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	<title>Dhonatas Silva |</title>
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	<title>Dhonatas Silva |</title>
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		<title>Escolhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jul 2024 15:01:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Colunista]]></category>
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		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Siva (Colunista do Ipirá City) Segunda, 01 de julho de 2024 Sempre me perguntei sobre a natureza das escolhas. A vida é feita de caminhos, bifurcações, decisões que nos moldam, nos transformam. Mas… E se tivéssemos escolhido diferente? E se, naquele momento crucial, tivéssemos dito “sim” ao invés de “não”? Ou “não” ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Siva (Colunista do Ipirá City) Segunda, 01 de julho de 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre me perguntei sobre a natureza das escolhas. A vida é feita de caminhos, bifurcações, decisões que nos moldam, nos transformam. Mas… E se tivéssemos escolhido diferente? E se, naquele momento crucial, tivéssemos dito “sim” ao invés de “não”? Ou “não” ao invés de “sim”?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro-me de um dia, há muitos anos, em que me deparei com uma<br>escolha aparentemente banal. Estava na estação de trem, e o destino me apresentava duas opções: um trem que ia para o leste e outro para o oeste. Dois caminhos, duas vidas distintas à minha frente. Optei pelo oeste, mas até hoje me pergunto como teria sido minha vida se tivesse seguido para o leste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada pessoa que encontrei, cada experiência vivida, tudo se desenrolou a partir daquela escolha. Aquele momento me trouxe até aqui, agora. Mas, e as possibilidades perdidas? Os amores que não conheci, as aventuras que não vivi?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, penso que a vida é como um livro com páginas em branco. Cada escolha, cada ação, é uma palavra, uma frase, uma linha que preenche essas páginas. E, no final, temos a nossa história. Mas as histórias não escritas, as linhas não traçadas, para onde vão? Ficam perdidas no limbo das possibilidades não realizadas? Há quem diga que não devemos nos prender ao passado, que é inútil lamentar o que poderia ter sido. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, é da natureza humana refletir sobre o tempo, sobre o que deixamos para trás e o que ainda está por vir. Esses pensamentos nos acompanham, como sombras, lembrando-nos constantemente de que cada momento é precioso e irrepetível. A vida é um constante balé entre o passado e o futuro, com o presente escapando por entre os dedos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, essa dança, essa oscilação entre o que foi e o que será, é o que dá sentido à nossa existência. Cada escolha, cada decisão, por menor que seja, contribui para a construção do nosso eu presente.<br>Talvez, em vez de questionar as escolhas não feitas, devêssemos celebrar as que fizemos. Pois são elas que nos trouxeram aqui, a este exato momento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas que encontramos, as lições que aprendemos, os momentos de alegria e dor, tudo isso compõe o mosaico da nossa vida. E, quem sabe, um dia, olhando para trás, perceberemos que a vida, com todas as suas incertezas e mistérios, foi exatamente como deveria ser. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Que as curvas no caminho, os desvios inesperados, os momentos de dúvida e certeza, todos eles contribuíram para nossa jornada. Afinal, a beleza de viver talvez resida não na ausência de arrependimentos, mas na capacidade de encontrar significado e propósito em cada escolha, em cada momento vivido. Pois, no fim das contas, é a jornada, com todos os seus altos e baixos, que realmente<br>importa. E é essa jornada que nos define, que nos molda, que nos torna quem somos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Ao abraçar o inesperado, ao aceitar que nem tudo está sob nosso controle, podemos encontrar uma paz interior. As escolhas que fizemos, mesmo as que nos parecem erradas ou mal direcionadas, são linhas que escrevemos no livro da nossa vida. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E talvez, ao final de tudo, possamos olhar para trás e ver que cada palavra escrita, cada escolha, contribuiu para uma bela história, uma obra de arte que é a nossa própria existência. Portanto, em vez de nos perdermos em arrependimentos e especulações, que possamos encontrar alegria e gratidão pelos caminhos percorridos, pelas vidas que tocamos e pela história que estamos escrevendo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fim</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Pinterest</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/escolhas/">Escolhas</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Prisão de sonhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 00:24:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Prisão de sonhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva (Colunista do Ipirá City) &#8211; Segunda, 11 de Junho de 2024 Há um pequeno canto do mundo onde o tempo parece ter parado. Atrás degrades frias e paredes cinzentas, vidas se desenrolam num ritmo próprio, como se cada segundo fosse uma eternidade. A prisão é mais do que um edifício, é um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva (Colunista do Ipirá City) &#8211; Segunda, 11 de Junho de 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um pequeno canto do mundo onde o tempo parece ter parado. Atrás de<br>grades frias e paredes cinzentas, vidas se desenrolam num ritmo próprio, como se cada segundo fosse uma eternidade. A prisão é mais do que um edifício, é um estado de espírito, um lugar onde sonhos e esperanças são trancafiados junto com os corpos dos condenados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mário, um homem de olhar profundo e semblante sereno, é um dos muitos que vivem essa realidade. Ele costumava ser livre como o vento, um trabalhador comum que lutava para sustentar sua família. Porém, um erro, um único erro, foi suficiente para transformar sua vida numa sequência interminável de dias iguais, onde o sol parece brilhar com menos intensidade e as noites são um oceano de<br>solidão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Os corredores da prisão são impregnados de histórias não contadas. De vidas interrompidas. Cada cela guarda segredos, desejos não realizados e arrependimentos que ecoam silenciosamente entre as paredes. Os detentos compartilham um sentimento em comum: o peso esmagador do arrependimento.<br>Mas paradoxalmente, a prisão também é um lugar de descobertas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Mário em seus longos dias de reclusão, encontrou algo que nunca tinha<br>buscado antes: a paz interior. Foi durante uma tarde ensolarada, enquanto olhava através das grades para o céu azul, que ele percebeu que, embora seu corpo estivesse preso, sua mente ainda era livre. Ele começou a ler, a escrever, a refletir sobre a vida e suas escolhas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Descobriu que a liberdade verdadeira não está apenas na capacidade de ir e vir, mas na habilidade de encontrar significado e propósito, mesmo nas circunstâncias mais adversas. A rotina da prisão é um ciclo interminável de atividades monótonas: o acordar ao som das chaves, o café da manhã insípido, os momentos de trabalho forçado e o retorno à cela. </p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, para Mário, cada pequeno detalhe tornou-se uma oportunidade de aprendizado. Ele se dedicou a ajudar outros presos a encontrar essa mesma paz, ensinando-lhes a ler e a escrever, compartilhando histórias e sonhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A prisão, então, deixou de ser apenas um lugar de punição e tornou-se um espaço de transformação. Mário, que antes era um número no sistema, tornou-se um símbolo de esperança e redenção. Ele mostrou que, mesmo nas circunstâncias mais sombrias, é possível encontrar luz. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a prisão não é apenas um lugar físico, mas um estado mental. E Mário nos ensina que, às vezes, é necessário estar preso para realmente aprender o que significa ser livre.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br>Fim.</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Pinterest</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/prisao-de-sonhos/">Prisão de sonhos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Muros Invisíveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 May 2024 16:39:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Colunista]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Muros Invisíveis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva (Colunista do Ipirá City) &#8211; Sexta, 31 de maio de 2024 Em uma cidade qualquer, muros de concreto e tijolo se erguem por todos os lados, dividindo espaços, delimitando propriedades, criando barreiras. Mas os muros mais altos e intransponíveis não são feitos de matéria sólida. Eles são invisíveis,construídos ao longo do tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva (Colunista do Ipirá City) &#8211; Sexta, 31 de maio de 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma cidade qualquer, muros de concreto e tijolo se erguem por todos os lados, dividindo espaços, delimitando propriedades, criando barreiras. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas os muros mais altos e intransponíveis não são feitos de matéria sólida. Eles são invisíveis,<br>construídos ao longo do tempo por preconceitos, medos e desentendimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alana e Théo moram na mesma rua, a poucos metros de distância, mas raramente se veem. Os muros invisíveis que os separam são feitos de diferenças culturais e sociais. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Alana, uma jovem professora de arte, vive cercada de cores e expressões. Théo, um executivo de terno e gravata, habita um mundo de números e relatórios. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles cruzam o mesmo caminho todos os dias, mas não enxergam um ao outro. Esses muros invisíveis começaram a ser construídos há muito tempo, com tijolos de julgamentos precipitados e cimento de estereótipos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Alana, com seu estilo despojado e cabelo colorido, é vista como extravagante e irresponsável. Théo, com<br>seu ar sério e postura rígida, é rotulado como arrogante e insensível. As barreiras crescem cada vez que um olhar desvia, cada vez que um sorriso não é retribuído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, as tempestades da vida têm uma forma peculiar de testar a resistência desses muros. Em um dia de chuva torrencial, Alana e Théo se encontram abrigados sob a mesma marquise, forçados a compartilhar aquele espaço por alguns minutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> A princípio, o silêncio constrangedor ergue mais um tijolo entre eles. Mas, ao perceberem a ironia da situação, um sorriso tímido começa a desmoronar o muro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Parece que estamos presos aqui. ─ Diz Alana, tentando quebrar o gelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Théo, surpreendido pela leveza dela, responde com um aceno de cabeça e um sorriso que não dá para segurar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ É, a natureza às vezes nos obriga a parar e olhar em volta. ─ Ele comenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A conversa flui inesperadamente fácil. Alana descobre que Théo adora jazz e tem um vinil de Miles Davis. Théo fica sabendo que Alana se voluntaria aos fins de semana, ensinando crianças em uma comunidade carente. Cada palavra trocada derruba mais um tijolo, revelando que, apesar das diferenças aparentes, eles compartilham sonhos e valores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a chuva finalmente para, Alana e Théo se despedem com a promessa de continuarem aquela conversa. Os muros invisíveis que os separavam começam a desmoronar, revelando a beleza de uma cidade onde as diferenças podem coexistir e enriquecer a vida de todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Os muros, afinal, são construções frágeis, erigidas mais pela falta de conhecimento do que pela malícia. Quando nos permitimos olhar além das aparências, descobrimos que as barreiras são ilusórias, e<br>que o que nos une é muito mais forte do que o que nos separa. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em cada interação genuína, um muro cai, e o horizonte se amplia, deixando espaço para a<br>compreensão e a amizade.</p>



<h1 class="wp-block-heading"><strong>Fim.</strong></h1>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem: Pinterest</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/muros-invisiveis/">Muros Invisíveis</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Gentileza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Dec 2023 15:56:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva (Colunista Ipirá City) Sônia chegou em casa depois de mais um dia cansativo e estressante no escritório. Tomou um banho quente, preparou um café bem forte, pôs a roupa mais confortável possível (nenhuma), e deitou na cama. Colocou o fone de ouvido e começou a buscar no Spotify por alguma música que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva (Colunista Ipirá City)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sônia chegou em casa depois de mais um dia cansativo e estressante no escritório. Tomou um banho quente, preparou um café bem forte, pôs a roupa mais confortável possível (nenhuma), e deitou na cama. Colocou o fone de ouvido e começou a buscar no Spotify por alguma música que a fizesse esquecer aquele que foi mais um dia terrível de vida. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Na verdade, pra ela nada mais fazia sentido. Estava a pouco mais de um mês separada, após o fim de um relacionamento que durou 15 anos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu ex mudou-se para outra cidade com sua ex melhor amiga, seus pais já haviam partido para o outro plano, não tinha irmãos, nem filhos. Tinha apenas um emprego que segundo ela era chato, e que servia apenas para pagar suas contas. Amigos? Ela até tinha alguns, mas estes se afastaram por conta do ex que a controlava. A única amiga com quem ele a deixava ter contato e sair para onde quisesse era justamente a que fugiu com ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enfim, voltando para o Spotify, Sônia encontrou uma música de Marisa Monte chamada Gentileza, apertou o play. Enquanto ouvia, lembrou-se de quando estava no ônibus, no retorno para casa, alguém a chamou de “gentil”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Boa noite senhora, queira se sentar, por favor. ─ Na verdade ela já estava<br>entediada, pois havia passado o dia inteiro sentada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Oh minha querida, muito obrigada, não sentei durante o dia todo.