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	<title>Golpe Militar |</title>
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	<title>Golpe Militar |</title>
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		<title>EBC resgata áudio de discurso histórico de Rubens Paiva na madrugada do golpe militar; ouça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Mar 2025 14:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Golpe Militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No momento em que o Brasil comemora o Oscar recebido por &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, de Walter Salles Jr, a&#160;Empresa Brasil de Comunicação (EBC)&#160;resgata dos acervos da&#160;Rádio Nacional&#160;um momento histórico do país, quando o então deputado Rubens Paiva discursou contra o golpe militar que se desenrolava naquele 1º de abril de 1964. No ar para todo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No momento em que o Brasil comemora o Oscar recebido por &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, de Walter Salles Jr, a&nbsp;<strong>Empresa Brasil de Comunicação (EBC)&nbsp;</strong>resgata dos acervos da&nbsp;<strong>Rádio Nacional&nbsp;</strong>um momento histórico do país, quando o então deputado Rubens Paiva discursou contra o golpe militar que se desenrolava naquele 1º de abril de 1964.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No ar para todo o Brasil, ele convocou estudantes e trabalhadores a se mobilizarem contra o movimento golpista e disse que ao seu lado, e em defesa da legalidade do presidente João Goulart, estava &#8220;a maioria do povo brasileiro desejando as reformas e desejando que a riqueza se distribua&#8221;. &#8220;Estejam atentos às palavras de ordem que emanarem aqui da&nbsp;<strong>Rádio Nacional&nbsp;</strong>e de todas as outras rádios que estejam integradas nesta cadeia da legalidade&#8221;, disse durante o discurso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;É muito importante o trabalho da&nbsp;<strong>EBC&nbsp;</strong>, como empresa pública de comunicação, na preservação da memória cívica nacional&#8221;, registrou o diretor-presidente Jean Lima.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rubens Paiva foi preso, torturado e morto sob custódia militar em janeiro de 1971. Seu assassinato se tornou um símbolo da luta pela verdade e justiça no Brasil, que teve muitos brasileiros perseguidos durante o regime. Sua história é contada no filme &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221;, de Walter Salles, sob a ótica de sua viúva, Eunice Paiva. O roteiro, adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do ex-deputado, reacende o debate sobre os desaparecimentos forçados e as violação dos direitos humanos durante a ditadura militar. O áudio de Rubens Paiva é um lembrete da resistência de muitos que se opuseram ao golpe e pagaram um preço alto na luta pela democracia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.instagram.com/reel/DGyHXlUv1Y9/?igsh=dHhhMzN1M3A1dDVy" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Ouça o áudio completo</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O áudio foi descoberto nos arquivos da&nbsp;<strong>EBC&nbsp;</strong>em 2014, quando a equipe de jornalismo da empresa preparava conteúdos especiais sobre o aniversário de 50 anos do Golpe Militar. Na ocasião, a descoberta emocionou a família, que nunca tinha ouvido a gravação. A filha,&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2014-03/filha-de-rubens-paiva-se-emociona-ao-ouvir-discurso-inedito-do-pai?_gl=1*1l6d0b6*_ga*MjEzOTg3ODMyMS4xNzMzOTI3OTcy*_ga_TGW7R30M20*MTc0MTE5NTIzNC4xMjUuMS4xNzQxMTk1MjQwLjU0LjAuMA.." rel="noreferrer noopener" target="_blank">Vera Paiva&nbsp;</a>, disse à época que não tinha registros da voz do pai.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Rede da legalidade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Rádio Nacional </strong>se transformou em um espaço de resistência democrática a partir da madrugada de 31 de março, quando começaram a chegar as primeiras notícias de que tropas militares marchavam em direção ao Rio de Janeiro para consolidar um golpe contra o presidente João Goulart. Ao longo dos dias 31 de março e 1º de abril de 1964, os microfones da emissora no Rio de Janeiro foram mantidos abertos para manifestações de diversos políticos e setores da sociedade que se opunham ao golpe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://ebc.com.br/imprensa/2025/ebc-resgata-audio-de-discurso-historico-de-rubens-paiva-na-madrugada-do-golpe-militar-ouca" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Link: https://ebc.com.br/imprensa/2025/ebc-resgata-audio-de-discurso-historico-de-rubens-paiva-na-madrugada-do-golpe-militar-ouca</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="INAUGURAÇÃO DA II GELOTECA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/lgoIIad96OE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Como alguns brasileiros relembram os dias do golpe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2024 04:12:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[capitao]]></category>
		<category><![CDATA[Golpe Militar]]></category>
