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	<title>data centers |</title>
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	<title>data centers |</title>
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		<title>Data centers vão exigir muito da já tensionada rede elétrica do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 11:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Instalações de processamento de dados vêm sendo anunciadas em peso no país; maior parte delas exige energia a todo momento, o que pode encarecer conta do consumidor A chegada de vários data centers ao Brasil vai demandar um redobrado esforço dos operadores do sistema elétrico para equilibrar a já tensionada rede do país. De acordo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Instalações de processamento de dados vêm sendo anunciadas em peso no país; maior parte delas exige energia a todo momento, o que pode encarecer conta do consumidor<br><br>A chegada de vários data centers ao Brasil vai demandar um redobrado esforço dos operadores do sistema elétrico para equilibrar a já tensionada rede do país. De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, térmicas a gás natural e mais linhas de transmissão precisarão entrar em funcionamento para atender essa nova demanda por energia, gerando custos adicionais para consumidores.</p>



<p>Para processar informações, os data centers consomem um volume enorme de energia. Para se ter uma ideia, os centros no Ceará anunciados pela ByteDance (dona do TikTok) em conjunto com a Casa dos Ventos e a Omnia no início do mês, por exemplo, devem consumir, quase ininterruptamente, a mesma quantidade de energia necessária para uma cidade de mais de 3 milhões de pessoas.</p>



<p>Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que concede incentivos financeiros para os data centers. De acordo com a indústria, a medida, que deve virar lei até fevereiro, é fundamental para dar viabilidade econômica aos data centers que estão sob análise por reguladores. Juntos, esses centros vão consumir 6 GW (gigawatts) e depois de 2030, o consumo pode ultrapassar 15 GW, conforme novas estruturas vão sendo instaladas.</p>



<p>Por um lado, essa demanda nova de energia é bastante atrativa para as geradoras de energia solar e eólica, que enxergam os data centers como solução para os cortes efetuados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) em suas usinas durante as tardes, quando placas solares e turbinas eólicas produzem mais energia do que o país consegue consumir. Só em outubro essas geradoras viram os prejuízos somarem R$ 1,1 bilhão.</p>



<p>Mas, por outro, se durante o dia a chegada de novas cargas tem o potencial de solucionar os cortes de energia, à noite -quando placas solares param de operar- novas fontes de eletricidade precisarão atender a demanda exigida pelos data centers, o que pode encarecer a conta de luz do brasileiro.</p>



<p>&#8220;Hoje, a operação do sistema elétrico vive dois dilemas; durante o dia, excesso de energia e no início da noite, falta. Então, se você entra com um data center, você resolve o problema durante algumas horas do dia, mas no início da noite vai ser um Deus nos acuda com a operação, porque ele não vai ser desligado&#8221;, diz Victor Hugo Iocca, diretor de energia elétrica da Abrace, associação que representa os grandes consumidores de energia.</p>



<p>Quando as placas solares param de funcionar, os operadores acionam energia térmica, gerada pela queima do gás natural, um processo caro e demorado no Brasil, além de poluente. Essas térmicas são bancadas pelos consumidores de energia. Em termos de comparação, no último leilão de contratação de térmicas, em 2021, cada MWh (megawatt-hora) custou entre R$ 544 e R$ 2.000, enquanto no último de solar e eólica, em 2022, o preço não passou de R$ 180.</p>



<p>Especialistas apontam que, com a entrada de data centers, mais térmicas serão necessárias porque há limites locacionais para a construção de novas hidrelétricas. Além disso, Brasil não conta com sistemas de armazenamento de energia capazes de guardar energia solar e eólica em momentos de excesso e despachar em período de falta.</p>



<p>Na terça-feira (16), o ONS pontuou em seu plano de operação até 2030 que, a depender de como a rede elétrica do país se ajustar nos próximos anos, é possível que a chegada de data centers até piore os níveis dos cortes de energia.</p>



