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	<title>CITY RURAL |</title>
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	<title>CITY RURAL |</title>
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		<title>Sistema produz mapeamento de áreas urbanas mais resilientes a inundações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2026 19:47:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Método permite identificar áreas mais impactadas pelas inundações e poderá servir de base para gestores planejarem ações preventivas Texto: Júlio Bernardes / Arte: Simone Gomes &#8211; Domingo, 13 de setembro de 2026 Pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveram um novo método para avaliar o impacto das inundações nas bacias dos rios que atravessam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Método permite identificar áreas mais impactadas pelas inundações e poderá servir de base para gestores planejarem ações preventivas</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Júlio Bernardes / Arte: Simone Gomes &#8211; Domingo, 13 de setembro de 2026</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveram um novo método para avaliar o impacto das inundações nas bacias dos rios que atravessam as cidades. A partir de dados sobre a velocidade e a extensão das cheias, das vias da região, densidade populacional, renda e vulnerabilidade social, o sistema permite a identificação e o mapeamento das áreas com maiores impactos de correntes das enchentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultados do&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1016/j.ejrh.2026.103589" target="_blank" rel="noreferrer noopener">estudo</a>, descritos na revista científica&nbsp;<em>Journal of Hydrology: Regional Studies</em>, poderão auxiliar na tomada de decisões sobre investimentos na prevenção de inundações. “A pesquisa propõe e testa uma abordagem diferente para avaliar a resiliência de bacias hidrográficas urbanizadas, considerando o comportamento das tormentas no espaço. Ou seja, como se distribuem na bacia e no tempo; a variação da intensidade ao longo do evento”, declara ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;o professor José Rodolfo Scarati Martins, da Poli, coordenador da pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Isto é importante porque a técnica mais frequente empregada quando se faz o diagnóstico do sistema de drenagem de uma bacia urbana é a consideração da curva uniformemente distribuída na bacia e um comportamento padronizado ao longo do tempo”, destaca Martins. “Na realidade, em bacias maiores do que dois quilômetros quadrados (km²) a chuva varia bastante de um local para outro e ao longo do tempo. Isto quer dizer que temos ‘chuvas’ diferentes em diferentes porções da bacia, que podem causar impactos mais severos que os estimados pelos métodos mais tradicionais.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa analisou a bacia do Ribeirão dos Meninos, que faz parte da bacia do Rio Tamanduateí, percorrendo o município de São Paulo e as cidades de São Caetano do Sul, Santo André e São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana. “Esta bacia registra anualmente diversos episódios de inundações”, ressalta o professor. “Ela é considerada complexa, pois além da alta taxa de urbanização, foram feitos muitos investimentos em canalizações, construção de reservatórios de detenção e outras medidas de mitigação destes impactos.”</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/20280902_mapa-.jpg"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/20280902_mapa-.jpg" alt="Mapas ilustrando a locação, topografia e divisões da bacia do Ribeirão dos Meninos, e a classificação por cores da resiliência a inundações calculada em 15 períodos de chuvas" class="wp-image-1048797"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapas extraidos do artigo.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/20280902_mapa2.jpg"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/09/20280902_mapa2.jpg" alt="Mapas ilustrando a locação, topografia e divisões da bacia do Ribeirão dos Meninos, e a classificação por cores da resiliência a inundações calculada em 15 períodos de chuvas" class="wp-image-1048799"/></a><figcaption class="wp-element-caption">Mapas extraidos do artigo.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na imagem acima, localização, relevo e subdivisões da bacia hidrográfica do Ribeirão dos Meninos, nos municípios de São Paulo, São Caetano do Sul, Santo André e São Bernardo do Campo; abaixo, classificação das áreas da bacia segundo o Índice de Resiliência a Inundações Urbanas (UFRI) em 15 eventos de chuva diferentes, com menor resiliência nas áreas em vermelho e maior nas assinaladas em azul – Mapas extraídos do artigo</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resiliência a inundações</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para avaliar a resiliência a inundações urbanas, foram selecionados indicadores com base nos dados disponíveis sobre itens como densidade populacional, renda <em>per capita</em>, vulnerabilidade social, hierarquia viária, profundidade da inundação, velocidade da inundação e extensão da área inundada. “Destacamos principalmente os fatores que levam em conta impactos sobre as pessoas, como a vulnerabilidade social, que se constitui um elemento central da resiliência social, pois expressa a capacidade dos grupos populacionais de resistir, responder e se recuperar dos impactos”, explica Martins.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A renda <em>per capita</em> integra a dimensão econômica da resiliência, indicando o potencial de investimento, preparação e recuperação pós-evento”, enfatiza o professor. “O que fazemos é uma média ponderada de cada um destes fatores até chegar em uma nota de 0 a 1,00.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, os pesquisadores elaboraram mapas delimitando as áreas que seriam inundadas por eventos severos sintéticos baseados no comportamento das chuvas reais, registradas na bacia pelas estações do Laboratório de Hidráulica da Poli. “Estes mapas são cruzados com os indicadores mencionados anteriormente, produzindo um grau de severidade diferente para cada região e cada evento”, observa Martins. “Pelo código de cores aplicado nos mapas, foi possível identificar que algumas regiões da bacia apresentam menor resiliência em vários eventos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa aponta que a resiliência apresentou variabilidade significativa, entre 0,27 e 0,84. Áreas mais altas, próximas à nascente (a montante) do ribeirão exibiram resiliência mais elevada e estável, enquanto regiões distantes (a jusante) mostraram-se mais sensíveis a tempestades concentradas. Algumas sub-bacias a montante apresentaram reduções na resiliência dependentes do evento, revelando vulnerabilidades ocultas que não seriam detectadas por abordagens que consideram chuvas uniformes. Chuvas espacialmente concentradas e concentradas no tempo reduzem a resiliência, enquanto padrões de chuva mais uniformes geraram respostas mais equilibradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o professor, a tomada de decisões sobre investimentos é sempre um problema complexo, que pode ser apoiado por um conjunto de ferramentas para dar suporte. “Os resultados deste trabalho poderão, por exemplo, auxiliar na priorização de investimentos, localização de sistemas de aviso e alerta para reduzir impactos, preparo de ações de emergência e outros.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi desenvolvida pelo no Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil, no Laboratório de Hidráulica do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli, pelo Mestrando Luiz Filipe Rodrigues Moreira, orientado pelo professor José Rodolfo Scarati Martins, e com apoio da equipe de monitoramento hidrometeorológico do laboratório. O estudo é descrito no&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1016/j.ejrh.2026.103589" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;<em>Analysis of the effects of the spatiotemporal distribution of intense rainfall on flood resilience in urban catchments</em>, publicado no <em>Journal of Hydrology: Regional Studies</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: scarati@usp.br, com o professor José Rodolfo Scarati Martins</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: JOrnal USP / Método considera fatores que impactam população, como a vulnerabilidade social, elemento central da resiliência social, pois expressa capacidade de resistir, responder e se recuperar dos impactos das cheias –  Foto: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribeirao-dos-Meninos.jpg">Rogerio Cisi – Wikimedia</a> </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="OS MITOS E AS VERDADES NOA DISCURSOS POLÍTICO SOBRE O NORDESTE" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/gm0U-KDycmU?start=778&amp;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Amazônia tem mais de 2,7 mil espécies de peixes, aponta estudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 14:22:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Número representa 15% de todas as espécies conhecidas no mundo Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil &#8211; Terça, 8 de setembro de 2026 A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo.&#160;Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Número representa 15% de todas as espécies conhecidas no mundo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael Cardoso &#8211; Repórter da Agência Brasil &#8211; Terça, 8 de setembro de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo.</strong>&nbsp;<strong>Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região.</strong>&nbsp;Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1701786&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1701786&amp;o=node"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram.&nbsp;A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”,&nbsp;disse Fernanda.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional.</strong>&nbsp;A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Peixes ajudam a manter a floresta</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres. A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Biodiversidade sob pressão</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/UEfuN_s9A01oCWUNJ0QvPODZJjs=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/05/29/dji_20260514133627_0225_d_55280831068_o.jpg?itok=AYrc4MzE" alt="14/05/2026 - Belterra - Floresta 
Nacional do Tapajós - Pará - Na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta 
Nacional do Tapajós, Elton Vasconcelos criou um 
negócio que une culinária regional, turismo de 
experiência e desenvolvimento comunitário.
A Casa do Eltom virou referência para visitantes que 
buscam viver a Amazônia real: sabores locais, trilhas, 
hospitalidade e conexão com a floresta. E é exemplo 
vivo do turismo de base comunitária.
O empreendimento agora amplia sua atuação com 
passeios turísticos e hospedagem, incluindo a 
implantação de chalés após conseguir aporte de R$ 
200 mil de investidores e alta demanda já na fase 
inicial. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil" title="Rafa Neddermeyer/Agência Brasil"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Belterra &#8211; Floresta Nacional do Tapajós&nbsp; &#8211;&nbsp;<strong>Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as espécies amazônicas.</strong>&nbsp;A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores do que os atualmente conhecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões importantes, como as cabeceiras do Madeira.</strong>&nbsp;Secas prolongadas podem prejudicar a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas adaptadas a águas frias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O garimpo acrescenta outra pressão.</strong>&nbsp;Segundo dados reunidos no estudo, a mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Peixe e segurança alimentar</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/y7Km23GSD6ULI2VD8KkpyGCpQUA=/754x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2026/03/19/peixes_contaminados_trazem_riscos_a_saude_de_ribeirinhos_na_amazonia01.jpg?itok=SPGOshuT" alt="Brasília (DF),  19/03/2026 - Peixes contaminados trazem riscos à saúde de ribeirinhos na Amazônia.
Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace" title="Nayara Jinknss/Greenpeace"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">pesca também movimenta a economia regional e impacta segurança alimentar das populações. Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace &#8211;&nbsp;<strong>Nayara Jinknss/Greenpeace</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas.<strong>&nbsp;Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa por dia.</strong>&nbsp;O peixe está entre as fontes de proteína animal mais acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento e a saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes etapas da cadeia e em associações comunitárias.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conhecimento indígena</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, além de &#8220;respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca</strong>&nbsp;no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de espécies, além de benefícios econômicos e sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero,&nbsp;a conservação traz benefícios para diferentes setores.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte:Agencia Brasil / © Ilustração TNC</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“ I FESTIVAL DE CINEMA DA BACIA DO JACUIPE “" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/b7kd61eebMQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>
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		<item>
		<title>Combinação de fertilizante mineral com aditivo biológico melhora desenvolvimento de cultivos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 12:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[aditivo biologico]]></category>
		<category><![CDATA[combinacao]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo avaliou os efeitos no solo da aplicação de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico, buscando mais sustentabilidade nas lavouras Texto: Caio Albuquerque* &#8211; Arte: Livia Bortoletto** Segunda, 31 de agosto de 2026 Pesquisadores do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Estudo avaliou os efeitos no solo da aplicação de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico, buscando mais sustentabilidade nas lavouras</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Caio Albuquerque* &#8211; Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segunda, 31 de agosto de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, avaliaram o efeito no solo da aplicação de um fertilizante mineral associado a um aditivo biológico. Os experimentos mostraram que o tratamento melhora o desenvolvimento das plantas, especialmente em solo sob rotação de culturas, com incrementos na altura, na biomassa e nos teores de fósforo e enxofre, favorecendo também atributos biológicos do solo, como a atividade microbiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desenvolvido pela bióloga Paloma Barros Dias, com orientação do professor Fernando Dini Andreote, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, o estudo considera a necessidade de desenvolver estratégias agrícolas mais sustentáveis frente aos desafios globais relacionados à produção de alimentos e à conservação ambiental. “Embora os fertilizantes minerais sejam fundamentais para a produtividade agrícola, seu uso intensivo pode impactar negativamente a biodiversidade microbiana e comprometer funções ecológicas essenciais do solo, como decomposição de matéria orgânica, supressão de patógenos e fixação biológica de nitrogênio”, afirma a pesquisadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurando preencher as lacunas sobre como esses produtos influenciam as comunidades microbianas e a funcionalidade ecológica do solo em diferentes condições de manejo e níveis de biodiversidade, o estudo desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Solo da Esalq foi dividido em dois experimentos principais conduzidos com a cultura do milho por 45 dias em casa de vegetação. No primeiro experimento, foram utilizados solos com diferentes históricos de manejo: mata nativa, pastagem, rotação de culturas e manejo convencional para avaliar como comunidades microbianas distintas respondem à aplicação do fertilizante mineral convencional e do fertilizante associado ao aditivo biológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo experimento, foram selecionados dois solos contrastantes do experimento 1 (convencional e mata nativa) onde foi aplicada a metodologia de “diluição para extinção”, técnica que reduz gradualmente a biodiversidade microbiana do solo. “Essa abordagem permitiu investigar como diferentes níveis de diversidade influenciam a funcionalidade do solo e a resposta das plantas aos tratamentos”, explica a bióloga. “As análises incluíram avaliações agronômicas, químicas, microbiológicas e moleculares, com destaque para o sequenciamento das comunidades bacterianas e fúngicas do solo (16S rRNA e ITS), além de análises ecológicas, Random Forest e redes microbianas para compreender as interações entre os microrganismos.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Melhor desenvolvimento das plantas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram que o histórico de uso e manejo do solo influenciou fortemente os atributos químicos e biológicos do solo, a estrutura das comunidades microbianas e a resposta das plantas aos fertilizantes. “Solos mais conservados, como mata nativa e rotação de culturas, apresentaram maior diversidade microbiana, maior atividade biológica e respostas mais positivas aos tratamentos em comparação aos solos de pastagem e manejo convencional”, apontou Paloma Barros Dias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a aplicação do fertilizante mineral, associado ao aditivo biológico, promoveu melhorias no desenvolvimento das plantas, especialmente em solo sob rotação de culturas, com incrementos de até 14,5% na biomassa da parte aérea, 7,15% na altura das plantas e aumentos nos teores de fósforo e enxofre. “Os tratamentos também favoreceram atributos biológicos do solo, como atividade enzimática, atividade microbiana e maior conectividade das redes ecológicas”, ressalta a bióloga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho destaca a importância da biodiversidade microbiana como componente central da qualidade e sustentabilidade dos solos agrícolas. “Os resultados reforçam que a eficiência de tecnologias biológicas não depende apenas do produto aplicado, mas também do contexto ecológico do solo, incluindo seu histórico de manejo e a conservação da microbiota nativa”, reforça a pesquisadora. Segundo Paloma Barros Dias, a pesquisa também evidencia a relevância de integrar práticas conservacionistas, como rotação de culturas, manutenção da matéria orgânica e redução de distúrbios no solo, ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a bióloga, os resultados podem auxiliar empresas do setor de fertilizantes e tecnologias biológicas no desenvolvimento de produtos mais eficientes e alinhados às demandas atuais por sustentabilidade e produtividade. “Além disso, a pesquisa contribui para discussões relacionadas à regulamentação e validação de tecnologias biológicas aplicadas à agricultura, especialmente no contexto de produtos classificados como aditivos biológicos”, finaliza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte do trabalho foi desenvolvida com Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior no Rothamsted Research (Reino Unido), sob supervisão da pesquisadora Vanessa Kavamura, com foco em treinamento e aprimoramento em bioinformática aplicada à microbiologia do solo. O projeto contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A pesquisa é descrita na dissertação de mestrado&nbsp;<em>Efeitos de aditivo biológico em fertilizante mineral e sua relação com a biodiversidade do solo&nbsp;</em>e&nbsp;está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP neste&nbsp;<a href="https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11138/tde-06042026-105050/pt-br.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>* Da Assessoria de Comunicação da Esalq. Adaptado para o&nbsp;</em><strong>Jornal da USP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal da USP / Estudo realizou dois experimentos com milho por 45 dias em casa de vegetação; o primeiro avaliou como solos com diferentes históricos de manejo respondem à aplicação de fertilizante associado ao aditivo biológico; no segundo, foi aplicada a “diluição para extinção” para analisar a biodiversidade microbiana – Foto: Paloma Barros Dias</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Construindo Ciência | Paloma Barros Dias" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/1x5APIfoJJo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/combinacao-de-fertilizante-mineral-com-aditivo-biologico-melhora-desenvolvimento-de-cultivos/">Combinação de fertilizante mineral com aditivo biológico melhora desenvolvimento de cultivos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>“Fenômica” revela história evolutiva das abelhas que o DNA não conta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 03:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Abelhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisas da USP em Ribeirão Preto analisaram centenas de características anatômicas de abelhas atuais e fósseis, reconstruindo relações evolutivas entre espécies Texto: Rita Stella &#8211; Arte: Livia Bortoletto* Segunda, 31 de agosto de 2026 Nas últimas décadas, o sequenciamento de DNA roubou a cena no estudo da evolução dos seres vivos, desvendando com precisão o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Pesquisas da USP em Ribeirão Preto analisaram centenas de características anatômicas de abelhas atuais e fósseis, reconstruindo relações evolutivas entre espécies</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Rita Stella &#8211; Arte: Livia Bortoletto*</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segunda, 31 de agosto de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas últimas décadas, o sequenciamento de DNA roubou a cena no estudo da evolução dos seres vivos, desvendando com precisão o parentesco entre espécies. Mas reconstruir a história da vida exige mais do que conhecer esses vínculos, entendendo como os organismos mudaram ao longo do tempo. Para pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, boa parte dessa resposta está na anatomia dos organismos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao comparar centenas de características morfológicas de abelhas atuais e fósseis, dois trabalhos conduzidos no Laboratório de Biologia Comparada e Abelhas (FFCLRP), coordenado pelo professor Eduardo Almeida, mostram como a fenômica — o estudo sistemático do conjunto de características observáveis de um organismo — pode complementar a genômica e trazer novas informações sobre a evolução.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“O DNA nos mostra quem é parente de quem. A anatomia mostra o que aconteceu nessa história”, resume o professor.