<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>americadosul |</title>
	<atom:link href="https://ipiracity.com/tag/americadosul/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Mar 2023 22:09:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.3</generator>

<image>
	<url>https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2020/07/cropped-icon-32x32.png</url>
	<title>americadosul |</title>
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Opióides em alta: grupo analisa extensão dos efeitos do uso de drogas na América do Sul</title>
		<link>https://ipiracity.com/opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul</link>
					<comments>https://ipiracity.com/opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Mar 2023 22:09:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[americadosul]]></category>
		<category><![CDATA[Drogas]]></category>
		<category><![CDATA[Opioides]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=78346</guid>

					<description><![CDATA[<p>Maioria dos transtornos está associada a opióides, como a heroína e analgésicos. Já as ocorrências relacionadas à cocaína estão em queda, porém são mais elevadas que a média mundial. Estudo visa a orientar políticas de saúde Domingo, 05/03/23 Texto: Júlio BernardesArte: Carolina Borin Garcia Estudo realizado por um grupo de 19 pesquisadores da América do [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul/">Opióides em alta: grupo analisa extensão dos efeitos do uso de drogas na América do Sul</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Maioria dos transtornos está associada a opióides, como a heroína e analgésicos. Já as ocorrências relacionadas à cocaína estão em queda, porém são mais elevadas que a média mundial. Estudo visa a orientar políticas de saúde</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Domingo, 05/03/23</p>



<h2 class="wp-block-heading">Texto: Júlio Bernardes<br>Arte: Carolina Borin Garcia</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo realizado por um grupo de 19 pesquisadores da América do Sul analisa a extensão dos transtornos causados por uso de anfetaminas, cocaína, maconha e opioides na região, verificando desdobramentos como dependência, incapacidade e morte. O trabalho mostra que a maioria dos transtornos está associada aos opioides, como a heroína e alguns analgésicos. Já as ocorrências relacionadas à cocaína estão em queda, mas ainda são mais elevadas que a média mundial. A pesquisa contou com a participação do Departamento de Psiquiatria e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e pode servir como fonte de informação para orientar políticas de saúde pública. As conclusões do trabalho são detalhadas em&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1016/S2215-0366(22)00339-X" target="_blank" rel="noreferrer noopener">artigo</a>&nbsp;publicado na edição de fevereiro da revista científica&nbsp;<em>The Lancet Psychiatry</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa foi baseada nas informações do&nbsp;<em>Global Burden of Disease Study</em>&nbsp;(GBD), liderado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), um estudo epidemiológico observacional mundial, que estimou a incidência, prevalência, mortalidade, anos de vida perdidos (YLL), anos de vida vividos com incapacidade (YLD) e anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) devido a transtornos por uso de substâncias em cada um dos 12 países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), para o ano de 2019.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os cálculos empregaram várias fontes de dados relevantes para cada doença, incluindo revisões sistemáticas de estudos, sites governamentais e de organizações internacionais, relatórios, fontes de dados primários, como o Programa de Pesquisas Demográficas e de Saúde e contribuições de colaboradores”, descreve ao&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong>&nbsp;o psiquiatra João Maurício Castaldelli Maia, professor da FMUSP, primeiro autor do artigo. “Os dados foram modelados usando ferramentas padronizadas para gerar estimativas por sexo, local e ano. A análise incluiu comparações por sexo e país e em relação a estimativas regionais e globais.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em comparação com estimativas globais, os países da região ainda mostraram um maior índice de transtorno por uso de cocaína, níveis semelhantes por anfetaminas e maconha e mais baixos por opioide (OUD).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_joao_mauricio_castaldelli.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1" alt="" width="-40" height="-40"/><figcaption class="wp-element-caption">João Maurício Castaldelli-Maia &#8211; Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
</div>