<br>Sônia sequer olhou para o rosto da mulher, que era uma vendedora<br>ambulante, mas mesmo sem querer, escutou a conversa da senhora com outra<br>passageira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Você viu como essa mulher é gentil? ─ A senhora cochichou, fitando os<br>olhos em Sônia</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Sim, é raro ver pessoas assim hoje em dia. Gentileza é raridade. ─ Rebateu<br>a mulher que estava ao lado da senhora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sônia ouviu aquilo, mas estava tão cega de amargura pelo dia que viveu e pela vida que vinha tendo que naquele momento nem se tocou de que era dela que estavam falando. A música Gentileza foi um gatilho não apenas para aquela lembrança recente, mas também para suas atitudes com as pessoas ao seu redor e também consigo mesma. Pegou no sono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia seguinte ela acordou completamente diferente. Estava disposta a<br>mudar suas atitudes, decidiu tornar-se gentil. A mudança começou desde o abrir dos<br>olhos, iniciou o dia com oração e agradecimento. Arrumou-se e saiu para o trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Bom dia dona Rita, tudo bem?,</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Qual seu nome mesmo? Você está bem? ─ Sua vizinha há anos não estava<br>a reconhecendo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Sou a Sônia, moro nessa casa ao lado da sua, estou bem sim, obrigado por<br>perguntar. ─ Sônia estava com um sorriso radiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Eu sei quem você é minha filha, apenas estranhei você falar comigo, nunca havia acontecido. Tenha um ótimo dia de trabalho. ─ Dona Rita estava desconfiada. Sônia seguiu em direção ao ponto de ônibus. Lá estavam cinco pessoas que todos os dias pegavam o ônibus com ela, porém ela não as enxergava. Três eram amigas que se afastaram por conta do ex, a quarta pessoa era uma mulher que morava numa rua próxima, mas que a odiava simplesmente por achá-la bonita e imaginar que ela tinha uma vida perfeita, e a quinta pessoa era um rapaz que trabalhava no mesmo escritório que Sônia, porém nunca haviam se falado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Bom dia gente, tudo bem com vocês? ─ Sônia estava com uma energia<br>contagiante, transparecia no brilho de seu olhar e em seu belo sorriso.<br>O ônibus chegou bem na hora. As amigas fingiram que não ouviram e<br>entraram rapidamente, a outra mulher a encarou com olhar de desdém e também<br>entrou no ônibus, enquanto Carlos retribuiu o bom dia. Entraram juntos e sentaramse um ao lado do outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Tudo bem? Me chamo Sônia, e você?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Oi, prazer, eu sei. ─ Carlos estava aéreo, hipnotizado no sorriso de Sônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Eu sei? Sério que esse é o seu nome?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Quero dizer, meu nome é Carlos, mas eu sei que seu nome é Sônia, te<br>observo faz tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Nossa! Nunca te vi antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sônia notou que as amigas a trataram com indiferença, quanto à mulher<br>desconhecida ela nem se preocupou com a maneira que foi tratada, já Carlos a fez<br>repensar seus atos de gentileza. Pensou consigo mesma:</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Será que ele está interessado em mim, pelo simples fato de tê-lo tratado<br>com gentileza?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegando ao trabalho o bom humor de Sônia contagiou a todos, inclusive<br>ouviu algumas piadas dos colegas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Olha ela, enfim esqueceu-se do ex.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Será que está conhecendo alguém. É você, Carlos? Chegaram juntos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Acho que a noite dela foi boa, hein?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas Sônia não se deixou abalar, e seguiu sorridente durante todo o dia. Ao<br>entrar no ônibus para voltar para casa, ela avistou o celular de um jovem caindo no<br>chão sem que o mesmo notasse, mas Sônia prontamente abaixou-se, pegou-o e<br>devolveu-o ao dono.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Ei, seu celular caiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Meu Deus, nem percebi. Tive um dia difícil. Muito obrigado, Deus te<br>abençoe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Por nada, apenas devolvi seu celular, qualquer um faria. ─ Ela se<br>impressionou com a forma que o jovem a tratou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Você acha mesmo que qualquer um faria? Acabei de ser demitido e<br>comprei esse celular na semana passada. Nem cheguei a pagar a primeira parcela.<br>A senhora é muito gentil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sônia refletiu sobre o que ouvira e vivera naquele dia. Ao chegar em casa tomou um banho quente, preparou um café bem forte, pôs a roupa mais confortável possível (nenhuma), e deitou na cama. Colocou o fone de ouvido e começou a buscar no Spotify por alguma música que a fizesse fechar com chave de ouro aquele que foi um dia incrível de vida. Sônia encontrou uma música de Capital Inicial<br>chamada Melhor do que ontem, apertou o play.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Enquanto ouvia, refletiu sobre o quão bom é ser gentil, sentia-se leve, feliz, e lembrou-se que mais uma vez alguém a chamou de “gentil”. Mas também se preocupou em ver a reação das pessoas diante de gestos simples, atitudes normais. Mas será mesmo que são atitudes normais? Assim como a própria Sônia questionou o jovem do celular, será que qualquer um faria o mesmo? Não estaria a GENTILEZA em extinção?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sônia estava apaixona pela sua mais nova versão, e assim seguiu, sendo gentil todos os dias. Falava com desconhecidos, devolvia o troco que lhe era entregue errado, respeitava os acentos destinados a deficientes, idosos e gestantes, pedia desculpas, com licença, obrigado, não tirava vantagem das situações, ajudava sem esperar nada em troca, não furava fila. Tornou-se empática, altruísta, e a cada<br>dia sentia mais amor pela vida. A nova Sônia contagiava todos a sua volta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Dona Rita lhe convidava todos os domingos para almoçar com a família, todas as manhãs<br>encontrava seus cinco amigos no ponto de ônibus e os dias sempre começavam com vários sorrisos e resenhas. Todas as noites ao chegar do trabalho, tomava um banho quente, preparava um café bem forte, pusera a roupa mais confortável possível (nenhuma), e deitava na cama. Colocava o fone de ouvido e começava a buscar no Spotify por alguma música que a fizesse refletir. Na noite passada ela<br>pegou no sono ouvindo Jota Quest, uma música chamada Dias melhores. Sônia a<br>cada dia percebia que “gentileza gera gentileza”.<br></p>



<h1 class="wp-block-heading"><strong>Fim</strong></h1>



<p class="wp-block-paragraph"></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/gentileza/">Gentileza</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Fugindo da realidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2023 15:53:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Fugindo da realidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por &#8211; Dhonatas Silva (Colunista &#8211; Ipirá City) O que é a realidade? Seria tudo aquilo que estamos vivendo? Por que por vezes tentamos fugir de nós ou de onde estamos? O que buscamos, afinal? Gregório tinha 40 anos de idade, desde criança seu maior sonho era conhecer a FELICIDADE. Ora, mas isso é fácil, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por &#8211; Dhonatas Silva (Colunista &#8211; Ipirá City)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que é a realidade? Seria tudo aquilo que estamos vivendo? Por que por vezes tentamos fugir de nós ou de onde estamos? O que buscamos, afinal? Gregório tinha 40 anos de idade, desde criança seu maior sonho era conhecer a FELICIDADE. Ora, mas isso é fácil, não é mesmo? Já que a felicidade pode ser encontrada em tantas coisas e lugares. Mas Gregório não a conhecia, e já havia procurado seu significado no dicionário. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Felicidade é o estado de quem é feliz, um sentimento de bem-estar e contentamento. Mas ele não compreendia nada daquilo. Sempre que ligava a TV, via pessoas com tão pouca condição, mas com um<br>sorriso largo no rosto, e se perguntava:</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Mas como podem ser tão felizes com tão pouco? </p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Questionava constantemente.<br>Gregório então resolveu ir à busca do seu maior sonho. Ele não costumava<br>sair muito de casa. Em sua garagem tinham dois carros, duas motos e uma bicicleta.<br>Certo dia ele resolveu fugir de casa pra ver se encontrava a felicidade perdida em<br>algum lugar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Vestiu-se igual àquelas pessoas que ele costumava ver na TV, pegou a<br>roupa mais velha que tinha, colocou um pouco de dinheiro, seus documentos e<br>cartões de crédito numa bolsa, pegou a bicicleta e seguiu sem rumo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele não conhecia muito bem a cidade, mas se arriscou mesmo assim. Após pedalar por<br>pouco mais de 2 km, se deparou com um mendigo que não hesitou em pedi-lo<br>ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Ei, ei, me ajude, por favor. Estou morrendo de fome.<br>Gregório já havia se assustado com a situação em que o homem se<br>encontrava, e se emocionou depois de ouvir aquelas palavras. Ele queria ajudar<br>aquele homem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Boa tarde, me chamo Gregório, qual o seu nome?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Meu nome é Antônio, mas pode me chamar de Tõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Antônio, vamos fazer o seguinte, almoçaremos naquele restaurante do<br>outro lado da rua, enquanto você me conta sua história, tudo bem?<br>Antônio prontamente aceitou, estava com muita fome e aquele era um convite<br>irrecusável. Serviram-se, afinal, o restaurante era self-service, e começaram a<br>conversar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Então Antônio, conte-me sua história. O que aconteceu para que você<br>chegasse a essa situação?<br>Gregório que era um homem pobre, que só tinha dinheiro, agora conversava<br>com Tõe, um homem rico que morava na rua. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O homem pobre que veementemente<br>fugiu de casa em busca de algo que não poderia comprar, nunca imaginou que<br>encontraria sinais de felicidade tão rápido. Tõe começou a contar sua história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Então senhor Grego, eu tenho 60 anos de idade, moro nas ruas a pouco<br>mais de um ano. Trabalhei minha vida inteira limpando banheiros públicos, ninguém<br>nunca me notou enquanto eu trabalhava. Diariamente centenas de pessoas<br>entravam nos banheiros, mas sequer davam-me bom dia. Depois que me aposentei, imaginei que iria aproveitar ainda mais o tempo com meu filho e minha esposa, mas…</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Mas o que Antônio, o que houve com eles? Te abandonaram? O que você<br>aprontou? ─ Gregório estava morto de curiosidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ O que aprontei? Porque acha que aprontei algo? </p>



<p class="wp-block-paragraph">─ O semblante de Tõe<br>mudou rapidamente, agora parecia estar irritado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Ora, normalmente essas histórias são resultado de um marido que bebe e<br>bate na mulher, ou trai, ou… </p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Tõe o interrompeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Ou o que? Acha que os matei? Não sei em que mundo você vive, mas acho<br>que está assistindo muita televisão. Eu amava minha esposa e meu filho, e sim, eles<br>me abandonaram, e sim eu bebia muito, mas só comecei a beber depois do<br>ocorrido?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Conte-me tudo Antônio, não irei mais interrompê-lo, o que ocorreu?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Senhor Grego, eu posso ser desprovido de beleza e de dinheiro, mas tenho<br>um bom coração. Minha esposa e meu filho perderam suas vidas em um acidente de<br>carro, desde então não consegui mais voltar pra casa. Sei que não irei conseguir<br>abrir a porta da minha casa e não vê-los vindo correndo pra me abraçar e perguntar<br>como havia sido meu dia. Eu via centenas de pessoas durante o dia todo, mas<br>apenas quatro me viam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Meus sentimentos seu Antônio. Quatro? Mas você não morava apenas com<br>sua esposa e seu filho? ─ Gregório estava confuso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Sim, sim, mas lá em cima tem alguém que nunca deixou de olhar por mim,<br>um Deus que me faz sorrir todos os dias e que oro pedindo forças para entrar na<br>minha casa novamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ E a quarta pessoa? ─ Indagou louco pela resposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Eu!</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Você? Isso é uma piada?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Por que seria? Eu sempre era o segundo a me ver todos os dias? E antes<br>que você me interrompa perguntando se o primeiro era minha esposa, não. O<br>primeiro sempre era aquele que nunca dorme, e eu acordava muito cedo e depois<br>da oração ia direto para o banheiro me olhar no espelho. Admirava o quanto era<br>especial, feliz e rico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Rico? Quanto você ganhava para lavar banheiros? ─ Gregório perguntou<br>sorrindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ O suficiente para não precisar sair por aí em busca da felicidade, pois ela já<br>morava comigo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aquelas palavras dilaceraram o coração de Gregório. Foi uma direta, até<br>parecia que Tõe sabia que ele havia fugido de casa com esse intuito. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A história e a fé daquele homem fizeram Gregório lembrar-se de sua empregada, seu pai, sua<br>mãe, seus irmãos, do cachorro, enfim, de todos. Que mesmo convivendo na mesma<br>casa, não se viam há anos. Gregório resolveu se oferecer para ajudar Tõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Antônio, eu quero lhe ajudar! ─ Gregório estava preocupado de deixá-lo<br>continuar morando na rua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Já lhe falei que pode me chamar de Tõe. ─ Sorriram juntos. Ali nascia uma<br>bela amizade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Está bem, está bem, Tõe. Deixa-me te ajudar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Me ajudar como? Você já me pagou um prato de comida hoje, se quer me<br>ajudar, passe por aqui de novo amanhã. ─ Sorriram novamente.<br>O bom humor de Tõe diante da realidade em que vivia, cada vez mais<br>cativava Gregório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Vamos à sua casa? ─ Ele interrompeu o sorriso de Tõe com essa pergunta.<br>Provavelmente ele não imaginava, mas tocou na ferida de Tõe. Que<br>atravessou a rua correndo e sentou no mesmo lugar onde Gregório o havia<br>encontrado, e desabou em prantos. Foram longos minutos de conversa, até que<br>uma frase mudou toda situação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Onde fica sua casa, Tõe?</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Estamos na calçada d</p>



<p class="wp-block-paragraph">─ Tõe, certa vez li uma frase de um escritor ipiraense chamado Dhonatas<br>Silva que dizia o seguinte: “Precisamos assustar nossos medos”. Vamos entrar. Saí<br>de casa disposto a conhecer a felicidade, e você me disse que ela morava com<br>você. Pode me apresentá-la?</p>



<h1 class="wp-block-heading"><em><strong>FIM.</strong></em></h1><p>The post <a href="https://ipiracity.com/fugindo-da-realidade/">Fugindo da realidade</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O telefonema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Oct 2023 14:58:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[O telefonema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva Seu Chico era um inventor e grande artista de uma cidade situada no interiorda Bahia, chamada Ipirá. Assim como acontece com a maioria dos artistas deinterior, seu trabalho não era valorizado por grande parte da população local e dopoder público, mas todas as pessoas que vinham de outros lugares para visitarparentes faziam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva</p>



<div class="wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-4fc3f8e1 wp-block-group-is-layout-flex">
