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	<title>Esquitossomose |</title>
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		<title>Esquistossomose: pesquisadores brasileiros identificam alvo promissor para tratamento ao separar casal de vermes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Aug 2023 13:33:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Descoberta tem potencial para desenvolvimento de novo medicamento com menos efeitos adversos por atingir preferencialmente o parasito Terça, 15 de agosto de 2023 Os vermes causadores da esquistossomose só conseguem sobreviver na corrente sanguínea do hospedeiro se estiverem acasalados, ou seja, a fêmea vivendo dentro do macho para, assim, trocarem moléculas, produzirem e liberarem os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Descoberta tem potencial para desenvolvimento de novo medicamento com menos efeitos adversos por atingir preferencialmente o parasito</p>



<p class="wp-block-paragraph">Terça, 15 de agosto de 2023</p>



<p class="wp-block-paragraph" id="caption-attachment-28281">Os vermes causadores da esquistossomose só conseguem sobreviver na corrente sanguínea do hospedeiro se estiverem acasalados, ou seja, a fêmea vivendo dentro do macho para, assim, trocarem moléculas, produzirem e liberarem os ovos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma descoberta científica promissora pode representar um avanço significativo no combate à esquistossomose, doença parasitária negligenciada que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, identificaram um novo alvo terapêutico ao separar casais de vermes de&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>, parasito responsável por causar a doença no Brasil. O artigo intitulado “<a href="https://journals.plos.org/plospathogens/article?id=10.1371/journal.ppat.1011369" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Long non-coding RNAs are essential for Schistosoma mansoni pairing-dependent adult worm homeostasis and fertility</strong></a>” foi publicado na revista científica PLOS Pathogens em maio deste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Dr. Murilo Sena Amaral, um dos coordenadores do estudo, o objetivo do trabalho foi avaliar se RNAs longos não-codificadores de proteínas (lncRNAs) seriam essenciais para a viabilidade, sobrevivência e reprodução do&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>&nbsp;e, em seguida, utilizar esse conhecimento para propor lncRNAs como novos possíveis alvos terapêuticos. Como resultado, os pesquisadores descobriram que a retirada desses lncRNAs dos&nbsp;parasitos&nbsp;levou ao despareamento e à redução da viabilidade e da fertilidade dos&nbsp;esquistossomos, que passaram a produzir uma quantidade menor de ovos viáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Questionado sobre como a fertilidade dos vermes adultos é afetada pelos lncRNAs, o Dr. Amaral explica que a equipe identificou maior nível de expressão de alguns lncRNAs nos vermes adultos pareados do que naqueles não pareados. “Em seguida, alvejamos três desses lncRNAs do&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>&nbsp;para diminuir sua expressão nos vermes adultos pareados e observamos que a diminuição da quantidade desses lncRNAs nos&nbsp;parasitos, antes pareados, causou o despareamento e a redução da viabilidade e da fertilidade dos vermes, que passaram a produzir uma quantidade menor de ovos viáveis após o silenciamento dos lncRNAs”, detalha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o pesquisador, quando a redução da quantidade dos lncRNAs foi feita nos&nbsp;esquistossomos&nbsp;que infectavam&nbsp; camundongos (em um ensaio&nbsp;<em>in vivo</em>), houve morte de 30% dos&nbsp;parasitos,&nbsp;diferentemente do que ocorreu com o número de&nbsp;esquistossomos&nbsp;que infectavam camundongos controle, nos quais a expressão dos lncRNAs nos parasitos era normal. “Observamos que esses lncRNAs estão localizados nos tecidos reprodutivos dos vermes, o que indica que eles são importantes para a homeostase e a reprodução adequada desses&nbsp;parasitos”, acrescenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Novas estratégias terapêuticas contra a esquistossomose</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados dos experimentos realizados em laboratório mostraram uma significativa redução na produção de ovos pelos vermes e abrem caminho para futuras terapias que possam neutralizar o potencial devastador da esquistossomose em humanos. Por muitos anos, os tratamentos para essa doença tropical se concentraram em eliminar os vermes adultos do sistema circulatório do hospedeiro humano. No entanto, o praziquantel, principal antiparasitário indicado para o tratamento de infecções por helmintos ou trematódeos, como esquistossomose, teníase ou cisticercose, apresenta grandes limitações e está no mercado há muito tempo e há relatos de vermes resistentes.