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	<title>Esmeraldino Salles |</title>
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	<title>Esmeraldino Salles |</title>
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		<title>Livro resgata a obra do músico negro de choro Esmeraldino Salles e o retira da invisibilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Nov 2023 17:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Antonio Carlos Quinto / Arte: Carolina Borni Songbook que acaba de ser lançado traz a público a riqueza criativa do músico de choro que dialogava com o jazz Foi a partir de um “desafio” lançado em sua defesa de mestrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP que o músico e pesquisador Felipe [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Antonio Carlos Quinto</strong> / <strong>Arte: Carolina Borni</strong></p>



<p>Songbook que acaba de ser lançado traz a público a riqueza criativa do músico de choro que dialogava com o jazz</p>



<p>Foi a partir de um “desafio” lançado em sua defesa de mestrado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP que o músico e pesquisador Felipe Siles de Castro partiu para o projeto que tem, entre outros objetivos, tirar de uma vez por todas da invisibilidade o músico de choro Esmeraldino Salles e sua obra, boa parte dela ainda inédita para muitos. “O desafio foi feito pelo professor Pedro Aragão, que participou de minha banca, em 2021. Aceitei a empreitada e, de lá para cá, foram exatos dois anos de trabalho para a produção deste songbook”, conta o músico em entrevista ao&nbsp;<strong>Jornal da USP.</strong></p>



<p>O projeto é fruto da parceria entre Felipe Siles e a produtora&nbsp;<a href="https://www.illumina.fot.br/ill_pagina.php?mpg=01.00.00">Illumina Imagens e Memória Produção Cultural</a>, e foi viabilizado por meio de um edital do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Felipe Siles é o coordenador-geral do livro, que tem prefácio de seu “desafiante”, o professor Pedro Aragão. “Se o trabalho acadêmico já tinha um caráter de extraordinária riqueza, faltava agora disponibilizar para o grande público o legado musical deste genial nome do choro injustamente esquecido”, descreve Aragão no prefácio da obra.</p>



<p>Como descreve Felipe Siles, o trabalho é uma adaptação de seu estudo de mestrado realizado na ECA. A dissertação, intitulada&nbsp;<em><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27157/tde-07042022-114022/publico/FelipeSilesdeCastrooriginal.pdf">Uma noite no Sumaré: o choro negro e paulistano de Esmeraldino Salles</a></em>, teve a orientação do professor Marcos Câmara de Castro. O título da dissertação, como descreve o músico popular formado pela Universidade de Campinas (Unicamp), traz o nome da música que é, provavelmente, a mais conhecida da obra de Esmeraldino:&nbsp;<em>Uma noite no Sumaré</em>, de 1958.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/11/20231121_felipe_siles.jpg?fit=420%2C420&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-705104" style="width:232px;height:auto"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Felipe Siles &#8211; Foto: Cecília Bastos/USP Imagens</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Choro negro… choro paulistano</h2>



<p>Intitulado&nbsp;<a href="file:///C:/Users/JornaldaUSP/Downloads/Songbook%20-%20Esmeraldino%20Salles%20-%20v4%20r4%20(1)%20(1).pdf"><em>Esmeraldino Salles – O choro negro e paulistano</em></a>, o livro traz em suas 84 páginas boa parte da história de vida deste multi-instrumentista das cordas, negro, paulistano e autodidata que, segundo o músico e pesquisador, “tem grande importância na música popular brasileira, principalmente no choro”.</p>



<p>Nesta primeira edição foram confeccionados mil exemplares que estão sendo distribuídos gratuitamente, em parceria com a editora Illumina. “O objetivo é que a obra esteja acessível em universidades e clubes de choro, por exemplo. É a contrapartida social do projeto”, diz o músico, acrescentando que o grande objetivo é a difusão da obra e da trajetória de Esmeraldino, pois fica clara a questão do apagamento histórico pelo qual passou o músico. A publicação do songbook ocorreu em agosto último e todo o conteúdo também pode ser baixado pela internet, por meio&nbsp;<a href="https://esmeraldinosalles.wordpress.com/2023/08/25/esmeraldino-salles-o-choro-negro-e-paulistano/">deste link</a>.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/11/20231121_esmeraldinosalles_grupo.png?fit=888%2C420&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-705114"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Conjunto de Siles &#8211; Foto: Acervo pessoal de Paulo Sérgio Salles via Tese de Felipe Siles</h2>



