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	<title>drama |</title>
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	<title>drama |</title>
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		<title>Reflexos </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 03:14:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Angela Monize &#8211; Sábado, 39 de maio de 2026 Essa semana, ouvi alguém muito admirável dizer que iria desistir de um sonho. minha percepção foi de que ela não gostaria de desistir no fim das contas, apenas interromper o barulho de alguns outros sentimentos gritantes por alguns minutos. de alguma forma, aquilo ficou em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Angela Monize &#8211; Sábado, 39 de maio de 2026</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa semana, ouvi alguém muito admirável dizer que iria desistir de um sonho. minha percepção foi de que ela não gostaria de desistir no fim das contas, apenas interromper o barulho de alguns outros sentimentos gritantes por alguns minutos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">de alguma forma, aquilo ficou em mim…</p>



<p class="wp-block-paragraph">por que as pessoas pensam em desistir de um sonho!? por que existem noites em que o mundo inteiro parece excessivamente aceso e outras noites em que nem a lua brilha!?</p>



<p class="wp-block-paragraph">As avenidas brilhando depois da meia-noite, os apartamentos iluminados como pequenas vidas expostas em vitrines, os carros atravessando a cidade como se todos estivessem fugindo de alguma coisa que nunca alcançam completamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">e no meio disso tudo, alguém me confessou o desejo de desistir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não de maneira dramática. Isso seria mais fácil de compreender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi algo dito com um sorriso no rosto e emoção no olhar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como alguém que já cansado, não quer carregar os próprios pensamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E então, eu, logo eu, meu Deus, a Ângela!!! respondi imediatamente algo contrário: “não, você não pode desistir! você é demais fazendo isso!!!”</p>



<p class="wp-block-paragraph">De fato, eu nunca aprendi a dizer para alguém desistir de si. Nem quero. Nem seria eu…</p>



<p class="wp-block-paragraph">mas quando o corpo inteiro começa a falhar emocionalmente, como proceder!? como proceder ao escárnio!? quais tentativas temos e em qual balança pesar!?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que o verdadeiro esgotamento nasce quando a vida perde profundidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando os dias começam a parecer cenas repetidas de um longo filme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mesmo despertador. as mesmas notificações. os mesmos trajetos. os lutos diários. as perdas. As mesmas pessoas dizendo “vai passar” como quem joga um cobertor fino sobre um incêndio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Vai arder mais, você não entende!? Vai incendiar a casa, as coisas, os brilhos, as pessoas…</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ar ficará cada vez mais rarefeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cinematograficamente bonito. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E ao mesmo tempo constrangedor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É como um escrito na madrugada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algo que não exige explicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Receber rosas, talvez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ganhar uma carta escrita à mão. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma fotografia qualquer onde dois corpos apenas permanecem próximos sem precisar transformar aquilo em qualquer definição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A luz dourada atravessando nossas pernas como fim de tarde em película antiga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O chão metálico refletindo uma frieza bonita, urbana e comportada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu penso no quanto algumas coisas ainda conseguem impedir a queda completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma música específica tocando dentro do carro numa rua vazia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O som do salto encontrando o chão enquanto alguém acompanha teus passos sem acelerar os próprios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cheiro de chuva preso numa roupa. o cheiro do perfume e da chuva presos numa roupa…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoas que fazem a vida parecer menos hostil. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O visor do celular acendendo de madrugada com uma mensagem inesperada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O pequeno intervalo entre uma risada e outra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque talvez desistir tenha relação direta com esquecer que ainda existem detalhes capazes de sustentar a nossa permanência ali. em qualquer sonho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">e eu sei…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem dias em que o espelho se torna cruel, os sonhos parecem distantes demais da pessoa que somos no presente, dias em que o corpo fica cansado antes mesmo da manhã começar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas ainda assim, pensar na possibilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo depois do excesso, depois do choro engolido, depois de olhar para o próprio futuro como quem olha uma janela fechada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abrir a janela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Criar estratégias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desarmar o medo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chamar a coragem para tomar um café.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pedir uma pausa, talvez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas… enfim…</p>