<p>O operador argumenta que, caso sejam incluídas no sistema mais energia intermitente, além de térmicas inflexíveis -que precisam ser acionadas horas antes para entrarem em operação- mais energia será gerada ao longo do dia, o que agrava o excesso de geração de eletricidade durante as tardes.</p>



<p>Na quarta (17), por exemplo, a Casa dos Ventos anunciou que irá construir um parque eólico de quase 900 MW no Piauí para atender data centers.</p>



<p>O funcionamento contínuo dos data centers, que não podem ser desligados, também complica a situação dos operadores. Os que chegam ao Brasil -principalmente de inteligência artificial e serviços para empresas como bancos e streamings- operam 24 horas e não podem reduzir o consumo de energia por dependerem da demanda externa por processamento.</p>



<p>&#8220;O tráfego é em tempo real, então os processadores funcionam quando há movimento na internet&#8221;, diz Roberto Rossi, presidente da Schneider Electric no Brasil, que atua para aumentar a eficiência energética de data centers.</p>



<p>Especialistas dizem que uma forma de incentivar os donos desses data centers a encontrar modelos mais flexíveis é implantar preços dinâmicos no setor de energia. Nesse formato, já adotado em outros países, a energia fica mais cara para grandes consumidores em momentos de escassez e mais barata em períodos de excesso.</p>



<p>&#8220;Esse sinal de preço forçaria o data center a já entrar moderno no sistema&#8221;, diz Victor Hugo Iocca, diretor da Abrace.</p>



<h3 class="wp-block-heading">CUSTOS REPASSADOS AOS CONSUMIDORES</h3>



<p>Consumidores brasileiros pagarão não só pelas térmicas que abastecerão os data centers, mas também pela nova infraestrutura de transmissão. Como a maioria dos projetos está em São Paulo, distante das regiões com excesso de geração, novas linhas precisarão ser construídas.</p>



<p>&#8220;O acesso à rede exige a construção de uma subestação do data center, além de linhas de transmissão e uma subestação da rede, sendo que somos todos nós que pagamos essas últimas duas&#8221;, diz Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).</p>



<p>Especialistas defendem que grandes usuários de energia banquem suas próprias instalações para não onerar os demais consumidores. Nos Estados Unidos, o crescimento desses complexos inflou os preços de energia.</p>



<p>&#8220;Organicamente, os próprios consumidores se beneficiam de uma infraestrutura já existente, mas essa lógica não pode se aplicar a um crescimento inorgânico. Um data center, por exemplo, exige um investimento específico, como o reforço da rede, e isso precisa ser pago pelas grandes cargas e não ser socializado&#8221;, afirma Jerson Kelman, ex-diretor da Aneel e colunista da Folha.</p>



<p>No último dia 8, o governo federal publicou um decreto criando uma espécie de leilão anual dedicado a projetos interessados em se conectar ao sistema em pontos onde não há infraestrutura suficiente. Isso deve retardar a expansão das redes de transmissão, mas não transfere os custos para as empresas.</p>



<p>Fonte: Notícias ao Minuto / © Facebook / Mark Zuckerberg</p>



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<iframe title="O PARTO NÃO TERMINA QUANDO O BEBÊ NASCE" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/QFh3smSzxVA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Data centers: o Brasil se submeterá às big techs?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 May 2025 17:28:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Big Techs]]></category>
		<category><![CDATA[data centers]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há enorme atraso tecnológico a recuperar. Mas proposta do ministério da Fazenda atropela o debate sobre o tema, entrega os dados brasileiros a corporações transnacionais e bloqueia as chances de autonomia em área estratégica Por Antônio Martins &#8211; Quarta, 7 de maio de 2025 Nada como forçar um fato consumado para sepultar um debate promissor. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há enorme atraso tecnológico a recuperar. Mas proposta do ministério da Fazenda atropela o debate sobre o tema, entrega os dados brasileiros a corporações transnacionais e bloqueia as chances de autonomia em área estratégica</p>