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ele, é a anatomia que “revela como as estruturas mudaram ao longo da evolução e como essas mudanças deram origem à diversidade que observamos hoje”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recém-publicados, os dois trabalhos analisaram as relações filogenéticas (história evolutiva e relações de parentesco) entre as cerca de 650 espécies de abelhas-sem-ferrão — grupo conhecido cientificamente como Meliponini, distribuído principalmente nas regiões tropicais — e as cerca de 21 mil espécies de abelhas conhecidas no planeta. Embora tenham objetos de estudo diferentes, ambos partiram da mesma pergunta: como reconstruir a história evolutiva das abelhas? Para respondê-la, reuniram informações da anatomia externa e interna das espécies e as analisaram em um contexto filogenético, considerando as relações de parentesco entre elas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Almeida explica que a principal diferença entre os estudos está na escala. Enquanto<a href="https://bioone.org/journals/bulletin-of-the-american-museum-of-natural-history/volume-2026/issue-478/0003-0090.478.1.1/Comparative-Morphology-of-the-Stingless-Bees-Apidae-Meliponini-and-Its/10.1206/0003-0090.478.1.1.full" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;o das abelhas-sem-ferrão</a>&nbsp;comparou linhagens evolutivamente mais próximas, permitindo identificar detalhes anatômicos mais refinados,&nbsp;<a href="https://digitallibrary.amnh.org/items/8883e4f7-f2f1-4e8f-851f-4148c0de075a" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o estudo com todas as abelhas</a>&nbsp;buscou a diversidade do grupo para compreender seus grandes padrões evolutivos. Um revelou detalhes; o outro, uma visão panorâmica da evolução das abelhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os resultados, a abordagem fenômica permitiu construir uma matriz de 375 caracteres codificados de todos os gêneros e subgêneros da tribo Meliponini, além da caracterização das tribos extintas Melikertini (fortemente sustentada como grupo-irmão das abelhas-sem-ferrão) e&nbsp;<em>Proplebeia dominicana</em>. O estudo comparativo das abelhas como um todo incluiu 394 caracteres, dos quais 11% são totalmente novos e 68% reinterpretados, abrangendo tanto a anatomia externa (73%) quanto a interna (27%).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A base de dados construída pela equipe poderá ser utilizada em futuras pesquisas sobre evolução, classificação, comportamento social, adaptação, biogeografia e conservação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Projetos construídos ao longo de décadas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Há mais de 15 anos a equipe coordenada pelo professor Almeida trabalha na construção de uma ampla base de dados morfológicos sobre abelhas, reunindo material biológico e planejando uma análise em larga escala. O projeto ganhou força com o trabalho de dois estudantes de pós-graduação da FFCLRP-USP, orientados por Almeida: Anderson Lepeco desenvolveu a pesquisa com as abelhas-sem-ferrão em seu mestrado; Diego Sasso Porto estudou as abelhas em escala mais abrangente durante o mestrado e o doutorado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o professor, foram anos de observação, comparação e revisão minuciosa de estruturas anatômicas. Parte fundamental desse trabalho está na&nbsp;<a href="https://collectory.sibbr.gov.br/collectory/public/show/dr431">Coleção Entomológica Professor J. M. F. Camargo da FFCLRP</a>, considerada um dos acervos mais importantes do mundo para o estudo das abelhas-sem-ferrão. Iniciada na década de 1960 pelo pesquisador João Maria Franco de Camargo, ela reúne hoje centenas de milhares de exemplares coletados ao longo de décadas de pesquisa.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260813_anderson.jpg" alt="Homem branco, barba negra aparada, óculos, vestindo camiseta de manga curta na cor cinza escuro com ilustração colorida na frente; ao fundo, cenário montanhoso" class="wp-image-1041363" style="width:184px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Anderson Lepeco realizou pesquisas sobre a sistemática das abelhas-sem-ferrão durante mestrado na USP de Ribeirão Preto (2022–2024). Atualmente é doutorando na UFRJ &#8211; Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Além do material da coleção da USP, os pesquisadores analisaram exemplares provenientes de museus e universidades do Brasil e do exterior, incluindo instituições dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e outros países. Expedições científicas a mais de dez países e intercâmbios permitiram reunir espécies de diferentes regiões do planeta, ampliando a representatividade da diversidade das abelhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com cerca de 21 mil espécies descritas, as abelhas formam um grupo muito diverso de insetos. Como seria impossível analisar todas individualmente, os pesquisadores selecionaram espécies representativas dos principais ramos da árvore evolutiva do grupo. Para as abelhas-sem-ferrão, analisaram dezenas de espécies de todos os gêneros conhecidos, incluindo fósseis importantes. No estudo mais amplo, incluíram representantes de todas as famílias atuais de abelhas e de grupos relacionados, permitindo comparar as principais linhagens evolutivas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Abelha extinta é identificada como a mais próxima das abelhas-sem-ferrão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais desafios da biologia evolutiva é compreender como as espécies atuais surgiram a partir de linhagens que viveram milhões de anos atrás. No caso das abelhas-sem-ferrão, essa história ainda apresentava importantes lacunas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao analisar centenas de características anatômicas, o estudo coordenado pela equipe da USP trouxe novas evidências sobre a posição evolutiva de grupos fósseis e ajudou a esclarecer uma controvérsia que acompanhava o grupo há anos. O resultado mais marcante foi a identificação da tribo extinta Melikertini como a linhagem mais próxima das atuais abelhas-sem-ferrão (Meliponini).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecidas apenas por fósseis encontrados no Hemisfério Norte, essas abelhas preservam características anatômicas ausentes nas espécies atuais. Segundo o professor Almeida, “os fósseis registram combinações de características que desapareceram ao longo da evolução. Sem essas informações, parte da história do grupo simplesmente não poderia ser reconstruída”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também analisou a espécie fóssil&nbsp;<em>Proplebeia dominicana</em>, da República Dominicana, preservada em âmbar. Sua posição permaneceu estável nas diferentes análises, reforçando seu papel na compreensão da evolução das abelhas-sem-ferrão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o professor, esses resultados evidenciam uma das principais contribuições da morfologia para a biologia evolutiva, permitindo a incorporação de espécies extintas às árvores filogenéticas. Isso ocorre porque o DNA raramente permanece preservado por milhões de anos, enquanto as estruturas anatômicas registram características de organismos já desaparecidos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260813_abelhas.jpg" alt="Várias abelhas (em preto e marrom) sobre potes de cera (tom bege amarelado) numa colméia" class="wp-image-1041361"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Operárias de&nbsp;<em>Scaptotrigona depilis</em>, espécie de abelha sem-ferrão, sobre os potes de alimento dentro da colônia – Foto: Matheus Mourão Carvalho</p>



<h2 class="wp-block-heading">Uma visão ampla da evolução das abelhas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se o&nbsp;<a href="https://bioone.org/journals/bulletin-of-the-american-museum-of-natural-history/volume-2026/issue-478/0003-0090.478.1.1/Comparative-Morphology-of-the-Stingless-Bees-Apidae-Meliponini-and-Its/10.1206/0003-0090.478.1.1.full" target="_blank" rel="noreferrer noopener">primeiro estudo</a>&nbsp;aproximou o olhar para um grupo específico, o segundo ampliou a perspectiva para toda a diversidade das abelhas. O objetivo era compreender como diferentes linhagens evoluíram ao longo de milhões de anos e quais regiões do corpo passaram pelas maiores transformações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para isso, os pesquisadores acrescentaram à base de dados morfológicos das abelhas quase 400 características anatômicas de espécies representativas de todas as grandes linhagens conhecidas. Foram analisadas estruturas externas, como asas, pernas e peças bucais, além de componentes internos do esqueleto, formados por projeções internas do exoesqueleto dos insetos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com ferramentas computacionais recentes, estimaram as taxas de transformação das diferentes regiões do corpo, identificando quais estruturas evoluíram mais rapidamente e em que momentos ocorreram as principais mudanças.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260813_diegoporto.jpg" alt="Homem branco de barba negra longa e óculos, boina escura na cabeça, vestindo casaco de frio (cor preta) com gola alta e mangas na cor bege" class="wp-image-1041362" style="width:138px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Diego Sasso Porto desenvolveu pesquisas sobre morfologia comparada e evolução das abelhas na USP de Ribeirão Preto (2015–2019). Atualmente é pesquisador associado ao Museu de História Natural da Finlândia &#8211; Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Um dos resultados mais interessantes apareceu no aparelho bucal. O surgimento das chamadas abelhas de língua longa foi acompanhado por uma fase de intensa transformação das estruturas envolvidas na alimentação. Depois desse período de inovação, essas estruturas passaram por relativa estabilização, permanecendo mais conservadas nas linhagens seguintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado mostra que a evolução não ocorre com a mesma velocidade em todas as partes do organismo. Algumas estruturas permanecem praticamente inalteradas durante milhões de anos, enquanto outras passam por períodos de rápida transformação associados ao surgimento de novas adaptações. Lembra Almeida que cada região do corpo tem uma história evolutiva própria e, “quando conseguimos analisar o organismo como um conjunto integrado, começamos a entender não apenas quais mudanças aconteceram, mas também como elas aconteceram”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A morfologia continua essencial na era do DNA</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço da genômica transformou profundamente a biologia. Hoje é possível comparar milhares de genes entre espécies, reconstruindo relações evolutivas com um volume de informações inimaginável há poucas décadas. Mesmo assim, para o professor Almeida, a genética não substitui a anatomia. “São fontes de informação diferentes e complementares.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto os dados moleculares ajudam a identificar relações de parentesco, a morfologia permite investigar as transformações que deram origem à diversidade observada. Segundo o professor, as peças bucais das abelhas, por exemplo, revelam como diferentes linhagens se especializaram para explorar recursos alimentares distintos. O mesmo ocorre com estruturas relacionadas ao voo, à coleta de pólen e à vida social, que registram adaptações associadas aos diferentes modos de vida do grupo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Almeida lembra que a morfologia continua sendo a principal forma de incorporar fósseis às análises evolutivas. Essa característica torna os estudos anatômicos indispensáveis para compreender períodos antigos da história da vida, quando não há possibilidade de recuperar informação genética.