados para criar regras permanentes para a utilização do regime de drawback na importação de amêndoas de cacau. A proposta surge após a perda de validade da Medida Provisória nº 1.341/2026, que deixou de vigorar por não ter sido apreciada pelo Senado dentro do prazo constitucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o fim da medida provisória, o benefício voltou a seguir as normas gerais do regime aduaneiro especial. O novo texto busca estabelecer critérios específicos para o setor, conciliando o incentivo às exportações com a proteção da cadeia produtiva nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais pontos da proposta está a limitação dos atos de drawback a um período máximo de seis meses. O projeto também determina que as importações de amêndoas ocorram apenas durante a entressafra da produção brasileira, entre os meses de dezembro e março.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa ainda prevê a divulgação trimestral de dados sobre o volume importado, os valores envolvidos, os produtos exportados vinculados ao benefício e os respectivos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O texto estabelece, ainda, mecanismos de fiscalização e penalidades para empresas que descumprirem as regras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor da proposta, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) afirmou que o objetivo é preservar o regime de drawback sem prejudicar os produtores brasileiros. “Não somos contra o drawback. Somos contra a utilização do benefício de forma que prejudique quem produz no Brasil. O setor precisa de regras claras, transparência e segurança jurídica. Nosso projeto preserva um importante instrumento de comércio exterior, mas cria salvaguardas para proteger a produção nacional e evitar distorções”, declarou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bahia Noticias/Foto: Mateus Pereira / GOVBA</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bate Papo com o presidente do CDL Clodoaldo Ribeiro" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/JmbWaEevt48?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/projeto-cria-regras-permanentes-para-importacao-de-cacau-apos-fim-de-medida-provisoria/">Projeto cria regras permanentes para importação de cacau após fim de medida provisória</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Embalagens funcionais são aposta para conservar alimentos e diminuir resíduos industriais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 17:33:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas com propriedades antioxidantes e antimicrobianas Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 26 de julho de 2026 As embalagens de alimentos são produzidas para proteger os produtos de contaminantes e danos causados pela exposição ao ambiente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Pesquisadora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas com propriedades antioxidantes e antimicrobianas</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Luana Mendes*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">As embalagens de alimentos são produzidas para proteger os produtos de contaminantes e danos causados pela exposição ao ambiente externo. Os materiais empregados para a fabricação dessas embalagens vão desde metais e cerâmicas, até papéis e polímeros, mas o uso deles têm sido questionado devido à sua baixa biodegradabilidade e ao grande volume de resíduos que geram.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente a esse dilema, a pesquisadora Beatriz Guevara Guerrero, doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Sistemas Integrados em Alimentos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas que, em conjunto, possuem características complementares e que podem ser usadas em grande escala, sem prejudicar o meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira camada, composta de poli(ácido láctico) (PLA) – um biopolímero produzido a partir do ácido lático com propriedades hidrofóbicas – forma uma barreira à água, protegendo o produto embalado. Já a segunda camada, formada por gelatina, uma proteína produzida por hidrólise do colágeno, incorpora compostos ativos, como a rutina (também conhecida como vitamina P, encontrada em vegetais folhosos, frutas cítricas e trigo-sarraceno) e o carvacrol (abundante em óleos essenciais de plantas como orégano e tomilho), com propriedades antioxidantes e antimicrobianas que prolongam a conservação de alimentos suscetíveis a processos de oxidação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hidrólise do colágeno é um processo industrial que “quebra” as moléculas da proteína do colágeno (obtida de ossos e cartilagens animais, por exemplo) em moléculas menores, chamadas peptídeos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os filmes de proteína têm propriedades de barreira que são muito boas para o oxigênio, mas elas são fracas em relação ao vapor de água”, explica Beatriz Guevara Guerreiro.&nbsp; “Pensamos em filmes bicamada, que são uma tendência mundial, para que as camadas se complementem.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">A caminho da biodegradabilidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Beatriz Guerrero relatou ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;que o início do estudo foi focado na encapsulação da rutina e do carvacrol em emulsões de&nbsp;Pickering, bem como em sua caracterização. As emulsões de&nbsp;Pickering&nbsp;representam uma plataforma importante para encapsular e liberar compostos bioativos de forma eficiente em sistemas alimentares funcionais, com vantagens técnicas e ambientais, quando comparadas aos emulsificantes convencionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A encapsulação de alimentos é uma tecnologia que envolve ingredientes ativos — como vitaminas, probióticos e aromas — em uma camada protetora, preservando esses compostos contra luz, oxigênio e umidade, por exemplo. Essa técnica faz com que esses ingredientes ativos sejam liberados no momento ou no local mais adequado para sua ação. Além disso, quando compostos hidrofóbicos são encapsulados em emulsões óleo-em-água, eles são melhor dispersos em matrizes hidrofílicas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/07/20260706_beatriz.jpg" alt="Uma pessoa está posicionada de frente para a câmera, inclinando levemente o corpo para a frente e sorrindo de forma aberta. Tem cabelos longos, lisos, castanhos, repartidos de lado.Veste uma blusa de mangas compridas em tecido brilhante, em tom escuro, com decote em &quot;V&quot; e detalhes pretos na região do peito. Também usa brincos de argola dourados e um colar. O fundo é liso, branco e sem elementos." class="wp-image-1027537" style="width:123px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Beatriz Guevara Guerrero &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do">Currículo Lattes</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Nesta etapa, a pesquisadora analisou o tamanho das gotículas e sua estabilidade, para garantir que os compostos ativos fossem encapsulados de forma eficiente, permitindo uma liberação mais lenta e controlada no tempo.&nbsp;“Identificamos que a incorporação das emulsões de Pickering nos filmes reduziu a permeabilidade ao vapor de água e, especificamente no caso dos filmes de gelatina, aumentou a resistência mecânica”, avalia Beatriz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para construir um filme bicamada ideal, foram necessários inúmeros testes rigorosos de performance. Inicialmente, a equipe experimentou o polímero PHBV, que também é biodegradável, unido à gelatina. Embora inovador e passível de publicação rápida por sua raridade na literatura científica, o material falhou em um critério técnico essencial: a força de selagem. As camadas se separavam com muita facilidade, o que inviabilizaria seu uso comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A solução definitiva veio com o PLA, que demonstrou uma maior adesão e garantiu a integridade da embalagem, criando um material íntegro e resistente. Além da força mecânica, essa combinação apresentou o melhor desempenho de barreira contra o oxigênio e a umidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A capacidade de barreira ao oxigênio foi melhorada nos filmes bicamadas, e a resistência de selagem obtida nos filmes bicamadas à base de PLA é um fator relevante para que esse material tenha grande potencial de aplicação em embalagens de alimentos”, reitera a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da academia à realidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para aproximar a pesquisa das condições encontradas na indústria, Beatriz utilizou a técnica de termocompressão para unir as camadas do filme. O método, que combina calor e pressão, apresenta maior potencial de aplicação em escala industrial do que o tradicional&nbsp;<em>casting</em>&nbsp;– processo de secagem em moldes amplamente empregado em pesquisas de laboratório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as altas temperaturas da termocompressão possam degradar parte dos compostos ativos, o estudo demonstrou que a quantidade remanescente de rutina e carvacrol foi suficiente para preservar as propriedades funcionais da embalagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, no pós-doutorado, a pesquisadora quer aprimorar a técnica de fabricação das embalagens utilizando o mesmo método. O objetivo é desenvolver soluções sustentáveis capazes de chegar ao mercado, contribuindo para a conservação dos alimentos e a redução dos impactos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisadora ressalta, ainda, que apesar desses filmes não superarem o desempenho técnico dos plásticos tradicionais, como o PVC, eles são uma alternativa em construção. “A gente não tem o melhor produto agora, mas estamos no caminho para dar uma alternativa biodegradável aos filmes derivados do petróleo”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo deu origem a três artigos diferentes. O primeiro, intitulado&nbsp;<em>Applying Pickering Emulsion Encapsulating Active Compounds to Produce Active Gelatin and/or Sodium Caseinate-Based Films,&nbsp;</em>foi publicado no&nbsp;<em>Journal of</em>&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1080/00222348.2025.2487373" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Macromolecuar Science</a></em>; o segundo,&nbsp;<em>Active bilayer films based on poly(3-hydroxybutyrate-co-3-hydroxyvalerate)(PHBV) and proteins containing rutin and carvacrol encapsulated in Pickering emulsion</em>, na&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1016/j.polymer.2025.129110" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polymer</a></em>; e o mais recente,&nbsp;<em>Developing Active Bilayer Films Based on Poly(Lactic Acid) and Gelatin or Sodium Caseinate,</em>&nbsp;na&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1002/pat.70590" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Polymers for Advanced Technologies.