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	<title>Essequibo |</title>
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	<title>Essequibo |</title>
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		<title>Essequibo: o que Venezuela pode fazer após &#8216;sim&#8217; vencer votação sobre anexação de território da Guiana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 13:16:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Essequibo]]></category>
		<category><![CDATA[Guiana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rodeado de globos e bandeiras tricolores, ao ritmo da música latina, o presidente venezuelano Nicolás Maduro comemorou, no último domingo (3/12), a vitória do &#8220;sim&#8221; em um referendo convocado pelo seu governo para tentar &#8220;decidir&#8221; o futuro de Essequibo, região disputada entre a Venezuela e a Guiana. &#8220;Demos os primeiros passos de uma nova etapa histórica para lutar pelo que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Rodeado de globos e bandeiras tricolores, ao ritmo da música latina, o presidente venezuelano Nicolás Maduro comemorou, no último domingo (3/12), a vitória do &#8220;sim&#8221; em um referendo convocado pelo seu governo para tentar &#8220;decidir&#8221; o futuro de Essequibo, região disputada entre a Venezuela e a Guiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Demos os primeiros passos de uma nova etapa histórica para lutar pelo que é nosso, para conseguir recuperar o que nos deixaram os libertadores&#8221;, afirmou Maduro após a votação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente acrescentou que &#8220;o povo venezuelano falou alto e claro e esta vitória pertence a todo o povo da Venezuela, sem discriminação&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O presidente da Guiana, Irfaan Ali, destacou que seu governo está trabalhando continuamente para garantir que as fronteiras do país &#8220;permaneçam intactas&#8221; e afirmou que os guianenses &#8220;não têm nada a temer nas próximas horas, dias e meses&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essequibo, também conhecido como Guiana Essequiba, é um território controlado pela Guiana a oeste do rio Essequibo, no norte da América do Sul. São 159.500 km² ricos em recursos naturais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os venezuelanos defendem que a área fazia parte da Capitania Geral da Venezuela, quando o território era parte do império espanhol – e, por isso, pertence à Venezuela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a Guiana, a disputa foi resolvida com a Sentença Arbitral de Paris de 1899, que determinou as fronteiras do território conhecido, na época, como Guiana Britânica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas os venezuelanos não participaram daquela decisão e alegam que existem evidências que demonstram cumplicidade entre os juízes para decidir contra a Venezuela. Por isso, eles consideram a decisão do tribunal nula e sem efeito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pouco antes da independência da Guiana, em 1966, os governos do Reino Unido, da Guiana Britânica e da Venezuela assinaram o Acordo de Genebra, que reconhece a reivindicação e procura encontrar soluções para a disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a tensão entre os dois países aumentou desde que, quase 10 anos atrás, começaram a ser encontradas grandes jazidas de petróleo no território, que representa dois terços da superfície da Guiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a votação de domingo, a Venezuela pretende acabar com o <em>status quo</em> que prevalece desde então. Mas será que o governo de Maduro conseguirá fazer valer o resultado do referendo, aprovado com mais de 95% dos votos?</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="720" height="90" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/5.jpg" alt="" class="wp-image-86856" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/5.jpg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/5-300x38.jpg 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Resultado-prejudica-a-causa">Resultado &#8216;prejudica a causa&#8217;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O referendo com cinco perguntas propôs aos venezuelanos rejeitar a &#8220;linha imposta&#8221; pela Sentença Arbitral de Paris e apoiar o Acordo de Genebra como &#8220;único instrumento válido&#8221; para solucionar a disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a proposta mais polêmica talvez tenha sido a quinta, que perguntou aos eleitores se eles estão de acordo com &#8220;a criação do Estado de Guiana Essequiba&#8221;, outorgando a cidadania venezuelana aos seus habitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) afirma que a campanha do &#8220;sim&#8221;, apoiada pelo governo, foi vencedora nas cinco perguntas com 95% dos votos ou mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CNE classificou a vitória do governo como &#8220;evidente e esmagadora&#8221;, declarando que foram computados 10.554.320 votos. Mas o organismo não esclareceu se este número corresponde ao número de eleitores ou se foram contados cinco votos por eleitor (em referência às cinco perguntas individualmente).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um país com 20,7 milhões de eleitores, essa diferença pode resultar em uma taxa de participação de pouco mais de 50% ou de apenas 10% dos eleitores, dependendo da forma de totalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A verdade é que o governo venezuelano esperava maior participação do que a que ocorreu, o que prejudica a causa&#8221;, afirmou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o analista Phil Gunson, especialista da organização International Crisis Group.