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto importante é que dados morfológicos e moleculares nem sempre contam a mesma história. Divergência entre dados morfológicos e moleculares “não é algo que devemos esconder”, ensina o professor, informando que “ela geralmente indica que existe alguma coisa interessante acontecendo e que precisamos entender melhor.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">O ‘fenoma’ das abelhas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A principal contribuição metodológica dos estudos está na construção de uma visão integrada do organismo. Segundo Almeida, durante muito tempo as pesquisas morfológicas concentraram-se em características isoladas, como a estrutura das asas ou das peças bucais. A proposta da equipe foi reunir centenas de características anatômicas e analisá-las de forma integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O conjunto dessas informações representa o fenoma das abelhas — o equivalente, para as características observáveis, ao que o genoma representa para os genes. A fenômica permite investigar como esse conjunto de características varia, evolui e se relaciona com a história genética e ambiental dos organismos. “É uma mudança de perspectiva; não estamos olhando apenas para uma característica isolada, mas para o fenótipo como um todo.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/07/20230731_eduardo.png" alt="" class="wp-image-666233" style="width:230px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Eduardo Almeida, professor da FFCLRP e coordenador dos estudos sobre abelhas &#8211; Foto: arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Uma nova forma de compreender a diversidade da vida</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora tenham como foco as abelhas, os dois estudos desenvolvidos na USP de Ribeirão Preto apresentam implicações que vão além desse grupo de insetos. Eles mostram que compreender a evolução exige combinar diferentes fontes de informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a genômica revela as relações de parentesco, a fenômica mostra como essas relações se traduzem em formas e estruturas. Os fósseis acrescentam a dimensão do tempo, permitindo reconstruir acontecimentos muito anteriores ao surgimento das espécies atuais. Juntas, essas abordagens oferecem uma visão mais completa da história da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, acrescenta o professor, esses estudos também reforçam a importância da pesquisa básica e da construção de conhecimento a longo prazo. Os resultados que sua equipe publica hoje são fruto de décadas de coleta de material, manutenção de coleções científicas, formação de pesquisadores e colaboração entre instituições. “Cada estudo é uma parte de uma história maior e a ciência avança porque diferentes gerações constroem sobre o conhecimento produzido anteriormente.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma época em que grandes bancos de dados genéticos e novas tecnologias transformam a biologia, as pesquisas do laboratório do professor Almeida mostram que a observação cuidadosa dos organismos continua sendo uma ferramenta essencial para compreender a evolução. Com o exemplo de evolução e diversidade das abelhas, finaliza o professor, revela-se que a história da vida não está registrada apenas nos genes, mas também está escrita na anatomia — e “aprender a ler essa linguagem continua sendo fundamental para desvendar a biodiversidade do planeta”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos estão publicados na&nbsp;<em>Bulletin of the American Museum of Natural History</em>:&nbsp;<a href="https://bioone.org/journals/bulletin-of-the-american-museum-of-natural-history/volume-2026/issue-478/0003-0090.478.1.1/Comparative-Morphology-of-the-Stingless-Bees-Apidae-Meliponini-and-Its/10.1206/0003-0090.478.1.1.full">estudo com as abelhas-sem-ferrão</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://digitallibrary.amnh.org/items/8883e4f7-f2f1-4e8f-851f-4148c0de075a" target="_blank" rel="noreferrer noopener">com todas as abelhas</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: Eduardo Almeida, e-mail:&nbsp;<a href="mailto:eduardoalmeida@usp.br">eduardoalmeida@usp.br</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Operárias de <em>Scaptotrigona depilis</em>, espécie de abelha sem-ferrão, sobre os potes de alimento dentro da colônia – Foto: Matheus Mourão Carvalho</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Secretario de infra-estrutura de Ipirá , Darlan Gomes no Bate Papo na City" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/E_Ejr9cEUIM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Nova espécie de planta é descoberta em área remanescente de Mata Atlântica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 03:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Encontrada no litoral de São Paulo, a&#160;Conchocarpus piranii&#160;é evidência de que mesmo em região muito estudada ainda há espécies desconhecidas pela ciência​ Texto: Rita Stella-Arte: Livia Bortoletto* Segunda, 31 de agosto de 2026 Uma planta de pouco mais de um metro e flores brancas, encontrada em uma área remanescente de Mata Atlântica no Litoral Norte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Encontrada no litoral de São Paulo, a&nbsp;<em>Conchocarpus piranii</em>&nbsp;é evidência de que mesmo em região muito estudada ainda há espécies desconhecidas pela ciência​</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Rita Stella-Arte: Livia Bortoletto*</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segunda, 31 de agosto de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma planta de pouco mais de um metro e flores brancas, encontrada em uma área remanescente de Mata Atlântica no Litoral Norte de São Paulo, revelou-se uma surpresa para os pesquisadores. Trata-se de uma espécie até então desconhecida pela ciência, que amplia o conhecimento sobre a biodiversidade de um dos biomas brasileiros que mais sofreram com a ocupação humana e a perda de cobertura vegetal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Batizada de&nbsp;<em>Conchocarpus piranii</em>, a planta foi encontrada inicialmente em Ubatuba e, depois, em Caraguatatuba. A espécie pertence à família&nbsp;<em>Rutaceae</em>, a mesma das laranjas e dos limões, e foi descrita pela equipe de pesquisadores do&nbsp;<a href="https://sites.ffclrp.usp.br/sistematicadeplantas/index.html#home" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Laboratório de Sistemática de Plantas</a>,&nbsp;da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, e de outras instituições brasileiras e da Dinamarca. O estudo acaba de ser publicado na revista científica&nbsp;<a href="https://doi.org/10.11646/phytotaxa.765.3.2" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Phytotaxa</em></a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descoberta ganha relevância justamente pelo local onde ocorreu. Lembra o professor Milton Groppo, coordenador do laboratório responsável pelo achado, que a Mata Atlântica é um bioma que foi intensamente modificado e fragmentado ao longo da história, principalmente pela ocupação das áreas costeiras e pela expansão das atividades humanas. Embora existam apenas “parcelas de sua cobertura original, esses remanescentes ainda abrigam uma enorme diversidade de espécies, muitas delas endêmicas e algumas ainda desconhecidas pela ciência”, enfatiza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os pesquisadores, encontrar uma nova espécie em uma região do Estado de São Paulo, alvo de inúmeras expedições e levantamentos botânicos, mostra que o conhecimento sobre a biodiversidade está longe de estar completo. “Pensamos que já temos tudo catalogado, mas encontrar uma nova espécie de planta no litoral paulista significa aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e fortalecer os argumentos para a preservação da Mata Atlântica”, afirma Groppo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história deste achado, conta o professor, começou em 2014, quando a equipe esteve no Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Picinguaba, em Ubatuba. Os pesquisadores percorriam uma trilha próxima à Casa da Farinha em busca de plantas de outros grupos quando encontraram arbustos que chamaram a atenção pelas flores brancas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inicialmente, os pesquisadores imaginaram que a planta pudesse ocorrer apenas naquele local mas, quase uma década mais tarde, em 2023, o biólogo Marcelo Dias Miranda “fotografou indivíduos de uma segunda população, em Caraguatatuba”, continua Groppo. Essas novas coletas foram encaminhadas à USP de Ribeirão Preto e, a partir da análise dos exemplares, os pesquisadores tiveram certeza de que se tratava de uma espécie nova.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260814_mapa.jpg" alt="" class="wp-image-1041931"/><figcaption class="wp-element-caption">Locais onde a Conchocarpus piranii foi encontrada no litoral do Estado de São Paulo &#8211; Foto: Milton Groppo</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260814_rio.jpg" alt="Uma paisagem de um rio raso e largo cortando uma floresta tropical fechada. O leito do rio é repleto de muitas pedras arredondadas de vários tamanhos, com a água limpa correndo e formando pequenas espumas brancas entre elas. A vegetação nas margens é muito alta, verde e densa." class="wp-image-1041936"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os primeiros exemplares da espécie foram encontrados em 2014, no Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Picinguaba, em Ubatuba – Foto: Milton Groppo</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que significa descobrir uma espécie nova?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A identificação de uma espécie nova exige mais do que encontrar uma planta com aparência diferente. É necessário comparar cuidadosamente os exemplares com outros já conhecidos e analisar um conjunto de características que permita estabelecer sua identidade. No caso de&nbsp;<em>Conchocarpus piranii</em>, o grupo comparou os indivíduos encontrados no litoral paulista com outros do gênero&nbsp;<em>Conchocarpus</em>, que reúne cerca de 50 espécies.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Informa o professor Groppo que encontraram mais semelhanças com as espécies&nbsp;<em>C. bellus</em>,&nbsp;<em>C. cuneifolius</em>&nbsp;e&nbsp;<em>C. macrophyllus</em>, todas arbustos eretos, pouco ramificados ou sem ramificações, com grandes folhas concentradas na ponta dos ramos e inflorescências (agrupamento de flores) acompanhadas por brácteas (folhas que protegem a flor enquanto ela cresce) semelhantes a folhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessas similaridades, os pesquisadores identificaram na&nbsp;<em>C. piranii</em>&nbsp;características próprias; entre elas, a estrutura do ovário, que não apresenta a depressão central encontrada nas espécies mais próximas, e a posição terminal do estilete (haste que liga a parte cima, o estigma, ao ovário, que fica na parte de baixo da flor). O estudo realizou ainda análises de DNA para investigar as relações evolutivas entre as espécies do gênero, reuniu informações sobre anatomia foliar e floral, grãos de pólen e distribuição geográfica da nova espécie.