<p>Mas além da história de vida e a trajetória de Esmeraldino, o livro traz 28 partituras de músicas da autoria do músico de choro. ”Algumas delas foram transcritas de memória por Izaías Bueno, músico conhecido aqui de São Paulo, que colaborou com o nosso projeto. Músicas de Esmeraldino chegaram a ser gravadas por nomes como Canhoto, Dominguinhos e Yamandú Costa. “Mas, por uma série de motivos, Esmeraldino ainda é um nome quase que totalmente desconhecido”, lamenta Felipe Siles. Dentre as obras descritas no songbook, quatro delas são inéditas do grande público:&nbsp;<em>Brisa</em>,&nbsp;<em>Valsa breve</em>,&nbsp;<em>Quando a saudade chega</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Choro pobre</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&#8220;Causos&#8221; de Esmeraldino</h2>



<p>Esmeraldino nasceu em 1916, na cidade de São Paulo, e passou toda a sua infância na zona leste da capital paulista. “Ele fez boa parte de sua carreira no rádio, em São Paulo, onde acompanhava cantores”, conta. “E, em 1942, ele foi convidado a tocar num conjunto regional da Rádio Tupi. Ele tocava cavaquinho no grupo regional de Antonio Rago”, conta o músico, lembrando que a música&nbsp;<em>Uma noite no Sumaré</em>&nbsp;foi composta em homenagem à Rádio Tupi.</p>



<p>E, entre partituras e informações da obra de Esmeraldino, Felipe narra também no livro alguns “causos” que marcaram a carreira do músico. O pesquisador conta que Esmeraldino tinha o chamado “ouvido absoluto”, de acordo com as pessoas que com ele conviviam. “Ele tocava na Rádio Tupi acompanhando os calouros e, quando um destes chegava à sua sala, Esmeraldino o atendia sozinho e pedia para ele cantar a música”, descreve Felipe Siles. “Bastava isso para que ele pegasse a tonalidade do calouro”, conta o pesquisador. “E foi numa dessas audiências de Esmeraldino que um músico do regional, chamado Domingos, escondeu-se atrás de uma porta com um violão, conferindo se Esmeraldino de fato identificava o tom do calouro, o que foi devidamente comprovado”, diz Felipe Siles.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/11/20231121_partitura_arabiando.jpg?ssl=1"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20231121_partitura_arabiando-qfp6k87lygin66izkxc9m2x9oz51rmj65iwve29log.jpg?w=1200&amp;ssl=1" alt="" title="20231121_partitura_arabiando"/></a></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Partitura da música &#8220;Arabiando&#8221;, de Esmeraldino Salles &#8211; Imagem: Reprodução/&#8221;Esmeraldino Salles: O choro negro e paulistano&#8221;/Felipe Siles</h2>



<h2 class="wp-block-heading">O jazz e o contexto racial</h2>



<p>Felipe Siles lembra que uma das principais características da obra de Esmeraldino é o diálogo que sua música mantinha com o jazz. “Podemos dizer que alguns músicos americanos foram referência para Esmeraldino. Afinal, o choro e o jazz são de matrizes africanas”, analisa Felipe Siles.</p>



<p>Ele questiona: “Esmeraldino não teve um disco com toda a sua obra ou parte dela. Seria talvez por ser um músico negro e paulistano?”. Felipe Siles lembra que Pixinguinha, também negro e bastante conhecido à época, havia conseguido quebrar preconceitos. “O choro era muito mais popular na cidade do Rio de Janeiro”, destaca. “E, além disso, Esmeraldino sempre foi reconhecido como um músico de rádio”, enfatiza.</p>



<p>Mesmo não sendo conhecido do grande público, Esmeraldino foi homenageado e celebrado por meio dos álbuns&nbsp;<em>Ao nosso amigo Esmê</em>&nbsp;(1980),&nbsp;<em>Tributo a Esmeraldino Salles</em>&nbsp;(2002) e&nbsp;<em>Esmê</em>&nbsp;(2017), e também por diversas composições de músicos relevantes como Izaías Bueno de Almeida, Maurício Carrilho e André Mehmari.</p>



<p><em>*Estagiária sob supervisão de <strong>Moisés Dorado</strong></em></p>



<p>Fonte: Jornal da USP</p>



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