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	<title>eleição de 2026 |</title>
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	<title>eleição de 2026 |</title>
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		<title>A estratégia de Lula de usar petróleo da Amazônia na eleição de 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Feb 2025 14:25:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[eleição de 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando embarcou para o Amapá, na semana passada, o&#160;presidente Luiz Inácio Lula da Silva&#160;(PT) tinha na bagagem dois grandes objetivos. O primeiro era intensificar seu périplo pelo Brasil em um momento de&#160;baixa popularidade. Em dois meses, a aprovação de Lula caiu de 35% para 24%, segundo o Datafolha, o menor índice de todos os seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Leandro Prazeres</strong></li>



<li><strong>Da BBC News Brasil em Brasília</strong></li>



<li>X,<strong>@PrazeresLeandro</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Quando embarcou para o Amapá, na semana passada, o&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cpzd4zx0272t">presidente Luiz Inácio Lula da Silva</a>&nbsp;(PT) tinha na bagagem dois grandes objetivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro era intensificar seu périplo pelo Brasil em um momento de&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2px4kjpe4o">baixa popularidade</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dois meses, a aprovação de Lula caiu de 35% para 24%, segundo o Datafolha, o menor índice de todos os seus mandatos. A reprovação também atingiu recorde, passando de 34% a 41%.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo, estreitar sua relação com um dos homens mais poderosos da República: o presidente do Senado,&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd6473gl6wqo">Davi Alcolumbre (União-AP)</a>, eleito pela segunda vez para o cargo no início de fevereiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um palanque montado para uma plateia selecionada, Lula cumpriu o plano com um discurso que agradou Alcolumbre e a classe política local, mas deixou ambientalistas contrariados e preocupados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ninguém pode proibir que a gente deixe o Amapá pobre se tiver petróleo aqui&#8221;, disse Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem mencionar diretamente o tema, Alcolumbre disse que &#8220;o mundo&#8221; não estaria em condições de cobrar compromissos ambientais do Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não venha o mundo cantar de galo em relação à nossa capacidade de preservar. O mundo não pode impor ao Amapá nada na relação da preservação e manutenção do meio ambiente&#8221;, disse o senador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As declarações de Lula e Alcolumbre foram uma alusão clara à exploração de petróleo na bacia sedimentar da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgnw05xpllo">Foz do Amazonas</a>, uma região localizada a 500 quilômetros da costa do Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Amapá vive a expectativa em torno dos supostos benefícios da possível exploração de petróleo na região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estado tinha 33% da sua população vivendo em pobreza extrema, média superior à brasileira, de 27,5%, segundo cálculos do Instituto Jones dos Santos Neves (IJNS), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pesquisas sobre petróleo na região, no entanto, estão paralisadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas são defendidas pela classe política amapaense. Alcolumbre é um dos principais entusiastas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, cientistas e ambientalistas alertam para os riscos que a exploração de petróleo pode ter na região, considerada ambientalmente sensível.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/52e2/live/3d430580-ee33-11ef-9aaf-097164145943.jpg.webp" alt="Lula em evento da Petrobras"/><figcaption class="wp-element-caption">Agência Brasil<br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Cientistas políticos e ambientalistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que as declarações recentes de Lula sobre a Foz do Amazonas indicam que a exploração de petróleo na região entrou no cálculo político de Lula para o que resta de seu mandato e, principalmente, de olho na eleição presidencial de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo eles, o aceno de Lula seria uma forma de tentar garantir o apoio de Alcolumbre para garantir alguma governabilidade no Congresso Nacional nos próximos dois anos em meio a uma dificuldade crônica de manter a coesão de sua base política no Parlamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, a aposta no petróleo da Margem Equatorial seria uma forma de lançar as bases para atrair votos não apenas no Amapá, mas em Estados do Nordeste e na região Norte com base nos supostos recursos bilionários que o petróleo da Margem Equatorial poderiam gerar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seria uma espécie de reedição do chamado&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50311115">&#8220;milagre&#8221; do pré-sal</a>, descoberto durante os primeiros dois governos de Lula, que classificou na época a descoberta como um &#8220;bilhete premiado&#8221; e um &#8220;passaporte para o futuro do Brasil&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na segunda-feira (18/2), Lula, vestido com trajes de funcionários da Petrobras, voltou a falar sobre a importância da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu não defendo a Petrobras porque eu como petróleo, eu não como. Porque eu bebo gasolina, eu não bebo. Eu bebo outro álcool, mas gasolina, não&#8221;, disse o presidente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É preciso que a gente assuma uma responsabilidade e defenda com mais coragem aquilo que a gente acredita. Se não levarmos a sério, entra outro cara e vai privatizar vocês. Vai mandar vocês embora.