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260814_desenho.jpg" alt="Uma prancha de desenho botânico em preto e branco com fundo claro, cheia de detalhes técnicos da planta Conchocarpus piranii. No centro há o desenho completo da planta com suas folhas e hastes, identificada pela letra A. Ao redor, várias letras de B a Q mostram esquemas ampliados e cortes anatômicos de partes específicas, como flores, pétalas, estames, óvulos, frutos e sementes, acompanhados de escalas em milímetros e centímetros" class="wp-image-1041932"/><figcaption class="wp-element-caption">Os pesquisadores identificaram na&nbsp;C. piranii&nbsp;características próprias; entre elas, a estrutura do ovário, que não apresenta a depressão central encontrada nas espécies mais próximas &#8211; Foto: Milton Groppo</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Biodiversidade ainda desconhecida</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/11/20231101_miltongroppo.png" alt="Retrato em formato circular que mostra o pesquisador Milton Groppo Júnior do peito para cima, sorrindo para a câmera. Ele é um homem branco de cabelos castanhos curtos, barba rala e veste uma camisa polo azul-escuro" class="wp-image-699500" style="width:191px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Milton Groppo Júnior &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Groppo ressalta o fato de uma nova espécie ter sido encontrada em uma área de Mata Atlântica tão conhecida ser um lembrete da dimensão da biodiversidade brasileira. “Mesmo com tantas coletas feitas, a natureza sempre nos surpreende”, afirma. No caso de&nbsp;<em>Conchocarpus piranii</em>, a surpresa é ainda maior porque se trata de uma planta relativamente pequena, com indivíduos que chegam a cerca de 1,5 metro de altura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o professor, essa descoberta evidencia que os remanescentes de Mata Atlântica não são apenas fragmentos de uma floresta que existiu no passado. “Eles continuam sendo reservatórios de diversidade biológica e podem abrigar organismos que ainda não foram reconhecidos pela ciência.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele adianta que conhecer essas espécies é fundamental também para a conservação, pois uma planta recém-descoberta pode ter distribuição restrita e depender de condições ambientais específicas para sobreviver. “Quando seu hábitat é destruído ou alterado, portanto, a espécie pode desaparecer antes mesmo que a ciência consiga compreender plenamente seu papel no ecossistema”, adverte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que, segundo os pesquisadores, cada nova espécie identificada reforça a necessidade de estudar e proteger os remanescentes da Mata Atlântica. “Descobrir uma planta que sempre esteve ali, mas que a ciência ainda não conhecia, é também descobrir mais uma razão para preservar a floresta que restou”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Homenagem ao botânico brasileiro José Rubens Pirani</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O nome&nbsp;<em>piranii</em>&nbsp;é uma homenagem ao professor José Rubens Pirani, botânico e docente do Instituto de Biociências (IB) da USP. A escolha tem um significado especial para Groppo, afinal, Pirani foi seu orientador durante quase toda sua formação acadêmica, da iniciação científica ao doutorado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2020/10/20201021_Jose_Rubens_Pirani_420px.jpg" alt="Retrato em formato circular que mostra o pesquisador José Ruben Pirani do peito para cima. Ele é um homem branco, calvo no topo da cabeça, com cabelos escuros nas laterais, cavanhaque grisalho e óculos de grau de armação escura. Ele veste uma camisa xadrez azul e amarela sob uma jaqueta clara." class="wp-image-364389" style="width:150px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">José Ruben Pirani &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Especialista na família&nbsp;<em>Rutaceae</em>&nbsp;e em biogeografia, Pirani contribuiu de forma significativa para o conhecimento da sistemática de espécies neotropicais desse grupo de plantas. Também teve papel importante na formação de gerações de taxonomistas de plantas no Brasil. Assim, lembra o pesquisador, a denominação da nova espécie reconhece a trajetória científica e a contribuição de Pirani para a formação de pesquisadores e para o avanço da botânica brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A descrição de&nbsp;<em>Conchocarpus piranii</em>&nbsp;acrescenta um novo nome à diversidade conhecida da Mata Atlântica, mas seu significado vai além da taxonomia. A descoberta mostra que, mesmo depois de séculos de ocupação e intensa degradação, o bioma ainda guarda espécies desconhecidas. Revelá-las é ampliar o conhecimento sobre a floresta e, ao mesmo tempo, reforçar a importância de conservar os remanescentes que sobreviveram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: Milton Groppo, e-mail: groppo@ffclrp.usp.br</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: JOrnal USP / A <em>Conchocarpus piranii foi encontrada em Ubatuba e Caraguatatuba, litoral do Estado de São Paulo – </em>Foto: Milton Groppo</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="&quot; AUTOABANDONO:QUANDO VOCÊ SAI DE SI PARA NÃO PERDER O OUTRO&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/MZBUfFhR0iA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/nova-especie-de-planta-e-descoberta-em-area-remanescente-de-mata-atlantica/">Nova espécie de planta é descoberta em área remanescente de Mata Atlântica</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Sargaço: invasão de algas no litoral brasileiro está mais frequente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 03:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com a emissão de gases tóxicos, acúmulo de algas tem potencial impacto sobre a saúde, ecossistemas, o turismo e a pesca, dificultando a limpeza das praias Texto: Ivanir Ferreira /Arte: Jornal da USP Segunda, 31 de agosto de 2026 Toneladas de sargaço, um tipo de alga acastanhada, têm chegado com maior frequência às praias brasileiras, [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/sargaco-invasao-de-algas-no-litoral-brasileiro-esta-mais-frequente/">Sargaço: invasão de algas no litoral brasileiro está mais frequente</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Com a emissão de gases tóxicos, acúmulo de algas tem potencial impacto sobre a saúde, ecossistemas, o turismo e a pesca, dificultando a limpeza das praias</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Ivanir Ferreira /Arte: Jornal da USP</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segunda, 31 de agosto de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toneladas de sargaço, um tipo de alga acastanhada, têm chegado com maior frequência às praias brasileiras, formando extensos bancos que alteram as condições da zona costeira e podem afetar atividades como turismo e pesca. Pará e Maranhão estão entre os Estados que registraram os maiores volumes nos últimos anos. Apesar do aumento dos encalhes, o País ainda carece de dados sistemáticos sobre a ocorrência, a quantidade e a composição desses organismos, o que dificulta o planejamento de ações de monitoramento, manejo e remoção da biomassa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reunir informações, ampliar o monitoramento do fenômeno e subsidiar ações de conservação e gestão costeira, pesquisadores da USP analisaram registros científicos e notícias publicadas pela imprensa sobre encalhes de sargaço no litoral brasileiro entre 2010 e 2025. Os resultados foram publicados no artigo&nbsp;<em><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/aqc.70431" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Encalhes de sargaço no litoral brasileiro: integrando registros científicos e midiáticos para apoiar a conservação e o monitoramento costeiro</a></em>, na revista&nbsp;<em>Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o estudo, o sargaço que chega às praias brasileiras é formado principalmente pelas espécies pelágicas&nbsp;<em>Sargassum natans</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Sargassum fluitans</em>. Diferentemente das algas que vivem fixadas no fundo do mar, essas espécies permanecem livres e flutuando na superfície do oceano. Elas podem formar grandes concentrações no Atlântico tropical e ser transportadas por correntes marítimas por longas distâncias até alcançar a costa brasileira. O aumento dos encalhes está associado à interação de diferentes fatores oceanográficos e ambientais. Entre eles estão a disponibilidade de nutrientes, as condições de temperatura e salinidade da água e as alterações nos padrões de ventos e correntes, que influenciam tanto o crescimento das algas quanto seu transporte pelo oceano.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Na mídia e na ciência</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores reuniram artigos científicos e reportagens publicadas em meios de comunicação digitais. Os documentos produziram informações diferentes, mas complementares, sobre os encalhes de sargaço no litoral brasileiro. Enquanto a imprensa conseguia registrar rapidamente a ocorrência dos eventos e seus impactos sobre as comunidades costeiras, a pesquisa científica buscava identificar as espécies, quantificar a biomassa e analisar as condições ambientais associadas aos encalhes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260826_leonardocapeletodeandrade-300x300.jpg" alt="Homem adulto, de pele clara, cabelos castanhos curtos e barba longa e cheia. Usa óculos e tem uma expressão neutra e discreto sorriso. Veste uma camisa ou jaqueta preta" class="wp-image-1045879" style="width:159px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Leonardo Capeleto de Andrade (FZEA/USP) &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://www.linkedin.com/in/leonardocapeleto/?isSelfProfile=false">Linkedin</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“A imprensa registra aquilo que é mais perceptível para a população: a presença do sargaço, o mau cheiro, os impactos sobre o turismo e a pesca, a limpeza das praias e as dificuldades enfrentadas pelos municípios”, explica Leonardo Capeleto de Andrade, pesquisador de pós-doutorado da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o pesquisador, essa rapidez permite identificar eventos em diferentes pontos da costa, mas os registros jornalísticos podem apresentar algumas limitações. “É comum, por exemplo, que diferentes tipos de macroalgas sejam chamados genericamente de ‘sargaço’, sem que haja uma identificação precisa das espécies. Também podem faltar informações sobre as condições ambientais do local e sobre a quantidade de biomassa que chegou à praia”, relata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da distribuição geográfica, os pesquisadores também identificaram diferenças importantes na qualidade das informações divulgadas. Todos os trabalhos científicos analisados confirmaram a presença das espécies pelágicas&nbsp;<em>Sargassum natans e Sargassum fluitans</em>, responsáveis pela formação da Grande Faixa de Sargaço do Atlântico. Já as reportagens analisadas classificaram equivocadamente macroalgas bentônicas — que vivem fixadas no fundo marinho — como se fossem sargaço pelágico. Segundo os autores, esse tipo de confusão dificulta a padronização dos registros e pode comprometer a compreensão da dimensão do problema.