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o início do último domingo, os órgãos de imprensa locais relataram baixo comparecimento aos centros de votação de todo o país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ex-deputada de oposição María Corina Machado criticou severamente a consulta. Ela escreveu na rede social X, antes conhecida como Twitter, que &#8220;todos nós sabemos o aconteceu ontem [domingo]: o povo cancelou um evento inútil e prejudicial aos interesses da Venezuela, pois a soberania se exerce, não se consulta&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Falta-de-caminho-claro">Falta de caminho claro</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Gunson mora na Venezuela há duas décadas. Ele afirma que o governo de Maduro enfrenta uma situação incômoda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Em termos legais, o resto do mundo observa a questão de Essequibo como um conflito que está nas mãos da Corte Internacional de Justiça (CIJ), mas a Venezuela rejeita a jurisdição dessa corte&#8221;, explica ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referendo também perguntou se os venezuelanos estão de acordo com a posição da Venezuela de não reconhecer a jurisdição da CIJ para resolver a disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na sexta-feira antes do referendo, a CIJ emitiu uma decisão, solicitando à Venezuela &#8220;abster-se de qualquer ação que altere a situação vigente no território em disputa&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o governo da Guiana, a decisão também teve um sabor amargo, pois a CIJ não proibiu a realização do referendo, como havia sido solicitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tribunal reconheceu ainda que &#8220;existe um risco real e iminente de prejuízos irreparáveis para a Guiana&#8221; após o voto e pediu aos dois governos que &#8220;se abstenham de agravar e ampliar a disputa entre ambos, o que pode dificultar a sua solução&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Gunson, não parece haver um caminho claro para o governo venezuelano cumprir suas promessas, &#8220;a menos que, milagrosamente, a CIJ decida em favor da Venezuela ou que o governo venezuelano empreenda uma ação militar para tomar a região, o que também é muito pouco provável&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Os-moradores-vão-querer-a-cidadania-venezuelana">Os moradores vão querer a cidadania venezuelana?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez uma das propostas mais difíceis de cumprir, para o governo venezuelano, seja conceder aos habitantes de Essequibo a cidadania e os documentos de identidade venezuelanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas das 120 mil pessoas que vivem no território sentem-se muito mais próximas de Georgetown do que de Caracas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E agora, depois da descoberta de petróleo na costa de Essequibo, têm mais argumentos para permanecer sob o controle da Guiana, segundo o analista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É muito improvável que muitos moradores de Essequibo queiram receber a cidadania venezuelana”, diz Gunson.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A Guiana é atualmente o país que mais cresce no mundo e está por se tornar uma potência petrolífera, com grande renda per capita e pouca população&#8221;, explica ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Por isso, acredito que muitos guianenses ficarão felizes em continuar sendo guianenses.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estima-se que o PIB da Guiana, com cerca de 800 mil habitantes, aumente em 25% em 2023, depois de um crescimento de 57,8% no ano passado.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Motivações-políticas">Motivações políticas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas qual o propósito de convocar um referendo que não pode ser cumprido?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A especialista em segurança Rocío San Miguel, de oposição ao governo venezuelano, diz que o governo da Venezuela está &#8220;usando&#8221; a questão de Essequibo para apelar ao patriotismo da população e desviar atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros analistas defendem que a principal motivação foi política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Maduro é um presidente com pouca popularidade e enfrenta uma campanha difícil para sua reeleição no ano que vem&#8221;, explica Phil Gunson.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Acredito que ele esperava se aproveitar de um assunto que realmente congrega todos os venezuelanos, pois a grande maioria acredita que [o Essequibo] pertence a eles, mas a estratégia não funcionou&#8221;, segundo ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gunson afirma que o referendo de domingo &#8220;colocou em evidência&#8221; que Maduro não consegue atrair votos &#8220;nem mesmo em um assunto como este&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já San Miguel acredita que o resultado do referendo oferece ao presidente venezuelano o poder de iniciar um enfrentamento militar fronteiriço a qualquer momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Guiana advertiu a Venezuela que qualquer &#8220;ato de agressão&#8221; não ficará impune e salientou que seu governo conta com amplo apoio internacional. O presidente guianense, Irfaan Ali, insistiu na necessidade de solucionar a disputa &#8220;pacificamente&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4f2.png" alt="📲" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <strong><a href="https://whatsapp.com/channel/0029Va7POUB9sBI88RkOb31T">Clique aqui e participe do Canal do Ipirá City no WhatsApp</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: <strong>BBC</strong></p>



