Falar de qualidade dos alimentos é ainda mais importante que de quantidade

“Comer muito açúcar não faz bem, mas mais importante para prevenção é a alimentação balanceada”, diz endocrinologista Simão Lottenberg

Foto: USP

“Comer muito açúcar não faz bem, mas mais importante para prevenção é a alimentação balanceada”, diz endocrinologista Simão Lottenberg


Editorias: Jornal da USP no Ar – URL Curta: jornal.usp.br/?p=287167

O diabete, doença que acomete 16 milhões de brasileiros, é comumente associado à obesidade. O endocrinologista Simão Augusto Lottenberg, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM), defende que falar da alimentação em quantidade é bom, mas que a qualidade dos alimentos é ainda mais importante na luta contra a epidemia. Ele enfatiza que os magros também são sujeitos ao mal, e o peso ideal deve ser almejado, ressaltando atividades físicas e hábitos saudáveis, neste Dia Mundial do Diabetes (14).

“Não é só o açúcar, mas é lógico que comer muito açúcar não faz bem. O importante para a prevenção é uma alimentação balanceada”, declara Lottenberg ao Jornal da USP no Ar. O especialista conta que de 30% a 40% das internações hospitalares ocorrem em pacientes diabéticos. Muitos deles descobrem a doença no leito do hospital, o que leva a complicações. Hoje, as principais medicações são disponíveis gratuitamente na rede pública, com apresentação de receita.

Existe também o pré-diabete. São os pacientes predispostos física e geneticamente, já denunciando complicações, principalmente cardiovasculares. “Se identifica esses indivíduos, e se faz uma prevenção mais profunda”, diz o endocrinologista. São pessoas sedentárias, com hipertensão, obesidade e parentes diabéticos.

O diabete tipo 1, em geral, aparece na infância. É o resultado de um processo autoimune, no qual anticorpos atacam as células do pâncreas e limitam a produção de insulina — hormônio que induz à absorção de glicose pelas células. Já no tipo 2, há um fator de resistência à ação da insulina, normalmente associado à obesidade. Lottenberg aponta a existência de outros tipos genéricos, relacionados à pancreatite, ou expresso por alguns genes específicos.

O médico destaca que a prevenção e o tratamento evoluíram muito nos últimos anos. “Há 30 anos, o diabete nos consultórios e ambulatórios significava pessoas cegas, neuropatias, problemas renais. Hoje, isso é muito menos frequente em função do avanço do conhecimento e das medicações. Isso não quer dizer que não devamos estar extremamente vigilantes”, afirma.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.

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