<p>Por Antônio Martins &#8211; Quarta, 7 de maio de 2025</p>



<p>Nada como forçar um fato consumado para sepultar um debate promissor. O Brasil acumula um longo atraso no domínio dos dados gerados por sua sociedade e na construção dos data centers necessários para armazená-los, tratá-los e empregá-los em benefício da população. Está em curso, há anos, um debate promissor sobre como recuperar o tempo perdido. No último domingo (4/5), porém, o ministro da Fazenda precipitou um movimento que pode tornar o país ainda mais dependente das big techs e dos Estados Unidos nesse terreno estratégico para a soberania nacional.</p>



<p>Primeiro, o ministro&nbsp;<a href="https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/05/05/haddad-defende-aproximacao-com-eua-faremos-isso-na-administracao-trump.ghtml">avistou-se</a>&nbsp;com um dos assessores mais íntimos de Donald Trump – o bilionário Scott Bessent, secretário do Tesouro. Sustentou que o governo brasileiro está empenhado num esforço de “aproximação” com a Casa Branca, algo jamais enunciado antes por Lula ou pelo chanceler Mauro Vieira. Em seguida, na segunda-feira (5/5), iniciou visitas a executivos das big techs, o oligopólio de megacorporações norte-americanas que domina, no Ocidente, os fluxos da internet e as tecnologias de informação. Esteve com&nbsp;<em>capos&nbsp;</em>da Nvidia, do Google, da Microsoft.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Data Centers: O Brasil sem um plano estratégico – com Sergio Amadeu | Outra Manhã 7.5.2025" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/FnyzgZJHx4Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>Para estimular seus interlocutores, acenou com uma oferta. Alardeou que o Brasil prepara-se para lhes propor, por meio de um programa denominado Redata, isenção total de impostos de importação para os bens necessários a instalar data centers; <em>zero</em> impostos também na exportação de serviços; água e energia fartas e baratas. Ao falar a jornalistas, mais tarde, Haddad mencionou um número místico. Garantiu que as benesses propostas às corporações atrairão investimentos de “2 trilhões de dólares em dez anos”, um número que, como se verá, expressa uma fantasia.</p>



<p>O gesto cortês de Haddad ao governo Trump e às big techs norte-americanas era, porém, uma cotovelada no rosto dos que refletem, no Brasil, sobre o atraso do país no tratamento de seus dados e na construção de data centers. O debate sobre o tema é amplo e antigo. Ressente da falta de canais de diálogo no Estado (inclusive sob Lula). Mas consideram-se soluções de sentido oposto ao enunciado pelo ministro. Elas incluem desenvolvimento autônomo, soberania digital, investimento público.</p>



<p>Há algo ainda mais espantoso. A precipitação de Haddad procura driblar um debate ainda em curso no próprio governo. A ideia de incentivo à construção de data centers&nbsp;<em>não</em>&nbsp;nasceu no Ministério da Fazenda, mas no MDIC — a pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cujo titular é Geraldo Alckmin. Tinha, porém, características muito distintas. Fontes muito próximas do assunto, no governo, descreveram a&nbsp;<em>Outras Palavras&nbsp;</em>como a Fazenda a capturou. De qualquer forma, a decisão está pendente. Lula ainda hesita em assinar o projeto de lei, ou medida provisória, que enviará ao Congresso sobre o tema. Entre outras considerações, há a relação do Brasil com os Brics — vista no governo, ao menos para consumo externo, como geopoliticamente prioritária. O atropelo de Haddad pode significar, segundo as mesmas fontes, a tentativa de encerrar prematuramente a polêmica.</p>



