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	<title>álcool |</title>
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	<title>álcool |</title>
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		<title>Como as canetas emagrecedoras estão mudando a relação com o álcool</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 14:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[canetas emagrecedoras]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Lisa Rees tomou sua primeira dose de um&#160;medicamento para emagrecer&#160;em abril, ela esperava perder alguns quilos. O que ela não esperava, no entanto, era o efeito colateral que descreveu como o &#8220;melhor benefício&#8221; do medicamento: além de comer menos, ela passou a beber muito menos álcool. Lisa costumava beber duas garrafas de vinho em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>Author,<strong>Grace Dean</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Lisa Rees tomou sua primeira dose de um&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj3jmldpxvzo">medicamento para emagrecer</a>&nbsp;em abril, ela esperava perder alguns quilos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que ela não esperava, no entanto, era o efeito colateral que descreveu como o &#8220;melhor benefício&#8221; do medicamento: além de comer menos, ela passou a beber muito menos álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lisa costumava beber duas garrafas de vinho em uma única noite. Mas agora, depois de tomar algumas taças, a mulher de 46 anos natural do País de Gales percebe que &#8220;simplesmente não consegue beber mais uma gota&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há um número crescente de pesquisas que apontam uma ligação entre medicamentos para perda de peso e o consumo de álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2l1gkg7x2o">medicamentos, com marcas como Wegovy, Mounjaro e Ozempic</a>, contêm semaglutida ou tirzepatida, que imitam um hormônio natural chamado GLP-1. Isso suprime o apetite e mantém as pessoas com sensação de saciedade por mais tempo, ajudando-as a perder peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas iniciais sugerem que, como esses medicamentos afetam a resposta de recompensa no cérebro, eles podem reduzir a vontade de consumir substâncias como álcool e nicotina, afirma o Dr. Christian Hendershot, da Universidade da Carolina do Sul.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele publicou um estudo de pequena escala em 2025, no qual participantes com transtorno por uso de álcool sentiram menos desejo por álcool enquanto tomavam Ozempic.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transtorno por uso de álcool, às vezes chamado de alcoolismo, é descrito pelo NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) como o consumo de álcool de forma prejudicial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo da Universidade do Colorado Anschutz, publicado na semana passada, também sugeriu que medicamentos GLP-1 em comprimidos levaram a menos dias de consumo excessivo de álcool em pessoas com transtorno por uso de álcool leve a moderado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas que usam o medicamento disseram à BBC News que o álcool as afetou de maneiras diferentes: algumas disseram que a vontade de beber desapareceu, que o álcool as deixou enjoadas ou com uma sensação desconfortável de estômago cheio, ou que ficaram bêbadas mais rapidamente. Outras disseram que não notaram nenhum efeito em sua relação com o álcool.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/0e2a/live/b7f38850-93f4-11f1-a7ab-8b30adf0800a.jpg.webp" alt="Imagem de uma caneta de Mounjaro"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de começar a tomar Wegovy, Lisa diz que bebia entre seis e oito garrafas de vinho por semana com os amigos. Mas às vezes se preocupava se isso era demais e se poderia prejudicar sua saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A recomendação do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) é que as pessoas não devem beber mais de 14 unidades de álcool por semana regularmente, o que equivale a cerca de seis taças médias de vinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beber demais a longo prazo pode levar a danos no fígado, pressão alta e aumento do risco de câncer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lisa diz que, desde que começou a tomar o medicamento, reduziu seu consumo em mais da metade. Em um festival recente, ela bebeu três taças de vinho ao longo de nove horas. Antes, ela teria bebido duas garrafas mais alguns drinks com vodca, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O álcool sempre foi uma parte importante de sua vida social e, quando parou de beber por algumas semanas no final da década de 2010, percebeu que os amigos haviam parado de convidá-la para eventos sociais. Isso a levou a voltar a beber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta vez, Lisa diz que ainda gosta de beber vinho, mas depois de tomar alguns copos, simplesmente não consegue beber mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ainda