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	<title>Educação Pública |</title>
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	<title>Educação Pública |</title>
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		<title>Por que atacam tanto a Educação Pública?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 14:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Brasil, o senso comum tenta desqualificar a rede pública, mas Censo mostra que seu desempenho foi relativamente próximo ao do ensino privado. Mas, desde 2014, o país regride. Não cumpriu 85% das metas dos Planos de Educação. Enquanto isso, insiste-se na “saída neoliberal” Por&#160;Gabriel Grabowski, em entrevista ao&#160;IHU No Brasil, há 47 milhões de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, o senso comum tenta desqualificar a rede pública, mas Censo mostra que seu desempenho foi relativamente próximo ao do ensino privado. Mas, desde 2014, o país regride. Não cumpriu 85% das metas dos Planos de Educação. Enquanto isso, insiste-se na “saída neoliberal”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por&nbsp;<strong>Gabriel Grabowski</strong>, em entrevista ao&nbsp;<a href="https://www.ihu.unisinos.br/"><em>IHU</em></a></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, há 47 milhões de matrículas na rede de educação básica. O número supera a população de dezenas de países. A soma de todos os recursos – da União, Estados e Municípios – para a educação no Brasil não chega a 6% do PIB. O discurso da rede privada de que oferece ensino de mais qualidade em comparação à rede pública não se sustenta nos indicadores. Frente a tudo isso a sociedade brasileira se furta a tomar a pauta educacional na profundidade que merece. Os dados da abertura e da entrevista que se segue são do<strong>&nbsp;</strong>Censo Escolar da Educação Básica de 2024.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Na educação básica, a rede pública (municipal, estadual e federal) atende a 79,8% das matrículas. Portanto, necessitamos que esta oferta pública tenha financiamento estatal ampliado e regular (sem contingenciamentos e cortes), com professores bem formados e carreiras decentes, com escolas bem estruturadas e equipadas de laboratórios, bibliotecas e espaços culturais e de entretenimento”, aponta Gabriel Grabowski, em entrevista por e-mail ao&nbsp;<strong>I</strong>nstituto Humanitas Unisinos – IHU. “Os dados revelam que a participação da escola privada é de aproximadamente 20% no Ensino Fundamental e 13,2% no ensino médio, tendo avaliações de desempenho relativamente próximas”, complementa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No ensino superior, as únicas universidades brasileiras que figuram na lista das melhores universidades globais são as públicas, o que contradiz o senso comum de que qualidade no ensino está associada ao pagamento por ele. “No Brasil busca-se criar uma ideia de que o privado é sempre melhor, porém, isto não condiz com a realidade. Basta observar quais são as melhores universidades, melhores hospitais, melhores serviços e, inclusive, melhores empresas”, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na contramão de práticas que qualificam o ensino e a formação de estudantes – boa infraestrutura e professores bem remunerados – estados e municípios apostam em privatização como alternativa. “Cresce no Brasil uma proposta de ampliação da participação do setor privado na educação pública e, consequentemente, uma deterioração do serviço público de qualidade. A estratégia de governos estaduais e de algumas capitais de tornar obrigatórias as plataformas educacionais nas redes estaduais e municipais é a evidência mais recente”, descreve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão não é só de ordem econômica – de onde retirar os investimentos para o setor -, mas sobretudo política. “A sociedade brasileira poucas vezes assumiu a defesa e a agenda da educação pública&nbsp;como direito de todos. O cenário político e a polarização produzida a partir de 2015 fragilizou os movimentos sociais, sindicais, entidades educacionais e, inclusive, os partidos da esquerda e centro esquerda”, critica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, sair da curva de um projeto anticivilizatório que se instaurou no Brasil nos últimos vários anos é um processo lento e difícil. “Instaurou-se na última década um ambiente conservador, negacionista, antipopular e antissocial que jogou na defensiva os lutadores sociais. Desde o golpe de 2016, perpassando os governos Temer (2016-2019) e Bolsonaro (2019-2022) estamos vivenciando um retrocesso em toda agenda social, ambiental, científica e educacional”, afirma o entrevistado.