<p><strong>* * *</strong></p>



<p>Estima-se que haja hoje cerca de 11,8 mil data centers no mundo —&nbsp;<a href="https://teletime.com.br/17/07/2024/brasil-e-atrativo-para-data-centers-em-meio-ao-boom-da-ia-indica-santander"><u>pouco menos de 200</u></a>&nbsp;destes, no Brasil. O número deve crescer exponencialmente nos próximos anos. Estas estruturas — enormes construções, cujos corredores podem abrigar dezenas de milhares de computadores (ou “servidores”, no jargão do setor) — concentram-se no hemisfério Norte, como mostra o mapa a seguir. A China, por exemplo, desenvolveu-se tanto quanto os EUA nas tecnologias de informação e comunicação, mas o alcance de suas redes sociais é incomparavelmente menor.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2025/05/Captura-de-tela-de-2025-05-06-06-56-55.jpg" alt="" class="wp-image-3108539"/></figure>



<p>As plataformas de redes sociais e, mais recentemente, os sistemas de inteligência artificial, são enormes devoradores de dados e de data centers. Mas eles são indispensáveis para uma miríade de outras aplicações da vida contemporânea. Quando alguém lê um texto em&nbsp;<em>Outras Palavras&nbsp;</em>ou em qualquer outro site, um “servidor”, quase sempre instalado num data center, é acionado. O mesmo ocorre em qualquer compra online e, mais criticamente, numa movimentação de conta bancária, na reserva de uma passagem de ônibus ou avião, ou no preenchimento de uma declaração do Imposto de Renda. As atividades humanas dependem, e dependerão cada vez mais, de que estas estruturas reajam, com prontidão e o mínimo de falhas possível, a milhões de comandos simultâneos.</p>



<p>Esta prontidão e eficiência têm pelo menos dois preços. Um, no momento, é inevitável. Consomem-se muitos recursos hídricos e energéticos. Um data center médio usa de 11 a 20 milhões de litros d’água por dia, o mesmo que uma cidade de 30 a 50 mil habitantes. Estima-se que os data centers hoje instalados no mundo consumam, em seu conjunto, tanta eletricidade quanto o Japão, a quinta maior economia do planeta. É possível que, com o tempo, a própria tecnologia reduza este ônus. Data centers mais modernos, por exemplo, usam muito menos água. Ao invés de descartá-la, reciclam-na e a reutilizam incessantemente, o que reduz de modo considerável sua pegada ecológica.</p>



<p>A segunda conta a pagar é política — por isso, muito mais grave. Quem controla os data centers&nbsp;<em>exerce controle&nbsp;</em>sobre os dados que neles circulam. Pode capturá-los, processá-los, vendê-los ou manipulá-los. Pode utilizá-los para impor comportamentos sociais, de consumo, eleitorais. Os dados quase infinitos que oferecemos incessantemente, em nossas interações digitais, por certo “sabem” mais sobre nós do que nós mesmos. Podem ser empregados, por um lado, para planejar o crescimento harmônico das cidades, a geração adequada de ocupações ou o descarte e reciclagem ambientalmente corretos do lixo. Mas servem, ao mesmo tempo, para oferecer a cada pessoa, no momento certo, a compra que confortará suas pulsões imediatas (ainda que inteiramente desnecessárias). E para apresentar a cada cidadão a proposta que instigará seus desejos políticos inconscientes, ou aplacará seus medos (resultando em eleições nas quais o espaço público e os temas de interesse coletivo são substituídos pela&nbsp;<em>microssegmentação</em>&nbsp;das mensagens).</p>



<p>O controle sobre os data centers e os dados que neles circulam é exercido de duas maneiras. A propriedade destas estruturas está nas mãos de um oligopólio de corporações norte-americanas. Destacam-se entre elas Microsoft, Google e Amazon Web Services (AWS). Além disso, há leis extraterritoriais. Nos EUA, sobressai o&nbsp;<em>Cloud Act,&nbsp;</em>que permite ao Estado norte-americano requisitar dados que circulem ou estejam armazenados em qualquer empresa com sede no país — esteja o data center no estado da Virgínia, em Varsóvia, no Cairo ou em São Paulo. Foram precisamente estes dois atores políticos (as big techs e o Estado norte-americano) que o ministro Haddad escolheu para seus parceiros preferenciais.</p>