me sinto envolvida nas coisas porque ainda estou bebendo, mas bebo muito menos&#8221;, diz Lisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante anos, Warren Thomas, de 45 anos, de Colchester, gostava de tomar uma cerveja ocasionalmente com a família depois do trabalho, além de uma ou duas sessões de bebedeira com os amigos todos os meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas quando conversou com os amigos que tomavam remédios para emagrecer sobre seus planos de começar a tomar Mounjaro, eles o alertaram de que o medicamento poderia afetar a quantidade de álcool que ele consumia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Warren diz que notou o efeito em 24 horas após a primeira dose, em meados de junho. &#8220;Eu simplesmente não quero beber&#8221;, diz ele. &#8220;Não tenho apetite nenhum.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando saiu para comemorar o aniversário de um amigo no mês passado, sentiu-se &#8220;tonto e um pouco zonzo&#8221; depois de duas cervejas, conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Minha tolerância à bebida agora é zero&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há nenhuma recomendação formal no Formulário Nacional Britânico, um guia para dispensação de medicamentos usado por médicos e farmacêuticos, sobre se as pessoas que tomam medicamentos para perda de peso devem parar de beber álcool, diz o Prof. Russell Hearn, clínico geral e professor de medicina no King&#8217;s College London.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas ele dá conselhos cuidadosos aos seus pacientes. &#8220;O álcool tem muitas calorias e, se o seu objetivo é perder peso, beber menos definitivamente ajudará nisso, juntamente com a mudança na sua dieta enquanto estiver tomando um GLP-1&#8221;, diz ele.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/7463/live/d02ba2e0-93f4-11f1-b2ab-0dd01740f9f6.jpg.webp" alt="Caneta emagrecedora"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para pessoas como Lisa e Warren, beber menos álcool tem sido um bônus bem-vindo. Mas a recém-formada Faye Goodwin, de 20 anos, sente que isso prejudicou sua vida social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando Faye bebe, ela diz que fica enjoada muito rapidamente e às vezes vomita ou tem refluxo ácido severo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Faye, que entrou em contato com o programa Your Voice da BBC, toma Mounjaro desde os 18 anos e não sabe realmente como é beber álcool sem o efeito da medicação para perda de peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas ela diz que uma vez ficou um mês sem as injeções e conseguiu beber sem sentir náuseas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/4d29/live/03823450-90ae-11f1-b8ee-9b3c26ad07bb.jpg.webp" alt="Faye, uma mulher de longos cabelos castanhos e camiseta cinza, olha para a câmera, em pé diante de um fundo branco liso."/><figcaption class="wp-element-caption">Faye Goodwin<br><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Na idade dela, o álcool é uma parte importante da sua vida social, diz ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, se ela marcou de sair com os amigos no dia da injeção, ela adia a aplicação porque sente que o efeito da medicação no álcool é mais forte no dia ou nos dois dias seguintes à injeção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ocasionalmente, ela recusa convites de amigos se já tiver tomado a dose da medicação naquele dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando bebe, geralmente consome muito menos do que os outros. Ela sente que isso afetou sua capacidade de formar e manter amizades e dificultou sua vida na universidade em Cambridge, onde muitos eventos sociais giravam em torno do álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Era difícil aproveitar sabendo que eu teria que ficar sóbria enquanto todos os outros se divertiam bebendo, e muitas vezes, se eu tentava beber até mesmo uma taça de vinho ou algo assim, não conseguia terminar por causa da náusea intensa&#8221;, diz ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos observacionais da população em geral sugerem que as pessoas bebem menos no geral quando usam medicamentos para emagrecer, mas os ensaios clínicos até o momento se concentraram em pessoas com transtorno por uso de álcool, em vez de consumidores ocasionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados estão &#8220;se acumulando muito rapidamente&#8221;, diz Hendershot, acrescentando que algumas clínicas nos EUA já estão prescrevendo o medicamento para uso não convencional para pessoas com transtorno por uso de álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos maiores, com mais participantes e realizados por um período mais longo, são necessários antes que o medicamento possa ser aprovado pelos órgãos reguladores para o tratamento do transtorno por uso de álcool, afirma o Dr. Joseph Schacht, que realizou o estudo sobre pílulas para emagrecer e álcool.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a Anvisa não aprova esses remédios para tratar o alcoolismo.