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	<title>Escravidão |</title>
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	<title>Escravidão |</title>
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		<title>Antônio: Um nome entre os grilhões da escravidão em Ipirá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jul 2025 18:11:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Gleidson Souza (Ipirá City) No coração do sertão baiano, entre lavouras e fazendas que moldaram a economia colonial, viveu Antônio. Um homem escravizado, registrado em um inventário da Comarca de Ipirá no século XIX. Segundo o estudo de Edinaldo Carlos Oliveira dos Santos, Antônio tinha 31 anos, era filho de Bernardina e trabalhava no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Gleidson Souza (Ipirá City)</p>



<p class="wp-block-paragraph">No coração do sertão baiano, entre lavouras e fazendas que moldaram a economia colonial, viveu Antônio. Um homem escravizado, registrado em um inventário da Comarca de Ipirá no século XIX. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o estudo de Edinaldo Carlos Oliveira dos Santos, Antônio tinha 31 anos, era filho de Bernardina e trabalhava no serviço da lavoura, atividade essencial para a subsistência e riqueza da região. Avaliado em 800 mil réis, seu nome aparece como parte dos bens de uma senhora herdeira, revelando não apenas o valor econômico atribuído a ele, mas também a desumanização que permeava o sistema escravocrata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antônio não era apenas um trabalhador, era uma vida marcada por silêncios, resistências invisíveis e uma história que hoje emerge dos arquivos como símbolo de memória e justiça histórica. O artigo que traz esse registro foi publicado no site Jus Navigandi, onde o autor analisa documentos da Comarca de Ipirá, revelando o cotidiano de homens e mulheres escravizados na Bahia interiorana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem Ilustrativa: IA</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://jus.com.br/artigos/72057/uma-breve-reflexao-a-importancia-da-historia-da-comarca-de-ipira-ba">https://jus.com.br/artigos/72057/uma-breve-reflexao-a-importancia-da-historia-da-comarca-de-ipira-ba</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="40 ANOS DO AXÉ MUSIC" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/bSJOhY1ivxI?start=1913&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/antonio-um-nome-entre-os-grilhoes-da-escravidao-em-ipira/">Antônio: Um nome entre os grilhões da escravidão em Ipirá</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Como o Ceará se tornou o primeiro lugar do Brasil a abolir a escravidão, quatro anos antes da Lei Áurea</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 15:25:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ceará]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos principais teatros do&#160;Rio de Janeiro&#160;de 140 anos atrás, o Polytheama Fluminense, teve uma noite histórica em 25 de março de 1884. Foi quando se ouviu primeira vez, a marcha para orquestra&#160;Marselhesa dos Escravos, &#8220;numa festa em honra ao Ceará livre&#8221; — conforme registrou o antigo jornal Rua do Ouvidor, em uma edição comemorativa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais teatros do&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c06gq6krk66t">Rio de Janeiro</a>&nbsp;de 140 anos atrás, o Polytheama Fluminense, teve uma noite histórica em 25 de março de 1884. Foi quando se ouviu primeira vez, a marcha para orquestra&nbsp;<em>Marselhesa dos Escravos</em>, &#8220;numa festa em honra ao Ceará livre&#8221; — conforme registrou o antigo jornal Rua do Ouvidor, em uma edição comemorativa ao&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58034244">movimento abolicionista</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A música foi composta e regida por Antônio Cardoso de Menezes (1848-1915), um dos mais renomados musicistas do período conhecido como segundo império brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eram os ecos de um acontecimento histórico ocorrido naquele mesmo dia a cerca de 2,5 mil quilômetros da capital do país:&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48234172">na então província do Ceará estava extinta a escravidão</a>, quatro anos antes da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091474">Lei Áurea</a>&nbsp;decretar o fim desse regime de trabalho forçado em todo o território nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A declaração coube ao médico e político Sátiro de Oliveira Dias (1844-1913), então presidente da província. De acordo com informações do Senado, ele teria dito que &#8220;para a glória imortal do povo cearense e em nome e pela vontade desse mesmo povo, proclamo ao país e ao mundo que a província do Ceará não possui mais escravos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reverberou