<p class="wp-block-paragraph">Seu Chico era um inventor e grande artista de uma cidade situada no interior<br>da Bahia, chamada Ipirá. Assim como acontece com a maioria dos artistas de<br>interior, seu trabalho não era valorizado por grande parte da população local e do<br>poder público, mas todas as pessoas que vinham de outros lugares para visitar<br>parentes faziam questão de dá uma passada na casa dele para apreciar suas<br>maravilhas. Alguns turistas já vieram exclusivamente para visitá-lo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como eu era seu vizinho, da minha casa admirava sua felicidade ao ver os ônibus </p>



<p class="wp-block-paragraph">pararem em sua porta. Pra não dizer que seus belíssimos trabalhos nunca foram valorizados pelos<br>seus conterrâneos, certa vez o Ipirá City, que é um site de notícias da cidade, contou<br>a história de Seu Chico em um quadro chamado Personalidade da semana. Além de sua história, o site também expôs várias fotos das invenções dele. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu nome naverdade é Francisco Duarte, mas ele prefere ser chamado de Duarte, e o motivo é<br>bem simples, o fato de ter ARTE no sobrenome. Eu vivo tirando sarro dele com isso, pois só o chamo de Seu Chico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Digamos que eu era sua cobaia preferida para seus experimentos. Sempre<br>que ele inventava algo novo, vinha correndo me chamar para testar. Ele falava que<br>eu era jovem e inteligente, e que mesmo ele calculando tudo direitinho, tinha medo<br>de dar alguma merda, e completava dizendo:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>– Antes tu do que eu. Tenho história pra contar, e invenções pra criar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">– E se acabava na risada. Certo dia, ele veio assustado me convidar para testar sua mais nova e mais<br>incrível invenção. Ele sempre vinha correndo me chamar, constantemente com um<br>belo sorriso banguela, mas assustado foi à primeira vez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">– Oh moleque sem vergonha, corre aqui que eu inventei um negócio<br>istaordinári. – Ele falou assim mesmo, acredito que dê para compreender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">– Fala Seu Chico, só de boa? Nunca havia lhe visto assustado. Agora posso<br>dizer que já vi sua feição de todos os jeitos, e está confirmado, o senhor é feio por<br>natureza.<br>– Ah caba safado, anda ligeiro, que essa você vai gostar de ver. – Oh lá ele.<br>Seu Chico havia colocado um orelhão na frente da casa. Ele me contou que<br>tinha assistido alguns vídeos no YouTube sobre como voltar no tempo.<br>– Mas Seu Chico, eu num já lhe falei que sua feiura não tem mais jeito? Não<br>adianta querer voltar no tempo. No seu caso acho que só se nascer de novo, e<br>mesmo assim tem que ser de outro pai e outra mãe. Se o senhor é assim, que dirá<br>eles. – (GARGALHADA)<br>Seu Chico nem deu bola pra o que eu falei. Também o coitado já estava<br>calejado, eu pirraçava todo dia. Ele seguiu me contando sobre a invenção, e eu que<br>era seu maior apoiador, comecei a interrogá-lo.<br>– O senhor quer me dizer que se eu digitar esse número, eu irei ligar para<br>mim mesmo quando criança? – Não poderei compartilhar o número por questões de<br>segurança.<br>– Isso mermo, seu orêa seca. Porque tu acha que eu tô assustado? Eu liguei<br>pra mim mesmo, mas quando ouvi minha voz não consegui continuar e desliguei a<br>ligação. – Falou me olhando com o semblante assustado.<br>– Rapaz, o senhor se superou. Só de ouvir sua voz já se assustou? Agora se<br>coloque no meu lugar, que lhe vejo ao vivo e a cores. (GARGALHADA)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confesso que pela primeira vez não levei sua invenção a sério, mas resolvi<br>testar. Eu teria que discar o número secreto que continha 50 algarismos, após estes<br>eu deveria digitar minha data de nascimento, mais a data correspondente à idade<br>que eu tinha, quando fosse atender a minha ligação para mim mesmo. Acho que<br>vocês entenderam. E não é que estava chamando?<br>Atenderam!<br>– Alô? – Falei quase me cagando de medo.<br>– Oi, sou eu, você! – Tum Tum Tum.<br>Desliguei!<br>– Toma caba safado. Agora acredita em mim? – Dessa vez foi Seu Chico<br>quem riu de mim.<br>– Mas todo feio, quer dizer, mas Seu Chico, o senhor é um gênio. Mas como?<br>Criei coragem para ligar novamente. Já que eu iria ligar para mim mesmo<br>quando criança, pensei em aproveitar para dar conselhos. Liguei novamente.<br>Atenderam!<br>– Alô? – Agora eu já estava mais confiante.<br>– Oi, sou eu, você. Tá com medo de você mesmo?<br>– Oi, na verdade a ligação caiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Eu, é o seguinte, aproveita minha infância<br>cara, cuidado pra a bola não cair no quintal de dona Joana, na verdade ela não tem<br>cachorro, é ela mesmo que corta as bolas com uma faca. Sabe a Bianca? Cara, ela<br>só tá te usando, ela sabe que meus pais vão me levar pra praia no final do ano e ela<br>quer ir junto, quem gosta mesmo de mim é a Júlia, fica tranquilo que ela vai ser linda<br>quando crescer. Valoriza minha mãe e meu pai, pois eu não os terei para sempre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esquece essa história de ficar adulto para ser livre, essa é a maior mentira que<br>existe. E por último, mas não menos importante, não tenha cartão de crédito… –<br>Tum Tum Tum<br>– O que houve Seu Chico? Porque a ligação caiu? – Nem deu tempo de falar<br>sobre as faturas e boletos.<br>– Ora, ora, tudo na vida tem limites meu garoto. Eu cronometrei e foram 2<br>minutos de conversa. Farei novos experimentos para ver se é possível ligar<br>novamente ou aumentar o tempo da ligação.<br>– Não quero mais ligar para mim. Não poderei mais mudar tudo que já<br>aconteceu. Essa invenção é uma aberração. – Eu estava furioso.<br>– Calma orêa seca, você não pode mudar o passado, mas pode fazer<br>diferente no presente, para no futuro ligar para você mesmo apenas para agradecer<br>por quem se tornou.</p>



<h1 class="wp-block-heading"><br>FIM.</h1>
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		<title>Amora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 14:10:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Amora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva (Colunista Portal Ipirá City) O ano era 1992, Sophia havia completado seus 18 anos de idade recentemente. Erauma menina linda, extremamente feliz com a vida que levava e com a família, alémde ser cheia de sonhos. Ela e suas melhores amigas Kiara e Isla, que tinham amesma idade que ela, sempre foram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva (Colunista Portal Ipirá City)</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ano era 1992, Sophia havia completado seus 18 anos de idade recentemente. Era<br>uma menina linda, extremamente feliz com a vida que levava e com a família, além<br>de ser cheia de sonhos. Ela e suas melhores amigas Kiara e Isla, que tinham a<br>mesma idade que ela, sempre foram como carne e unha. Ela era ruiva, tinha cabelos<br>longos e cacheados, amava usar um chapéu vermelho bordado com um lindo<br>lacinho branco, feito por sua avó, dona Matilda, que a havia presenteado com ele no<br>seu aniversário de 15 anos. Dona Matilda, mãe de Alexander, era uma senhora<br>baixinha de cabelos brancos, além de avó superprotetora, também era confidente<br>fiel de Sophia, uma confiança que nem mesmo as melhores amigas possuíam.<br>Alexander e Olívia, pais de Sophia, formavam um belo casal, o pai era barbudo e um<br>pouco acima do peso, a mãe era ruiva e esbelta, tinha 33 anos, dois a menos que<br>marido. Sempre fizeram de tudo para dar a melhor vida e educação para a única<br>filha. A casa da família, localizada em uma pequena fazenda, ficava a uns 15 km de<br>Rovaniemi, capital da Lapônia, província que fica ao norte da Finlândia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Sophia desde muito nova já ajudava a família no plantio e colheita de frutas<br>silvestres, que além de trazerem o sustento financeiro para a casa, também eram<br>ingredientes das refeições diárias. Morango, mirtilo, framboesa, lingonberry, e claro,<br>amora, a fruta favorita de Sophia. O Clubinho das Ruivas era o local onde Sophia,<br>Kiara e Isla se reuniam todos os domingos, ou sempre que precisavam, para<br>conversar sobre a vida, escrever poesias e desabafar seus problemas. Era uma<br>casa na árvore que havia sido construída pelo querido e falecido avô de Sophia, o<br>Sr. Bernard, que Deus o tenha. Ele a construiu em um carvalho no fundo da casa,<br>uma árvore que representava muito pra família, pois sempre foi um ambiente para<br>fotos e almoços desde as gerações passadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Era um sábado, 6 horas da manhã, Sophia acordou com o barulho do despertador,<br>então iniciou sua rotina dos dias de feira, mas aquele sábado seria diferente, pois<br>seria o último antes do tão esperado natal, naquela que pra quem não sabe, é a<br>cidade do querido Papai Noel. Ela tomou seu café da manhã preferido, uma xícara<br>de leite e geleia de amora com leipajuusto (queijo), em seguida escovou os dentes,<br>penteou os cabelos, colocou um vestido vermelho, calçou uma bota preta, e claro,<br>colocou seu querido chapéu. Ajudou os pais a organizar todas as frutas na carroça,<br>para seguirem viagem até Rovaniemi. Seguiram.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Naquela região faz frio o ano todo, parece até que só tem inverno, a impressão que<br>dá é que por lá é natal o ano todo, por se tratar de uma cidade turística, mas são nas<br>últimas semanas do ano que o local passa a ser ainda mais procurado pelos turistas.<br>Após chegarem ao destino, organizaram tudo e iniciaram as vendas das deliciosas<br>frutas. Sophia comprou um jornal para se atualizar sobre as novidades que<br>reservavam aquele natal, tinham muitas boas novas. A manchete mostrava que a<br>expectativa do número de turistas que visitariam Rovaniemi naquele final de ano era<br>gigantesca, algo nunca visto antes. Isso porque renomados chefes de cozinha<br>franceses, deixaram bem claro em entrevistas às rádios e jornais da França que<br>fariam uma visita na terra do velho barbudo, em busca de novas receitas para<br>embelezar e levar novos sabores para o próximo Bocuse d’Or, que é a maior<br>competição de gastronomia do mundo, e que sempre acontece durante dois dias<br>próximo ao final de janeiro em Lyon. Sophia ficou muito feliz, pois um dos grandes<br>sonhos dela era disputar essa grande competição e ser dona de um grande<br>restaurante em Helsinque, capital da Finlândia, para dar melhores condições de vida<br>à família e para conseguir realizar seus sonhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Venderam todas as frutas, e voltaram pra casa felizes da vida, Sophia estava<br>ansiosa para contar a dona Matilda sobre as novidades que lera no jornal. Foi o<br>caminho todo deitada no fundo da carroça, olhando pro céu, admirando a aurora<br>boreal e já na expectativa de passar a noite de natal em Santa Claus Village, que é<br>um parque de diversões em Rovaniemi, ela estava totalmente convencida de que iria<br>realizar aquele que era mais um dos seus sonhos, afinal, ela havia sido uma boa<br>menina durante todo o ano. Em sua carta para o Papai Noel seu pedido foi que<br>pudesse passar a noite de natal no belíssimo parque, e como ela junto com os pais<br>conseguiram vender todas as frutas na feira, ela estava crente de que nada poderia<br>estragar seu sonho, nem seu natal. Chegaram em casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>─ Vó, a senhora não vai acreditar! Vários turistas franceses virão passar o natal<br>aqui, acho que é minha grande chance de tentar mostrar pra algum deles meus<br>talentos culinários. (RISOS)<br>─ Oh minha netinha querida, torcerei para que der certo, caso seja este o seu<br>destino. ─ Beijou a testa de Sophia.<br>Sophia correu para conversar com os pais a respeito do Santa Claus Village, mas<br>percebeu que eles discutiam, então parou atrás da porta do quarto e ficou ouvindo<br>pra saber do que se tratava a discussão.<br>─ Mas Alexander, é o sonho da nossa filha, desde pequena ela sempre viu as<br>amigas irem para o parque, em todas as noites de natal, ela nunca pôde ir por conta<br>das nossas condições, pense melhor meu amor.<br>Alexander estava exaltado, pois sempre teve o sonho de ter um carro, e aquele<br>momento era o mais propício para a sua realização, pois o vizinho, fazendeiro, viúvo<br>e melhor amigo dele, Bryan, estava vendendo sua Pickup 1939 por um ótimo preço.<br>Ele tinha a mesma idade de Alexander, mas possuía um físico atlético.<br>─ Olívia, você tem que entender que além de ser meu sonho de criança, esse carro<br>nos trará mais conforto e nos ajudará no transporte das frutas para a feira. Um dia a<br>nossa filha vai crescer e entender que essa baboseira de Papai Noel não passa de<br>uma grande mentira, ela terá que estudar e trabalhar bastante se um dia realmente<br>quiser passar uma noite de natal naquele lugar.<br>Sophia ouviu tudo e ficou paralisada atrás da porta, seus olhos transbordaram em<br>lágrimas de tristeza e raiva, foram as piores coisas que ela já havia escutado na<br>vida, e ainda pior por terem vindo das pessoas que ela mais amava e que sempre a<br>ensinaram a não desistir de seus sonhos, e nunca duvidar da existência do velho<br>barbudo. Seus pais terminaram a discussão e saíram em direção à porta para irem<br>jantar, ao abrirem, se depararam com a filha aos prantos. Olívia tratou de perguntar<br>a Sophia o que ela estava fazendo ali, e se havia escutado algo do que ela e o<br>marido estavam conversando.<br>─ Quer saber o que eu ouvi? Ouvi tudo, tudinho. Quer saber o que vim fazer aqui?<br>Vim dizer o quanto odeio vocês com todas as minhas forças!<br>Sophia correu em direção à casa da árvore e trancou a porta, Olívia ainda perguntou<br>se ela não iria comer, mas àquela altura, diante de tudo que ouviu, ela já não tinha<br>mais fome, e por lá adormeceu.<br>No dia seguinte Kiara e Isla já estavam lá bem cedo, afinal, era dia do Clubinho das<br>Ruivas. O mordomo da casa de Kiara as levou de charrete. As meninas bateram na<br>porta da casa de Sophia, quem atendeu foi dona Matilda, que era a única que estava<br>em casa. Alexander havia ido para as plantações e Olívia saiu sem dizer pra onde<br>iria. Dona Matilda apenas falou para as meninas que a neta estava na casa da<br>árvore e que precisava muito delas. As meninas se olharam sem entender ao certo o<br>que a avó da amiga quis dizer e partiram às pressas para a casinha. Bateram na<br>porta, mas Sophia não abriu logo de imediato, primeiro tratou de perguntar quem<br>batera na porta, pra se certificar de que não eram seus pais.<br>─ Somos nós, Kiara e Isla, viemos para o nosso querido encontro de todos os<br>domingos, trouxemos trufas de amora, suas favoritas, podemos entrar?<br>Sophia então abriu a porta, suas amigas não acreditaram no que estavam vendo, ela<br>estava irreconhecível, seus olhos estavam tão vermelhos quanto amoras, ela havia<br>cortado o cabelo na altura do pescoço. Em coro as amigas perguntaram sobre o que<br>havia acontecido.<br>─ O que houve Sophia? Porque você estar assim? Porque cortou o cabelo?<br>─ Cortei o cabelo porque era o que meus pais mais elogiavam em mim, viviam<br>falando do quanto ele era bonito, e estou chorando porque descobri que não irei<br>realizar meu sonho de ir ao Santa Claus Village e que o Papai Noel não passa de<br>uma farsa. Saiam daqui, quero ficar sozinha!<br>As meninas ficaram assustadas e sem acreditar no que a amiga acabara de contar.<br>Kiara e Isla eram filhas de banqueiros de Rovaniemi, e naquele dia haviam ido com<br>uma baita surpresa para Sophia, levaram um ingresso para que ela pudesse passar<br>a noite de natal com elas e seus pais no parque dos sonhos em um belíssimo hotel,<br>mas saíram de lá desoladas com o que ouviram, pediram para que o mordomo as<br>levasse embora daquele lugar o quanto antes. Agora Sophia estava arrasada, seu<br>natal já havia sido destruído, não iria mais realizar o sonho e ainda por cima não<br>sabia se ainda tinha amigas.