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2025/07/18_07_gabriel_grabowski_foto_feevale.jpg" alt="" class="wp-image-3111486"/><figcaption class="wp-element-caption">Gabriel Grabowski (Foto: Feevale)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Gabriel Grabowski&nbsp;é&nbsp;graduado&nbsp;em Filosofia Plena pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Dom Bosco (1985), mestre&nbsp;(2004) e&nbsp;doutor (2010) em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor pesquisador da Universidade Feevale, atua no Programa de Pós Graduação em Qualidade Ambiental (PGQA) e Mestrado em Psicologia. Presidente do Conselho de Desenvolvimento Regional do Vale do Rio dos Sinos (Consinos) e membro da Diretoria da AESUFOPE.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Confira a entrevista</strong>&nbsp;&nbsp;</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como se caracteriza, atualmente e historicamente, a escola e a formação escolar brasileira?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Há diversas formas de caracterizá-la e nossa literatura é farta ao abordá-la. Eu penso que a escola e a formação escolar brasileira continuam sendo um dos maiores desafios de nossa nação. Em pleno século XXI, no ano de 2025, ainda não conseguimos universalizar a educação básica como direito de todas as crianças, adolescentes, jovens e adultos. Neste século tivemos dois Planos Nacionais de Educação (2001-2011 e 2014-2024) com a maioria das metas descumpridas pela União, Estados e Municípios.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Temos uma legislação educacional relativamente avançada, mas não cumprida, onde a implementação das políticas públicas, especialmente a do financiamento da educação, é um dos maiores impedimentos de para uma formação escolar de qualidade. Não podemos deixar de registrar que continuamos como um dos países mais desiguais do mundo, onde a riqueza de poucos e a pobreza de 2/3 da população se cruzam cotidianamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Concordo com Anísio Teixeira que a educação de qualidade no Brasil contínua sendo um privilégio de poucos, pois a escola pública onde a maioria dos pobres, pretos e periféricos estudam é precarizada e inviabilizada a oferta de formação com qualidade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que os dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2024 revelam sobre a situação da formação de crianças e adolescentes no Brasil?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– O Censo revela que foram contabilizadas 47,1 milhões de matrículas na Educação Básica&nbsp;– EB em 179,3 mil escolas. Só este dado demonstra que os estudantes da EB são mais que a população da maioria dos países, portanto, com potencialidades imensas para formarmos uma nação melhor do que hoje temos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o Censo, quase a metade dos alunos matriculados na EB são atendidos pelos municípios brasileiros (49,1%), enquanto a rede privada tem uma participação de 20,2%. Na educação básica, a rede pública (municipal, estadual e federal) atende a 79,8% das matrículas. Portanto, necessitamos que esta oferta pública tenha financiamento estatal ampliado e regular (sem contingenciamentos e cortes), com professores bem formados e carreiras decentes, com escolas bem estruturadas e equipadas de laboratórios, bibliotecas e espaços culturais e de entretenimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O censo de 2024 revela que a rede pública estadual tem uma participação de 83,1% no total de matrículas do Ensino Médio&nbsp;– EM, e a rede federal possui 3,1% desse total. Enquanto a rede privada possui cerca de 1 milhão de alunos e tem uma participação de 13,2% na matrícula de ensino médio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados da PNAD Contínua do 1º trimestre de 2024, o Brasil tem aproximadamente 48 milhões de jovens com idade entre 15 e 29 anos, mas o total de matrículas do ensino médio em 2024 foi de apenas 7,8 milhões, estagnação que se estende a quase duas décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por que a polarização entre a escola pública e a privada é um tema sensível para compreendermos nossos dilemas educacionais?