a notícia não só localmente. Um dos mais importantes nomes do movimento abolicionista, o farmacêutico e jornalista José do Patrocínio (1853-1905) estava em Paris e enviou uma carta ao escritor Victor Hugo (1802-1885), participando a ele a novidade. A carta de resposta do francês afirmava que a iniciativa cearense era um sinal de que &#8220;a barbárie recua e a civilização avança&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O grande significado, o maior impacto [do fato ocorrido no Ceará] foi ter efetivamente começado, ter sido a primeira abolição do Brasil. Logo depois veio no Amazonas [em 10 de julho do mesmo ano] e isso mostrava que era um caminho que se fortalecia&#8221;, analisa à BBC News Brasil a historiadora Martha Abreu, professora na Universidade Federal Fluminense e pesquisadora na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O movimento abolicionista estava ganhando os seus primeiros resultados e o país já não era só escravista&#8221;, acrescenta ela. &#8220;Foi uma vitória simbólica e política que teve enorme repercussão, animando o movimento abolicionista.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Professor na Universidade Estadual Paulista, o historiador Paulo Henrique Martinez enfatiza que, após o ato, &#8220;o fim do trabalho escravo se tornava uma realidade econômica e social concreta&#8221; no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Uma opção política sem riscos para os grandes proprietários rurais que tinham investido recursos na aquisição e manutenção de cativos&#8221;, diz ele, à BBC News Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele também destaca o &#8220;efeito multiplicador&#8221; do ocorrido, algo buscado pelas campanhas abolicionistas. &#8220;A abolição mostrava-se como o resultado de ações efetivas, de uma campanha ativa e dinâmica, impulsionada pela sensibilização e o engajamento da opinião pública e pela mobilização de maior apoio político e social&#8221;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Este foi o primeiro êxito coletivo, ultrapassando as vitórias alcançadas em situações individuais, localizadas e de pequenos grupos, como o apoio clandestino a fugas, a compra de alforrias ou iniciativas humanitárias e piedosas de senhores de terras e proprietários de cativos em áreas urbanas.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisador no grupo Intelectuais e Política nas Américas, da Universidade Estadual Paulista, e professor no Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, o historiador Victor Missiato situa a abolição no Ceará como &#8220;um marco dentro de um movimento amplo pelo fim da escravidão&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Representa um marco político institucional, para além de um marco cultural, social e histórico&#8221;, avalia ele, à BBC News Brasil. &#8220;Marca o início da abolição e isso ocorra dentro das instâncias representativas, dentro de um império que não estava mais tão centralizador como antes.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Missato atenta para o fato de que o ato denota que havia &#8220;uma flexibilidade provincial&#8221; e uma certa &#8220;autonomia provincial&#8221; dentro do império.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É interessante pensar e falar sobre esse momento porque a gente fala sobre a abolição longe de uma perspectiva do episódio. Tratar o 13 de maio de 1888 [data da Lei Áurea] como um raio no céu azul é bastante complicado porque não é isso, [a abolição] é consequência de um acúmulo de lutas de atores diversos, de sociedades”, argumenta à BBC News Brasil o historiador Vitor Hugo Monteiro Franco, autor do livro&nbsp;<em>Escravos da Religião</em>&nbsp;e pesquisador na Universidade Federal Fluminense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“São essas pessoas que conduzem a abolição e não uma canetada da princesa Isabel. Perceber a abolição mais como um acúmulo de lutas do que como um episódio isolado é sempre muito bem-vindo e interessante”, defende ele.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Pouca-dependência-econômica-da-escravidão">Pouca dependência econômica da escravidão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas é preciso analisar o contexto da província cearense para entender como e por que esse marco institucional ocorreu lá. E a primeira razão que explica esse pioneirismo está não exclusivamente nas pressões sociais, mas também no viés econômico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Uma das razões é que em 1872 os escravos eram apenas 4% da população do Ceará, e esse percentual foi diminuindo em razão da venda de escravos cearenses para as regiões cafeeiras de São Paulo&#8221;, explica o historiador Renato Pinto Venancio, professor na Universidade Federal de Minas Gerais e autor de, entre outros,&nbsp;<em>Cativos do Reino: a circulação de escravos entre