<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>diz diretor de consultoria internacional |</title>
	<atom:link href="https://ipiracity.com/tag/diz-diretor-de-consultoria-internacional/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 03 Aug 2022 15:21:37 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0</generator>

<image>
	<url>https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2020/07/cropped-icon-32x32.png</url>
	<title>diz diretor de consultoria internacional |</title>
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>&#8216;Risco de ruptura democrática no Brasil está sendo exagerado&#8217;, diz diretor de consultoria internacional</title>
		<link>https://ipiracity.com/risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional</link>
					<comments>https://ipiracity.com/risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Aug 2022 15:21:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[diz diretor de consultoria internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Risco de ruptura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=58505</guid>

					<description><![CDATA[<p>O risco de ruptura democrática no Brasil está sendo exagerado, mas cresce a probabilidade de um evento como a invasão do Capitólio no país, avalia Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da Eurasia, uma das principais consultorias de avaliação de riscos políticos do mundo A invasão do Capitólio aconteceu em 6 de janeiro de [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional/">‘Risco de ruptura democrática no Brasil está sendo exagerado’, diz diretor de consultoria internacional</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O risco de ruptura democrática no Brasil está sendo exagerado, mas cresce a probabilidade de um evento como a invasão do Capitólio no país, avalia Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da Eurasia, uma das principais consultorias de avaliação de riscos políticos do mundo</p>



<p class="wp-block-paragraph">A invasão do Capitólio aconteceu em 6 de janeiro de 2021, quando partidários do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram à força no Congresso americano. Eles protestavam contra o resultado da eleição presidencial que deu a vitória ao democrata Joe Biden, a partir de falsas alegações de Trump de que teriam acontecido fraudes no processo de votação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o cientista político da Eurasia, dois fatores tornam improvável uma ruptura da democracia no Brasil: a baixa centralização de poder político nas mãos do Executivo e a reduzida propensão dos militares a tomarem uma posição que pode enfraquecer a instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garman, porém, observa com preocupação o que considera uma dispersão sem precedentes nas pesquisas eleitorais, com pesquisas como Datafolha mostrando Lula à frente com 23 pontos de vantagem num eventual segundo turno, enquanto pesquisa Modalmais dá apenas 7 pontos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como é esperado que Lula perca parte de sua vantagem com o início oficial da campanha eleitoral, o diretor da Eurasia avalia que isso pode resultar em algumas pesquisas mostrando Bolsonaro empatado ou até ligeiramente à frente nas intenções de voto para o segundo turno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A diferença entre algumas pesquisas e o resultado nas urnas pode validar a visão da base bolsonarista de que houve fraude. E então pode haver eventos como greve de caminhoneiros, algo como o 6 de janeiro americano e manifestações, mas que tendem a se dissipar&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não é um risco ao resultado das urnas, mas uma preocupação ao longo do tempo, porque nunca é saudável, em qualquer democracia, ter 25% da população achando que a eleição foi roubada. Estamos vendo isso nos Estados Unidos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Garman destaca ainda que um eventual governo Lula deve ter &#8220;lua de mel&#8221; curta e baixas taxas de aprovação, a exemplo do que vem acontecendo em outros países da América Latina, como Chile, Peru e Colômbia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Veja o caso de Gabriel Boric, no Chile. Ele foi eleito recentemente e a taxa de aprovação dele está menor do que a do Bolsonaro agora&#8221;, observa Garman.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o cientista político, isso significa que a atual &#8220;onda rosa&#8221; da América do Sul, com uma guinada à esquerda nos resultados de várias das eleições recentes, pode ter vida curta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;No fundo, essa guinada à esquerda não é um desejo da população a favor da esquerda. É desejo de mudança&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A direita e a centro-direita estavam mais no poder nesse ciclo eleitoral. Agora, a esquerda chegando ao poder, vai sofrer com os mesmos fatores que levaram à queda dos governos de direita e centro-direita. É um ambiente muito difícil de governabilidade, isso é estrutural.