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	<title>comunidade indígena |</title>
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	<title>comunidade indígena |</title>
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		<title>História de comunidade indígena premiada em Cannes chega aos cinemas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 19:10:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinemas]]></category>
		<category><![CDATA[comunidade indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um céu estrelado&#160;que só é possível ver em áreas distantes das luzes urbanas&#160;faz fundo ao balançar de um maracá, chocalho indígena. O ritmo do instrumento é acompanhado por cantos na língua krahô sobre as cores das flores. É assim que começa a&#160;A Flor do Buriti, filme premiado no Festival de Cannes, na França, e que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Um céu estrelado&nbsp;que só é possível ver em áreas distantes das luzes urbanas&nbsp;faz fundo ao balançar de um maracá, chocalho indígena. O ritmo do instrumento é acompanhado por cantos na língua krahô sobre as cores das flores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É assim que começa a&nbsp;<em>A Flor do Buriti</em>, filme premiado no Festival de Cannes, na França, e que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando o Hyjnõ sacode aquele maracá, como diz o antropólogo<strong>&nbsp;Viveiros de Castro</strong>, é um acelerador de partículas. Eu acho que a partir disso abrem-se muitas possibilidades”, reflete a codiretora Renée Nader Messora. A frase do renomado antropólogo foi dita para comparar o papel xamanismo nas sociedades indígenas à ciência nas culturas ocidentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O maracá de Francisco Hyjnõ Krahô foi ouvido no Cinema Claude Debussy, onde ocorre um mais importantes festivais dedicados à sétima arte. Ali, o elenco, formado essencialmente por atores indígenas de comunidades krahô do norte de Tocantins, foi premiado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Você tem um cinema como Debussy, cheio de gente, e aí no palco você tem membros de uma comunidade indígena do norte do Brasil falando a sua própria língua, falada por 4 mil habitantes”, descreve Renée, para dimensionar a importância da exibição em Cannes.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A Flor do Buriti&nbsp;</em>foi filmado ao longo de 15 meses, se apoiando no trabalho de formação que os diretores João Salaviza e Renée Nader Messora desenvolveram nos territórios krahô. “A gente começou primeiro a trabalhar com o audiovisual como ferramenta. A comunidade estava muito curiosa e querendo aprender o cinema, fotografia, edição”, conta Renée sobre o processo que já teve como fruto o longa-metragem&nbsp;<em>Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</em>, lançado em 2018.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/V3Ozq3xvJP7ukcN_RG2wFHc9Jj0=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/07/03/a_flor_do_buriti_02.jpg?itok=n77IQL_y" alt="São Paulo (SP) 03/07/2024 - História de comunidade indígena premiada em Cannes chega aos cinemas
Foto: A Flor do Buriti/Divulgação" title="A Flor do Buriti/Divulgação"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da formação foi criado um coletivo de audiovisual na aldeia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Massacre e milícia</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Neste&nbsp;filme, os indígenas encenam dois momentos históricos marcantes para a comunidade: um massacre ocorrido em 1940 e o recrutamento dos jovens, em 1969, para integrarem uma milícia indígena formada pela ditadura militar, no poder à época. As lembranças contextualizam a situação atual dos krahô, que lutam por espaço na política e para livrar suas terras dos invasores, fazendeiros e traficantes de animais silvestres.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/eWs58zPy7qsdnEZTpl1e9rtNt4I=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/07/03/a_flor_do_buriti_06.jpg?itok=uS_FKech" alt="São Paulo (SP) 03/07/2024 - História de comunidade indígena premiada em Cannes chega aos cinemas
Foto: A Flor do Buriti/Divulgação" title="A Flor do Buriti/Divulgação"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Indígenas participam do filme&nbsp;<strong>A Flor do Buriti/Divulgação</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">“O ponto de partida, a chispa inicial, foi essa vontade que a gente tinha de trazer a história do massacre. Era uma vontade&nbsp;desde o&nbsp;<em>Chuva é Cantoria</em>, que foi filmado em 2015 e 2016”, conta a diretora sobre como o projeto surgiu. No meio do caminho, as batalhas cotidianas da comunidade foram trazendo elementos para a construção do novo filme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Um pouco mais tarde, o Francisco Hyjnõ que é um outro protagonista do&nbsp;<em>Flor do Buriti</em>, estava muito envolvido num processo de roubo de terra em uma fronteira da área indígena. Ele já tinha feito a denúncia para a Funai, já tinha conseguido o drone para capturar essas imagens aéreas e utilizar essas imagens como prova. Essas imagens terminaram também por entrar no nosso filme”, detalha Renné a respeito do processo de construção do longa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Narrativas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com indígenas em parte da equipe de roteiro, o filme mistura visões de mundo e formas de contar histórias. “O filme tenta abrir isso [outras maneiras de contar histórias], não tem mais um protagonista único, são vários protagonistas. E tem essa maneira de contar onde as temporalidades vão se misturando, vão tentando criar uma nova uma nova forma. Quanto mais a gente dialoga e passa tempo junto com a comunidade, mais esessa forma vai entrando na nossa na nossa forma de fazer filme”, diz a diretora ao relatar a imersão na cultura krahô.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As narrativas indígenas podem parecer complexas para pessoas não habituadas, mas abrem mais possibilidades de acolher a pluralidade de pontos de vista. “Uma forma muito mais aberta, que contempla muitos olhares também. Às vezes o mito está sendo contado a partir da perspectiva de uma pessoa humana, mas por momentos o mito passa a ser contado a partir da perspectiva de um animal. A pessoa que escuta e que não está muito treinada vai se perdendo nessa multiplicidade. Aqui a gente queria trazer um pouquinho dessa sensação.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um céu estrelado&nbsp;que só é possível ver em áreas distantes das luzes urbanas&nbsp;faz fundo ao balançar de um maracá, chocalho indígena. O ritmo do instrumento é acompanhado por cantos na língua krahô sobre as cores das flores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É assim que começa a&nbsp;<em>A Flor do Buriti</em>, filme premiado no Festival de Cannes, na França, e que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas brasileiros.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando o Hyjnõ sacode aquele maracá, como diz o antropólogo<strong>&nbsp;Viveiros de Castro</strong>, é um acelerador de partículas. Eu acho que a partir disso abrem-se muitas possibilidades”, reflete a codiretora Renée Nader Messora. A frase do renomado antropólogo foi dita para comparar o papel xamanismo nas sociedades indígenas à ciência nas culturas ocidentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O maracá de Francisco Hyjnõ Krahô foi ouvido no Cinema Claude Debussy, onde ocorre um mais importantes festivais dedicados à sétima arte. Ali, o elenco, formado essencialmente por atores indígenas de comunidades krahô do norte de Tocantins, foi premiado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Você tem um cinema como Debussy, cheio de gente, e aí no palco você tem membros de uma comunidade indígena do norte do Brasil falando a sua própria língua, falada por 4 mil habitantes”, descreve Renée, para dimensionar a importância da exibição em Cannes.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A Flor do Buriti&nbsp;</em>foi filmado ao longo de 15 meses, se apoiando no trabalho de formação que os diretores João Salaviza e Renée Nader Messora desenvolveram nos territórios krahô. “A gente começou primeiro a trabalhar com o audiovisual como ferramenta. A comunidade estava muito curiosa e querendo aprender o cinema, fotografia, edição”, conta Renée sobre o processo que já teve como fruto o longa-metragem&nbsp;<em>Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</em>, lançado em 2018.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/V3Ozq3xvJP7ukcN_RG2wFHc9Jj0=/365x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/07/03/a_flor_do_buriti_02.jpg?itok=n77IQL_y" alt="São Paulo (SP) 03/07/2024 - História de comunidade indígena premiada em Cannes chega aos cinemas
Foto: A Flor do Buriti/Divulgação" title="A Flor do Buriti/Divulgação"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A partir da formação foi criado um coletivo de audiovisual na aldeia.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Massacre e milícia</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Neste&nbsp;filme, os indígenas encenam dois momentos históricos marcantes para a comunidade: um massacre ocorrido em 1940 e o recrutamento dos jovens, em 1969, para integrarem uma milícia indígena formada pela ditadura militar, no poder à época. As lembranças contextualizam a situação atual dos krahô, que lutam por espaço na política e para livrar suas terras dos invasores, fazendeiros e traficantes de animais silvestres.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.ebc.com.br/eWs58zPy7qsdnEZTpl1e9rtNt4I=/463x0/smart/https://agenciabrasil.ebc.com.br/sites/default/files/thumbnails/image/2024/07/03/a_flor_do_buriti_06.jpg?itok=uS_FKech" alt="São Paulo (SP) 03/07/2024 - História de comunidade indígena premiada em Cannes chega aos cinemas
Foto: A Flor do Buriti/Divulgação" title="A Flor do Buriti/Divulgação"/></figure>