Portugal e Brasil</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A grande seca dos anos 1877-1879 [na região] acelerou esse processo de venda de escravos para outras regiões&#8221;, salienta ele. &#8220;Em outras palavras, no início da década de 1880, a classe dominante local não dependia mais economicamente dos escravos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreu concorda. &#8220;Precisamos ver que a escravidão negra não era o carro chefe da mão de obra no Ceará, não era fundamental para o movimento econômico de lá. Havia muitos trabalhadores já libertos, muitos indígenas escravizados ou não, então há uma importância não tão grande da mão de obra escrava negra, o que faz não haver uma classe senhorial que se agarrasse na escravidão como se aquilo, caso acabasse, representasse a sua morte&#8221;, lembra a historiadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A dinâmica econômica naquela província, por um lado, foi revelando a obsolescência e a inviabilidade da mão de obra cativa e, por outro, a organização e atuação de associações e de líderes abolicionistas e que assumiu, naquelas circunstâncias, dimensões e eficácia política singular&#8221;, diz Martinez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A excepcionalidade do que aconteceu no Ceará é testemunha dessa circunscrição ao contexto regional e cearense pois o fato não se repetiu em nenhuma outra província do Império.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Missiato lembra do contexto abolicionista brasileiro, sobretudo depois de leis restringindo e, depois, proibindo o chamado tráfico negreiro, ou seja, a chegada de novos escravizados, pelo Atlântico, diretamente da África.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto acabou intensificando um comércio interno de escravizados. E o nordeste se tornou um grande fornecedor para o sudeste, onde a cafeicultura ia crescendo e absorvendo mais mão de obra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Com o café já deslocando o centro do poder econômico do país para o sul, muitos escravos começam a sair da região nordeste por meio do tráfico interno&#8221;, comenta. &#8220;É um contexto que deixou o número de escravos ao norte muito reduzido.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Especificamente no Ceará, isso era ainda mais intenso. &#8220;Porque ali, historicamente, a agricultura de cana de açúcar não era a única grande produção econômica. Havia pecuária, circulação comercial e atividades que não exigiam tanto a mão de obra escrava. Além disso, a presença indígena era muito forte&#8221;, analisa ele.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Movimento-abolicionista">Movimento abolicionista</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, o contexto social, político e histórico também não pode ser negligenciado. A luta de parte da sociedade pela abolição era grande em diversos pontos do país — e o Ceará fazia parte desse movimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Havia no Ceará a partir de 1850 um movimento político intelectual muito forte, com impacto na opinião pública e uma incipiente sociedade civil, que lutava pelas ideias abolicionistas e absorviam as ideias que vinham de fora&#8221;, diz Missiato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A conjuntura do movimento abolicionista era uma realidade no Brasil&#8221;, acrescenta Abreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;E, principalmente a partir dos anos 1880, tinha ramificações em todas as grandes cidades. Estava enraizado nos setores intelectuais, entre os letrados. Era um movimento urbano, artístico e social muito importante, junto a irmandades negras e associações de trabalhadores.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O historiador Martinez ressalta a participação da elite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Convém lembrar que a base social do abolicionismo no Ceará contou com representantes de grupos econômicos poderosos, os seus contatos no Rio de Janeiro, acesso e influência parlamentar na Assembleia do Império&#8221;, pontua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;No início da década de 1880 surgiram agremiações de abolicionistas na província. Em 1882, José do Patrocínio participou de atos e encontros pelo fim da escravidão no Brasil. Em 1883, foi criada a Confederação Abolicionista com a finalidade de coordenar campanhas e ações em todas as províncias do Império. A Sociedade Abolicionista Cearense integrou o agrupamento de entidades associativas que esteve na origem desta Confederação.