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/1AB7/production/_125993860_garman.png" alt="Christopher Garman"/><figcaption>Legenda da foto,&#8217;Nunca é saudável, em qualquer democracia, ter 25% da população achando que a eleição foi roubada&#8217;, diz Garman, da Eurasia</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Confira abaixo os principais trechos da entrevista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BBC News Brasil &#8211; Na sua análise mais recente sobre as eleições brasileiras, o senhor reduziu a chance de vitória do ex-presidente Lula de 70% para 65% e elevou as chances de Bolsonaro a 30%. Por que o senhor avalia que Bolsonaro chega mais forte às eleições?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cristopher Garman &#8211;</strong>&nbsp;Foi um acúmulo de fatores. Cada um deles, individualmente, nós não achávamos que eram suficientes para mudar nossas probabilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por exemplo, a &#8220;PEC das Bondades&#8221; [pacote aprovado pelo Congresso que inclui aumento do Auxílio Brasil, do Auxílio Gás e um voucher para caminhoneiros, entre outras medidas], olhando o tempo que demora entre criar um novo benefício e ele ter impacto na taxa de aprovação do presidente — o que demora uns 100 dias, olhando 2020 ou 2021 como referência —, nós achávamos que isso, por si só, não mudava as probabilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também não achávamos que um cenário econômico que está sendo revisado para cima, para melhor, repetidamente ao longo dos últimos quatro meses era suficiente. Tampouco o respiro na inflação com a redução de preços da gasolina, por si só, era suficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas chegamos à conclusão de que é o acúmulo desses três fatores: uma economia performando melhor, com retomada do mercado de trabalho; um alívio da inflação nesse próximo mês com as medidas do governo; e também a PEC das Bondades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso tudo sugere que o presidente tende a entrar nessa disputa um pouco mais forte. Já estamos vendo isso nas taxas de aprovação de Bolsonaro, que estão subindo um pouquinho olhando a média de todas as pesquisas, com a taxa de aprovação chegando a 37%, 38%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As intenções de voto não estão mudando tanto, mas isso é um indicador prévio de que ele entra mais forte na campanha. É um ajuste modesto, a estrutura da campanha não muda, ainda achamos que Bolsonaro tem um déficit no grande tema dessa eleição, que é a economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas devemos entrar num ciclo em que muitos analistas e também o mercado financeiro vão superestimar as chances do Bolsonaro nessa disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;</strong>&nbsp;Não muda nada, isso é ruído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É claro que essa reunião não ajuda em nada a imagem brasileira no exterior. E é um sinal de que podemos ter um ruído pós eleição ou entre o primeiro e o segundo turno. Mas temos que lembrar que vivemos num ambiente de opinião pública de grande desconfiança contra o chamado &#8220;sistema&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/16FF/production/_125978850_4803aafd-0c85-4a7d-ab6e-97590175e251.jpg" alt="Jair Bolsonaro"/><figcaption>Legenda da foto,Garman acredita que aprovação de Bolsonaro subirá nos próximos meses</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A credibilidade do Judiciário, do Congresso, das lideranças políticas, da mídia está em baixa. Pelas mensurações, o grau de confiança é baixo no Brasil. Então, bater no voto eletrônico, perante a opinião pública, não é um tema que realmente gera um desagrado muito grande.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande preocupação da massa de eleitores, que vai decidir a eleição, é a economia. E se a economia está um pouco mais forte, isso acaba falando mais alto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">BBC News Brasil &#8211; Chama a atenção que, no modelo de predição de chances de reeleição da Ipsos, utilizado pela Eurasia, com uma aprovação de 35%, a chance de vitória do incumbente é de 36%. Mas com uma aprovação de 40%, essa chance de vitória salta para 58%. Você vê chance de a aprovação de Bolsonaro furar o teto dos 40% e ter essa virada na probabilidade dele de vitória?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;</strong>&nbsp;A média de aprovação de Bolsonaro está hoje em 37%, 38%. Então, se você pegar esse modelo de chance de reeleição, que é um banco de dados compilado pela Ipsos Public Affairs, de 30 anos e que leva em conta mais de 300 eleições mundo afora, o Bolsonaro deveria ter chances de se eleger um pouco acima de 40%.