</em></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail&nbsp;<a href="mailto:beatriz.guevara@usp.br">beatriz.guevara@usp.br</a>, com Beatriz Guevara Guerrero</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP /Embalagens com filmes de camadas duplas, que, em conjunto, possuem características complementares, podem ser usadas em grande escala – Foto: <a href="https://www.magnific.com/br/vetores-gratis/produto-a-base-de-carne-congelado-em-vector-de-embalagem-de-plastico-para-alimentos_207424395.htm#fromView=search&amp;page=1&amp;position=4&amp;uuid=97957233-a267-4d15-a207-f60b1b94b485&amp;query=embalagem+a+vacuo">upklyak/Magnific</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BATE PAPO COM  MAURÍCIO DINIZ ,PRESIDENTE DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/RD9XeIZWtD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/embalagens-funcionais-sao-aposta-para-conservar-alimentos-e-diminuir-residuos-industriais/">Embalagens funcionais são aposta para conservar alimentos e diminuir resíduos industriais</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Microcrustáceo marinho é usado em método inédito para rastrear poluição por carbono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 17:26:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Técnica de microscopia permite acompanhar em tempo real os efeitos de poluente em espécie de microcrustáceo sem usar marcadores químicos Texto: Rui Sintra* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 26 de julho de 2026 Um estudo internacional liderado por pesquisadores da USP e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro, um dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Técnica de microscopia permite acompanhar em tempo real os efeitos de poluente em espécie de microcrustáceo sem usar marcadores químicos</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Rui Sintra*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo internacional liderado por pesquisadores da USP e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro, um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis, são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Publicado em artigo</a>&nbsp;da revista científica&nbsp;<em>Environmental Science &amp; Technology</em>, o trabalho adotou uma avançada técnica de microscopia para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do poluente conhecido como carbono negro em copépodes do gênero&nbsp;<em>Acartia</em>, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O zooplâncton é o conjunto de organismos que tem capacidade de se locomover nas águas dos oceanos e não ser levado pelas correntes marinhas. O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos. Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo,&nbsp; e o material foi preparado em diferentes formas, particulada e dissolvida, para avaliar seu comportamento óptico e biológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260611_francisco.jpg" alt="Homem calvo usando blusa de lã preta com o colarinho de uma camisa vermelha sobre a gola, sorrindo, sentado à esquerda de uma mesa de granito com uma xícara, um copo com café, um guardanapo e uma máscara, tendo um sofá de couro marrom do lado e um conjunto de janelas metálicas por trás" class="wp-image-1018926" style="width:146px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Francisco Eduardo Gontijo Guimarães &#8211; Foto: Divulgação IFSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho”, destaca Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o professor Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos. Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos. “A técnica desenvolvida é, de fato, inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação<br><em>in vivo</em>“, ressalta Maria Luiza Vicente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dispersão de poluentes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os cientistas destacam, ainda, que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais. Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260611_marialuiza.jpg" alt="Mulher de camiseta preta com cabelos escuros e compridos, sorrindo, tendo ao fundo um edifício com gramado onde está instalada uma escultura" class="wp-image-1018922" style="width:133px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Maria Luiza Vicente &#8211; Foto: Divulgação IFSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Para Maria Luiza Vicente, a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton<br>na transformação desse poluente. “A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas na fronteira do conhecimento”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No futuro, segundo a pesquisadora, com os avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos cientistas do IFSC, a pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Label-Free Two-Photon Spectral Microscopy to Track Black Carbon Fate in Live Copepod</em>&nbsp;pode ser consultado neste&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*&nbsp;<em>Da Assessoria de Comunicação do IFSC, adaptado para o</em>&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP /Crustáceos expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à da alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse um alimento – Foto: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Live_Copepods_under_Microscope_%E2%80%93_Black_Background_(Macro_Photography.jpg">Lion Pods Live Copepods / Wikimedia Commons</a><br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BATE PAPO COM  MAURÍCIO DINIZ ,PRESIDENTE DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/RD9XeIZWtD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/microcrustaceo-marinho-e-usado-em-metodo-inedito-para-rastrear-poluicao-por-carbono/">Microcrustáceo marinho é usado em método inédito para rastrear poluição por carbono</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Produtos florestais não madeireiros mostram que é possível aliar desenvolvimento e conservação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 17:18:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Convivendo com sociedades extrativistas da Amazônia, pesquisadores registram ascensão social marcante de comunidades que cuidam da floresta da qual tiram sustento Texto: Sthephany Oliveira* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 26 de julho de 2026 Com dados de 20 anos de intervenções que pretendiam promover a economia voltada aos produtos florestais não madeireiros, uma análise mostrou o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Convivendo com sociedades extrativistas da Amazônia, pesquisadores registram ascensão social marcante de comunidades que cuidam da floresta da qual tiram sustento</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Sthephany Oliveira*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com dados de 20 anos de intervenções que pretendiam promover a economia voltada aos produtos florestais não madeireiros, uma análise mostrou o desenvolvimento local de uma pequena comunidade extrativista no Norte do Brasil. O&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800925003775?pes=vor&amp;getft_integrator=clarivate">estudo</a>, conduzido por pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, mostrou em São Francisco do Iratapuru, no Amapá, a redução da desigualdade, o acesso ampliado a bens domésticos, de consumo e aos serviços públicos, além do aumento da renda acima da inflação. Tudo isso enquanto a floresta foi mantida de pé.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260608_tomas.jpg" alt="Retrato de um homem jovem de cabelos castanho-escuros ondulados usando camisa azul e blazer. Olha para a câmera com leve sorriso, diante de um fundo vegetal desfocado." class="wp-image-1016896" style="width:186px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Tomas Rosenfeld &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Os Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) são todos aqueles que podem ser extraídos da floresta, desconsiderando a madeira: óleos, frutos, sementes, folhas, raízes, cascas, resinas e até alguns que não são vegetais, como o pirarucu. De acordo com Tomas Rosenfeld, autor do estudo, os principais no Brasil são o açaí, a castanha e o cacau. Apesar de serem usados na alimentação, eles também podem ser matéria-prima de itens medicinais ou cosméticos, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme explica o pesquisador, na bioeconomia – ciência que busca entender a relação entre as atividades econômicas e os ecossistemas – eles são conhecidos como produtos da sociobiodiversidade, ou seja, que surgem a partir da interconexão entre a diversidade biológica e a diversidade sociocultural de regiões tradicionais. A prática considera a valorização do conhecimento ancestral humano, alinhada ao potencial econômico e à preservação ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica desse sistema é que não é necessário remover a árvore inteira para coletar os produtos comercializáveis, como a castanha ou o coco. A dinâmica é sustentável porque as pessoas permanecem no local e cuidam da floresta, que, se fosse derrubada, comprometeria a fonte de renda local.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Bioeconomia da sociobiodiversidade</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260608_rio.jpg" alt="Rio de águas calmas cercado por vegetação, com pequenas embarcações de madeira atracadas junto a um píer simples de madeira." class="wp-image-1016890"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A vila de São Francisco do Iratapuru está localizada na Amazônia oriental brasileira, no sul do Estado do Amapá, e é uma região amplamente coberta pela floresta amazônica. O estado se destaca por ter a maior porcentagem (73%) de áreas protegidas no Brasil, incluindo unidades de conservação ambiental, terras indígenas e territórios ocupados por remanescentes de comunidades quilombolas – Foto: Tomas Rosenfeld</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Tomas Rosenfeld, foi a partir do final dos anos 1980 que os estudos em bioeconomia da sociobiodiversidade começaram a despontar no mundo. “Naquele momento, isso foi uma inovação, uma vez que antes disso era comum pensar que o único jeito de se obter renda e desenvolvimento a partir da floresta seria derrubá-la. A partir desse período, houve as primeiras iniciativas para conciliar a preservação do meio ambiente com o desenvolvimento humano”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Amazônia brasileira, ações que investiram no desenvolvimento local baseado nos produtos não madeireiros foram crescendo a partir dos anos 1990. Mesmo assim, as evidências sobre resultados das iniciativas que endereçam todas as dimensões da sustentabilidade ainda são escassas. O estudo teve o objetivo de preencher essa lacuna e avaliar a melhoria na qualidade de vida das quase 50 famílias que hoje compõem a comunidade estudada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260608_jacques.jpg" alt="Retrato de homem de cabelos brancos usando terno. Olha para a câmera com leve sorriso, diante de um fundo escuro." class="wp-image-1016894" style="width:146px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Jacques Marcovitch &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Jacques_Marcovitch._Divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg/960px-Jacques_Marcovitch._Divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg">Pbelasco / Wikimedia Commons</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“Olhar para o Brasil com metade do território tomado pelo bioma amazônico é o ponto de partida para pensar nos grandes desafios do País. Há décadas, isso me levou a priorizar os estudos da Amazônia. A partir daí, surgiram oportunidades de organizar um projeto em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia. Hoje, o nosso grupo trabalha com o que chamamos de bioeconomia de gente e de conservação da natureza”, afirma o professor da FEA Jacques Marcovitch, que orientou o trabalho&nbsp;<em>Local development based on</em>&nbsp;<em>non-timber forest products: Revisiting the case of São Francisco do Iratapuru</em>&nbsp;<em>in</em>&nbsp;<em>the Brazilian Amazon</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A convivência e atenção aos diversos aspectos que compõem a vida das comunidades locais também foi uma preocupação na abordagem dos pesquisadores. “Toda vez que a gente vai para essa região, as comunidades nos perguntam: ‘Vocês vieram para escrever um artigo, publicar e nos esquecer?’