<p><strong>* * *</strong></p>



<p>O grande déficit de data centers no Brasil é um tema debatido há muito por ativistas, programadores e pensadores envolvidos com as tecnologias digitais. Faltam recursos e visão estratégica. Nos últimos anos, foram migrando para estruturas fora do país dados como os das universidades e institutos de pesquisa; os do Judiciário — inclusive relativos às eleições; os da Receita e Previdência; os do IBGE; os do SUS. Instituições públicas tradicionais como o Simpro e a Dataprev estão sendo forçadas a “parcerias” em que, na prática, privatizam seus data centers — quase sempre em favor do trio norte-americano: AWS-Google-Microsoft.</p>



<p>Um primeiro gargalo é financeiro: o aluguel de espaço nos data centers destas empresas é pago em dólares e gera déficit expressivo na balança comercial. Outro, ainda mais grave, é a perda de soberania e capacitação. O Brasil teve, até há poucos anos, uma comunidade vibrante de desenvolvedores de tecnologia de informação e comunicação. Por falta de políticas para o setor, as empresas nacionais — públicas ou privadas — perderam pujança. A grande maioria dos profissionais brasileiros que se mantêm ativos (formados em excelentes universidades públicas no país) foram levados a trabalhar em transnacionais ou em empresas que delas dependem.</p>



<p><strong>* * *</strong></p>



<p>Baseada hoje em parcerias com as big techs norte-americanas e a Casa Branca, a proposta do governo brasileiro para superar o atraso do país em dados e data centers já teve outras configurações. Sua e(in)volução foi relatada a&nbsp;<em>Outras Palavras&nbsp;</em>por pessoas que se envolveram diretamente no processo, mas preferem, por razões óbvias, permanecer no anonimato.</p>



<p>A iniciativa coube ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), de Geraldo Alckmin. É ele o órgão do governo responsável por implementar o projeto de Nova Indústria Brasileira (NIB),&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mcom/pt-br/noticias/2024/janeiro/governo-federal-lanca-nova-industria-brasil">anunciado com alarde por Lula</a>&nbsp;em janeiro de 2024. A Missão 4 da NIB trata de&nbsp;<em>transformação digital.&nbsp;</em>Desenvolver serviços de nuvem é, em princípio, meta prioritária no plano de reconstrução industrial do Brasil.</p>



<p>A proposta original construída pelo MDIC a partir do ano passado incluía o estímulo à entrada de capitais e tecnologia estrangeiros a partir da instalação de novos data centers e da atualização dos já em operação no Brasil. Mas o fazia segundo condições que preservavam a soberania e o desenvolvimento da economia digital do país. Jamais se pensou, por exemplo, em priorizar os EUA. Os dados estratégicos seriam mantidos em data centers públicos, controlados pelo Estado. Havia medidas de simplificação regulatória e a princípios de boas práticas em relação às questões ambientais.</p>



<p>Buscava-se evitar que, nas transformações tecnológicas em curso, o Brasil figurasse apenas como fornecedor de recursos naturais abundantes, dados e incentivos fiscais. Já na proposta original se previu a contrapartida de uma parte da desoneração fosse direcionada para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT) para apoiar projetos de economia digital. Estimulavam-se empresas brasileiras, que já mantêm data centers e oferecem serviços de nuvem (como a Magalu Cloud), pudessem se modernizar.</p>



<p>Abria-se espaço para que milhares de pequenos operadores de internet, inclusive no interior, pudessem implantar seus próprios centros de dados, valorizando mão-de-obra local e gerando riqueza ali mesmo onde os dados são gerados. O mais importante na proposta original era o fomento ao desenvolvimento da cadeia produtiva à montante e à jusante, incluindo fabricantes nacionais de equipamentos, e o financiamento dos diferentes tipos de data centers — não apenas daqueles dedicados à IA, como parece ser o foco do texto atual.</p>



