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	<title>CITY RURAL |</title>
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	<title>CITY RURAL |</title>
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		<title>As &#8216;fazendas&#8217; na Amazônia que desafiam a agricultura moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 16:39:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para um olhar destreinado, a área da&#160;floresta tropical&#160;que Kelly Johanna Yucuna cultiva pode parecer resultado de sementes espalhadas aleatoriamente pelo chão, sem nenhum cuidado. Mas isso está longe de ser verdade. Em seu pequeno terreno no coração da&#160;Amazônia&#160;colombiana, tudo, desde a escolha do local até a localização de cada planta, tem uma ordem e um [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/as-fazendas-na-amazonia-que-desafiam-a-agricultura-moderna/">As ‘fazendas’ na Amazônia que desafiam a agricultura moderna</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>María Paula Rubiano A.</strong></li>



<li>Role,BBC Earth</li>
</ul>
</li>



<li>Segunda, 29 de junho de 2026</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Para um olhar destreinado, a área da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c340q43x20wt">floresta tropical</a>&nbsp;que Kelly Johanna Yucuna cultiva pode parecer resultado de sementes espalhadas aleatoriamente pelo chão, sem nenhum cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas isso está longe de ser verdade. Em seu pequeno terreno no coração da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c2dwqd8g290t">Amazônia</a>&nbsp;colombiana, tudo, desde a escolha do local até a localização de cada planta, tem uma ordem e um propósito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este é o sistema de cultivo conhecido como &#8220;chagra&#8221;, composto por pequenas áreas de cultivo, cada uma com menos do que dois hectares, organizadas em sintonia com os ciclos ecológicos da floresta. É dali que Yucuna e as&nbsp;<a href="https://jaguaresdeyurupari.org/wp-content/uploads/2024/10/6.-Plan-de-Vida-TI-Miriti-Parana_compressed.pdf">240 famílias espalhadas por sua reserva</a>, no macroterritório de&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/etiqueta/macroterritorio-jaguares-de-yurupari/">Jaguares de Yuruparí</a>, tiram a maior parte dos alimentos que consomem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas &#8220;chagras&#8221;, que alguns&nbsp;<a href="https://www.abant.org.br/files/34rba_861_82105004_16.pdf">pesquisadores chamam de &#8220;roças&#8221;</a>&nbsp;no Brasil, a fauna prospera e o carbono é armazenado de forma eficiente. Depois de cinco ou seis anos de uso, as áreas de cultivo são devolvidas à floresta. Em toda a região norte da Amazônia, sistemas como esses moldam a vida dos&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cyz9gk3kj36t">povos indígenas</a>&nbsp;há&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41477-018-0205-y.epdf?sharing_token=YA90m1sChdzbA4F9gmrzk9RgN0jAjWel9jnR3ZoTv0NiINDIkcVJP-19mJrm9Xz1Dtgp9Lmv5TQDb-4afHpWLMLQQfB1CNFLYlW1zAi5dxRdpWw4f-VGU9b7Jn_2xUk1N4_5Gw8lI2n40EunR-78wUm7zeN3peVhI5aVf08yG-usaBXOkhdcpcNwiLGmL4EvTcbJqSUvZ26Ts7HVb-uIVA%3D%3D&amp;tracking_referrer=www.bbc.co.uk">pelo menos 4.500 anos</a>, integrando dimensões ambientais, econômicas, sociais e espirituais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O restante do mundo talvez tenha muito a aprender com as &#8220;chagras&#8221; e sua forma de produzir alimentos. Mas esses sistemas também estão ameaçados pelo avanço da&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10113-021-01761-7">mineração</a>, do&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/news/topics/c5rz2n4jq5zt">desmatamento</a>, do&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/future/article/20251114-defying-coca-lords-and-loggers-in-the-amazon">narcotráfico</a>&nbsp;e das&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/future/article/20241210-how-the-amazons-boiling-river-foreshadows-climate-change">mudanças climáticas</a>&nbsp;sobre a Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, a corrida é para garantir a sobrevivência desses sistemas agrícolas sustentáveis ​​únicos, e da cultura que os sustenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Universo cultivado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; estão profundamente ligadas à cosmologia dos povos indígenas, que por sua vez se orienta pelo calendário ecológico da floresta, marcado pelos ciclos de frutificação, cheias dos rios, pesca e caça.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Na chagra, tudo tem sua própria ordem e propósito&#8221;, afirma Juan Felipe Guhl, antropólogo e especialista em questões socioambientais do Instituto Sinchi, na Colômbia. &#8220;Ter uma boa chagra significa saber o momento certo de cortar, colher, replantar, limpar e cuidar de todo o sistema.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na reserva de Miriti-Paraná, onde Yucuna vive, cada família mantém pelo menos duas ou três &#8220;chagras&#8221;: uma nova, uma em plena produção e outra em fase de regeneração. Antes do plantio, os anciãos aprovam o terreno escolhido e pedem permissão aos espíritos da floresta, a quem chamam de donos superiores da terra, para transformar os lares de animais e plantas, conta Yucuna. Os anciãos também pedem aos espíritos que afastem as serpentes, protejam os galhos sobre as cabeças da comunidade e garantam colheitas abundantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, vem o &#8220;socola y tumba&#8221;, um processo coletivo de preparo do terreno que mobiliza toda a comunidade, que chega com machados e facões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a criação de uma &#8220;chagra&#8221; envolva a derrubada de algumas árvores, as comunidades escolhem cuidadosamente as áreas que serão abertas, afirma César Echezuría Fernández, geógrafo independente que estuda as &#8220;chagras&#8221; no Equador, onde elas são conhecidas como &#8220;chakras&#8221;. Segundo Fernández, costumam priorizar a remoção de árvores de menor porte e cipós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas mostram que as comunidades preservam cerca de&nbsp;<a href="https://academic.oup.com/jpe/article/12/1/34/4584266?login=false">metade das espécies nativas de árvores presentes</a>&nbsp;nas áreas transformadas em &#8220;chagras&#8221;. Estudos também indicam que esses sistemas agrícolas são muito&nbsp;<a href="https://www.mdpi.com/1999-4907/15/3/557">mais biodiversos</a>&nbsp;do que outras formas de cultivo, como as plantações de cacau em monocultura. As &#8220;chagras&#8221; também armazenam mais carbono do que cultivos em monocultura e, em alguns casos, atingem&nbsp;<a href="https://www.frontiersin.org/journals/forests-and-global-change/articles/10.3389/ffgc.2025.1513140/full">níveis comparáveis aos de florestas secundárias</a>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Laços de filiação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Após um curto período de descanso e uma queima controlada, conhecida como &#8220;quema&#8221;, as mulheres plantam as primeiras sementes da &#8220;chagra&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Miriti-Paraná, as &#8220;chagras&#8221; costumam ser abertas antes de junho. As primeiras colheitas de mandioca, banana-da-terra e abacaxi ficam prontas cerca de um ano depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre que inicia uma nova chagra, Yucuna se lembra dos ensinamentos da mãe e da avó: plantar primeiro a coca e as melhores variedades de mandioca. &#8220;A mandioca representa as mulheres e a coca representa os homens&#8221;, diz Yucuna. &#8220;Por isso elas precisam estar juntas, no centro da área de cultivo.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada um dos 30 povos indígenas que vivem no território de Jaguares de Yuruparí cultiva a sua seleção de variedades de mandioca brava e mandioca doce, somando 67 tipos diferentes. &#8220;A mandioca é, afinal, o principal alimento da Amazônia&#8221;, afirma a antropóloga colombiana Marcia Chapetón, que trabalha com sistemas alimentares indígenas amazônicos na Gaia Amazonas, organização sem fins lucrativos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/ec46/live/a1ca2500-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="As chagras abrigam uma grande diversidade de espécies, afirma Guhl. Segundo ele, essa riqueza é preservada graças ao conhecimento e à cultura das comunidades humanas"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; abrigam uma grande diversidade de espécies, afirma Guhl. Segundo ele, essa riqueza é preservada graças ao conhecimento e à cultura das comunidades humanas</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em algumas &#8220;chagras&#8221;, a mandioca&nbsp;<a href="https://sembrandocapacidades.fao.org.co/wp-content/uploads/2021/11/V-FINAL-DOCUMENTO-CHAGRAS-AMAZO%CC%81NICAS-ESPAN%CC%83OL-V-WEB.pdf">responde por até 97%</a>&nbsp;das espécies cultivadas. Muitos povos indígenas, especialmente as mulheres, mantêm uma relação quase filial com a planta. &#8220;[Eles veem as plantas de mandioca] como minhas filhas e, quando eu as como, tenho com elas uma relação de sangue&#8221;, diz Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como a mandioca e a coca, cada semente tem uma origem mitológica e tecnológica própria, que determina seu lugar na &#8220;chagra&#8221;, afirma Guhl, do Instituto Sinchi. Nas bordas da área de cultivo, por exemplo, abacaxis e árvores altas, como o açaí, funcionam como uma espécie de fortaleza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Gaia Amazonas identificou&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/04/FINAL_-_INFORME_SISTEMAS_ALIMENTARIOS_INDIGENAS.pdf">104 espécies</a>&nbsp;diferentes cultivadas nas &#8220;chagras&#8221; do território Jaguares de Yuruparí. Há variedades de alimentos como banana-da-terra, inhame e batata-doce, além de pimentas, árvores frutíferas, tabaco e ervas medicinais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando vai à &#8220;chagra&#8221; de sua família, Yucuna leva os filhos com ela e, assim como sua mãe fazia, conta as histórias sobre a origem de cada planta. &#8220;A chagra representa a vida, representa as mulheres, representa tudo para nós&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica das &#8220;chagras&#8221; está baseada na adaptação às condições já existentes.&#8221;A natureza não é apenas uma… despensa, mas um outro ser vivo com o qual nos relacionamos&#8221;, afirma o geógrafo independente Fernández.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fernández contrapõe essa visão ao modelo de agricultura industrial que&nbsp;<a href="https://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/10/3/034017/meta">avança pela América Latina</a>&nbsp;e que frequentemente derruba florestas e depende de agroquímicos sintéticos para ocupar grandes extensões de terra com uma única cultura.