<br>Dona Matilda foi até a casinha e convenceu a neta a voltar pra casa e se alimentar.<br>Ela ficou triste ao ver que a neta havia cortado o cabelo, afinal, ela também era fã de<br>carteirinha daqueles belos cachos, mas o cabelo dela continuou lindo. Contou pra<br>Sophia que apesar de seus 85 anos, acreditava com todas as forças na existência<br>do Papai Noel, e que o filho havia dito tudo aquilo na noite passada porque quando<br>tinha a idade dela, o Sr. Bernard disse tudo aquilo na cara de Alexander para que<br>ele se empenhasse mais em trabalhar e não achasse que as coisas chegariam pra<br>ele simplesmente por escrever uma carta. Sophia sentiu-se mais aliviada e ao<br>mesmo tempo arrependida por tudo que havia dito aos pais, as amigas, e também<br>por ter cortado o cabelo.<br>Alexander terminou os afazeres da plantação, pegou a carroça e saiu em direção à<br>casa de Bryan, cheio de alegria, pois finalmente iria realizar o sonho de criança. No<br>caminho se deparou com Olívia, que parecia assustada.<br>─ Amor, o que faz aqui? Achei que tivesse ido pra missa.<br>─ E fui, mas depois que saí de lá, resolvi ir até a casa de Bryan convida-lo para ir<br>jantar conosco na noite de natal, como fazemos todos os anos. ─ Respondeu<br>assustada.<br>─ Há, entendi, queira me acompanhar, por favor, é um momento muito importante<br>pra mim, gostaria que minha digníssima esposa estivesse comigo para presenciar o<br>momento da compra. ─ Disse todo animado.<br>─ Sinto-me honrada pelo convite meu amor, mas tenho muitas coisas pra fazer em<br>casa, te espero pra o almoço. ─ Jogou um beijo.<br>Alexander notou o nervosismo da esposa, mas como confiava totalmente nela, nem<br>passou por sua cabeça que ela pudesse ter feito algo de errado. Ele chegou à casa<br>de Bryan, que por sinal estava todo suado, lhe pediu para que se sentasse e<br>aguardasse um pouco, pois iria se banhar, mas não iria demorar. A desconfiança<br>começou a tomar conta de Alexander. Ele nunca havia sequer desconfiado da<br>esposa, mas tudo aquilo começou a mexer com a cabeça dele, então começou a<br>andar pela casa. Na cozinha estava tudo arrumado, na sala também, a casa tinha 3<br>quartos. Alexander entrou no primeiro quarto e não viu nada de anormal, tudo bem<br>arrumado, o mesmo ele presenciou no segundo quarto, mas quando chegou ao<br>terceiro, àquele que era do vaqueiro que ajudava o Bryan nos afazeres da fazenda,<br>a porta estava trancada, como ficava ao lado da dispensa, Alexander resolveu subir<br>em uma prateleira onde ficavam algumas panelas, olhou por cima da parede e viu a<br>cama toda bagunçada. Uma parte da prateleira quebrou, ele caiu e torceu o pé.<br>Bryan que já havia terminado o banho, saiu às pressas do banheiro depois de ouvir<br>o barulho.<br>─ Alexander, o que houve? Você se machucou? Mas o que vieste fazer aqui na<br>dispensa? ─ Perguntou com os braços cruzados e com uma das sobrancelhas<br>erguida.<br>─ Me desculpe Bryan, mas eu estava sentado no sofá, então vi um rato passando<br>em direção a dispensa, não consegui pegá-lo. Machuquei meu tornozelo, não<br>consigo ficar de pé sozinho.<br>Bryan achou a explicação de Alexander um pouco estranha, mas acreditou no<br>amigo, apoio-o com um dos ombros e o levou até o carro. Conduziu-o até em casa,<br>pois o hospital mais próximo ficava em Rovaniemi, e o caso dele poderia ser tratado<br>com imobilização e gelo. Bryan parou o carro em frente à casa de Alexander e<br>chamou os familiares para que pudessem ajudar e para contar sobre o incidente.<br>Quando ia saindo do carro, Alexander notou algo brilhante no tapete do veículo, era<br>a aliança de sua esposa.<br>─ Mas o que significa isso? Respondam-me! Você está me traindo Olívia? Está me<br>traindo com o Bryan? É isso mesmo?<br>Dona Matilda ficou boquiaberta e sem acreditar no que estava acontecendo, Sophia<br>correu em direção ao quarto e começou a chorar. Olívia até tentou se explicar, mas<br>começou a gaguejar e não saiu nada. Então Bryan tentou acalmar a todos e explicou<br>o que realmente aconteceu.<br>─ Calma Alexander, não é nada do que você está pensando, a Olívia apenas me<br>pediu pra dar uma olhada no veículo, pois estava ansiosa pra ver o tão sonhado<br>carro que seu amado estava louco pra comprar e realizar seu grande sonho.<br>Alexander rebateu!<br>─ E perdeu a aliança e nem sentiu falta? E quanto à cama bagunçada no quarto do<br>vaqueiro?<br>Bryan retrucou!<br>─ Provavelmente ela ainda não tinha se dado conta de que a havia perdido, mas<br>você foi pra dispensa em busca de um rato ou de outra coisa? Como você mesmo<br>disse, o quarto é do vaqueiro, lá ele pode fazer o que bem entender, e se eu que sou<br>o patrão não questionei, quem é você pra falar alguma coisa?<br>Olívia ficou assustada com o que estava acontecendo, nunca havia visto o marido<br>tão transtornado, e ainda nem havia começado a fazer o almoço, pois estava<br>procurando a aliança, mas nem isso ela conseguiu falar. Bryan acompanhou o<br>amigo até o quarto, colocou-o na cama e tratou de por gelo e imobilizar o local<br>machucado. Despediu-se de todos e disponibilizou-se a ajudar no que fosse<br>necessário. Assim que Bryan saiu do quarto, Alexander começou a interrogar Olívia<br>em busca de respostas que o convencesse de que ela realmente não teria feito nada<br>do que ele estava pensando.<br>─ Então Olívia, pode falar agora o que realmente foi fazer na casa do viúvo, estava<br>muito assustada quando a vi retornando da casa dele, e ele estava todo suado<br>quando cheguei lá, muito estranho tudo isso, não acha?<br>─ Está com paranoias meu bem? Você nunca teve sequer ciúmes de mim e agora<br>vem com uma conversa dessa, dei-me licença que irei me banhar.<br>Nada convencia Alexander de que ele estava enganado, e seu olhar cheio de ódio<br>deixava bem claro que ele não iria descansar enquanto não descobrisse a verdade.<br>Olívia pegou a água que havia esquentado no fogão e levou-a pra o banheiro,<br>despejou-a na banheira, tirou a roupa e começou a se banhar. Fechou os olhos e<br>logo começaram a vir as recentes lembranças de minutos atrás, ela e Bryan fizeram<br>um sexo selvagem no quarto do vaqueiro. Ela foi até a casa do viúvo na intenção de<br>convencê-lo a fazer um preço menor no carro, para que assim sobrasse dinheiro<br>para Sophia ir ao tão sonhado parque. Bryan concordou em diminuir o preço do<br>veículo, contanto que Olívia fosse pra cama com ele. Bryan e Olívia se pegaram<br>algumas vezes quando eram adolescentes, não chegaram a namorar porque ela já<br>estava prometida para Alexander, um casamento arranjado pelos pais de ambos.<br>Bryan se casou com a melhor amiga dela, que foi a óbito pouco tempo depois, após<br>uma queda de cavalo. Detalhe, ela estava grávida de 3 meses.<br>Olívia pediu pra entrar no carro, queria dar uma olhada no veículo, ele abriu a porta<br>e pediu pra que ela entrasse, assim que ela entrou ele começou a acaricia-la, tentou<br>um beijo forçado, mas ela não cedeu. Ele persistiu. Tentou agarra-la a força. Foi<br>nesse puxa encolhe que a aliança acabou caindo no carro. Olívia ameaçou ir<br>embora, mas Bryan conseguiu convence-la a ficar e entrar pra dentro da casa.<br>─ Olívia, é simples, você me dar o que eu quero e todo mundo fica feliz. Eu em<br>transar com você, você por conseguir o que veio a procura, seu marido que vai ter o<br>carro que sempre quis e sua filha que vai para o parque, e então o que me diz? ─<br>Disse esfregando as mãos.<br>─ Você é um cafajeste mesmo, né? Lembro-me que quando se casou com a Amélia,<br>você tinha outras três namoradas, tenho certeza de que quando nos pegávamos, eu<br>não era a única, não respeita nem o melhor amigo, seu…<br>Antes que ela pudesse concluir a fala, Bryan a beijou e a levou em direção ao quarto<br>do vaqueiro. O mesmo havia acabado de entrar em casa para beber água, ouviu um<br>barulho estranho vindo do quarto. Ele avistou de longe a chegada de Olívia, então<br>associou que era ela a mulher que estava com o patrão em seu quarto. Enquanto<br>isso Bryan tirava toda a roupa de Olívia, passava a língua em cada pedacinho do<br>corpo da mulher do melhor amigo. Olívia estava completamente dominada, nem<br>tinha mais forças pra dizer não, apertava o maldito com todas as forças e pedia pra<br>que não parasse de maneira alguma, estavam suados. Ela que só havia feito aquilo<br>com ele, além do marido, ficou encantada com a pegada firma e com o jeito que<br>Bryan utilizava o membro, fazia exatamente do jeitinho que ela queria que fizesse.<br>Acelerava, pausava, trocava de posição, pegava leve, ia com força, tapas,<br>mordidas…<br>─ Mãe, que demora é essa? Tá tudo bem aí? ─ Sophia bateu na porta e interrompeu<br>os pensamentos e o autoerotismo da mãe.<br>─ Oi Sophia, está tudo bem filha, já estou saindo.<br>Olívia tomou um banho rápido e saiu para conversar com a filha. Sentaram-se à<br>mesa para almoçar, Sophia desculpou-se com a mãe pelas coisas que havia dito na<br>noite anterior. Olívia desculpou-a e não escondeu a tristeza de ver a filha com o<br>cabelo cortado. Enquanto isso dona Matilda foi levar o almoço para Alexander no<br>quarto, e aproveitou para conversar com o filho.<br>─ Diga-me meu filho, você acha mesmo que a Olívia seria capaz de trai-lo? Sobre<br>aquele seu segredo, tenho certeza que ela nunca suspeitou de nada, afinal, apenas<br>nós dois sabemos, a terceira pessoa já não está mais entre nós.<br>─ Nem sei mais o que pensar minha mãe, acho que realmente confundi as coisas, a<br>Olívia sempre foi uma excelente mãe e uma esposa maravilhosa, não vou mais<br>importuná-la com esse assunto. E sobre o segredo, vamos enterrar de vez, se a<br>Olívia sonhar que isso um dia aconteceu, será o fim da nossa família.<br>No final da tarde todos sentaram na sala, em frente à lareira e ficaram jogando<br>conversa fora e comendo laskiaispulla (uma espécie de rosca recheada com pasta<br>de amêndoas ou geléia de morango e amarrações de creme chantilly). Em seguida<br>foram dormir. No dia seguinte Não teria aula, afinal, já era a semana do natal,<br>Sophia já estava ansiosa para ir em Rovaniemi durante a semana para tentar<br>encontrar com algum turista para poder realizar o sonho de ir disputar o Bocuse<br>d’Or, ela que por sinal falava muito bem o idioma francês.<br>O dia amanheceu, Sophia acordou assustada, mas dessa vez não foi com o barulho<br>do despertador, eram os pais de Kiara e Isla que estavam revoltados batendo na<br>porta. Alexander os atendeu e os convidou para entrar. Thomas, pai de Kiara e<br>Henry pai de Isla, se sentaram e começaram a falar os motivos que os levaram a ir<br>até lá.<br>─ Minha filha Kiara chegou ontem em casa transtornada, chamando eu e minha<br>esposa de mentirosos. ─ Disse Thomas, enfurecido.<br>─ Com Isla não foi diferente, e ainda por cima rasgou o ingresso do Santa Claus<br>Village na nossa cara, minha esposa não quer mais ver nossa filha andando com<br>ela. ─ Bradou Henry.<br>─ Calma rapazes, tudo não passou de um mal entendido, minha filha ficou atrás da<br>porta ouvindo a minha conversa com Olívia, e acabou entendendo tudo errado,<br>fiquem tranquilos.<br>Alexander conseguiu convencer os pais das meninas sobre o assunto e a permitirem<br>que as elas pudessem continuar a amizade com Sophia. Ela que ouviu tudo do seu<br>quarto, ficou feliz por saber que poderia continuar a amizade com as meninas. Ao<br>saírem, Thomas e Henry revelaram que as meninas estavam no carro, e que não<br>quiseram descer porque ainda estavam chateadas com Sophia, mas após os<br>esclarecimentos de Alexander, eles as convenceram a descerem do carro e irem até<br>o quarto da amiga, permitiram inclusive que passassem o dia por lá, e informaram<br>que iriam busca-las no final da tarde. Despediram-se, e as meninas correram para<br>ver Sophia. Tomaram café da manhã juntas. Leite com korvapuusti (pão doce). Em<br>seguida foram para o Clubinho das Ruivas, e gritaram em coro, ─ Domingou na<br>segunda (RISOS). Trataram de fazer o que normalmente teriam feito um dia antes,<br>mas não deixou de ser legal como sempre. Chegou o horário do almoço, e então<br>dona Matilda tocou o sino no fundo da casa para sinalizar que o almoço estava<br>pronto.<br>Blém-blém<br>─ Venham minhas queridas, hoje pra o almoço teremos poronkäristys (rena<br>salteada).<br>As meninas correram e pularam de felicidade, lavaram as mãos e se sentaram para<br>almoçar, dona Matilda já tinha levado o almoço do filho no quarto, Olívia estava<br>estendendo roupas no varal quando o vaqueiro de Bryan se aproximou. Ele era<br>forte, alto, 40 anos, vindo da República Democrática do Congo, conheceu o Bryan<br>em uma de suas viagens. O patrão lhe ofereceu o emprego e o convidou para vir<br>morar com ele, isso foi logo após a morte de Amélia. Bomani não hesitou e aceitou a<br>proposta, viu que seria uma grande chance de melhorar de vida.<br>─ Boa tarde Sra. Olívia, tudo bem? Vim trazer o cavalo e a carroça para o boi, ops,<br>quer dizer, para o Sr. Alexander a pedido do meu patrão garanhão.<br>─ O que quis dizer com boi? Não entendi a piada. ─ Mentira, ela entendeu sim.<br>─ Quer que eu desenhe? Seu marido sabe que a senhora esteve ontem na casa do<br>meu patrão?<br>─ Claro que sabe, fui até lá convidar o Bryan para um jantar aqui em casa na noite<br>de natal, e aproveitei para dar uma olhada no carro que meu marido pretende<br>comprar.<br>─ Nossa, e o carro estava no meu quarto, não foi? Entrei para beber água e escutei<br>um barulho estranho, mas enfim, não vai me convidar também para esse jantar?<br>Sabe que agora ele depende de mim para acontecer, não sabe? ─ Falou em tom de<br>deboche.<br>─ Fale baixo, por favor, pode vim sim para o jantar, mas pelo amor de Deus, não<br>conte para ninguém sobre o que aconteceu ontem, meu marido, minha filha e minha<br>sogra jamais me perdoariam, isso acabaria com minha família, minha reputação,<br>com a minha vida, eu te imploro. Quanto você quer para fingir que não sabe de<br>nada?<br>─ Quero a senhora novamente no meu quarto e na minha cama, mas dessa vez,<br>comigo, topa? É pegar ou largar. Se disser que não, faço questão de explanar o<br>ocorrido na grande noite de natal. (RISOS)<br>─ Tudo bem, eu aceito! ─ Falou cabisbaixa, com voz trêmula.<br>─ Olha só, quão decidida ela é. Podemos hoje então. Faltam apenas 3 dias para a<br>grande noite, hoje meu patrão irá para Helsinque negociar algumas cabeças de<br>gado e só retornará no dia 24, então o que me diz?<br>─ Combinado então, estarei lá às 17 horas.<br>─ Perfeito, meu patrão sairá às 16 horas, nada poderá dar errado. Até mais ver. ─<br>Jogou beijo.<br>O desespero tomou conta de Olívia, que até se sentou. Dona Matilda percebeu a<br>palidez da nora e aproximou-se.<br>─ O que houve minha querida, ainda é sobre aquela situação de ontem? Fique<br>tranquila, meu filho já se convenceu de que você jamais faria uma coisa dessas com<br>ele, nós te amamos.<br>Aquelas palavras mais pareciam facas sendo cravadas no coração de Olívia, que<br>aos prantos pôs a cabeça no colo da sogra e chorou. Ficaram ali por alguns minutos,<br>depois entraram para almoçar. As meninas estavam no quarto de Sophia, já<br>planejando a grande noite de natal, Kiara e Isla não conseguiam conter a felicidade<br>em ajudar a realizar o sonho da melhor amiga. As horas passaram, faltavam alguns<br>minutos para o horário que Olívia havia marcado com o vaqueiro, ela estava ansiosa<br>e morrendo de medo, mas não via outra alternativa para que seu grande segredo<br>não fosse revelado, senão ir ao tal encontro.<br>Os pais das meninas chegaram para busca-las. As levaram. Alexander estava no<br>quarto com Sophia ouvindo o rádio, dona Matilda, sentada na varanda fazendo<br>crochê, e Olívia, bem, essa saiu dizendo que iria tomar um ar, colher uma folhas<br>para chá, mas não iria demorar. Olívia foi andando até a casa de Bryan, a cada<br>passo que dava o nervosismo aumentava. Bomani já estava todo perfumado,<br>sentado na sala, ele passava uma mão na outra, mordia os lábios e já fantasiava o<br>que iria fazer com Olívia. Bryan que já estava no meio do caminho, lembrou que<br>havia esquecido o relógio de bolso que iria levar para consertar em Helsinque.