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Jangadeiros">Jangadeiros</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Houve nessa província um antecedente importante da luta. Por isso, Venancio atenta que, &#8220;apesar dessas condições estruturais favoráveis&#8221;, não pode ser esquecido o papel do movimento abolicionista no episódio de 1884. &#8220;Ele [o abolicionismo] existiu no Ceará e inclusive teve apoio popular, como no&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56034928">caso dos jangadeiros</a>&#8220;, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abreu comenta que os jangadeiros &#8220;foram um grande exemplo&#8221; do movimento abolicionista naquela região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em janeiro de 1881, os jangadeiros que atuavam no Porto de Fortaleza decidiram fazer uma greve, fechando o porto ao tráfico de escravizados. A ação foi liderada pela Sociedade Libertadores Cearense. Até 1884, esse movimento teve altos e baixos, inclusive com confrontos entre os militantes e a polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ânimos só começaram a ser apaziguados quando Sátiro Dias assumiu o governo da província, em 1883. Simpático às ideias abolicionistas, ele passou a dialogar com os grevistas e, claro, a extinção da escravidão no Ceará acabou sendo a hábil solução do político.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Repercussão">Repercussão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Uma medida dessas [a abolição cearense] soltou a chama da liberdade, que se espalhou pelo país inteiro, ainda que naquela época as notícias demorassem um pouco mais para serem conhecidas&#8221;, afirma à BBC News Brasil o advogado Humberto Adami, presidente da Comissão Estadual da Verdade da Escravidão da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil no Rio de Janeiro, vice-presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escradião Negra do conselho federal da OAB e presidente da Comissão de Igualdade Racial do Instituto dos Advogados Brasileiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A primeira notícia de abolição da escravidão acabou fazendo com que seguidores dessas ideias seguissem lutando por elas&#8221;, complementa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A historiadora Abreu lembra que, nesse momento, havia uma verdadeira rede de abolicionistas, com intercâmbio de informações. &#8220;E o Ceará acaba ganhando uma projeção enorme&#8221;, ressalta ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Foi o primeiro rompimento da ordem escravista nacional. Saiu em todos os lugares. Teve comemorações em Londres e Paris, afinal a rede abolicionista era internacional. O Ceará passou a fazer parte, junto a outros locais, dessa evidência do fim da escravidão. Quanto mais territórios livres houvesse no mundo, melhor&#8221;, analisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Venancio comenta que &#8220;a recepção da abolição do Ceará na corte&#8221; foi &#8220;muito positiva e acelerou a adesão ao abolicionismo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os protagonistas e as ações verificadas no Ceará foram saudados e aclamados pelos dirigentes e participantes nas campanhas pela abolição em diferentes cidades, jornais e pronunciamentos públicos, sobretudo no Rio de Janeiro. O líder dos jangadeiros que promoveram o boicote ao desembarque de cativos no porto de Fortaleza, posteriormente, foi recebido e festejado no Rio de Janeiro, proporcionando aglomerações e animando discursos, artigos, conferências e conversas nas ruas, teatros e salas de visitas&#8221;, enumera Martinez.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O debate sobre o tema e os rumos a serem seguidos para abolir a escravidão em todo o Império adquiria presença e crescente visibilidade pública. Nos gabinetes ministeriais, nos discursos parlamentares, nos tribunais, nos círculos de negócio e do comércio as opiniões, críticas e argumentos sobre a abolição eram aventadas e discutidas abertamente, sendo incorporadas à agenda política até a Lei Áurea, em 1888.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o historiador, a busca de uma solução política a curto prazo se tornou urgente, porque era preciso espantar &#8220;o temor da participação popular e da autonomia que adquiriram o protesto negro e a revolta dos cativos nas fazendas&#8221;. &#8220;Ainda que as resistências a ela tenham sido duras e persistentes nos quatro anos seguintes aos episódios no Ceará&#8221;, pondera ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / Fonte: ARQUIVO NACIONAL</p>



