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		<title>Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2024 20:46:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas&#160;negras escravizadas no Brasil&#160;dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Julia Braun</strong></li>



<li>Role,<strong>Da BBC Brasil em Londres</strong></li>



<li><a href="https://twitter.com/juliatbraun">Twitter,<strong>@juliatbraun</strong></a></li>



<li>Sábado, 23 de novembro de 2024</li>
</ul>



<p>Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c1gdqgkx4z9t">negras escravizadas no Brasil</a>&nbsp;dos séculos 16 a 19.</p>



<p>Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94yx9p2qt">África.</a></p>



<p>A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário.</p>



<p>A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c06gq6yxx8dt">Angola</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cvjp2jwxn4vt">República Democrática do Congo</a>, e posteriormente,&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/ckdxnd314dyt">Moçambique</a>.</p>



<p>No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.</p>



<p>Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia.</p>



<p>Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="‘Grande-mãe-ancestral-dos-brasileiros">‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’</h2>



<p>Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia.</p>



<p>Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.</p>



<p>Em seu livro&nbsp;<em>Camões com Dendé</em>, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/305c/live/a7c06190-a72b-11ef-bdf5-b7cb2fa86e10.jpg.webp" alt="Gravura do século 19 sobre o trabalho escravo no Brasil"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Gravura do século 19 sobre o trabalho escravo no Brasil</figcaption></figure>
</div>


<p>Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir.</p>



<p>A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.</p>



<p>Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio.</p>



<p>“No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.</p>



<p>Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica.</p>



<p>“Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra!.”</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Exemplos-de-expressões-de-origem-banta">Exemplos de expressões de origem banta</h2>



<p><em>1. Babá</em></p>



<p>Tem origem na língua quimbundo e vem do verbo ‘kubaba’, que significa ‘acalentar ou embalar uma criança para adormecer’.</p>



<p><em>2. Cafuné</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e vem da palavra ‘kafa’, que se refere à ação de bater, estalar com os dedos</p>



<p><em>3. Cochilo</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e vem da palavra ‘kukoshila’.</p>



<p><em>4. Dengo</em></p>



<p>Tem origem no quicongo e, na língua original, quer dizer um pedido de aconchego.</p>



<p><em>5. Caçula</em></p>



<p>Vem de &#8216;kasule&#8217;, do quimbundo, que significa &#8216;último filho&#8217;.</p>



<p><em>6. Moleque</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e vem da forma ‘muleke’, associado com &#8216;menino&#8217;.</p>



<p><em>7. Xingar</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e na palavra ‘kukoshinga’.</p>



<p><em>8. Moringa</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e vem da palavra ‘mudingi’.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/daa3/live/b965a260-a72c-11ef-8ab9-9192db313061.jpg.webp" alt="Escravos trabalham em uma plantação de café no Brasil
"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Escravos trabalham em uma plantação de café no Brasil</figcaption></figure>
</div>


<p><em>9. Caçamba</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e vem da palavra ‘kasambu’ que significa cesto.</p>



<p><em>10. Capenga</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e na palavra ‘kiapenga’.</p>



<p><em>11. Dendê</em></p>



<p>Do quimbundo ‘ndende’, o dendê, ou óleo de palma, é popular nas culinárias africana e brasileira.</p>



<p><em>12. Marimbondo</em></p>



<p>Do quimbundo, vem de ‘madimbindo’, palavra usada para vespa.</p>



<p><em>13. Lenga-lenga</em></p>



<p>Tem origem no quimbundo e em ‘ku langa’, que significa enganar alguém.</p>



<p><em>14. Beleléu</em></p>



<p>Do quimbundo, vem de ‘mbelele’, palavra usada para se referir à morte.</p>



<p><em>15. Bunda</em></p>



<p>Do quimbundo, vem de ‘mbunda’, palavra usada para se referir a nádegas ou ânus.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="As-línguas-bantas-e-o-português">As línguas bantas e o português</h2>



<p>Fundamental para a construção do Brasil e para o movimento abolicionista, a cultura banto reverbera até hoje não só no vocabulário do português brasileiro, mas também na entonação, pronúncia e sintaxe.</p>



<p>‘Bantu’ é a forma como a língua é referida nos próprios idiomas locais. No Brasil, porém, os linguistas tendem a falar em línguas bantas para se referir ao conjunto de línguas.</p>