<br>Voltou para casa às pressas. Olívia caminhava em passos lentos, imaginando<br>chegar e orando por um milagre que pudesse salvá-la daquela situação. E o milagre<br>chegou.<br>─ Olívia? O que faz aqui? Está indo pra minha casa?<br>─ Oi Bryan, seu vaqueiro sabe do que aconteceu entre nós, se autoconvidou para o<br>jantar na noite de natal e ameaçou contar tudo quando estivéssemos todos reunidos,<br>caso eu recusasse ir pra cama com ele. ─ Disse apavorada.<br>─ E você aceitou a proposta dele?<br>─ Não vi outra alternativa. ─ Começou a chorar.<br>─ Mas porque você não me procurou pra me contar sobre isso antes? ─ Perguntou<br>inconformado.<br>─ Nem raciocinei direito, só queria que esse pesadelo acabasse logo.<br>Bryan ofereceu-se para levar Olívia até em casa, ela recusou e perguntou o que ele<br>iria fazer. Ele apenas disse para que ela ficasse tranquila, pois ele iria resolver tudo<br>assim que chegasse em casa. Despediram-se.<br>Bryan seguiu para casa, além do relógio de bolso, agora tinha mais um motivo para<br>ir até lá. Assim que chegou se deparou com o vaqueiro todo arrumado e perfumado.<br>─ Olha só, vai ter alguma festa aqui pelas redondezas e eu nem estou sabendo, é<br>Bomani? ─ Foi bem sarcástico ao perguntar.<br>─ Pa-pa-patrão? O que faz aqui? E-e-eu na verdade nem irei sair. Me deu vontade<br>de me arrumar, é que raramente tem algum evento, e minhas roupas podem não<br>caberem mais em mim sem eu sequer ter as usado. ─ Sorriu de nervoso.<br>─ Há entendi, e porque não deixou para usar na grande noite de natal, lá na casa de<br>Olívia? Ela me falou que o convidou, afinal, como você mora comigo, ela o vê como<br>parte da família também.<br>─ Há, é verdade, ela me convidou mesmo, eu até iria comentar com o senhor, mas<br>não sabia que iria retornar tão cedo. Ela comentou algo mais? ─ Perguntou<br>assutado.<br>─ Não, não, porquê? Tem algo mais que ela deixou de me falar?<br>Bomani desconversou e respirou aliviado, ele temia perder o emprego, e só o medo<br>que sentiu ao achar que o patrão sabia da proposta que ele havia feito para Olívia, já<br>foi suficiente para o assunto morrer pra ele. Bryan que conhecia um pouco do<br>funcionário, percebeu que ele havia ficado balançado, e sabia que dificilmente<br>voltaria a importunar a esposa do amigo. Ele pegou o relógio e seguiu a viagem.<br>Passaram-se os dias, e finalmente chegou a grande noite de Natal. Sophia iria<br>passar a noite mais especial do ano no lugar que sempre sonhou. E em sua casa<br>teria o tão esperado jantar.<br>(Bi-bi-bi)<br>─ Mãe, pai, vó, são os senhores Thomas e Henry, com suas esposas e as meninas.<br>Vieram me buscar. Beijo, amo vocês, feliz natal!<br>─ Divirta-se minha netinha, e não se preocupe que separei um pouco da ceia pra<br>você provar depois. Eu e sua mãe fizemos glöggi ( bebida quente), joulukinkku<br>(pernil de Natal) com batata, cenoura e rutabaga (couve-nabo), rosolli e salada de<br>cogumelos, salmão defumado frio e arenque em conserva com bastante endro. Para<br>sobremesa teremos piparkakku (biscoitinho) e riisipuuro (mingau de arroz).<br>─ Hum, que delícia, se eu não estivesse indo para onde estou indo, nem iria mais<br>(RISOS). Tchau mãe, tchau pai.<br>Alexander e Olívia se despediram da filha e já aguardavam pela chegada dos<br>convidados. Que não demoraram a chegar. Bateram na porta, e Olívia foi atendêlos.<br>─ Boa noite Bryan, boa noite Bomani, sejam bem vindos, podem entrar.<br>Eles entraram, cumprimentaram dona Matilda que estava na cozinha nos últimos<br>preparativos e sentaram à mesa, junto com Alexander.<br>─ Fala meu amigo, como você está hein? O pé melhorou?<br>─ Oi Bryan, sim, já está melhor, acredito que amanhã eu já consiga fazer algum<br>trabalho na roça. Olha só, que surpresa boa! Que milagre você por aqui Bomani,<br>bom te ver, seja muito bem vindo.<br>─ Obrigado senhor, e caso precise de alguma ajuda, se meu patrão me permitir,<br>posso vim lhe ajudar com algum serviço, enquanto recupera o machucado do seu<br>pé.<br>─ Muito gentil da sua parte Bomani, mas acredito que amanhã eu já consiga pegar<br>no pesado. (RISOS)<br>Dona Matilda começou a colocar os pratos sobre a mesa e pediu a ajuda de Olívia<br>para servir os rapazes. Começaram a jantar.<br>Enquanto isso, as meninas estavam se divertindo, tiraram várias fotos com o Papai<br>Noel, não tinham hora pra dormir, afinal, era noite de natal. Por volta das 3 da<br>madrugada, as meninas sentaram na escada da entrada do hotel para conversar.<br>─ Meninas, amanhã, ou melhor, hoje, mais tarde, esperarei vocês lá em casa para<br>experimentar da ceia que minha mãe e minha avó fizeram (…)<br>Durante o tempo em que Sophia comentava com Kiara e Isla sobre o que a mãe e a<br>avó haviam feito para a ceia de natal, um rapaz francês aproximou-se, se sentou e<br>ficou ouvindo a conversa. Ele era filho de um dos chefes de cozinha mais<br>conceituados da França. O pai estava conversando sobre negócios com os amigos,<br>então ele resolveu dar uma volta do lado de fora do hotel.<br>─ Boa noite meninas, tudo bem? Desculpe atrapalhar vocês, mas acabei ouvindo a<br>conversa e fiquei curioso para saber que comidas são essas que essa moça linda<br>está falando, a propósito, que cabelo lindo, e que belo chapéu.<br>─ Boa noite, tudo bem? Chamo-me Sophia, e essas aqui são minhas amigas, Kiara<br>e Isla. ─ Ficou toda vermelha por conta dos elogios do rapaz.<br>─ Prazer em conhecê-las, chamo-me Bernard. Eu e meu pai viemos conhecer um<br>pouco da culinária daqui da Finlândia, com a intenção de inovar no próximo Bocuse<br>d’Or.<br>─ O quê? Sério? É meu sonho participar dessa competição, apesar de falar bem o<br>francês, não tenho condições de sequer ir até lá, quem dirá me inscrever e passar<br>alguns dias na França.<br>─ Você parece ser bem sonhadora, e posso ver no brilho dos seus olhos que irá<br>conquistar tudo o que almeja. ─ Sem querer querendo, ele já estava conquistando<br>Sophia.<br>Naquele momento, ela começou a sentir algo que nunca havia sentido antes, estava<br>apaixonada. Bernard, que por sinal tinha o mesmo nome do seu querido e falecido<br>avô, conseguiu toca-la com suas palavras, com sua simpatia, além do olhar<br>penetrante e do belo sorriso. Ele era uma grande oportunidade para ela conseguir<br>realizar o sonho de participar do Bocuse d’Or, mas ela em nenhum momento olhou-o<br>com interesse, pelo contrário, beijá-lo já era seu novo sonho de consumo. As<br>meninas perceberam o clima que rolou entre os dois e deram um jeitinho de deixálos a sós.<br>─ Queridos, eu e a Isla vamos no meu quarto pegar um casaco, pois está muito frio<br>aqui. ─ Falou Kiara, puxando Isla pelo braço.<br>─ Também irei com vocês, meninas! ─ Exclamou Sophia, doida pra Bernard pedir<br>pra ela ficar.<br>─ Calma Sophia, já, já elas voltam, enquanto isso, te faço companhia. ─ Era tudo<br>que Sophia queria ouvir.<br>─ Então tá bom, podem ir, mas não demorem. ─ Ela falou com um olhar de:<br>demorem o máximo que puderem.<br>Os dois pombinhos começaram a conversar, se conhecer. Estavam bem pertinho,<br>até que Sophia espirrou, e Bernard não hesitou em tirar o casado de pele e colocar<br>sobre ela. Foi o estopim para que o silêncio tomasse conta do ambiente e os olhares<br>fixados um no outro começassem a se aproximar, até que…<br>─ Bernard? O que está fazendo aqui fora? Está muito frio. Quem é essa garota?<br>Muito bonita por sinal.<br>─ Oi pai, tudo bem, já vamos entrar. Essa aqui é a Sophia. Se o senhor não<br>aparecesse aqui, eu iria leva-la para conhecê-lo. Presenciei-a comentando com as<br>amigas sobre várias comidas típicas daqui da região.<br>─ Olha só, quem sabe não é justamente o que precisamos para o Bocuse d’Or?<br>(RISOS). Prazer em conhecê-la querida, meu nome é Richard.<br>─ O prazer é todo meu senhor, um dos meus sonhos é participar desse evento M-AR-A-V-I-L-H-O! ─ Sophia falou com um grande e belo sorriso.<br>Entraram e se sentaram no barzinho do hotel. Sophia começou a falar sobre a<br>culinária, sobre a família, sobre seus sonhos. Contou praticamente toda sua vida em<br>poucos minutos, enquanto Bernard estava paralisado admirando o bater dos seus<br>lábios conversando, e Richard com olhar de maldade, se imaginando aos beijos com<br>ela. Nenhum dos dois estava prestando atenção no que Sophia falava, até que ela<br>parou e quis saber um pouco sobre eles também.<br>─ E vocês? Pretendem ficar aqui até quando? Querem ir até a minha casa amanhã?<br>Ou melhor, hoje, mais tarde, para provar também da ceia que minha mãe e minha<br>avó fizeram? Não sei se dará pra todos, afinal, minhas amigas também irão, mas se<br>não der, eu posso fazer outro prato pra vocês experimentarem.<br>─ Hã? Quem? O que é que tem sua avó? ─ Disse Richard assustado, afinal, não<br>prestou atenção em nada do que ela havia dito.<br>─ E você Bernard? Entendeu alguma coisa do que falei?<br>─ E-e-eu, sim, sim, claro. Amanhã, ou melhor, hoje iremos até a sua casa, com<br>certeza. ─ Esse deu sorte, fez leitura labial, mas também não escutou nada.<br>Sophia despediu-se dos rapazes e seguiu para encontrar as amigas no quarto. Elas<br>já estavam dormindo. Resolveu dormir também. Enquanto isso Bomani e Bryan já<br>estavam voltando pra casa, após uma noite bem agradável.<br>Assim que o dia amanheceu, Sophia pediu para que os pais das amigas as<br>permitissem passar o dia na casa dela, e falou para Bernard e seu pai seguirem o<br>carro, pois iriam até sua casa. Assim fizeram. Chegando lá, Richard voltou os olhos<br>apenas para Olívia. Ele havia se separado recentemente da mãe de Bernard, após a<br>mesmo tê-lo pego em flagrante a traindo com uma irmã dela. Parece que ele não<br>aprendeu a lição e já estava procurando mais uma confusão.<br>─ Pai, mãe, vó, estes são Bernard e Richard, eles são franceses e vieram passar o<br>Natal aqui em busca de novos conhecimentos e ingredientes gastronômicos.<br>Os pais de Sophia e dona Matilda foram muito gentis com os convidados.<br>Apresentaram várias receitas, enquanto todos comiam do que sobrou da ceia, e não<br>foi pouca coisa. No quesito comida, as mulheres da casa eram bem exageradas.<br>Sophia cozinhava tão bem quanto à mãe e avó, que foram as suas professoras.<br>O dia foi bem proveitoso pra todos. No final da tarde os pais de Kiara e Isla, foram<br>busca-las. Richard comentou que iria apenas ao lado de fora fumar um cigarro e<br>depois ele e Bernard voltariam para o hotel. Eles viajariam dois dias depois.<br>Enquanto isso, Sophia convidou Bernard para conhecer o Clubinho das Ruivas.<br>Olívia e Alexander seguiram em direção à casa de Bryan para comprar o tão<br>sonhado carro. Dona Matilda, que não para quieta, foi lavar os pratos e arrumar a<br>cozinha.<br>No caminho até a casa de Bryan, o casal encontrou Bomani, que estava passeando<br>a cavalo. Perguntaram pelo patrão, e ele respondeu que o mesmo estava na<br>varanda da casa deitado na rede. Seguiram o destino. Bomani continuou o passeio.<br>Estava andando sem rumo, tentando espairecer, havia tomado algumas doses de<br>Kilju (bebida alcoólica artesanal), passou em frente à casa de Sophia e reconheceu<br>um antigo amigo.<br>─ Richard? Não acredito velho, é você mesmo? ─ Desceu do cavalo e correu para<br>abraça-lo.<br>─ Bomani? Quanto tempo meu amigo, calma, não me aperte tanto. Derrubou meu<br>cigarro, viu só? ─ Richard odiava bebida alcoólica.<br>Os dois se conheceram lá na França, muitos anos antes de Bomani conhecer e vir<br>trabalhar com Bryan. Quando ele chegou refugiado da República Democrática do<br>Congo, Richard lhe deu abrigo e emprego em seu restaurante, trabalharam juntos<br>por alguns anos. Richard odiava bebida alcoólica, porque perdeu muitos familiares e<br>amigos por doenças, brigas e acidentes provenientes do seu uso.<br>─ Então Richard, o que faz aqui na Finlândia? Achei que tivesse parado de fumar.<br>Você me contou histórias de pessoas que perdeu por conta de bebidas alcoólicas,<br>mas cigarro também mata, viu? E como veio parar logo aqui, próximo a fazenda<br>onde trabalho? Rapaz o mundo é pequeno mesmo viu, ainda bem que não sou seu<br>inimigo. ─ Sorriu e cambaleou.<br>─ Como vim parar aqui é uma longa história, mas daqui a dois dias, eu e meu filho<br>retornaremos pra França. Sobre o cigarro, eu até parei, fazia muito tempo que não<br>fumava. Mas hoje, depois de ter passado o dia todo admirando Olívia, não resisti e<br>tive que fumar pelo menos um pra relaxar. Que mulher, que mulher! ─ Falou<br>gesticulando com as mãos o famoso “Mamma Mia”.<br>─ O Bernard também está aqui? Meu Deus, a última vez que o vi, ele deveria ter uns<br>8 anos. Peraí. Você disse Olívia? Rapaz não olhe mais pra aquela mulher meu<br>amigo, é um conselho que lhe dou. Esses dias eu quase perdi meu emprego. Ela e<br>meu patrão estavam se pegando no meu quarto. Tentei chantageá-la. Falei que se<br>não fosse pra cama comigo, eu iria contar tudo para o marido dela. Estava quase<br>tudo certo para acontecer, mas meu patrão voltou de viagem mais cedo, ela não<br>apareceu por lá, nem toquei mais no assunto. O marido é bom de tiro viu, eu mesmo<br>não quero mais saber dela.<br>─ Hum… olha só, ela trai o marido. Bom saber. Estava pensando em levar Sophia<br>conosco para nos ajudar na preparação do prato que iremos fazer para o Bocuse<br>d’Or. Já sei como chantageá-la para deixar-me levar a filha comigo. Melhor ainda<br>seria se eu tivesse algo para chantagear o pai também.<br>Quando Richard acabou de fechar a boca, ouviu-se um barulho vindo da cozinha.<br>Saíram correndo para ver o que tinha acontecido. Dona Matilda havia passado mal.<br>Ela tomava medicamentos, pois tinha diabetes. Ficou tonta, e por acidente, acabou<br>pegando muitos comprimidos de hipoglicemiantes e os ingeriu de uma só vez.<br>Começou a delirar. Quando os rapazes chegaram na cozinha, ela estava caída<br>conversando sozinha.<br>─ Alexander, Alexander meu filho, não se preocupe, ninguém vai saber do seu<br>segredo. ─ Falava enquanto revirava os olhos.<br>Richard que não é bobo nem nada, começou a se passar por Alexander.<br>─ Mas que segredo minha mãe? Do que a senhora está falando?<br>─ Da Amélia. Você não lembra que vocês tinham um caso, e que o filho que ela<br>carregava no ventre, era seu? Inclusive nunca lhe contei isso, mas suspeito que a<br>Sophia não é sua filha, pois percebi que o vestido estava um pouco apertado na<br>Olívia no dia do casamento, até contei os meses, Sophia nasceu bem grandinha pra<br>ter sido de apenas sete.<br>Bomani e Richard se olharam com os olhos esbugalhados, estavam perplexos. Dona<br>Matilda adormeceu. Eles a levaram para o sofá, e saíram para retomar o papo que<br>agora teria muitos assuntos interessantes. Assim que chegaram ao lado de fora,<br>Bernard estava vindo do fundo da casa, fechando a braguilha da calça. Richard<br>tratou de perguntar o que ele e Sophia tanto faziam na casa da árvore e o porquê de<br>está fechando a braguilha.<br>─ Ah pai, ela estava me mostrando algumas poesias que fez junto com as amigas.<br>Além de linda, é cozinheira e poetiza. Sobre a braguilha, apenas fiz xixi ali atrás da<br>árvore.<br>Richard respirou aliviado, imaginou que o filho tivesse feito algo a mais com Sophia.<br>Chamou-o para voltarem ao hotel, pois já estava tarde, despediram-se de Bomani e<br>seguiram. Bomani retornou para casa, e no caminho voltou a se encontrar com<br>Olívia e Alexander.<br>─ Opa, olha só, o casal mais bonito que eu conheço. Parabéns pela conquista.<br>Acredito que esse carro será de grande valia para vossa família. ─ Disse em tom<br>irônico.<br>─ Muito obrigado. Meu marido estava aguardando esse momento há muito tempo,<br>não vejo a hora de chegarmos em casa para mostrarmos a surpresa para minha<br>sogra e minha filha. Tchau, até mais ver.<br>Seguiram. Chegando em casa não viram ninguém. Os convidados já haviam ido<br>embora, Sophia estava no quarto, e dona Matilda que já havia se recuperado, foi até<br>a casa da árvore procurar pela neta. Chegando lá se deparou com um pouco de<br>sangue no chão de madeira, e em um cantinho da casinha, encontrou o chapéu de<br>Sophia, também com algumas manchas de sangue, destacaram-se ainda mais no<br>lacinho branco. Dona Matilda já fazia ideia do que poderia ter acontecido, e por ser<br>fiel confidente da neta, tinha certeza de que ela seria a primeira pessoa que Sophia<br>contaria. E foi. Ela seguiu em direção ao quarto da neta para conversar a respeito do<br>que acabara de ver na casinha da árvore.