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	<title>Força |</title>
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		<title>Por que PIB perdeu força no 3º tri e será desafio para Lula em 2023</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2022 19:31:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A economia brasileira cresceu 0,4% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (1/12). O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, que era de uma alta de 0,6% para o PIB (Produto Interno Bruto) de julho a setembro. E representa uma desaceleração em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><strong>A economia brasileira cresceu 0,4% no terceiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (1/12).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, que era de uma alta de 0,6% para o PIB (Produto Interno Bruto) de julho a setembro. E representa uma desaceleração em relação ao crescimento médio de 1,2% registrado no primeiro semestre deste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na comparação anual, o avanço do PIB foi de 3,6%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para economistas, a perda de ímpeto da atividade no terceiro trimestre é apenas o início do que vem pela frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com juros altos, risco de recessão global e o fim do efeito da reabertura pós-pandemia, o crescimento do PIB promete ser um desafio para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entenda por que Lula deve enfrentar um cenário muito mais desafiador na economia em seu terceiro mandato, do que enfrentou em 2003.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Por-que-PIB-cresceu-no-3º-tri-mas-menos-do-que-antes-">Por que PIB cresceu no 3º tri, mas menos do que antes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O setor de serviços, que representa quase 70% do PIB, foi o principal destaque da atividade no terceiro trimestre, com alta de 1,1% em relação ao trimestre anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Ainda vemos o setor terciário como protagonista, puxando o crescimento da atividade no curto prazo&#8221;, diz Rodolfo Margato, vice-presidente de pesquisa econômica da XP Investimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o economista, dois fatores principais explicam isso: o primeiro é ainda o efeito da reabertura da economia após a pandemia, com impacto positivo sobre segmentos como transportes e armazenagem, serviços prestados às famílias e turismo e hospedagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo fator é a ampliação da renda disponível das famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Temos o Auxílio Brasil de R$ 600, os saques extraordinários do FGTS, outros auxílios implementados nos últimos meses [para caminhoneiros, taxistas e a ampliação do Vale Gás, por exemplo] e, em paralelo, uma recuperação do mercado de trabalho, embora a população empregada esteja crescendo a um ritmo mais modesto&#8221;, observa Margato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Além disso, depois de longa trajetória de queda, os salários médios da economia começaram a crescer em termos reais [isto é, descontada a inflação]&#8221;, cita o analista. A desaceleração da inflação no trimestre, devido à redução dos impostos sobre combustíveis às vésperas da eleição, também contribuiu para essa melhora da renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda na ponta da oferta, a indústria registrou alta de 0,8% e a agropecuária teve recuo de 0,9%, sempre em relação ao trimestre anterior. A queda no agro contrariou a previsão dos analistas, que era de crescimento para esse setor no trimestre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já no lado da demanda, investimentos (2,8%), consumo das famílias (1%) e consumo do governo (1,3%) registraram altas, enquanto no setor externo as exportações em alta de 3,6%, cresceram menos do que as importações, com avanço de 5,8%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E por que o PIB cresceu menos do que na primeira metade do ano?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O principal fator é a política monetária, que se traduz em condições de crédito mais restritivas&#8221;, avalia o economista da XP, lembrando que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias com serviço da dívida estão nas máximas históricas, segundo dados do Banco Central.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, está atualmente em 13,75%, maior patamar desde novembro de 2016. Os juros elevados funcionam como um freio para a economia, tornando mais caro para as empresas investirem e para as famílias tomarem empréstimos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="As-dificuldades-para-o-crescimento-do-PIB-à-frente-">As dificuldades para o crescimento do PIB à frente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dessa tendência de desaceleração da atividade, os economistas esperam que o PIB perca ainda mais força no quarto trimestre, podendo ficar próximo da estabilidade em relação ao terceiro trimestre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para 2022, a expectativa é de uma alta de 2,8% do PIB no ano, segundo o boletim Focus do Banco Central. Mas, para 2023, a estimativa é de um crescimento de apenas 0,7%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o economista da XP, três fatores principais explicam essa desaceleração esperada para a atividade no próximo ano. O primeiro deles é a política monetária contracionista — isto é, com juros em nível que inibe a atividade econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Para além da Selic, que deve permanecer em 13,75% pelo menos até o final do primeiro semestre, na nossa visão, vemos outras taxas com tendência de alta. Tem um prêmio de risco maior embutido na curva de juros, isso acaba penalizando a atividade produtiva&#8221;, diz Margato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O segundo fator é a desaceleração da economia global, sob efeito da alta de juros nos Estados Unidos e outros países para conter a inflação; da crise energética na Europa em decorrência da guerra na Ucrânia; e da desaceleração da China, impactada por sua política de &#8220;covid zero&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não esperamos uma recessão, mas algumas regiões devem sofrer contração do PIB, como parte relevante da Europa. E a China deve crescer bem abaixo do seu padrão dos últimos anos&#8221;, afirma o economista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O terceiro fator, segundo Margato, é a dissipação dos benefícios da reabertura econômica sobre alguns ramos da atividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Logo após a reabertura, há um movimento mais forte de retomada. Ainda vemos os benefícios dessa dinâmica, mas naturalmente a contribuição para o PIB vai sendo menor com o passar dos trimestres, é algo natural&#8221;, observa o analista.