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	<title>fenomenos poeticos |</title>
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	<title>fenomenos poeticos |</title>
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		<title>Superfície</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 17:12:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Angela Monize]]></category>
		<category><![CDATA[fenomenos poeticos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fenômenos Poéticos (Por Angela Monize) &#8211; Sex, 13 de fevereiro de 2026 embaixo d’água, tudo chega antes do nome. o peso, a pressão nos ouvidos, a distorção das formas. Os contornos deixam de obedecer à lógica reta e passam a flutuar como lembranças mal fixadas. ali, eu ainda era mil coisas misturadas. minha voz atravessava [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fenômenos Poéticos (Por Angela Monize) &#8211; Sex, 13 de fevereiro de 2026</p>



<p></p>



<p>embaixo d’água, tudo chega antes do nome.</p>



<p>o peso, a pressão nos ouvidos, a distorção das formas.</p>



<p>Os contornos deixam de obedecer à lógica reta</p>



<p>e passam a flutuar como lembranças mal fixadas.</p>



<p></p>



<p>ali, eu ainda era mil coisas misturadas.</p>



<p>minha voz atravessava outra voz,</p>



<p>meu gesto aprendia o ritmo de um corpo que não era só meu.</p>



<p>durante muito tempo, isso pareceu inteiro.</p>



<p>não completo, inteiro. como uma superfície lisa</p>



<p>onde não se percebe a emenda.</p>



<p></p>



<p>a água sustentava apenas um movimento contínuo de permanência.</p>



<p>respirar não era necessário.</p>



<p>existir, sim.</p>



<p></p>



<p>em algum momento, o fundo começou a ceder.</p>



<p>o que parecia intensidade virou uma espécie de atraso.</p>



<p>alguma coisa ganhava textura.</p>



<p>as mãos tocavam algo espesso, sem forma,</p>



<p>algo me puxava para dentro</p>



<p>enquanto o resto do mundo seguia adiante.</p>



<p></p>



<p>eu me vi afundar em você…</p>



<p>percebi estar dentro da sua bolha.</p>



<p>uma camada invisível, de textura singular, onde não havia escapatória nem progresso. apenas um retrocesso que não identifiquei antes, algo tão sutil quanto mergulhar numa piscina rasa.</p>



<p></p>



<p>vi meu corpo afundar lentamente.</p>



<p>cada tentativa de movimento redesenhava a própria prisão.</p>



<p>ali, as ideias de quem eu era começaram a perder nitidez,</p>



<p>como se tivessem sido escritas em água turva.</p>



<p></p>



<p>não consegui identificar a falta.</p>



<p>não obtive respostas de mim para as perguntas e dúvidas que sempre tive…</p>



<p>o tempo deixou de avançar e então me acostumei à ideia de estar ali, submersa.</p>



<p></p>



<p>mas, em algum momento, algo começou a me puxar.</p>



<p>seria Deus? anjos? o próprio diabo?</p>



<p>não sei responder. só senti algo encarnar em meu braço, gritando alguma coisa que não pude escutar, silenciando aquela canção à qual me acostumei.</p>



<p>aquela voz, aquela pele…</p>



<p></p>



<p>rasguei-me na ruptura.</p>



<p>era o mínimo a se esperar de quem esteve tão acostumada a aceitar, a acatar, a se desdobrar por alguém…</p>



<p></p>



<p>quando acordei, havia uma correnteza diante de mim.</p>



<p>um rio atravessava meu corpo</p>



<p>sem pedir licença.</p>



<p>a pele, exposta, reconhecia o frio como um idioma antigo.</p>



<p>não havia marcas visíveis do que ficou para trás,</p>



<p>mas algo em mim ainda carregava o peso do fundo.</p>



<p></p>



<p>eu estava despida</p>



<p>da ausência de forma fixa.</p>



<p>nenhum nome parecia definitivo.</p>



<p>nenhuma memória se encaixava por completo.</p>



<p></p>



<p>o rio seguia.</p>



<p>e eu, atravessada por ele,</p>



<p>aprendia a existir sem a identidade que compartilhei,</p>



<p>sem a arquitetura que sustentei por tanto tempo</p>



<p>como se fosse minha.</p>



<p></p>



<p>restava o movimento.</p>



<p>e a estranha lucidez de quem entende</p>



<p>que, depois de dividir o próprio ser,</p>



<p>é preciso reaprender a habitá-lo</p>



<p>sem garantias.</p>



<p></p>



<p>Fonte e Foto: Ângela Monize</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/superficie/">Superfície</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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