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/e6c5/live/384cfd10-90c6-11f1-b8ee-9b3c26ad07bb.jpg.webp" alt="Darren Quelch, um homem de cabelos longos e castanhos, vestindo um terno cinza e óculos, está em um café olhando para a câmera."/><figcaption class="wp-element-caption">Dr Darren Quelch<br><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda existem dúvidas sobre se é seguro para pessoas sem obesidade e diabetes usarem os medicamentos para o tratamento da dependência e se eles serão acessíveis, diz o médico Darren Quelch, que pesquisa dependência na Universidade do Sul do País de Gales.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os medicamentos também podem ter vários efeitos colaterais, incluindo pancreatite, rara, mas grave.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os pesquisadores também estão investigando se os medicamentos GLP-1 podem ser um tratamento para outros vícios, incluindo tabagismo e opioides.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Warren diz que começar a tomar injeções para perda de peso o fez parar de sair para beber com os amigos. &#8220;Eu realmente não quero fazer isso&#8230; Eu simplesmente não tenho vontade de beber.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora ele nunca tenha considerado seu consumo de álcool um problema, ainda assim foi uma mudança bem-vinda. &#8220;Parar completamente de beber foi muito revigorante, sem nenhum esforço&#8221;, diz ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / Peter Cade/Getty Images<br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Capacitismo sútil contra a pessoa com deficiência" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/r6ziwD0U6B0?start=3695&amp;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Por que jovens bebem cada vez menos álcool?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 16:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[álcool]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[jovens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diversos levantamentos realizados ao redor do mundo nos últimos anos detectaram uma tendência curiosa e surpreendente: a atual geração de jovens consome menos bebidas alcoólicas do que fizeram os pais ou avós deles na juventude. Um estudo publicado em 2020 mediu os hábitos etílicos de adolescentes de 12 a 18 anos em 39 países da América [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>Por André Biernath</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Diversos levantamentos realizados ao redor do mundo nos últimos anos detectaram uma tendência curiosa e surpreendente: a atual geração de jovens consome menos bebidas alcoólicas do que fizeram os pais ou avós deles na juventude.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://academic.oup.com/eurpub/article/31/2/424/5981990?login=true">Um estudo publicado</a> em 2020 mediu os hábitos etílicos de adolescentes de 12 a 18 anos em 39 países da América do Norte, Europa e Oceania — em praticamente todos esses lugares, aliás, a venda de bebidas alcoólicas para essa faixa etária é ilegal, embora, na prática, esta seja a fase em que a maioria das pessoas experimenta diferentes drinques pela primeira vez.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022" width="838" height="105"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em comparação com as taxas de consumo de álcool observadas há 20 anos, a tendência atual é de queda na grande maioria dos locais. E essa diminuição percentual supera os 50% em países como Noruega, Suécia e Lituânia, e ultrapassa os 80% na Islândia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já um levantamento realizado pela organização britânica Drinkaware mostrou que 26% dos jovens de 16 a 24 anos se consideram totalmente abstêmios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, <a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2021-estimativas-sobre-frequencia-e-distribuicao-sociodemografica-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas">um inquérito realizado</a> todos os anos pelo Ministério da Saúde avalia o consumo abusivo de álcool — classificado como cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais doses para mulheres em uma única ocasião — em diferentes faixas etárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os números do último levantamento, realizado em 2021, apontam que 19,3% dos brasileiros de 18 a 24 anos fazem esse consumo abusivo. Esta foi a primeira vez que o índice ficou abaixo dos 20% desde 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://cisa.org.br/biblioteca/downloads/artigo/item/426-panorama2023?option=com_content&amp;view=article&amp;id=115">Já uma pesquisa publicada nesta semana</a> pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) mostrou que 46% dos jovens de 18 a 24 anos afirma não beber nunca e 20% declararam consumir produtos etílicos uma vez por mês ou menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Fellet tenta entender como brasileiros chegaram ao grau atual de divisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores do trabalho chamam a atenção para o fato de que, quando comparados com outras idades, os