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	<title>cuidadores |</title>
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		<title>Como valorizar o trabalho invisível de cuidadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 14:04:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ex-coordenador do Dieese reflete sobre o alcance da Política Nacional de Cuidados. A quem se aplica? Quais seus objetivos? Conseguirá redistribuir uma função que hoje é tão concentrada em mulheres negras – e garantir direitos a todos que o exercem? O Brasil instituiu recentemente a “Política Nacional de Cuidados” (PNC) através da&#160;Lei 15.069/2024, que tem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Ex-coordenador do Dieese reflete sobre o alcance da Política Nacional de Cuidados. A quem se aplica? Quais seus objetivos? Conseguirá redistribuir uma função que hoje é tão concentrada em mulheres negras – e garantir direitos a todos que o exercem?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil instituiu recentemente a “Política Nacional de Cuidados” (PNC) através da&nbsp;<a href="https://mds.gov.br/webarquivos/MDS/7_Orgaos/SNCF_Secretaria_Nacional_da_Politica_de_Cuidados_e_Familia/Arquivos/Cartilha/Cartilha.pdf">Lei 15.069/2024</a>, que tem por objetivo garantir o direito ao cuidado e promover a corresponsabilização social entre Estado, família, setor privado e sociedade civil. Trata-se de um marco significativo na valorização e reconhecimento das atividades de cuidados no país, buscando equilibrar responsabilidades e assegurar direitos, fundados nos princípios de trabalho decente conforme define a OIT – Organização Internacional do Trabalho, tanto para cuidadores remunerados quanto para não remunerados.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quem são as cuidadoras/es?</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 47,5 milhões de pessoas estão envolvidas em atividades de cuidados no país, remuneradas e, a maioria, não remunerada, sendo que 78% são mulheres e 70% mulheres negras, com baixa escolaridade e maior frequência de idade entre 45 e 59 anos, segundo revelou a&nbsp;<a href="https://www.ipea.gov.br/portal/component/assuntos/interna?id=213">“Pesquisa Nacional sobre Trabalho Doméstico e de Cuidados Remunerados”</a>, lançada em 2025 pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA) e o Ministério da Igualdade Racial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A informalidade atinge metade dos ocupados cujos vínculos são estabelecidos por meio de acordos verbais e trabalho autônomo, muitos sem proteção. A outra metade tem registro em carteira de trabalho, o que garante o direito à proteção trabalhista e previdenciária. A maioria das/os trabalhadoras/es recebe entre 1 e 1,5 salário mínimo por mês e as ocupações remuneradas estão concentradas em categorias como cuidadoras/es de pessoas idosas e com deficiência. Quem exerce essa função são, em sua maioria, trabalhadoras domésticas, professoras da educação infantil e profissionais da enfermagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O trabalho de cuidados é predominantemente realizado por mulheres que dedicam em média 21,4 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado. Os homens dedicam 11 horas semanais (IBGE, PNAD Contínua).</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os objetivos da PNC</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A Política Nacional de Cuidados está estruturada a partir dos seguintes objetivos permanentes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Reconhecer o cuidado como um direito universal, de quem cuida e de quem precisa ser cuidado.</li>



<li>Promover a corresponsabilidade entre Estado, famílias, setor privado e sociedade civil.</li>



<li>Valorizar o trabalho de cuidado, remunerado ou não, com foco na superação das desigualdades de gênero, raça, classe, etnia e geração.</li>



<li>Ampliar e qualificar a oferta de serviços de cuidado, especialmente para crianças, idosos, pessoas com deficiência e pessoas dependentes.</li>



<li>Estimular a autonomia e a inclusão social das pessoas que necessitam de cuidados.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A Política Nacional de Cuidados orienta-se pelo princípio<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/como-valorizar-o-trabalho-invisivel-de-cuidadores/#sdfootnote3sym"><sup>1</sup></a>&nbsp;da universalidade do cuidado, portanto, como direito de todos. A sua implementação e execução busca a articulação das políticas de educação, saúde, assistência social, trabalho, entre outras, com equidade no acesso, bem como visa garantir a proteção social aos/às cuidadores/as, especialmente mulheres, que hoje realizam majoritariamente esse trabalho de forma não remunerada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O PNC indica que a estratégia de implementação se desenvolverá com:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A criação do “Sistema Nacional de Cuidados”, para articular as ações dos entes federativos (União, Estados e Municípios) e diferentes áreas governamentais.</li>