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<iframe title="Artistas no mundo da pintura: suas experiências e inspirações" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/xnGWu7n1TjI?start=745&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>MS: seis trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Aug 2023 18:11:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Resgate]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vítimas trabalhavam com extração de eucalipto na Fazenda Santa Teresa, em Laguna Carapã Seis trabalhadores, entre eles três paraguaios, foram resgatados de situação análoga à escravidão em Mato Grosso do Sul. As vítimas trabalhavam com extração de eucalipto na Fazenda Santa Teresa, localizada no município de Laguna Carapã, e eram submetidos a condições degradantes. A operação&#160;do Ministério [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>Vítimas trabalhavam com extração de eucalipto na Fazenda Santa Teresa, em Laguna Carapã</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Seis trabalhadores, entre eles três paraguaios, foram resgatados de situação análoga à escravidão em Mato Grosso do Sul. As vítimas trabalhavam com extração de eucalipto na Fazenda Santa Teresa, localizada no município de Laguna Carapã, e eram submetidos a condições degradantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A operação&nbsp;do Ministério Público do Trabalho (MPT) em conjunto com agentes da Polícia Militar Ambiental (PMA) ocorreu em&nbsp;25 julho, quando foi constatado uma série de violações trabalhistas e cíveis&nbsp;durante o período de acomodação e na lida da extração de madeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o MPT, os homens&nbsp;tinham que fazer suas necessidades no mato, tomar banho de caneca, lavar roupas em tanque quebrado e viver em alojamento de madeira sob condições extremas de insalubridade.&nbsp;A falta de energia elétrica e água encanada tornava a vivência ainda mais difícil, obrigando esses trabalhadores a improvisar soluções para a higiene pessoal e no preparo das refeições em fogão a lenha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o Ministério Público, um dos trabalhadores, de 58 anos, relatou ter sido abordado pelo produtor rural para exercer a atividade de extração de eucalipto em janeiro de 2022. O acordo verbal estabelecido foi que receberia 15 reais por metro cúbico de madeira cortada. O pagamento era mensal e, desde o último acerto, o trabalhador informou ter cortado 1800 metros cúbicos de troncos de madeira que ainda não tinham sido amontoados, além de outros 200 que já estavam amontoados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele explicou às autoridades que suportava essa situação para conseguir prover o sustento de sua esposa. O expediente de trabalho consistia em 10 horas diárias (das 6 às 17 horas), seis dias por semana, com uma hora de pausa para o almoço.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="720" height="90" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/13-2.jpg" alt="" class="wp-image-86864" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/13-2.jpg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/13-2-300x38.jpg 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Multa</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O produtor rural responsável pela fazenda foi notificado a comparecer na sede da Procuradoria do Trabalho de Dourados no dia 27 de julho, onde recebeu o prazo de 31 de agosto para quitar as verbas salariais e rescisórias devidas aos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: <strong>SBT News</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A evolução do marketing na FBF" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/5Ho4R0Lu-Kk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/ms-seis-trabalhadores-sao-resgatados-em-situacao-analoga-a-escravidao/">MS: seis trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Expressões usadas pelos brasileiros carregam rastros da escravidão</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 19:08:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A tarde &#8211; A coisa tá preta&#8221;, &#8220;boçal&#8221;, &#8220;criado mudo&#8221;, &#8220;morena (o)&#8221;, &#8220;mulata (o)&#8221;, &#8220;denegrir&#8221;, &#8220;lista negra&#8221;, &#8220;inveja branca&#8221;. Talvez você não saiba, mas estes são alguns dos termos racistas que muitos de nós, brasileiros, utilizamos em nossos diálogos diários. Infelizmente, por estarem enraizados em nossa cultura, estas expressões, algumas delas até bem óbvias, são [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">A tarde &#8211; A coisa tá preta&#8221;, &#8220;boçal&#8221;, &#8220;criado mudo&#8221;, &#8220;morena (o)&#8221;, &#8220;mulata (o)&#8221;, &#8220;denegrir&#8221;, &#8220;lista negra&#8221;, &#8220;inveja branca&#8221;. Talvez você não saiba, mas estes são alguns dos termos racistas que muitos de nós, brasileiros, utilizamos em nossos diálogos diários. Infelizmente, por estarem enraizados em nossa cultura, estas expressões, algumas delas até bem óbvias, são ditas com tanta naturalidade por boa parte da sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doutora em linguística e professora de língua portuguesa Fernanda Cerqueira explica que essa linguagem foi sendo construída ao logo dos mais de 350 anos de escravidão, tendo como base a premissa de que pessoas não brancas, em todas as suas especificidades, eram interiores às brancas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;No