<p class="wp-block-paragraph">Continuar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A grande arte, extremamente delicada, que é a vida.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/reflexos/">Reflexos </a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O drama dos brigadistas na maior temporada de fogo em 14 anos: &#8216;Nossa vida não vale nada&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 12:29:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Brigadistas]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[incêndios florestais]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia 25 de agosto, uma brigada de combate a&#160;incêndios florestais&#160;combatia uma queimada na Terra Indígena Capoto/Jarina, em&#160;Mato Grosso, como de costume. Habitada por indígenas de seis etnias, a área é uma das mais preservadas da região do Xingu e vem sofrendo com o aumento alarmante no número de focos de incêndio. Muitos deles são [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leandro Prazeres</strong></li>



<li><strong>Da BBC News Brasil em Brasília</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 25 de agosto, uma brigada de combate a&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgr220vwzgo">incêndios florestais</a>&nbsp;combatia uma queimada na Terra Indígena Capoto/Jarina, em&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c5qvpqyqw03t">Mato Grosso</a>, como de costume.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Habitada por indígenas de seis etnias, a área é uma das mais preservadas da região do Xingu e vem sofrendo com o aumento alarmante no número de focos de incêndio. Muitos deles são originados nas fazendas que cercam a área.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em determinado momento, a equipe que estava em campo retornou para a base. Todos voltaram, exceto um: Uellinton Lopes dos Santos, de 39 anos de idade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu corpo foi encontrado no dia seguinte. Carbonizado em meio à floresta seca e destruída.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Santos era considerado um brigadista experiente por seus colegas. Desde 2014, ele já atuava na área. Em uma nota, o presidente <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cpzd4zx0272t">Luiz Inácio Lula da Silva (PT)</a>, disse que a morte de Santos causava &#8220;grande tristeza e indignação&#8221;. O petista o chamou de &#8220;herói&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A 1,5 mil quilômetros de distância dali, em Porto Velho (RO), um chefe de brigada do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Eliab Caldeira, 41, refletia em tom de indignação sobre as engrenagens do fogo no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;(Nossa) vida não vale nada, né? Para a pessoa que coloca fogo e que muitas vezes está abrindo uma pastagem, derrubando a floresta para colocar pasto [&#8230;] essa pessoa não se importa com ninguém&#8221;, disse Caldeira à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As circunstâncias exatas da morte de Santos ainda não foram totalmente esclarecidas. Não se sabe o que ou quem deu origem ao incêndio que o matou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua morte, no entanto, lançou luz sobre a dimensão humana de um quadro preocupante: o&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x0dgjyl74o">Brasil vive a maior onda de incêndios florestais em 14 anos</a>. Dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que, até domingo (15/9), o país tinha registrado 184.363 focos de incêndio, um aumento de 104% em relação ao ano passado e o maior número desde 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo federal atribuiu os números à combinação de seca extrema pela qual o país passa com a ação criminosa de grileiros e fazendeiros que estariam utilizando o fogo para abrir pastagens em áreas de floresta ou já ocupadas pela agropecuária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como resultado de tanto fogo, uma grande parte do território nacional passou a conviver com espessas nuvens de fumaça tóxica carregadas de fuligem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cidades como São Paulo e Porto Velho passaram a ser apontadas como as que tinham a pior qualidade do ar, de acordo com sites que monitoram esse indicador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de a crise ter ganhado mais visibilidade após chegar a Estados como São Paulo, é no interior do Brasil que a situação é mais dramática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E é lá que se encontra a maior parte dos responsáveis pelo combate direto ao fogo: os brigadistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao todo, o Brasil conta com 3.299 brigadistas federais vinculados ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O número é o maior já registrado, mas ainda assim parece insuficiente para conter a crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na última semana, a BBC News Brasil entrevistou homens e mulheres que fazem parte dessas equipes e que contaram como estão enfrentando o que, para muitos, é a pior temporada de incêndios que já