<li>A ampliação da oferta de serviços públicos de cuidado, como creches, centros de convivência de idosos e serviços de atenção domiciliar.</li>



<li>O reconhecimento e formalização do trabalho de cuidado, com direitos trabalhistas e previdenciários para quem cuida.</li>



<li>Capacitação e valorização dos profissionais do cuidado.</li>



<li>Produção de dados e indicadores sobre a organização social do cuidado, a divisão sexual do trabalho e os impactos nas desigualdades sociais.</li>



<li>A realização de campanhas educativas para conscientizar sobre a importância e a valorização do cuidado, incentivando a divisão igualitária das tarefas de cuidado entre homens e mulheres.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essas diretrizes serão operacionalizadas por meio do Plano Nacional de Cuidados, o principal instrumento de planejamento e execução das ações da política, com metas, prazos e avaliação. Serão criados mecanismos de monitoramento e participação social, como conselhos e conferências.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A visão da Organização Internacional do Trabalho sobre cuidados</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A OIT enfatiza a importância das políticas de cuidados como fundamentais para promover a igualdade de gênero, assegurar direitos trabalhistas e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável. Em seus relatórios e iniciativas, a OIT destaca a necessidade de investimentos significativos em sistemas de cuidados para enfrentar desafios globais relacionados ao trabalho e ao bem-estar social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaca ainda a necessidade de os países investirem em serviços de cuidados e em licenças remuneradas, como maternidade, paternidade e parentais. Um serviço muito interessante que a OIT lançou é o&nbsp;<a href="https://webapps.ilo.org/globalcare/">“Portal Mundial de Políticas de Cuidados”</a>, através do qual é possível analisar e comparar políticas e serviços nacionais relacionados a licenças de cuidado em mais de 180 países.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Outro serviço muito interessante, também disponibilizado gratuitamente pela OIT, é o&nbsp;<a href="https://webapps.ilo.org/globalcare/?language=en#simulator:8">“Simulador de Investimento em Política Pública de Assistência”</a>&nbsp;instrumento que ajuda a calcular os requisitos de investimento, benefícios de emprego e impacto na igualdade de gênero de diferentes políticas de assistência. Segundo a OIT, o Simulador é a maior ferramenta de modelagem de política de atendimento on-line disponível, reunindo dados de mais de 80 países e construído sobre mais de 180 indicadores estatísticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Simulador pode ajudar a criar pacotes de investimento sob medida relacionados a quatro políticas de assistência: licença remunerada relacionada à assistência à infância (maternidade, paternidade e parental), pausas para amamentação, serviços de cuidados e educação na primeira infância e serviços de cuidados a longo prazo.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O desafio</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Reafirma-se com a Política Nacional de Cuidados uma agenda que destaca a necessidade de redistribuir o trabalho de cuidado, que hoje recai de forma desproporcional sobre as mulheres, sobretudo negras e pobres. Um dos desafios é o de qualificar esse trabalho, com boa remuneração e protegido com os direitos trabalhistas, previdenciários e sindicais. Outro desafio é o de estruturar políticas que promovam serviços públicos de cuidado como creches, centros de dia, serviços domiciliares, criando assim milhares de empregos de interesse social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abre-se um campo para a atuação sindical avançar naquilo que já vem sendo construído em termos de organização, pauta e formas de luta. A inovação sindical deverá construir respostas organizativas que agreguem essas trabalhadoras, muitas ocupadas e dispersas em unidades familiares; deverá elaborar propostas para a implementação de políticas públicas vocacionadas para a geração de empregos de interesse social e público; terá que aprimorar a pauta trabalhista para responder aos problemas e anseios específicos dessas trabalhadoras e, por fim, colocar na agenda dos sindicatos a reflexão sobre a partilha de responsabilidades e tarefas de cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Créditos: dglimages/Adobe Stock</p>



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