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/11AF7/production/_125993427_thumbnail_att00010.png" alt="Tabela mostra modelo da Ipsos de chance de reeleição do presidente em exercício, de acordo com a taxa de aprovação"/><figcaption>Legenda da foto,Tabela mostra modelo da Ipsos de chance de reeleição do presidente em exercício, de acordo com a taxa de aprovação</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Eu acredito que essa aprovação dele vai subir mais nesse próximo mês com as medidas adotadas pelo governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é preciso fazer duas ressalvas importantes. A primeira é que esse modelo pega a taxa de aprovação antes da campanha, não durante a campanha. Então não é um modelo que, a cada aumento de aprovação do governo até o até o dia da eleição, a probabilidade [de reeleição] dele aumenta. Em tese, você deveria pegar a taxa de aprovação hoje e fechar a lojinha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ponto número dois é que não utilizamos esse modelo de forma isolada. Pegamos modelos de previsão eleitorais distintos para chegar a uma probabilidade mais consolidada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, se esse modelo daria uma chance de o presidente se reeleger de 40 e poucos por cento, outro modelo diz que o candidato mais forte no principal tema da campanha ganha em 85% dos casos. O grande tema dessa eleição é economia e nos parece que o presidente está fraco nesse tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou dar um exemplo: eleição americana. Donald Trump estava com uma taxa de aprovação de 42% e perdeu por 5 pontos percentuais contra Biden. Porque o grande tema da eleição era a covid-19 e Trump ia mal no principal tema. Então é preciso considerar a mescla dos dois modelos para chegar a um número [de probabilidade de reeleição].</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Quais são os desafios para as principais candidaturas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Acredito que o Planalto está agindo corretamente, está focando no tema da economia, quase exclusivamente. Não está focando no tema da corrupção como um diferencial com Lula — embora seja claro que vai fazer isso ao longo da campanha, mas eles sabem que a preocupação com corrupção é muito menor hoje do que era há quatro anos atrás</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o presidente está fazendo o que pode, mas nossa avaliação é que há um buraco grande, difícil de superar. Até porque, se a situação econômica deteriora ao longo dos últimos três anos, uma melhora na reta final da campanha dificilmente vira o jogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então o desafio do Bolsonaro é fazer um marketing dessas melhoras e ter uma campanha negativa bem-sucedida contra o ex-presidente Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele deve tentar minar a credibilidade do Lula no tema econômico, usando a questão da corrupção. Tentar associar que os escândalos de corrupção estão ligados ao desastre econômico no Brasil e por isso não se pode confiar em Lula para manejar a economia num momento difícil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então a combinação de vender o peixe do que o governo entregou na economia de um lado, e tentar desmontar o Lula do outro, esse é o desafio do Bolsonaro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; E quanto ao desafio de Lula?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;</strong>&nbsp;O desafio do Lula será explorar a vantagem que ele tem na economia. Eu brinco que quem vai copiar o Trump nessa eleição não é o Bolsonaro, é o Lula. A mensagem central da campanha é &#8220;Make Brasil great again&#8221; [&#8220;Vamos tornar o Brasil grande de novo&#8221;, uma referência ao slogan da campanha de Trump em 2016, &#8220;Make America great again&#8221;].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então ele vai dizer ao eleitor, &#8220;quando eu era presidente, você podia ir ao mercado comprar picanha, agora você só consegue comprar ovo&#8221;. Vai lembrar que as condições de vida eram melhores lá atrás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mote da campanha de Lula vai ser aprofundar essa mensagem e tentar reduzir os danos com relação à corrupção, porque essa é uma vulnerabilidade pela qual ele vai ser atacado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a &#8220;gordura&#8221; que o Lula tem [nas intenções de voto], deve diminuir um pouco na campanha. A gente está esperando isso. Então ele deve usar um discurso de &#8220;união nacional&#8221; para tentar reduzir esse flanco e martelar no tema da economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Bolsonaro talvez tente deslocar o tema central da campanha da economia para a pauta de costumes, corrupção e segurança, que é um território mais favorável para ele. Então parte da campanha será definir qual vai ser o debate central. Mas, olhando hoje, as vulnerabilidades do Bolsonaro são bem maiores do que as do Lula, na nossa visão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se errarmos, é porque estamos subestimando o ganho relativo econômico esse ano e as vulnerabilidades do Lula em termos da sua imagem eleitoral.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/027B/production/_124353600_4e636fcf-043e-4d8a-a41d-5cd6d7fb6e79.jpg" alt="Luiz Inácio Lula da Silva"/><figcaption>Legenda da foto,Desafio de Lula será explorar a vantagem que ele tem na economia, diz Garman</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Para a terceira via, quais são os desafios e por que ela não conseguiu se consolidar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Sempre argumentamos que a grande maioria dos analistas estava colocando mal a pergunta sobre a terceira via. A terceira via não dependia da união em torno de um nome ou de um nome específico. O que a terceira via não tinha é espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Construímos um banco de dados de 226 eleições, com sistemas de dois turnos e onde o Executivo concorre à reeleição. Consideramos eleições na Europa, América