<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Embora no caso do opioide a incidência na América do Sul seja inferior à média registrada globalmente, ela aumentou lentamente durante as últimas três décadas e tornou-se a maior na região.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">“Ainda que os analgésicos feitos de opioides estejam incluídos nessa categoria, não há dados específicos sobre os transtornos por eles causados”, aponta Castaldelli Maia. “O transtorno devido à cocaína cresceu mais rapidamente até 2010, quando se estabilizou, antes de diminuir no período de 2016 a 2019, mesmo assim representa o segundo maior na América do Sul. Por outro lado, o patamar de transtorno por uso de anfetaminas e maconha permaneceu estável durante as últimas três décadas, exceto em alguns países.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Apesar de uma diminuição na incapacidade atribuída ao transtorno por uso de cocaína de 2016 a 2019, o nível na região continua muito maior do que a média global, tanto na América do Norte quanto na América do Sul, que é o principal fornecedor global de cocaína, e a sua alta prevalência pode estar ligada à proximidade da produção e ao baixo preço da droga, principalmente na forma de crack e pasta de base”, afirma o psiquiatra. “Desde o início do GBD, as estimativas de carga de opioides para a América do Sul têm sido menores do que as do resto do mundo. Tradicionalmente, o uso de heroína tem sido baixo, por ser cara e inalada ou fumada em vez de injetada.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Transtornos e mortalidade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os países da América do Sul apresentaram maiores índices de anos de vida vividos com incapacidade e menores níveis de anos de vida perdidos em comparação com as taxas globais relacionadas ao transtorno do uso de anfetamínicos.&nbsp; “Provavelmente, isso se deve ao fato desses transtornos serem relacionados ao uso não médico de anfetamínicos de prescrição mais comum em comparação aos metanfetamínicos, que estão mais relacionados a overdoses e morte”, comenta Castaldelli Maia. “Peru e Paraguai apresentaram taxas maiores que os outros países da região.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o psiquiatra, o nível de transtorno por uso de cocaína caiu em alguns países da América do Sul, mas os esforços de prevenção e tratamento na região devem ser mantidos. “No caso dos analgésicos opioides, a sugestão é que a educação médica para gerenciamento eficaz e serviços de vigilância em saúde para monitorar prescrições em farmácias são necessários para evitar o uso indevido”, afirma.&nbsp;&nbsp;“Os números dos transtornos por uso de anfetaminas não mudou, portanto, são necessários programas de gerenciamento, especialmente para prevenir o uso não médico de drogas estimulantes entre os jovens.”</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/03/20191218_cannabis-freshness-hand.jpg?fit=800%2C420&amp;ssl=1" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">Pesquisa não encontrou aumento no transtorno por uso de&nbsp;cannabis&nbsp;devido a liberalização no Uruguai; país, que legalizou tanto o uso recreativo quanto o medicinal, apresentou uma prevalência de uso alta, mas estável, e um nível elevado, porém também estável, de transtorno durante as últimas três décadas &#8211; Foto: Prexels</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Nossas descobertas podem ser consideradas em relação aos programas de acesso ao tratamento, descriminalização e redução do estigma, que é muito grande em toda a América Latina, sendo uma barreira importante para a obtenção de tratamento”, diz Castaldelli Maia. “Não encontramos um aumento no transtorno por uso de&nbsp;<em>cannabis</em>&nbsp;devido à liberalização no Uruguai, o país com as maiores taxas de descriminalização na região. Nosso estudo não encerra a questão dos desfechos de saúde relacionados à legalização, mas mostra que o modelo uruguaio vem apresentando resultados interessantes. O país, que legalizou tanto o uso recreativo quanto o medicinal, apresentou uma prevalência de uso alta, mas estável, e um nível elevado, porém também estável, de transtorno durante as últimas três décadas.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Colômbia, que teve uma das taxas mais baixas de descriminalização do uso de maconha para fins não medicinais na região, teve um aumento considerável dos transtornos, segundo o psiquiatra. “Embora o Brasil tenha o maior índice no continente de transtornos causados pelos opioides, também possui a maior extensão de aprovação e disponibilidade de programas de tratamento usando metadona e naloxona na região”, explica. “Eles incorporam o uso dessas duas medicações, que são muito importantes para o manejo da dependência, no caso da naloxona, e da abstinência, foco da metadona.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Mais informações: e-mail jmcmaia@usp.br, com João Maurício Castaldelli Maia</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Pela vida das mulheres contra todo tipo de preconceito e violência" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/ZTVAYlkLWNE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul/">Opióides em alta: grupo analisa extensão dos efeitos do uso de drogas na América do Sul</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/opioides-em-alta-grupo-analisa-extensao-dos-efeitos-do-uso-de-drogas-na-america-do-sul/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Hanseníase: a doença antiga que a ciência não consegue eliminar</title>