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		<item>
		<title>Essequibo: 5 pontos para entender polêmico referendo na Venezuela que concordou com anexação de parte da Guiana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Dec 2023 11:35:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Essequibo]]></category>
		<category><![CDATA[Guiana]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco perguntas feitas aos venezuelanos para saber se eles apoiariam a reivindicação de um vasto território em disputa com um país vizinho. Foi isso que o governo da&#160;Venezuela&#160;propôs no domingo, 3 de dezembro, ao convocar um referendo sobre o futuro de Essequibo, um território reivindicado pela Guiana e pela Venezuela. Os venezuelanos aprovaram as propostas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Cinco perguntas feitas aos venezuelanos para saber se eles apoiariam a reivindicação de um vasto território em disputa com um país vizinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi isso que o governo da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c6vzyvr66w4t">Venezuela&nbsp;</a>propôs no domingo, 3 de dezembro, ao convocar um referendo sobre o futuro de Essequibo, um território reivindicado pela Guiana e pela Venezuela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os venezuelanos aprovaram as propostas do governo do presidente venezuelano,&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94y3dpdpt">Nicolás Maduro</a>, que incluem a criação do Estado de&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0k29pdkypxo">Guiana Esequiba</a>&nbsp;como parte do território da Venezuela, além de um plano para conceder cidadania venezuelana aos seus habitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao final do dia, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirmou que foram contabilizados 10.554.320 votos, sem esclarecer se correspondem ao mesmo número de eleitores ou se são contados como 5 votos por eleitor em referência às 5 diferentes perguntas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todas as questões apresentadas receberam apoio de mais de 95%, de acordo com o CNE. Maduro classificou a votação como &#8220;um referendo histórico que reergueu a Venezuela&#8221; e afirmou que o próximo passo é &#8220;recuperar o que os libertadores nos deixaram, a Guiana Essequiba&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É uma missão do povo, é uma missão da pátria&#8221;, afirmou o presidente Maduro em 8 de novembro, dando novo ímpeto a uma reivindicação de quase dois séculos. No entanto, para a Guiana, não há nada a discutir, e eles pediram a seus cidadãos que não se deixem &#8220;amedrontar&#8221; pelos eventos no país vizinho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou na última sexta-feira que a Venezuela &#8220;se abstenha de qualquer ação que altere a situação que prevalece no território em disputa, que a Guiana administra e controla&#8221;, embora não tenha proibido a realização do referendo, conforme solicitado pela Guiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto os venezuelanos aprovaram uma consulta que a Guiana denunciou como uma ameaça existencial, resumimos a disputa que envolve ambos os países sul-americanos e explicamos por que o referendo é controverso.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/05/3-1.jpg" alt="" class="wp-image-86854"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="1-O-que-é-Essequibo">1. O que é Essequibo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Essequibo — também conhecido como Guiana Essequiba — é um território a oeste do rio Essequibo, no norte da América do Sul, que compreende 159 mil quilômetros quadrados. A área é rica em recursos naturais e florestais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A região é lar de seis das dez regiões que compõem a República Cooperativa da Guiana, bem como de um terço dos seus 800 mil habitantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Essequibo é um território três vezes maior que a Costa Rica, onde vivem quase 300 mil pessoas&#8221;, disse o geógrafo guianense Temitope Oyedotun, professor da Universidade da Guiana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="2-Por-que-o-território-é-tão-importante">2. Por que o território é tão importante</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Essequibo está localizado no coração do Escudo das Guianas, região geográfica do nordeste da América do Sul que, além de ser uma das formações mais antigas do planeta, é importante por conta de seus recursosnaturais e minerais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o geógrafo venezuelano Reybert Carrillo, o território compartilha características semelhantes com o vizinho Arco Minero del Orinoco, uma área de exploração de mais de 111,8 mil quilômetros quadrados que possui grandes reservas de ouro, cobre, diamante, ferro, bauxita e alumínio, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Essequibo fica a mina de ouro Omai, uma das maiores do Escudo das Guianas e uma das maiores fontes de renda da Guiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só entre 1993 e 2005, Omai produziu mais de 3,7 milhões de onças de ouro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas nas águas territoriais da área disputada existe também uma imensa riqueza em petróleo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De 2015 até agora, a multinacional ExxonMobil e os seus parceiros fizeram 46 descobertas que elevaram as reservas de petróleo da Guiana para cerca de 11 mil milhões de barris, representando cerca de 0,6% do total da produção mundial.