. Pois essa é a relação que se criou entre a academia e as populações locais. Mas, no nosso projeto, convivemos e procuramos entender essas comunidades para além dos objetivos de pesquisa”, afirma Marcovitch.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Floresta em pé e dinheiro no bolso</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo considerou os resultados da intervenção econômica olhando para os papéis dos principais atores sociais envolvidos, como instituições públicas e privadas e indivíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre os resultados, Rosenfeld explica que, ao longo dos últimos 20 anos, o nível de renda das famílias cresceu acima da inflação, enquanto os índices de desigualdade caíram, o que significa que há menos desigualdade de renda dentro da comunidade. Aliado a isso, a cobertura florestal na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (RDSI) permaneceu inalterada (99,99% do território preservado em 2021). O município vizinho de Laranjal do Jari apresenta resultados semelhantes (cobertura florestal de 99,73%), mas com um desmatamento significativo de 5 km² em 2010.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260608_sacos.jpg" alt="Trabalhadores em um galpão industrial manuseiam sacos de material e abastecem uma máquina de processamento de grande porte." class="wp-image-1016891"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados da pesquisa mostram uma melhoria substancial na qualidade de vida dos habitantes de São Francisco do Iratapuru em termos de renda e acesso a bens e serviços, sem aumento da desigualdade de renda e com desmatamento zero – Foto: Tomas Rosenfeld</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos desafios do estudo foi traçar as estratégias de intervenção no local que levaram aos três resultados: aumento de renda, redução de desigualdade e conservação florestal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomas Rosenfeld conta que uma delas foi o investimento em infraestrutura produtiva. “Essa infraestrutura foi possibilitada pelos empréstimos e subsídios de diversos parceiros, como bancos, empresas e o próprio governo do estado, que doou recursos. E ganhou forma com a implementação de fábricas para processamento da castanha e com a capacitação das pessoas, que ampliaram seu conhecimento em torno da produção e do beneficiamento. Essa primeira estratégia foi investimento em infraestrutura produtiva, física e humana”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra forma de intervenção foi a compra garantida, que consiste num acordo entre o governo ou uma empresa e as famílias locais: os órgãos garantem a compra dos produtos florestais que a comunidade produz. “Isso foi fundamental, porque trouxe estabilidade para as pessoas. Elas sabem que vão vender, inclusive, por um preço melhor, porque esse é um dos desafios. A compra garantida, além da estabilidade, garante um valor mais justo para os produtores”, explica o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, outra estratégia que se mostrou importante foi o desenvolvimento de um sistema de governança local, isto é, a comunidade foi “amadurecendo” a sua própria organização e gestão. “Eles criaram organizações locais, como uma cooperativa e uma associação. Um dos resultados foi o estabelecimento de cotas para venda: eles garantem que todo mundo consiga vender pelo menos uma parte da sua produção por meio da compra garantida, por exemplo. Esse provavelmente é um dos fatores que colaboraram para a redução da desigualdade. Tudo isso gerou maior valor agregado e o preço por unidade da produção foi maior. Houve aumento da produtividade com alta contribuição dos produtos florestais”, relata. Enquanto isso, a floresta teve sua cobertura praticamente intocada.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260608_maos.jpg" alt="Close em castanhas sobre uma mesa de triagem com mãos de trabalhadores que selecionam os produtos." class="wp-image-1016892"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A castanha-do-pará sempre teve grande importância para as comunidades extrativistas, que desenvolveram diversas formas de aproveitá-la. Além do consumo in natura, era transformada em leite de castanha, usado em mingaus e ensopados, paçoca, consumida com café, e biscoitos, preparados com castanhas moídas. Um dos aspectos mais interessantes foi a iniciativa da Comaru, que, em 1995, decidiu agregar valor ao produto em vez de vender apenas a castanha bruta e investiu na produção de biscoitos de castanha – Foto: Tomas Rosenfeld</p>



<p class="wp-block-paragraph">Jacques Marcovitch conta que uma métrica pessoal de sucesso do seu trabalho estaria na capacidade de convencer mais brasileiros a visitarem a Amazônia, para verem com os próprios olhos a importância do bioma. “Quando você vai para a Amazônia pela primeira vez, é impossível desgrudar os olhos da janela. São quatro horas de voo, saindo de São Paulo até Manaus, e você fica praticamente duas horas vendo um mar de árvores que não acaba mais. Isso causa um deslumbramento, associado a uma enorme sensação de responsabilidade.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da fundação alemã Ernst Ludwig Ehrlich Studienwerk e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo<em>&nbsp;Local development based on non-timber forest products: Revisiting the case of São Francisco do Iratapuru in the</em>&nbsp;<em>Brazilian Amazon</em>&nbsp;foi publicado na revista&nbsp;<em>Ecological Economics</em>&nbsp;e pode ser acessado neste&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800925003775?pes=vor&amp;getft_integrator=clarivate">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: tomasrosenfeld1@gmail.com , com Tomas Rosenfeld.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em>Estagiária com orientação de Luiza Caires</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Em 1997, fundos de programa de redução do desmatamento foram canalizados pelo Ministério do Meio Ambiente e investidos em São Francisco do Iratapuru para expandir a agroindústria a partir da produção de biscoitos de castanha-do-pará – Foto: Tomas Rosenfeld</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/produtos-florestais-nao-madeireiros-mostram-que-e-possivel-aliar-desenvolvimento-e-conservacao/">Produtos florestais não madeireiros mostram que é possível aliar desenvolvimento e conservação</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Técnica com IA avalia a qualidade da carne em tempo real</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 16:37:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade da carne]]></category>
		<category><![CDATA[Rural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores combinaram redes neurais e aprendizado de máquina para monitorar o frescor da carne, aumentando a eficácia e reduzindo custos para a indústria Texto: Redação*Arte: Thiago Quadros Domingo, 26 de julho de 2026 Uma nova técnica utilizando inteligência artificial (IA) se mostrou capaz de analisar imagens em tempo real para identificar o frescor da carne, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores combinaram redes neurais e aprendizado de máquina para monitorar o frescor da carne, aumentando a eficácia e reduzindo custos para a indústria</p>



<p class="wp-block-paragraph">Texto: Redação*<br>Arte: Thiago Quadros</p>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma nova técnica utilizando inteligência artificial (IA) se mostrou capaz de analisar imagens em tempo real para identificar o frescor da carne, otimizando o controle de qualidade do produto. A pesquisa, que foi desenvolvida no&nbsp;<a href="https://sites.usp.br/rastreia/sobre/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">RastreIA</a>&nbsp;– projeto sediado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) USP – apresenta uma abordagem inovadora baseada em visão computacional, com potencial para impactar diretamente a indústria de alimentos e a segurança alimentar do consumidor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Robson Campos, doutorando no Cena e integrante do RastreIA, explica que a avaliação da qualidade da carne ainda depende, em grande parte, de análises laboratoriais – que podem ser demoradas, custosas e, muitas vezes, destrutivas, por exigirem a coleta e o preparo de amostras. Além disso, esses métodos nem sempre são viáveis para aplicações em larga escala ou em tempo real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o pesquisador, que é um dos autores do estudo, a comprovação do frescor também tem sido majoritariamente baseada em verificações visuais humanas, o que pode gerar falhas, levando tanto ao desperdício (ao indicar que a carne está estragada quando não está), quanto a riscos à segurança alimentar (quando não identifica que existe um problema).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260407_robson-campos.jpg" alt="foto de um homem com cabelos compridos presos em um rabo de cavalo. Ele usa óculos, veste uma camisa branca e um blazer cinza chumbo." class="wp-image-994964" style="width:167px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Robson Campos – Foto: <a href="https://www.instagram.com/p/DVq_obtEVaj/?img_index=1">Reprodução/Instagram</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, os modelos de visão computacional, com o uso de imagens digitais, surgem como uma alternativa não destrutiva, capaz de captar com eficiência características visuais associadas ao processo de deterioração do alimento. Os modelos de IA usados para análise reconhecem padrões visuais imperceptíveis a olho nu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A inteligência artificial pode contribuir enormemente para a ciência dos alimentos, à medida que uma máquina com uma boa IA integrada pode verificar peça por peça em uma linha de corte de carne com precisão de quase 100%, pelo menos em relação ao frescor, agilizando a verificação, aumentando a segurança e reduzindo custos”, afirma Campos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contexto</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil assumiu, em 2025, a liderança mundial na produção de carne bovina, ao registrar cerca de 12,4 milhões de toneladas, superando Estados Unidos e China, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ao mesmo tempo, uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto QualiBest indica que os consumidores demonstram crescente preocupação com a sustentabilidade, a origem e a qualidade dessa produção. Armazenamento e manuseio inadequados são fatores que impactam diretamente o odor, a cor e a textura da carne.