Latina, África, Ásia e também eleições estaduais e municipais no Brasil. E vimos que em só 7% dos casos um governante concorrendo à reeleição não chega no segundo turno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também vimos que, entre governantes que têm uma taxa de aprovação acima de 30%, é muito difícil não chegar. Quando tem um governante com taxa de aprovação ótimo/boa abaixo de 20%, aí corre grande risco. Em metade dos casos, esse governante não chega no segundo turno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, no fundo, a grande variável para a terceira via não era o nome, era o grau de fragilidade do Bolsonaro. Na medida em que a aprovação do Bolsonaro foi subindo ao longo desse ano, fomos reduzindo a chance da terceira via chegar no segundo turno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Iniciamos o ano com probabilidade de 20% de um candidato da terceira via chegar [ao segundo turno]. Mas essa probabilidade foi reduzida para 5%, à medida que a aprovação do presidente foi subindo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque o Lula tem vaga quase garantida, dado os 30% de [eleitores que se dizem] petistas nessa eleição. Então a terceira via só teria chance se o Bolsonaro se enfraquecesse mais e o oposto ocorreu. Então se é [Simone] Tebet, Eduardo Leite, não importa.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/167F5/production/_125994129_toalha-simone-tebet.png" alt="Camelô vende toalhas com estampas de Lula, Bolsonaro e Simone Tebet"/><figcaption>Legenda da foto,&#8217;Terceira via não dependia da união em torno de um nome ou de um nome específico. O que a terceira via não tinha é espaço&#8217;, diz Garman</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por que o senhor avalia que a chance de uma ruptura democrática no Brasil segue baixa, mesmo após a reunião de Bolsonaro com os diplomatas e a escalada retórica dele em termos de ameaças à democracia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Geralmente rupturas democráticas acontecem em dois contextos. Em sistemas políticos que têm uma centralização de poderes na mão do Executivo maior. E também em contextos em que o Executivo e a liderança estão mais fortes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Creio que nenhuma dessas condições estão dadas no Brasil. O país tem um sistema político capilarizado, com múltiplos pontos de veto. Se você comparar com outros sistemas democráticos em mercados emergentes, é um sistema político que tem o poder do Executivo muito restrito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Congresso é independente e difícil de construir maioria. O Judiciário e o Ministério Público são independentes. Tem uma mídia muito atuante, um sistema federativo muito descentralizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fundo, todo esse ruído é porque o presidente tem grandes restrições para sua atuação. E ele foi eleito numa plataforma contra vários desses atores, devido ao grau de desconfiança crônica que eles têm perante a opinião pública. O presidente atua nessa desconfiança. Então eu vejo o tensionamento atual até como um sinal de robustez institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; E quanto a um eventual apoio dos militares?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Olhando especificamente para os militares, acredito que existem sim generais, principalmente os palacianos, que compraram as dores do presidente, acreditando que os tribunais não estão agindo de forma imparcial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas isso não quer dizer que eles vão querer desrespeitar o resultado das urnas, sem evidência clara de fraude. Acredito que os militares vão estar muito reticentes de tomar uma posição que pode enfraquecer a instituição. O desejo de preservação da instituição vai falar mais alto. E toda a classe política também tende a dar apoio ao novo presidente que for eleito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acredito ser muito difícil ter uma ruptura. Esse risco está sendo exagerado. O que nos preocupa é um evento como o 6 de janeiro [data da invasão do Capitólio por seguidores de Donald Trump inconformados com a derrota do ex-presidente americano por Biden].</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; O senhor também tem expressado uma preocupação com as pesquisas eleitorais recentes. Por quê?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Nos preocupa que as pesquisas de opinião mostram um grau de dispersão inédito. O Datafolha, por exemplo, mostra Lula à frente com 23 pontos de vantagem [no cenário de segundo turno], enquanto a Modalmais dá apenas 7 pontos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se hoje a média das pesquisas dá a Lula uma vantagem de 15 pontos sobre Bolsonaro no segundo turno, e isso mais à frente cai a 7 ou 8 pontos, o que nos parece razoável, você pode ter pesquisas mostrando Bolsonaro empatado ou até ligeiramente à frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença entre algumas pesquisas e o resultado nas urnas pode validar a visão da base bolsonarista de que houve fraude. Então pode haver eventos como greve de caminhoneiros, algo como o 6 de janeiro americano e manifestações, mas que tendem a se dissipar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é um risco ao resultado das urnas, mas uma preocupação ao longo do tempo, porque nunca é saudável, em qualquer democracia, ter 25% da população achando que a eleição foi roubada. Estamos vendo isso nos Estados Unidos. Isso gera efeitos políticos lá na frente.