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		<title>Síndrome do coração partido é uma condição médica que pode levar à morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 04:02:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estudo revela que a morte de um cônjuge pode afetar profundamente a saúde e Maria Julia Kovács destaca a importância do apoio emocional nesse período Por Julia Valeri* &#8211; Terça, 12 de setembro de 2023 “Mudaram as estações, nada mudou. (…) Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>Estudo revela que a morte de um cônjuge pode afetar profundamente a saúde e Maria Julia Kovács destaca a importância do apoio emocional nesse período</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Por <a href="https://jornal.usp.br/author/juliavaleri/">Julia Valeri*</a> &#8211; Terça, 12 de setembro de 2023</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/09/EFEITO-VIUVEZ-430_-JULIA-VALERI.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption">Radio USP</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Mudaram as estações, nada mudou. (…) Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre acaba?”. Os versos iniciais da canção de Cássia Eller refletem uma experiência universal: a perda e o luto. As consequências da morte de alguém conhecido nunca são fáceis, quando é a morte de um parceiro a situação se agrava e pode se estender além do adeus. Essa situação pode desencadear um quadro de consequências prejudiciais à saúde, como distúrbios do sono, episódios depressivos, ansiedade, diminuição da função imunológica e até mesmo um declínio significativo na saúde física. Esse panorama é comum e recebe o nome de efeito viuvez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria Julia Kovács, professora sênior do Instituto de Psicologia da USP e membro fundadora do Laboratório de Estudo sobre a Morte, explica que o efeito viuvez, que também pode ser chamado de síndrome do coração partido, é quando a perda de uma pessoa é vivida de uma forma tão intensa e tão dolorosa, ou com tanto sofrimento, que acaba levando à morte do enlutado. Trata-se de&nbsp;uma condição médica documentada, conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse, e ocorre quando o coração fica atordoado por um estresse agudo repentino e seu ventrículo esquerdo enfraquece. Ela foi descrita pela primeira vez em 1990, no Japão, e nessa síndrome o coração fica tão parecido com uma armadilha de polvo japonesa chamada&nbsp;<em>takotsubo</em>, que alguns médicos começaram a denominar a doença de cardiomiopatia de takotsubo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, apesar do estado clínico crítico, que pode resultar na morte do enlutado, Maria Julia Kovács comenta que não é uma regra para aqueles que sofrem da síndrome do coração partido. “É importante a gente considerar que, mesmo que a pessoa não queira mais viver, não quer dizer que obrigatoriamente ela vai ter um processo de adoecimento direto ou vai cometer o suicídio.” Além disso, na maioria dos casos, quando o estresse emocional agudo se dissipa, o coração se recupera e volta à sua forma normal.</p>



<figure class="wp-block-image" id="attachment_678930"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/PODER-FEMININ-1.jpg?resize=800%2C420&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-678930"/><figcaption class="wp-element-caption">Da esquerda para a direita: armadilha de polvo japonesa, chamada&nbsp;<em>takotsubo</em>, e coração com a síndrome do coração partido – Montagem por Julia Valeri/<strong>Jornal da USP</strong></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O efeito da viuvez foi documentado em todas as idades e raças ao redor do mundo e uma pesquisa realizada por Nicholas Christakis, que dirige o Laboratório da Natureza Humana na Universidade de Yale, e Felix Elwert, professor de Sociologia da Universidade de Wisconsin, ambas nos Estados Unidos, afirma que o risco de um idoso morrer por qualquer causa aumenta entre 30% e 90% nos primeiros três meses após a morte do cônjuge e cai para cerca de 15% nos meses seguintes.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Terceira idade é a mais afetada</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo ainda revelou que, quando um parceiro morreu de forma súbita, o risco de morte do cônjuge sobrevivente aumentou. O mesmo acontecia com doenças crônicas como diabete, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão ou cólon, que exigiam tratamento cuidadoso do paciente para tratar ou prevenir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, se um cônjuge morreu de doença de Alzheimer ou Parkinson, não houve impacto na saúde do parceiro sobrevivente – possivelmente porque o cônjuge teve tempo adequado para se preparar para a perda do parceiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_379743"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2020/12/20201217_maria_julia_kovacs_ip_usp.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-379743" style="width:119px;height:119px" width="119" height="119"/><figcaption class="wp-element-caption">Maria Julia Kovács, do Instituto de Psicologia da USP – Foto: Divulgação/IP</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">A professora ainda explica que casais da terceira idade e os viúvos homens são os mais propensos a sofrerem dessa síndrome, uma vez que as pessoas mais idosas vivem muito tempo juntas e muitas vezes não conseguem conceber uma vida sem a pessoa querida, e os homens dificilmente vão expressar seus sentimentos, no preceito de que se abrir e conversar sobre suas emoções é equivalente à fragilidade. “Às vezes eles podem entrar em grande sofrimento e acabar falecendo.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fala da psicóloga é embasada por um estudo publicado neste ano na revista de saúde norte-americana&nbsp;<em>PlosOne</em>, que evidencia que os homens correm um risco maior de morrer após perder a parceira: após estudar dados de quase 1 milhão de cidadãos dinamarqueses casados, os pesquisadores também descobriram que os homens tinham 70% mais chances de morrer do que os que não perderam a parceira. No caso das mulheres, 27% eram mais propensas à morte do que as que não se tornaram viúvas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a especialista ressalta que cada caso é distinto e que não se pode generalizar. “Quando, por exemplo, a pessoa é muito idosa ou já tem um processo de adoecimento, ou alguma condição que requer atenção psicológica ou psiquiátrica, que dificulta o processo de elaboração do luto, pode ser que ela seja mais propensa à síndrome do coração partido em um período curto de tempo; outras pessoas têm um processo de luto mais longo, que pode ser chamado de complicado, porque a intensidade, o sofrimento é muito grande e a capacidade e vontade de viver nesse mundo sem a pessoa querida é tão penosa que o luto se arrasta por anos.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela ainda comenta sobre outra possibilidade de luto: “Existem circunstâncias em que a vida pode ficar melhor, porque às vezes o relacionamento era tóxico, era difícil, havia muito conflito e muita briga e, portanto, a viuvez se transforma nessa possibilidade de retornar ao bem-estar e à simplicidade da vida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, Maria Julia Kovács nota que é sempre importante ficar atento aos sinais da síndrome para que, se necessário, se faça a intervenção e a busca por ajuda. “Os cônjuges sobreviventes podem sofrer de distúrbios do sono, episódios depressivos, ansiedade, função imunológica prejudicada e saúde física geral precária.” Diante disso, a psicóloga enfatiza a necessidade de um acompanhamento próximo ao parceiro sobrevivente. Se manifestações de desvalorização da vida surgirem ou se houver queixas sobre a dificuldade de seguir adiante e de se adaptar à vida sem o parceiro, ela destaca a importância de uma conversa direta com o indivíduo e oferecer apoio e opções como grupos terapêuticos, terapia individual ou até mesmo medicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não finja que está tudo bem e cerque-se de pessoas para as quais você não precisa fingir que está bem. O luto é um ato de coragem e força. Quanto mais significativa a perda, mais profunda ela é e mais longo é o processo de recuperação. Procure ajuda se necessário”, conclui a especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*Estagiário sob orientação de Ferraz Junior</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jornal da USP no Ar </strong><br><a href="https://jornal.usp.br/editorias/radio-usp/jornal-da-usp-no-ar/">Jornal da USP no Ar</a> é uma parceria da <a href="https://jornal.usp.br/radio/">Rádio USP</a> com a Escola Politécnica e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em <a href="https://www.jornal.usp.br/">www.jornal.usp.br</a> ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p>



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