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Economia do cacau</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/d027/live/f77af150-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="A venda de cacau produzido em &quot;chakras&quot; do Equador tem gerado renda para as comunidades, mas também pode trazer novas pressões para esse modelo de cultivo diversificado"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A venda de cacau produzido em &#8220;chakras&#8221; do Equador tem gerado renda para as comunidades, mas também pode trazer novas pressões para esse modelo de cultivo diversificado</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de cinco ou seis anos, a &#8220;chagra&#8221; é devolvida ao seu dono espiritual. As famílias deixam de plantar novas sementes e a área gradualmente volta a se transformar em floresta, preenchida pelas árvores frutíferas que haviam sido cultivadas e cuidadas ao longo dos anos, explica Guhl, do Instituto Sinchi. Esses locais passam a servir para a colheita de frutas ou para a caça de animais que se reúnem ali para se alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; do território de Jaguares de Yuruparí são usadas principalmente para a produção de alimentos destinados ao consumo das próprias famílias. Mas em outras partes da Amazônia elas também desempenham um papel econômico importante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na província de Napo, no Equador, cacau, baunilha e guayusa (uma árvore da família do azevinho cujas folhas, ricas em cafeína, são usadas no preparo de chá) são cultivados em cerca de 24 mil hectares de &#8220;chakras&#8221;, garantindo o sustento de centenas de famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nessa região, as &#8220;chakras&#8221; amazônicas são administradas por três cooperativas e&nbsp;<a href="https://www.fao.org/giahs/giahs-around-the-world/ecuador-amazonian-chakra/en">foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas</a>&nbsp;(ONU) como um Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Global (Sipam, na sigla em português), uma distinção semelhante à dos sítios considerados Patrimônio Mundial, mas voltada a sistemas agrícolas tradicionais de longa duração e manejados de forma sustentável. Elas também respondem por entre&nbsp;<a href="https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/c55b4bcf-d921-44da-8cdb-5e0a4cc2f92f/content">40% e 60% da renda das comunidades</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma dessas cooperativas, a Kallari, gera até US$ 2 milhões por ano (cerca de R$ 11 milhões) para seus 740 membros, afirma Paulina Espín, diretora nacional da Trias, organização sem fins lucrativos sediada na Bélgica que apoia a cooperativa. Segundo Espín, os compradores pagam preços mais altos pelo cacau sustentável e de aroma fino produzido na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo quando o objetivo é a comercialização, no entanto,&nbsp;<a href="https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/c55b4bcf-d921-44da-8cdb-5e0a4cc2f92f/content">os cacaueiros cultivados nas &#8220;chakras&#8221; costumam crescer ao lado de outras 80 a 150 espécies</a>. As famílias priorizam plantas destinadas à alimentação, que representam cerca de 70% dos cultivos, enquanto aproximadamente 10% têm uso medicinal. Apenas a parcela restante é dedicada a culturas voltadas para o mercado.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Combate ao desmatamento</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora qualquer tipo de agricultura na Amazônia possa parecer, à primeira vista, uma má ideia, vale lembrar que os&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41893-021-00815-2">territórios administrados por povos indígenas</a>&nbsp;têm se mostrado uma das formas&nbsp;<a href="https://www.fao.org/americas/priorities/indigenas-gobernanza-bosques/es">mais eficazes de conter o desmatamento das florestas tropicais</a>. Para muitos pesquisadores, as &#8220;chagras&#8221; são inseparáveis da visão de mundo que permite a essas comunidades conservar seus territórios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, não há dados concretos sobre o papel das &#8220;chagras&#8221; e de sistemas semelhantes no enfrentamento do desmatamento e das mudanças climáticas. Embora&nbsp;<a href="https://watanibasocioambiental.org/por-que-es-clave-consolidar-una-perspectiva-regional-en-torno-a-los-sistemas-alimentarios-indigenas-amazonicos-como-determinantes-de-la-conectividad-ecosistemica-y-sociocultural/">estudos estejam começando</a>&nbsp;a preencher essa lacuna de conhecimento, ainda não se sabe quanto da Amazônia é ocupado por esses sistemas, e são poucas as pesquisas que os comparam com outros modelos agrícolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas vezes, há confusão sobre o que exatamente são as &#8220;chagras&#8221;. Na Colômbia, um projeto de créditos de carbono considerou as &#8220;chagras&#8221; como &#8220;áreas desmatadas&#8221; e prometeu reduzir sua extensão no território Jaguares de Yuruparí. A iniciativa foi barrada por uma&nbsp;<a href="https://www.corteconstitucional.gov.co/relatoria/2024/t-248-24.htm">decisão judicial de 2024</a>, que concluiu que as empresas envolvidas não haviam respeitado os direitos das populações indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É claro que uma &#8220;chagra&#8221; envolve a abertura de uma área na floresta, mas não se trata de um desmatamento indiscriminado ou descontrolado. A área é aberta para produzir alimentos e, depois, volta a se regenerar e a ser incorporada à floresta&#8221;, afirma Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8216;Uma bagunça ecológica&#8217;</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/05fb/live/cbcadc50-6bdd-11f1-b1db-af71d47507d6.jpg.webp" alt="A mandioca é um dos alimentos básicos da Amazônia, especialmente nas chagras, onde são cultivadas dezenas de variedades da planta"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A mandioca é um dos alimentos básicos da Amazônia, especialmente nas chagras, onde são cultivadas dezenas de variedades da planta</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo enquanto os especialistas tentam compreender melhor o papel ambiental das &#8220;chagras&#8221;, esses sistemas enfrentam desafios cada vez maiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mineração de ouro se tornou uma das principais ameaças às &#8220;chagras&#8221;, afirma Chapetón, da Gaia Amazonas. No território de Jaguares del Yuruparí, a atividade provoca níveis tão elevados de contaminação por mercúrio que a Corte Constitucional colombiana decidiu,&nbsp;<a href="https://www.corteconstitucional.gov.co/relatoria/2025/t-106-25">em 2025</a>, que ela coloca em risco a identidade dos povos indígenas da região e sua segurança alimentar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na província de Napo, no Equador, a mineração tem atraído os jovens para longe da agricultura, afirma Ruth Cayapac, líder do povo indígena kichwa e presidente da cooperativa Kallari.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em toda a região, aqueles que não ingressam na mineração frequentemente acabam deixando as suas comunidades, empurrados pela falta de perspectivas econômicas e pelo acesso precário a direitos básicos, diz Chapetón, da Gaia Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As mudanças climáticas, que vêm tornando a&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/news/science-environment-68032361">Amazônia mais seca</a>, agravam ainda mais esse cenário.&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/04/FINAL_-_INFORME_SISTEMAS_ALIMENTARIOS_INDIGENAS.pdf">Evidências anedóticas reunidas pela Gaia Amazonas</a>&nbsp;a partir de relatos das comunidades indicam que elas já podem estar alterando os calendários ecológicos, reduzindo a produção agrícola e aumentando os gastos com a compra de alimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Gaia Amazonas, a irregularidade no regime dos rios tem afetado a reprodução dos peixes e reduzido a sua disponibilidade. Os animais caçados também estão mais escassos e menores, o que obriga os caçadores a capturar um número maior de presas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas &#8220;chagras&#8221;, por sua vez, novas pragas vêm se espalhando. Yucuna afirma que, em sua comunidade, as chuvas irregulares têm afetado o calendário de plantio e o momento de abrir áreas e realizar as queimadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Chagras globais</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/2785/live/3ab41c30-6bde-11f1-8546-8f19e4fe30f4.jpg.webp" alt="As chagras exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; também enfrentam outras pressões, que vão&nbsp;<a href="https://www.researchgate.net/publication/372647382_Sistema_de_chagra_en_suelos_degradados_en_una_comunidad_ticuna_de_la_Amazonia_colombiana">desde o aumento da população</a>&nbsp;em algumas reservas até a&nbsp;<a href="https://ethnobotanyjournal.org/index.php/era/article/view/967">influência de áreas urbanas próximas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Equador, a crescente demanda por produtos das &#8220;chakras&#8221; (como são chamadas no país) tem trazido novos desafios, afirma Echezuría Fernández. Em um dos casos observados por ele, uma empresa especializada em cacau fino pressionava uma comunidade a aumentar sua produção de cacau.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, para os produtores das &#8220;chakras&#8221;, é normal que parte dos grãos seja perdida para pragas, observa o pesquisador. &#8220;Isso faz parte da vida.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma mais direta de garantir a continuidade das &#8220;chagras&#8221; é proteger os direitos territoriais dos povos indígenas, argumenta Chapetón, da Gaia Amazonas. Na Colômbia, comunidades indígenas&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/10/Pager-ETIs-ENG-V1.pdf">lutam há anos</a>&nbsp;<a href="https://gaiaamazonas.org/wp-content/uploads/2024/10/Pager-ETIs-ENG-V1.pdf">pela implementação das Entidades Territoriais Indígenas</a>, uma categoria administrativa que lhes daria ampla autonomia financeira e política. No Equador, um selo padronizado para produtos provenientes das &#8220;chakras&#8221; foi oficialmente reconhecido pelo governo local em 2025, afirma Espín, da organização Trias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas muitos defendem que o potencial das &#8220;chagras&#8221; vai muito além de colocar novos produtos sustentáveis nas prateleiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As &#8220;chagras&#8221; colocam em xeque a forma como pensamos grande parte da produção moderna de alimentos e os impactos ambientais que muitas vezes aceitamos em seu nome. Entre eles estão as emissões de&nbsp;<a href="https://ourworldindata.org/environmental-impacts-of-food">gases de efeito estufa</a>, a&nbsp;<a href="https://www.unep.org/news-and-stories/press-release/our-global-food-system-primary-driver-biodiversity-loss">perda de biodiversidade</a>, a&nbsp;<a href="https://www.nhm.ac.uk/discover/soil-degradation.html">degradação dos solos</a>&nbsp;e o esgotamento dos recursos hídricos, problemas que, por sua vez, também&nbsp;<a href="https://www.wfp.org/publications/state-food-security-and-nutrition-world-sofi-report-2023">afetam o abastecimento de alimentos</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chapetón, da Gaia Amazonas, reconhece que dificilmente as &#8220;chagras&#8221; seriam capazes de alimentar grandes contingentes populacionais. Ainda assim, seu foco em alimentos produzidos localmente, de forma sustentável e enraizados na cultura das comunidades dialoga com os&nbsp;<a href="https://ipes-food.org/wp-content/uploads/2026/05/NewGeopoliticsOfFood.pdf">alertas sobre os riscos de depender a segurança alimentar de cadeias globais</a>&nbsp;de abastecimento que escapam ao controle das populações locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que precisamos é fortalecer todos os sistemas alimentares locais para que possam produzir alimentos para as pessoas ao seu redor&#8221;, afirma Chapetón.