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Procurado pela BBC News Brasil, o Palácio do Planalto disse em nota que &#8220;o compromisso desta gestão é agir com responsabilidade ambiental, cumprindo com rigor todos os requisitos ambientais e considerando a capacidade de retorno dessa exploração para o país&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Questionado sobre o cálculo político de Lula e como isso poderia influenciar ou não a liberação da exploração na região, o Planalto não respondeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reportagem também enviou questionamentos a respeito do assunto ao Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva (Rede), mas não obteve retorno.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Governabilidade-e-eleições">Governabilidade e eleições</h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/21aa/live/e53553f0-ed62-11ef-aef0-cd3823077270.png.webp" alt="Marina Silva, de pé, fala com Lula, sentado, ambos com a bandeira do Brasil ao fundo"/><figcaption class="wp-element-caption">Reuters<br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Para Marco Antonio Teixeira, professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, as falas de Lula sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas fazem parte de um complexo cálculo político.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não é apenas um cálculo de governabilidade&#8221;, diz Teixeira à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Alcolumbre não é só presidente do Senado. Ele é um senador pelo Amapá. Todo esse contexto faz com que o governo olhe para isso de uma forma política e não apenas ambiental.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Teixeira, Alcolumbre é considerado uma peça vital para o sucesso da articulação política do governo, uma vez que, como novo presidente do Senado, ele tem o controle sobre a pauta da Casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu apoio é importante para que projetos importantes para o governo sejam postos em votação ou para evitar a aprovação de eventuais pautas-bomba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Alcolumbre é uma das principais lideranças do União Brasil, partido que faz parte da base governista, embora não esteja inteiramente alinhado com a gestão petista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Senado, por exemplo, o partido tem sete senadores. Na Câmara, são 59 deputados federais. Com uma base política fragmentada, o apoio do União Brasil é considerado estratégico pelo governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Neste momento, o governo precisa dar sinais como esse, porque não o fazer implicaria desagradar o presidente do Senado&#8221;, diz Teixeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O momento para esse tema é mais delicado agora do que quando Alcolumbre era apenas um senador. Além disso, ele pode ajudar a angariar apoio do União Brasil, que é um partido dividido.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro elemento que, segundo Teixeira, pesaria no cálculo de Lula é a conta para a reeleição de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas apontam que, apesar de ele ainda ser competitivo em cenários com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula está perdendo popularidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, ter projetos puxadores de voto torna-se imprescindível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Amapá tem apenas 571 mil eleitores de um total de 155 milhões em todo o Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, no entanto, Lula viu um movimento incomum no Estado. Ele venceu a eleição ali no primeiro turno, mas perdeu entre os eleitores amapaenses no segundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eduardo Grin, pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz não ter dúvidas de que a liberação para as perfurações de pesquisa na Foz do Amazonas já teria entrado na conta da governabilidade e das eleições de 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Isso é apenas uma questão de tempo para liberar&#8221;, diz Grin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As falas de Lula sobre o assunto revelam que ele tem pressa em liberar essa perfuração porque é uma forma de pressionar o Alcolumbre para aprovar pautas importantes para o governo como a reforma tributária e ajuste fiscal.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Grin, não seria bom negócio para o governo manter o projeto parado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Segurar a perfuração teria um custo elevado, porque é importante ter o apoio de Alcolumbre&#8221;, afirma o pesquisador.