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	<title>Excravizados |</title>
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	<title>Excravizados |</title>
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		<title>Abolição, 135 anos: os ex-escravizados que levaram tradições brasileiras para Gana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 May 2023 20:19:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Abolicao]]></category>
		<category><![CDATA[Excravizados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O 13 de maio entrou para a história do Brasil como o dia em que a Lei Áurea foi assinada. O ano era 1888 &#8211; ou seja, há exatos 135 anos &#8211; e, no papel, foi decretado: &#8220;É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil&#8221;. Mas antes mesmo da assinatura do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Julia Braun</strong></li>



<li>Role,<strong>Da BBC Brasil em Londres</strong></li>



<li><a href="https://twitter.com/juliatbraun">Twitter,<strong>@juliatbraun</strong></a></li>



<li>Sexta, 12 de maio de 2023</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O 13 de maio entrou para a história do Brasil como o dia em que a Lei Áurea foi assinada. O ano era 1888 &#8211; ou seja, há exatos 135 anos &#8211; e, no papel, foi decretado: &#8220;É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70022" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022"/></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Mas antes mesmo da assinatura do documento, milhares de homens e mulheres arrancados à força de suas terras natais começaram um processo pouco conhecido de retorno às suas origens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao todo, estima-se que entre 3 mil e 8 mil afro-brasileiros tenham retornado ao continente africano durante o século XIX.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles implantaram o único exemplo, até então, de cultura brasileira exportada no mundo em comunidades na costa da África Ocidental, em territórios que hoje são chamados de Benin, Togo, Nigéria e Gana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste último, os retornados ficaram conhecidos como Tabom por se comunicarem em português e usarem com frequência a frase &#8220;tá bom&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Há duas versões para esse nome&#8221;, explica a historiadora Monica Lima e Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A primeira é que como muitos deles não falavam bem a língua local, respondiam &#8216;tá bom&#8217; para tudo que não entendiam. Já a segunda é que o &#8216;tá bom&#8217; era usado com frequência como uma saudação, uma forma de saber se a outra pessoa estava bem.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunidade que floresceu nos arredores do que é hoje a capital Acra ainda existe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de pouco numerosas, algumas famílias ainda carregam sobrenomes luso-brasileiros e realizam cerimônias com danças que misturam a tradição local à brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, também é possível encontrar pratos típicos brasileiros, como a feijoada, sendo servidos em encontros da comunidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-retorno">O retorno</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Historiadores se baseiam em alguns poucos documentos da época e principalmente na história oral para reconstruir a história dos retornados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considera-se que os primeiros brasileiros a chegar à área da Costa Ocidental da África desembarcaram antes da década de 1830 e eram traficantes de escravos ou pessoas próximas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/3d73/live/bd1417e0-f01a-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg" alt="Grupo de brasileiros de descendência africana no convés de um navio a caminho  da  África  Ocidental"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Grupo de brasileiros de descendência africana no convés de um navio a caminho da África Ocidental</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Mas a partir da década de 1830 muitos retornos passaram a ter relação com as rebeliões e insurgências que aconteciam no Brasil, em especial a Revolta dos Malês em Salvador, na Bahia&#8221;, explica Monica Lima e Souza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a historiadora, muitos dos escravizados libertos passaram a ser vigiados e perseguidos após esses movimentos e viram o retorno à África como uma alternativa. Muitos dos envolvidos também foram deportados à força.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É neste contexto que alguns historiadores incluem a chegada a Acra, nas primeiras décadas do século XIX, de um pequeno grupo de escravizados que conquistou sua liberdade em território brasileiro e viajou de navio a Gana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Posteriormente, a partir da década de 1850, uma nova leva de pessoas, motivadas principalmente pelo fim do tráfico de escravizados no Brasil, passou a retornar à África. &#8220;O objetivo principal delas era promover uma atividade comercial livre e combater o tráfico atlântico ou interno que ainda acontecia&#8221;, diz Souza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há notícias ainda de um grupo significativo de retornados que chegou a Gana vindo da Nigéria em um barco oferecido pelo governo inglês.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A viagem supostamente deveria ser apenas para visita, mas eles foram tão bem recebidos pelos chefes das comunidades locais que resolveram ficar.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Vida-em-Gana">Vida em Gana</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A historiadora da UFRJ explica que muitos dos escravizados que decidiram deixar o Brasil eram nascidos na África que, após terem seus laços com suas comunidades originais cortados à força, acabaram se familiarizando mais com a cultura brasileira e o português do que com suas próprias tradições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após conquistarem sua liberdade e um certo conforto financeiro, decidiram voltar em busca de oportunidades na área comercial. &#8220;No litoral da região que hoje é Acra existiam três grandes fortes &#8211; um holandês, outro britânico e outro dinamarquês &#8211; e em torno deles se desenvolveu a ocupação&#8221;, explica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes da abolição do tráfico, os fortes eram usados pelos europeus para comércio de ouro e escravizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quem retornava eram os libertos com condições financeiras melhores, seja porque conseguiram reunir dinheiro por meio do seu trabalho ou porque a família ou conhecidos bancavam a viagem&#8221;, diz Souza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a professora, os custos da travessia eram altos e incluíam não só a passagem de navio como contratos para alimentação e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em solo africano, os registros dão conta de que os brasileiros foram bem recebidos pelas comunidades e pelos holandeses que controlavam a região, recebendo terras para se estabelecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu livro&nbsp;<em>Sou brasileiro: história dos tabon afro-brasileiros em Acra, Gana</em>, os autores Alcione Meira Amos e Ebenezer Ayesu afirmam que alguns dos afro-brasileiros ainda chegaram com habilidades profissionais e dinheiro, recursos que eram bem recebidos pela população local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Entre eles, de acordo com documentos encontrados, havia pedreiros, carpinteiros, alfaiates, ferreiros, ourives, escavadores de poços de água potável e famílias com habilidades no cultivo agrícola&#8221;, diz a obra.