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / J G Soler/ Fundação Gaia AmazonasLegenda da foto,As &#8220;chagras&#8221; exigem a abertura de áreas na floresta, mas também fazem parte de um sistema mais amplo de gestão territorial indígena considerado fundamental para conter o desmatamento</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Carlinhos da Bike é o convidado do Bate Papo na City" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Uz8nMqlnpDQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/as-fazendas-na-amazonia-que-desafiam-a-agricultura-moderna/">As ‘fazendas’ na Amazônia que desafiam a agricultura moderna</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>De inseticida a remédio, poluentes sintéticos contaminam praticamente todo o oceano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:34:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência Texto: Yasmin Constante* &#8211; Arte: Livia Bortoletto** Sexta, 5 de junho de 2026 De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&#160;estudo&#160;publicado na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Yasmin Constante* &#8211; Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>&nbsp;publicado na revista científica&nbsp;<em>Nature Geoscience</em>&nbsp;avaliou a distribuição de compostos químicos de origem humana nestes espaços e demonstrou que eles estão presentes em praticamente todo o oceano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poluentes comuns, como pesticidas e produtos farmacêuticos, foram detectados predominantemente em estuários e áreas costeiras, mas diminuíram com a distância da costa, enquanto substâncias químicas e aditivos industriais, incluindo polialquilenoglicóis, ftalatos e organofosforados, foram amplamente distribuídos pelos ecossistemas marinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho consistiu em uma metanálise, técnica estatística utilizada para integrar resultados de outras pesquisas. No total, 21 conjuntos de dados (incluindo 2315 amostras de água do mar de três bacias oceânicas e ambientes costeiros) foram avaliados. As análises mostraram que os compostos químicos estão ainda mais disseminados do que era esperado. Porém, a maior surpresa está na distância que podem atingir, chegando a quilômetros da costa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Praticamente não há lugar no oceano onde não exista a ‘mão’ humana, que não tenha um sinal químico de origem xenobiótica”, explica Bruno Costa, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP e coautor do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os compostos estudados foram divididos em três categorias: industriais, fármacos e pesticidas. Entre eles, os mais encontrados foram os com características xenobióticas industriais, que em sua maioria são derivadas de produtos petroquímicos e associados a materiais plásticos. Apesar de os poluentes serem amplamente disseminados, a maior parte ainda está nas proximidades de costas e estuários – pontos em que o rio e mar se encontram. Segundo Bruno Costa, a maior presença pode ser explicada pelo tratamento inadequado da água e pela alta disseminação desses produtos entre a sociedade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_bruno-300x300.jpg" alt="A imagem contém um homem, ele tem cabelo e barba escuros e usa jaleco" class="wp-image-1000212" style="width:112px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Bruno Ruiz Brandão da Costa &#8211; Foto: Lattes</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Impacto nos seres vivos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além da análise oferecer um panorama amplo da presença de compostos antropogênicos em ambientes marinhos, ela demonstra também como eles podem impactar a matéria orgânica dissolvida (MOD), que é o conjunto de restos de seres vivos em corpos d’água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa compara a MOD com blocos construtores, explica seu caráter fundamental para os ecossistemas, servindo, por exemplo, de alimento para microrganismos. “Observamos que há uma contribuição considerável desses compostos de origem humana e a consequência ecológica disso nós ainda não sabemos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As substâncias químicas, ao contrário de grandes detritos plásticos que flutuam, são dificilmente visualizadas. Esta lacuna pode ser preenchida pelo que é considerado um dos diferenciais da pesquisa: seu método de análise. Chamada de metabolômica não-alvo, a técnica é capaz de identificar todo o conjunto de moléculas de uma amostra sem um direcionamento específico, o que permite que diversos compostos sejam detectados. Bruno Costa aprendeu a realizar este tipo de abordagem durante doutorado-sanduíche realizado na University of California, Riverside (UCR).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir a avaliação adequada das amostras, era necessário que o processo de coleta ocorresse de forma uniforme. Por esse motivo, os pesquisadores utilizaram dados provenientes de laboratórios parceiros. A metodologia adotada permaneceu padronizada em todas as etapas, desde a extração — quando a água é purificada e os compostos de interesse são concentrados — até o procedimento empregado na análise inicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feita em diferentes distâncias e profundidades, as coletas foram divididas por conjuntos, sendo eles: costeiro temperado, recife de coral e oceano aberto.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_mapa.jpg" alt="A imagem contém um mapa com os locais pesquisados" class="wp-image-1000217"/><figcaption class="wp-element-caption">Imagem apresenta os locais investigados e as suas classificações &#8211; Foto: Reprodução do artigo</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Principais tendências</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como os pesquisadores esperavam, quanto maior a distância da costa, menores são os sinais químicos de compostos de origem humana. Porém, mesmo em regiões muito distantes, eles ainda são encontrados, fato que causa preocupação. Costa explica que os compostos industriais foram os mais encontrados por apresentarem maior resistência e “navegarem” para locais mais distantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As avaliações indicam que, entre os sinais analíticos de mar aberto, a mediana de contribuição de origem humana na matéria orgânica dissolvida foi entre 0,5% e 4%. O número pode parecer baixo, mas é ele que indica que praticamente todo o oceano tem uma “pegada” humana, como se, em cada dia de vida do oceano, quase uma hora inteira fosse composta exclusivamente de vestígios da ação antrópica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_veneno.jpg" alt="A imagem contém uma ilustração de um veneno para insetos" class="wp-image-1000219"/><figcaption class="wp-element-caption">Quase 250 compostos de origem humana foram encontrados &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/de-inseticida-a-remedio-poluentes-sinteticos-contaminam-praticamente-todo-o-oceano/----url----">Freepik</a></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A mediana em clima costeiro temperado ficou entre 0,5% e 9%, com valores mais altos para África do Sul e San Diego. Os dados para recifes de coral foram os que mais variaram. Tiveram, em alguns casos, medianas mais baixas, entre 2% e 8% e, em outros, medianas mais altas de até 20%, como foi o caso de Porto Rico. A maior mediana foi encontrada em regiões de estuários, em que o valor pode ultrapassar os 60% de carga química.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No total, 248 compostos de origem humana foram encontrados, o que representa 2% de todos os materiais detectados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa explica que esses valores não são as concentrações das substâncias. Para essa medição seria necessários procedimentos específicos para cada composto e não um método de análise não-alvo, como foi feita a pesquisa. “Por exemplo, 60% da contribuição dos sinais analíticos observados correspondiam à origem humana. Não é dizer que 60% da água do mar corresponde a esses compostos xenobióticos.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A mensagem continua sendo a mesma: há uma grande contribuição desses compostos de origem humana na matéria orgânica dissolvida no mar”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador destaca que o artigo acende um sinal de alerta para a necessidade de novos monitoramentos. Além disso, demonstra a necessidade de maior fiscalização para crimes ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Widespread presence of anthropogenic compounds in marine dissolved organic matter</em>&nbsp;está disponível neste&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail bruno.ruiz.costa@usp.br, com Bruno Costa</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em>Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / O tratamento inadequado e a alta disseminação de produtos químicos podem explicar a poluição marinha – Foto: <a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/seascape-fantastico-com-ondulacoes_977674.htm#fromView=search&amp;page=1&amp;position=4&amp;uuid=131601b0-1023-4b26-b67c-43a8a582f276&amp;query=oceano">Freepik</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/de-inseticida-a-remedio-poluentes-sinteticos-contaminam-praticamente-todo-o-oceano-2/">De inseticida a remédio, poluentes sintéticos contaminam praticamente todo o oceano</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Sistema usa laser para tornar poda de árvores mais eficiente e diminuir risco de queda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Varredura fornece dados para um algoritmo calcular equilíbrio da árvore no computador e definir como vai ser feita a poda em áreas urbanas Texto: Júlio Bernardes &#8211; Arte: Daniela Gonçalves* Sexta, 5 de junho de 2026 Uma conversa informal entre dois pesquisadores da USP foi o ponto de partida para elaborar um sistema que torna [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Varredura fornece dados para um algoritmo calcular equilíbrio da árvore no computador e definir como vai ser feita a poda em áreas urbanas</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Júlio Bernardes &#8211; Arte: Daniela Gonçalves*</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma conversa informal entre dois pesquisadores da USP foi o ponto de partida para elaborar um sistema que torna mais eficiente a poda de árvores urbanas. O mecanismo usa luzes de laser para fazer uma varredura da árvore, fornecendo dados para um algoritmo calcular seu equilíbrio no computador e definir como vai ser feita a poda. A ferramenta, que já começa a ser testada na cidade de São Paulo, tem o seu funcionamento descrito em&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1007/s00468-026-02744-z">artigo</a>&nbsp;da revista científica&nbsp;<em>Trees</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A ideia surgiu durante uma conversa entre um biólogo de árvores e um engenheiro especializado em topologia na frente de uma grande árvore num restaurante de São Paulo”, conta ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;o professor Marcos Silveira Buckeridge, do Instituto de Biociências (IB) da USP, um dos responsáveis pelo trabalho. O diálogo ocorreu com o também autor da pesquisa Emílio Carlos Nelli Silva, engenheiro e professor da&nbsp;Escola Politécnica (Poli) da USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O objetivo da pesquisa foi desenvolver um sistema computacional capaz de orientar podas urbanas de forma mais segura e eficiente, reduzindo o risco de queda de árvores durante eventos climáticos extremos, especialmente em casos de ventos fortes”, relata o biólogo. “O trabalho integra escaneamento a laser (LiDAR), modelagem computacional e algoritmos de otimização estrutural para avaliar o equilíbrio biomecânico das árvores antes e depois da poda.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_marcos-buckeridge.jpg" alt="Homem de cabelos e barba brancas, usando óculos de aros pretos, vestindo terno e camisa pretas, com gravata azul, em frente a uma área de vegetação" class="wp-image-1009918" style="width:196px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Marcos Buckeridge – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa analisou a tipuana (<em>Tipuana tipu</em>), uma das árvores urbanas mais comuns em São Paulo. “A espécie apresenta crescimento vigoroso, copa ampla e alta tolerância ao ambiente urbano, incluindo poluição, calor e períodos de seca”, descreve o professor do IB. “Por outro lado, podas excessivas ou mal executadas podem alterar sua arquitetura natural e aumentar sua vulnerabilidade mecânica ao vento.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resistência estrutural</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo demonstrou que diferentes formas de poda podem modificar significativamente a resistência estrutural da árvore. “A poda altera diretamente a distribuição de peso, a simetria da copa e a forma como a árvore responde às cargas de vento”, explica Buckeridge. “Quando realizada sem critérios biomecânicos, ela pode enfraquecer a estrutura natural da árvore, criando pontos de maior deformação e aumentando o risco de quebra ou de tombamento.