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	<title>Boata Kiss |</title>
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	<title>Boata Kiss |</title>
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		<title>Sócio da boate, Kiko Spohr é o 1º réu a falar no Júri da Kiss: &#8216;Eu virei um monstro de um dia para o outro&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Dec 2021 02:15:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Boata Kiss]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O proprietário da boate Kiss, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, é o primeiro réu a ser ouvido no julgamento em Porto Alegre. Ele começou a responder às perguntas do juiz Orlando Faccini Neto a partir das 18h desta quarta-feira (8), mas o interrogatório foi interrompido 1h30 depois quando ele entrou em desespero e começou a chorar. &#8220;Eu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O proprietário da boate Kiss, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, é o primeiro réu a ser ouvido no julgamento em Porto Alegre. Ele começou a responder às perguntas do juiz Orlando Faccini Neto a partir das 18h desta quarta-feira (8), mas o interrogatório foi interrompido 1h30 depois quando ele entrou em desespero e começou a chorar.</p>



<p>&#8220;Eu não quis isso, eu não escolhi isso. Eu não aguento mais. Eu aprendi a chorar em silêncio dentro de uma cadeia. Por que isso foi acontecer na Kiss? Era uma boate boa, todo mundo era amigo. Eu virei um monstro de um dia para o outro. Eu tava lá&#8221;, gritou.</p>



<p>Enquanto desabafava, os familiares das 242 vítimas se uniram em uma corrente e passaram a se abraçar. Uns pais disseram que suportariam o &#8220;fingimento&#8221;, e uma mãe chegou a falar mais alto que &#8220;ele matou nossos filhos&#8221;.</p>



<p>&#8220;Querem me prender, me prendam! Tô cansado, cara. Perdi um monte de amigos. Acha que eu ia fazer uma coisa dessas? Não é fingimento, eu não aguento mais&#8221;, disse Kiko. &#8220;Vocês acham que é fácil. Não é fácil. Eu não consegui pedir desculpa&#8221;, falou ao virar-se para o público.</p>



<p>Logo em seguida, a sessão foi interrompida para que ele recebesse atendimento. O plenário esvaziou com muitas pessoas chorando, entre elas, advogados e outros réus, como Marcelo de Jesus e Luciano Bonilha.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como foi o interrogatório?</h2>



<p>O juiz Orlando Faccini Neto observou que ele não é obrigado a responder às inquirições e que pode permanecer em silêncio. Mesmo assim, Kiko decidiu falar e contou que nasceu em Santa Rosa e só conheceu o pai quando tinha 12 anos.</p>



<p>&#8220;Às vezes é levado isso e não levam em conta que meu pai tenha a família dele e eu tinha a minha com minha irmã e mãe. Tenho uma relação, como vou dizer?, não somos inimigos, mas ele tem a família dele e eu tenho a minha&#8221;, disse.</p>



<p>Depois, ele descreveu o início dos trabalhos com a música, ainda na adolescência. Kiko começou a formar bandas com amigos, como o Pantana, que deu nome ao grupo que criou depois, e tocava em intervalos de shows. Ingressar no ramo das casas noturnas foi uma &#8220;consequência&#8221;, segundo ele.</p>



<p>&#8220;Trabalhava, no fim de semana tocava, e eu vendia bandas. Sempre tive esse espírito empreendedor&#8221;, afirmou.</p>



<p>Kiko disse que se aproximou da administração da Kiss como uma oportunidade de negócio e também de expor a sua banda. Ele disse que comprou a sociedade por R$ 15 mil mais um carro compacto.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Eu não participei de nenhum trâmite de documentação&#8221;, afirma.</p></blockquote>



<p>Após lembrar do início das atividades e o sucesso que a casa noturna nas quintas-feiras, ele se emocionou. &#8220;Foi lindo, uma maravilha, tudo perfeito&#8221;, descreve.</p>



<p>Ele conta que renovou o alvará em 2011, trocou as barras de abertura das portas e pagou todos os valores referentes às licenças. &#8220;A Kiss foi tão vistoriada&#8221;, exclamou.</p>



<p>Segundo ele, houve divergências nas sugestões dos engenheiros sobre isolamento acústico para resolver os problemas com uma vizinha. Para Kiko, a orientação de Miguel Ângelo Pedroso foi acatada e um projeto amplo de reforma ao custo de R$ 230 mil foi feito.</p>



<p>&#8220;Fizemos parede de pedra, forro duplo de lã de rocha e lã de vidro, rebaixado duas vezes, e continuava vibrando o quarto da vizinha. Pedi permissão e fiz uma parede afastada, de gesso, na vizinha, pintei todo o apartamento para fazer um agrado e coloquei vidro duplo. Dessa vizinha, resolveu o problema. Mas a gente trocou o palco de lado, e a vizinha de trás começou a reclamar&#8221;, descreveu.</p>



<p>Ao ser questionado sobre a contratação da Gurizada Fandangueira, Kiko diz que não sabia que a banda usava artefatos pirotécnicos em shows.</p>



<p>&#8220;Eu não vi eles fazerem esse negócio, inclusive não vi ninguém fazer. Ninguém me falou também se fizeram&#8221;, disse. &#8220;É possível que nesse palco novo com as espumas tenha sido a primeira vez&#8221;, acrescentou.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="800" height="500" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2021/12/parceiros-1.jpg" alt="" class="wp-image-35882" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2021/12/parceiros-1.jpg 800w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2021/12/parceiros-1-300x188.jpg 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2021/12/parceiros-1-768x480.jpg 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></figure>