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Os dados revelam que a participação da escola privada é de aproximadamente 20% no Ensino Fundamental e 13,2% no ensino médio, tendo avaliações de desempenho relativamente próximas. Penso que tal polarização é falsa, promovida mais como estratégia de captação de alunos do que, de fato, em desempenho. Os Institutos Federais&nbsp;– IFs, a Escola Técnica Liberato (Novo Hamburgo) [estadual] e centenas de escolas de ensino médio possuem excelente qualidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil busca-se criar uma ideia de que o privado é sempre melhor, porém, isto não condiz com a realidade. Basta observar quais são as melhores Universidades, melhores hospitais, melhores serviços e, inclusive, melhores empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se os recursos públicos fossem mais bem investidos na escola pública não estaríamos polarizando este tema. Hoje os subsídios públicos a setores privados (agronegócio, indústrias, sistema financeiro etc.) equivalem a vários anos do orçamento do MEC. Parte deste valor seria suficiente para que nossa educação pública fosse qualidade como em muitos países, inclusive como os da OCDE.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O que a redução de 216 mil matrículas em 2024, comparando com o ano de 2023, significa não somente em termos quantitativos, mas também qualitativos como sintoma da educação básica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Significa em primeiro lugar que nem todas as crianças, adolescentes e jovens estão matriculados na<strong>&nbsp;</strong>Educação Básica&nbsp;– EB como deveria, segundo a PEC 095/2009 que definiu 2016 como prazo para universalização desse direito. Em segundo lugar, impactos da pandemia, da crise climática em algumas regiões, negacionismos, críticas às escolas e redução demográfica contribuem para esta redução. O Estado, as Famílias e a Sociedade, conforme artigo art. 206 da CF, deveríamos assumir de direito e de fato a presença de todos na escola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E o Ensino Médio, qual foi a avaliação no Censo Escolar?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Continua sendo a etapa mais crítica da EB. Entre 2002 e 2004 chegamos a ter 9.169.357 matrículas. Em 2024, foram registradas 7,8 milhões de matrículas, total ainda inferior à matrícula observada em 2022 no contexto da pandemia. Cabe lembrar que, segundo dados da PNAD Contínua do 1º trimestre de 2024, o Brasil tem aproximadamente 48 milhões de jovens com idade entre 15 e 29 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No estado do Rio Grande do Sul, além do descumprimento das Metas estabelecidas no Plano Estadual de Educação (PEE 2015-2025), estamos retrocedendo nas matrículas no Ensino Médio, na Educação Profissional e, também, na Educação de Jovens e Adultos – EJA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Censo Escolar de 2024 registrou uma redução de 44,3 mil alunos matriculados na educação básica no RS; na educação profissional tivemos uma redução de 4% nas matrículas enquanto no Brasil as matrículas cresceram de 6,7%; na EJA tivemos uma redução de quase 8 mil matrículas na rede estadual. Desde 2019, a queda já chega a 46.827 matrículas, o que representa uma retração de 65,3% no número de estudantes atendidos e, o RS, é o segundo pior estado na oferta de Educação Integral do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Múltiplas são as causas para este cenário, entre as quais destacamos: descontinuidade de políticas públicas nas trocas de governos; reformas educacionais e curriculares frequentes e escolas sem infraestrutura (laboratórios, biblioteca, internet, espaços esportivos e culturais). Além da precarização da carreira docente, o excesso professores temporários e a falta de escuta ativa das juventudes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>No Rio Grande do Sul, quais são os principais gargalos relacionados à Educação Básica? Como o cenário se transformou nos últimos dez anos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Em parte, já comentei na questão anterior. Porém, temos no RS uma redução de matrículas na rede Estadual (mantida pela SEDUC-RS) muito preocupante, tanto no ensino médio, no técnico, como na EJA. Só não é pior o cenário porque a Rede Federal&nbsp;(IFs) está em crescimento e expansão, como ocorre, também, na rede privada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há outras dimensões, como reprovação e abandono escolar elevado, distorção idade-série, especialmente nos anos finais (8º e 9º ano do Ensino Fundamental) e 1º ano do Ensino Médio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que não temos uma Política Estadual para Educação