Entre a “Fujimorização” e a “Congolização” as únicas certezas são: o Brasil apodrece e a Argentina é logo ali

Reduzir as expectativas e tentar controlar um dos segmentos do caos para gerar o “caos no caos” e reconstruir o país para os bisnetos dos nossos filhos e netos. Esta é a realidade com a qual devemos trabalhar. O Brasil, como Estado, acabou! Hoje temos um terreno de exploração ocupado por alguns Capitães do Mato que disputam o “título” de melhor subserviente.

Foto: Duplo Expresso

Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Reduzir as expectativas e tentar controlar um dos segmentos do caos para gerar o “caos no caos” e reconstruir o país para os bisnetos dos nossos filhos e netos. Esta é a realidade com a qual devemos trabalhar. O Brasil, como Estado, acabou! Hoje temos um terreno de exploração ocupado por alguns Capitães do Mato que disputam o “título” de melhor subserviente.

Esses Capitães do Mato atuam como “mercenários comissionados” que controlam com os novos chicotes (toga, farda, distintivos, microfones, etc.) a massa de nativos que apenas atrapalha os planos dos verdadeiros donos que vivem bem longe. A xepa do caos deve ser disputada por nós para que possamos tirar desses “mercenários comissionados” o controle daquilo que esconde quem são os verdadeiros inimigos.

Alguns “intelectuais” se esforçam para fazer análises sobre a situação do Brasil como se fosse possível ao país sair desta realidade imposta no pós-derrota da guerra híbrida recém concluída. Alguém precisa avisar a esses “pensadores” que esta situação que nos salta aos olhos, de diferentes formas e diariamente, dispensa a sistematização ou fundamentação teórica que rende muito mais palestras, fama e venda de livros para esses mesmos “intelectuais” do que algum resultado prático.

A PEC do congelamento, por exemplo, é um atestado de que o Estado não será responsabilizado pelo abandono e desmonte em todos os setores do nosso país. Há quem acredite que ela (a PEC) sequer será respeitada, mas esquece que isso não muda mais nada. Deixar de cumprir esta PEC será apenas um falso ato de heroismo que alguns políticos oportunistas irão adotar como recurso para “jogar pra torcida”, principalmente no período eleitoral.

De nada vai adiantar, por exemplo, lutar contra a redução do orçamento das universidades. A luta de hoje é apenas mais um “delay” de quem não lutou contra o desmonte da UERJ. Aquele foi o laboratório! A universidade pública quando desprovida de recursos é apenas uma fábrica de CV que atende aos filhos das família de classe média alta ou aos ricos. Nunca é demais lembrar que sem emprego e estabilidade econômica os pobres não terão a menor chance de estudar, pois sobreviver será – como historicamente tem sido – o único caminho para essas pessoas das classes menos favorecidas.

Hoje o Brasil vive uma disputa interna – ainda invisível – pelo controle da xepa do caos. Por isso, devemos entrar nesta disputa. É hora de parar de fingir que as instituições serão salvas. É hora de parar de fingir que temos justiça e que temos um exército para defender o nosso país e o nosso povo. Praticamente todos os agentes públicos dessas instituições foram corrompidos, financeiramente ou intelectualmente, e trabalham como “Capitães do Mato”.

A falsa briga entre os gângsters Bolsonaro e alguns militares ou a falsa briga entre os pelegos da esquerda são apenas parte do entretenimento para impedir que essa nossa “bolha vermelha” tenha força para lutar pelo controle de algum quinhão do caos.

O controle do tráfico de drogas, do tráfico de armas, do roubo de cargas, do desvio de recursos públicos pela justiça (vide o “Criança Esperança de Dallagnol), do falso combate à corrupção, da entrega dos setores estratégicos, etc. são alguns exemplos da xepa do caos que está a ser disputado a tapas pelos “mercenários comissionados”.

Negar isso é retardar o importante, e dolorido, passo de tratarmos o Brasil como um estado falido (na sua estrutura ética e deontológica). Este medo (ou preconceito?) em nada contribui para que possamos lutar as lutas que ainda nos permitiram travar. Nunca é demais lembrar que a falsa esquerda transformou em Lei a criminalização da nossa luta, através da “Presidenta Honesta (pausa para rir) que, entre outras coisas, entregou – num acordo com Jucá – o nosso pré-sal e criou a Lava Jato.