viveram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os brigadistas relataram jornadas de mais de 10 horas de trabalho, labaredas com até 20 metros de altura, ventos de até 60km/hora, temperaturas que podem chegar a 1.000 graus Celsius, medo da morte e tristeza com o que classificam como &#8220;ambição&#8221; e falta de empatia daqueles que ateiam fogo à natureza sem se importar com as vidas daqueles que tentarão combater a tragédia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Fogo-na-aldeia">Fogo na aldeia</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Kanã Waurá, 20, é uma brigadista indígena das etnias Kayapó e Waurá. Ela vive na Terra Indígena Capoto-Jarina, em&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c5qvpqyqw03t">Mato Grosso</a>, a mesma onde Santos morreu em ação. Como o caso ainda está sob investigação, ela disse à BBC News Brasil preferir não se manifestar sobre o assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela é chefe de brigada há um ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de liderar sua equipe, ela também auxilia na linha de frente do combate aos focos de incêndio que atingem sua terra. Apesar da pouca experiência, ela diz confiar nos relatos dos anciãos sobre o fato de que, neste ano, algo está diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A situação é extrema. Estamos na pior temporada de fogo [&#8230;] os mais velhos também nos dizem que eles nunca viram tanto fogo assim no nosso território. Eles estão preocupados assim como a gente&#8221;, disse a brigadista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos fatores apontados por cientistas e pelos brigadistas para explicar a voracidade da temporada de fogo neste ano é a estiagem severa pela qual o Brasil passa neste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que pelo menos 59% do território brasileiro experimenta algum nível de seca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de chuva não impacta apenas na redução do volume dos rios de regiões como a&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c2dwqd8g290t">Amazônia</a>,&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/ckqn46mp3e7t">Cerrado</a>&nbsp;ou&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9811vnljnjo">Pantanal</a>, que vêm registrando mínimas históricas para o período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo brigadistas, a estiagem aumenta também a quantidade de matéria seca pronta para pegar fogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tem muito material acumulado. É vegetação seca, capim e arbustos. Esses locais, geralmente, são próximos a aldeias que têm casas de indígenas próximas. Isso é preocupante porque o fogo é muito rápido&#8221;, disse a supervisora de brigada Anielle Faccin, que é supervisora de duas brigadas lotadas no Pará, o segundo Estado com o maior número de queimadas no Brasil, com 31,9 mil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kanã conta que a rotina dos brigadistas que atuam em sua área começava cedo com uma rodada de exercícios físicos para manter o preparo do seu time. Ela afirma, no entanto, que após a intensificação dos incêndios, essa etapa não vem sendo feita devido à urgência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pela manhã, ela relatou, a brigada recebe informes das chefias localizadas em outras cidades da região ou em Brasília e também dos próprios moradores da terra indígena. É com base nessas informações que a sua equipe define qual vai ser o incêndio a ser enfrentado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kanã é uma das responsáveis por decidir para onde sua equipe irá. Eventualmente, ela também vai para a linha de frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi numa dessas incursões que ela passou por um dos seus momentos mais tensos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Encurralados-pelo-fogo">Encurralados pelo fogo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ela disse que acompanhava uma equipe de brigadistas para enfrentar um incêndio para impedir que ele ficasse maior e ameaçasse uma das aldeias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os brigadistas caminhavam em linha para tentar cercar o fogo e evitar que ele se alastrasse. Uma dupla foi na frente, outra parte da equipe ficou no meio e Kanã ficou atrás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De repente, ela contou, o vento mudou de direção e o fogo passou avançar sobre a posição em que os brigadistas estavam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A ordem foi para bater em retirada. Do meio pro final (da linha), a gente conseguiu. Só que tinha um grupo mais a frente e eles ficaram em situação de perigo. O fogo tinha pulado em direção à linha deles e estava avançando&#8221;, disse Kanã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quase encurralados pelo fogo, a ordem para o grupo mudou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em vez de recuar, a ordem foi para que eles avançassem em direção a uma estrada. Foi tão perigoso que eles deixaram até os equipamentos para trás&#8221;, contou Kanã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dupla conseguiu escapar do fogo. Após a situação ter sido controlada, a brigada voltou à área e constatou o que poderia ter acontecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quando a gente voltou no local para ver os equipamentos, estava tudo torrado&#8221;, disse.