Básica construída com a sociedade, comunidade educacional, entes e sistemas de ensino que ofertam a EB no território gaúcho. Cada município faz a sua política em cada ciclo de governo, o Plano Estadual de Educação e os Planos Municipais de Educação não são implementados nem monitorados. Ou seja, a cooperação política, pedagógica, técnica e financeira entre os sistemas é inexistente e invisível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da mesma forma, a comunidade escolar – professores, funcionários técnico-administrativos, estudantes e famílias – não são ouvidos nem engajados no processo político pedagógico da construção das aprendizagens e decisões educacionais. Ouve-se mais consultores, OCDE, institutos e fundações do que universidades, pesquisadores e professores que estudam, pesquisam e atuam nas escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas cabe destacar que existem muitas dezenas de Municípios no RS e no Brasil, bem como vários Estados, desenvolvendo boas práticas educativas e políticas públicas de qualidade. O Brasil, dada nossa potencialidade e diversidade possui um potencial que é promissor, desde que a elite permita maiores investimentos e superação das desigualdades econômicas, sociais, raciais e de classe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cresce no Brasil uma proposta de ampliação da participação do setor privado na educação pública e, consequentemente, uma deterioração do serviço público de qualidade. A estratégia de governos estaduais e de algumas capitais de tornar obrigatórias as plataformas educacionais nas redes estaduais e municipais é a evidência mais recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>De 2019 para cá houve uma redução de mais de 17% no número de estudantes gaúchos matriculados no Ensino Médio. O que explica a redução? Que iniciativas do governo estadual estão sendo tomadas diante desta situação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– São múltiplas as causas da redução das matrículas no RS. É o primeiro Estado que virou a página do bônus demográfico, ou seja, queda na natalidade e aumento de adultos e idosos. Porém, ainda temos milhões de crianças e jovens na EB com o ensino médio por concluir, ou seja, não é falta de estudantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vou destacar mais duas causas: o RS é um dos estados que reprova estudantes no final dos anos do ensino fundamental (8º e 9º ano) e no ensino médio, especialmente no 1º ano, gerando atrasos idade-série de atrasando estes jovens na conclusão da Educação Básica. Outra consequência é o abandono escolar destes estudantes: também o RS é um dos estados de maior abando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este jovem-adolescente precisa contribuir com a geração de renda para família e antecipar o ingresso no mercado de trabalho, mesmo de forma precária. Estudar e trabalhar ao mesmo tempo é muito exaustivo e desmotivador, principalmente para os jovens pobres, de periferia, negros e pardos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra causa para a redução e desvalorização da escolaridade é a precarização das escolas públicas estaduais e da carreira docente, fruto de políticas de governos em detrimento de políticas de Estado. Cada novo governo estadual descontinua a política educacional da gestão anterior e implementa outra. Isto é recorrente, no mínimo há seis gestões, ou seja, 24 anos. Há pesquisas e estudos que comprovam o impacto da descontinuidade das políticas de ensino médio no RS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Qual a importância da Educação Integral para a melhora dos índices de frequência e da qualidade de aprendizagem?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Educação Integral, Formação Integral e Escola de Tempo Integral são concepções distintas, mas que precisam ser articuladas/integradas por um&nbsp;Projeto Político-Pedagógico Institucional pelas Instituições de Ensino, considerando a realidade de cada país e região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma análise da situação educacional brasileira é fundamental estabelecermos um ponto de partida em comum sobre a educação escolar antes de defendermos projetos e programas, tal qual referia o educador brasileiro Anísio Teixeira:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">“Tratando-se de uma instituição que corporifica ideias e aspirações sociais, é imprescindível certa precisão em caracterizar tais conceitos e ideias, a fim de evitar inúteis e estéreis confusões, tão comuns em nossas controvérsias, nas quais diferenças de pontos de partida e diferenças de entendimentos impedem qualquer consenso sobre o problema da educação” (Teixeira, 1956, p. 4).