Há “intelectuais” que fazem verdadeiros exercícios para buscar um paralelo entre Bolsonaro e Fujimori. Eu discordo desta comparação por uma razão simples: Fujimori fez tudo aquilo como opção (poderia – como na ditadura Brasileira com Ernesto Geisel – escolher outro caminho). Já Bolsonaro não tem direito de escolha. Ele é apenas um fantoche (um palhaço para ser mais preciso) usado como entretenimento para o cenário já consumado.

Recebi de importante jornalista a seguinte mensagem:

“Não entendo a sua total aversão aos argumentos da Fujimorização, primeiro vamos analisar os fatos atuais:

1- Jair Bolsonaro tornou-se presidente do Brasil em 2019 com a missão de aprovar a reforma da Previdência.

2- Vamos relembrar que nas eleições de 2018, a campanha do Bozo chegou a prometer uma nova Constituição para o Brasil, e que uma situação de conflito poderia justificar um “autogolpe”.

3- Importante observar que o núcleo ideológico Olavo/ Bannon/ Trump do Governo Bolsonaro não se dá com ala militar, os militares achavam que iriam tutelar o Bozo.

4- Bozo tem penetração na turma de baixo dos quartéis, lembro também o plano de “reestruturação da carreira dos militares que receberão R$ 86,85 bilhões em 10 anos” graças à atual gestão.

5- Bolsonaro possui um verdadeiro exército digital, verdadeiras milícias digitais que promovem o linchamento virtual até mesmo de aliados.

6- Lembro também que a pequena base do Governo Federal quer fazer a uma CPI – Lava Toga como forma de constranger e tutelar o Judiciário.

7- Moro responsável pela criação de um estado policial (em breve te mando informações)

8- ataques as universidades considerado núcleos ideológicos de esquerda

9- Ressurgimento da velha retórica do comunismo

10- tradição entreguista e neoliberal das nossas Forças Armadas

Se Bolsonaro conseguirá articular um autogolpe, ninguém tem bola de cristal, mas por todos os sinais essa hipótese passa pela cabeça dele e do seu time USA hoje teria o apoio da imprensa e dos grandes empresários e rentistas que são os setores para quem ele governa( te mandei a pesquisa , Bozo tem o apoio de 59% desses setores). Mourão ensaiou se colocar como uma opção, mas foi abatido em pleno vôo até porque ele não tem a base popular do Bozo, que aliás ele tem jogado para esse povo e do ponto de vista estratégico está correto!

Vamos as semelhanças históricas:

Alberto Fujimori tornou-se presidente do Peruem julho de 1990. Recebia o país em grave crise.

1-precisava adotar medidas economicamente impopulares.

2-Fujimori não tinha maioria no Congresso, mas tinha o apoio das Forças Armadas.

3- Bolsonaro tem apoio também dos EUA

Em 5 de abril de 1992, Fujimori apareceu na TV anunciando que estava “dissolvendo” o Congresso e “reorganizando” o Poder Judiciário. Na sequência, tanques de guerra foram enviados para o Senado, opositores e jornalistas foram detidos, e um ex-presidente do país quase seria preso.

Era um “autogolpe”.

VOCÊ NÃO ACHA ISSO POSSÍVEL????

Num cenário em que a Lava Jato faz o papel do partido da polícia em conluio com a imprensa golpista para demonizar e criminalizar os políticos, um país em que um procuradorzinho de merda ” rouba” 2,5 bilhões de maracutaia para uma Fundação Privada e fica por isso mesmo!!! O povo iria aplaudir a dissolução do Congresso e o fechamento do STF com um cabo e soldado como já ameaçou um dos filhos do Bozo.

Voltando a história, com o autogolpe

Fujimori conseguiria:

1-Tomar para si os poderes do Congresso;

2-Suspender a Constituição nacional;

3-Reduzir as forças do judiciário;

4-Promulgar uma nova Constituição;

5-Perseguir qualquer crítico por intermédio de uma imprensa sensacionalista e amiga. (LAVA JATO)

Claro que existem diferenças comparando com o Peru, mas a essência é muito parecida. Se ele vai conseguir só Deus sabe! Mas a cada dia o caos se instaura mais e a postura dele e de seus asseclas demonstra que estão fazendo a política do quanto pior melhor para reinar no caos! E o povo???