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Medo-da-morte-fumaça-tóxica-e-seguro-de-R-20-mil">Medo da morte, fumaça tóxica e seguro de R$ 20 mil</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não parece ser fácil para os brigadistas falar sobre o medo de morrer em ação apesar de o risco ser aparentemente evidente. Questionados sobre o assunto, a maioria responde de forma protocolar reforçando o treinamento ao qual são submetidos e o fato de colocarem a segurança em primeiro lugar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tenho medo de morrer, mas eu luto pela vida quando eu estou no incêndio&#8221;, disse o brigadista da comunidade quilombola kalunga Euclenes Batista, 36. Há três meses ele foi deslocado do Cerrado para atuar no Pantanal sul-matogrossense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele diz que apela a Deus para sobreviver a mais um dia em meio às labaredas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Toda vez que eu vou pro combate… é joelho no chão, peço a Deus proteção e que me leve em paz. O que acontece lá está na mão divina. A realidade é essa. Não tem preparação. Cada fogo é um fogo e fogo não gosta de brigadista. Pode ser um fogo manso, mas quando ele vê o brigadista, ele toca o terror&#8221;, descreveu Batista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diretor de proteção ambiental do Ibama, Jair Schmitt, resumiu os perigos aos quais os brigadistas estão sujeitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os brigadistas combatendo incêndios florestais estão expostos a vários riscos: inalação de fumaça tóxica, acidentes com galhos e árvores, queimadura pelas chamas do incêndio, a exaustão térmica e a desidratação&#8221;, disse Schmitt à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem dos equipamentos do time de Kanã torrados em meio ao campo seco da terra indígena Capoto/Jarina foi apenas um lembrete dos riscos da profissão. O pior, porém, estava por vir: a morte de Uelliton Santos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando morreu, Santos, assim como a maioria dos seus colegas vinculados ao Ibama, trabalhava por um salário mínimo, adicional de insalubridade, auxílio transporte, auxílio pré-escolar para os que têm filhos (as) e um seguro de vida de R$ 20 mil. É a esse dinheiro que sua família vai ter acesso após os trâmites burocráticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo nota enviada pelo ICMBio à BBC News Brasil, o órgão está providenciando a contratação de seguros de vida para os seus brigadistas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Fogo-extremo">&#8220;Fogo extremo&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os brigadistas, a morte de Santos acendeu um alerta: em que medida as mudanças climáticas estão deixando o trabalho deles mais perigoso?</p>



<p class="wp-block-paragraph">O brigadista Charles Pereira Pinto, 39, tem 14 anos de experiência. Ele é da comunidade quilombola kalunga que vive no município de Cavalcante, no Cerrado goiano. Segundo ele, não há dúvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A cada ano que passa, os combates vão ficando mais perigosos e requerem mais atenção&#8221;, disse à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela afirmou que vem observando uma mudança no comportamento dos incêndios florestais no Brasil desde 2021. Ele atribui essa mudança ao agravamento da crise climática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Antes, a gente tinha um fogo mais tranquilo, com chamas menores. Com essas mudanças (climáticas), o tempo muito seco somado à degradação e à entrada de vegetação exótica como o capim (para pasto) aumentou a quantidade de fogo e as chamas estão mais altas. Ficou mais difícil a gente ter uma resposta rápida&#8221;, afirmou o brigadista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Euclenes Batista, companheiro kalunga de Pinto, é acostumado ao fogo. A região do município de Cavalcante, onde viveu a maior parte da vida, fica em pleno Cerrado goiano. No inverno, o verde dá lugar ao cinza, as árvores retorcidas do bioma perdem suas folhas e o fogo vira, ao mesmo tempo, uma ameaça e um personagem comum à paisagem local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aos 24 anos de idade, Batista virou brigadista de combate a incêndio e, de lá pra cá, já combateu o fogo em praticamente todas as regiões do Brasil. Logo após ser deslocado para Mato Grosso do Sul, não demorou muito para ele perceber que, neste ano, as coisas seriam diferentes. Para pior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tá só pólvora. Qualquer vacilo e o fogo se alastra&#8221;, disse à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele estava certo. O bioma registrou um salto de 1.931% no número de queimadas entre 2023 e 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Experiente, Pinto classificou as novas condições das queimadas como &#8220;fogo extremo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ele, esse novo cenário é capaz de gerar labaredas entre cinco e até 20 metros de altura, o equivalente a um prédio de seis andares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para piorar, esse fogo pode sofrer influência de rajadas de vento que, dependendo do relevo e das condições climáticas, podem chegar a 60 quilômetros por hora, criando um cenário de instabilidade e perigo para as equipes em campo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Longe dali, em Novo Progresso, no interior do Pará, Anielle Faccin disse ter a mesma percepção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Antes, o fogo não costumava avançar tanto, mas neste ano está impossível. Até áreas de mata que antes ficavam úmidas durante a manhã, agora estão secas [&#8230;] o fogo está indo muito mais rápido&#8221;, descreveu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pinto afirma que as mudanças climáticas desafiam até mesmo os brigadistas