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer a varredura das árvores, o sistema desenvolvido na pesquisa usa um dispositivo com a tecnologia LiDAR, uma técnica de escaneamento baseada em pulsos de laser. “O equipamento emite milhares de feixes de luz que atingem a árvore e retornam ao sensor, permitindo reconstruir sua geometria tridimensional com alta precisão”, destaca o professor do IB. “A partir desses pulsos, é criada uma “nuvem de pontos” que representa digitalmente o tronco, os galhos e a copa.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A varredura gera um modelo tridimensional detalhado da árvore, permitindo medir o volume, a distribuição dos galhos, a inclinação, a simetria da copa e a resposta estrutural ao vento”, detalha Nelli Silva. “Esses dados alimentam modelos matemáticos capazes de simular deformações e identificar as regiões mais vulneráveis da árvore.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_emilio-carlos-nelli-silva.jpg" alt="Homem de cabelos escuros usando óculos de aros finos, vestindo terno preto, camisa branca, com gravata preta, em frente a uma parede branca" class="wp-image-1009920" style="width:131px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Emílio Carlos Nelli Silva – Foto: <a href="https://sites.usp.br/rcgi/emilio-c-n-silva/">Divulgação/RCGI</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Buckeridge, a ferramenta funciona como um sistema de apoio à decisão para Prefeituras, concessionárias e equipes de arborização urbana. “Ela permite avaliar previamente quais galhos podem ser removidos sem comprometer o equilíbrio biomecânico da árvore”, salienta. “O sistema também pode ajudar a priorizar árvores de maior risco e orientar podas mais precisas e menos agressivas.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/05/20260518_arvore-3d-laser.jpg" alt="Sequência mostrando árvore escaneada com laser, isolada no computador, modelos 3-D do tronco e dos galhos e modelo corrigido" class="wp-image-1009921"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Varredura do laser gera modelo tridimensional da árvore, medindo volume, distribuição dos galhos, inclinação, simetria da copa e resposta ao vento; dados alimentam modelos matemáticos que simulam deformações e identificam partes mais vulneráveis – Foto:&nbsp;<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s00468-026-02744-z/figures/3">Extraída do artigo</a></p>



<h2 class="wp-block-heading">Processo automatizado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para o sistema ser adotado em grande escala, o professor do IB observa que será necessário automatizar algumas etapas do processo, especialmente a geração de modelos tridimensionais e a análise computacional das árvores. “Também será importante integrar a ferramenta aos inventários urbanos existentes e ampliar os testes com diferentes espécies e em diferentes condições ambientais”, recomenda. “Segundo o artigo, projetos piloto em setores urbanos específicos podem acelerar a adoção prática do sistema.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Há um projeto em andamento em São Paulo que está escaneando todas as árvores nas ruas da cidade”, diz Buckeridge. “A ferramenta descrita no trabalho poderá ajudar muito a entender o estado atual delas e ajudar no manejo arbóreo”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo envolveu pesquisadores do IB e dos Departamentos de Engenharia Mecânica, Mecatrônica e Engenharia Elétrica da Poli. Participaram da pesquisa Luís Otávio Trotti Martins Guedes de Souza, Fernanda Mendes de Rezende, Marcelo Knörich Zuffo, Julio Romano Meneghini, Marcos Silveira Buckeridge e Emílio Carlos Nelli Silva. O artigo&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1007/s00468-026-02744-z">Improving tree stability with optimized pruning: a comprehensive cycle method</a></em>&nbsp;foi publicado na revista científica&nbsp;<em>Trees</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: msbuckeridge@gmail.com, com o professor Marcos Buckeridge</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Ferramenta serve de apoio à decisão para Prefeituras, concessionárias e equipes de arborização urbana, ao avaliar previamente que galhos podem ser removidos sem comprometer equilíbrio da árvore, orientando podas mais precisas e menos agressivas – Foto: Rafaela Redin-PMPA: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:IBPA_4951_-_Secretaria_de_Servi%C3%A7os_Urbanos_realiza_poda_de_%C3%A1rvores_-_2017-06-28_-_Rafaela_Redin-PMPA.jpg#/media/File:IBPA_4951_-_Secretaria_de_Servi%C3%A7os_Urbanos_realiza_poda_de_%C3%A1rvores_-_2017-06-28_-_Rafaela_Redin-PMPA.jpg">Rafaela Redin-PMPA/Wikimedia Commons</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/sistema-usa-laser-para-tornar-poda-de-arvores-mais-eficiente-e-diminuir-risco-de-queda/">Sistema usa laser para tornar poda de árvores mais eficiente e diminuir risco de queda</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Sociobiodiversidade é chave para proteger meio ambiente e comunidade em terra indígena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:07:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[terra indigena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com projeto desenvolvido junto à comunidade da Terra Indígena Mangueirinha (PR), bióloga mira na gestão de recursos naturais e sobrevivência da cultura frente à devastação ambiental Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto** Sexta, 5 de junho de 2026 A Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, é um sistema socioecológico de alta complexidade, onde coexistem realidades culturais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Com projeto desenvolvido junto à comunidade da Terra Indígena Mangueirinha (PR), bióloga mira na gestão de recursos naturais e sobrevivência da cultura frente à devastação ambiental</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná, é um sistema socioecológico de alta complexidade, onde coexistem realidades culturais diversas. Habitada pelas etnias Kaingang e Guarani, além de populações não indígenas, o território abriga um dos últimos e maiores remanescentes de araucária (<em>Araucaria angustifolia</em>) nativa do mundo. Foi nesse cenário que a bióloga Ariadne Dall’acqua Ayres pesquisou intersecção entre o bem-estar socioeconômico e a conservação ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os achados, o mais significativo foi a existência de um consenso sobre o futuro: mesmo entre grupos que apresentavam polaridades políticas ou visões divergentes no cotidiano, o desejo por melhoria econômica e bem-estar através da geração de renda era unânime. Esse “<em>cluster&nbsp;</em>econômico” tornou-se um dos principais focos do trabalho, onde a pesquisadora explorou alternativas sustentáveis que já existem no território, mas que precisam de fortalecimento e regulação para se tornarem fontes de renda robustas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chave para esse desenvolvimento está na sociobiodiversidade, conceito que Ariadne Dall’acqua Ayres define como elementos da natureza que possuem significado cultural, uso tradicional ou relacional para a comunidade. No Sul do Brasil, as espécies centrais desse sistema são o pinhão (semente da araucária) e a erva-mate, que são a base da alimentação e da cultura local. A pesquisadora colaborou diretamente na estruturação de projetos para buscar financiamento para a cadeia da erva-mate, atendendo a um pedido do cacique local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande vantagem dessas cadeias de valor é que elas permitem o retorno financeiro com a “floresta em pé”, sem a necessidade de derrubada da mata. Isso representa uma alternativa sustentável ao arrendamento de terras e à venda&nbsp; de madeira, atividades de alto impacto ambiental que, embora tragam retorno financeiro imediato, comprometem o futuro do território.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260601_ariadne-300x300.jpg" alt="Mulher loira com vestido preto." class="wp-image-1015215" style="width:125px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Ariadne Dall&#8217;acqua Ayres &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do;jsessionid=E3DEAFC776CEA41A0A32218849E0EAC9.buscatextual_0">Currículo Lattes</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O estudo também joga luz sobre as raízes históricas da degradação na comunidade, apontando que práticas predatórias foram, muitas vezes, impulsionadas pelo próprio Estado brasileiro. Durante a ditadura militar, órgãos como o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a ditadura militar mantinham postos militares na região e promoviam o arrendamento de terras e o corte de madeira sem que os indígenas recebessem qualquer remuneração ou compensação pela degradação. Essa herança histórica gerou um sentimento de abandono e uma desvalorização dos serviços ambientais que as comunidades prestam hoje ao proteger recursos vitais, como a água e a biodiversidade, que beneficiam toda a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho deu origem à tese de doutorado&nbsp;<em>Bem-estar socioeconômico e conservação da biodiversidade em uma comunidade indígena paranaense: um caminho a ser construído</em>, com orientação das professoras Fernanda Brando, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, e Cristiana Seixas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Ciência que escuta</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para conduzir a investigação de maneira ética e colaborativa, sendo uma pesquisadora&nbsp;<em>outsider</em>&nbsp;(não indígena),&nbsp; a bióloga adotou ferramentas da antropologia e da ecologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi estruturada cronologicamente, analisando os últimos 40 anos de transformações no território com o apoio de dados secundários e do sistema&nbsp;<a href="https://brasil.mapbiomas.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">MapBiomas</a>&nbsp;para mapear as mudanças no uso da terra e na gestão dos recursos de uso comum.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pilares do estudo foi a aplicação da metodologia&nbsp;<em>Ethnographic Future Research</em>, utilizada para construir cenários futuros com base nos desejos e temores da comunidade. A pesquisadora realizou oficinas com jovens e entrevistas com adultos das seis aldeias que compõem a terra indígena Mangueirinha, buscando uma representatividade que cobrisse diferentes unidades familiares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, o plano era realizar um estudo focado estritamente na conservação da biodiversidade e no levantamento de espécies, mas o contato com as lideranças indígenas alterou o rumo do trabalho. “No momento em que visitei a terra indígena, a comunidade expressou a importância do desenvolvimento de estratégias para a questão socioeconômica, pois isso estava muito atrelado com a conservação da floresta”, explica ela. Assim, a tese<em>&nbsp;</em>foi delineada a partir de uma demanda da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o período de imersão, ela utilizou a observação participante para compreender o “microcosmo” da comunidade, enfrentando o desafio inicial de ser vista com cautela pelos moradores. A pesquisadora relata ter ouvido questionamentos sobre se sua presença ali servia para proteger as pessoas ou apenas para “olhar para os pinheiros e proteger os macaquinhos”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Considero importante reconhecer a honra que é as pessoas me receberem e estarem dispostas a dividir a história delas. No momento que transcrevia as entrevistas eu me emocionava muito, pois percebia que a pessoa se sentiu à vontade para falar comigo sobre esses temas”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da complexidade encontrada, Ariadne Dall’acqua Ayres ressalta que o papel da ciência deve ser o de dar voz a essas demandas e retornar os resultados para a comunidade.