<br>Toc-Toc-Toc<br>─ Quem é? ─ Perguntou Sophia, que estava chorando agarrada ao travesseiro.<br>─ Sou eu meu amor, vovó. Posso entrar?<br>─ Claro vó, entre. Chegou bem na hora.<br>Assim que dona Matilda entrou no quarto, Sophia correu para abraça-la. Ela sabia<br>que a vó a ouviria e a entenderia. Pediu para que ela se sentasse e começou a<br>contar tudo que havia acontecido na casinha da árvore.<br>─ Vó, não farei rodeios. Sei que para a senhora posso falar tudo sem receio.<br>Confesso que fui eu quem convidou o Bernard para ir até lá, também admito que<br>estava com muita vontade de beijá-lo desde a primeira vez que o vi. Depois que<br>entramos até tentei mostrar umas poesias pra ele, mas…<br>─ Mas ele te forçou a fazer algo? Ou foi a primeira vez dos seus sonhos?<br>─ Não vó, claro que não. Ele não forçou nada! Sei que sou sonhadora, mas nunca<br>sonhei com isso, nem fazia ideia de como era, e tenho certeza de que tenho muito<br>que aprender. Se for só aquilo, não é bom como já ouvi alguns adultos comentando.<br>Só fiquei deitada, e ele por cima de mim, forçou até conseguir penetrar. Senti muita<br>dor, sangrei. Sem contar que foi muito rápido, menos mal, pois assim sofri menos. A<br>demora foi mais por conta do nosso desespero tentando limpar o máximo que<br>conseguimos, e mesmo assim ficaram vestígios. Eu nem percebi que o chapéu<br>também estava melado, nem que havia o esquecido lá.<br>─ É meu bem, a primeira vez é sempre complicada pra mulher, você ainda deu sorte<br>que foi dentro de uma casa. A minha primeira vez foi em um curral, sobre forragens.<br>Mas as suas próximas serão melhores, pode ter certeza. ─ Riram muito juntas.<br>Dona Matilda prometeu para a neta que lavaria o chapéu logo cedo. Foram para a<br>sala, lá encontraram Olívia e Alexander, que as convidaram para conhecerem o<br>novo integrante da família. Após conhecerem o carro, que na verdade já era um<br>velho conhecido, foram jantar e posteriormente dormir.<br>No dia seguinte, logo cedo, Richard e Bernard foram visitar a família de Sophia. Eles<br>mal sabiam, mas o objetivo dos dois era levar a jovem para a França com eles<br>apenas para os ajudarem na competição de gastronomia mais famosa do mundo.<br>Richard tinha um plano, mas não sabia o que o aguardava. Sophia convidou Bernard<br>para ir com ela ao seu quarto, enquanto os demais ficaram reunidos na sala<br>conversando, então Richard deu início ao plano.<br>─ Bem, eu e meu filho viajaremos amanhã para a França, e como vocês sabem, o<br>grande sonho de Sophia é disputar o grandioso Bocuse d’Or. Pensei direitinho e<br>acredito que essa é uma grande oportunidade para ela realizar esse sonho, e quem<br>sabe dar um grande passo para o próprio futuro. Tenho certeza que com ela do<br>nosso lado, nossa chance de sermos campeões é gigantesca, e então, o que me<br>dizem?<br>A princípio, Olívia e Alexander disseram NÃO! Enquanto dona Matilda apenas ficou<br>em silêncio, ela também tinha um plano.<br>─ Pois bem. Não era bem isso que eu esperava ouvir de vocês, mas acredito que<br>posso fazê-los mudarem de ideia. Olívia, podemos conversar a sós?<br>Eles foram para o fundo da casa, e Richard começou com as chantagens.<br>─ É o seguinte, eu tentei numa boa, mas como vocês não são tão bons de negócios,<br>então terei que usar outra estratégia. O que aconteceria se seu marido ficasse<br>sabendo que você o traio com Bryan no quarto do vaqueiro?<br>─ Não sei do que você está falando.<br>─ Sério? E se ele ficasse sabendo que não é o pai de Sophia, e que o verdadeiro pai<br>é o melhor amigo dele?<br>─ Meu Deus do céu, quem te contou isso? Anda, fala seu desgraçado! ─ Falou<br>enfurecida e assustada.<br>─ Calma, calma. Mais ninguém precisa saber disso, basta você permitir que eu leve<br>a sua filha conosco. Ela vai apenas para realizar o sonho, depois ela volta. ─ Falou<br>certo de que já havia convencido um, agora faltava o outro.<br>Olívia acabou aceitando a proposta, ela não tinha outra alternativa. Seu futuro e o de<br>sua família estavam completamente nas mãos de Richard. Voltaram para a sala.<br>─ Minha sogra, meu marido, eu aceitei a proposta de Richard, realmente vejo como<br>uma grande oportunidade para ajudarmos nossa filha a realizar o grande sonho<br>dela. É algo que dificilmente conseguiríamos ajudá-la a realizar.<br>Dona Matilda continuou em silêncio, mas Alexander se exaltou e não se conformou<br>de Olívia ter aceitado a proposta de Richard, principalmente por ele e o filho serem<br>desconhecidos. O chantagista então convidou o pai para conversar a sós.<br>─ Calma Alexander, tenha calma homem. Vamos lá fora, tenho algo a lhe dizer.<br>Seguiram para o fundo da casa, chegava o momento de Richard dar a cartada final.<br>─ Então Alexander, quero lhe fazer apenas uma pergunta. O que aconteceria se a<br>Olívia soubesse que você a traia com a falecida esposa do seu melhor amigo, e que<br>inclusive a mesma estava esperando um filho seu?<br>─ Mas quem te falou isso? Só quem sabe desse segredo somos eu e minha mãe.<br>Seríamos 3 se Amélia ainda estivesse viva. ─ Falou intrigado.<br>─ Mas somos 3 meu amigo. (RISOS)<br>Voltaram para a sala. Richard já havia convencido o pai e a mãe, nem estava<br>preocupado com o que dona Matilda teria a dizer. O erro dele foi esse. Dona Matilda<br>resolveu romper o silêncio.<br>─ Seu Richard, agora você vai me ouvir. Os pais da minha neta podem até terem<br>concordado em deixa-la ir com vocês, e ela irá. Mas seu filho terá que casar com<br>ela?<br>─ Meu filho, casar com ela? ─ Soltou altas gargalhadas.<br>─ Você que vai escolher. Posso acionar a polícia acusando-o de sequestro, ou<br>posso acusar seu filho de estupro. E então, o que me diz?<br>─ Sobre o sequestro não me preocupo, já que Sophia já tem 18 anos e os pais dela<br>me autorizaram a levá-la. Mas quanto ao estupro, a senhora tem provas? Porque até<br>onde sei, meu filho e ela apenas ficaram lendo poesias.<br>─ Humrum, e quanto a esse chapéu dela que encontrei lá na casa da árvore, sujo de<br>sangue. Não vai me dizer também que é ketchup.<br>Richard não teve mais como se defender. Afirmou que o filho se casaria com Sophia<br>o quanto antes. Aproveitou e contou que o seu casamento com a mãe de Bernard foi<br>por esse mesmo motivo, e que o filho era um homem íntegro, que iria honrar os<br>princípios da família. Dona Matilda lembrou de um detalho e não hesitou em falar.<br>─ Então estamos resolvidos. Lembrei-me que dias atrás Bryan havia comentado<br>comigo que caso conseguisse vender o carro, ele e Bomani iriam até a França para<br>comprar um carro novo, pois tinha um modelo francês exclusivo que ele se<br>apaixonou ao ver da última vez que esteve por lá. Dependendo do dia que eles<br>forem viajar, podem fazer companhia pra Sophia. É bom ter alguém de confiança por<br>perto.<br>Olívia e Alexander ficaram assustados com a questão da filha não ser mais virgem,<br>e principalmente por ficarem sabendo daquela maneira. Mas concordaram com o<br>casamento, desde que a filha continuasse morando com eles.<br>Sophia e Bernard saíram do quarto e vieram para a sala, nem imaginavam o que os<br>aguardava. Richard tratou de tomar a iniciativa e informar aos futuros noivos sobre o<br>casamento.<br>─ Bernard, Sophia, sentem-se, por favor. Bernard lembra-te que contei o motivo pelo<br>qual eu e sua mãe nos casamos? Pois, bem, por ironia do destino você passará pelo<br>mesmo processo que eu. Lembra-te também da passagem da Bíblia Sagrada que li<br>pra você nesse mesmo dia? Êxodo 22:16 Se um homem seduzir uma virgem que<br>ainda não tenha compromisso de casamento e deitar-se com ela, terá que pagar o<br>preço do seu dote, e ela será sua mulher. ─ Falou olhando fixamente nos olhos do<br>filho.<br>─ Lembro sim meu pai, e sim, eu aceito me casar com você Sophia. E você? Aceita<br>se casar comigo?<br>─ Claro que sim. ─ Respondeu sem pensar.<br>Mas a verdade é que eles tinham tudo pra dar certo, e mesmo sendo um casamento<br>meio que, meio não, completamente obrigatório, eles se gostavam de verdade, e<br>esse gostar tinha tudo pra se tornar um verdadeiro amor.<br>No dia seguinte, dia em que Richard e Bernard viajariam e levariam Sophia junto,<br>Bryan também iria com Bomani para a frança. Foram todos juntos, inclusive no<br>mesmo vagão. Richard assim como na vinda, pagou para que o trem levasse seu<br>carro. Chegaram após 2 dias de viajem. Faltava pouco menos de um mês para o<br>Bocuse d’Or. Bryan e Bomani hospedaram-se num hotel a poucos metros da casa<br>de Richard. Eles iriam seguir as orientações de dona Matilda e vigiar Sophia de<br>perto.<br>O casamento foi marcado para o dia 23 de janeiro, um sábado, uma semana antes<br>do grande evento gastronômico. Richard fez toda correria para os preparativos, e<br>deixou os pombinhos responsáveis apenas de criarem o prato que viria a ser<br>apresentado no evento. Bryan já havia comprado o carro que tanto queria, mas ele e<br>Bomani iriam esperar pelo casamento, para depois retornarem pra casa. Sophia<br>telefonava todos os dias para conversar com a família e mantê-los atualizados sobre<br>tudo. Eles insistiam em dizer que não queria que ela morasse longe deles, mas<br>Sophia tratou de confirmar que isso não iria acontecer. Ela estava correndo atrás<br>dos sonhos dela e já tinha combinado com o futuro marido que assim que possível,<br>eles iriam abrir um restaurante em Helsinque e levá-los para morar com eles.<br>Chegou o tão esperado dia do casamento, os familiares e as amigas de Sophia<br>haviam chegado um dia antes. E ela que já era linda, ficou ainda mais vestida de<br>noiva. Dona Matilda, Olívia, Kiara e Isla não conseguiram conter as lágrimas ao vê-la<br>entrar na igreja com Alexander. Ela utilizou um longo e belo vestido branco, com<br>lindos detalhes de renda na parte das costas, um longo véu branco também de<br>renda, um salto alto Stiletto Strass dourado, e os mesmos brincos e broches e colar<br>de esmeralda que Olívia utilizou em seu casamento. A cerimônia foi extremamente<br>deslumbrante. Quando a noiva jogou o buquê, as amigas agarraram-no juntas. E<br>acredite, nos dias em que ficaram lá na França, Kiara e Isla acabaram conhecendo<br>seus futuros maridos. Chegou o dia de todos retornarem para a Finlândia, inclusive<br>os guarda costas de Sophia. A própria dona Matilda que os contratou, disse que não<br>seriam mais necessários os seus serviços. Os familiares foram pra casa, mas já na<br>esperança de receber o telefonema de Sophia falando que estaria vindo embora.<br>Enfim chegou o também tão esperado dia do maior evento gastronômico do mundo,<br>o Bocuse d’Or. E não é que eles venceram mesmo? Richard ficou responsável por<br>apresentar o prato e receber o prêmio, mas quem realmente fez teve todo o trabalho<br>foram os pombinhos. Na entrada serviram bolo de peixe finlandês com cobertura de<br>camarão, e para sobremesa, tortinha finlandesa com calda de frutas vermelhas e<br>chantilly. Venceram com unanimidade. Richard recebeu o troféu e uma bela quantia<br>em dinheiro, prêmios estes que ele fez questão de entregar aos verdadeiros<br>campeões.<br>Os meses foram passando e Sophia percebeu que seu fluxo menstrual estava<br>atrasado. Começou a ter enjoos. Será que essa gravidez iria adiar os planos dela e<br>do marido de terem o próprio restaurante? Que nada. Assim que ela contou para o<br>sogro, no mesmo dia ele pegou o primeiro trem direto para Helsinque. Estava tão<br>feliz que na hora que recebeu a notícia a primeira coisa que fez foi correr para a<br>estação de trem. Seria seu primeiro neto. Ele queria retribuir realizando o sonho<br>daqueles que realizaram o seu. Faltava Sophia ligar para dar as boas novas à<br>família.<br>─ Alô, vó?<br>─ Oi minha querida, que saudade. Já está vindo pra casa? ─ Começou a chorar. Ela<br>sempre chora quando fala com a neta por telefone.<br>─ Ainda não vovó, mas tenho uma notícia maravilhosa para dar a vocês.<br>─ Pois fale logo minha filha, que não estou me aguentando de curiosidade.<br>─ Eu estou grávida vó! ─ Falou chorando de tanta felicidade.<br>─ Obrigado meu Deus, oh minha querida, que felicidade, que benção. Seus pais<br>foram para Rovaniemi, mas assim que chegarem darei a notícia. Beijo minha<br>querida, amamos vocês.<br>─ Também amo vocês vovó. Beijo, tchau.<br>Assim que os pais de Sophia chegaram, dona Matilda tratou de dar a notícia. Ambos<br>se sentaram na hora, a princípio não acreditaram, tiveram que ligar para ouvir da<br>boca da própria filha, para aí sim a ficha cair. Quem não gostou muito disso foi dona<br>Matilda que foi toda empolgada pra contar e saiu como mentirosa. Mas enfim, depois<br>que eles finalmente acreditaram na gravidez de Sophia, dona Matilda tratou de<br>reunir os dois para uma conversa muito séria.<br>─ Escutem aqui vocês dois. No dia em que foram buscar o carro na casa de Bryan,<br>eu passei mal e sem querer tomei comprimidos demais, acabei delirando. Não lhes<br>contei isso no mesmo dia, porque só lembrei-me depois. Mas tem males que vem<br>para o bem. Como eu estava sob o efeito dos remédios, acabei revelando pra<br>Richard segredos de vocês dois, segredos estes que ele utilizou para convencê-los<br>a permitirem a ida de Sophia para a França. Pois bem, esta criança que a nossa<br>menina carrega no ventre é a nossa chance de voltarmos a ser uma família de<br>verdade, sem mentiras, sem traições, e coberta de amor. E espero que nenhum de<br>vocês venha me interrogar sobre o segredo do outro, pois não irei falar, e nem<br>tentem me obrigar a tomar mais remédio em excesso. Alexander e Olívia<br>concordaram com tudo que dona Matilda havia dito, e refletiram bastante, cada um<br>perante seus erros. Como pode uma criança que ainda nem nasceu mudar tantas<br>vidas?<br>Os meses foram passando. O restaurante já estava pronto pra ser inaugurado, e já<br>tinha até data marcada, 30 de setembro de 1993. Bernard e Sophia utilizaram o<br>dinheiro da premiação do evento para comprar a casa própria, localizada na mesma<br>rua do restaurante. Os familiares se mudaram para morar na casa de Sophia em<br>Helsinque. Quanto à fazenda eles deixaram aos cuidados de Bomani, que estava<br>com uma namorada que conheceu na França, Bryan também estava de namorada<br>nova. Kiara e Isla também casaram com franceses, mas resolveram ir morar no país<br>dos noivos.<br>A inauguração do restaurante foi um sucesso. No mesmo dia recebeu o prêmio de<br>melhor restaurante da cidade. Foi capa da maioria dos jornais da Europa. Dois dias<br>após a inauguração, Sophia começou a sentir contrações. Mas nem precisou sair de<br>casa, dona Matilda era parteira. Ela já possuía todos os instrumentos necessárias<br>em casa. Estava chegando o momento do nascimento do bebê.<br>─ Queiram nos dar licença, por favor, já tenho tudo que preciso aqui para a<br>realização do parto. Precisarei apenas da presença de Olívia para dar força à filha<br>nesse momento.<br>─ Vó, vai doer muito? Estou com medo vó. ─ Disse Sophia, bastante nervosa.<br>─ Calma minha filha, sua avó sabe o que está fazendo. Foi ela que fez o meu parto,<br>e eu estou aqui do seu lado, tenha fé que dará tudo certo. ─ Olívia tentou tranquilizar<br>a filha.<br>─ Já está vindo Sophia, força! Vamos, força! Isso meu bem, já está quase lá. Só<br>mais um pouco, vamos!<br>─ Unhééé-unhééé-unhééé.<br>─ Ai meu Deus, que linda! Minha filha, ela é igualzinha a você quando nasceu. ─<br>Disse Olívia, toda emocionada.<br>Dona Matilda finalizou os procedimentos, banhou o bebê e levou para que Sophia<br>pudesse ver pela primeira vez o rostinho daquela que seria o seu mais novo e<br>verdadeiro amor.<br>─ Ai vó como ela é linda. ─ Sophia não conseguiu conter as lágrimas.<br>─ Como ela irá se chamar, minha netinha? ─ Perguntou a bisavó babona.<br>─ Amora<br></p>