jovens (18-24 anos) e os adultos jovens (25-34 anos) apresentam o menor nível de abstenção e a maior frequência de consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Cisa também pondera que, no Brasil, ainda &#8220;não temos dados suficientes para confirmar se há uma tendência de mudança de comportamento dos jovens em relação ao hábito de beber e as razões para moderarem o consumo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O órgão também fez uma pesquisa qualitativa sobre a questão com o auxílio do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec). Para isso, foram entrevistados grupos de jovens em Salvador (BA) e São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as conclusões, os pesquisadores destacam que &#8220;o principal motivador para moderar o consumo de bebidas alcoólicas [entre os jovens] está relacionado à necessidade de manter a reputação e o bom desempenho nas atividades rotineiras, principalmente o trabalho&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Além disso, algumas ocasiões específicas, como almoço em família, confraternização com colegas de trabalho, locais com muitas pessoas desconhecidas e necessidade de dirigir também propiciam maior atenção à quantidade de álcool ingerida&#8221;, continua o texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A preocupação com a saúde não apareceu como motivo relevante para os jovens pesquisados controlarem o consumo, no entanto, houve a concordância de que o alerta médico acerca dos danos do consumo abusivo poderia contribuir para alterar essa situação.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A historiadora Deborah Toner, professora da Universidade de Leicester, no Reino Unido, classifica a tendência como “sólida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Trata-se de uma mudança geracional interessante e sólida. Os dados mostram claramente que as taxas de consumo de álcool estão em declínio entre os mais jovens, especialmente na faixa etária dos 20 a 25 anos”, corrobora ela, que também é codiretora da Rede de Estudos sobre a Cultura da Bebida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“E isso está relacionado a práticas de sobriedade e consciência, que já estão consolidadas em lugares como Reino Unido, Austrália e Estados Unidos”, continua a especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a professora, essa “cultura da sobriedade” está ligada a uma preocupação cada vez maior com um estilo de vida saudável, mas também com uma afirmação de identidades próprias — se antes todo mundo tinha que ir ao bar e beber para fazer parte de determinado grupo social, hoje as pessoas respeitariam mais as decisões daqueles que desejam se manter sóbrios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“E isso também já provocou uma mudança na indústria de bebidas, em termos de disponibilizar opções sem álcool ou com baixo teor alcoólico. Há dez anos, era bem difícil encontrar vinhos, cervejas ou outras bebidas zero álcool em bares, pubs, restaurantes e supermercados. Mas esse mercado se expandiu enormemente nos últimos anos”, observa ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das questões de saúde, as pressões sociais também parecem influenciar nesse cenário.&nbsp;<a href="https://theconversation.com/why-are-young-people-drinking-less-than-their-parents-generation-did-172225">Num artigo</a>&nbsp;para o site de notícias acadêmicas The Conversation, pesquisadores da Universidade La Trobe, na Austrália, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, e da Universidade de Estocolmo, na Suécia, destrincharam o assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ser jovem num país desenvolvido hoje é muito diferente em comparação com as gerações anteriores. Das mudanças climáticas ao planejamento de carreira e a compra de uma casa, indivíduos dessa faixa etária sabem que o futuro é incerto”, escrevem eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Com isso, muitos jovens pensam sobre o futuro de maneiras que as gerações passadas não precisavam. Eles tentam ganhar um senso de controle sobre a vida e assegurar o futuro que eles tanto aspiram.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Agora, os jovens sentem a pressão de se apresentarem como responsáveis e independentes cada vez mais cedo, e alguns temem que beber leve à intoxicação e à perda de controle, o que poderia atrapalhar os planos sobre o futuro. Essa ênfase no amanhã significa que esses indivíduos limitam o tempo gasto com festas e bebedeiras”, concluem os autores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grupo também cita as preocupações de saúde como um fator importante, além da influência das redes sociais na exposição da vida, as mudanças nos relacionamentos com os pais e o fato de o consumo excessivo de álcool não ser mais encarado como algo positivo nesta faixa etária.