&nbsp; A pesquisadora planeja retornar ao território para apresentar os resultados, além de também produzir um livro de memórias do território, registrando toda a história e as perspectivas futuras da terra indígena que foram coletadas ao longo do processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tese estará na&nbsp;<a href="https://teses.usp.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP</a>&nbsp;após publicação de artigo científico em desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail ariadne.ayres@usp.br, com Ariadne Dall’acqua Ayres</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260601_araucaria.jpg" alt="Fotografia de uma floresta de araucárias." class="wp-image-1015220"/><figcaption class="wp-element-caption">A floresta de araucárias da Terra Indígena Mangueirinha, com mais de 16 mil hectares, abriga um dos maiores remanescentes contínuos do país &#8211; Foto: Arquivo pessoal /Ariadne Dall&#8217;Acqua Ayres</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / A partir das narrativas indígenas, pesquisadora analisa como as práticas de gestão se entrelaçam aos ciclos de mudança e ao manejo dos ecossistemas nos últimos 40 anos – Foto: Arquivo pessoal /Ariadne Dall’Acqua Ayres</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/sociobiodiversidade-e-chave-para-proteger-meio-ambiente-e-comunidade-em-terra-indigena/">Sociobiodiversidade é chave para proteger meio ambiente e comunidade em terra indígena</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 19:46:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[calor extremo]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[pnuma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo indica falhas em planejamento e resposta contra o fenônemo Sexta, 5 de junho de 2026 &#8211; Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil A maioria das cidades brasileiras (66%) ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar&#160;planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Estudo indica falhas em planejamento e resposta contra o fenônemo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 5 de junho de 2026 &#8211; <strong>Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria das cidades brasileiras (66%) ainda não iniciou ou está apenas começando a elaborar&nbsp;planos de ação para enfrentar o calor extremo. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta quarta-feira (3) pela presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o&nbsp;Meio Ambiente (Pnuma).<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1692215&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1692215&amp;o=node"></p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento é parte da iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo (<em>Beat the Heat</em>), que integra a plataforma global Coalizão pelo Resfriamento&nbsp;(<em>Cool Coalition</em>). A iniciativa reúne atualmente 258 cidades em todo o mundo, incluindo 105 no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo divugado nesta quarta foi realizado em 53 cidades brasileiras e mostra sinais contraditórios.&nbsp;<strong>Apesar de 93% dos gestores classificarem o calor extremo como um problema relevante e 68% o colocarem entre os três principais desafios locais, o reconhecimento do risco ainda não se traduziu em capacidade de resposta efetiva</strong>. Há lacunas de dados, governança e financiamento para avançar na adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três quartos (75%)&nbsp;das cidades não utilizam dados de forma estruturada para apoiar decisões sobre o tema, enquanto 85% dependem de recursos externos para implementar medidas de adaptação. Apenas 42% possuem sistemas de informações geográficas para mapear riscos relacionados ao fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também aponta que as ações adotadas atualmente se concentram principalmente em soluções baseadas na natureza.&nbsp;<strong>Medidas como arborização urbana, criação de áreas sombreadas, parques, telhados verdes e restauração de áreas úmidas estão presentes em 77% dos municípios participantes</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em contrapartida, estratégias de resfriamento passivo em edificações e espaços urbanos, como ventilação cruzada, pavimentos permeáveis, isolamento térmico e uso de materiais refletivos, aparecem em apenas 21% ou menos das cidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra fragilidade identificada está nas compras públicas. Mais de 80% dos municípios ainda não desenvolveram critérios sustentáveis voltados ao resfriamento urbano, indicando que o tema permanece pouco incorporado às políticas estruturantes de gestão pública.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/PqG3Y524AlwcKUFOacs9YtjVWMU=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/_dsc4326.jpg?itok=WViNF6gA" alt="Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2023 – População enfrenta forte onda de calor no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil" title="Tomaz Silva/Agência Brasil"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">População enfrentou forte onda de calor no Rio de Janeiro em 2024. Foto:&nbsp;<strong>Tomaz Silva/Agência Brasil</strong></h6>



<h2 class="wp-block-heading">Ameaça crescente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores explicam que&nbsp;<strong>calor extremo não é apenas “um dia muito quente”, mas quando, por dois ou mais dias seguidos, o calor acumulado durante o dia não é dissipado à noite</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A temperatura é acumulada em um efeito “escada”, que pode ser percebido quando a casa não esfria ao anoitecer, o mormaço sobe do asfalto, o sono piora e a disposição desaparece. Corpos, edificações, sistemas de água, energia e agricultura deixam de se recuperar, e os riscos à saúde e ao funcionamento da cidade aumentam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os pesquisadores,&nbsp;<strong>o calor extremo deixou de ser apenas um desconforto sazonal para se tornar uma ameaça crescente à saúde pública</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Pnuma alerta que o fenômeno provoca cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo.&nbsp;<strong>No Brasil, entre 2000 e 2020, ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, número superior ao de fatalidades causadas por enxurradas e deslizamentos no mesmo período</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;CEO da COP30, Ana Toni, avalia que a adaptação a essa&nbsp;nova realidade demanda colaboração entre diferentes setores da sociedade e níveis de governo, com apoio nacional e internacional.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“O calor extremo é uma catástrofe a conta-gotas que deixa cidades, comunidades e territórios inabitáveis, forçando bilhões de pessoas a mudar suas rotinas. Estudantes perdem aulas, atletas alteram seus treinos e militares precisam mudar suas atividades, por exemplo&#8221;, destaca Ana Toni.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Criado em 2025, o Mutirão Contra o Calor Extremo busca apoiar municípios na elaboração de diagnósticos, planos de ação e estratégias de financiamento para ampliar a resiliência urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes pretendem desenvolver políticas municipais completas para o tema, enquanto 28% planejam implementar intervenções em áreas consideradas mais vulneráveis. A expectativa é que as ações beneficiem cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões de habitantes das cidades envolvidas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/sYdCF3WrJzfsIAp5pUj__LH-PhY=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2025/12/27/pint9944.jpg?itok=I0W3ay0z" alt="São Paulo (SP), 27/12/2025 - Pessoas na rua durante forte onda de calor. Operação Altas Temperaturas em São Paulo, devido ao forte calor na cidade. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil" title="Paulo Pinto/Agência Brasil"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Pessoas na rua durante forte onda de calor em São Paulo. Foto:&nbsp;<strong>Paulo Pinto/Agência Brasil</strong></h6>



<h2 class="wp-block-heading">Super El Niño</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A necessidade de acelerar essas iniciativas ganha ainda mais relevância diante da possibilidade de formação de um “Super El Niño” na segunda metade de 2026</strong>. As previsões foram corroboradas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fenômeno poderá intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, aumentar a frequência de ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agencia Brasil. &#8211; © Tomaz Silva/Agência Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“UMA BREVE HISTÓRIA DA IGREJA CATÓLICA EM IPIRÁ&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aFis_pujKJY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/maioria-das-cidades-do-brasil-nao-tem-plano-de-acao-para-calor-extremo/">Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>De inseticida a remédio, poluentes sintéticos contaminam praticamente todo o oceano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 03:24:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência Texto: Yasmin Constante* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 10 de maio de 2026 De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&#160;estudo&#160;publicado na revista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Mesmo em regiões muito distantes da costa, poluentes ainda são encontrados – especialmente compostos industriais, por apresentarem maior resistência</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Yasmin Constante*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 10 de maio de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">De venenos para matar insetos até fármacos, os produtos químicos têm chegado a pontos cada vez mais distantes nos ecossistemas marinhos. Um&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>&nbsp;publicado na revista científica&nbsp;<em>Nature Geoscience</em>&nbsp;avaliou a distribuição de compostos químicos de origem humana nestes espaços e demonstrou que eles estão presentes em praticamente todo o oceano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Poluentes comuns, como pesticidas e produtos farmacêuticos, foram detectados predominantemente em estuários e áreas costeiras, mas diminuíram com a distância da costa, enquanto substâncias químicas e aditivos industriais, incluindo polialquilenoglicóis, ftalatos e organofosforados, foram amplamente distribuídos pelos ecossistemas marinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho consistiu em uma metanálise, técnica estatística utilizada para integrar resultados de outras pesquisas. No total, 21 conjuntos de dados (incluindo 2315 amostras de água do mar de três bacias oceânicas e ambientes costeiros) foram avaliados. As análises mostraram que os compostos químicos estão ainda mais disseminados do que era esperado. Porém, a maior surpresa está na distância que podem atingir, chegando a quilômetros da costa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Praticamente não há lugar no oceano onde não exista a ‘mão’ humana, que não tenha um sinal químico de origem xenobiótica”, explica Bruno Costa, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Biociências (IB) da USP e coautor do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os compostos estudados foram divididos em três categorias: industriais, fármacos e pesticidas. Entre eles, os mais encontrados foram os com características xenobióticas industriais, que em sua maioria são derivadas de produtos petroquímicos e associados a materiais plásticos. Apesar de os poluentes serem amplamente disseminados, a maior parte ainda está nas proximidades de costas e estuários – pontos em que o rio e mar se encontram. Segundo Bruno Costa, a maior presença pode ser explicada pelo tratamento inadequado da água e pela alta disseminação desses produtos entre a sociedade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_bruno-300x300.jpg" alt="A imagem contém um homem, ele tem cabelo e barba escuros e usa jaleco" class="wp-image-1000212" style="width:166px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Bruno Ruiz Brandão da Costa &#8211; Foto: Lattes</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Impacto nos seres vivos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Além da análise oferecer um panorama amplo da presença de compostos antropogênicos em ambientes marinhos, ela demonstra também como eles podem impactar a matéria orgânica dissolvida (MOD), que é o conjunto de restos de seres vivos em corpos d’água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa compara a MOD com blocos construtores, explica seu caráter fundamental para os ecossistemas, servindo, por exemplo, de alimento para microrganismos. “Observamos que há uma contribuição considerável desses compostos de origem humana e a consequência ecológica disso nós ainda não sabemos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">As substâncias químicas, ao contrário de grandes detritos plásticos que flutuam, são dificilmente visualizadas. Esta lacuna pode ser preenchida pelo que é considerado um dos diferenciais da pesquisa: seu método de análise. Chamada de metabolômica não-alvo, a técnica é capaz de identificar todo o conjunto de moléculas de uma amostra sem um direcionamento específico, o que permite que diversos compostos sejam detectados. Bruno Costa aprendeu a realizar este tipo de abordagem durante doutorado-sanduíche realizado na University of California, Riverside (UCR).