mais bem treinados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O curso de brigadista do Brasil é um dos três melhores do mundo. A gente manda brigadistas para diversos países. Já fomos ao Canadá, agora estamos indo pra Bolívia. Mas a realidade é que o trabalho ficou mais perigoso&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anielle Faccin, que é responsável pela gestão de duas brigadas, disse observar que as condições climáticas extremas estão exigindo muito mais dos seus comandados. Segundo ela, a intensidade e a quantidade dos incêndios fazem com que as jornadas de combate ao fogo sejam cada vez mais frequentes e, na maior parte das vezes, mais demoradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns brigadistas relatam que algumas ações de combate ao fogo podem durar até 10 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A exaustão mental realmente começa a atrapalhar um determinado período. Então quanto mais tempo o brigadista passa no campo, mais exausto e estressado ele fica. Isso pode gerar problemas&#8221;, disse Faccin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A supervisora diz que uma das estratégias adotadas para evitar que isso se torne um risco é o rodízio de brigadistas e a retirada de ação daqueles que indicam sinais de estafa ou exaustão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O brigadista que está cansado não consegue acompanhar o ritmo do grupo. Quanto notamos isso, a gente consegue retirá-lo (do campo) para não ter problema&#8221;, disse.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Quanto-vale">Quanto vale?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na tarde do dia 29 de agosto, o presidente do Ibama,&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9902yjev8ko">Rodrigo Agostinho</a>, concedeu uma entrevista à BBC News Brasil sobre a crise dos incêndios no país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Horas antes, havia participado do velório de Uelliton Santos, cujo corpo havia sido transportado de Mato Grosso para Brasília, onde sua família vive.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na entrevista, Agostinho atribuiu o aumento do fogo à ação humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quase todo incêndio no Brasil tem por trás a ação humana. Ou é um vandalismo, ou é sadismo de pessoas que querem ver a floresta pegar fogo ou são pessoas que querem degradar a floresta para utilizar a área como na Amazônia e no Matopiba [região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia]&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados coletados pelo Monitor do Fogo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e pelo MapBiomas, apontam nesta direção. Segundo o estudo divulgado na semana passada, em agosto deste ano, uma área de 685 mil hectares de floresta nativa foi queimada na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso representa um aumento de 132% em relação ao mesmo mês do ano passado. A área de floresta destruída pelo fogo foi equivalente a quatro vezes e meia a área da cidade de São Paulo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E pensar sobre a engrenagem que vem fazendo o Brasil pegar fogo parece despertar um sentimento de desalento e indignação nos brigadistas responsáveis por conter a tragédia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É muita ambição por parte das pessoas. Elas não se importam umas com as outras ou em estar queimando milhares de hectares. Além dos brigadistas, é toda a natureza que está indo embora&#8221;, disse a supervisora de brigada Anielle Faccin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Kanã, da Terra Indígena Capoto/Jarina, se disse triste ao pensar sobre o que leva alguém a atear fogo à natureza em um momento como este.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Infelizmente, eles não estão preocupados o suficiente com a gente. É com muita tristeza que eu falo isso, mas é verdade [&#8230;] Quem coloca fogo não pensa que alguém vai ter que ir lá combater. Não pensa no nosso cansaço, na desidratação de quem está na linha de frente&#8221;, lamentou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O brigadista Charles Pinto lamenta a falta de punição a quem usa o fogo para destruir a natureza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Acho que é uma questão de impunidade também. As leis ainda deixam a desejar&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há duas semanas, a BBC News Brasil revelou que&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz6xypqn53vo">as investigações sobre o chamado &#8220;Dia do Fogo&#8221;, em 2019, foram arquivadas</a>&nbsp;sem que nenhum dos responsáveis por uma onda de incêndios florestais no Pará fossem punidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A BBC News Brasil procurou o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e o ICMBio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MMA e o Ibama informaram à reportagem que a pasta aumentou em 26% o número de brigadistas do órgão entre 2022 (último ano do governo de Jair Bolsonaro) e 2024. Eles saíram de 1.788 para 2.255.