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">“Dado que os lncRNAs se mostraram essenciais para a homeostase e para a fertilidade dos vermes, terapias a serem desenvolvidas no futuro que alvejem os lncRNAs devem representar boas alternativas para o combate aos vermes e para o controle da esquistossomose”, destaca o Dr. Amaral. Os lncRNAs são moléculas normalmente menos conservadas entre as espécies que os genes codificadores de proteínas e, por isso, terapias alvejando lncRNAs do&nbsp;parasito&nbsp;têm o potencial de causar menores efeitos adversos nos humanos, que não possuem lncRNAs semelhantes, tornando os lncRNAs do&nbsp;esquistossomo&nbsp;&nbsp;mais atrativos como alvos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, o Dr. Amaral enfatiza a importância da descoberta. “Já foi mostrado que os lncRNAs desempenham papéis muito importantes para a sobrevivência de diversos organismos, mas essa foi a primeira vez que mostramos que são essenciais para a sobrevivência do&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>. Esse achado abre caminhos para que outras funções dos lncRNAs neste&nbsp;helminto, relacionadas a outros processos metabólicos, sejam descritas, o que os coloca como possíveis novos alvos terapêuticos no futuro”, frisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa é a primeira vez que lncRNAs são descritos como possíveis alvos terapêuticos em um&nbsp;parasito; essa identificação abre perspectiva para a caracterização destas moléculas em outras espécies de parasitos causadores de doenças tropicais negligenciadas que, em conjunto, afetam mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. O próximo passo do estudo é refinar a análise e tentar silenciar os três lncRNAs alvo de uma única vez, para então avaliar os resultados. A ideia é testar para saber se pode haver um efeito melhor, se a morte seria mais rápida e se mais vermes morreriam silenciando os três lncRNAs ao mesmo tempo. Em paralelo, a equipe vai buscar e identificar lncRNAs em outros&nbsp;parasitos&nbsp;de interesse médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto a investigação avança, a comunidade científica e os profissionais da saúde aguardam com expectativa os próximos passos na esperança de que essa descoberta revolucionária possa levar a tratamentos mais eficazes e acessíveis para a esquistossomose, aliviando o fardo dessa doença para milhões de pessoas em todo o mundo. Embora ainda haja desafios a serem superados, a pesquisa representa um avanço promissor na batalha contra esta verminose.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre a doença</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A esquistossomose, também conhecida como barriga d’água, causada pelo&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>&nbsp;– transmitido principalmente por caramujos de água doce –, é prevalente em regiões com acesso limitado à água potável e saneamento básico, tornando-a um sério problema de saúde pública. A transmissão ocorre através do contato com água contaminada pelos ovos do&nbsp;parasito. Ao penetrar na pele humana, os ovos liberam larvas que migram para os vasos sanguíneos do fígado, onde amadurecem e se reproduzem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<em>Schistosoma mansoni</em>&nbsp;é considerado um verme incomum sob vários aspectos, principalmente pelo fato de que machos e fêmeas adultos devem permanecer emparelhados durante toda a vida para que a reprodução seja bem-sucedida. As fêmeas podem produzir até 3 mil ovos por dia. Aproximadamente metade atinge o intestino ou a bexiga do hospedeiro. O restante é levado pelo sangue para o fígado e baço, causando reação inflamatória nas paredes dos vasos portais causando fibrose periportal&nbsp; e hipertensão portal, que resulta em esplenomegalia, varizes de esôfago e, mais tardiamente, ascite. Esta forma clínica de apresentação da doença é chamada de forma hepatoesplênica e tem alta morbimortalidade. Algumas pessoas poderão apresentar a forma intestinal da esquistossomose, mais benigna e, nos pulmões, a&nbsp; presença de ovos pode resultar em hipertensão pulmonar e cor pulmonale. Outras vezes, o quadro clínico pode ser bem silencioso:há casos em que um mesmo parasito permaneceu por mais de 20 anos vivo no corpo do hospedeiro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A esquistossomose afeta principalmente comunidades rurais e áreas com acesso limitado a saneamento básico adequado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 200 milhões de pessoas estão infectadas globalmente. A doença é responsável por milhares de mortes a cada ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: sbmt.org.br</p>



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