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir a avaliação adequada das amostras, era necessário que o processo de coleta ocorresse de forma uniforme. Por esse motivo, os pesquisadores utilizaram dados provenientes de laboratórios parceiros. A metodologia adotada permaneceu padronizada em todas as etapas, desde a extração — quando a água é purificada e os compostos de interesse são concentrados — até o procedimento empregado na análise inicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Feita em diferentes distâncias e profundidades, as coletas foram divididas por conjuntos, sendo eles: costeiro temperado, recife de coral e oceano aberto.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_mapa.jpg" alt="A imagem contém um mapa com os locais pesquisados" class="wp-image-1000217"/><figcaption class="wp-element-caption">Imagem apresenta os locais investigados e as suas classificações &#8211; Foto: Reprodução do artigo</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Principais tendências</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como os pesquisadores esperavam, quanto maior a distância da costa, menores são os sinais químicos de compostos de origem humana. Porém, mesmo em regiões muito distantes, eles ainda são encontrados, fato que causa preocupação. Costa explica que os compostos industriais foram os mais encontrados por apresentarem maior resistência e “navegarem” para locais mais distantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As avaliações indicam que, entre os sinais analíticos de mar aberto, a mediana de contribuição de origem humana na matéria orgânica dissolvida foi entre 0,5% e 4%. O número pode parecer baixo, mas é ele que indica que praticamente todo o oceano tem uma “pegada” humana, como se, em cada dia de vida do oceano, quase uma hora inteira fosse composta exclusivamente de vestígios da ação antrópica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260423_veneno.jpg" alt="A imagem contém uma ilustração de um veneno para insetos" class="wp-image-1000219"/><figcaption class="wp-element-caption">Quase 250 compostos de origem humana foram encontrados &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/ciencias/de-inseticida-a-remedio-poluentes-sinteticos-contaminam-praticamente-todo-o-oceano/----url----">Freepik</a></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A mediana em clima costeiro temperado ficou entre 0,5% e 9%, com valores mais altos para África do Sul e San Diego. Os dados para recifes de coral foram os que mais variaram. Tiveram, em alguns casos, medianas mais baixas, entre 2% e 8% e, em outros, medianas mais altas de até 20%, como foi o caso de Porto Rico. A maior mediana foi encontrada em regiões de estuários, em que o valor pode ultrapassar os 60% de carga química.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No total, 248 compostos de origem humana foram encontrados, o que representa 2% de todos os materiais detectados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Costa explica que esses valores não são as concentrações das substâncias. Para essa medição seria necessários procedimentos específicos para cada composto e não um método de análise não-alvo, como foi feita a pesquisa. “Por exemplo, 60% da contribuição dos sinais analíticos observados correspondiam à origem humana. Não é dizer que 60% da água do mar corresponde a esses compostos xenobióticos.”</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“A mensagem continua sendo a mesma: há uma grande contribuição desses compostos de origem humana na matéria orgânica dissolvida no mar”</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O pesquisador destaca que o artigo acende um sinal de alerta para a necessidade de novos monitoramentos. Além disso, demonstra a necessidade de maior fiscalização para crimes ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Widespread presence of anthropogenic compounds in marine dissolved organic matter</em>&nbsp;está disponível neste&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41561-026-01928-z" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail bruno.ruiz.costa@usp.br, com Bruno Costa</p>



<p class="wp-block-paragraph">*<em>Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / O tratamento inadequado e a alta disseminação de produtos químicos podem explicar a poluição marinha – Foto: <a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/seascape-fantastico-com-ondulacoes_977674.htm#fromView=search&amp;page=1&amp;position=4&amp;uuid=131601b0-1023-4b26-b67c-43a8a582f276&amp;query=oceano">Freepik</a><br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="População cobra mais uma vez uma solução relacionado ao alagamento crônico da rua Riachuelo" width="540" height="960" src="https://www.youtube.com/embed/hyZ-fSvRM2s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/de-inseticida-a-remedio-poluentes-sinteticos-contaminam-praticamente-todo-o-oceano/">De inseticida a remédio, poluentes sintéticos contaminam praticamente todo o oceano</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Desequilíbrio energético do planeta já garante impactos para as próximas décadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 04:10:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ações imediatas podem amenizar os problemas causados pelo acúmulo de calor, que já afeta a agricultura, o clima e a geração de energia no País Por Luis Martins* &#8211; Domingo, 3 de maio de 2026 Aúltima década, já considerada a mais quente registrada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), revela mais que o aumento das temperaturas globais. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Ações imediatas podem amenizar os problemas causados pelo acúmulo de calor, que já afeta a agricultura, o clima e a geração de energia no País</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2026/05/DESGASTE-ENERGETICO-PLANETA-LUIS-MARTINS.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption">Radio USP</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Por <a href="https://jornal.usp.br/author/luismartins/">Luis Martins*</a> &#8211; Domingo, 3 de maio de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aúltima década, já considerada a mais quente registrada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), revela mais que o aumento das temperaturas globais. Evidencia um constante e crescente desequilíbrio energético do planeta, fenômeno que ocorre quando há uma diferença entre a quantidade de energia solar que a Terra recebe e a que consegue devolver ao espaço, fazendo com que o sistema climático passe a acumular calor. É o que explica o professor Tomas Domingues, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, ao detalhar o funcionamento do desequilíbrio energético e os fatores que contribuem para o aumento desse processo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_998739"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/04/20260416_tomas-domingues-300x300.jpg" alt="Homem de aparência adulta, com cabelo curto e escuro levemente grisalho nas laterais, pele clara, sobrancelhas marcadas e expressão neutra." class="wp-image-998739" style="width:148px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Tomas Domingues – Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“O desequilíbrio energético significa que parte da energia que chega do Sol à Terra não retorna ao espaço, causando acúmulo de calor e tornando o planeta mais quente. Esse desequilíbrio está ligado ao aumento do efeito estufa provocado pelas atividades humanas, como a queima de combustíveis e a conversão de áreas florestadas em pastagens e agricultura.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados da OMM deste ano indicam que o planeta atingiu cerca de 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, aproximando-se do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. No Brasil, esse desequilíbrio já se reflete em mudanças perceptíveis no clima. Segundo Domingues, o aumento de energia acumulada no sistema climático tem provocado elevação gradual das temperaturas médias e alterações nos padrões climáticos observados historicamente, impactos que podem perdurar por várias décadas e até centenas de anos. Entre eles estão o aumento contínuo das temperaturas em praticamente todas as regiões do País e mudanças no comportamento das chuvas e dos eventos extremos. “No Brasil, esse desequilíbrio não foge do que acontece no resto do mundo e causa um aumento das temperaturas médias, tanto de dia quanto de noite. Com mais energia no sistema climático esses padrões passam a fugir da média histórica e eventos extremos, como ondas de calor, secas e enchentes passam a ocorrer com mais frequência.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário não preocupa somente em relação ao clima, mas também sobre a geração de energia e a segurança hídrica no Brasil. Dependente majoritariamente de usinas hidrelétricas, o País pode enfrentar maior instabilidade no abastecimento energético à medida que mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de seca afetam o volume de água nos reservatórios. Grande parte da eletricidade brasileira é produzida a partir de água armazenada em lagos artificiais, que permitem regular a vazão dos rios e garantir a geração de energia ao longo do tempo.&nbsp;No entanto, a diminuição das chuvas e o envelhecimento dessas estruturas podem diminuir sua capacidade de armazenamento, já que muitos reservatórios acumulam sedimentos ao longo das décadas. “Com a mudança nos padrões climáticos, vêm ocorrendo estiagens ou secas prolongadas, o que diminui a reposição de água nos reservatórios criados para armazenar esse recurso. Isso torna mais difícil o planejamento de como utilizar essa água para gerar energia elétrica”, explica Domingues.