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Somados aos brigadistas do ICMBio (1.044), o governo federal contratou neste ano 3.299 profissionais neste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O MMA disse ainda que aumentou de cinco para 14 o número de aeronaves contratadas para o combate aos incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À BBC News Brasil, o ICMBio, além de apontar que está &#8220;em tratativas internas&#8221; para garantir seguro de vida aos seus brigadistas, informou que oferece uma &#8220;rede de qualidade de vida&#8221; com assistência social e psicológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu primeiro ano no combate ao fogo, Kanã Carvalho disse estar preocupada com o futuro da sua terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tenho medo (do futuro). Até a floresta se reerguer de um fogo, vai muito tempo&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Ibama</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Saúde Bucal: Higiene, prevenção, doenças e tratamentos" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/5OXARhqUkUE?start=365&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/o-drama-dos-brigadistas-na-maior-temporada-de-fogo-em-14-anos-nossa-vida-nao-vale-nada/">O drama dos brigadistas na maior temporada de fogo em 14 anos: ‘Nossa vida não vale nada’</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O drama dos moradores de Gaza: &#8216;Tenho dinheiro no banco mas não consigo comprar pão para meus filhos&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jun 2024 11:34:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Gaza]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Há dias em que não consigo comprar pão para os meus filhos, embora haja pão disponível, e eu tenha dinheiro na minha conta bancária.&#8221; Mohamed al-Kloub, um palestino de Deir al Balah, em Gaza, diz que o dinheiro na sua conta bancária não vale nada se não puder sacar, uma vez que muitos estabelecimentos não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Amira Mhadhbi</strong></li>



<li><strong>BBC Arabic</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Há dias em que não consigo comprar pão para os meus filhos, embora haja pão disponível, e eu tenha dinheiro na minha conta bancária.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mohamed al-Kloub, um palestino de Deir al Balah, em Gaza, diz que o dinheiro na sua conta bancária não vale nada se não puder sacar, uma vez que muitos estabelecimentos não aceitam transações eletrônicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dinheiro em espécie se tornou bastante escasso em Gaza nos últimos meses, especialmente depois de&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cjgn7g13q3kt">Israel</a>&nbsp;ter congelado os repasses da receita tributária palestina à Faixa de Gaza.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Crise-de-liquidez">Crise de liquidez</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante os primeiros meses da guerra em Gaza, à medida que o número de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce996v1q41no">pessoas desalojadas</a> aumentava, os moradores do <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94y3zv32t">território palestino</a> faziam filas em frente aos caixas eletrônicos e aos bancos, na esperança de sacar algum dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o passar do tempo, e o aumento do número de bancos destruídos nos combates, alguns civis foram expostos ao que a população de Gaza chama de &#8220;máfias de troca de dinheiro&#8221; — gangues que viram uma oportunidade de ganhar dinheiro em meio ao caos e ao pânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 24 de março, seis meses após o início da guerra, a Autoridade Monetária Palestina anunciou que &#8220;não era possível abrir as agências remanescentes em todas as províncias da Faixa de Gaza, devido aos contínuos bombardeios, à falta de energia e à difícil situação no local&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso resultou em uma crise de liquidez sem precedentes, com a maioria dos caixas eletrônicos sem funcionar também.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 11 de maio, a Autoridade Monetária Palestina lançou um serviço de pagamento eletrônico instantâneo, utilizando serviços bancários online, carteiras digitais e cartões de banco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a instabilidade da conexão de internet foi um problema significativo — e o serviço não foi amplamente adotado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Durante os oito meses de guerra, encontrei apenas um estabelecimento que aceitava transações eletrônicas — e isso acontece especialmente agora que os produtos estão sendo expostos e vendidos em &#8220;barraquinhas&#8221; nos campos, em vez de nas lojas&#8221;, conta Mohamed.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><h2 id="A-economia-de-Gaza" tabindex="-1" class="bbc-1f03ibc eglt09e0" style="box-sizing: inherit; font-size: 2rem; line-height: 2.625rem; font-family: ReithSans, Helvetica, Arial, sans-serif; font-weight: 700; color: rgb(20, 20, 20); margin: 0px; padding: 2rem 0px 1.5rem; white-space-collapse: collapse; background-color: rgb(246, 246, 246);">A economia de Gaza</h2></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para entender o que causou a atual crise financeira em Gaza, vale a pena conhecer mais de perto o sistema de financiamento no território palestino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cvjp2jr0k9rt">economia</a>&nbsp;na região é gravemente afetada pelo bloqueio que foi imposto desde que o&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cnq68qr85wnt">Hamas</a>&nbsp;assumiu o controle total da Faixa de Gaza em 2007.