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Fim-dos-estímulos-eleitoreiros-e-queda-das-commodities-">Fim dos estímulos eleitoreiros e queda das commodities</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), destaca ainda que a partir do próximo ano a economia não contará mais com os estímulos criados pelo governo Jair Bolsonaro (PL) às vésperas da eleição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os auxílios para taxistas, caminhoneiros, o Vale Gás com valor ampliado e a redução a zero das alíquotas de PIS-Pasep e Cofins sobre combustíveis são todas medidas que acabam em dezembro de 2022.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A queda da inflação foi temporária e já a partir do quarto trimestre não teremos mais a deflação que tivemos [no terceiro trimestre]. Além disso, há um processo de normalização da economia, que se beneficiou das condições de crescimento [com a reabertura]&#8221;, diz Matos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sergio Vale, da MB Associados, cita também a expectativa de preços de commodities mais estáveis ou até em queda em 2023, após uma forte alta esse ano sob efeito da guerra na Ucrânia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Não teremos o crescimento [de preços] que tivemos esse ano. Pelo contrário, começamos a ter uma queda na média nos preços em reais de commodities, o que já está acontecendo. Quando juntamos isso à recessão mundial, à taxa de juros elevada aqui e à incerteza fiscal, temos um cenário desestimulante para o crescimento econômico&#8221;, diz Vale.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-que-pode-fazer-o-PIB-crescer-mais-">O que pode fazer o PIB crescer mais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para os economistas, apesar dos ventos contrários, o crescimento do PIB em 2023 ainda pode ser melhor do que o esperado atualmente. Mas isso, segundo eles, vai depender de o governo sinalizar uma política fiscal crível, com perspectiva de estabilização da dívida pública a médio e longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As incertezas da política fiscal acabam se traduzindo num câmbio mais depreciado, numa piora dos ativos financeiros e das expectativas de inflação no médio prazo e isso limita o espaço para o Banco Central cortar juros — na verdade ele pode até eventualmente ver a necessidade de elevar a taxa de juros para combater a inflação, embora esse não seja nosso cenário-base&#8221;, diz Margato, da XP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o economista, caso o governo consiga indicar previsibilidade na política fiscal, o Brasil tem muito potencial para atrair investimentos no próximo governo, principalmente na economia verde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Enquanto a inflação não for totalmente debelada, não teremos garantia de uma aceleração do crescimento&#8221;, avalia Silvia Matos, do Ibre-FGV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Se conseguirmos reduzir o risco-país, isso faria o câmbio se valorizar e ajudaria a combater a inflação, permitindo a redução de juros. Encontrar espaço para a política social, sem perder de vista o controle da dívida e continuar a agenda de reformas seria importante, pois ainda temos um espaço muito grande no Brasil para melhoria do ambiente de negócios.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Principal cotado para o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad disse na semana passada em evento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) que a reforma tributária será prioridade em 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A economista da FGV acredita que, se o novo governo retomar a proposta de reforma tributária de Bernard Appy (que tramitou na Câmara como PEC 45) e conseguir aprová-la com o embalo de início de governo, isso pode criar uma perspectiva muito mais favorável.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Sem-espaço-para-estímulo-ao-consumo-">Sem espaço para estímulo ao consumo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Matos avalia ainda que não há mais espaço para uma política econômica de crescimento baseada no estímulo ao consumo, como nos governos petistas anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso porque o Estado não tem mais dinheiro, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) sofreu mudanças que impedem ele de ser usado como no passado, e o Banco Central é agora independente — o que significa que ele agirá para controlar a inflação subindo juros, caso isso seja necessário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, nos anos 2000, a ampliação do acesso ao crédito teve papel importante no estímulo ao consumo e já não há mais condição para isso, com o endividamento das famílias atualmente em nível recorde, avalia a coordenadora do Boletim Macro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Nos primeiros governos Lula, vivemos um período que o mundo cresceu muito, com taxas de juros muito baixas. Isso permitiu que a gente fosse junto, porque era uma onda muito favorável. Agora a onda é ao contrário&#8221;, diz Matos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Então eu digo o seguinte: eu não queria estar aqui em 2023, preferia estar em 2003 iniciando o governo, seria muito mais fácil para ter bons resultados&#8221;, brinca a economista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: <strong>BBC</strong></p>



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