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Então, ponderando os prós e os contras, o governo entende que é mais importante liberar isso do que comprometer o projeto mais importante da reeleição&#8221;, prossegue.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O governo já fez o cálculo político dos efeitos negativos dessa liberação. Há expectativa de que haja reação internacional, mas quem vota no Lula é quem mora no Brasil. Não são os organismos internacionais.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o coordenador da bancada ambientalista na Câmara dos Deputados, Nilto Tatto (PT-SP), o movimento do presidente Lula obedece a uma lógica política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele afirma que é contra a exploração de novos poços de petróleo, mas diz entender a posição de Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Do ponto de vista político, o governo não tem muita opção. Não podemos esquecer que a chapa que elegeu o Lula presidente tem 130 deputados entre 513. No Senado, a fotografia é parecida. A base é pequena&#8221;, diz Tatto à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tem muitos setores econômicos que querem fazer exploração (na Foz do Amazonas). É só ver o tamanho, a dimensão da Petrobras, que você entende do que estamos falando&#8221;, prossegue.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Além disso, há pressões de setores da sociedade que não dialogam com a ideia de que a pauta ambiental é importante para o enfrentamento da crise climática.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O deputado acrescenta ainda: &#8220;Quando falamos da necessidade do governo em ampliar (a produção de petróleo) pensando em 2026, estamos falando de toda essa cadeia interessada. Este é o ponto de vista do governo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O movimento do Lula aponta para uma possibilidade de governabilidade porque se você pegar toda a cadeia, não só do petróleo, mas do setor de energia, ela tem uma força política muito grande no Congresso Nacional&#8221;, diz Tatto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coordenador de Política Internacional da organização não governamental Observatório do Clima, Cláudio Ângelo, também concorda que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas virou uma espécie de moeda política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Assim que Alcolumbre assumiu, ele começou a falar dessas barbaridades. Lula sabe que vai ter dificuldades na Câmara dos Deputados e quer contar com a simpatia do presidente do Senado&#8221;, diz Ângelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Por isso, acho que a Foz do Amazonas entrou na conta da governabilidade e explica esse afã petroleiro de Lula.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meio aos acenos políticos feitos por Lula, ambientalistas vêm se mostrando cada vez mais preocupados com os possíveis efeitos negativos dessas manifestações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um deles seria a pressão política sobre um órgão que deveria atuar de forma técnica como o Ibama.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As manifestações do Presidente da República acrescentam uma nova camada de pressão sobre a discussão de explorar petróleo na Foz do Amazonas&#8221;, diz Rárisson Sampaio, porta-voz de transição energética do Greenpeace Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Há um coro com outras falas que já vinham ocorrendo em outros espaços políticos, sobretudo por agentes de governo e parlamentares.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo ele, o Ibama deveria ficar isento de pressões políticas para decidir sobre o assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O Ibama não é agente de governo, mas uma autarquia federal com autonomia e competência definida por lei, de modo que é preciso respeitar suas decisões, mesmo quando estas são desfavoráveis ao intento político&#8221;, afirmou Sampaio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a ex-ministra do Meio Ambiente durante a gestão de Dilma Rousseff Izabela Teixeira, o processo de licenciamento sobre a Foz do Amazonas&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgnw05xpllo">teria sido afetado pela politização.</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para discutir se vamos explorar petróleo em uma área sensível, é preciso antes saber se há viabilidade nela&#8221;, disse ela à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A politização contamina a discussão técnica. Vamos imaginar que não haja viabilidade lá: morrerá o assunto, certo?&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação da ex-ministra, Lula errou na forma como tratou do assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ele errou. O papel dele é entender os interesses do país e cobrar celeridade e eficiência dos processos institucionais, mas não é papel dele — nem de ninguém — apequenar instituições públicas competentes e responsáveis tecnicamente&#8221;, disse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Sampaio, as declarações de Lula representam uma contradição em relação ao papel de liderança climática que o Brasil pretende projetar, especialmente às vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Clima (COP 30), que será realizada em Belém (PA), no final do ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Este governo está firmemente comprometido em expandir a exploração de petróleo no país, mesmo que isso se dê ao custo de fragilizar uma das regiões mais sociobiodiversas do planeta, como é a região Amazônica&#8221;, diz Sampaio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Tal postura revela a contradição nos rumos da transição energética brasileira.