Liberação da maconha para fins medicinais é avanço, mas parcial

Anvisa liberou a importação de tais medicamentos, com ressalvas.

Domínguez faz testes em sua empresa de assessoria CannaCopeia. CORTESÍA JOSÉ DOMÍNGUEZ

Por Levi Vasconcelos

Anestesista, especialista em dor, com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo, também professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), o médico Túlio Alves, um dos pioneiros na luta pela liberação da Cannabis (maconha) para fins medicinais, festejou a decisão da Anvisa que liberou a importação de tais medicamentos, com ressalvas.

– Eu como médico me sentia desconfortável quando prescrevia o medicamento pela sensação de estar na ilegalidade. É bom saber que esses medicamentos estarão nas farmácias, mas melhor seria se nós pudéssemos produzir. Reduziria o preço, a sociedade não ficaria refém desses laboratórios.

Resistência — Segundo Túlio, a resistência se dá muito por conta de preconceitos. Ele lembra que numa audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, parlamentares evangélicos, entre eles o Sargento Isidório (Avante), se posicionaram contra, achando que isso abriria as portas para o consumo aleatório.

– É um erro. O canabidiol tem várias facetas medicinais. Além dos efeitos positivos em vários aspectos, como para quem tem convulsões, por exemplo, ele ainda estimula o apetite, o que melhora muito o aspecto físico de pacientes com câncer.

Ele ressalta que os primeiros relatos sobre anestésicos apontam que a origem deles era a cocaína. “O efeito era curto e afetava o sistema nervoso central, mas isso possibilitou o desenvolvimento de outros, como a xilocaína”.

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