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/94e3/live/3b7c7490-908b-11ee-952c-5f8de97ee99b.jpg" alt="mapa"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A maior parte das reservas está localizada em um bloco de petróleo e gás de 26 mil quilômetros quadrados conhecido como Stabroek, ao largo da costa atlântica do país, que se encontra parcialmente nas águas territoriais da região disputada pela Venezuela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As descobertas inesperadas fizeram da Guiana, um país de 800 mil habitantes, uma das economias que mais crescem no mundo e o seu PIB deverá crescer 25% neste ano, depois de ter expandido 57,8% em 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos recursos minerais, Essequibo possui importantes recursos hídricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Existe uma extensa rede de rios como Cuyuní, Mazaruní, Kuyuwini, Potaro, Rupununi&#8221;, explica o geógrafo Temitope Oyedotun, da Universidade da Guiana.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="3-Qual-a-origem-da-disputa-e-por-que-se-agravou">3. Qual a origem da disputa e por que se agravou?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a Espanha fundou a Capitania Geral da Venezuela, Essequibo fazia parte da subentidade territorial e, após obter a sua independência em 1811, a Venezuela ficou com o controle da sua soberania.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a situação começou a se complicar quando o Reino Unido assinou um pacto com a Holanda para adquirir cerca de 51.700 quilômetros quadrados a leste da Venezuela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratado não definiu a fronteira ocidental do que viria a ser a Guiana Britânica e é por isso que Londres nomeou o explorador Robert Schomburgk em 1840 para defini-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pouco depois, foi inaugurada a &#8220;Linha Schomburgk&#8221;, uma rota que ocupava quase 80 mil quilômetros quadrados adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quatro décadas depois, foi publicada uma nova versão da Linha Schomburgk que conquistou ainda mais território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1895, os Estados Unidos intervieram sob a Doutrina Monroe após denunciar que a fronteira havia sido ampliada de &#8220;maneira misteriosa&#8221; e recomendar que a disputa fosse resolvida em uma arbitragem internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1899, foi emitida a Sentença Arbitral de Paris, decisão favorável ao Reino Unido, com o qual o território ficou oficialmente sob domínio britânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas quatro décadas depois, foi tornado público um memorando do advogado americano Severo Mallet-Prevost – parte da defesa da Venezuela no Prémio Arbitral de Paris –, no qual denunciava que o prêmio era um compromisso político e que os juízes não eram imparciais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As revelações de Severo Mallet-Prevost e outros documentos levaram a Venezuela a declarar a sentença &#8220;nula e sem efeito&#8221; e a reativar a sua reivindicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três meses antes de conceder a independência à Guiana em 1966, o Reino Unido acordou com a Venezuela o Acordo de Genebra que reconhecia a reivindicação da Venezuela e procurava encontrar soluções satisfatórias para resolver a disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre 1982 e 1999, ambos os países tentaram resolver a disputa por meio do mecanismo de bons ofícios da ONU, que nunca produziu resultados concretos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/3dbb/live/6b916a50-908b-11ee-833d-0f8d294ddc97.jpg" alt="mapa"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o governo de Hugo Chávez a disputa foi arquivada, em parte devido às boas relações entre o falecido presidente venezuelano e Georgetown.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas isso mudou quando dezenas de depósitos de petróleo começaram a ser descobertos nas zonas costeiras da área disputada em 2015.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As tensões entre a Venezuela e a Guiana aumentaram progressivamente desde então.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, porém, os interesses do governo Maduro não são apenas econômicos, mas também políticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os críticos afirmam que o referendo tem um tom nacionalista em uma altura em que serão realizadas eleições presidenciais em 2024 e pouco depois das primárias da oposição, nas quais María Corina Machado foi escolhida como adversária de Maduro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O partido no poder convocou diversas manifestações de &#8220;unidade nacional&#8221; para &#8220;defender&#8221; Essequibo e está tentando envolver figuras do mundo do entretenimento na disputa. A chamada é união nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É hora de deixar de lado todos os preconceitos, políticos, religiosos ou pessoais&#8221;, solicitou o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="4-O-que-é-pedido-no-referendo">4. O que é pedido no referendo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em meados de setembro, o Parlamento venezuelano, de maioria chavista, propôs organizar um referendo para consultar os venezuelanos sobre os &#8220;direitos&#8221; do país sobre o Essequibo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um mês depois, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, anunciou que o referendo iria acontecer no dia 3 de dezembro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o governo da Guiana, o referendo representa uma ameaça à integridade territorial da Guiana e pediu ao Tribunal Internacional de Justiça de Haia que o impedisse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a Venezuela garantiu que &#8220;nada impedirá&#8221; a sua decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O referendo em questão é composto por cinco questões:</p>