caso do Brasil, mais especificamente, o país experienciou mais de 350 anos de escravidão, os quais foram legitimados pela compreensão racializante de que pessoas não brancas seriam inferiores às brancas, de modo que pessoas negras e indígenas, no empreendimento colonial, sofreram os impactos dessa ideologia fortemente difundida por religões de base judaico cristãs, sob alegação de que negros não possuiam alma, e por abordagens supostamente científicas como a eugenia, segundo a qual pessoas negras seriam desprovidas de capacidade cognitiva&#8221;, expõe a doutora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Assim, casos como denegrir, reduzir à condição de negro; mulata, mulher negra de pele clara cuja origem interracial é associada à origem do animal mula, o qual, por sua vez, é um animal híbrido, fruto do cruzamento do asno macho com a égua; doméstica, que remete ao processo de domesticação imposto a animais criados no âmbito da casa; nigrinha, que embora significa, atualmente, mulher promíscua, na história da língua portuguesa já foi um uso concorrente em significado com negrinha; ou barriga suja, utilizada como qualificação negativa de mulher, em família interracial, cujo filho nasce com cor de pele escura ou fenótipo marcadamente negroide; ainda são muito recorrentes no português brasileiro, embora, no imaginário coletivo, sejamos uma &#8216;democracia racial'&#8221;, completa ela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Fernanda, essas expressões fazem parte de um contexto discriminatório, de um racismo estrutural e institucional que, a todo instante, tenta legitimar a incapacidade dos negros em estarem em determinados locais de poder. Nesse sentido, a cor da pele, as características negroídes e a estética são preponderantes e, muitas das vezes, determinam quais posições os negros devem ocupar na sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Já utilizei alguns termos racistas por falta de informação. E isso acontece com a maioria da população brasileira. E nós baianos, que somos a maioria negra, usamos esses termos e terminamos sendo racistas com nós mesmos. Então, diante dessa situação, se torna um ato falho com a causa negra e terminamos agindo como os não negros. A gente tem que trabalhar em cima de ação social e educação para acabar com isso&#8221;, relatou o cinegrafista Jonathas Costa, 30.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O psicólogo Matheus Santana afirma que estas expressões, para além do racismo e da depreciação dos negros, também exercem uma forte influencia na saúde mental dessas pessoas. &#8220;Essa forma de se comunicar pode contribuir diretamente na construção da autoestima e para o surgimento de crenças disfuncionais, que são percepções errôneas de si mesmo e do mundo e, a depender de como elas se estruturam, podem se enraizar e surgir em situações do nosso dia a dia em formato de pensamentos automáticos, como os pensamentos de rotulação: atribuindo traços negativos que englobam as pessoas completamente e influenciar no sentimento de menos-valia, que é a sensação de ser um sujeito de menos valor&#8221;, explica Santana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quando criança, sofri racismo sem saber. Na escola, os colegas sempre diziam que eu tinha cabelo duro, que era preto, negão. Em 2014, sofri racismo no lugar onde trabalhei como barman. Dois clientes brancos me chamaram e, quando me aproximei da mesa, falaram: &#8216;pretinho, chega aí! Descubra o nome daquelas meninas branquinhas que estão ali&#8217;. Não respondi porque só tinha três meses trabalhando, deixei para lá. Mas fiquei com raiva, chateado, mas por medo de retaliação, não fiz nada. Só quem é negro sabe o que é preconceito e racismo. E isso nos afeta psicologicamente&#8221;, relatou o cinegrafista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto o psicólogo quanto a doutora em linguística defendem que a saída para eliminar os termos racistas dos diálogos cotidianos é usar de bom senso e refletir sempre sobre o uso dessas expressões, tão corriqueiras, mas que geram muitos prejuízos. &#8220;Uma boa estratégia para lidar com essa situação é ampliar a consciência sobre o sentido dessas palavras e refletir de maneira crítica sobre o conteúdo que essa palavra tenta expressar. Um bom exemplo é o termo &#8220;cabelo ruim&#8221;, utilizado geralmente ao categorizar cabelos não lisos e depreciar os cabelos afro. Ao refletir sobre o conteúdo desse termo racista, podemos começar a pensar: Para quem esse cabelo é ruim? Por que para essas pessoas esse cabelo é ruim? Que fatores me influenciam para acreditar que isso faz um cabelo ser ruim?