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Israel diz que o bloqueio é necessário para impedir os ataques do grupo militante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os bancos na Faixa de Gaza são associados à Autoridade Monetária Palestina e ao governo palestino em Ramallah, ou são de propriedade privada e afiliados ao governo do Hamas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Autoridade Monetária Palestina foi estabelecida no âmbito do Protocolo de Paris, assinado em 1994, e consta em uma cláusula anexada aos&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz4g507l8lgo">Acordos de Oslo</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este acordo colocou a economia palestina e suas transações financeiras sob a supervisão e controle direto do sistema bancário israelense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pelos termos do acordo, Israel arrecada impostos em nome da Autoridade Palestina e transfere o montante, mensalmente, para a Autoridade Monetária — após a aprovação e assinatura do Ministério das Finanças israelense, e depois da dedução de uma porcentagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes fundos, conhecidos como receitas fiscais ou tributárias, representam a maior parte das receitas financeiras da Autoridade Palestina — e uma parte dela é repassada à Faixa de Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007, milhares de trabalhadores civis em Gaza continuaram a receber seus salários da Autoridade Palestina. Eles eram transferidos por meio de bancos em Gaza afiliados à Autoridade Monetária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dinheiro também entrou em Gaza sob a forma de ajuda da UNRWA — a agência da ONU para refugiados palestinos — e do Catar, que era considerada a principal fonte de dólares em Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahmed Abu Qamar, pesquisador econômico palestino de Gaza, classifica estes fluxos de renda como as &#8220;rotas oficiais para o dinheiro&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele disse à BBC que também existem rotas não oficiais, a chamada &#8220;economia paralela&#8221;, como a conversão de mercadorias em dinheiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o dinheiro gerado por rotas não oficiais não aparece no ciclo monetário, nem na &#8220;oferta monetária&#8221;, diz ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele destaca que todos os recursos financeiros de Gaza eram insuficientes para estabelecer um ciclo econômico saudável que permitiria a mais de dois milhões de cidadãos na Faixa de Gaza viver normalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As três moedas utilizadas nas transações financeiras são:</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Shekel israelense: a moeda mais utilizada, servindo de base para as transações diárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Dólar americano: usado em importações, transações comerciais internacionais e na compra de produtos de luxo, como carros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211; Dinar jordaniano: tradicionalmente usado para pagar dotes de casamento, comprar propriedades ou terrenos, e pagar mensalidades universitárias, por exemplo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-impacto-da-guerra">O impacto da guerra</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o início da guerra, as autoridades israelenses têm se recusado a repassar as receitas tributárias destinadas à Faixa de Gaza para a Autoridade Monetária Palestina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Israel argumenta que este dinheiro ajuda a financiar o movimento do Hamas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em novembro de 2023, o Ministério das Finanças palestino anunciou que &#8220;o Ministério das Finanças israelense deduziu 600 milhões de shekels (R$ 870 milhões) das receitas tributárias mensais sob o pretexto de que parte deste montante inclui salários, alocações de funcionários e despesas para a Faixa de Gaza&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início do ano, o Ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, ameaçou privar a Autoridade Palestina de todas as receitas tributárias se &#8220;um shekel&#8221; sequer entrasse em Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Nem um único shekel vai entrar em Gaza&#8221;, ele escreveu em uma publicação nas redes sociais em janeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A oferta de dinheiro também foi reduzida por causa daqueles que estão saindo de Gaza — sob a forma de taxas pagas por indivíduos para escapar por meio da passagem de Rafah. Estas taxas de saída, que muitas vezes chegam a custar dezenas de milhares de dólares por pessoa, exauriram significativamente as reservas de dólares na Faixa de Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As cédulas danificadas também agravaram a escassez de dinheiro. Anteriormente, no âmbito de um acordo entre Palestina e Israel, as notas danificadas eram trocadas por novas. No entanto, desde o início da guerra, este processo foi interrompido, tornando essas cédulas inúteis, uma vez que os comerciantes se recusam a aceitá-las.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-mercado-clandestino">O mercado clandestino</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mohamed al-Kloub foi forçado a recorrer ao mercado clandestino, no qual &#8220;saca&#8221; dinheiro em uma loja, em troca de uma comissão que varia entre 10% e 20% — mas até mesmo esta opção está se tornando complicada, diz o funcionário Mahmoud Bakr al-Louh.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas fachadas de muitas das lojas que anteriormente prestavam este serviço de saque de dinheiro mediante o pagamento de comissões, há cartazes que informam &#8220;não há dinheiro&#8221;. Aqueles que têm acesso a dinheiro em espécie &#8220;estão favorecendo seus amigos&#8221;, diz Mahmoud.