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Detalhar e aprofundar</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os artigos científicos, por sua vez, seguem procedimentos de coleta, identificação e análise dos dados. Esses estudos podem determinar quais espécies estão presentes, estimar a quantidade de biomassa, localizar os encalhes, estabelecer quando ocorreram e relacionar os eventos a condições ambientais. “Isso torna os dados científicos mais confiáveis para compreender a dimensão e a dinâmica do fenômeno”, afirma Andrade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção científica, entretanto, é mais lenta e menos numerosa. Entre a realização do trabalho de campo e a publicação de um artigo há etapas de coleta de amostras, identificação, análise dos dados e avaliação dos resultados. Assim, um encalhe pode ser noticiado pela imprensa poucos dias depois de ocorrer, enquanto sua documentação científica pode levar meses ou até anos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20280627_info-.jpg" alt="gráfico com ilustração do Brasil ao lado de tabelas em colocração azul e cinza" class="wp-image-1046170"/><figcaption class="wp-element-caption">Figura retirada do artigo</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para Andrade, o problema está na ausência de um monitoramento sistemático que permita reunir e comparar essas diferentes fontes de informação. No Brasil, ainda existem lacunas sobre onde, quando e em que quantidade o sargaço chega às praias. A falta de séries históricas abrangentes dificulta a avaliação da evolução dos encalhes e a elaboração de estratégias de monitoramento e manejo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, os registros da imprensa podem contribuir para indicar a ocorrência e a distribuição dos eventos, enquanto os estudos científicos fornecem informações mais detalhadas sobre sua composição e magnitude. “Integrar essas informações pode ajudar a construir uma base de dados mais consistente sobre os encalhes de sargaço e acompanhar a evolução do fenômeno ao longo da costa brasileira”, diz Andrade.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pará: maior número de ocorrências</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Pará teve o principal foco de encalhes de sargaço no Brasil, seguido do Maranhão. Segundo Geison Mesquita, primeiro autor do artigo e também pesquisador de pós-doutorado da FZEA, o principal aspecto que chamou sua atenção foi a falta de conhecimento, monitoramento e divulgação sobre os encalhes de sargaço no Brasil.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260826_geisonmesquita-300x300.jpg" alt="Homem de pele clara, cabeça raspada e usando óculos de armação transparente. Veste uma camiseta azul-marinho com a ilustração de uma árvore estilizada em tons de verde e amarelo.. Ao fundo, há uma parede azul e uma imagem que parece representar um grupo de peixes no mar." class="wp-image-1045895" style="width:142px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Geison Mesquita (FZEA/USP) &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Durante sua atuação em Salinópolis, no Pará, ele acompanhou a chegada das algas em 2025 e constatou a dimensão do problema. Um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1080/00318884.2026.2694969" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;publicado na revista&nbsp;<em>Phycologia</em>&nbsp;estimou em 42,8 mil toneladas a biomassa de sargaço que chegou às praias do município, sendo o primeiro trabalho a quantificar o fenômeno no Brasil por meio de coletas primárias de biomassa e mapeamento aéreo com uso de drones.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o pesquisador, os dados mostram que Salinópolis é um dos principais pontos de ocorrência desses eventos no País, embora ainda não seja possível prever quando e em que quantidade o sargaço chegará às praias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência que teve na região também evidenciou a falta de preparo dos municípios para lidar com grandes volumes de biomassa. Das 42,8 mil toneladas estimadas em 2025, apenas cerca de 4% foram retiradas das praias, mesmo com o reforço do governo do Pará, que disponibilizou mais caminhões para a operação. Foram necessárias, em média, 45 viagens de caminhão por dia, durante 11 dias, para remover a biomassa de sargaço. Segundo o pesquisador, a realização de estimativas, mesmo que preliminares, é fundamental para que os municípios possam se preparar com antecedência e planejar recursos, logística e estratégias de manejo quando ocorrerem novos encalhes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260826_limpezadosargaco.jpg" alt="Trator removendo e colocando sargaço (alga marinha) em um caminhão caçamba em uma praia no Pará. Mar cinza esbranquiçado, céu nublado." class="wp-image-1045904" style="aspect-ratio:0.8587544869238221;width:318px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Limpeza de sargaço em praias de Salinópolis, no Pará &#8211; Foto: Geison Mesquita</figcaption></figure>
</div>


<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260826_encalhesargaco.jpg" alt="Foto de encalhe de sargaço (algas marinhas) de coloração marrom no litoral brasileiro. Ao fundo, céu com nuvens cinzas e carregadas." class="wp-image-1045903" style="aspect-ratio:0.8571519248468692;width:284px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Encalhe de sargaço em praias de Salinópolis, Pará &#8211; Foto: Geison Mesquita</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading">Matéria-prima para a construção civil</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na USP, pesquisadores investigam formas de incorporar a biomassa do sargaço a soluções construtivas, buscando dar um destino a esse material que atualmente precisa ser retirado das áreas costeiras e, muitas vezes, não tem uma destinação definida. Uma das pesquisas é coordenada pelo professor João Adriano Rossignolo, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da FZEA e coordenador do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Materiais para Biossistemas (BioSMA). O projeto&nbsp;<em>Valorização do Sargassum para Construção Sustentável: Caracterização, Pré-tratamento e Aplicações em Soluções com Terra&nbsp;</em>reúne duas frentes de pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira investiga as características físico-químicas e morfológicas da biomassa e testa diferentes formas de pré-tratamento, como a hornificação — processo utilizado para reduzir a capacidade de absorção de água de fibras vegetais — e a impregnação com polímeros, como o SBR.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/08/20260826_joaoadrianorossignolo-300x300.jpg" alt="Homem de pele clara e olhos azuis. Veste camisa azul marinho, fundo neutro." class="wp-image-1045906" style="width:152px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">João Adriano Rossignolo (FZEA/USP) &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O objetivo é avaliar como esses tratamentos podem melhorar a estabilidade da biomassa e seu potencial de uso em materiais de construção. A segunda frente pesquisa a incorporação do sargaço em técnicas de construção com terra, utilizando a biomassa como aditivo natural na produção experimental de blocos de terra comprimida. Os pesquisadores avaliam propriedades físicas e mecânicas dos materiais para verificar como a presença da alga interfere no desempenho dos blocos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o professor Rossignolo, a&nbsp;pesquisa ainda está em desenvolvimento e os resultados deverão orientar estudos posteriores sobre o uso do sargaço na construção civil. A proposta é investigar se uma biomassa que chega em grandes quantidades às praias pode ser aproveitada como recurso para materiais construtivos, contribuindo para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis e adaptadas a regiões costeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: João Adriano Rossignolo, e-mail rossignolo@usp.br; Leonardo Capeleto de Andrade, e-mail eng.capeleto@gmail.com; e Geison Mesquita, e-mail geison.mesquita@usp.br</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP / Encalhe de sargaço em praias de Salinópolis, Pará &#8211; Foto: Geison Mesquita<br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="&quot; AUTOABANDONO:QUANDO VOCÊ SAI DE SI PARA NÃO PERDER O OUTRO&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/MZBUfFhR0iA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Especialistas alertam para impactos do El Niño forte na saúde até 2027</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 16:37:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sábado, 29/08/2026 &#8211; 12h00 Por&#160;Redação O governo federal criou um plano de preparação para enfrentar os possíveis impactos do El Niño na saúde da população até 2027. O fenômeno está classificado como forte e pode chegar ao nível muito forte em setembro.&#160;A previsão aponta uma janela crítica entre outubro deste ano e março de 2027, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sábado, 29/08/2026 &#8211; 12h00</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por&nbsp;Redação</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo federal criou um plano de preparação para enfrentar os possíveis impactos do El Niño na saúde da população até 2027. O fenômeno está classificado como forte e pode chegar ao nível muito forte em setembro.&nbsp;A previsão aponta uma janela crítica entre outubro deste ano e março de 2027, com efeitos diferentes conforme a região do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Nordeste, a expectativa é de seca mais intensa e aumento do calor. Já Norte e Centro-Oeste podem enfrentar estiagem e queimadas, enquanto o Sul tem previsão de chuvas fortes e risco de inundações.&nbsp;O plano AdaptaSUS prevê 27 metas e 93 ações até 2035, incluindo reforço de equipes, recursos emergenciais e monitoramento de doenças relacionadas às mudanças climáticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os riscos estão problemas provocados por temperaturas extremas, doenças respiratórias, enfermidades transmitidas por vetores, impactos da poluição, desnutrição e efeitos sobre a saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil</p>



<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DcmqWEBOq39/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);"><div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/reel/DcmqWEBOq39/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> <div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;"> <div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div> <div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;"> <div style=" background-color: #F4F4F4; 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overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/reel/DcmqWEBOq39/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">Um post compartilhado por Ipira City (@oficialipiracity)</a></p></div></blockquote>