<h6 class="wp-block-heading">Indígenas participam do filme&nbsp;<strong>A Flor do Buriti/Divulgação</strong></h6>



<p class="wp-block-paragraph">“O ponto de partida, a chispa inicial, foi essa vontade que a gente tinha de trazer a história do massacre. Era uma vontade&nbsp;desde o&nbsp;<em>Chuva é Cantoria</em>, que foi filmado em 2015 e 2016”, conta a diretora sobre como o projeto surgiu. No meio do caminho, as batalhas cotidianas da comunidade foram trazendo elementos para a construção do novo filme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Um pouco mais tarde, o Francisco Hyjnõ que é um outro protagonista do&nbsp;<em>Flor do Buriti</em>, estava muito envolvido num processo de roubo de terra em uma fronteira da área indígena. Ele já tinha feito a denúncia para a Funai, já tinha conseguido o drone para capturar essas imagens aéreas e utilizar essas imagens como prova. Essas imagens terminaram também por entrar no nosso filme”, detalha Renné a respeito do processo de construção do longa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Narrativas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com indígenas em parte da equipe de roteiro, o filme mistura visões de mundo e formas de contar histórias. “O filme tenta abrir isso [outras maneiras de contar histórias], não tem mais um protagonista único, são vários protagonistas. E tem essa maneira de contar onde as temporalidades vão se misturando, vão tentando criar uma nova uma nova forma. Quanto mais a gente dialoga e passa tempo junto com a comunidade, mais esessa forma vai entrando na nossa na nossa forma de fazer filme”, diz a diretora ao relatar a imersão na cultura krahô.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As narrativas indígenas podem parecer complexas para pessoas não habituadas, mas abrem mais possibilidades de acolher a pluralidade de pontos de vista. “Uma forma muito mais aberta, que contempla muitos olhares também. Às vezes o mito está sendo contado a partir da perspectiva de uma pessoa humana, mas por momentos o mito passa a ser contado a partir da perspectiva de um animal. A pessoa que escuta e que não está muito treinada vai se perdendo nessa multiplicidade. Aqui a gente queria trazer um pouquinho dessa sensação.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agência Brasil  / Foto: Divulgação</p>



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