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	<title>amamentacao |</title>
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		<title>Em ratos, interrupção precoce da amamentação causa alterações no estômago e intestino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Aug 2023 23:21:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isso explicaria a tendência ao desenvolvimento de doenças gastrointestinais ao longo da vida desses animais Por Gabriel Martino &#8211; Domingo, 20 de agosto de 2023 Estudos feitos por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mostram que ratos desmamados precocemente apresentam um aumento nos indicadores de crescimento do estômago e uma retração nas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Isso explicaria a tendência ao desenvolvimento de doenças gastrointestinais ao longo da vida desses animais</p>



<p>Por Gabriel Martino &#8211; Domingo, 20 de agosto de 2023</p>



<p>Estudos feitos por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mostram que ratos desmamados precocemente apresentam um aumento nos indicadores de crescimento do estômago e uma retração nas taxas de crescimento do intestino. “Essas mudanças, que podem se estender até a fase adulta, se tornam gatilhos para o desenvolvimento de algumas doenças gastrointestinais”, afirma a professora Patrícia Gama, coordenadora do Laboratório de Biologia dos Epitélios Digestivos e diretora do ICB.</p>



<p>Isso porque o crescimento do estômago pode levar o órgão a ter maior número de células com modificações gênicas. “Já a diminuição da mucosa do intestino pode dificultar a absorção de moléculas, principalmente durante o crescimento, e levar a complicações, que incluem o metabolismo de glicose”, explica ela sobre o estudo, recentemente publicado no&nbsp;<em><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jcp.31089" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Journal of Cellular Physiology.</a></em></p>



<p>Essas conclusões foram obtidas com um grupo de ratos que teve a amamentação interrompida ao completar 15 dias do nascimento, sendo substituída por pasta de ração, e que foram avaliados após o 60º dia de vida, o que corresponde ao início de sua fase adulta. Os resultados, observados em análises genéticas e de bioinformática, foram comparados com um outro grupo de ratos que seguiu com a amamentação pelo período ideal, que é de 21 dias. Nesse grupo não houve alterações no tamanho dos órgãos que apontem para possíveis problemas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/20230817_patriciagama.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-673897" width="158" height="158"/><figcaption class="wp-element-caption">Patrícia Gama, professora e diretora do ICB &#8211; Foto: Cecília Bastos/USP Imagens</figcaption></figure>
</div>


<p>Os ratos ainda foram reavaliados após o 120º dia, período da transição da vida adulta para o envelhecimento. “Já na transição para o envelhecimento, foi observada uma pequena melhora nos indicadores de crescimento do intestino e do estômago dos ratos cuja amamentação foi interrompida, indicando certa adaptação. No entanto, ela foi pouco significativa para atestar que foi possível evitar complicações gastrointestinais”, detalha.</p>



<p>Segundo a professora, esse estudo contribui para o entendimento dos efeitos causados pelo desmame precoce experimentalmente, e adiciona informações importantes para a conduta de amamentação em outras espécies, incluindo os bebês.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Estudos em humanos</h2>



<p>Para a professora, que estuda a relação entre o sistema digestório e a alimentação há mais de 30 anos, os modelos animais já foram bastante explorados. Agora são necessários estudos clínicos com humanos, tanto para verificar se esses efeitos se repetem em bebês e crianças, como para investigar melhor quais são as complicações que estão atreladas às mudanças gastrointestinais.</p>



<p>“Estamos planejando um estudo com dados de bancos públicos, de adultos e de pessoas que estão em uma fase de envelhecimento. A proposta é fazer uma análise genômica dos pacientes que tiveram o desmame precoce para verificar, com ferramentas de bioinformática, se eles têm mudanças genéticas que correspondem com doenças gastrointestinais ou predisposição a elas. Também queremos identificar se existem novas mudanças genéticas que estão relacionadas com essas doenças, visando a tratamentos mais personalizados no futuro.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Importância do aleitamento</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/20230817_aleitamentomaterno.jpg?fit=461%2C533&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-673863" width="168" height="194"/><figcaption class="wp-element-caption">Mãe amamentado o seu filho durante a Hora do Mamaço, edição de São Paulo, que abriu a Semana Mundial do Aleitamento Materno &#8211; Foto: Mídia NINJA via Flickr</figcaption></figure>
</div>


<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a manutenção da amamentação até os dois anos de idade do bebê, tendo em vista que os primeiros seis meses são essenciais em termos de levar à criança os componentes do leite que regulam o seu crescimento e o desenvolvimento de seus órgãos e os hormônios de que ela mais necessita. Nos 18 meses seguintes, o aleitamento se mantém importante, principalmente por ser a melhor fonte de hidratação, sobretudo em comunidades que não têm acesso a água tratada.</p>



<p>“Hoje temos leites de fórmula com uma composição cada vez mais parecida com a do leite materno, assim como os bancos de leite, que selecionam os leites de outras mães de acordo com as necessidades da criança. São recursos importantes para quando a mãe não conseguir amamentar”, afirma Gama. “Caso seja necessário recorrer a esses recursos, é fundamental que a mãe faça contato com a criança no momento do aleitamento, pois, conforme observamos em estudos anteriores, a ausência dessa relação gera respostas de estresse na mucosa gastrointestinal, que podem resultar em alterações de crescimento e manutenção do estômago e do intestino”, acrescenta.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Ações pró-aleitamento</h2>



<p>Foi realizada, entre os dias 1º e 7 de agosto, a<em>&nbsp;Semana Mundial de Aleitamento Matern</em>o, uma iniciativa da World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), uma rede global de entidades que se dedicam à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno em todo o mundo. Neste ano, a campanha teve como objetivo sensibilizar governos, sistemas de saúde e comunidades sobre a relação entre amamentação e trabalho, a fim de incentivar ações que favoreçam a manutenção do aleitamento materno pelo tempo ideal.</p>



<p>Neste sentido, a diretora destaca duas ações adotadas pela USP e pelo ICB visando atender a comunidade interna de mães. Uma delas é o regimento da Universidade quanto à licença-maternidade. A USP aplica desde 2008 a licença-maternidade de 180 dias, dois meses a mais do que o estabelecido na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aos seus servidores e, desde 2022, replica esse direito a bolsistas de pós-graduação (cobrindo as bolsas também por dois meses a mais que o estabelecido pelas agências de fomento).</p>



<p>A outra é o projeto de construção de lactários no instituto. “Inauguramos em 2022 nosso primeiro lactário no ICB I, e estamos planejando um novo lactário no ICB III, tendo em vista a distância entre as unidades”, afirma. “Trata-se de um espaço seguro, confortável e com refrigeradores para as mães coletarem seu leite e o armazenarem, para levarem aos seus filhos após o expediente. Isso possibilita que sejam cumpridas as recomendações da OMS”, detalha.</p>



<p>O artigo&nbsp;<em>Breastfeeding lifespan control of growth, maintenance, and metabolism of small intestinal epithelium</em>&nbsp;está disponível&nbsp;<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jcp.31089" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui.</a></p>



<p><em>Mais informações:</em><em>&nbsp;e-mail angela@academica.jor.br, com Angela Trabbold</em></p>



<p><em>*Da Assessoria de Comunicação do ICB, com edição de <strong>Valéria Dias</strong></em><br><em>**Estagiária sob supervisão de <strong>Moisés Dorado</strong></em></p>



<p>Fonte: Jornal USP</p>



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