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/82af/live/bf223150-2bb8-11ee-84fe-bd718738f15b.jpg" alt="Pessoa recusando copo com bebida alcoólica"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,No Reino Unido, mais de um quarto dos jovens se declara totalmente abstêmia</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-caminho-do-álcool-pelo-corpo">O &#8216;caminho&#8217; do álcool pelo corpo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As bebidas alcoólicas são produzidas sistematicamente desde o advento da agricultura, a 8 mil ou 5 mil anos atrás, a depender da região do planeta. Isso faz do álcool uma das mais antigas drogas consumidas pela humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Basicamente, elas são obtidas por meio do processo de fermentação do açúcar presente em grãos, frutas e verduras. Esse “trabalho” é feito por leveduras e bactérias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O produto final depende do que é fermentado. No vinho, são as uvas. Em cervejas, a cevada ou o trigo. Na vodka, a batata. Na cachaça, a cana de açúcar. E assim por diante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em termos químicos, o álcool, ou etanol, é uma molécula feita a partir de átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já do ponto de vista farmacêutico, as entidades classificam o álcool como uma substância psicoativa, capaz de alterar as sensações e a percepção que temos de tudo o que está ao redor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas qual o caminho de um drinque pelo corpo? Após passar por boca, esôfago e estômago, essas moléculas de etanol são absorvidas pelo intestino delgado e logo caem na corrente sanguínea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chegada delas ao cérebro — junto do fígado, o órgão mais afetado neste processo — demora poucos minutos. É ali que o álcool modifica e “bagunça” o funcionamento de diferentes neurotransmissores. O primeiro deles é a dopamina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Alguns especialistas chamam a dopamina de neutransmissor da alegria. Ela faz você se sentir feliz. É por isso que as pessoas bebem álcool, para ter essa sensação de felicidade. Você consegue falar e se soltar mais&#8221;, resume a farmacêutica Jing Liang, professora da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui não podemos nos esquecer do aspecto social da bebida: geralmente, os drinques são consumidos com amigos, e essa atmosfera gera vínculos e conversas que, estimuladas ou não pela dopamina, tornam todo o contexto ainda mais agradável e convidativo. A maioria das pessoas, claro, vai querer repetir essa experiência outras vezes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os outros dois químicos cerebrais afetados pelo álcool são o glutamato, que também tem um efeito excitatório, e o Gaba (ácido gama-aminobutírico), que tem uma função contrária, de inibir e diminuir a atividade do sistema nervoso central.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17989301/">pesquisas feitas</a>&nbsp;pela professora Liang, uma única dose de bebida alcoólica pode afetar o funcionamento do neurotransmissor Gaba por até 14 dias seguidos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/00a3/live/210c4360-2bb9-11ee-84fe-bd718738f15b.jpg" alt="Jovens bebendo e comemorando"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A &#8216;cultura da sobriedade&#8217; vem virando tendência entre os mais jovens</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, mesmo que uma bebida alcoólica tenha efeitos bem duradouros, o impacto do álcool varia segundo uma série de fatores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tudo depende bastante de três coisas: onde o álcool está agindo no cérebro, a quantidade de bebida consumida e até a genética da pessoa. Tudo isso pode mudar as respostas do corpo&#8221;, lista a farmacêutica Rochelle Schwartz-Bloom, professora da Universidade Duke, nos Estados Unidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aliás, outro fator que influencia a rapidez com que a bebida vai surtir efeito é a alimentação. Se o estômago está cheio, o álcool chega mais devagar ao intestino Com isso, é absorvido e cai na corrente sanguínea aos poucos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda no universo do corpo humano, existem muitas dúvidas sobre a ressaca, ou seja, o cansaço, a dor e a indisposição no dia após uma bebedeira intensa. Schwartz-Bloom aponta que uma molécula é a principal suspeita por trás dessa sensação desagradável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando o álcool passa pelo fígado, há enzimas que o metabolizam e modificam a sua estrutura química. Ele passa de etanol para aldeído ou acetil-aldeído”, explica ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Porém, quando uma pessoa bebe demais ou muito rápido, as enzimas não conseguem fazer esse trabalho de lidar com os aldeídos. Essa molécula é tóxica e pode permanecer no corpo por um longo tempo. E é isso que provavelmente está no organismo na manhã seguinte e provoca dores de cabeça, problemas na pele e dilatação de vasos sanguíneos”, complementa a farmacêutica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Existe-dose-segura">Existe dose segura?