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/0d7a/live/ce4d7780-f01b-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg" alt="Ilustração mostra Forte Ussher em Acra, Gana, construído pelos holandeses em 1649"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Ilustração mostra Forte Ussher em Acra, Gana, construído pelos holandeses em 1649</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo os historiadores, a comunidade de casas dos recém-chegados cresceu rapidamente e passou a contrastar com as residências da população local &#8211; enquanto os afro-brasileiros edificaram os prédios com pedra, como haviam aprendido no Brasil, os locais cobriam suas moradias com sapé.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Especialmente os retornados que chegam da década de 1980 em diante tinham uma visão sobre suas próprias comunidades muito baseada na ideia de que eles eram mais ocidentalizados, mais educados e até mais brancos&#8221;, diz Monica Lima e Souza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E apesar de terem vivido alguns anos no Brasil, muitos dos primeiros Tabom a chegarem em Gana eram muçulmanos. Mas segundo os registros, a grande maioria logo se converteu ao Cristianismo, em especial ao Anglicanismo e ao Metodismo, devido à influência europeia na região.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Os-Tabom-e-a-escravidão">Os Tabom e a escravidão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas mesmo após o fim do tráfico e apesar de suas origens, muitos Tabom ainda mantiveram uma relação com a escravidão após deixarem o Brasil e, além de manterem escravizados em casa, atuavam no comércio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo conta em alguns livors de história, em 1845, o governador dinamarquês Edward Carstensen reportou que &#8220;a Acra holandesa tem sido há algum tempo o centro de comerciantes de escravos, especialmente os negros brasileiros emigrados&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governador Carstensen continuou afirmando que, três meses antes, um desses traficantes brasileiros tinha sido preso no interior do país conduzindo dois escravos para a costa para serem vendidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quase vinte anos depois, em 1864, era ainda relatado que os afro-brasileiros de Acra estavam controlando &#8220;um florescente comércio de escravos do território Ewe para Acra&#8221;.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/0ae2/live/8fc730e0-f01c-11ed-82cb-eb60c12359c7.jpg" alt="Farol de Jamestown, em Acra"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Farol de Jamestown, em Acra: maior parte dos descendentes dos retornados de Gana vive na região</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">No entanto, em Gana e na África Ocidental em geral, a escravatura naquele momento diferia em natureza daquela que existiu no Brasil e nos Estados Unidos. Os escravizados eram considerados parte da família e do clã de seus captores e por isso poderiam até mesmo chegar a ocupar uma posição de autoridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Regras sociais e costumes [&#8230;] protegiam muito da dignidade do escravo [&#8230;] escravidão nativa em Gana não era [racial]&#8221;, define Akosua Perbi, professora de história na Universidade de Gana e estudiosa do tema.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="A-comunidade-hoje">A comunidade hoje</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/61ef/live/73ad52d0-f01d-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg" alt="Brazil House: primeira casa que abrigou os Tabon em Acra"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Brazil House: primeira casa que abrigou os Tabom em Acra</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Não há uma estimativa oficial do total de descendentes do povo Tabom que ainda vivem hoje em Gana, uma vez que não existe um censo específico para isso, mas especula-se que a comunidade esteja em torno de 5 mil pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles estão organizados como sempre estiveram desde o seu retorno à África, com um sistema de chefia tradicional equivalente ao do Gana, com um Mantse (chefe ou rei). O Mantse Nii Azumah V é o atual líder da comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas segundo historiadores que se debruçaram sobre o tema, diferente da experiência dos ex-escravizados que retornaram para o Benin ou Nigéria, os Tabom de Gana não possuem mais uma forte influência da cultura brasileira.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/25c6/live/e2a8feb0-f01c-11ed-a142-ab0e42bfd9c3.jpg" alt="O presidente Lula se encontrou com descendentes de brasileiros escravizados em Acra em 2005"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,O presidente Lula se encontrou com descendentes de brasileiros escravizados em Acra em 2005</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Nem todos mantêm uma ligação com as tradições brasileiras, sabem detalhes de sua ascendência ou sabem falar português. Ainda é possível escutar trechos de música na língua, mas segundo pesquisadores que estudam as comunidades seus integrantes na maioria das vezes não sabem o que as palavras significam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Alcione Meira Amos e Ebenezer Ayesu, essa perda da identidade &#8220;pode estar relacionada ao fato de que alguns dos imigrantes muçulmanos que chegaram da Bahia a Acra nas décadas iniciais do século XIX, não tenham ficado no Brasil por muito tempo&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, segundo os autores, os Tabom acabaram se fundindo de forma mais intensa com a comunidade local acabaram, por vezes, deixando de lado a cultura que haviam trazido do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda assim, muitos de seus descendentes ainda vivem em uma área que fica de frente para o mar e próxima ao antigo porto de Acra chamada Jamestown.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lá há uma rua chamada Brazil Lane, onde está localizada a primeira casa que abrigou os Tabon, a Brazil House, e que hoje funciona também como museu e acervo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil</p>



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