<p class="wp-block-paragraph">1) Você concorda em rejeitar, por todos os meios, de acordo com a lei, a linha fraudulentamente imposta pela Sentença Arbitral de Paris de 1899, que visa nos privar de nossa Guiana Essequiba?</p>



<p class="wp-block-paragraph">2) Você apoia o Acordo de Genebra de 1966 como o único instrumento jurídico válido para alcançar uma solução prática e satisfatória para a Venezuela e a Guiana em relação à controvérsia sobre o território da Guiana Essequiba?</p>



<p class="wp-block-paragraph">3) Você concorda com a posição histórica da Venezuela de não reconhecer a jurisdição da Corte Internacional de Justiça para resolver a controvérsia territorial sobre a Guiana Essequiba?</p>



<p class="wp-block-paragraph">4) Você concorda em se opor, por todos os meios, de acordo com a lei, à reivindicação da Guiana de dispor unilateralmente de um mar pendente de delimitação, ilegalmente e em violação do direito internacional?</p>



<p class="wp-block-paragraph">5) Você concorda com a criação do estado Guiana Essequiba e o desenvolvimento de um plano acelerado de atenção integral à população atual e futura desse território, que inclui, entre outros, a concessão de cidadania e carteira de identidade venezuelana, de acordo com o Acordo de Genebra e o Direito Internacional, incorporando consequentemente esse estado no mapa do território venezuelano?</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início de novembro, o presidente Maduro iniciou uma campanha que descreveu como &#8220;pedagógica, alegre e inclusiva&#8221; face ao referendo, que inclui aulas de história televisionadas oferecidas por ele próprio, bem como comícios em vários pontos do país onde são distribuídos panfletos ao ritmo do reggaeton.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sua administração está incentivando os eleitores a responderem &#8220;sim&#8221; a todas as perguntas, mas não detalhou como criaria o Estado se os eleitores aprovarem as suas propostas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="5-O-que-dizem-os-governos-de-cada-país">5. O que dizem os governos de cada país</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para Caracas, trata-se de &#8220;recuperar&#8221; um território que sempre considerou seu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Venezuela considera que o rio Essequibo, no leste da região, é uma fronteira natural reconhecida na época da independência da Espanha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a Guiana alega que a questão foi resolvida com a Sentença Arbitral de Paris de 1899.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, Caracas afirma que esta sentença é nula devido às irregularidades constatadas na decisão e também rejeita qualquer interferência da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em abril deste ano, o tribunal declarou-se competente para julgar o caso, embora qualquer decisão possa levar anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Venezuela não reconhece a jurisdição do tribunal. Apenas reconhece o Acordo de Genebra como o único instrumento válido para resolver o conflito e diz que a disputa deve ser resolvida entre os dois países.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/3589/live/50c3bb50-908c-11ee-ac7f-c97dfdb65d91.jpg" alt="mapa de localização"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O governo da Guiana vê o referendo de 3 de dezembro como um &#8220;plano da Venezuela para tomar o território da Guiana&#8221; e diz que considerando &#8220;todas as opções&#8221; para defendê-lo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final de novembro, o vice-presidente do país, Bharrat Jagdeo, anunciou a visita ao país de funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e não descartou o estabelecimento de bases militares estrangeiras em território guianense.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Vamos trabalhar com os nossos aliados para garantir que planejamos todas as eventualidades (…) Nunca estivemos interessados ​​em bases militares, mas temos de proteger o nosso interesse nacional&#8221;, assegurou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maduro, inflexível em sua nova missão, afirma que os diversos setores políticos e sociais de seu país estão unidos em defesa de Essequibo e tem feito reuniões com as Forças Armadas sobre a disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou em 24 de novembro que a disputa &#8220;não é uma guerra armada, por enquanto&#8221;, mas acusou o presidente da Guiana, Irfaan Alí, de provocar a Venezuela com aparições recentes no território em disputa vestidos de um militar e cercado pelo exército.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os analistas antecipam um apoio massivo às propostas do governo venezuelano, em um país onde a reivindicação do Essequibo une efetivamente os chavistas e os opositores como nenhuma outra questão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado do referendo não será vinculativo ao abrigo do direito internacional, mas muitos temem uma nova escalada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Que ninguém cometa um único erro. O Essequibo é nosso, cada centímetro quadrado&#8221;, alertou o presidente da Guiana, especificando que Georgetown não abrirá mão de um único &#8220;centímetro&#8221; de seu território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil  </p>



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