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		<title>Saúde diz não à flexibilização do Piso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 13:33:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Conselhos profissionais, lideranças do movimento sanitarista e até ex-ministro da Saúde se posicionam publicamente contra a retirada de investimentos do SUS. Temporão é taxativo: reduzir o orçamento é “traição ao projeto político que elegemos” por Guilherme Arruda &#8211; Sexta, 14 de junho de 2024 Desde a admissão pública do ministro da Fazenda Fernando Haddad, na última [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Conselhos profissionais, lideranças do movimento sanitarista e até ex-ministro da Saúde se posicionam publicamente contra a retirada de investimentos do SUS. Temporão é taxativo: reduzir o orçamento é “traição ao projeto político que elegemos”</p>



<p class="wp-block-paragraph">por <a href="https://outraspalavras.net/author/guiarruda/">Guilherme Arruda</a> &#8211; Sexta, 14 de junho de 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a admissão pública do ministro da Fazenda Fernando Haddad, na última quarta-feira (12/6), de que sua pasta debate caminhos para&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/crise-brasileira/a-cruzada-de-haddad-contra-a-saude-e-educacao/">reduzir o piso</a>&nbsp;constitucional de investimentos na Saúde, o coro de vozes contrárias à medida só cresceu. No campo da Saúde, os pronunciamentos vieram das mais variadas direções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demonstraram sua insatisfação com os rumos da discussão sobre a flexibilização do patamar mínimo de investimentos – 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) anual, desde a última alteração na Constituição Federal – entidades profissionais como o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), organizações históricas do movimento sanitarista como o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) e figuras com importantes passagens pela gestão pública, a exemplo do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e da diretora do Cebes Ana Maria Costa, pioneira das políticas de atenção à saúde da mulher no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As manifestações caminham em sentidos similares. Lembram que o Piso foi uma conquista da luta do povo brasileiro – e que o Sistema Único de Saúde (SUS) só pôde verdadeiramente se consolidar e cumprir com seu ousado projeto quando os recursos mínimos para tal passaram a ser garantidos. Além disso, alertam que os avanços de saúde pública das últimas décadas correm o risco de serem asfixiados pelo&nbsp;<em>desfinanciamento</em>&nbsp;que se seguiria com a mudança na regra fiscal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Particularmente cortantes foram as palavras de Temporão e Costa para desnudar o verdadeiro significado de uma eventual implementação da proposta ensaiada pela equipe econômica do governo: “reduzir o piso constitucional da Saúde é trair o projeto político que elegemos”, disparam os sanitaristas veteranos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Piso “tirou o SUS do abismo”</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<a href="https://www.cofen.gov.br/reduzir-o-piso-constitucional-da-saude-coloca-em-risco-o-sus/">editorial</a>&nbsp;publicado no&nbsp;<em>site</em>&nbsp;do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) aponta que as discussões sobre a quebra do Piso de investimentos precisam levar em consideração o “impacto devastador” que a medida teria para a população. A entidade, que disciplina as atividades da mais numerosa categoria de trabalhadores da saúde do país, opina que o Piso “tirou o SUS do abismo, da incerteza constante e da dependência de recursos extraordinários”. Por isso, o Cofen alerta que “reduzir o piso constitucional coloca em risco o SUS” – e, consequentemente, a saúde dos brasileiros que dele dependem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por sua vez, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) sublinha que o Piso da Saúde é um “instrumento civilizatório que busca colocar o bem-estar da população no centro do projeto de país que defendemos”. Além disso, para a entidade fundada por muitos dos sanitaristas que deram força à fundação do SUS, a mudança no patamar mínimo de verbas estaria em desacordo com os compromissos firmados pelo próprio presidente Lula, que durante a campanha eleitoral afirmou muitas vezes que, em seu governo, “saúde é investimento”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O presidente assumiu compromisso com a Frente pela Vida de garantir recursos para atender às urgentes e relevantes demandas da população por atenção à saúde, durante&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/conferencia-livre-constroi-bases-para-virada-democratica/">conferência livre</a>, em agosto de 2022, em São Paulo”,&nbsp;<a href="https://cebes.org.br/piso-constitucional-da-saude-cebes-lembra-compromisso-firmado-por-lula/33827/">lembrou</a>&nbsp;<strong>Carlos Fidelis</strong>, presidente do Cebes. Crítico da proposta de limitar a correção dos investimentos a 2,5% ao ano, ele diz que “os inimigos do Brasil e da possibilidade de construir um Brasil para todos montaram uma armadilha que associa teto de gastos para os programas de interesse da sociedade com a drenagem de recursos públicos via mecanismo da dívida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Frente pela Vida, que coordena a intervenção de diversas entidades históricas do movimento sanitarista, enviou uma&nbsp;<a href="https://cebes.org.br/site/wp-content/uploads/2024/06/FpV-Manutencao-do-Nota-Piso-da-Saude.pdf">carta</a>&nbsp;a Haddad solicitando esclarecimentos sobre as intenções de seu ministério em relação ao Piso. Como havia noticiado este boletim, na terça-feira (11/6), a FpV teve uma&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-a-fazenda-da-garantias-a-frente-pela-vida/">reunião</a>&nbsp;com subsecretários da Fazenda – onde foi assegurada a manutenção da atual regra, o contrário do que o&nbsp;<a href="https://www.poder360.com.br/economia/sobre-piso-de-saude-haddad-diz-que-avalia-propostas-a-lula/">ministro diria em público horas depois</a>.</p>



<h3 class="wp-block-heading">“Traição ao projeto político que elegemos”</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Retomando o argumento histórico,&nbsp;<a href="https://cebes.org.br/reduzir-piso-constitucional-saude-traicao-projeto-politico-que-elegemos/33815/">artigo de opinião</a>&nbsp;de José Gomes Temporão e Ana Maria Costa lembra que “o SUS idealizado pela Assembleia Constituinte e plasmado na Constituição Federal de 1988 só levantou voo, de fato, com a superação dos tempos dramáticos em que foi golpeado no seu orçamento”. Por isso, dizem os sanitaristas, “reduzir o piso constitucional da Saúde, asfixiando sua capacidade de investimento e de ampliação do acesso é um ataque direto aos direitos conquistados na Constituição Federal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Citando o cálculo do presidente da Associação Brasileira de Economia em Saúde (Abres), <strong>Francisco Funcia</strong>, eles frisam que as perdas para o SUS seriam de R$24 bilhões com o teto de 2,5% de correção estudado pela Fazenda – e podem até chegar a R$30 bilhões, caso as receitas extraordinárias sejam retiradas do cálculo. Funcia aprofundou o cálculo em <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/o-que-significa-mexer-no-piso-da-saude/">entrevista</a> a <strong><em>Outra Saúde</em></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a míngua de recursos, aponta a dupla, fica em jogo “o futuro que buscamos construir para o país, menos desigual, com condições melhores de vida e de saúde”. Os únicos beneficiados pelo direcionamento de recursos que deveriam ser da Saúde a outras áreas – a exemplo da dívida pública, como indicou Fidelis – seriam os “interesses do mercado e do rentismo, que cobram do país um quinhão salgado e expõem nossa população à precariedade e à pobreza”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trazendo essa série de alertas graves, os sanitaristas cobram que o Governo Federal não implemente uma proposta tão catastrófica. “Confiamos no compromisso que elegeu Lula que explicitou a defesa da saúde como investimento e na centralidade de seu Programa de atender às necessidades do povo brasileiro. E o povo quer saúde e um SUS forte e de qualidade para todos e todas”, concluem Temporão e Costa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Foto: Revista Radis</p>



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