</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Tal precisão é ainda mais relevante num país como o Brasil que se caracteriza como um dos países mais desiguais do mundo, mesmo em pleno século XXI. É um país rico, com poucos bilionários e muitos pobres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caminho para a implementação de uma política educacional brasileira de alta qualidade é complexo. Entre as limitações, destaca-se a célebre frase tantas vezes proferida por Darcy Ribeiro: “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. Todavia, é preciso seguir em frente. A legislação brasileira tem sido uma importante base para a educação em tempo integral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para um estudante em tempo integral, a intersetorialidade na política e na ação objetiva, enquanto aposta, permite que a educação se expanda em tempo e espaço, e que educar assuma também o sentido de cuidar. Promover o cuidado integral como uma prática indissociável do ato de ensinar torna-se um desafio para o sistema educativo, para as escolas, para as gestões, para os professores e, igualmente, para as universidades na sua tarefa de formação do professor. Nessa perspectiva, o cuidado necessita ser definido como um trabalho cotidiano na produção de bens e serviços necessários à sustentação e à reprodução da vida humana, das sociedades e da economia, cuja finalidade é a justiça social e a garantia do bem-estar de todas as pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Qual a correlação entre a baixa nos índices de educação em nível nacional e a última grande reforma do ensino com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio (NEM)?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Acredito que ela contribuiu com uma condição da educação que já era ruim. Primeiro porque foi imposta pelo MEC, em um momento de crise política, econômica e social (alto desemprego e redução da massa salarial e renda da população). Foi pouco discutida com a sociedade e com a comunidade educacional e científica. Para piorar o contexto, foi implementada durante a pandemia e com a reforma do Novo Ensino Médio – NEM.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi um equívoco político, pedagógico, metodológico e no momento errado. Teve uma amplitude que exigia melhores condições das escolas e dos professores em um contexto de crise, ou seja, um cenário desfavorável para uma reforma educacional de forte natureza e interesse empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sistemas de ensino e as redes de ensino somente implementaram por imposição dos governos estaduais. Lembro que no período 2019-2022 o MEC não coordenou, não orientou e não deu apoio técnico-financeiro aos entes da federação brasileira que são os ofertantes da educação básica. Tal desorganização e imposição comprometeu o ideário da própria BNCC e das demais reformas, algumas, inclusive, necessárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Neste contexto, como mobilizar a sociedade para uma luta política efetiva em favor da valorização da carreira, melhores salários, melhor infraestrutura escolar (bibliotecas, laboratórios e espaços de convivência e aprendizagem)?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski&nbsp;</strong>– A sociedade brasileira poucas vezes assumiu a defesa e a agenda da educação pública como direito de todos. O cenário político e a polarização produzida a partir de 2015 fragilizou os movimentos sociais, sindicais, entidades educacionais e, inclusive, os partidos da esquerda e centro esquerda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento sindical e as organizações dos professores foram fragilizados pela reforma sindical, dificultando e reduzindo a arrecadação financeira destas entidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instaurou-se na última década um ambiente conservador, negacionista, antipopular e antissocial que jogou na defensiva os lutadores sociais. Desde o golpe de 2016, perpassando os governos Temer (2016-2019) e Bolsonaro (2019-2022) estamos vivenciando um retrocesso em toda agenda social, ambiental, científica e educacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É urgente que a sociedade reaja e todos os movimentos e organizações sociais e educacionais reajam. A falta de educação com qualidade, professores valorizados e estudantes com condições de aprender é mais uma das estratégias para manter dois terços da sociedade na pobreza e sem esperança de superarmos nossa desigualdade histórica e institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Outro entrave importante é a garantia da aplicação do orçamento constitucional, mas que se vê, ano após ano, ameaçado por interesses partidários obscuros do Congresso. De que forma podemos atravessar esta encruzilhada?