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao aproveitar modelos pré-treinados e métodos otimizados de extração de características, o sistema desenvolvido no RastreIA reduz a necessidade de grandes volumes de dados e de longos processos de treinamento. Isso facilita sua implementação em ambientes industriais, como frigoríficos. Outro ponto relevante é que a análise é completamente não destrutiva, pois o método não exige contato físico com a amostra nem a utilização de reagentes químicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A técnica</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814625036829" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Um artigo</a>&nbsp;descrevendo o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA) para classificar o frescor da carne com base em dados de imagem foi publicado na&nbsp;<em>Food Chemistry</em>, importante revista científica internacional da área. O método proposto combina redes neurais convolucionais profundas (DCNNs), amplamente utilizadas em reconhecimento de imagens, com a ferramenta Radam (<em>Random Encoding of Aggregated Deep Activation Maps</em>, espécie de codificação aleatória de mapas agregados de ativação profunda), responsável por extrair e organizar características relevantes dessas imagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, a Radam é capaz de reconhecer padrões complexos de textura em imagens. Diferente de modelos tradicionais, ela aproveita o conhecimento de outras IAs já treinadas e o adapta para tarefas específicas, exigindo menos dados e menor poder computacional. A tecnologia já alcançou resultados de ponta em nível mundial e pode ser aplicada em diferentes áreas, como medicina, indústria, meio ambiente e na identificação de materiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estudo atual, a informações de textura da carne e de suas assinaturas bioquímicas foram processadas por algoritmos de aprendizado de máquina, que classificam a carne em diferentes estágios de frescor. O sistema foi testado em conjuntos de dados contendo imagens de carne bovina, previamente categorizadas. A abordagem alcançou níveis de precisão entre 93% e 100%, dependendo da configuração utilizada, indicando alta confiabilidade na classificação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Integração com técnicas tradicionais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda que os níveis de precisão tenham sido satisfatórios, os pesquisadores alertam que a avaliação foi baseada apenas em características visuais externas da carne, que podem não capturar todos os aspectos relacionados ao frescor, como alterações microbiológicas ou químicas internas. Além disso, fatores como iluminação, posicionamento da câmera e composição da amostra podem influenciar o desempenho dos modelos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio apontado é a variabilidade natural do alimento. Elementos como o teor de gordura, por exemplo, podem alterar a aparência da carne e impactar a precisão das classificações, sendo um aspecto ainda a ser explorado em estudos futuros, na avaliação dos cientistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para eles, a visão computacional não se destina a substituir completamente os métodos analíticos convencionais; sua integração com técnicas tradicionais e avançadas mais recentes, por meio da fusão de dados, oferece uma abordagem complementar e potencialmente mais robusta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Leveraging pre-trained computer vision models for accurate classification of meat freshness</em>&nbsp;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814625036829" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pode ser lido neste link</a>. O projeto tem financiamento da pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Com informações do projeto RastreIA</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mais informações: e-mail projetorastreia@gmail.com e porfirio.iagop@gmail.com, com Iago Porfírio</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Estudo investiga a eficácia e adequação da IA para classificar o frescor e a qualidade da carne a partir de dados de imagem – Foto: RastreIA</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="OAB NÃO É BICHO DE 7 CABEÇAS" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/18efSrIlKr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/tecnica-com-ia-avalia-a-qualidade-da-carne-em-tempo-real/">Técnica com IA avalia a qualidade da carne em tempo real</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>As &#8216;fazendas&#8217; na Amazônia que desafiam a agricultura moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 16:39:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
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		<category><![CDATA[fazendas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para um olhar destreinado, a área da&#160;floresta tropical&#160;que Kelly Johanna Yucuna cultiva pode parecer resultado de sementes espalhadas aleatoriamente pelo chão, sem nenhum cuidado. Mas isso está longe de ser verdade. Em seu pequeno terreno no coração da&#160;Amazônia&#160;colombiana, tudo, desde a escolha do local até a localização de cada planta, tem uma ordem e um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>María Paula Rubiano A.</strong></li>



<li>Role,BBC Earth</li>
</ul>
</li>



<li>Segunda, 29 de junho de 2026</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para um olhar destreinado, a área da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c340q43x20wt">floresta tropical</a>&nbsp;que Kelly Johanna Yucuna cultiva pode parecer resultado de sementes espalhadas aleatoriamente pelo chão, sem nenhum cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas isso está longe de ser verdade. Em seu pequeno terreno no coração da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c2dwqd8g290t">Amazônia</a>&nbsp;colombiana, tudo, desde a escolha do local até a localização de cada planta, tem uma ordem e um propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é o sistema de cultivo conhecido como &#8220;chagra&#8221;, composto por pequenas áreas de cultivo, cada uma com menos do que dois hectares, organizadas em sintonia com os ciclos ecológicos da floresta. É dali que Yucuna e as&nbsp;<a href="https://jaguaresdeyurupari.org/wp-content/uploads/2024/10/6.-Plan-de-Vida-TI-Miriti-Parana_compressed.pdf">240 famílias espalhadas por sua reserva</a>, no macroterritório de&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/etiqueta/macroterritorio-jaguares-de-yurupari/">Jaguares de Yuruparí</a>, tiram a maior parte dos alimentos que consomem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas &#8220;chagras&#8221;, que alguns&nbsp;<a href="https://www.abant.org.br/files/34rba_861_82105004_16.pdf">pesquisadores chamam de &#8220;roças&#8221;</a>&nbsp;no Brasil, a fauna prospera e o carbono é armazenado de forma eficiente. Depois de cinco ou seis anos de uso, as áreas de cultivo são devolvidas à floresta. Em toda a região norte da Amazônia, sistemas como esses moldam a vida dos&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cyz9gk3kj36t">povos indígenas</a>&nbsp;há&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41477-018-0205-y.epdf?sharing_token=YA90m1sChdzbA4F9gmrzk9RgN0jAjWel9jnR3ZoTv0NiINDIkcVJP-19mJrm9Xz1Dtgp9Lmv5TQDb-4afHpWLMLQQfB1CNFLYlW1zAi5dxRdpWw4f-VGU9b7Jn_2xUk1N4_5Gw8lI2n40EunR-78wUm7zeN3peVhI5aVf08yG-usaBXOkhdcpcNwiLGmL4EvTcbJqSUvZ26Ts7HVb-uIVA%3D%3D&amp;tracking_referrer=www.bbc.co.uk">pelo menos 4.500 anos</a>, integrando dimensões ambientais, econômicas, sociais e espirituais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O restante do mundo talvez tenha muito a aprender com as &#8220;chagras&#8221; e sua forma de produzir alimentos. Mas esses sistemas também estão ameaçados pelo avanço da&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10113-021-01761-7">mineração</a>, do&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/news/topics/c5rz2n4jq5zt">desmatamento</a>, do&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/future/article/20251114-defying-coca-lords-and-loggers-in-the-amazon">narcotráfico</a>&nbsp;e das&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/future/article/20241210-how-the-amazons-boiling-river-foreshadows-climate-change">mudanças climáticas</a>&nbsp;sobre a Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, a corrida é para garantir a sobrevivência desses sistemas agrícolas sustentáveis ​​únicos, e da cultura que os sustenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Universo cultivado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; estão profundamente ligadas à cosmologia dos povos indígenas, que por sua vez se orienta pelo calendário ecológico da floresta, marcado pelos ciclos de frutificação, cheias dos rios, pesca e caça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Na chagra, tudo tem sua própria ordem e propósito&#8221;, afirma Juan Felipe Guhl, antropólogo e especialista em questões socioambientais do Instituto Sinchi, na Colômbia. &#8220;Ter uma boa chagra significa saber o momento certo de cortar, colher, replantar, limpar e cuidar de todo o sistema.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na reserva de Miriti-Paraná, onde Yucuna vive, cada família mantém pelo menos duas ou três &#8220;chagras&#8221;: uma nova, uma em plena produção e outra em fase de regeneração. Antes do plantio, os anciãos aprovam o terreno escolhido e pedem permissão aos espíritos da floresta, a quem chamam de donos superiores da terra, para transformar os lares de animais e plantas, conta Yucuna. Os anciãos também pedem aos espíritos que afastem as serpentes, protejam os galhos sobre as cabeças da comunidade e garantam colheitas abundantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, vem o &#8220;socola y tumba&#8221;, um processo coletivo de preparo do terreno que mobiliza toda a comunidade, que chega com machados e facões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a criação de uma &#8220;chagra&#8221; envolva a derrubada de algumas árvores, as comunidades escolhem cuidadosamente as áreas que serão abertas, afirma César Echezuría Fernández, geógrafo independente que estuda as &#8220;chagras&#8221; no Equador, onde elas são conhecidas como &#8220;chakras&#8221;. Segundo Fernández, costumam priorizar a remoção de árvores de menor porte e cipós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas mostram que as comunidades preservam cerca de&nbsp;<a href="https://academic.oup.com/jpe/article/12/1/34/4584266?login=false">metade das espécies nativas de árvores presentes</a>&nbsp;nas áreas transformadas em &#8220;chagras&#8221;. Estudos também indicam que esses sistemas agrícolas são muito&nbsp;<a href="https://www.mdpi.com/1999-4907/15/3/557">mais biodiversos</a>&nbsp;do que outras formas de cultivo, como as plantações de cacau em monocultura. As &#8220;chagras&#8221; também armazenam mais carbono do que cultivos em monocultura e, em alguns casos, atingem&nbsp;<a href="https://www.frontiersin.org/journals/forests-and-global-change/articles/10.3389/ffgc.2025.1513140/full">níveis comparáveis aos de florestas secundárias</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Laços de filiação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após um curto período de descanso e uma queima controlada, conhecida como &#8220;quema&#8221;, as mulheres plantam as primeiras sementes da &#8220;chagra&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Miriti-Paraná, as &#8220;chagras&#8221; costumam ser abertas antes de junho. As primeiras colheitas de mandioca, banana-da-terra e abacaxi ficam prontas cerca de um ano depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre que inicia uma nova chagra, Yucuna se lembra dos ensinamentos da mãe e da avó: plantar primeiro a coca e as melhores variedades de mandioca. &#8220;A mandioca representa as mulheres e a coca representa os homens&#8221;, diz Yucuna. &#8220;Por isso elas precisam estar juntas, no centro da área de cultivo.