<p>Kiko disse que a relação de negociação com as apresentações era com Danilo Jaques, o gaiteiro da banda, que morreu no incêndio. Segundo o proprietário, ele não pediu autorização do uso de artefatos pirotécnicos, nem tampouco avisou das mudanças nas reformas à banda.</p>



<p>&#8220;Não tive essa conversa com eles e acho que eles realmente imaginavam que esse tareco não pegava fogo&#8221;, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Dia 27 de janeiro de 2013</h2>



<p>O proprietário recordou como foi o dia anterior e da tragédia. Segundo ele, foi à casa noturna durante a tarde para acompanhar os trabalhos internos e passagens de som e, à noite, foi jantar com a esposa em um restaurante de sushi de amigos.</p>



<p>Ele chegou na Kiss depois da 1h40, depois do show da banda Pimenta e seus Comparsas para conversar sobre a promoção do grupo. Um pouco depois, deixou a casa para levar um cliente que estaria embriagado para a rua. Quando retornou, viu o desespero das pessoas correndo na direção contrária.</p>



<p>&#8220;Nesse momento vem um monte de gente e me prensa contra um táxi. O Baby [segurança] caiu por cima de mim, as pessoas gritavam para o táxi sair&#8221;, descreve.</p>



<p>O juiz Faccini interrompeu a resposta para questionar o que considera uma contradição. Ele perguntou sobre a demora no período entre levar o cliente para a rua e retornar, o que fez Kiko admitir que não viu o início do show da Gurizada Fandangueira.</p>



<p>&#8220;Não lembro de falar para alguém cuidar: &#8216;se uma banda fizer isso ou aquilo, tu tira&#8217;. Eram muitas bandas. Eu não me recordo de ter visto [show pirotécnico]&#8221;, diz.</p>



<p>Na sequência, Kiko diz que o tumulto aumentou. Ele acreditava que, com a chegada dos bombeiros, a situação melhoraria, mas a percepção de que a proporção do incêndio era maior fez com que tentasse fazer aberturas com as mãos nas paredes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Não posso precisar quanto tempo, mas fiquei até a Vanessa chegar. Ela veio com os braços abertos, pensei que ia dar um abraço, e ela me deu um tapa. &#8216;Kiko, Kiko, e a minhã irmã?&#8217;. Alguém me botou para dentro de um carro, ia me levar para dentro de casa e eu disse para me levar para a delegacia. Me apresentei e disse: &#8216;tá pegando fogo na boate, tá morrendo gente&#8217;. Apavorado, sem camisa&#8217;, descreveu, aos prantos.</p></blockquote>



<p>O magistrado, na volta do interrogatório, perguntou sobre os processos movidos pela defesa de Kiko. Ela elencou ações movidas contra o promotor Ricardo Lozza, ex-prefeito Cezar Schirmer, bombeiros e músicos.</p>



<p>&#8220;A gente processou porque tinha entendimento de que tinham que vir aqui para me ajudar a explicar&#8221;, respondeu.</p>



<p>Faccini, então, rebate que as vítimas morreram, segundo a denúncia do Ministério Público, asfixiadas pela queima da espuma tóxica, e que as respostas de Kiko concernem ao alvará e outras questões administrativas. O juiz ainda questiona por que ele não exprimiu o pesar às famílias ao longo dos últimos oito anos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Não existe o que falar, não tem uma explicação que consiga dar. Fiquei como culpado. Vou falar o quê?&#8221;, diz.</p></blockquote>



<p>Spohr apontou ainda que a administração conseguisse ter 1 mil pessoas na casa, mas não simultaneamente. Para ele, o importante era alcançar este número &#8220;no giro&#8221;, na soma de pessoas que entraram e saíram casa.</p>



<p>Ele diz, ainda, que o segurança ficou com 74 canhotos de frequentadores que já tinham saído da festa antes do incêndio. &#8220;A gente não deixava passar de 800&#8221;, assegura.</p>



<p>Em relação aos extintores, disse que havia renovado de seis a oito meses antes. Disse, ainda, que tinha mecanismos de propagação de CO2 como efeito da boate.</p>



<p>&#8220;O extintor não funcionou. Por quê, Deus sabe! Eu queria que tivesse funcionado&#8221;, sublinhou.</p>



<p>Jader Marques, defensor de Kiko, não fez perguntas e os trabalhos foram encerrados depois que nenhum jurado acrescentou questionamentos.</p>



<p>Os interrogatórios seguem na quinta (9) com as oitivas de Luciano Bonilha, Mauro Hoffmann e Marcelo de Jesus, nesta ordem. O juiz Orlando Faccini Neto expôs que a previsão era que os hotéis recebessem as testemunhas e demais integrantes do julgamento até a quarta-feira seguinte, e elogiou a celeridade no processo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quem são os réus?</h2>



<ul class="wp-block-list"><li>Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate</li><li>Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss</li><li>Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira</li><li>Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda</li></ul>



<h2 class="wp-block-heading">Entenda o caso</h2>



<p>Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.</p>



<p>Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado &#8220;em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate&#8221;.</p>



<p>Já Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque &#8220;adquiriram e acionaram fogos de artifício (&#8230;), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate&#8221;.</p>



<p>Fonte: <strong>g1</strong></p>



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