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		<title>Projeto cria regras permanentes para importação de cacau após fim de medida provisória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 03:06:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabado, 08/08/2026 Por&#160;Redação O Projeto de Lei nº 4.912/2026 foi apresentado&#160;nesta quinta-feira (6) na Câmara dos Deputados para criar regras permanentes para a utilização do regime de drawback na importação de amêndoas de cacau. A proposta surge após a perda de validade da Medida Provisória nº 1.341/2026, que deixou de vigorar por não ter sido [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sabado, 08/08/2026 </p>



<p class="wp-block-paragraph">Por&nbsp;Redação</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Projeto de Lei nº 4.912/2026 foi apresentado&nbsp;nesta quinta-feira (6) na Câmara dos Deputados para criar regras permanentes para a utilização do regime de drawback na importação de amêndoas de cacau. A proposta surge após a perda de validade da Medida Provisória nº 1.341/2026, que deixou de vigorar por não ter sido apreciada pelo Senado dentro do prazo constitucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o fim da medida provisória, o benefício voltou a seguir as normas gerais do regime aduaneiro especial. O novo texto busca estabelecer critérios específicos para o setor, conciliando o incentivo às exportações com a proteção da cadeia produtiva nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais pontos da proposta está a limitação dos atos de drawback a um período máximo de seis meses. O projeto também determina que as importações de amêndoas ocorram apenas durante a entressafra da produção brasileira, entre os meses de dezembro e março.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa ainda prevê a divulgação trimestral de dados sobre o volume importado, os valores envolvidos, os produtos exportados vinculados ao benefício e os respectivos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O texto estabelece, ainda, mecanismos de fiscalização e penalidades para empresas que descumprirem as regras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor da proposta, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) afirmou que o objetivo é preservar o regime de drawback sem prejudicar os produtores brasileiros. “Não somos contra o drawback. Somos contra a utilização do benefício de forma que prejudique quem produz no Brasil. O setor precisa de regras claras, transparência e segurança jurídica. Nosso projeto preserva um importante instrumento de comércio exterior, mas cria salvaguardas para proteger a produção nacional e evitar distorções”, declarou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bahia Noticias/Foto: Mateus Pereira / GOVBA</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bate Papo com o presidente do CDL Clodoaldo Ribeiro" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/JmbWaEevt48?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/projeto-cria-regras-permanentes-para-importacao-de-cacau-apos-fim-de-medida-provisoria/">Projeto cria regras permanentes para importação de cacau após fim de medida provisória</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Embalagens funcionais são aposta para conservar alimentos e diminuir resíduos industriais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 17:33:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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		<category><![CDATA[antioxidantes]]></category>
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		<category><![CDATA[zootecnia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas com propriedades antioxidantes e antimicrobianas Texto: Luana Mendes* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 26 de julho de 2026 As embalagens de alimentos são produzidas para proteger os produtos de contaminantes e danos causados pela exposição ao ambiente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Pesquisadora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas com propriedades antioxidantes e antimicrobianas</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Luana Mendes*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">As embalagens de alimentos são produzidas para proteger os produtos de contaminantes e danos causados pela exposição ao ambiente externo. Os materiais empregados para a fabricação dessas embalagens vão desde metais e cerâmicas, até papéis e polímeros, mas o uso deles têm sido questionado devido à sua baixa biodegradabilidade e ao grande volume de resíduos que geram.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Frente a esse dilema, a pesquisadora Beatriz Guevara Guerrero, doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Sistemas Integrados em Alimentos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, desenvolveu embalagens com filmes de camadas duplas que, em conjunto, possuem características complementares e que podem ser usadas em grande escala, sem prejudicar o meio ambiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira camada, composta de poli(ácido láctico) (PLA) – um biopolímero produzido a partir do ácido lático com propriedades hidrofóbicas – forma uma barreira à água, protegendo o produto embalado. Já a segunda camada, formada por gelatina, uma proteína produzida por hidrólise do colágeno, incorpora compostos ativos, como a rutina (também conhecida como vitamina P, encontrada em vegetais folhosos, frutas cítricas e trigo-sarraceno) e o carvacrol (abundante em óleos essenciais de plantas como orégano e tomilho), com propriedades antioxidantes e antimicrobianas que prolongam a conservação de alimentos suscetíveis a processos de oxidação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hidrólise do colágeno é um processo industrial que “quebra” as moléculas da proteína do colágeno (obtida de ossos e cartilagens animais, por exemplo) em moléculas menores, chamadas peptídeos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os filmes de proteína têm propriedades de barreira que são muito boas para o oxigênio, mas elas são fracas em relação ao vapor de água”, explica Beatriz Guevara Guerreiro.&nbsp; “Pensamos em filmes bicamada, que são uma tendência mundial, para que as camadas se complementem.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">A caminho da biodegradabilidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Beatriz Guerrero relatou ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;que o início do estudo foi focado na encapsulação da rutina e do carvacrol em emulsões de&nbsp;Pickering, bem como em sua caracterização. As emulsões de&nbsp;Pickering&nbsp;representam uma plataforma importante para encapsular e liberar compostos bioativos de forma eficiente em sistemas alimentares funcionais, com vantagens técnicas e ambientais, quando comparadas aos emulsificantes convencionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A encapsulação de alimentos é uma tecnologia que envolve ingredientes ativos — como vitaminas, probióticos e aromas — em uma camada protetora, preservando esses compostos contra luz, oxigênio e umidade, por exemplo. Essa técnica faz com que esses ingredientes ativos sejam liberados no momento ou no local mais adequado para sua ação. Além disso, quando compostos hidrofóbicos são encapsulados em emulsões óleo-em-água, eles são melhor dispersos em matrizes hidrofílicas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/07/20260706_beatriz.jpg" alt="Uma pessoa está posicionada de frente para a câmera, inclinando levemente o corpo para a frente e sorrindo de forma aberta. Tem cabelos longos, lisos, castanhos, repartidos de lado.Veste uma blusa de mangas compridas em tecido brilhante, em tom escuro, com decote em &quot;V&quot; e detalhes pretos na região do peito. Também usa brincos de argola dourados e um colar. O fundo é liso, branco e sem elementos." class="wp-image-1027537" style="width:123px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Beatriz Guevara Guerrero &#8211; Foto:&nbsp;<a href="https://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do">Currículo Lattes</a></figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Nesta etapa, a pesquisadora analisou o tamanho das gotículas e sua estabilidade, para garantir que os compostos ativos fossem encapsulados de forma eficiente, permitindo uma liberação mais lenta e controlada no tempo.&nbsp;“Identificamos que a incorporação das emulsões de Pickering nos filmes reduziu a permeabilidade ao vapor de água e, especificamente no caso dos filmes de gelatina, aumentou a resistência mecânica”, avalia Beatriz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para construir um filme bicamada ideal, foram necessários inúmeros testes rigorosos de performance. Inicialmente, a equipe experimentou o polímero PHBV, que também é biodegradável, unido à gelatina. Embora inovador e passível de publicação rápida por sua raridade na literatura científica, o material falhou em um critério técnico essencial: a força de selagem. As camadas se separavam com muita facilidade, o que inviabilizaria seu uso comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A solução definitiva veio com o PLA, que demonstrou uma maior adesão e garantiu a integridade da embalagem, criando um material íntegro e resistente. Além da força mecânica, essa combinação apresentou o melhor desempenho de barreira contra o oxigênio e a umidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A capacidade de barreira ao oxigênio foi melhorada nos filmes bicamadas, e a resistência de selagem obtida nos filmes bicamadas à base de PLA é um fator relevante para que esse material tenha grande potencial de aplicação em embalagens de alimentos”, reitera a pesquisadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Da academia à realidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para aproximar a pesquisa das condições encontradas na indústria, Beatriz utilizou a técnica de termocompressão para unir as camadas do filme. O método, que combina calor e pressão, apresenta maior potencial de aplicação em escala industrial do que o tradicional&nbsp;<em>casting</em>&nbsp;– processo de secagem em moldes amplamente empregado em pesquisas de laboratório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora as altas temperaturas da termocompressão possam degradar parte dos compostos ativos, o estudo demonstrou que a quantidade remanescente de rutina e carvacrol foi suficiente para preservar as propriedades funcionais da embalagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, no pós-doutorado, a pesquisadora quer aprimorar a técnica de fabricação das embalagens utilizando o mesmo método. O objetivo é desenvolver soluções sustentáveis capazes de chegar ao mercado, contribuindo para a conservação dos alimentos e a redução dos impactos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisadora ressalta, ainda, que apesar desses filmes não superarem o desempenho técnico dos plásticos tradicionais, como o PVC, eles são uma alternativa em construção. “A gente não tem o melhor produto agora, mas estamos no caminho para dar uma alternativa biodegradável aos filmes derivados do petróleo”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo deu origem a três artigos diferentes. O primeiro, intitulado&nbsp;<em>Applying Pickering Emulsion Encapsulating Active Compounds to Produce Active Gelatin and/or Sodium Caseinate-Based Films,&nbsp;</em>foi publicado no&nbsp;<em>Journal of</em>&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1080/00222348.2025.2487373" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Macromolecuar Science</a></em>; o segundo,&nbsp;<em>Active bilayer films based on poly(3-hydroxybutyrate-co-3-hydroxyvalerate)(PHBV) and proteins containing rutin and carvacrol encapsulated in Pickering emulsion</em>, na&nbsp;<em><a href="https://doi.org/10.1016/j.polymer.2025.129110" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Polymer</a></em>; e o mais recente,&nbsp;<em>Developing Active Bilayer Films Based on Poly(Lactic Acid) and Gelatin or Sodium Caseinate,</em>&nbsp;na&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1002/pat.70590" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Polymers for Advanced Technologies.