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Agricultura</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos das mudanças no sistema climático não afetam somente a geração de energia e a segurança hídrica, um dos mais afetados é a agricultura. A produção agrícola do País é fortemente baseada em&nbsp;<em>commodities</em>&nbsp;como soja e milho, dependendo de condições climáticas relativamente estáveis para manter seus ciclos produtivos. De acordo com Domingues, as lavouras são especialmente vulneráveis às alterações no regime de chuvas e às secas cada vez mais frequentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As plantas são muito sensíveis às condições climáticas e vulneráveis às secas extremas que vêm acontecendo. Na região central do Brasil, que concentra grande parte da produção de soja e milho, o período de crescimento dessas culturas coincide com a estação chuvosa. Se esse período de chuvas ficar mais curto, isso cria uma incerteza muito grande para a produção agrícola”, explica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O professor acrescenta que uma possível redução na duração da estação chuvosa pode obrigar produtores a rever o modelo de plantio adotado atualmente. “Hoje muitos agricultores conseguem plantar soja e depois milho na mesma área, em sequência. Mas, com menos disponibilidade de água, alguns produtores podem ter que escolher apenas uma das culturas.” Essa escolha pode trazer impactos econômicos para o setor, já que o sistema de duas safras permite maior aproveitamento da terra e aumento da produtividade. A diminuição da produção pode resultar em prejuízos para os produtores e afetar a cadeia do agronegócio.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Papel da sociedade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A situação climática atual é motivo de preocupação. A comunidade científica já aponta o consenso de que o agravamento das mudanças climáticas e de seus impactos pode se estender por gerações. Ainda assim, Domingues afirma que, embora parte dos impactos já esteja em curso e possa se estender por décadas, ou até séculos, ações imediatas são essenciais para reduzir os danos e evitar que o cenário se agrave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ações agora são fundamentais para diminuir esse impacto negativo. Alguns impactos já são inevitáveis, mas precisamos adaptar nossas ações a um futuro mais incerto, o que exige planejamento e investimento. Não podemos manter a impressão de que já está tudo perdido.” Enfrentar esse desequilíbrio exige ações coordenadas entre governos, empresas e sociedade, diante dos impactos que já afetam setores como energia, agricultura, disponibilidade de água e até a saúde da população.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiário sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / <em>Com aquecimento de 1,43 °C, mudanças climáticas já alteram regime de chuvas, elevam temperaturas e pressionam setores estratégicos no País Foto: </em><a href="https://pixabay.com/pt/illustrations/economize-energia-economia-de-energia-7382275/">Rosy / Bad Homburg / Germany – Pixabay</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="SECULT, UPB E A TERRITORIALIZAÇÃO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Vxqy4v3yTsk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/desequilibrio-energetico-do-planeta-ja-garante-impactos-para-as-proximas-decadas/">Desequilíbrio energético do planeta já garante impactos para as próximas décadas</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Gás carbônico é transformado em energia limpa com o uso de luz solar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 03:52:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Equipamento usa luz solar para ativar reações químicas que convertem o CO₂ em combustíveis como metanol e etanol, além de gerar eletricidade Domingo, 3 de maio de 2026 Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete mudar a forma como lidamos com um dos maiores desafios ambientais da atualidade: o excesso de gás carbônico (CO₂) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Equipamento usa luz solar para ativar reações químicas que convertem o CO₂ em combustíveis como metanol e etanol, além de gerar eletricidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 3 de maio de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete mudar a forma como lidamos com um dos maiores desafios ambientais da atualidade: o excesso de gás carbônico (CO₂) na atmosfera. O novo sistema é capaz de transformar esse poluente em energia elétrica e em combustíveis renováveis usando apenas a luz do sol.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa é descrita em&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsaem.5c03695" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;publicado na revista cientifica internacional&nbsp;<em>Applied Energy Materials</em>. Na prática, o equipamento funciona como uma “usina solar inteligente”. Ao ser exposto à luz, ele ativa reações químicas que convertem o CO₂ em substâncias úteis, como etanol e metanol, combustíveis que podem ser utilizados no dia a dia. Ao mesmo tempo, o processo também gera eletricidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Esta tecnologia representa um avanço importante na forma como pensamos a energia e o meio ambiente. Estamos mostrando que é possível transformar um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global em produtos úteis, como combustíveis e eletricidade, usando apenas a luz solar”, afirma o professor Renato Vitalino Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, um dos autores do trabalho. “Além disso, um dos principais avanços da pesquisa está na simplificação do sistema, que dispensa o uso de membranas e opera nas condições do ambiente, o que reduz custos e facilita futuras aplicações.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Foi possível integrar, em um único dispositivo, a conversão do&nbsp;CO₂&nbsp;e a geração de energia elétrica, demonstrando uma abordagem eficiente e mais próxima de soluções tecnológicas viáveis”, relata o professor. “Esse tipo de desenvolvimento é fundamental para transformar conhecimento científico em aplicações reais, com potencial de impacto na transição energética.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Natureza como inspiração</h2>



<p class="wp-block-paragraph">“O que desenvolvemos é, essencialmente, uma tecnologia inspirada na natureza”, destaca o professor Heberton Wender, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que também é autor do estudo. Ele acrescenta que, assim como a fotossíntese natural utiliza a luz do sol para converter&nbsp;CO₂&nbsp;em compostos energéticos, o sistema desenvolvido também aproveita a energia solar para transformar esse gás em combustíveis renováveis e, ao mesmo tempo, gerar eletricidade. “A diferença é que fazemos isso de forma artificial e direcionada, produzindo moléculas de interesse energético, como etanol e metanol.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A tecnologia desenvolvida tem um paralelo importante com as células solares convencionais. Enquanto os painéis fotovoltaicos convertem a luz do sol diretamente em eletricidade, o nosso dispositivo vai além: ele combina essa geração elétrica com a conversão química do&nbsp;CO₂&nbsp;, armazenando energia na forma de combustíveis”, destaca o professor da UFMS. “Isso amplia o uso da energia solar, permitindo gerar eletricidade e produzir combustíveis limpos, contribuindo diretamente para mitigação das mudanças climáticas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os especialistas ressaltam que, com mais investimentos e aprimoramentos, soluções como esta podem desempenhar um papel fundamental no combate às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que promovem desenvolvimento econômico e melhor qualidade de vida para a população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais benefícios será a redução da poluição do ar. Ao reaproveitar o gás carbônico, a tecnologia ajuda a diminuir a concentração de gases que contribuem para o aquecimento global. Outro ponto importante é a produção de energia limpa e renovável.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Impacto econômico</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao transformar um poluente em produtos úteis, a tecnologia abre espaço para a criação de novos mercados e oportunidades de negócios em energia e sustentabilidade. Além disso, sistemas mais simples, que dispensam componentes caros, podem facilitar a adoção em países em desenvolvimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro benefício é a possibilidade de geração descentralizada de energia. Em vez de depender apenas de grandes usinas, comunidades, empresas e até residências poderiam, no futuro, produzir sua própria energia e combustíveis, utilizando o sol e o CO₂ disponível no ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema também se destaca por funcionar em condições comuns, sem necessidade de altas temperaturas ou pressões, o que reduz custos e torna sua aplicação mais viável. Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, a tecnologia representa um passo importante ao unir geração elétrica e reaproveitamento de poluentes, apontando para um futuro em que resíduos podem se tornar recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assinam este&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsaem.5c03695" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>&nbsp;os pesquisadores: Bárbara Sá e Márcio Pereira, do Instituto de Ciências, Engenharia e Tecnologia da Universidade Federal do Vale de Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Luiz Felipe Plaça, Maximiliano Zapata e Cauê Martins, do Instituto de Física (IF) e Glaucia Alcantara, do Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); André Luís de Jesus Pereira, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos; Mohammed Bajiri, Niqab Khan e Renato Vitalino Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP; e Heberton Wender, do Instituto de Física (IF) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Esta pesquisa contou com os apoios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNpQ) e Fundação de Apoio ao Desenvolvimento de Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Texto: Rui Sintra, da Assessoria de Comunicação do IFSC. Adaptado para o&nbsp;</em><strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;<em>por&nbsp;Júlio Bernardes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Inspirado na fotossíntese, que usa a luz do sol para converter CO₂ em compostos energéticos, sistema aproveita a energia solar para transformar o gás em combustíveis renováveis e eletricidade – Foto: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mighty_Sun_(51777832).jpeg">Rakshit Pandey/Wikimedia Commons</a></p>



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</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/gas-carbonico-e-transformado-em-energia-limpa-com-o-uso-de-luz-solar/">Gás carbônico é transformado em energia limpa com o uso de luz solar</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Governo investe R$ 132 milhões em regularização fundiária na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 01:37:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acordo levará assistência técnica e extensão rural a 48 municípios Luciano Nascimento &#8211; Repórter da Agência Brasil &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026 O governo federal e a&#160;Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) formalizaram contratos para desenvolver ações de regularização fundiária e assistência técnica para atender mais de sete mil famílias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Acordo levará assistência técnica e extensão rural a 48 municípios</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Luciano Nascimento &#8211; Repórter da Agência Brasil</strong> &#8211; Segunda, 6 de abril de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O governo federal e a&nbsp;Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) formalizaram contratos para desenvolver ações de regularização fundiária e assistência técnica para atender mais de sete mil famílias e auxiliar no controle do desmatamento na Amazônia Legal.&nbsp;</strong><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1684939&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1684939&amp;o=node"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a assinatura de&nbsp;14 entidades prestadoras de serviços, os contratos&nbsp;somam aproximadamente R$ 132 milhões e&nbsp;fazem parte do Programa União com Municípios,</p>