		<link>https://ipiracity.com/hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar</link>
					<comments>https://ipiracity.com/hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 03:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[americadosul]]></category>
		<category><![CDATA[Ciencia]]></category>
		<category><![CDATA[doenca]]></category>
		<category><![CDATA[Hanseniase]]></category>
		<category><![CDATA[saude]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=75283</guid>

					<description><![CDATA[<p>Um dos únicos vetores conhecidos da bactéria Mycobacterium leprae &#8211; o bacilo de Hansen, que causa a hanseníase &#8211; na natureza é um mamífero que mais parece um rato grande com um longo focinho, vestido em uma armadura de couro: o tatu-galinha. Nativo da América do Sul, este animal se alimenta de insetos e agora também pode [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar/">Hanseníase: a doença antiga que a ciência não consegue eliminar</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>Kamala Thiagarajan</li>



<li>BBC Future</li>



<li>Quarta, 1 de fevereiro de 2023</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Um dos únicos vetores conhecidos da bactéria </strong><em><strong>Mycobacterium leprae</strong></em><strong> &#8211; o bacilo de Hansen, que causa a hanseníase &#8211; na natureza é um mamífero que mais parece um rato grande com um longo focinho, vestido em uma armadura de couro: o tatu-galinha.</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70023" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px.jpg" alt="" class="wp-image-70023"/></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Nativo da América do Sul, este animal se alimenta de insetos e agora também pode ser encontrado em toda a América Central e no sul da América do Norte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil, a Índia e a Indonésia representam a maior parte dos 200 mil novos casos de hanseníase verificados todos os anos. E, no Brasil, os tatus são caçados para comer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores concluíram em um estudo que 62% dos tatus mortos por caçadores estavam infectados com M. leprae. E pesquisas similares nos Estados Unidos &#8211; onde 150-250 novos casos em seres humanos são relatados todos os anos &#8211; concluíram que 20% dos animais daquele país são portadores da bactéria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a culpa pode não ser do tatu. Acredita-se que os seres humanos possam ter transmitido originalmente a doença para esses animais, quando os europeus a trouxeram para o Brasil, cerca de 500 anos atrás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cientistas também encontraram recentemente a bactéria em esquilos-vermelhos no Reino Unido. Mas, apesar das extensas pesquisas, nenhum outro portador animal foi encontrado até agora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Houve até sugestões de que os esquilos-vermelhos poderiam ter sido responsáveis por espalhar a doença na Europa medieval. Mas podem existir outros abrigos naturais para a bactéria, que já foi descoberta sobrevivendo até no solo, segundo amostras analisadas no Reino Unido, Índia e Bangladesh.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, que ataca a pele, os nervos e as membranas mucosas. Ela gera manchas brancas no corpo, dormência, fraqueza muscular e paralisia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, apesar das suas consequências devastadoras e do registro de casos possivelmente desde o ano 1400 a.C., essa doença antiga permanece até hoje, em grande parte, um mistério.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ninguém sabe com surgiu a hanseníase, nem por que algumas partes do mundo são mais afetadas do que outras. Os cientistas também não sabem ao certo como ela é transmitida &#8211; e ainda não existe uma forma fácil de diagnosticar uma pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por que a hanseníase é um problema tão difícil de resolver? E o que podemos fazer a respeito?</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Perda-de-pacientes">Perda de pacientes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É uma doença muito complexa e, em grande parte, a hanseníase segue sendo um quebra-cabeça intrigante, até hoje&#8221;, afirma Gangadhar Sunkara, cientista especializado em desenvolvimento de drogas e chefe do programa global da companhia farmacêutica Novartis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços significativos para conter a doença, até três milhões de pessoas em todo o mundo ainda vivem com hanseníase e, em média, 200 mil novos casos são diagnosticados todos os anos, segundo as estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS).</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70022" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022"/></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, em 2020, esse número caiu para 128 mil casos, segundo Cairns Smith, professor emérito de saúde pública da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, e ex-diretor da organização Leprosy Mission.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo de dois anos, cerca de 140 mil casos deixaram de ser detectados, segundo os dados da OMS. Acredita-se que esta omissão tenha sido causada, em grande parte, pelas dificuldades impostas pela pandemia de covid-19 aos sistemas de saúde de todo o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eles não foram diagnosticados, nem tratados, e estão em sério risco de desenvolver incapacidades&#8221;, afirma Smith.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São particularmente preocupantes os números de crianças que não foram diagnosticadas devido às dificuldades impostas pela pandemia. Pelo menos 15 mil dos novos casos detectados anualmente em todo o mundo são de crianças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser infectado com a doença na infância significaria evitar incapacidades duradouras. &#8220;Mas esses números [de crianças que recebem diagnóstico] caíram para 8 mil a 9 mil casos&#8221;, segundo Smith. &#8220;Isso significa que existem muitas crianças que estão em risco de desenvolver a doença.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Alguns países estão mostrando recuperação, mas ainda existe baixa detecção de casos em países como Mianmar, Sri Lanka e Filipinas&#8221;, prossegue ele. &#8220;Atualmente, estamos realmente enfrentando um desafio urgente.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mundo fez grandes avanços no tratamento da hanseníase nas últimas quatro décadas, especialmente com a introdução da terapia com múltiplas drogas pela OMS, para tratar a hanseníase multibacilar em 1982. A hanseníase multibacilar é uma forma mais avançada da doença, frequentemente caracterizada por lesões da pele e incapacidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um tratamento novo é a terapia com múltiplas drogas, uma combinação de três comprimidos. Dois deles são administrados uma vez por mês e o outro, diariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este tratamento apresenta impactos enormes em termos de suspensão do avanço da doença. É o mais próximo que já conseguimos chegar da cura e evita o surgimento de incapacidades entre as pessoas afetadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a terapia não conseguiu impedir o surgimento de novos casos, segundo explica Venkata Pemmaraju, líder de equipe em exercício do Programa Global sobre Hanseníase da OMS, que trabalha com questões relacionadas à hanseníase há quatro décadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Velhos-desafios">Velhos desafios</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O que faz com que essa doença antiga seja tão persistente? Segundo Sunkara, diversos fatores estão envolvidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, o bacilo de Hansen reproduz-se com extrema lentidão. Por isso, uma pessoa infectada pode levar dois a 20 anos para exibir qualquer sintoma da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tempo médio de incubação da doença (ou seja, o período entre a exposição à bactéria e o surgimento dos primeiros sintomas) é de cinco anos e, em casos raros, um paciente pode passar duas décadas sem apresentar sintomas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esta bactéria tem um tempo de incubação mais longo&#8221;, afirma Sunkara. &#8220;Leva cerca de 14 dias para que uma bactéria se divida em duas no corpo, em comparação com outras bactérias causadoras de doenças que podem dobrar de quantidade em minutos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comparativamente, em condições ideais, a bactéria intestinal comum Escherichia coli, que tem algumas linhagens que podem causar envenenamento alimentar, pode dividir-se uma vez a cada 20 minutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O longo tempo de incubação é problemático não só para o paciente, mas também para os que estão à sua volta. Durante esse período, um paciente que não sabe que foi infectado pode transmitir a infecção para os demais, especialmente para seus contatos próximos, como membros da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o estabelecimento e o desenvolvimento da infecção na forma multibacilar, o tratamento da hanseníase pode levar até dois anos, mesmo com uma combinação de antibióticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resistência aos antibióticos é outra questão importante. O tratamento original da hanseníase era o antibiótico dapsona, que se descobriu ser eficaz contra a bactéria nos anos 1940. Antes dele, a doença era incurável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, nos anos 1960, a droga já estava perdendo a eficácia. Atualmente, existem diversas opções mais eficientes, particularmente o antibiótico rifampicina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem moderna de uso de diversos antibióticos em conjunto foi criada, em parte, para evitar o novo desenvolvimento de resistência, mas esta preocupação permanece presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com diagnóstico e tratamento precoce, a hanseníase é eliminada com muito mais facilidade. Mas, infelizmente, diagnosticar a hanseníase é extremamente difícil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método padrão atual é fazer uma biópsia. Nesta técnica, é feita uma incisão minúscula em uma lesão da pele, através da qual o sangue é espremido. A polpa e o fluido do tecido são então coletados para exame no microscópio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas este método é caro e trabalhoso, pois exige um laboratório e conhecimento técnico. Ele é particularmente difícil em áreas rurais, onde nem sempre são disponíveis instalações de laboratório, e em países de baixa renda, onde a hanseníase é comum e os recursos são escassos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Como resultado, muitos pacientes são diagnosticados com curso adiantado da doença, quando já ocorreram lesões da pele e dos nervos&#8221;, afirma Sunkara.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/46F5/production/_128456181_p0dyh34h.jpg" alt="Placa em que se lê 'hanseníase tem cura'"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,A hanseníase é tratada com muito mais facilidade no início da infecção</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Esta questão é agravada pelo fato de que os cientistas ainda não sabem exatamente como a hanseníase é transmitida. É surpreendentemente difícil ser infectado e, muitas vezes, são necessários vários meses de contato próximo com uma pessoa infectada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consenso atual é que, provavelmente, ela é transmitida por gotículas no ar quando alguém tosse ou espirra, mas pode haver outros caminhos, como a pele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, em vez de passar pelo trabalhoso processo de diagnóstico, uma opção é tratar imediatamente as pessoas que possam ter sido expostas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para evitar a difusão da hanseníase, em 2018, a OMS introduziu uma intervenção significativa: os contatos próximos dos pacientes com hanseníase foram rastreados e receberam uma dose única de rifampicina&#8221;, explica Pemmaraju.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concluiu-se que a intervenção tem efeito protetor de cerca de 55-60%. Mas a pandemia interrompeu o diagnóstico, levando à perda de 140 mil casos em todo o mundo, o que traria consequências para a difusão da hanseníase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Considerando que cada paciente com hanseníase tenha 10 contatos, são mais de 1,5 milhão de pessoas que estão em risco de desenvolver hanseníase porque não conseguiram tomar a dose única de rifampicina&#8221;, afirma Smith.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento com rifampicina teve impacto significativo em países como Gana, segundo Benedict Quao, chefe do Programa Nacional de Controle da Hanseníase de Gana, que é membro da Parceria Global para a Erradicação da Hanseníase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Pela primeira vez, os países receberam orientações médicas para poder forçar a liderança política a agir&#8221;, afirma ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia de covid-19, em grande parte, é responsável pela interrupção deste novo programa. Mas ela também introduziu uma ferramenta útil: o rastreamento de contatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este método tem sido útil para identificar os contatos dos pacientes com hanseníase em muitas regiões, fazendo com que eles recebam uma dose do antibiótico preventivo. O problema é que alguns países talvez não consigam mobilizar recursos suficientes para o fornecimento regular de rifampicina aos contatos dos pacientes com hanseníase, segundo Quao.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em Gana, nós tivemos essa experiência em seis das nossas 16 regiões e queremos ampliá-la&#8221;, afirma ele. &#8220;É uma boa época para termos essa intervenção, mas não é uma intervenção perfeita. Os países reconhecem isso.