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, o presidente da COP 30, embaixador André Correa do Lago, disse à BBC News Brasil que&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c98ym2y9q7qo">não ver contradição entre a expectativa de o Brasil explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas</a>&nbsp;e o papel de liderança que o país tenta passar na área ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se você pegar qualquer país do mundo, eles estão fazendo coisas com vistas a chegar à meta de neutralidade de emissões&#8221;, afirmou o diplomata.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/f997/live/dd884ae0-ed53-11ef-bd1b-d536627785f2.png.webp" alt="Foz de rio amazônico desaguando em região repleta de florestas"/><figcaption class="wp-element-caption">Reuters<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Petróleo-polêmico">Petróleo polêmico</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A controvérsia em torno da exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas se arrasta há anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A região é uma bacia sedimentar no Oceano Atlântico. Ela faz parte de uma área maior chamada Margem Equatorial, que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A região é a principal aposta do governo brasileiro para renovar suas reservas de petróleo depois dos poços localizados na camada pré-sal, descobertos em 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A expectativa em torno da exploração na Foz do Amazonas ficou ainda maior depois que, a partir de 2015, países como a Guiana e o Suriname, países geograficamente próximos ao Amapá, passaram a extrair petróleo em grandes quantidades gerando bilhões de dólares por ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar disso, a exploração na Foz do Amazonas ainda não começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tema estava adormecido nos últimos meses até que Alcolumbre venceu a eleição para a presidência do Senado, em 1º de fevereiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lula deu depois disso declarações cobrando o Ibama por uma posição sobre o tema e chegou a dizer que seria preciso acabar com o &#8220;lenga-lenga&#8221; em torno do assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se depois a gente vai explorar, é outra discussão. O que não dá é para a gente ficar nessa lenga-lenga, com o Ibama sendo um órgão do governo e parecendo ser contra o governo&#8221;, disse Lula em entrevista à rádio Diário FM, do Amapá, na sexta-feira passada (14/2).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante das declarações de Lula, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse estar habituado a trabalhar sob pressão, mas afirmou nunca ter sido pressionado pelo presidente sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Isso é normal. Se eu não gostasse de pressão, não estava fazendo o que eu faço. Eu preciso também ser justo&#8221;, disse Agostinho ao jornal O Globo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O presidente nunca me pressionou para isso, mas de tempos em tempos tem empreendimentos que são emblemáticos e a sociedade toda cobra uma resposta. Vejo isso com muita naturalidade.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Presidência da República disse em nota à BBC News Brasil que Lula &#8220;tem defendido a necessidade de o Brasil conduzir pesquisas para descobrir se há ou não petróleo na região da margem equatorial amazônica, que está a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas, como outros países já estão fazendo, mas com toda segurança necessária&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo defendeu ser importante para o futuro do país explorar essas reservas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É fundamental considerar a importância estratégica dessa riqueza, que pode, por exemplo, financiar a transição energética e colocar definitivamente o Brasil como a potência mundial da energia verde&#8221;, disse o Planalto em nota.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os recursos provenientes da exploração podem, ainda, possibilitar mais investimentos em ações voltadas para o combate ao desmatamento e em áreas sociais como educação e saúde.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, a Petrobras aguarda uma manifestação do Ibama sobre uma licença ambiental para a perfuração de um poço com o objetivo de pesquisar se há petróleo no local e, caso haja, se a exploração na região seria economicamente viável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, a área técnica do Ibama não liberou a licença afirmando que a Petrobras não havia cumprido requisitos técnicos necessários para garantir a segurança da região no caso de um eventual vazamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estatal, no entanto, vem argumentando que já cumpriu as últimas exigências feitas pelo órgão e que aguarda a liberação da licença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambientalistas, por sua vez, dizem que a exploração nesta área pode levar à destruição de ecossistemas sensíveis como manguezais e recifes de