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada um dos 30 povos indígenas que vivem no território de Jaguares de Yuruparí cultiva a sua seleção de variedades de mandioca brava e mandioca doce, somando 67 tipos diferentes. &#8220;A mandioca é, afinal, o principal alimento da Amazônia&#8221;, afirma a antropóloga colombiana Marcia Chapetón, que trabalha com sistemas alimentares indígenas amazônicos na Gaia Amazonas, organização sem fins lucrativos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/ec46/live/a1ca2500-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="As chagras abrigam uma grande diversidade de espécies, afirma Guhl. Segundo ele, essa riqueza é preservada graças ao conhecimento e à cultura das comunidades humanas"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; abrigam uma grande diversidade de espécies, afirma Guhl. Segundo ele, essa riqueza é preservada graças ao conhecimento e à cultura das comunidades humanas</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em algumas &#8220;chagras&#8221;, a mandioca&nbsp;<a href="https://sembrandocapacidades.fao.org.co/wp-content/uploads/2021/11/V-FINAL-DOCUMENTO-CHAGRAS-AMAZO%CC%81NICAS-ESPAN%CC%83OL-V-WEB.pdf">responde por até 97%</a>&nbsp;das espécies cultivadas. Muitos povos indígenas, especialmente as mulheres, mantêm uma relação quase filial com a planta. &#8220;[Eles veem as plantas de mandioca] como minhas filhas e, quando eu as como, tenho com elas uma relação de sangue&#8221;, diz Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como a mandioca e a coca, cada semente tem uma origem mitológica e tecnológica própria, que determina seu lugar na &#8220;chagra&#8221;, afirma Guhl, do Instituto Sinchi. Nas bordas da área de cultivo, por exemplo, abacaxis e árvores altas, como o açaí, funcionam como uma espécie de fortaleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Gaia Amazonas identificou&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/04/FINAL_-_INFORME_SISTEMAS_ALIMENTARIOS_INDIGENAS.pdf">104 espécies</a>&nbsp;diferentes cultivadas nas &#8220;chagras&#8221; do território Jaguares de Yuruparí. Há variedades de alimentos como banana-da-terra, inhame e batata-doce, além de pimentas, árvores frutíferas, tabaco e ervas medicinais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando vai à &#8220;chagra&#8221; de sua família, Yucuna leva os filhos com ela e, assim como sua mãe fazia, conta as histórias sobre a origem de cada planta. &#8220;A chagra representa a vida, representa as mulheres, representa tudo para nós&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica das &#8220;chagras&#8221; está baseada na adaptação às condições já existentes.&#8221;A natureza não é apenas uma… despensa, mas um outro ser vivo com o qual nos relacionamos&#8221;, afirma o geógrafo independente Fernández.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernández contrapõe essa visão ao modelo de agricultura industrial que&nbsp;<a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/10/3/034017/meta">avança pela América Latina</a>&nbsp;e que frequentemente derruba florestas e depende de agroquímicos sintéticos para ocupar grandes extensões de terra com uma única cultura.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Economia do cacau</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/d027/live/f77af150-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="A venda de cacau produzido em &quot;chakras&quot; do Equador tem gerado renda para as comunidades, mas também pode trazer novas pressões para esse modelo de cultivo diversificado"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A venda de cacau produzido em &#8220;chakras&#8221; do Equador tem gerado renda para as comunidades, mas também pode trazer novas pressões para esse modelo de cultivo diversificado</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de cinco ou seis anos, a &#8220;chagra&#8221; é devolvida ao seu dono espiritual. As famílias deixam de plantar novas sementes e a área gradualmente volta a se transformar em floresta, preenchida pelas árvores frutíferas que haviam sido cultivadas e cuidadas ao longo dos anos, explica Guhl, do Instituto Sinchi. Esses locais passam a servir para a colheita de frutas ou para a caça de animais que se reúnem ali para se alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; do território de Jaguares de Yuruparí são usadas principalmente para a produção de alimentos destinados ao consumo das próprias famílias. Mas em outras partes da Amazônia elas também desempenham um papel econômico importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na província de Napo, no Equador, cacau, baunilha e guayusa (uma árvore da família do azevinho cujas folhas, ricas em cafeína, são usadas no preparo de chá) são cultivados em cerca de 24 mil hectares de &#8220;chakras&#8221;, garantindo o sustento de centenas de famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa região, as &#8220;chakras&#8221; amazônicas são administradas por três cooperativas e&nbsp;<a href="https://www.fao.org/giahs/giahs-around-the-world/ecuador-amazonian-chakra/en">foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas</a>&nbsp;(ONU) como um Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Global (Sipam, na sigla em português), uma distinção semelhante à dos sítios considerados Patrimônio Mundial, mas voltada a sistemas agrícolas tradicionais de longa duração e manejados de forma sustentável. Elas também respondem por entre&nbsp;<a href="https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/c55b4bcf-d921-44da-8cdb-5e0a4cc2f92f/content">40% e 60% da renda das comunidades</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dessas cooperativas, a Kallari, gera até US$ 2 milhões por ano (cerca de R$ 11 milhões) para seus 740 membros, afirma Paulina Espín, diretora nacional da Trias, organização sem fins lucrativos sediada na Bélgica que apoia a cooperativa. Segundo Espín, os compradores pagam preços mais altos pelo cacau sustentável e de aroma fino produzido na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo quando o objetivo é a comercialização, no entanto,&nbsp;<a href="https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/c55b4bcf-d921-44da-8cdb-5e0a4cc2f92f/content">os cacaueiros cultivados nas &#8220;chakras&#8221; costumam crescer ao lado de outras 80 a 150 espécies</a>. As famílias priorizam plantas destinadas à alimentação, que representam cerca de 70% dos cultivos, enquanto aproximadamente 10% têm uso medicinal. Apenas a parcela restante é dedicada a culturas voltadas para o mercado.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Combate ao desmatamento</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora qualquer tipo de agricultura na Amazônia possa parecer, à primeira vista, uma má ideia, vale lembrar que os&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41893-021-00815-2">territórios administrados por povos indígenas</a>&nbsp;têm se mostrado uma das formas&nbsp;<a href="https://www.fao.org/americas/priorities/indigenas-gobernanza-bosques/es">mais eficazes de conter o desmatamento das florestas tropicais</a>. Para muitos pesquisadores, as &#8220;chagras&#8221; são inseparáveis da visão de mundo que permite a essas comunidades conservar seus territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, não há dados concretos sobre o papel das &#8220;chagras&#8221; e de sistemas semelhantes no enfrentamento do desmatamento e das mudanças climáticas. Embora&nbsp;<a href="https://watanibasocioambiental.org/por-que-es-clave-consolidar-una-perspectiva-regional-en-torno-a-los-sistemas-alimentarios-indigenas-amazonicos-como-determinantes-de-la-conectividad-ecosistemica-y-sociocultural/">estudos estejam começando</a>&nbsp;a preencher essa lacuna de conhecimento, ainda não se sabe quanto da Amazônia é ocupado por esses sistemas, e são poucas as pesquisas que os comparam com outros modelos agrícolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes, há confusão sobre o que exatamente são as &#8220;chagras&#8221;. Na Colômbia, um projeto de créditos de carbono considerou as &#8220;chagras&#8221; como &#8220;áreas desmatadas&#8221; e prometeu reduzir sua extensão no território Jaguares de Yuruparí. A iniciativa foi barrada por uma&nbsp;<a href="https://www.corteconstitucional.gov.co/relatoria/2024/t-248-24.htm">decisão judicial de 2024</a>, que concluiu que as empresas envolvidas não haviam respeitado os direitos das populações indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É claro que uma &#8220;chagra&#8221; envolve a abertura de uma área na floresta, mas não se trata de um desmatamento indiscriminado ou descontrolado. A área é aberta para produzir alimentos e, depois, volta a se regenerar e a ser incorporada à floresta&#8221;, afirma Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8216;Uma bagunça ecológica&#8217;</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/05fb/live/cbcadc50-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="A mandioca é um dos alimentos básicos da Amazônia, especialmente nas chagras, onde são cultivadas dezenas de variedades da planta"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A mandioca é um dos alimentos básicos da Amazônia, especialmente nas chagras, onde são cultivadas dezenas de variedades da planta</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo enquanto os especialistas tentam compreender melhor o papel ambiental das &#8220;chagras&#8221;, esses sistemas enfrentam desafios cada vez maiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mineração de ouro se tornou uma das principais ameaças às &#8220;chagras&#8221;, afirma Chapetón, da Gaia Amazonas. No território de Jaguares del Yuruparí, a atividade provoca níveis tão elevados de contaminação por mercúrio que a Corte Constitucional colombiana decidiu,&nbsp;<a href="https://www.corteconstitucional.gov.co/relatoria/2025/t-106-25">em 2025</a>, que ela coloca em risco a identidade dos povos indígenas da região e sua segurança alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na província de Napo, no Equador, a mineração tem atraído os jovens para longe da agricultura, afirma Ruth Cayapac, líder do povo indígena kichwa e presidente da cooperativa Kallari.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em toda a região, aqueles que não ingressam na mineração frequentemente acabam deixando as suas comunidades, empurrados pela falta de perspectivas econômicas e pelo acesso precário a direitos básicos, diz Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças climáticas, que vêm tornando a&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/news/science-environment-68032361">Amazônia mais seca</a>, agravam ainda mais esse cenário.&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/04/FINAL_-_INFORME_SISTEMAS_ALIMENTARIOS_INDIGENAS.pdf">Evidências anedóticas reunidas pela Gaia Amazonas</a>&nbsp;a partir de relatos das comunidades indicam que elas já podem estar alterando os calendários ecológicos, reduzindo a produção agrícola e aumentando os gastos com a compra de alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Gaia Amazonas, a irregularidade no regime dos rios tem afetado a reprodução dos peixes e reduzido a sua disponibilidade. Os animais caçados também estão mais escassos e menores, o que obriga os caçadores a capturar um número maior de presas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas &#8220;chagras&#8221;, por sua vez, novas pragas vêm se espalhando. Yucuna afirma que, em sua comunidade, as chuvas irregulares têm afetado o calendário de plantio e o momento de abrir áreas e realizar as queimadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Chagras globais</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/2785/live/3ab41c30-6bde-11f1-8546-8f19e4fe30f4.jpg.webp" alt="As chagras exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; também enfrentam outras pressões, que vão&nbsp;<a href="https://www.researchgate.net/publication/372647382_Sistema_de_chagra_en_suelos_degradados_en_una_comunidad_ticuna_de_la_Amazonia_colombiana">desde o aumento da população</a>&nbsp;em algumas reservas até a&nbsp;<a href="https://ethnobotanyjournal.org/index.php/era/article/view/967">influência de áreas urbanas próximas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Equador, a crescente demanda por produtos das &#8220;chakras&#8221; (como são chamadas no país) tem trazido novos desafios, afirma Echezuría Fernández. Em um dos casos observados por ele, uma empresa especializada em cacau fino pressionava uma comunidade a aumentar sua produção de cacau.