&#8221;, exemplifica Matheus Santana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Logo, é importante que sejamos estimulados a refletir sobre o uso que fazemos da língua e como esse uso contribui ou não para uma sociedade mais democrática. Assim, é fundamental que pensemos tanto sobre o uso de termos e expressões historicamente racistas, quanto que possamos refletir sobre nossas práticas&#8221;, conclui a professora Fernanda Cerqueira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>FALA POVO</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Juciara Nogueira &#8211; funcionária do lar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu falava alguns desses, mas não sabia o significado. Inclusive, dizia que era &#8220;doméstica&#8221; com muito orgulho. Agora, já não vou mais falar&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jacinara Silva &#8211; estudante de fisioterapia</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eu usava vários termos desses como : ‘Vou dormir que amanhã é dia de branco , morena , da cor do pecado , entre outros termos . Alguns eu nem conhecia como , ‘ estampa étnica’ e nem sabia que eram racistas . Agora, que já sei , vou me policiar e não falarei mais pois , agora sei que são termos ofensivos para muitas pessoas e não devemos perpetuar o racismo estrutural&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Andrea Carvalho &#8211; contadora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Soube pouco tempo atrás, que esses termos eram racistas: mulata e doméstica. Têm termos que estão tão entranhados, que a gente nem percebe, na verdade&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Simone Oliveira &#8211;&nbsp; Tecnóloga em logística</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Já sabia de alguns termos. Mas o cabelo r ui m, passei minha infância e adolescência usando esse termo e acreditando, de verdade, que cabelos cacheados e crespos&nbsp; eram ruins. Hoje, não uso mais esse termo porque entendi que não existem cabelos ruins, existem tipos de cabelos diferentes, inclusive, passei a me aceitar&#8221;.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Augusta Santos &#8211; Enfermeira</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Existem alguns termos que uso até hoje. Realmente, alguns são pesados. Antes, não me incomodava, mas, diante da forma em que é usado, acaba sendo agressivo! Terei que rever os meus conceitos&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Shirlene Apolinário &#8211; Pedagoga</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Alguns termos não conhecia a real definição, tipo criado mudo. Hoje, procuro não falar esses termos. Fico me policiando, e não me deixar essas raízes culturais erradas permanecer na minha vida.Temos que lutar muito para acabar com todos esses termos que machucam e tanto fazem pessoas sofrerem&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Beatriz Barreto &#8211; Estudante de arquitetura</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Já conhecia alguns&nbsp; e os usava, mas sem saber a história.&nbsp; Não vou usar mais e vou informar as outras pessoas que esses são&nbsp; termos racistas&#8221;.</p>



<h3 class="wp-block-heading">CONFIRA ALGUNS TERMOS RACISTAS</h3>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A COISA TÁ PRETA</strong>  &#8211; Quando querem dizer que algo é perigoso, desagradável, negativo, difícil. Associam algo ruim ao preto, que na visão racista, não é pode ser algo bom. <br><strong>INVEJA BRANCA</strong> &#8211;  Passa a ideia de que o que é branco é positivo, é bom. Levando a crer que o que é  preto  é ruim?<br><strong>CRIADO MUDO</strong> &#8211; Era o escravizado ou criado que ficava em pé e em silêncio, ao lado da cama dos &#8216;senhores&#8217; durante a noite, geralmente segurando água e objetos para servi-los.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>DENEGRIR</strong> &#8211; Quer dizer “tornar negro”. Apresente a ideia de que tudo  associado ao negro é negativo, é ruim.  <strong>MERCADO NEGRO / HUMOR NEGRO / LISTA NEGRA</strong>  &#8211; Tem o mesmo significado de denegrir.<br><strong>MEIA TIGELA</strong>  &#8211;  Quando o escravizado cumpria sua função, ganhava uma tijela cheia de comida. Quando não, recebia a tijela com menos comida, ou seja apenas a metade, o que levou a utilização do termo“meia tigela”.<br><strong>FEITO NAS COXAS</strong> &#8211; Na época da escravidão, os negros moldavam as telhas usadas nas casas dos &#8216;senhores, nas próprias coxas e como tinham os corpos diferentes, as telhas não ficavam iguais, com o mesmo formato e, por isso, estariam &#8216;mal feitas&#8217;. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MULATA</strong>  &#8211; A palavra faz referência a “cor de mula”. Ou seja, compara uma pessoa negra a um animal. <strong>CABELO RUIM / DURO / PIXAIM</strong>   &#8211; Classifica o cabelo afro, o cabelo crespo e o cacheado como sendo algo ruim.