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– As fontes de Financiamento são essenciais a toda política pública, especialmente em um país com grande complexidade geográfica, política, social e econômica como o Brasil. A Educação, como toda política social, precisa de dinheiro suficiente e sem contingenciamentos. A estrutura da formação e da produção de conhecimento são operadas sistemática e continuamente por professores, pesquisadores, estudantes e profissionais da educação, em milhares de escolas espalhadas por todo o Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No século XX, o investimento em educação atravessou as décadas de 1930 até 1960 com percentuais sempre abaixo de 2% do PIB. Nesse período, as nações mais desenvolvidas já haviam resolvido questões de base da educação, como a redução do analfabetismo entre suas populações. No Brasil, apenas com a Constituição de 1967, emendada em 1969, é que se tornou obrigatório, para os municípios, investir um mínimo de 20% de suas receitas tributárias em educação. Posteriormente, em 1983, a Emenda Calmon ampliaria o investimento no setor educacional com a determinação de que a União também vinculasse 13% da receita, e estados, Distrito Federal e municípios investissem, pelo menos, 25% da renda com tributos no financiamento da educação básica. Com isso, o investimento nacional em educação alcançaria aproximadamente 3% do PIB em 1985.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, o Brasil investe aproximadamente 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico&nbsp;– OCDE. Esse percentual é acima da média de 4,4% dos países que compõem a organização. Porém, mesmo dedicando uma parcela considerada elevada do PIB com educação, a melhoria dos índices de escolaridade e formação profissional é um trabalho de longo prazo, mais ainda no Brasil que negligenciou o acesso ao ensino por séculos, que demanda investimentos elevados por muitas décadas. E, infelizmente, o Brasil acordou tarde para a educação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde 2014 produziu-se e instalou-se no Brasil uma discussão pela redução dos investimentos, aliás, foi uma das causas para o afastamento da presidente Dilma reeleita em 2014. A maior evidência é que a partir desta data o Brasil não ampliou o financiamento como previa o PNE 2014-2024 (Meta 20: ampliar o investimento para 10% do PIB).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que ocorreu foi justamente o contrário: reduziu-se o investimento e estagnou-se a expansão da educação básica e do ensino superior no Brasil. A maior evidencia é o descumprimento de 85% das Metas dos Planos de Educação, tanto a nível nacional, como estadual e, em boa parte, também no âmbito municipal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Deseja acrescentar algo?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriel Grabowski</strong>&nbsp;– Parabenizar o IHU pela persistência nas abordagens de temas tão relevantes para a conscientização da sociedade, pela defesa dos direitos humanos e pela liberdade de aprender e ensinar. Obrigado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outras Mídias / (Imagem: Palácio Piratini/Camila Domingues)</p>



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		<title>MEC participa do lançamento da Campanha Mundial pela Educação Pública</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Dec 2024 21:20:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O ministério marcou presença na audiência pública de lançamento da Campanha Mundial pela Educação Pública e de Qualidade, do Senado Federal. Iniciativa busca fortalecer a luta por equidade e inclusão O Ministério da Educação (MEC) participou nesta segunda-feira (9/12), do lançamento da Campanha Mundial pela Educação Pública e de Qualidade,&#160;promovida pelo&#160;Senado Federal. A audiência pública&#160;reuniu&#160;educadores, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O ministério marcou presença na audiência pública de lançamento da Campanha Mundial pela Educação Pública e de Qualidade, do Senado Federal. Iniciativa busca fortalecer a luta por equidade e inclusão</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Educação (MEC) participou nesta segunda-feira (9/12), do lançamento da Campanha Mundial pela Educação Pública e de Qualidade,&nbsp;promovida pelo&nbsp;Senado Federal. A audiência pública&nbsp;reuniu&nbsp;educadores, parlamentares e representantes de organizações sociais e sindicais. O objetivo foi&nbsp;discutir e reafirmar o papel da educação como direito humano essencial e&nbsp;uma&nbsp;prioridade&nbsp;na construção&nbsp;de políticas públicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;campanha&nbsp;é uma&nbsp;iniciativa de alcance global&nbsp;voltada a&nbsp;solucionar&nbsp;desafios&nbsp;como a desvalorização dos profissionais da educação e cortes orçamentários.&nbsp;Além disso,&nbsp;busca&nbsp;debater&nbsp;esforços&nbsp;internacionais&nbsp;e nacionais por uma educação inclusiva, qualitativa&nbsp;e equitativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ocasião, a&nbsp;secretária de Educação Básica do MEC,&nbsp;Kátia&nbsp;Schweickardt,&nbsp;afirmou&nbsp;que&nbsp;as&nbsp;ações&nbsp;desenvolvidas&nbsp;n&nbsp;o início d&nbsp;este&nbsp;governo&nbsp;visaram&nbsp;reconstruir&nbsp;e retomar&nbsp;políticas educacionais descontinuadas.&nbsp;“Estamos terminando este segundo ano do terceiro mandato do presidente Lula com a sensação de que estamos recolocando o diálogo pela educação pública socialmente&nbsp;e&nbsp;racialmente referenciada no seu devido lugar&nbsp;”, ressaltou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schweickardt&nbsp;pontuou, porém, que,&nbsp;além da retomada de programas históricos, o&nbsp;MEC&nbsp;avançou com&nbsp;a&nbsp;cri&nbsp;ação de&nbsp;políticas como&nbsp;o&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-em-tempo-integral" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Programa&nbsp;Escola em Tempo Integral</a>;&nbsp;o&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/crianca-alfabetizada" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Compromisso Nacional Criança Alfabetizada</a>;&nbsp;o&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/pacto-eja" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos</a>;&nbsp;o&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/areas-de-atuacao/eb/escola-das-adolescencias" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Programa&nbsp;Escola das&nbsp;Adolescências</a>;&nbsp;e&nbsp;o&nbsp;incentivo-educacional&nbsp;<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/pe-de-meia" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Pé-de-Meia</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tratamos a política de educação integral com prioridade, com o financiamento para a expansão das matrículas,&nbsp;e tornamos de novo&nbsp;a educação infantil&nbsp;uma prioridade nesse&nbsp;ministério.&nbsp;Temo,&nbsp;ainda,&nbsp;69 milhões de brasileiros que não concluíram a educação básica,&nbsp;e 11 milhões desses brasileiros são pessoas analfabetas”, informou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A secretária&nbsp;destacou que&nbsp;a educação&nbsp;básica brasileira é conduzida pelos estados&nbsp;e&nbsp;municípios e&nbsp;que&nbsp;a&nbsp;União tem&nbsp;o papel de apoiar,&nbsp;articular,&nbsp;incentivar e ser&nbsp;a&nbsp;guardiã dos&nbsp;direitos&nbsp;dos cidadãos.&nbsp;“Isso só&nbsp;é possível com&nbsp;um&nbsp;diálogo&nbsp;democrático&nbsp;e&nbsp;fraterno,&nbsp;olhando não só para as&nbsp;mazelas,&nbsp;mas também para&nbsp;a&nbsp;potência dos territórios&nbsp;”, comentou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os temas debatidos na audiência,&nbsp;estavam,&nbsp;ainda,&nbsp;o&nbsp;acesso universal ao ensino e o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que incluem a garantia de educação inclusiva e qualitativa. Além disso,&nbsp;o evento abordou&nbsp;o financiamento educacional,&nbsp;a&nbsp;valorização dos profissionais da educação e a garantia do direito à aprendizagem para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também participaram d a cerimônia Heleno Araújo Filho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e coordenador do Fórum Nacional de Educação (FNE); Manuela Mendonça , m embro do Conselho Executivo da Internacional da Educação (IE); e Lorena Carvalho, o ficial de Projetos de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2024/dezembro/lancada-campanha-mundial-pela-educacao-publica" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2024/dezembro/lancada-campanha-mundial-pela-educacao-publica</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foto: Divulgação</p>



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