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ahmed (nome fictício) conversou com a BBC sobre seu trabalho fornecendo dinheiro sob comissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele começou a prestar o serviço para compensar o prejuízo que sofreu ao sacar 40 mil shekels (R$ 58 mil) da sua conta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele contou que teve que pagar uma taxa de 10%. Agora Ahmed deduz 13% de comissão em troca do fornecimento do seu dinheiro aos clientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seus ganhos mal cobrem uma pequena parte de suas necessidades diárias. Mas os moradores de Gaza que recorrem ao mercado clandestino se queixam da &#8220;extorsão&#8221; que dificulta ainda mais seu sofrimento diário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / GETTY IMAGES</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Doenças gordurosa do fígado" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/ukiOYzWwzrU?start=607&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Sinistro e brutal, drama sobre Segunda Guerra baseado em best seller acaba de chegar à Netflix</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 17:56:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tim Mielants não é nenhum novato. Não dá para ser quando estamos falando de alguém que dirigiu uma série tão aclamada e consistente quanto “Peaky Blinders”. Eu poderia até dizer que em “Wil” ele se aventura em um longa-metragem que, pelo menos tem a faceta de uma produção grandiosa, embora seu orçamento jamais tenha sido [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Tim Mielants não é nenhum novato. Não dá para ser quando estamos falando de alguém que dirigiu uma série tão aclamada e consistente quanto “Peaky Blinders”. Eu poderia até dizer que em “Wil” ele se aventura em um longa-metragem que, pelo menos tem a faceta de uma produção grandiosa, embora seu orçamento jamais tenha sido divulgado. Mas no novo thriller psicológico que acaba de chegar à&nbsp;<a href="https://www.revistabula.com/73468-filme-do-mesmo-diretor-de-peaky-blinders-acaba-de-estrear-na-netflix-e-vale-cada-segundo-do-seu-tempo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Netflix</a>&nbsp;e que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, Mielants traz uma direção bastante segura em um filme eficaz e com muita personalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os tempos são sombrios e acentuam os lados mais obscuros do carácter humano. As pessoas se dividem em apenas boas ou más. Em tempos de Holocausto, o mundo é maniqueísta. É preciso escolher qual dos lados, sendo que um é mais vantajoso que o outro. Ser bom é uma escolha difícil, pois pode custar tudo que você mais ama, inclusive a própria vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Wil (Stef Arts) é um jovem artista ingênuo e criativo que vai parar em uma ocupação que nada tem a ver com seus talentos. Guarda na Antuérpia, cidade costeira da Bélgica, durante a ocupação nazista, ele acaba dividido entre sobreviver trabalhando para os vilões ou morrer lutando pelos bonzinhos. Quando um evento dramático coloca em risco ele e seu amigo, o também guarda, Lode (Matteo Simoni), Wil é colocado em uma encruzilhada entre o moral e o imoral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O protagonista precisa colaborar com soldados nazistas na perseguição de judeus. Mas Wil, um sujeito tímido, que se envolve romanticamente com Yvette (Annelore Crollet), irmã de Lode, também precisa encontrar coragem suficiente dentro de seu corpo aparentemente miúdo e magricelo para atuar como um agente duplo. Ele se envolve com a resistência, assume o codinome Angelo, que combina com sua personalidade doce e angelical, e trabalha secretamente para sabotar os alemães.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, ao mesmo tempo em que Mielants usa o período histórico para trazer uma atmosfera dramática para sua narrativa, a fotografia de Robrecht Heyvaer e a música de Geert Hellings traz uma tonalidade grotesca e macabra para o filme, nos lembrando que seu gênero é, sobretudo, um suspense. A cabeça de uma galinha que sangra na bandeja de alumínio sobre o balcão do açougue, o corpo de um soldado nazista jogado no esgoto, em meio aos dejetos de uma sociedade moralmente danificada. O rosto de Wil afundado em vômito e sangue. A todo momento somos lembrados de como aquele período foi feio e nojento para a raça humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estética usada por Heyvaer também é cheia de jogos de sombras e luzes, brincando com chiaroscuro e criando elementos noir em diversas sequências. O trabalho de design e figurino são muito bem elaborados e convincentes. O filme alterna entre cenas intensamente alegres, obscuras ou dramáticas provocando um emaranhado de emoções, por vezes confundindo e provocando os espectadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do enredo intrigante e das atuações talentosas, há uma complexidade na quantidade de personagens e no contexto da narrativa que Mielants apresenta ao público. Além disso, a história também tem um andamento lento e pode acabar sendo cansativo e exigir um esforço mental maior dos espectadores. É preciso assistir e digerir com calma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Revista Bula</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A importância da mulher na política brasileira" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/JsapoDZDg8E?start=3047&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/sinistro-e-brutal-drama-sobre-segunda-guerra-baseado-em-best-seller-acaba-de-chegar-a-netflix/">Sinistro e brutal, drama sobre Segunda Guerra baseado em best seller acaba de chegar à Netflix</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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