</em></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações: e-mail&nbsp;<a href="mailto:beatriz.guevara@usp.br">beatriz.guevara@usp.br</a>, com Beatriz Guevara Guerrero</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiária sob orientação de Fabiana Mariz</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP /Embalagens com filmes de camadas duplas, que, em conjunto, possuem características complementares, podem ser usadas em grande escala – Foto: <a href="https://www.magnific.com/br/vetores-gratis/produto-a-base-de-carne-congelado-em-vector-de-embalagem-de-plastico-para-alimentos_207424395.htm#fromView=search&amp;page=1&amp;position=4&amp;uuid=97957233-a267-4d15-a207-f60b1b94b485&amp;query=embalagem+a+vacuo">upklyak/Magnific</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BATE PAPO COM  MAURÍCIO DINIZ ,PRESIDENTE DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/RD9XeIZWtD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/embalagens-funcionais-sao-aposta-para-conservar-alimentos-e-diminuir-residuos-industriais/">Embalagens funcionais são aposta para conservar alimentos e diminuir resíduos industriais</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Microcrustáceo marinho é usado em método inédito para rastrear poluição por carbono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 17:26:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[CITY RURAL]]></category>
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		<category><![CDATA[poluentes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Técnica de microscopia permite acompanhar em tempo real os efeitos de poluente em espécie de microcrustáceo sem usar marcadores químicos Texto: Rui Sintra* Arte: Livia Bortoletto** Domingo, 26 de julho de 2026 Um estudo internacional liderado por pesquisadores da USP e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro, um dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Técnica de microscopia permite acompanhar em tempo real os efeitos de poluente em espécie de microcrustáceo sem usar marcadores químicos</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Rui Sintra*</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Arte: Livia Bortoletto**</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 26 de julho de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo internacional liderado por pesquisadores da USP e de instituições francesas revelou, pela primeira vez, como partículas de carbono negro, um dos principais poluentes gerados pela queima incompleta de combustíveis fósseis, são ingeridas e transformadas dentro de organismos marinhos microscópicos.&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Publicado em artigo</a>&nbsp;da revista científica&nbsp;<em>Environmental Science &amp; Technology</em>, o trabalho adotou uma avançada técnica de microscopia para acompanhar, em tempo real e sem o uso de marcadores químicos, o comportamento do poluente conhecido como carbono negro em copépodes do gênero&nbsp;<em>Acartia</em>, pequenos crustáceos que compõem grande parte do zooplâncton oceânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O zooplâncton é o conjunto de organismos que tem capacidade de se locomover nas águas dos oceanos e não ser levado pelas correntes marinhas. O carbono negro é considerado um importante agente de aquecimento climático e um contaminante amplamente presente nos oceanos. Apesar disso, pouco se sabia sobre a forma como ele interage biologicamente com organismos marinhos. Os experimentos foram realizados com partículas coletadas diretamente da emissão de motores a diesel na cidade de São Paulo,&nbsp; e o material foi preparado em diferentes formas, particulada e dissolvida, para avaliar seu comportamento óptico e biológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa mostrou que os copépodes ingerem partículas provenientes da fuligem de motores a diesel e que essas partículas sofrem alterações estruturais ao longo do trato digestivo. Segundo os cientistas, o ambiente intestinal dos animais modifica o arranjo molecular do material poluente, transformando agregados sólidos em estruturas mais dispersas e potencialmente mais reativas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260611_francisco.jpg" alt="Homem calvo usando blusa de lã preta com o colarinho de uma camisa vermelha sobre a gola, sorrindo, sentado à esquerda de uma mesa de granito com uma xícara, um copo com café, um guardanapo e uma máscara, tendo um sofá de couro marrom do lado e um conjunto de janelas metálicas por trás" class="wp-image-1018926" style="width:146px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Francisco Eduardo Gontijo Guimarães &#8211; Foto: Divulgação IFSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">“Os resultados obtidos neste trabalho possuem implicações globais, principalmente por se tratar de um ecossistema de influência central na dinâmica mundial: o meio marinho”, destaca Maria Luiza Vicente, primeira autora do estudo e pesquisadora correspondente junto com o professor Francisco Gontijo Guimarães, ambos do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A técnica empregada permitiu diferenciar, com alta precisão, as partículas de carbono negro dos pigmentos naturais presentes nos organismos, criando o que os autores chamaram de “linha de base intestinal livre de pigmentos”. Isso possibilitou observar diretamente a presença do poluente dentro do intestino dos animais vivos. Os resultados também revelaram alterações fisiológicas associadas à ingestão do material. Os copépodes expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à observada durante a alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse alimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos impactos imediatos observados nos organismos analisados, os pesquisadores alertam para possíveis riscos ambientais decorrentes desse processo. Como o zooplâncton ocupa a base da cadeia alimentar marinha, a contaminação pode atingir peixes, crustáceos maiores e outros animais marinhos, ampliando a circulação do carbono negro nos ecossistemas oceânicos. “A técnica desenvolvida é, de fato, inovadora, principalmente por revelar formas antes não diretamente estudadas desses contaminantes em meio aquoso, permitindo entender seu processo de transformação<br><em>in vivo</em>“, ressalta Maria Luiza Vicente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dispersão de poluentes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os cientistas destacam, ainda, que as alterações sofridas pelas partículas dentro do intestino dos copépodes podem aumentar a capacidade de dispersão do poluente na água, favorecendo sua permanência no ambiente e potencializando efeitos tóxicos relacionados ao estresse oxidativo e à presença de compostos químicos derivados da combustão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto de preocupação é o possível impacto sobre o ciclo global do carbono. Como os copépodes desempenham papel fundamental no transporte de matéria orgânica para regiões profundas do oceano, a transformação do carbono negro por esses organismos pode interferir nos mecanismos naturais de armazenamento de carbono e, consequentemente, nas dinâmicas climáticas globais. Especialistas também apontam que a presença contínua desse material nos oceanos pode comprometer o equilíbrio ecológico, afetando processos de alimentação, reprodução e sobrevivência de espécies marinhas sensíveis à poluição.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260611_marialuiza.jpg" alt="Mulher de camiseta preta com cabelos escuros e compridos, sorrindo, tendo ao fundo um edifício com gramado onde está instalada uma escultura" class="wp-image-1018922" style="width:133px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Maria Luiza Vicente &#8211; Foto: Divulgação IFSC</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Para Maria Luiza Vicente, a descoberta ajuda a compreender melhor o destino ambiental do carbono negro nos oceanos e o papel do zooplâncton<br>na transformação desse poluente. “A parceria internacional envolvida não apenas viabilizou minha dupla titulação no doutorado, mas também promoveu a sinergia entre o estudo dos impactos de poluentes emergentes e técnicas ópticas avançadas na fronteira do conhecimento”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No futuro, segundo a pesquisadora, com os avanços das pesquisas ecotoxicológicas, esses dados poderão subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao tratamento de poluentes no meio marinho. Acreditamos que este estudo abre caminhos para desvendarmos o destino de poluentes de carbono emergentes e o real cenário do estoque de carbono nos oceanos”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos cientistas do IFSC, a pesquisa contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Toulon, na França, e do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do programa internacional USP-Cofecub/Campus France.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Label-Free Two-Photon Spectral Microscopy to Track Black Carbon Fate in Live Copepod</em>&nbsp;pode ser consultado neste&nbsp;<a href="https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.5c18449">link</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*&nbsp;<em>Da Assessoria de Comunicação do IFSC, adaptado para o</em>&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>**Estagiária sob orientação de Simone Gomes</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP /Crustáceos expostos ao carbono negro apresentaram dilatação intestinal semelhante à da alimentação natural, indicando que o organismo processa o poluente como se fosse um alimento – Foto: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Live_Copepods_under_Microscope_%E2%80%93_Black_Background_(Macro_Photography.jpg">Lion Pods Live Copepods / Wikimedia Commons</a><br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="BATE PAPO COM  MAURÍCIO DINIZ ,PRESIDENTE DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/RD9XeIZWtD8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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