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outra mudança recente na forma como a sociedade se relaciona com as bebidas alcoólicas tem a ver com os limites de consumo, que são cada vez mais restritos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As&nbsp;<a href="https://www.rethinkingdrinking.niaaa.nih.gov/how-much-is-too-much/is-your-drinking-pattern-risky/Drinking-Levels.aspx#:~:text=descargar%20el%20documento-,What%20are%20the%20U.S.%20guidelines%20for%20drinking%3F,women%20when%20alcohol%20is%20consumed.">Diretrizes Americanas de Nutrição</a>, por exemplo, apontam que adultos acima de 21 anos “podem optar por não beber” ou “beber com moderação, limitando o consumo diário a dois drinques ou menos para homens e um drinque ou menos para mulheres”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a Organização Mundial da Saúde (OMS)&nbsp;<a href="https://www.who.int/europe/news/item/04-01-2023-no-level-of-alcohol-consumption-is-safe-for-our-health#:~:text=The%20World%20Health%20Organization%20has,that%20does%20not%20affect%20health">mudou seu posicionamento</a>&nbsp;a respeito dessa questão nos últimos anos e agora afirma: nenhum nível de consumo de álcool é seguro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a entidade, os riscos e danos relacionados ao hábito de beber álcool foram sistematicamente avaliados nos últimos anos e estão bem documentados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OMS aponta que o álcool é uma substância tóxica, psicoativa e indutora de dependência que é classificada como carcinogênica e está relacionada a pelo menos sete tipos de tumores diferentes, como os de mama e de intestino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização calcula que o consumo de bebidas alcoólicas pode levar a 230 doenças diferentes e provoca 3 milhões de mortes no mundo todos os anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E mesmo aquela história de que doses moderadas de álcool — como uma taça de vinho por dia — fariam bem ao coração caiu por terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, a Federação Mundial de Cardiologia&nbsp;<a href="https://world-heart-federation.org/news/no-amount-of-alcohol-is-good-for-the-heart-says-world-heart-federation/">divulgou um posicionamento</a>&nbsp;dizendo que, ao contrário do que é dito na cultura popular, o álcool não é nada bom para a saúde cardiovascular. O hábito de beber está relacionado a doenças cardíacas crônicas, segundo a entidade.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/5b13/live/cfc98a20-2bb9-11ee-84fe-bd718738f15b.jpg" alt="Pessoa preparando um chope"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Não existe dose segura de álcool, diz a OMS</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das evidências recentes de saúde, a recomendação dos especialistas é não beber álcool, se possível, ou consumir o mínimo para evitar o risco de uma série de doenças, que incluem não apenas câncer e problemas no coração, mas também cirrose, dependência e transtornos psiquiátricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas os pesquisadores apostam na educação para um consumo consciente e rechaçam as ideias ligadas ao proibicionismo e ao moralismo — até porque acabar com a venda de bebidas alcoólicas não deu nada certo em experiências anteriores, como a implantação da Lei Seca nos Estados Unidos no início do século 20.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa foi a mais ampla lei proibicionista sobre álcool já implementada. E teve efeitos dramáticos nos EUA, particularmente na expansão do crime organizado, que foi capaz de tirar vantagem do enorme mercado clandestino de tráfico e venda de álcool que se instalou nos anos 1920”, destaca Toner.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Todo esse fenômeno foi muito impactante do ponto de vista econômico e político. E levou ao desenvolvimento de uma infraestrutura policial que depois foi mobilizada com mais intensidade na chamada &#8216;guerra às drogas&#8217; dos EUA&#8221;, conclui a historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Hepatites Virais" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/d4_lsw4StA4?start=2506&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Covid: Primeiro ano da pandemia teve maior número de mortes por álcool no Brasil desde 2010</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jun 2022 12:35:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 2010, o Brasil nunca tinha contado tantas mortes atribuíveis à ingestão de álcool quanto em 2020 — não por acaso, o primeiro ano da pandemia de covid-19. Em 2020, foram registradas 8.169 mortes totalmente atribuíveis ao álcool no país — um crescimento de 24% em relação ao número de 2019 (6.594). Também foi um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Desde 2010, o Brasil nunca tinha contado tantas mortes atribuíveis à ingestão de álcool quanto em 2020 — não por acaso, o primeiro ano da pandemia de covid-19.