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, para os produtores das &#8220;chakras&#8221;, é normal que parte dos grãos seja perdida para pragas, observa o pesquisador. &#8220;Isso faz parte da vida.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma mais direta de garantir a continuidade das &#8220;chagras&#8221; é proteger os direitos territoriais dos povos indígenas, argumenta Chapetón, da Gaia Amazonas. Na Colômbia, comunidades indígenas&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/10/Pager-ETIs-ENG-V1.pdf">lutam há anos</a>&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/10/Pager-ETIs-ENG-V1.pdf">pela implementação das Entidades Territoriais Indígenas</a>, uma categoria administrativa que lhes daria ampla autonomia financeira e política. No Equador, um selo padronizado para produtos provenientes das &#8220;chakras&#8221; foi oficialmente reconhecido pelo governo local em 2025, afirma Espín, da organização Trias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas muitos defendem que o potencial das &#8220;chagras&#8221; vai muito além de colocar novos produtos sustentáveis nas prateleiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; colocam em xeque a forma como pensamos grande parte da produção moderna de alimentos e os impactos ambientais que muitas vezes aceitamos em seu nome. Entre eles estão as emissões de&nbsp;<a href="https://ourworldindata.org/environmental-impacts-of-food">gases de efeito estufa</a>, a&nbsp;<a href="https://www.unep.org/news-and-stories/press-release/our-global-food-system-primary-driver-biodiversity-loss">perda de biodiversidade</a>, a&nbsp;<a href="https://www.nhm.ac.uk/discover/soil-degradation.html">degradação dos solos</a>&nbsp;e o esgotamento dos recursos hídricos, problemas que, por sua vez, também&nbsp;<a href="https://www.wfp.org/publications/state-food-security-and-nutrition-world-sofi-report-2023">afetam o abastecimento de alimentos</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chapetón, da Gaia Amazonas, reconhece que dificilmente as &#8220;chagras&#8221; seriam capazes de alimentar grandes contingentes populacionais. Ainda assim, seu foco em alimentos produzidos localmente, de forma sustentável e enraizados na cultura das comunidades dialoga com os&nbsp;<a href="https://ipes-food.org/wp-content/uploads/2026/05/NewGeopoliticsOfFood.pdf">alertas sobre os riscos de depender a segurança alimentar de cadeias globais</a>&nbsp;de abastecimento que escapam ao controle das populações locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que precisamos é fortalecer todos os sistemas alimentares locais para que possam produzir alimentos para as pessoas ao seu redor&#8221;, afirma Chapetón.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / J G Soler/ Fundação Gaia AmazonasLegenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Carlinhos da Bike é o convidado do Bate Papo na City" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Uz8nMqlnpDQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>De inseticida a remédio, poluentes sintéticos contaminam praticamente todo o oceano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:34:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência Texto: Yasmin Constante* &#8211; Arte: Livia Bortoletto** Sexta, 5 de junho de 2026 De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&#160;estudo&#160;publicado na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Yasmin Constante* &#8211; Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>&nbsp;publicado na revista científica&nbsp;<em>Nature Geoscience</em>&nbsp;avaliou a distribuição de compostos químicos de origem humana nestes espaços e demonstrou que eles estão presentes em praticamente todo o oceano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poluentes comuns, como pesticidas e produtos farmacêuticos, foram detectados predominantemente em estuários e áreas costeiras, mas diminuíram com a distância da costa, enquanto substâncias químicas e aditivos industriais, incluindo polialquilenoglicóis, ftalatos e organofosforados, foram amplamente distribuídos pelos ecossistemas marinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho consistiu em uma metanálise, técnica estatística utilizada para integrar resultados de outras pesquisas. No total, 21 conjuntos de dados (incluindo 2315 amostras de água do mar de três bacias oceânicas e ambientes costeiros) foram avaliados. As análises mostraram que os compostos químicos estão ainda mais disseminados do que era esperado. Porém, a maior surpresa está na distância que podem atingir, chegando a quilômetros da costa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Praticamente não há lugar no oceano onde não exista a ‘mão’ humana, que não tenha um sinal químico de origem xenobiótica”, explica Bruno Costa, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP e coautor do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os compostos estudados foram divididos em três categorias: industriais, fármacos e pesticidas. Entre eles, os mais encontrados foram os com características xenobióticas industriais, que em sua maioria são derivadas de produtos petroquímicos e associados a materiais plásticos. Apesar de os poluentes serem amplamente disseminados, a maior parte ainda está nas proximidades de costas e estuários – pontos em que o rio e mar se encontram. Segundo Bruno Costa, a maior presença pode ser explicada pelo tratamento inadequado da água e pela alta disseminação desses produtos entre a sociedade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_bruno-300x300.jpg" alt="A imagem contém um homem, ele tem cabelo e barba escuros e usa jaleco" class="wp-image-1000212" style="width:112px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Bruno Ruiz Brandão da Costa &#8211; Foto: Lattes</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Impacto nos seres vivos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além da análise oferecer um panorama amplo da presença de compostos antropogênicos em ambientes marinhos, ela demonstra também como eles podem impactar a matéria orgânica dissolvida (MOD), que é o conjunto de restos de seres vivos em corpos d’água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa compara a MOD com blocos construtores, explica seu caráter fundamental para os ecossistemas, servindo, por exemplo, de alimento para microrganismos. “Observamos que há uma contribuição considerável desses compostos de origem humana e a consequência ecológica disso nós ainda não sabemos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As substâncias químicas, ao contrário de grandes detritos plásticos que flutuam, são dificilmente visualizadas. Esta lacuna pode ser preenchida pelo que é considerado um dos diferenciais da pesquisa: seu método de análise. Chamada de metabolômica não-alvo, a técnica é capaz de identificar todo o conjunto de moléculas de uma amostra sem um direcionamento específico, o que permite que diversos compostos sejam detectados. Bruno Costa aprendeu a realizar este tipo de abordagem durante doutorado-sanduíche realizado na University of California, Riverside (UCR).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir a avaliação adequada das amostras, era necessário que o processo de coleta ocorresse de forma uniforme. Por esse motivo, os pesquisadores utilizaram dados provenientes de laboratórios parceiros. A metodologia adotada permaneceu padronizada em todas as etapas, desde a extração — quando a água é purificada e os compostos de interesse são concentrados — até o procedimento empregado na análise inicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feita em diferentes distâncias e profundidades, as coletas foram divididas por conjuntos, sendo eles: costeiro temperado, recife de coral e oceano aberto.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_mapa.jpg" alt="A imagem contém um mapa com os locais pesquisados" class="wp-image-1000217"/><figcaption class="wp-element-caption">Imagem apresenta os locais investigados e as suas classificações &#8211; Foto: Reprodução do artigo</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Principais tendências</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como os pesquisadores esperavam, quanto maior a distância da costa, menores são os sinais químicos de compostos de origem humana. Porém, mesmo em regiões muito distantes, eles ainda são encontrados, fato que causa preocupação. Costa explica que os compostos industriais foram os mais encontrados por apresentarem maior resistência e “navegarem” para locais mais distantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As avaliações indicam que, entre os sinais analíticos de mar aberto, a mediana de contribuição de origem humana na matéria orgânica dissolvida foi entre 0,5% e 4%. O número pode parecer baixo, mas é ele que indica que praticamente todo o oceano tem uma “pegada” humana, como se, em cada dia de vida do oceano, quase uma hora inteira fosse composta exclusivamente de vestígios da ação antrópica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_veneno.jpg" alt="A imagem contém uma ilustração de um veneno para insetos" class="wp-image-1000219"/><figcaption class="wp-element-caption">Quase 250 compostos de origem humana foram encontrados &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/de-inseticida-a-remedio-poluentes-sinteticos-contaminam-praticamente-todo-o-oceano/----url----">Freepik</a></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A mediana em clima costeiro temperado ficou entre 0,5% e 9%, com valores mais altos para África do Sul e San Diego. Os dados para recifes de coral foram os que mais variaram. Tiveram, em alguns casos, medianas mais baixas, entre 2% e 8% e, em outros, medianas mais altas de até 20%, como foi o caso de Porto Rico. A maior mediana foi encontrada em regiões de estuários, em que o valor pode ultrapassar os 60% de carga química.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No total, 248 compostos de origem humana foram encontrados, o que representa 2% de todos os materiais detectados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa explica que esses valores não são as concentrações das substâncias. Para essa medição seria necessários procedimentos específicos para cada composto e não um método de análise não-alvo, como foi feita a pesquisa. “Por exemplo, 60% da contribuição dos sinais analíticos observados correspondiam à origem humana. Não é dizer que 60% da água do mar corresponde a esses compostos xenobióticos.