Está como sempre esteve, assistindo a Globo com a barriga roncando….

São estas questões e muitas outras que queria colocar para você.”

Como disse anteriormente, esta importante contribuição ao debate seria válida se Bolsonaro tivesse o direito de escolha. Por isso é impossível comparar ao caso do Fujimori. A disputa entre Justiça, Políticos, Forças Armadas, Polícia Federal, Grupos de Comunicação, etc. é para ser o “capacho premiado”, o “entreguista de estimação com o selo de qualificação dos invasores”. Por isso é que o caso do Congo Democrático é visto por mim e por alguns intelectuais africanos, com os quais debato o assunto, como mais apropriado para uma comparação à situação brasileira.

Tenho dito em muitos dos meus textos e vídeos que o Brasil vive um processo de “Congolização”. Hoje, ao escrever este texto, lembrei de um jornalista norte-americano que escreveu um cartaz “Bem-vindo ao Congo” fazendo referência ao Brasil na condição de país sede dos Jogos Panamericanos (veja aqui o artigo publicado sobre o assunto por Juca Kfouri). É essa a realidade que precisamos encarar: o Brasil é hoje um “Congo Amazônico”.

Busquei uma resolução do Parlamento Europeu e peço que você abandone o preconceito e comece a incorporar esta nova realidade como o nosso desafio. Repito com outras palavras: a guerra híbrida já acabou! Nós já perdemos esta guerra e agora a disputa interna é pelo controle de alguns segmentos do caos. Vamos à resolução do Parlamento Europeu de 2017 (com os meus comentários em letras vermelhas):

1. Manifesta-se profundamente preocupado com a atual situação política, humanitária e de segurança na RDC (Brasil?), que continua a agravar-se; condena veementemente todas as violações e abusos dos direitos humanos perpetrados contra a população civil, que incluem raptos, homicídios, tortura, violações e outros tipos de violência sexual; recorda ao governo a sua responsabilidade de garantir os direitos humanos e proteger a população civil (Algo diferente do Brasil?);

2. Solicita que seja lançada uma investigação completa, rigorosa e transparente sobre as violações em massa e generalizadas dos direitos humanos e do Direito Internacional Humanitário registadas em todo o país e, sobretudo, na região de Kasai (Nordeste ou Sudeste, Rio de Janeiro e São Paulo?), de forma a identificar os responsáveis e a responsabilizá-los pelos seus atos;

3. Reitera o seu apelo à realização bem-sucedida e oportuna das eleições, em plena conformidade com a Constituição congolesa e a Carta Africana sobre a Democracia, as Eleições e a Governação, e insiste na responsabilidade do governo congolês de garantir um ambiente propício a eleições transparentes, credíveis e abrangentes até ao final do ano em curso (Temos isso no Brasil?);

4. Congratula-se com o acordo político alcançado em dezembro de 2016 e louva os esforços de mediação da CENCO; manifesta, no entanto, preocupação perante a ausência de progressos na sua implementação, em especial pelo Presidente e pelo governo; urge, por conseguinte, todos os intervenientes políticos a entrarem rapidamente em acordo relativamente às modalidades práticas do período de transição, assim como a acelerarem os preparativos eleitorais (No Brasil isto equivale ao “Grande Acordo Nacional”);

5. Insiste em que cabe ao Governo respeitar, proteger e promover os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos seus cidadãos; recorda que a liberdade de expressão, de associação e de reunião constitui a base de uma vida política e democrática dinâmica e que qualquer utilização da força contra manifestações pacíficas deve ser proibida (Temos isso no Brasil?);

6. Congratula-se com a adoção pela UE de sanções específicas contra os responsáveis pelas violações dos direitos humanos e pela sabotagem do processo democrático na RDC (Poderia ser no Brasil?), nomeadamente a interdição de viajar e o congelamento de bens, instando à sua prorrogação, se necessário (Os “mercenários comissionados” do Brasil temem isto?);

7. Insta a delegação da UE a continuar a acompanhar de perto a evolução da situação na RDC (Brasil?) e a utilizar todas as ferramentas e instrumentos adequados para apoiar os defensores dos direitos humanos e os movimentos pró-democracia (Temos isso no Brasil?);