<h1 class="wp-block-heading">FIM.</h1><p>The post <a href="https://ipiracity.com/amora/">Amora</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Resiliência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 May 2023 12:53:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por- Dhonatas Silva &#8211; Colunista Ipirá City No ano de 2007, nos EUA, Martin foi condenado a 20 anos de prisão emregime fechado. Motivo? Ele e o amigo Gregory estavam saindo de uma boate noBrooklyn às 4 da manhã, e Gregory que, por sinal, estava muito bêbado, assaltouuma moça que também estava deixando o local [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por- Dhonatas Silva &#8211; Colunista Ipirá City</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ano de 2007, nos EUA, Martin foi condenado a 20 anos de prisão em<br>regime fechado. Motivo? Ele e o amigo Gregory estavam saindo de uma boate no<br>Brooklyn às 4 da manhã, e Gregory que, por sinal, estava muito bêbado, assaltou<br>uma moça que também estava deixando o local no mesmo momento em que eles.<br>─ Perdeu, perdeu. Anda, passa a bolsa sua vadia! ─ Disse Gregory, que<br>estava armado e transtornado.<br>Enquanto Gregory corria com a bolsa da moça em direção ao carro, e ela<br>gritava por socorro, Martin ficou paralisado por alguns segundos sem entender nada<br>do que estava acontecendo. Tempo suficiente para que ela pudesse ver e<br>memorizar seu rosto pra fazer um retrato falado assim que conseguisse falar com a<br>polícia. Um dos seguranças da boate, que presenciou tudo, acionou uma viatura que<br>não demorou a chegar. Martin correu em direção ao carro, mas Gregory não o<br>esperou e saiu cantando pneu. Sem muitas alternativas, Martin correu sem destino.<br>Estava longe de casa, e apertou ainda mais o passo quando ouviu o barulho das<br>sirenes. Jennifer, a moça que foi roubada, acompanhou os policiais na viatura. Ela<br>tinha certeza de que se conseguissem encontrar aquele rapaz negro novamente,<br>posteriormente seria possível recuperar sua bolsa que o rapaz branco havia levado.<br>─ Ali está ele seu policial, esse rapaz estava com o outro que me assaltou, ele<br>é o comparsa.<br>─ Mãos na cabeça! Encoste-se à parede! Abra as pernas! ─ Disse um dos<br>policiais que estava acompanhado por mais dois, além de Jennifer.<br>─ Mas senhor, eu não fiz nada!<br>─ Senhor? Senhor está no céu. Cadê a droga hein? E o seu comparsa?<br>Anda, fale numa boa antes que eu te obrigue a contar tudo.<br>Enquanto efetuava a revista, o policial colocou drogas em um dos bolsos de<br>Martin. O segurança da boate entrou em contato com o pai de Gregory para contar<br>sobre o ocorrido. Os policiais levaram Martin para a delegacia. Ao chegarem, o<br>delegado que já estava ciente de toda situação, tratou de fingir e agiu como se não<br>soubesse de nada.<br>─ Ora, ora, mas quem é esse meliante? ─ Disse o delegado em tom<br>sarcástico, com um sorriso no canto da boca.<br>─ Eu sou inocente senhor. Admito que estava com o Gregory no momento do<br>assalto, mas com certeza ele estava fora de si. Ele bebeu muito durante a festa. Se<br>vocês me soltarem, irei a sua procura e trarei de volta a bolsa da moça.<br>─ Olha só como ele fala bonito, agora me explique isso aqui! ─ Falou o<br>policial tirando as drogas do bolso de Martin, as mesmas que o próprio havia<br>colocado.<br>Bateram bastante em Martin, antes de o levarem para a sela. Pouco tempo<br>depois, Arnoud, pai de Gregory, chegou à delegacia com a bolsa de Jennifer, junto<br>com ele estava o segurança da boate, Joshi, amigo de Martin e Gregory desde a<br>infância. Joshi fez questão de colocar as imagens das câmeras de segurança em um<br>pen drive, e guardou em um lugar onde só ele poderia saber. Naquele momento ele<br>só pensava em seu emprego, havia iniciado o trabalho na boate há apenas dois<br>meses, tinha um filho recém-nascido, e trabalho estava muito difícil de encontrar,<br>então mesmo presenciando tudo, contou para a polícia que infelizmente as câmeras<br>de segurança estavam com problemas e que não poderiam servir como provas, mas<br>que ele havia presenciado o assalto e que estava disposto a ajudar a polícia,<br>contando sua versão.<br>─ Senhores, eu sendo negro, assim como o meu amigo Martin, e tendo<br>passado por várias dificuldades assim como ele na infância, poderia vir aqui e tentar<br>de todas as formas inocentá-lo, mas o que realmente aconteceu foi que Martin a<br>todo o momento durante a festa ficava obrigando Gregory a beber, e acredito-me<br>que tudo foi bem planejado, afinal, acabamos de encontrar Gregory todo amarrado<br>no carro e junto com ele estavam uma pistola Glock G44 e a bolsa dessa moça.<br>Martin que morava sozinho, após ter perdido a esposa e o filho, vítimas de<br>bala perdida durante uma troca de tiros entre facções, agora estava isolado em uma<br>sela, prestes a ser condenado por roubo, tentativa de homicídio, porte ilegal de arma<br>e tráfico de drogas. Jennifer era advogada, porém não quis se dar ao trabalho de<br>investigar mais sobre o caso, já que um dos suspeitos já estava preso, e após<br>descobrir que o outro rapaz era filho do dono da boate, que por sinal tinha muito<br>dinheiro, dificilmente aconteceria algo com ele. Além do mais, sua bolsa já estava<br>em mãos, então o caso pra ela se deu como encerrado. A essa altura do<br>campeonato Gregory já estava em casa, com a lombra curada quase que 100%. Os<br>seguranças do pai foram ao seu encontro, o amarraram, tiraram algumas fotos para<br>fornecer para a polícia e em seguida o levaram para casa. Martin foi condenado a 20<br>anos de prisão em regime fechado.<br>Um ano depois do incidente, Jennifer que morava na Califórnia, assim como<br>sempre fez no período de férias, foi visitar seus pais. Ela cresceu no Brooklyn, mas<br>se mudou para a Califórnia assim que concluiu o ensino médio. Foi à procura de um<br>emprego para se sustentar enquanto corria atrás do grande sonho de torna-se<br>advogada. Na primeira noite, assim que chegou de viagem, ela resolveu ir até a<br>boate, para espairecer um pouco, e porque não dizer também, em busca de<br>respostas sobre aquela noite de um ano atrás. Durante a viagem ela refletiu<br>bastante sobre aquele acontecimento, pois por ser advogada, ela percebeu que<br>precisava pôr os pontos nos is. Seguiu para a boate. Chegando lá, encontrou Joshi<br>na pista de dança. O som estava muito alto, então ela o chamou para conversarem<br>no bar.<br>─ Oi, tudo bem? Lembra-se de mim? Sou a Jennifer. Há um ano eu fui<br>assaltada na saída dessa boate. Qual o seu nome mesmo? Você não trabalha mais<br>aqui?<br>─ Tudo bem, claro que me lembro de você. Meu nome é Joshi. É, aquela<br>noite foi tensa. Trabalho, trabalho sim, mas hoje é meu dia de folga, então decidi<br>curtir por aqui mesmo.<br>─ Então Joshi, você tem notícias dos seus amigos? ─ Ela estava disposta a<br>arrancar o máximo de informações possíveis dele.<br>─ O Martin foi condenado a 20 anos de prisão, por roubo, tentativa de<br>homicídio, porte ilegal de arma e tráfico de drogas. O Gregory está ali na pista de<br>dança. Ele sempre teve problemas com drogas e bebidas, e o senhor Arnoud já não<br>sabe mais o que fazer com ele, mas sempre dá um jeito de limpar a ficha do filho<br>após as várias lambanças que ele apronta.<br>─ Hum… E naquela noite, Martin realmente foi o culpado por tudo que<br>aconteceu? ─ Ela percebeu que Joshi estava bêbado e que conseguir mais<br>informações seria mais fácil do que ela pensava.<br>─ Mas porque está tão interessada em saber de tudo isso? Você é detetive<br>por acaso? ─ Ele começou a suspeitar!<br>─ Não se esqueça de que eu fui a vítima, apenas tenho algumas dúvidas<br>sobre tudo que aconteceu. E além de está interessada em saber tudo isso, também<br>tenho interesse em você. ─ Ela resolveu colocar o plano B em ação.<br>─ Olha só, agora o papo ficou interessante pra mim também. Sendo assim,<br>estou disposto a contar tudo que sei, contanto que hoje você saia daqui direto para<br>um motel comigo. O ladrão hoje serei eu, irei roubar seu coração. ─ Disse ele<br>convencido de que ela iria para a cama com ele ao fim da festa.<br>─ Pois então me conte tudo que sabe, e mais tarde eu lhe mostrarei tudo que<br>sei fazer! ─ Ela falou com um olhar penetrante, enquanto mordia os lábios.<br>─ Então gatinha, o carro que Gregory fugiu é do senhor Arnoud. Ele sempre<br>pega as coisas do pai sem permissão, pois sabe que se pedir o mesmo não irá<br>permitir. A arma também pertence ao pai dele. Quanto às drogas, eu sinceramente<br>não sei o que dizer, pois o Martin nunca foi envolvido com nada errado. O conheço<br>desde criança, então sei muito sobre a vida dele. Ele era casado, tinha um filho, mas<br>ambos morreram vítimas de bala perdida durante uma troca de tiros entre facções.<br>Ele é mecânico e trabalha na própria garagem, sempre foi um cara tranquilo e<br>costumava ir à igreja todo final de semana. Ele Inclusive já nos convidou por várias<br>vezes para irmos fazer uma visita, mas eu e o Gregory nunca fomos. Então, isso é<br>tudo que sei.<br>─ Peraê, agora eu me lembrei de uma coisa. Quando o policial abordou o<br>Martin, ouvi-o dizer que estava limpo, mas quando chegamos à delegacia, ele tirou<br>droga de seu bolso, ou seja, ele mesmo quem a havia colocado lá. Mas isso tudo<br>que temos não são provas suficientes para inocentar o Martin.<br>Enquanto Jennifer e Joshi conversavam, Gregory se envolveu em uma<br>confusão na pista de dança. Joshi correu para ajudar o filho do patrão, mas quando<br>se aproximou, os rapazes já estavam se retirando da boate.<br>─ Gregory, você está bem cara? O que aconteceu? Quem eram aqueles<br>caras? ─ Perguntou Joshi, apavorado.<br>─ Mano, tu tem que me ajudar. Eles vieram me cobrar uma dívida de drogas,<br>falaram que eu tenho até amanhã ao meio dia pra conseguir a grana. Senão eu ou<br>meu pai iremos sofrer as consequências. ─ Gregory estava totalmente bêbado ou<br>drogado, não dava pra saber ao certo.<br>─ Mas quanto você deve pra eles? Posso tentar conversar com seu pai.<br>─ Eu devo US$10.000,00. Não, meu pai não pode saber de nada, eu prometi<br>pra ele que não me envolveria em mais nenhuma confusão. Tem que haver outra<br>maneira. Ajuda-me Joshi, por favor. Caso consiga outra maneira de me ajudar e<br>meu pai descubra que me acobertou, pode ir até Los Angeles e procurar por James<br>Robby, ele tem uma boate lá também, basta dizer que é meu amigo e ele conseguirá<br>um emprego pra você.<br>Joshi voltou para ficar com Jennifer, lembrou-se do pen drive e percebeu que<br>mandar Gregory para a prisão seria a única forma de ajudá-lo naquele momento. Já<br>que ele teria outro emprego garantido, não hesitou em pedir ajuda para Jennifer.<br>─ Então gatinha, já te contei várias coisas, e acabei de lembrar-me que não<br>contei a mais importante. Mas antes quero saber um pouco mais sobre você, o que<br>faz da vida. Irei precisar de sua ajudar pra uma coisa, mas antes preciso saber se<br>posso confiar em você.<br>─ Ok, eu moro na Califórnia, mas todos os anos, venho passar as férias com<br>meus pais, sou advogada. O que rolou ali na pista de dança? Pra quê precisa de<br>minha ajuda? O que deixou de me contar?<br>─ Sério? Não brinca. Advogada? É exatamente do que eu preciso. Na<br>verdade aquela confusão toda foram uns rapazes que vieram cobrar uma dívida de<br>drogas do Gregory, US$10.000,00. Ele pediu minha ajuda, mas para que eu poça<br>ajuda-lo, precisarei de você. Vem comigo que te explico tudo.<br>Jennifer entrou no carro com Joshi. Seguiram. A noite não iria mais acabar do<br>jeito que ele planejou, mas naquele momento o foco era outro. Ajudar Gregory,<br>inocentar Martin, e independente do que acontecesse, garantir um emprego.<br>─ Pra onde está me levando? Não é pra um motel, não é?<br>─ Não, não. Outro dia, talvez. Pronto, chegamos. Vem, vamos entrar. Eu<br>moro aqui. Minha esposa e meu filho já estão dormindo. Quero te mostrar uma<br>coisa.<br>Joshi pegou o pen driver e mostrou para Jennifer as imagens das câmeras de<br>segurança na noite do assalto. Ela assistiu e ficou horrorizada. Martin estava preso<br>há um ano sendo inocente. Entraram no carro e seguiram para a delegacia. Ela não<br>queria que aquele homem passasse nem mais um dia naquele lugar.<br>─ Boa noite senhor delegado. Poderia por favor, assistir a essas imagens e<br>ouvir o que este homem tem a dizer.<br>─ Ei, eu te conheço. Você não é… ─ Jennifer o interrompeu.<br>─ Isso mesmo. Sou Jennifer, Estive aqui há um ano por conta de um assalto<br>que sofri, e hoje venho como advogada do Martin, com provas para inocentá-lo.<br>O delegado assistiu todas as imagens, ouviu o que Joshi tinha a dizer,<br>interrogou os policiais que haviam abordado Martin naquela noite, os mesmos<br>confessaram terem colocado as drogas no bolso dele. Quanto a Gregory, decidiu<br>prende-lo, afinal, Arnold tinha uma dívida antiga pendente, prender o filho dele seria<br>uma maneira de receber o pagamento. Joshi ficou por lá mesmo, foi acusado por<br>ocultação de provas. O delegado garantiu que no dia seguinte, ao meio dia, Martin<br>seria libertado. Os policiais foram à procura de Gregory que ainda estava na boate e<br>efetuaram sua prisão.<br>No dia seguinte ao meio dia, os traficantes atiçaram fogo na boate que deu<br>perda total, felizmente não havia ninguém no local. Enquanto isso, Jennifer foi para<br>frente da delegacia aguardar a saída de Martin. Que não demorou de aconteceu.<br>─ Oi, tudo bem? Sou a Jennifer, eu… ─ Martin a interrompeu.<br>─ Eu sei quem você é, foi por sua causa que eu estava preso, mas não tem<br>problema, eu te perdoo. Orei bastante durante todo esse tempo que estive preso, e<br>sabia que na hora certa a verdade viria à tona e eu ganharia minha liberdade.<br>─ O Joshi, seu amigo que me contou toda verdade.<br>─ Eu não quero mais saber dessa história, tá legal? Não quero saber quem<br>aprontou pra cima de mim. Quero apenas aproveitar minha liberdade, minha vida,<br>afinal, eu não sei o que pode acontecer daqui a dois minutos.<br>─ Você pode não saber, mas eu sei.<br>Jennifer o beijou. Um beijo tão verdadeiro, tão intenso e tão demorado, que<br>durou bem mais que dois minutos.<br><strong>FIM.</strong></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/resiliencia/">Resiliência</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Pressentimento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2023 02:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dhonatas Silva &#8211; Colunista (Ipirá City) Quando nos apaixonamos por alguém pela primeira vez, temos a sensaçãode que o sentimento durará pra sempre, não é verdade? Algumas vezes atéacontece. E quando é pra valer, esse sentimento transforma-se em amor, e é a partirde então que acreditamos ter finalmente encontrado o grande amor da nossa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Dhonatas Silva &#8211; Colunista (Ipirá City)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando nos apaixonamos por alguém pela primeira vez, temos a sensação<br>de que o sentimento durará pra sempre, não é verdade? Algumas vezes até<br>acontece.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> E quando é pra valer, esse sentimento transforma-se em amor, e é a partir<br>de então que acreditamos ter finalmente encontrado o grande amor da nossa vida.<br>Laura era uma adolescente muito bonita, de personalidade forte, dona de um sorriso<br>encantador. Ela amava maquiagem, tanto que todos os dias após o colégio ia para o<br>salão da tia Helena, para observa-la trabalhando, enquanto enfeitava as bonecas<br>com seu kit de maquiagem, já havia escolhido qual profissão seguir quando se<br>tornasse adulta. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Era praticamente impossível que um garoto com a mesma faixa<br>etária de idade que ela, a visse e não se apaixonasse pelo brilho daquele olhar. Levi<br>se interessou por ela, agora os outros rapazes da escola não tinham mais chances<br>com aquela linda garota, afinal, ele era bastante popular por fazer parte do time de<br>futebol da escola e por ter as famas de mulherengo e de valentão. Antes mesmo de<br>conversar com Laura, Levi tratou de comunicar ao time de futebol que estava em um<br>relacionamento com ela.<br>─ Então rapaziada, é o seguinte, estou saindo com a Laura e não quero saber<br>de ninguém olhando pra minha mina, entenderam bem?