corais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, sinalizaria um retrocesso ambiental na medida em que o mundo deveria diminuir, em vez de aumentar, o ritmo da exploração de petróleo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No governo, o tema divide opiniões. Enquanto ministros como o da Casa Civil (Rui Costa) e de Minas e Energia (Alexandre Silveira) defendem a exploração de petróleo na região, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vem sustentando que a decisão sobre a liberação ou não da licença será técnica e não política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sexta-feira, Lula disse &#8220;ter certeza que Marina jamais será contra&#8221; a exploração de petróleo na foz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Porque a Marina é uma pessoa muito inteligente. O que ela quer, não é &#8216;não fazer&#8217;, mas é &#8216;como fazer&#8217;. Isso é uma coisa que eu quero, ela quer e você quer&#8221;, disse Lula à Diário FM.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Como fazer para a gente não ser predatório com a nossa querida Amazônia. Por isso, acho que a gente vai fazer.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um evento ao lado de Lula após as declarações do presidente, a ministra não falou do assunto diretamente, mas defendeu a manutenção de investimentos em descarbonização e na transição energética do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O mundo vai ter que fazer essa transição&#8221;, disse a ministra.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Belo-Monte-de-Lula">&#8216;Belo Monte de Lula&#8217;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para ambientalistas ouvidos pela BBC News Brasil, a insistência do atual presidente em torno da exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode fazer com que o projeto fique conhecido como a &#8220;Belo Monte&#8221; de Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A referência é uma menção à usina hidrelétrica de Belo Monte, iniciada durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que foi alvo de intenso debate entre governistas e ambientalistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exemplo do que acontece agora com o petróleo na Foz do Amazonas, a liberação para as obras de Belo Monte também colocava o governo e ambientalistas em lados opostos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cientistas alertavam que a construção da usina poderia prejudicar populações indígenas que viviam às margens do rio Xingu, no Pará, além de afetar a fauna e a flora da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em janeiro de 2011, o então presidente do Ibama Abelardo Bayma pediu exoneração do cargo em meio ao aumento das pressões para a liberação da obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu lugar, assumiu Curt Trennepohl. Seis meses depois, em junho, a licença para o início da obra foi liberada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Doze anos depois, técnicos do Ibama constataram que alguns dos prejuízos previstos inicialmente se materializaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relatórios do órgão obtidos pelo site Sumaúma apontaram danos a populações indígenas como os povos Yudjá/Juruna e Xikrin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um desses danos foi a criação dos chamados &#8220;remansos&#8221;, espécies de redemoinhos que prejudicam a navegação e desgastam as margens do rio, aumentando a erosão do rio Xingu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso também teria efeitos sobre os estoques pesqueiros, considerados essenciais para a sobrevivência das populações tradicionais da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que marcou o projeto de Belo Monte foi a sobreposição de uma decisão política em contraposição a diversas análises que apontavam para os graves problemas socioambientais da obra, situações estas que se mostraram verdadeiras no longo prazo&#8221;, diz Sampaio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre a Foz do Amazonas, um despacho da área de licenciamento ambiental do Ibama de 2023 apontou que os modelos e planos de segurança apresentados pela Petrobras até então precisavam ser melhorados por conta da sensibilidade da região em que a estatal pretende fazer suas perfurações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A depender do local escolhido, sua sensibilidade social e ambiental, erros nas previsões da modelagem podem prejudicar as estratégias de contenção e recolhimento de óleo e de proteção da fauna, o que leva ao aumento do risco de dano à biodiversidade e aos modos de subsistência de populações locais&#8221;, diz um trecho do documento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde então, a Petrobras tem enviado novos estudos em complemento às exigências feitas pelo Ibama numa tentativa de destravar o processo de licenciamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;No caso da Foz do Amazonas e da Margem Equatorial como um todo, vemos a repetição de alguns elementos por parte do governo federal&#8221;, diz Rárisson Sampaio, do Greenpeace Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Claudio Angelo, do Observatório do Clima, o paralelo faz sentido: &#8220;Todos os estudos diziam que Belo Monte ia ser um desastre, mas o governo decidiu fazer mesmo assim&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República</p>



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