8. Recorda que a paz e a segurança são condições indispensáveis para eleições bem-sucedidas e para um ambiente político estável; saúda, a este respeito, a renovação do mandato da MONUSCO e o reforço das suas competências nos domínios da proteção civil e da defesa dos direitos humanos no contexto eleitoral (Temos isso no Brasil?);

9. Reitera o seu total apoio ao trabalho do Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a RDC, assim como do Gabinete Conjunto das Nações Unidas para os Direitos do Homem na RDC (No Brasil este papel é dos EUA e Mercado Financeiro);

10. Realça que a situação na RDC (Brasil?) constitui uma ameaça grave à estabilidade na região da África Central (América Latina?) no seu conjunto; reitera o seu apoio à União Africana enquanto facilitadora do diálogo político na RDC; realça o papel crucial da União Africana na prevenção de uma crise política na região e apela à intensificação do seu compromisso em favor do pleno cumprimento da Constituição congolesa; solicita à União Africana e à UE que assegurem um diálogo político permanente entre os países da região dos Grandes Lagos, de molde a evitar uma maior desestabilização (No caso do Brasil sequer temos mais o MERCOSUL);

11. Lamenta os limitados progressos alcançados na execução do Acordo-Quadro e insta todas as partes a contribuírem ativamente para os esforços de estabilização; considera, neste sentido, que o apoio da UE deve centrar-se mais na democracia e na consolidação do Estado, nomeadamente aprofundando as reformas no setor da segurança e das instituições públicas (Teremos isso em breve no Brasil);

12. Reitera a sua profunda preocupação com a alarmante situação humanitária na RDC (Brasil?); solicita à UE e aos seus Estados-Membros que mantenham o apoio ao povo da RDC (Brasil?) com vista a melhorar as condições de vida das populações mais vulneráveis e a fazer face às consequências da deslocação, da insegurança alimentar, das epidemias e das catástrofes naturais;

13. Condena todos os atentados contra instalações e pessoal humanitário (Em breve teremos isso no Brasil);

14. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, à Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, à União Africana, ao Presidente, ao Primeiro‑Ministro e ao Parlamento da RDC, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, ao Conselho dos Direitos do Homem da ONU e à Assembleia Parlamentar Paritária ACP‑UE (O Brasil está muito distante deste cenário?).

Se fizermos as necessárias adaptações de nomes e atores, veremos que o Brasil caminha para um cenário semelhante ou muito próximo daquele país africano. O Congo Democrático, assim como o Brasil, foi historicamente explorado como Colônia e até os dias de hoje é apenas um “terreno de exploração” controlado por grupos internacionais que usam os “mercenários comissionados” para o controle do caos interno e exportação das riquezas para os verdadeiros donos do país que vivem bem longe do país.

Resumindo, aqui está o ponto de semelhança entre o Brasil e o Congo Democrático:

“Esses Capitães do Mato atuam como ‘mercenários comissionados’ que controlam com os novos chicotes (toga, farda, distintivos, microfones, etc.) a massa de nativos que apenas atrapalham os planos dos verdadeiros donos que vivem bem longe. A xepa do caos deve ser disputada por nós para tirar desses ‘mercenários comissionados’ o controle daquilo que esconde os verdadeiros inimigos”.

Por isso, e porque a repetição é uma estratégia de comunicação eficiente, repito:

“Reduzir as expectativas e tentar controlar um dos seguimentos do caos para gerar o ‘caos no caos’ e reconstruir o país para os bisnetos dos nossos filhos e netos. Esta é a realidade com a qual devemos trabalhar. O Brasil como Estado acabou! Hoje temos um terreno de exploração ocupado por alguns Capitães do Mato que disputam o ‘título’ de melhor subserviente”.

Se depois de todos esses exemplos você ainda tiver dúvidas se chegaremos ou não ao “status” de “Congo Amazônico”, recomendo que procurem informações sobre como a classe média da Argentina ficou pobre. Você vai entender que a produção em massa de novos pobres é uma realidade desde que Macri assumiu a presidência. A classe média brasileira vai perceber que estamos no mesmo caminho. Preocupante mesmo será perceber que o empobrecimento desta camada da sociedade consta na estratégia dos invasores. Lutemos!

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