<p>Margarida Petter, linguista e professora aposentada do Departamento de Linguística da Universidade de São Paulo (USP), explica que a denominação foi adotada por linguistas a partir da percepção de uma característica comum entre muitas das línguas: a palavra ‘pessoa’ tem sempre o uso da raiz ‘-ntu’, que no plural recebe o prefixo ‘ba-’. Daí surgiu bantu.</p>



<p>“Alguns africanos que foram transplantados para o Brasil já falavam alguma coisa de português por conta do contato com os colonizadores na região no entorno do Reino do Congo”, diz.</p>



<p>Ao mesmo tempo, diz a especialista, ao aprender a língua estrangeira, essas populações impuseram algo da gramática, da sonoridade e do vocabulário de suas línguas nativas. “Eles trouxeram para o português palavras e estruturas de suas línguas bantas”, explica Petter.</p>



<p>Construções como &#8220;algumas lojas estão caindo preço&#8221; ou &#8220;as ruas do centro não estão passando ônibus&#8221;, que são consideradas gramaticalmente incorretas na língua culta pelo uso equivocado do sujeito, são exemplos dessa influência na língua falada, diz a linguista.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/9a96/live/2b52d4a0-a747-11ef-8ab9-9192db313061.png.webp" alt="Mapa das línguas da família banta"/></figure>
</div>


<p>“Outra influência é a tendência na língua falada de dizer coisas como ‘as menina bonita’”, diz Margarida Petter. “Nas línguas bantas, o plural não é indicado com a letra ‘s’ no final das palavras, como no português, mas sim com o uso de um prefixo.”</p>



<p>“Para o falante da língua banta, apenas colocar o primeiro elemento no plural já seria suficiente para entender o sentido completo — colocar o ‘s’ no final do substantivo seria uma redundância.”</p>



<p>A influência banta no Brasil também está nas religiões, nas músicas e na dança. Os escravizados traficados para o país deixaram seu legado, por exemplo, na origem de ritmos e expressões musicais como o samba, o maracatu, a congada, o jongo e a capoeira.</p>



<p>Para Yeda Pessoa de Castro, a cantiga popular&nbsp;<em>Escravos de Jó</em>&nbsp;também seria mais uma marca dos bantos — e das mulheres que cantavam e ensinavam jogos para os filhos dos colonizadores.</p>



<p>Segundo a pesquisadora, a palavra ‘jó’ poderia ter origem na língua quimbundo e na palavra ‘njo’, que significa ‘casa’. Já o ‘caxangá’ era um jogo de tabuleiro, diz.</p>



<p>De acordo com Castro, as denominações candomblé, macumba e catimbó são também de origem banto e representam provavelmente as mais antigas manifestações de religiosidade afro-brasileira nascidas na escravidão, como consequência do contato de orientações religiosas ameríndias e africanas com o catolicismo nos primórdios da colonização.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/9b0e/live/37311d60-a72c-11ef-a4fe-a3e9a6c5d640.jpg.webp" alt="Pintura do século 19 mostra escravizadas trabalhando
"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Pintura do século 19 mostra escravizadas trabalhando</figcaption></figure>
</div>


<p>Na África colonizada por Portugal, os governos de países como Angola, Moçambique e Cabo Verde adotaram o português como língua oficial após sua independência na década de 1970.</p>



<p>“Havia uma diversidade linguística muito grande, então decidiu-se adotar o português também para evitar contendas tribais”, explica Alexandre António Timbane, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.</p>



<p>As línguas locais, porém, continuaram a ser usadas em contextos informais e no seio das famílias.</p>



<p>“As pessoas começaram a aprender o português para conseguir emprego, resolver questões burocráticas em órgãos do governo. Mas as línguas locais continuaram a ser faladas em contextos informais, nas famílias, nas canções e na educação local também”, diz Timbane.</p>



<p>O pesquisador moçambicano, porém, lamenta que ainda exista preconceito fora da África em relação às variedades do português africano, especialmente na área do ensino.</p>



<p>“A minha variedade, o meu sotaque, são influências da minha língua materna, da minha história”, diz. “Temos que considerar e tolerar sem preconceito linguístico todas as variedades e incentivar estudos e pesquisas sobre elas, porque elas são úteis.”</p>



<p>Fonte BBC / Fine Art Images/Heritage Images via Getty Images</p>



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