<p>Em certa altura, ainda em 2024, a agenda foi capturada. Transferiu-se a discussão para a Casa Civil, do ministro Rui Costa. Abriu-se espaço para o Ministério da Fazenda. E aí atuaram assessores especiais lotados diretamente no gabinete do ministro. Não fazem parte do quadro regular do órgão. São oriundos de empresas do Vale do Silício.</p>



<p>São ainda desconhecidos os termos exatos do Redata — o programa de incentivos fiscais que o Palácio do Planalto pretende propor ao Congresso. É possível que haja pontos em aberto. Após ter lido minutas recentes, nossa fonte relata: foram limadas as cláusulas que estabeleciam soberania nacional e inovação tecnológica. Surgiu, como resultante, um conjunto de medidas que se limita a oferecer vantagens às big techs norte-americanas, sem exigir contrapartidas.</p>



<p>As estimativas de “investimentos de US$ 2 bilhões” são uma espécie de&nbsp;<em>isca,&nbsp;</em>um chute fantasioso, para o qual não foi apresentado — porque parece não haver —&nbsp;<em>nenhum&nbsp;</em>estudo relevante. A suposta economia de dólares não foi quantificada adequadamente. Haverá menos gasto com aluguel de espaço nos data centers, é verdade. Em contrapartida, o país importará maciçamente chips (que permanecerão sob controle das big techs). E as empresas remeterão lucros ao exterior. Também não surgiu, ao menos até o momento, nenhuma avaliação que pese os prós e contras na balança de transações externas.</p>



<p>A capacidade de geração de empregos dos data centers é pouquíssimo expressiva. São cerca de cem profissionais, numa estrutura de dimensões médias. Faltam até mesmo estudos acerca do possível impacto sobre as fontes de água e energia, nos locais em que forem instalados data centers. Há poucas semanas, por sinal, o Operador Nacional do Sistema Elético (ONS)&nbsp;<a href="https://convergenciadigital.com.br/governo/ons-admite-fila-e-recusa-a-novos-pedidos-de-data-centers-no-nordeste-e-em-sao-paulo/">alertou</a>&nbsp;que diversas regiões do país não são capazes de suportar estas estruturas sem comprometer o abastecimento de seus habitantes e empresas.</p>



<p><strong>* * *</strong></p>



<p>Feita de maneira torta e tardia, a revelação da existência do Redata joga mais luz sobre os limites de Lula 3 e o cenário brasileiro. O governo parece pouco propenso a abrir o debate sobre os grandes temas nacionais — mesmo quando há, como é o caso, vasto acúmulo entre pensadores, ativistas e profissionais da área. Prefere entender-se, na frieza dos gabinetes, com os peso-pesados que capturam a riqueza nacional, ou com as bancadas fisiológicas do Congresso.</p>



<p>Ainda assim, é possível agir. O projeto que dará institucionalidade ao Renova e o remeterá ao Congresso Nacional ainda não foi apresentado. Torná-lo conhecido, combater suas concessões inaceitáveis e, eventualmente, conquistar alguma vitória parcial durante a tramitação no Legislativo é possível.</p>



<p>Mais árduas são as tarefas de sondar os caminhos para a soberania digital do Brasil e, de forma mais ampla, a reconstrução nacional em novas bases. Para isso, será preciso formar consciência e organização novas, e acumular, pacientemente, força política. Não é trabalho que caiba neste governo, nem no imediatismo dos calendários eleitorais.</p>



<p>Fonte: Outras Palavras / Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil<br></p>



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<iframe title="ADOLESCÊNCIA:A SAÚDE MENTAL COMO ESPELHO DOS DESAFIOS DA VIDA MODERNA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Ug1LhMBdL34?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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