<br>Todos concordaram sinalizando com a cabeça, parabenizaram-no, mas<br>ficaram sem entender como ele estava namorando com ela sendo que nunca foram<br>vistos juntos. Mas não questionaram nada. Nathan, amigo de Laura, que estava<br>atrás da porta da sala, ouviu tudo, e correu pra conversar com a amiga, queria<br>certificar a veracidade do que acabara de ouvir. Nathan guardava um grande<br>segredo, que só sabiam ele e Levi. Assim que encontrou a amiga, ele a interrogou.<br>─ Amigaaaa, fiquei sabendo de um babado ali agorinha, está quentinho,<br>chega minha língua tá queimando.<br>─ Oi Nathan, fala ai, estou indo pra o salão de tia Helena, me acompanhe e<br>me conte no caminho. É sobre a fanfarra que virá se apresentar aqui na cidade na<br>semana que vem? Se for, não me diga que aqueles gatinhos da capital virão<br>novamente, pior que agora só estou tendo olhos pra uma pessoa.<br>─ Mulher, cala a boca um pouco e deixa-me falar, meu Deus do céu. Que<br>sobre fanfarra o que, vim pra falar de um caso à parte, sobre o Levi.<br>─ Levi? Mas o que é que tem ele? Aconteceu alguma coisa? Anda Nathan,<br>fala!<br>─ Se você deixar… Meu amor, vocês estão namorando? Primeiro quero que<br>me responda isso, depois te conto o resto.<br>─ Ah… Quem me dera, é meu sonho de consumo, era ele a quem me referia<br>quando disse que só estou tendo olhos pra uma pessoa. Você acha mesmo que se<br>eu estivesse namorando com ele, eu não teria te contado? Amigo eu te conto tudo,<br>simplesmente tudo, assim como você também me conta, não é verdade?<br>─ Cla-cla-claro né amiga, cê sabe que não te escondo nada. Que homem viu,<br>por um daquele ali eu faria tudo. Lavava, passava, cozinhava, e no quarto nem<br>preciso falar. (RISOS)<br>─ Então amigo, já te respondi, agora me fala.<br>Nathan desconversou, disse que precisava ir e que depois eles se falavam,<br>Laura insistiu, mas ele saiu correndo e a deixou morta de curiosidade. Enquanto<br>isso, Levi estava criando coragem para falar com Laura. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela ao longo dos seus 16<br>aninhos só havia beijado uns 3 garotos, e ele com 18, já tinha feito um arrastão no<br>colégio, mas demonstrava sentir algo diferente por Laura, algo que nunca havia<br>sentido antes por nenhuma outra garota. Há noite, Nathan resolveu ligar para Levi,<br>queria conversar sobre Laura.<br>─ Alô!<br>─ Oi nego, tudo bem?<br>─ Fala Nathan, qual foi?<br>─ Então gato, deixa eu te falar. Eu ouvi sua conversa hoje com o restante do<br>time e fui conversar com Laura?<br>─ Conversar o que mano? Tá maluco? O que é que você tem a ver?<br>─ Tudo né vida? Fui saber o que ela pensava sobre você, e descobri que ela<br>está completamente arreada os quatro pneus. (RISOS)<br>─ É sério? Tá de tiração com a minha cara? Se eu for até aí eu te quebro todo<br>viu meu?<br>─ Quero ser seu mesmo, meu anjo. Tenho uma proposta pra te fazer?<br>─ Aiaiaiai, proposta? Que proposta?<br>─ Lembra daquele nosso segredinho? Então, se você vier aqui agora e me<br>quebrar todinho igual fez da última vez, ajeito tudo pra você e ela ficarem juntos.<br>─ Demorô, tô chegando!<br>No dia seguinte, Nathan resolveu cumprir a parte dele do trato, marcou com<br>Levi e Laura para irem ao seu encontro no fundo do colégio. Laura chegou primeiro<br>que os dois. Não demorou muito para Levi aparecer.<br>─ Oi Laura tudo bem, o que faz aqui?<br>Laura ficou trêmula, nunca havia chegado tão perto assim de Levi, suas mãos<br>transpiravam, as palavras mal saíam.<br>─ O-o-olá Levi, estou bem, e você? É-é, estou esperando o Nathan, é meu<br>melhor amigo, sabe quem é né?<br>─ Há tá, sei sim, mas não tenho muita proximidade, só conheço de vista<br>mesmo. Ele assim como você gosta de maquiagem não é mesmo? (RISOS)<br>─ É sim, ele não é de se atrasar, vou mandar mensagem.<br>Antes que Laura pusesse a mão na bolsa para pegar o celular, Levi a roubou<br>um beijo, daquele que ela nem sabia que existia. Com a mão esquerda ele<br>entrelaçou os dedos na mão direita dela, enquanto sua mão direita viajava,<br>alcançando cada centímetro possível do corpo de Laura. Ela estava molhada. Pra<br>ela tudo aquilo era novidade, já pra ele, só mais um corpo a ser provado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Após o longo beijo, Laura saiu correndo sem dizer para onde iria, nem ela mesmo sabia.<br>Levi ficou estático no mesmo lugar, passando os dedos nos lábios e reprisando na<br>mente o que acabara de acontecer por uns 2 minutos, parecia mesmo que pra ele<br>aquele beijo tinha significado alguma coisa.<br>Já em casa, deitada, Laura lembrou do beijo e decidiu se tocar. Voltou a sentir<br>a mesma sensação que sentira no momento do beijo, mas a intensidade daquele<br>momento foi aumentando conforme ele ia se autoconhecendo, estava sentindo<br>coisas que nem sabia que eram possíveis, imaginou Levi ali com ela, chamava o<br>nome dele baixinho, enquanto utilizava os dedos lentamente, e os lençóis tornavamse evidencias daquele momento único.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Ela gozou e adormeceu. No dia seguinte, um<br>sábado, mesmo sendo um dia de bastante movimento no salão, como ainda não<br>tinha funcionários, Helena resolveu deixar o salão fechado. Ela iria para uma cidade<br>vizinha fazer um curso de maquiagem, para se capacitar ainda mais, e já pensava<br>em direcionar um futuro parecido para a sobrinha. Helena deixou a chave do salão<br>com Irene, mãe de Laura. Ela que estava deitada no quarto, ouviu o momento em<br>que a mãe recebeu as chaves das mãos da tia, logo, em sua mente, teve uma ideia<br>mirabolante.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-8.png" alt="" class="wp-image-83947" width="347" height="464" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-8.png 669w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-8-224x300.png 224w" sizes="(max-width: 347px) 100vw, 347px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Ambos conseguiram o que tanto queriam, um momento a dois. Para Laura,<br>seria a oportunidade de se entregar para aquele que fazia seu coração bater mais<br>forte, enquanto para Levi, apenas mais uma oportunidade de tirar mais uma<br>virgindade, que para ele, enquanto grande garanhão entre os amigos, seria como<br>ganhar mais um troféu de interclasse. Laura seria capaz de fazer Levi gostar de<br>alguém de verdade?<br>Nathan estava online, então Laura tratou de mandar um print da conversa<br>para o amigo, deixando-o atualizado.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-9.png" alt="" class="wp-image-83948" width="340" height="496" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-9.png 667w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/04/image-9-206x300.png 206w" sizes="(max-width: 340px) 100vw, 340px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Após confirmar o encontro com Levi e atualizar Nathan sobre as novidades,<br>Laura foi fazer umas comprinhas, já fantasiando em sua mente, de como mais ou<br>menos poderia ser o encontro, ela iria preparar o cenário, mas como realmente iria<br>ser, ela não poderia imaginar, afinal, nunca havia transado antes. Comprou um<br>vinho, foi a um Sex Shop, explicou para a atendente que seria sua primeira vez,<br>então a moça lhe aconselhou a comprar uma lingerie para excitar e chamar ainda<br>mais a atenção do parceiro, lhe ofereceu também um lubrificante, mas este segundo<br>Laura não aceitou, e brincou.<br>─ Mulher, eu já fico molhada só de ver ele, pra quê eu vou querer lubrificante?<br>Sou virgem, mas minhas amigas me contam alguns segredinhos. (RISOS)<br>Assim que Laura retornou pra casa, Irene tratou de perguntar se ela estava<br>lembrando do aniversário de 96 anos da avó dela, por ser a neta preferida de dona<br>Maria, sua presença era imprescindível. Laura confirmou a presença, mas ressaltou<br>que chegaria um pouco atrasada, pois tinha um trabalho de química pra fazer, e que<br>inclusive Nathan iria até lá para ajudá-la. Irene concordou, mas chamou a atenção<br>para que ela não deixasse de ir, pois a avó estava com a saúde cada vez mais<br>debilitada. Laura teve outra ideia, essa bem mais louca que a primeira. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Às 19 horas,<br>Irene tinha acabado de sair, a rua estava deserta, a maioria dos vizinhos foram para<br>o aniversário de dona Maria. Laura olhou na direção do salão e viu que Levi já<br>estava a sua espera, então mandou mensagem pedindo para que ele vinhesse para<br>sua casa, pois estava sozinha. Claro que ele não se importou nem um pouco, e<br>seguiu pra lá. Entrou.<br>─ Então Levi, aceita uma bebida?<br>─ Claro linda, nem sabia que você bebia. ─ Falou e encarou-a com um olhar<br>malicioso.<br>─ Não bebo, mas a ocasião é favorável. (RISOS)<br>Beberam algumas taças de vinho. Laura já estava grogue, Levi percebeu e<br>resolveu atiça-la. Chamou-a para ir pro quarto, ela prontamente aceitou. Ele<br>começou a beijá-la e acariciá-la. Tirou toda a roupa dela, que já estava<br>completamente entregue. Ele aproveitou o momento, enquanto ela não tinha o<br>controle da situação. Ela sentia dor. Levi percebeu, mas como por parte dele não<br>havia sentimento algum, não se importou. Com certeza não foi daquele jeito que ela<br>imaginou a primeira vez. Enquanto isso Nathan passou de moto em frente a casa de<br>dona Maria, onde estava acontecendo o aniversário, Irene não hesitou em chamá-lo.<br>─ Nathan, está indo lá pra casa? Porque vocês não deixam para fazer esse<br>trabalho amanhã, eu faço uma lasanha e você já aproveita e passa o domingo com a<br>gente.<br>─ Oi? Que trabalho dona Irene?<br>─ Ué você não tava indo lá pra casa? Mas Laura me falou que… Ah esquece.<br>─ Aaaaaaaah, o trabalho. É eu me atrasei, estou indo pra lá agora sim. Faz<br>assim então, eu vou buscar ela e amanhã fazemos o trabalho, e a senhora faz<br>aquela lasanha M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A, a senhora arrasa dona Irene.<br>Irene ficou confusa, percebeu que algo de errado não estava certo. Nathan<br>captou o que estava acontecendo e seguiu para a casa de Laura. Chegando lá,<br>sentiu um clima estranho logo na chegada, o portão estava aberto, a porta<br>escancarada.<br>─ Laura? Amiga? Tem alguém aqui? Meu Deus do céu. Laura?<br>Quando ele chegou no quarto da amiga ela estava despita e desacordada.<br>Lingerie de um lado, preservativo usado do outro, e um cheiro forte de vinho<br>tomando conta do quarto. Ele pegou-a no colo e levou-a para o banheiro, colocou-a<br>de baixo do choveiro, até que ela começou a voltar a si.<br>─ Levi? O que aconteceu? Porque eu tô sangrando?<br>─ Que Levi o que mulher, te apruma! Levi uma hora dessas já deve estar<br>dormindo com outra. Oia, deixa minha boca quieta.<br>─ Não, ele deve ter ido buscar socorro, deve ter ficado apavorado quando me<br>viu sangrando, liga pra ele, talvez tenha acontecido alguma coisa no caminho.<br>─ Minha Nossa Senhora da Paciência, mas Laura você bebeu vinho ou usou<br>droga? Acorda pra vida meu amor! Ele te usou e caiu fora, entendeu ou quer que eu<br>desenhe? Anda, toma um banho rápido pra ir pro aniversário de sua avó.<br>Nathan ajudou Laura com banho, ela mal conseguia ficar de pé. Foram pro<br>quarto e o lençol estava com uma enorme mancha de sangue, Nathan colocou numa<br>sacola e se encarregou de dar um fim naquele vestígio de uma noite inesquecível<br>para Laura. Se positiva ou negativamente, Nathan só iria saber quando ela<br>finalmente retomasse a consciência. Laura demorou tanto para vestir a roupa que<br>quando se aprontavam para sair, Irene já estava chegando em casa.<br>─ Muito bem meninos, só faltaram vocês na festa, e não foram por quê? Pra<br>fazer um trabalho que poderiam fazer amanhã, não é mesmo? Sua avó passou a<br>festa toda perguntando por você mocinha, espero que amanhã cedo, você vá vê-la e<br>se justifique da ausênsia, daquela que pode ter sido a ultima festinha de aniversário<br>dela, enfim, se me dão licença irei dormir, boa noite.<br>A bronca de Irene cortou a lombra de Laura na hora, um feito que nem<br>mesmo o banho gelado foi capaz de fazer. Nathan decidiu colocar a moto na<br>garagem e passar a noite com a amiga. Mas o tempo em que ele saiu e abriu o<br>portão foi o suficiente para um garotinho, filho de uma das vizinhas, chegar gritando<br>e chamando por dona Irene para comunicar o falecimento de dona Maria. Irene<br>desmaiou. Laura saiu correndo desesperada em direção a casa da avó, a sua a<br>mente estava uma bagunça. A dolorosa transa, seguida de abandono, a ausência na<br>festa por conta da maldita transa. Quando viu dona Maria morta, sua primeira reação<br>foi ajuelhar-se aos pés e pedir desculpas. Por dentro ela sangrava de<br>arrependimento e dizia pra si mesma que nunca se perdoaria.<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fim</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/pressentimento/">Pressentimento</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Poesia: Ipirá-BA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 17:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dhonatas Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá-BA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poesia: Ipirá-BAAutor: @dhon.silva Fundada em 20 de abril de 1855És um torrão especial desde sempreVou tentar expressar através dessa poesia o orgulho que sinto em ser ipiraense E o que falar dos seus habitantes?Povo receptivo, de bom coraçãoQuem te conhece nunca mais te esqueceIsso acontece desde os tempos de Camisão Tanta gente que por aqui [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Poesia: Ipirá-BA<br>Autor: @dhon.silva</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fundada em 20 de abril de 1855<br>És um torrão especial desde sempre<br>Vou tentar expressar através dessa poesia o orgulho que sinto em ser ipiraense</p>



<p class="wp-block-paragraph">E o que falar dos seus habitantes?<br>Povo receptivo, de bom coração<br>Quem te conhece nunca mais te esquece<br>Isso acontece desde os tempos de Camisão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanta gente que por aqui marcaram época<br>Sua história é muito longa<br>Pra contá-la em poesia, eu levaria mais de uma década<br>Dez anos talvez daria apenas pra falar da Caboronga</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas pra quem não sabe, Ipirá não teve sempre esse nome<br>Foram vários outros até chegarem a essa conclusão<br>O primeiro topônimo foi por causa do português Valério Pereira de Azevedo<br>Um homem que sempre usava um camisão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tupi-guarani significa Rio do Peixe<br>Nome de origem indígena<br>A terra do couro tem uma população miscigena</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já que voltamos a falar dos cidadãos<br>As vezes o que lhes faltam é valorização<br>Falam muito que Ipirá só aparece na mídia quando o assunto é algo ruim<br>Mas não é bem assim</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por aqui tem muitos artistas que tentam enaltecer a cultura<br>Mas essa já está quase perdida<br>E quase ninguém a procura</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Alberto Dultra Cintra<br>Raimundo Sodré<br>Joaci Fonseca de Góes<br>Eugênio Gomes<br>Inaê Sodré<br>Delorme Martins<br>Moreu<br>Dentre outros, enfim…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns mortos, outros em vida<br>Todos carregaram e carregam o nome de Ipirá com dignidade<br>Não precisaram fazer coisas ruins<br>Pra condecorar o nome da nossa cidade</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ipirá, Ipirá, Ipirá,<br>Minha linda cidade altaneira<br>Teus encantos são como não há,<br>És, em tudo, Ipirá, brasileira!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hei de sempre cantar te na vida,<br>Ninho augusto do meu coração,<br>Ipirá, minha terra querida,<br>Meu formoso e sagrado torrão.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/06/par.jpg" alt="" class="wp-image-53194"/></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/poesia-ipira-ba/">Poesia: Ipirá-BA</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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