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A mensagem continua sendo a mesma: há uma grande contribuição desses compostos de origem humana na matéria orgânica dissolvida no mar”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador destaca que o artigo acende um sinal de alerta para a necessidade de novos monitoramentos. Além disso, demonstra a necessidade de maior fiscalização para crimes ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Widespread presence of anthropogenic compounds in marine dissolved organic matter</em>&nbsp;está disponível neste&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail bruno.ruiz.costa@usp.br, com Bruno Costa</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em>Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / O tratamento inadequado e a alta disseminação de produtos químicos podem explicar a poluição marinha – Foto: <a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/seascape-fantastico-com-ondulacoes_977674.htm#fromView=search&amp;page=1&amp;position=4&amp;uuid=131601b0-1023-4b26-b67c-43a8a582f276&amp;query=oceano">Freepik</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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		<title>Sistema usa laser para tornar poda de árvores mais eficiente e diminuir risco de queda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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		<category><![CDATA[risco de queda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Varredura fornece dados para um algoritmo calcular equilíbrio da árvore no computador e definir como vai ser feita a poda em áreas urbanas Texto: Júlio Bernardes &#8211; Arte: Daniela Gonçalves* Sexta, 5 de junho de 2026 Uma conversa informal entre dois pesquisadores da USP foi o ponto de partida para elaborar um sistema que torna [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Varredura fornece dados para um algoritmo calcular equilíbrio da árvore no computador e definir como vai ser feita a poda em áreas urbanas</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Júlio Bernardes &#8211; Arte: Daniela Gonçalves*</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma conversa informal entre dois pesquisadores da USP foi o ponto de partida para elaborar um sistema que torna mais eficiente a poda de árvores urbanas. O mecanismo usa luzes de laser para fazer uma varredura da árvore, fornecendo dados para um algoritmo calcular seu equilíbrio no computador e definir como vai ser feita a poda. A ferramenta, que já começa a ser testada na cidade de São Paulo, tem o seu funcionamento descrito em&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1007/s00468-026-02744-z">artigo</a>&nbsp;da revista científica&nbsp;<em>Trees</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A ideia surgiu durante uma conversa entre um biólogo de árvores e um engenheiro especializado em topologia na frente de uma grande árvore num restaurante de São Paulo”, conta ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;o professor Marcos Silveira Buckeridge, do Instituto de Biociências (IB) da USP, um dos responsáveis pelo trabalho. O diálogo ocorreu com o também autor da pesquisa Emílio Carlos Nelli Silva, engenheiro e professor da&nbsp;Escola Politécnica (Poli) da USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O objetivo da pesquisa foi desenvolver um sistema computacional capaz de orientar podas urbanas de forma mais segura e eficiente, reduzindo o risco de queda de árvores durante eventos climáticos extremos, especialmente em casos de ventos fortes”, relata o biólogo. “O trabalho integra escaneamento a laser (LiDAR), modelagem computacional e algoritmos de otimização estrutural para avaliar o equilíbrio biomecânico das árvores antes e depois da poda.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_marcos-buckeridge.jpg" alt="Homem de cabelos e barba brancas, usando óculos de aros pretos, vestindo terno e camisa pretas, com gravata azul, em frente a uma área de vegetação" class="wp-image-1009918" style="width:196px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Marcos Buckeridge – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa analisou a tipuana (<em>Tipuana tipu</em>), uma das árvores urbanas mais comuns em São Paulo. “A espécie apresenta crescimento vigoroso, copa ampla e alta tolerância ao ambiente urbano, incluindo poluição, calor e períodos de seca”, descreve o professor do IB. “Por outro lado, podas excessivas ou mal executadas podem alterar sua arquitetura natural e aumentar sua vulnerabilidade mecânica ao vento.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resistência estrutural</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo demonstrou que diferentes formas de poda podem modificar significativamente a resistência estrutural da árvore. “A poda altera diretamente a distribuição de peso, a simetria da copa e a forma como a árvore responde às cargas de vento”, explica Buckeridge. “Quando realizada sem critérios biomecânicos, ela pode enfraquecer a estrutura natural da árvore, criando pontos de maior deformação e aumentando o risco de quebra ou de tombamento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer a varredura das árvores, o sistema desenvolvido na pesquisa usa um dispositivo com a tecnologia LiDAR, uma técnica de escaneamento baseada em pulsos de laser. “O equipamento emite milhares de feixes de luz que atingem a árvore e retornam ao sensor, permitindo reconstruir sua geometria tridimensional com alta precisão”, destaca o professor do IB. “A partir desses pulsos, é criada uma “nuvem de pontos” que representa digitalmente o tronco, os galhos e a copa.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A varredura gera um modelo tridimensional detalhado da árvore, permitindo medir o volume, a distribuição dos galhos, a inclinação, a simetria da copa e a resposta estrutural ao vento”, detalha Nelli Silva. “Esses dados alimentam modelos matemáticos capazes de simular deformações e identificar as regiões mais vulneráveis da árvore.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_emilio-carlos-nelli-silva.jpg" alt="Homem de cabelos escuros usando óculos de aros finos, vestindo terno preto, camisa branca, com gravata preta, em frente a uma parede branca" class="wp-image-1009920" style="width:131px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Emílio Carlos Nelli Silva – Foto: <a href="https://sites.usp.br/rcgi/emilio-c-n-silva/">Divulgação/RCGI</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Buckeridge, a ferramenta funciona como um sistema de apoio à decisão para Prefeituras, concessionárias e equipes de arborização urbana. “Ela permite avaliar previamente quais galhos podem ser removidos sem comprometer o equilíbrio biomecânico da árvore”, salienta. “O sistema também pode ajudar a priorizar árvores de maior risco e orientar podas mais precisas e menos agressivas.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_arvore-3d-laser.jpg" alt="Sequência mostrando árvore escaneada com laser, isolada no computador, modelos 3-D do tronco e dos galhos e modelo corrigido" class="wp-image-1009921"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Varredura do laser gera modelo tridimensional da árvore, medindo volume, distribuição dos galhos, inclinação, simetria da copa e resposta ao vento; dados alimentam modelos matemáticos que simulam deformações e identificam partes mais vulneráveis – Foto:&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00468-026-02744-z/figures/3">Extraída do artigo</a></p>



<h2 class="wp-block-heading">Processo automatizado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para o sistema ser adotado em grande escala, o professor do IB observa que será necessário automatizar algumas etapas do processo, especialmente a geração de modelos tridimensionais e a análise computacional das árvores. “Também será importante integrar a ferramenta aos inventários urbanos existentes e ampliar os testes com diferentes espécies e em diferentes condições ambientais”, recomenda. “Segundo o artigo, projetos piloto em setores urbanos específicos podem acelerar a adoção prática do sistema.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há um projeto em andamento em São Paulo que está escaneando todas as árvores nas ruas da cidade”, diz Buckeridge. “A ferramenta descrita no trabalho poderá ajudar muito a entender o estado atual delas e ajudar no manejo arbóreo”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo envolveu pesquisadores do IB e dos Departamentos de Engenharia Mecânica, Mecatrônica e Engenharia Elétrica da Poli. Participaram da pesquisa Luís Otávio Trotti Martins Guedes de Souza, Fernanda Mendes de Rezende, Marcelo Knörich Zuffo, Julio Romano Meneghini, Marcos Silveira Buckeridge e Emílio Carlos Nelli Silva. O artigo&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1007/s00468-026-02744-z">Improving tree stability with optimized pruning: a comprehensive cycle method</a></em>&nbsp;foi publicado na revista científica&nbsp;<em>Trees</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: msbuckeridge@gmail.com, com o professor Marcos Buckeridge</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Ferramenta serve de apoio à decisão para Prefeituras, concessionárias e equipes de arborização urbana, ao avaliar previamente que galhos podem ser removidos sem comprometer equilíbrio da árvore, orientando podas mais precisas e menos agressivas – Foto: Rafaela Redin-PMPA: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:IBPA_4951_-_Secretaria_de_Servi%C3%A7os_Urbanos_realiza_poda_de_%C3%A1rvores_-_2017-06-28_-_Rafaela_Redin-PMPA.jpg#/media/File:IBPA_4951_-_Secretaria_de_Servi%C3%A7os_Urbanos_realiza_poda_de_%C3%A1rvores_-_2017-06-28_-_Rafaela_Redin-PMPA.jpg">Rafaela Redin-PMPA/Wikimedia Commons</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/sistema-usa-laser-para-tornar-poda-de-arvores-mais-eficiente-e-diminuir-risco-de-queda/">Sistema usa laser para tornar poda de árvores mais eficiente e diminuir risco de queda</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Sociobiodiversidade é chave para proteger meio ambiente e comunidade em terra indígena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:07:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[terra indigena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com projeto desenvolvido junto à comunidade da Terra Indígena Mangueirinha (PR), bióloga mira na gestão de recursos naturais e sobrevivência da cultura frente à devastação ambiental Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto** Sexta, 5 de junho de 2026 A Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, é um sistema socioecológico de alta complexidade, onde coexistem realidades culturais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Com projeto desenvolvido junto à comunidade da Terra Indígena Mangueirinha (PR), bióloga mira na gestão de recursos naturais e sobrevivência da cultura frente à devastação ambiental</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, é um sistema socioecológico de alta complexidade, onde coexistem realidades culturais diversas. Habitada pelas etnias Kaingang e Guarani, além de populações não indígenas, o território abriga um dos últimos e maiores remanescentes de araucária (<em>Araucaria angustifolia</em>) nativa do mundo. Foi nesse cenário que a bióloga Ariadne Dall’acqua Ayres pesquisou intersecção entre o bem-estar socioeconômico e a conservação ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os achados, o mais significativo foi a existência de um consenso sobre o futuro: mesmo entre grupos que apresentavam polaridades políticas ou visões divergentes no cotidiano, o desejo por melhoria econômica e bem-estar através da geração de renda era unânime. Esse “<em>cluster&nbsp;</em>econômico” tornou-se um dos principais focos do trabalho, onde a pesquisadora explorou alternativas sustentáveis que já existem no território, mas que precisam de fortalecimento e regulação para se tornarem fontes de renda robustas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chave para esse desenvolvimento está na sociobiodiversidade, conceito que Ariadne Dall’acqua Ayres define como elementos da natureza que possuem significado cultural, uso tradicional ou relacional para a comunidade. No Sul do Brasil, as espécies centrais desse sistema são o pinhão (semente da araucária) e a erva-mate, que são a base da alimentação e da cultura local. A pesquisadora colaborou diretamente na estruturação de projetos para buscar financiamento para a cadeia da erva-mate, atendendo a um pedido do cacique local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande vantagem dessas cadeias de valor é que elas permitem o retorno financeiro com a “floresta em pé”, sem a necessidade de derrubada da mata. Isso representa uma alternativa sustentável ao arrendamento de terras e à venda&nbsp; de madeira, atividades de alto impacto ambiental que, embora tragam retorno financeiro imediato, comprometem o futuro do território.