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/2444/production/_125348290_riot4.jpg" alt="Apoiadores de Trump invadem Congresso americano"/><figcaption>Legenda da foto,Invasão do Capitólio em janeiro de 2021 deixou mortos e feridos</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Quais são os efeitos de ter uma parcela da população descrente do resultado das eleições?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;</strong>&nbsp;Deixa a oposição mais virulenta. E a polarização da opinião pública tende a contaminar o Congresso. Vai ter alas bolsonaristas em vários partidos que não vão querer trabalhar com um governo Lula, então a capacidade de o Centrão entregar votos é menor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não acho que a democracia está em risco, mas quando você tem atores mais distantes, tem menos capacidade de diálogo e condições de governabilidade mais difíceis</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/1739D/production/_120433159_2destituiostf.jpg" alt="Num cartaz em inglês, manifestante pede a destituição dos ministros do STF no protesto em São Paulo"/><figcaption>Legenda da foto,Polarização da opinião pública tende a contaminar o Congresso, avalia Garman</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é um fenômeno que estamos vendo na América Latina inteira. Essa desconfiança crônica não está só no Brasil, está no Chile, no Peru, na Colômbia. É um ambiente de &#8220;lua de mel&#8221; curta e taxas de aprovação mais baixas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Veja o caso de Gabriel Boric, no Chile. Ele foi eleito recentemente e a taxa de aprovação dele está menor do que a do Bolsonaro agora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Isso pode significar que essa &#8220;onda rosa&#8221; da América do Sul, essa guinada à esquerda em diversos países, pode ter vida curta?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;&nbsp;</strong>Sim. Acredito que estamos num ambiente onde a capacidade de um governante ir bem perante a opinião pública é estruturalmente baixa. No fundo, essa guinada à esquerda não é um desejo da população a favor da esquerda. É desejo de mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A direita e a centro-direita estavam mais no poder nesse ciclo eleitoral. Agora, a esquerda chegando ao poder, vai sofrer com os mesmos fatores que levaram à queda dos governos de direita e centro-direita. É um ambiente muito difícil de governabilidade, isso é estrutural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já víamos isso antes da pandemia. Taxas de aprovação menores, desejo de mudança, desconfiança crônica. A pandemia, com o choque inflacionário, exacerbou essa revolta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos analistas dizem que a eleição de 2018 foi atípica e que os eleitores estão agora se voltando dos&nbsp;<em>outsiders</em>&nbsp;para candidatos com mais experiência. Mas esse diagnóstico não podia estar mais errado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os fatores de desconfiança que levaram à eleição do Bolsonaro foram aprofundados. O que nós temos são duas candidaturas com credenciais contra o&nbsp;<em>establishment</em>. Bolsonaro de um lado, e Lula dizendo que foi colocado na prisão por causa dos ricos e poderosos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então veja que a questão não é&nbsp;<em>outsider&nbsp;</em>ou&nbsp;<em>insider</em>, mas candidaturas com credenciais contra o&nbsp;<em>establishment</em>. O desejo contra o&nbsp;<em>establishment</em>&nbsp;só se aprofundou, não amenizou. 2018 é o novo normal, não é um ponto fora da curva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por fim, como o senhor vê as chances de um ataque violento contra Lula ou Bolsonaro e o que isso poderia representar para a corrida eleitoral?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Garman &#8211;</strong>&nbsp;É muito difícil colocar probabilidades para isso, é um tipo de evento de risco de cauda [com probabilidade muito baixa de acontecer]. Mas quase aconteceu com Bolsonaro quatro anos atrás, então eu diria que esse risco está presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se um desastre acontecer para qualquer um dos lados, a tendência é de reforçar a candidatura que substituir qualquer um dos dois. Então o jogo pode mudar mais se o Bolsonaro sofrer um atentado, porque ele está atrás.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8211; Texto originalmente publicado em </em><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62246930">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62246930</a></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/06/par.jpg" alt="" class="wp-image-53194"/></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional/">‘Risco de ruptura democrática no Brasil está sendo exagerado’, diz diretor de consultoria internacional</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/risco-de-ruptura-democratica-no-brasil-esta-sendo-exagerado-diz-diretor-de-consultoria-internacional/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