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2020, foram registradas 8.169 mortes totalmente atribuíveis ao álcool no país — um crescimento de 24% em relação ao número de 2019 (6.594). Também foi um valor consideravelmente maior à média de mortes deste tipo nos dez anos anteriores, de 2010 a 2019: 6.830. Os dados foram revelados pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) nesta terça-feira (14/6), com base em números do DataSUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São consideradas mortes totalmente atribuíveis ao álcool aquelas que poderiam ser evitadas se não houvesse o consumo de bebidas. É o caso de envenenamento por álcool, miopatia alcoólica, da síndrome alcoólica fetal e de transtornos mentais e comportamentais ligados diretamente ao álcool, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://bit.ly/3mHg4rl">publicação &#8220;Álcool e a Saúde dos Brasileiros &#8211; Panorama 2022&#8221;</a> também mostra que, ao mesmo tempo, caiu em 15% o volume de internações hospitalares totalmente atribuíveis ao álcool em 2020, na comparação com 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à maior mortalidade atribuível ao álcool, Guerra diz que o motivo ainda precisa ser estudado, mas há uma desconfiança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Será que existe uma relação entre esses dois números (aumento da mortalidade e queda nas internações)? Será que o número de mortes é explicado pela queda nas internações? É uma suspeita, mas ainda não se pode afirmar isso&#8221;, diz Guerra, apontando para a importância de serem realizadas pesquisas com critérios científicos para responder a essas questões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O maior crescimento de óbitos atribuíveis ao álcool no Brasil em 2020 ocorreu entre adultos de 35 a 54 anos (aumento de 25,6%), seguidos da faixa etária de 55 anos e mais (aumento de 23%) e 18 a 34 anos (aumento de 19,5%). Para homens e mulheres, o crescimento constatado foi semelhante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não temos dúvida de que ocorreu uma maior ingestão de álcool em casa no período da pandemia. Mas o álcool, em geral, não causa morte a curto prazo — a não ser que a pessoa não fique em casa, dirija um carro, algo assim. A morte pelo consumo de álcool costuma acontecer depois de um processo lento: por cirrose, pancreatite, demência alcoólica&#8230;&#8221; explicou o presidente do CISA, respondendo sobre — e refutando — a possibilidade que a maior mortalidade pudesse estar relacionada a um maior consumo de álcool neste período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justamente neste processo lento que pessoas com dependência do álcool são tratadas, na chamada atenção primária — representada, por exemplo, pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Esse tipo de tratamento ambulatorial, e não hospitalar, costuma ser o mais importante para pessoas em risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E a atenção primária esteve muito prejudicada na pandemia&#8221;, lembra Arthur Guerra.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/87CE/production/_122666743_f53c53be-b94d-4182-8493-85b3c506e252.jpg" alt="Atendimento em hospital de Porto Alegre, em foto de arquivo de 2020"/><figcaption>Legenda da foto,A covid-19 impactou tanto o atendimento hospitalar quanto ambulatorial</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Como&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60846195">mostrou a BBC News Brasil em março</a>, também foi detectado nos Estados Unidos um aumento de mortes por álcool no primeiro ano ano da pandemia. Segundo pesquisadores do Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA, na sigla em inglês) dos EUA, o número de mortes envolvendo álcool passou de 78.927 em 2019 para 99.017 em 2020, um aumento de 25,5%.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.ons.gov.uk/peoplepopulationandcommunity/healthandsocialcare/causesofdeath/bulletins/alcoholrelateddeathsintheunitedkingdom/registeredin2020">Dados oficiais do Reino Unido</a>&nbsp;também mostram um crescimento inédito em 2020 de mortes atribuíveis ao álcool, um aumento de 18,6% na comparação com 2019 (de 7.565 para 8.974 óbitos). Foi o maior número desde que este tipo de informação começou a ser coletada, em 2001.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ao tentar entender as elevadas taxas de mortalidade relacionada especificamente ao álcool vistas desde abril de 2020, haverá muitos fatores complexos, e pode levar algum tempo até entendermos completamente todos eles&#8221;, diz o site do governo britânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro levantamento sobre o Brasil, realizado pela organização Vital Strategies, havia mostrado que de 2019 para 2020, houve aumento de 18,4% em mortes relacionadas a &#8220;transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o CISA, os dados ligeiramente diferentes da sua publicação em relação ao levantamento da Vital Strategies se devem a metodologias distintas e ao momento de extração dos dados — já que o centro trabalhou com informações consolidadas, posteriores a procedimentos de revisão e correção das informações pelo DataSUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Cervejas artesanais" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/yk6vI1_VQpo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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