<br><strong>NÃO SOU TUAS NEGAS</strong>  &#8211; À época da escravidão, as mulheres negras eram propriedades dos homens brancos, eram submissas a eles. O termo, além de racista, é machista, dá a ideia de que as mulheres devem se submeter a vontade dos homens. <strong>PRETO DE ALMA BRANCA</strong>   &#8211; Tentativa de elogiar uma pessoa negra, mostrando que, por ser &#8216;boa&#8217;, ela se assemelha a uma pessoa não negra. É um negro &#8220;diferenciado&#8221;.<strong><br>NHACA</strong>  -Inhaca é uma Ilha de Maputo, em Moçambique, onde vivem até hoje os povos Nhacas, um povo Bantu. Aqui no Brasil, usam o termo inhaca para dizer que alguém está com odor corporal, e assim  faz relação a um povo preto.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>BOÇAL</strong>  &#8211; Comumente usado para chamar alguém de ignorante, sem conhecimento. O termo é uma referência ao negro escravizado recém-chegado ao Brasil e que não sabia falar o português.<br><strong>DOMÉSTICA</strong> &#8211; A palavra, usada hoje para retratar secretárias do lar, vem do termo “domesticado”, que é tudo aquilo que o homem pode domesticar, incluindo animais. Era usado para classificar as escravas negras que trabalham para os senhores e eram &#8220;domesticadas&#8221; através de torturas.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/expressoes-usadas-pelos-brasileiros-carregam-rastros-da-escravidao/">Expressões usadas pelos brasileiros carregam rastros da escravidão</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O trabalho como uma espécie de escravidão contemporânea</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2020 19:34:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Mayele Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[Contemporâneo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Mayele Brandão ( Portal Ipirá City) &#8211; Sexta, 7 de agosto de 2020 Ao falar de contemporaneidade faz-se referência a uma realidade, que é caracterizada pelo consumismo excessivo no mundo moderno, onde o tempo tornou-se insuficiente, e a logística gira em torno do acumulo de ter objetos de forma insaciável buscando o ideal de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Mayele Brandão ( Portal Ipirá City) &#8211; Sexta, 7 de agosto de 2020</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao falar de contemporaneidade faz-se referência a uma realidade, que é caracterizada pelo consumismo excessivo no mundo moderno, onde o tempo tornou-se insuficiente, e a logística gira em torno do acumulo de ter objetos de forma insaciável buscando o ideal de felicidade, para isso faz com o que homem pós-moderno trabalhe cada dia ainda mais (LIPOVETSKY E CHARLES, 2004).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, observa-se na sociedade atual um processo dialético, ou seja existem um conflito originado pela contradição entre os princípios acerca do trabalho, onde este é visto nos dias atuais pela grande maioria dos trabalhadores como algo imprescindível e indissolúvel, não conseguindo muitas vezes estabelecer limites e administrar seu tempo de forma a passar a maior parte dele com atividades laborais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso faz com que essas pessoas muitas vezes, negligenciem a sua saúde, o seu bem-estar para alcançar a suposta “felicidade”, o que em muitos casos os tornam reféns de seu trabalho, e expõem os trabalhadores a situações de desgastes físicos, psíquico e emocionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por conseguinte, a Psicóloga Mayele Brandão levanta o seguinte questionamento: Até que ponto o trabalho pode ser considerado escravo atualmente?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E a partir dessa indagação foi realizado um estudo de caráter bibliográfico e abordagem quantitativa, pela Psicóloga Mayele Brandão e o Psicólogo Daniel Alberto, com o intuito de contribuir para ampliação do conhecimento, e a compreensão dos impactos que o trabalho podem ocasionar na saúde dos trabalhadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estimular reflexão na sociedade, tendo em vista que as suas escolhas e atitudes estão estritamente relacionada em como administrar essa relação, é um dos objetivos desse estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, segundo Mayele, verificou-se que o trabalho é considerado escravidão na contemporaneidade quando os trabalhadores por motivos pessoais ou externos submetem ao excesso de trabalho para ao alcançar a suposta felicidade que a sociedade capitalista promete com o consumismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, de acordo com Mayele, foram encontradas evidências de que esse excesso traz danos à saúde do trabalhador como transtornos mentais, físicos e psicossociais e cabe ao trabalhador escolher até que ponto vale a pena ser escravo do trabalho.</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/o-trabalho-como-uma-especie-de-escravidao-contemporanea/">O trabalho como uma espécie de escravidão contemporânea</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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