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260601_ariadne-300x300.jpg" alt="Mulher loira com vestido preto." class="wp-image-1015215" style="width:125px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Ariadne Dall&#8217;acqua Ayres &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do;jsessionid=E3DEAFC776CEA41A0A32218849E0EAC9.buscatextual_0">Currículo Lattes</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O estudo também joga luz sobre as raízes históricas da degradação na comunidade, apontando que práticas predatórias foram, muitas vezes, impulsionadas pelo próprio Estado brasileiro. Durante a ditadura militar, órgãos como o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a ditadura militar mantinham postos militares na região e promoviam o arrendamento de terras e o corte de madeira sem que os indígenas recebessem qualquer remuneração ou compensação pela degradação. Essa herança histórica gerou um sentimento de abandono e uma desvalorização dos serviços ambientais que as comunidades prestam hoje ao proteger recursos vitais, como a água e a biodiversidade, que beneficiam toda a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho deu origem à tese de doutorado&nbsp;<em>Bem-estar socioeconômico e conservação da biodiversidade em uma comunidade indígena paranaense: um caminho a ser construído</em>, com orientação das professoras Fernanda Brando, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, e Cristiana Seixas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Ciência que escuta</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para conduzir a investigação de maneira ética e colaborativa, sendo uma pesquisadora&nbsp;<em>outsider</em>&nbsp;(não indígena),&nbsp; a bióloga adotou ferramentas da antropologia e da ecologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi estruturada cronologicamente, analisando os últimos 40 anos de transformações no território com o apoio de dados secundários e do sistema&nbsp;<a href="https://brasil.mapbiomas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas</a>&nbsp;para mapear as mudanças no uso da terra e na gestão dos recursos de uso comum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pilares do estudo foi a aplicação da metodologia&nbsp;<em>Ethnographic Future Research</em>, utilizada para construir cenários futuros com base nos desejos e temores da comunidade. A pesquisadora realizou oficinas com jovens e entrevistas com adultos das seis aldeias que compõem a terra indígena Mangueirinha, buscando uma representatividade que cobrisse diferentes unidades familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, o plano era realizar um estudo focado estritamente na conservação da biodiversidade e no levantamento de espécies, mas o contato com as lideranças indígenas alterou o rumo do trabalho. “No momento em que visitei a terra indígena, a comunidade expressou a importância do desenvolvimento de estratégias para a questão socioeconômica, pois isso estava muito atrelado com a conservação da floresta”, explica ela. Assim, a tese<em>&nbsp;</em>foi delineada a partir de uma demanda da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o período de imersão, ela utilizou a observação participante para compreender o “microcosmo” da comunidade, enfrentando o desafio inicial de ser vista com cautela pelos moradores. A pesquisadora relata ter ouvido questionamentos sobre se sua presença ali servia para proteger as pessoas ou apenas para “olhar para os pinheiros e proteger os macaquinhos”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Considero importante reconhecer a honra que é as pessoas me receberem e estarem dispostas a dividir a história delas. No momento que transcrevia as entrevistas eu me emocionava muito, pois percebia que a pessoa se sentiu à vontade para falar comigo sobre esses temas”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da complexidade encontrada, Ariadne Dall’acqua Ayres ressalta que o papel da ciência deve ser o de dar voz a essas demandas e retornar os resultados para a comunidade.&nbsp; A pesquisadora planeja retornar ao território para apresentar os resultados, além de também produzir um livro de memórias do território, registrando toda a história e as perspectivas futuras da terra indígena que foram coletadas ao longo do processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tese estará na&nbsp;<a href="https://teses.usp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP</a>&nbsp;após publicação de artigo científico em desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail ariadne.ayres@usp.br, com Ariadne Dall’acqua Ayres</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260601_araucaria.jpg" alt="Fotografia de uma floresta de araucárias." class="wp-image-1015220"/><figcaption class="wp-element-caption">A floresta de araucárias da Terra Indígena Mangueirinha, com mais de 16 mil hectares, abriga um dos maiores remanescentes contínuos do país &#8211; Foto: Arquivo pessoal /Ariadne Dall&#8217;Acqua Ayres</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / A partir das narrativas indígenas, pesquisadora analisa como as práticas de gestão se entrelaçam aos ciclos de mudança e ao manejo dos ecossistemas nos últimos 40 anos – Foto: Arquivo pessoal /Ariadne Dall’Acqua Ayres</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/sociobiodiversidade-e-chave-para-proteger-meio-ambiente-e-comunidade-em-terra-indigena/">Sociobiodiversidade é chave para proteger meio ambiente e comunidade em terra indígena</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 19:46:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[calor extremo]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[pnuma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo indica falhas em planejamento e resposta contra o fenônemo Sexta, 5 de junho de 2026 &#8211; Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil A maioria das cidades brasileiras (66%) ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar&#160;planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Estudo indica falhas em planejamento e resposta contra o fenônemo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026 &#8211; <strong>Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria das cidades brasileiras (66%) ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar&nbsp;planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) pela presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o&nbsp;Meio Ambiente (Pnuma).<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1692215&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1692215&amp;o=node"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento é parte da iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo (<em>Beat the Heat</em>), que integra a plataforma global Coalizão pelo Resfriamento&nbsp;(<em>Cool Coalition</em>). A iniciativa reúne atualmente 258 cidades em todo o mundo, incluindo 105 no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo divugado nesta quarta foi realizado em 53 cidades brasileiras e mostra sinais contraditórios.&nbsp;<strong>Apesar de 93% dos gestores classificarem o calor extremo como um problema relevante e 68% o colocarem entre os três principais desafios locais, o reconhecimento do risco ainda não se traduziu em capacidade de resposta efetiva</strong>. Há lacunas de dados, governança e financiamento para avançar na adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três quartos (75%)&nbsp;das cidades não utilizam dados de forma estruturada para apoiar decisões sobre o tema, enquanto 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos relacionados ao fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também aponta que as ações adotadas atualmente se concentram principalmente em soluções baseadas na natureza.&nbsp;<strong>Medidas como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas estão presentes em 77% dos municípios participantes</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e uso de materiais refletivos, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra fragilidade identificada está nas compras públicas. Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, indicando que o tema permanece pouco incorporado às políticas estruturantes de gestão pública.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/PqG3Y524AlwcKUFOacs9YtjVWMU=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/_dsc4326.jpg?itok=WViNF6gA" alt="Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2023 – População enfrenta forte onda de calor no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil" title="Tomaz Silva/Agência Brasil"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">População enfrentou forte onda de calor no Rio de Janeiro em 2024. Foto:&nbsp;<strong>Tomaz Silva/Agência Brasil</strong></h6>



<h2 class="wp-block-heading">Ameaça crescente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores explicam que&nbsp;<strong>calor extremo não é apenas “um dia muito quente”, mas quando, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o dia não é dissipado à noite</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A temperatura é acumulada em um efeito “escada”, que pode ser percebido quando a casa não esfria ao anoitecer, o mormaço sobe do asfalto, o sono piora e a disposição desaparece. Corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura deixam de se recuperar, e os riscos à saúde e ao funcionamento da cidade aumentam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os pesquisadores,&nbsp;<strong>o calor extremo deixou de ser apenas um desconforto sazonal para se tornar uma ameaça crescente à saúde pública</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Pnuma alerta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo.&nbsp;<strong>No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enxurradas e deslizamentos no mesmo período</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;CEO da COP30, Ana Toni, avalia que a adaptação a essa&nbsp;nova realidade demanda colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo, com apoio nacional e internacional.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo&#8221;, destaca Ana Toni.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Criado em 2025, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar municípios na elaboração de diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam implementar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis. A expectativa é que as ações beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de habitantes das cidades envolvidas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/sYdCF3WrJzfsIAp5pUj__LH-PhY=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/12/27/pint9944.jpg?itok=I0W3ay0z" alt="São Paulo (SP), 27/12/2025 - Pessoas na rua durante forte onda de calor. Operação Altas Temperaturas em São Paulo, devido ao forte calor na cidade. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil" title="Paulo Pinto/Agência Brasil"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Pessoas na rua durante forte onda de calor em São Paulo. Foto:&nbsp;<strong>Paulo Pinto/Agência Brasil</strong></h6>



<h2 class="wp-block-heading">Super El Niño</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A necessidade de acelerar essas iniciativas ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de formação de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026</strong>. As previsões foram corroboradas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno poderá intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar a frequência de ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agencia Brasil. &#8211; © Tomaz Silva/Agência Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/maioria-das-cidades-do-brasil-nao-tem-plano-de-acao-para-calor-extremo/">Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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