&#8221;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/6E05/production/_128456182_p0dyh1vy.jpg" alt="Bactéria"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,É difícil diagnosticar a hanseníase com rapidez, em parte porque o bacilo de Hansen cresce muito lentamente</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Se fosse disponível um exame de diagnóstico rápido e eficaz, que não fosse invasivo, muitos desses casos perdidos de hanseníase e os contatos próximos dos pacientes poderiam ser identificados, sem necessidade de prescrições de rifampicina para indivíduos potencialmente saudáveis. A boa notícia é que esses exames de diagnóstico estão atualmente sendo desenvolvidos, embora possam não ser disponíveis por algum tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para estudar a doença, sua progressão e o desenvolvimento de exames de diagnóstico, os cientistas frequentemente precisam injetar M. leprae em tatus, em uma técnica que foi tentada pela primeira vez em 1971.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O fato de não podermos cultivar essa bactéria tão facilmente em ambientes de laboratório é outro fator que dificulta o progresso do desenvolvimento desses exames&#8221;, segundo Sunkara.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Novos-horizontes">Novos horizontes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2000, a Fundação Novartis firmou parceria com a OMS e vem fornecendo medicamentos gratuitos para a terapia com múltiplas drogas em todo o mundo. E, em fevereiro de 2022, eles firmaram parceria com a Fiocruz para realizar um estudo utilizando inteligência artificial (IA) para acelerar o diagnóstico da hanseníase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Chamo isso de aplicar tecnologia de última geração a uma doença primitiva&#8221;, define Sunkara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem pelo menos outras 20-30 doenças da pele que se apresentam na forma de manchas brancas, segundo ele. Usando o algoritmo de IA para analisar as diferentes formas em que a luz é refletida na superfície de cada doença da pele, é possível identificar os casos de hanseníase e distingui-los de outras condições similares com muito mais precisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu estudo, publicado na revista Lancet Regional Health, definiu a previsão em 90%. Mas, com 1.229 imagens de pele, o conjunto de dados ainda é pequeno. Se o exame tiver sucesso em escala maior, poderá um dia se tornar uma ferramenta útil para acelerar o diagnóstico e o tratamento da hanseníase.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Estigma-persistente">Estigma persistente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os avanços modernos no tratamento e diagnóstico da hanseníase mudaram a vida de muitos pacientes, mas existe um problema que ainda não desapareceu totalmente: a discriminação continua implacável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A hanseníase segue sendo uma questão de direitos humanos profundamente enraizada&#8221;, segundo Alice Cruz, Relatora Especial das Nações Unidas sobre a eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase, uma função que ela desempenha desde novembro de 2017.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cruz afirma que existe mais de uma centena de leis que discriminam as pessoas com hanseníase em todo o mundo, criando uma forte estigmatização que pode agir como barreira para o tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns países, a hanseníase pode ser motivo de divórcio. A Índia era um deles, até alterar suas leis em 2019. Muitas pessoas afetadas pela doença ainda lutam para conseguir emprego e ter acesso à assistência médica e à educação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os países deveriam fazer todo o possível para abolir as leis discriminatórias e substituí-las por políticas que possam garantir direitos sociais e econômicos às pessoas afetadas pela hanseníase&#8221;, afirma Cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Indo mais adiante, deveríamos nos perguntar: nossos sistemas de saúde estão trabalhando para oferecer total acessibilidade para as pessoas afetadas pela hanseníase?&#8221;, questiona ela. &#8220;Isso porque a hanseníase é muito mais que uma doença. Ela se tornou um rótulo que desumaniza as pessoas atingidas por ela.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Leia a </strong><a href="https://www.bbc.com/future/article/20230124-leprosy-the-ancient-disease-scientists-cant-solve">versão original desta reportagem</a><strong> (em inglês) no site </strong><a href="https://www.bbc.com/future/">BBC Future</a><strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="O mundo da arquitetura" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/NX700hfIBGc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar/">Hanseníase: a doença antiga que a ciência não consegue eliminar</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/hanseniase-a-doenca-antiga-que-a-ciencia-nao-consegue-eliminar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