<p class="wp-block-paragraph">O programa é dividido em três ciclos,&nbsp;coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Anater.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O projeto prioriza pequenas propriedades rurais – imóveis com até quatro módulos fiscais – localizadas em assentamentos ou áreas de glebas públicas federais sem destinação.&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A primeira etapa será realizada nos 48 pontos prioritários para controle do desmatamento nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima e prevê a regularização de 2,3 milhões de hectares</strong>, para&nbsp;<strong>atender as cerca de 7,3 mil famílias de agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais ainda sem destinação ou assentados do Incra.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Edital</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pelo cronograma, em abril começa o processo de formação das equipes, a assinatura das ordens de serviço com cada uma das 14 entidades vencedoras. Entre as ações iniciais estão a identificação e visita aos agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas em diálogo entre os parceiros.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida o início do trabalho de campo com as famílias que serão atendidas. As equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e de sistemas agroflorestais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa mira na garantia da propriedade da terra e na inclusão produtiva na Amazônia. Além da regularização ambiental e fundiária, o programa também foca no apoio à Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o edital do projeto, também será oferecida assistência técnica, fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável, mantendo a floresta em pé.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa região, marcada por uma multiplicidade de atores, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação, demanda estratégias de atuação que considerem as especificidades locais, os conflitos pelo uso do solo, a regularização fundiária e as diferentes formas de apropriação e valorização dos recursos naturais”, diz o edital do programa.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ao final do terceiro ciclo, a expectativa é que o processo de regularização fundiária alcance 9,5 milhões de hectares, uma área equivale ao estado de Santa Catarina. A meta é fazer a regularização completa de cerca de 30 mil famílias.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Criado por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro de 2023, o Programa União com Municípios definiu, com base em dados oficiais, 81 municípios prioritários para o controle do desmatamento e da degradação florestal na Amazônia. Desses, 70 aderiram ao programa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o desenvolvimento das ações, estão previstos investimentos de cerca de R$ 815 milhões, provenientes do Fundo Amazônia/BNDES, do Projeto Floresta+ Amazônia — implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) —, além de recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF), do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA/MMA) e do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (FDD/MJSP).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agencia Brasil / © Marcelo Camargo/Agência Brasil</p>



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<iframe title="ELEIÇÕES BRASILEIRA 2026" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/DOOb1GDs5sY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Experimentos indicam que agrotóxicos e fertilizantes desequilibram ecossistemas aquáticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Apr 2026 18:12:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[agrotoxico]]></category>
		<category><![CDATA[contaminantes]]></category>
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		<category><![CDATA[fertilizantes]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Contaminantes provocaram desaparecimento de predadores e interferiram em papeis ecológicos de organismos aquáticos Texto: Ivanir FerreiraArte: Leonor T. Shiroma Domingo, 5 de abril de 2026 Em meio à expansão do setor sucroenergético brasileiro que demanda uso intensivo de defensivos agrícolas, pesquisa da USP alerta para os impactos desses contaminantes na base da cadeia alimentar aquática, [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/experimentos-indicam-que-agrotoxicos-e-fertilizantes-desequilibram-ecossistemas-aquaticos/">Experimentos indicam que agrotóxicos e fertilizantes desequilibram ecossistemas aquáticos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Contaminantes provocaram desaparecimento de predadores e interferiram em papeis ecológicos de organismos aquáticos</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Ivanir Ferreira<br>Arte: Leonor T. Shiroma</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 5 de abril de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio à expansão do setor sucroenergético brasileiro que demanda uso intensivo de defensivos agrícolas, pesquisa da USP alerta para os impactos desses contaminantes na base da cadeia alimentar aquática, com efeitos indiretos sobre peixes e outros predadores. O estudo mostra que os macroinvertebrados bentônicos — como larvas de insetos, moluscos e minhocas — estão entre os organismos mais sensíveis às substâncias. A aplicação isolada ou combinada do inseticida fipronil e do herbicida 2,4-D (herbicida), além da vinhaça — resíduo líquido da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar —, levou ao desaparecimento de predadores e a desequilíbrios ecossistêmicos. A contaminação comprometeu funções essenciais desempenhadas por esses organismos, como a decomposição da matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e o controle populacional de espécies.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A coleta e a análise das amostras de água, assim como o monitoramento dos macroinvertebrados, foram realizados em tanques experimentais (mesocosmos) instalados a céu aberto, próximos a áreas agrícolas no município de Itirapina (SP), onde a cana-de-açúcar é a principal atividade econômica. As observações ocorreram 7, 14, 28, 75 e 150 dias após a exposição aos contaminantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados foram publicados no artigo científico<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166445X26000202?via%3Dihub" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Impacts of pesticides and vinasse on the composition and functional diversity of aquatic macroinvertebrates exposed in a mesocosm system</a>, assinado, entre outros autores, pela professora Raquel Aparecida Moreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, e pelo pesquisador Thandy Junio da Silva Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Mesocosmo-montagem.jpg" alt="Montagem de imagens de tanque de água turva e poluida, contendo insetos, caramujos e invertebrados boiando na superfícei." class="wp-image-986027"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Macroinvertebrados – Larvas, insetos, moluscos e minhocas afetados pelos poluentes – Foto: Allan Pretti Ogura</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vinhaça</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Raquel-Moreira.jpg" alt="Imagem de uma mulher branca de cabelos pretos e longos. Sorri e veste uma blusa branca. Fundo, campo de flores." class="wp-image-986031" style="width:146px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Raquel Aparecida Moreira, FZEA/ USP &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A professora Raquel destaca que os resultados confirmaram a toxicidade da vinhaça e seu elevado potencial de impacto ambiental, especialmente quando aplicada em conjunto com agrotóxicos, prática comum na agricultura brasileira. Segundo a pesquisadora, a vinhaça é um resíduo líquido da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e é utilizada como fertilizante, por [td1.1]fertirrigação. O produto apresenta altas concentrações de nutrientes, como potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É justamente a elevada carga de nutrientes e de matéria orgânica que compromete o ecossistema aquático”, relata. A vinhaça analisada apresentou Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 46.500 miligramas por litro e Demanda Química de Oxigênio (DQO) de 107.000 miligramas por litro — indicadores de grande quantidade de matéria orgânica e alto consumo de oxigênio na água.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A redução do oxigênio pode ter consequências graves. Se os níveis caem muito, peixes e outros organismos aquáticos podem morrer por asfixia. Por isso, a DBO é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da água e o grau de poluição de rios e lagoas”, explica Raquel.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312_mesocosmo6.jpg" alt="Imagem de vários tanques de águas instalados em uma área rural para monitoramento da qualidade da água e dos macroinvertebrados que vivem no ambiente aquático" class="wp-image-986914"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Visão geral dos mesocosmos instalados próximos a áreas agrícolas – Foto: Allan Pretti Ogura</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contaminação por fertilizantes e agrotóxicos potencializa efeitos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Thandy da Silva Pinto- afirma que, nas amostras em que a vinhaça foi aplicada junto aos agrotóxicos, houve prolongamento da permanência do fipronil na água e aceleração da degradação do 2,4-D em subprodutos (metabólitos) que, segundo o pesquisador podem ser tão ou mais tóxicos que a molécula original.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o pesquisador, essas alterações químicas tiveram impacto direto sobre a fauna aquática. “Na prática, o ecossistema deixa de funcionar de forma equilibrada, mesmo que nem todas as espécies desapareçam”, diz. Nos tanques contaminados com 2,4-D, foi registrado aumento de organismos conhecidos como coletores-catadores — que se alimentam de partículas orgânicas — e redução acentuada de raspadores, grupo essencial no controle de algas, sobretudo na amostragem realizada aos 75 dias.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/03/20260312-Thandy-300x300.jpg" alt="Homem branco, cabelos e olhos castanhos, usa jaleco branco e camiseta azul." class="wp-image-986032" style="width:148px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Thandy Junio da Silva Pinto, Unicamp &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O fipronil foi o contaminante mais tóxico. Nas amostras contaminadas com inseticida, os pesquisadores observaram ausência total de predadores após a exposição. O mesmo ocorreu quando os dois agrotóxicos foram aplicados em conjunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já nos ambientes com aplicação exclusiva de vinhaça, houve predominância de predadores e redução de coletores-catadores. Quando a vinhaça e os agrotóxicoss foram utilizados simultaneamente, os coletores-catadores permaneceram até o sétimo dia, mas posteriormente foram registradas mudanças significativas na composição dos grupos funcionais, evidenciando o efeito combinado dos poluentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores destacam que os resultados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de critérios mais rigorosos para o uso combinado de agrotóxicos e fertilizantes em áreas próximas a corpos d’água. Segundo eles, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para reduzir os riscos de contaminação e evitar impactos duradouros sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: Raquel Aparecida Moreira, raquelmoreira@usp.br e Thandy Junio da Silva Pinto, thandyjuniosilva@gmail.com</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



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