		<category><![CDATA[levante militar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Fróes &#8211; Segunda, 1 de abril de 2024 O lamento de um capitão da guarda presidencial, o medo de uma jovem de celebrar o aniversário de 18 anos, a iniciativa de um aluno que saiu às ruas com uma mensagem: a memória de alguns que viveram o golpe há 60 anos. Terezinha Batalha tem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Lucas Fróes &#8211; Segunda, 1 de abril de 2024</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lamento de um capitão da guarda presidencial, o medo de uma jovem de celebrar o aniversário de 18 anos, a iniciativa de um aluno que saiu às ruas com uma mensagem: a memória de alguns que viveram o golpe há 60 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Terezinha Batalha tem lembranças mais vivas e alegres de quando dançou valsa na festa do seu aniversário de 15 anos, em 1961, em Salvador, do que de quando completou 18 anos, em 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É que o&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/golpe-de-1964/t-17503140">levante militar</a>&nbsp;iniciado em 31 de março daquele ano ganhou força no dia primeiro e desfechou seu golpe, com a deposição do&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/o-%C3%BAltimo-ato-do-governo-democr%C3%A1tico-antes-do-golpe-de-1964/a-68509987">presidente João Goulart</a>, em 2 de abril. No dia seguinte, aniversário de Terezinha, não havia motivo para comemorar. A ditadura era um péssimo presente para uma adolescente de esquerda que militava desde cedo na Juventude Estudantil Católica (JEC).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em sua memória, não há lembrança de festa, apenas do golpe. &#8220;Todo mundo ficou em casa, não se saía. Os riscos eram grandes porque não se sabia como estavam os desdobramentos, a polícia militar toda na rua, canhão na rua. Era um cenário de guerra&#8221;, conta a assistente social, hoje aos quase 78 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do último censo demográfico realizado pelo IBGE, em 2022, pouco menos de 16% dos brasileiros já eram nascidos em 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, Perly Cipriano tinha 20 anos e estava de cabelo raspado por ser calouro do curso de odontologia, quando participou de uma marcha carregando um quadro negro com a inscrição &#8220;Contra o golpe&#8221;, da sede da União Estadual dos Estudantes (UEE), em Vitória, até o palácio do então governador do Espírito Santo, Francisco Lacerda de Aguiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Era um quadro negro que nós estávamos usando para fazer um curso de alfabetização de adultos usando o método Paulo Freire&#8221;, diz o ex-deputado estadual, hoje aos 80 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na entrada do palácio, ele tentou sensibilizar um policial com a sua causa. &#8220;Você tem razão, mas se mandarem atirar em vocês, a gente atira&#8221;, disse-lhe o homem. Depois que uma comissão de estudantes saiu da audiência com o governador, Perly mudou a frase no quadro para &#8220;O governador é contra o golpe&#8221;. Poucos metros adiante, policiais o obrigaram a apagá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Fomos para a UEE e passamos a noite fazendo uma vigília, ouvindo as notícias no rádio, mas algumas começaram a ser ocupadas por dobrados militares. Ficamos até o outro dia e retornamos para casa&#8221;, recorda. O governador aderiu ao golpe.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-4-1024x576.png" alt="" class="wp-image-117888" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-4-1024x576.png 1024w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-4-300x169.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-4-768x432.png 768w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-4.png 1110w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Menos de 16% dos brasileiros hoje vivos já eram nascidos no dia do golpe. Nesta foto, homem é preso em Belo Horizonte em 1º de abril de 1964<small>Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã</small></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Esperando as ordens de Jango</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Esses testemunhos são fundamentais, sobretudo dessa experiência no imediato pós-golpe no Brasil, pois revelam a violência da ditadura desde seu início&#8221;, diz a historiadora Maria Cláudia Badan, que já entrevistou mais de uma centena de pessoas que atuaram na resistência ao regime militar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ivan Proença era capitão do regimento presidencial Dragões da Independência, e acompanhava os deslocamentos de João Goulart, às vezes trocando algumas palavras com o presidente. &#8220;Jango era um pacifista e um homem de negociação&#8221;, define Proença, aos 93 anos, hoje escritor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No início da manhã de 1º de abril, militares conspiradores chegaram ao Rio de Janeiro para saber qual era a posição do regimento de Ivan Proença, que se manteve legalista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A notícia de que Jango deixara o Rio rumo a Brasília vazou, e Proença foi enviado ao Palácio das Laranjeiras, onde se hospedara o presidente, para saber se ele tinha deixado alguma ordem de ação, mas nada havia. &#8220;Não quero derramamento de sangue entre irmãos brasileiros&#8221;, comentou Jango com um oficial, antes de viajar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Nós tínhamos plenas condições de evitar o golpe&#8221;, garante Proença. No Palácio Guanabara, o governador Carlos Lacerda fazia agitação golpista com homens armados. &#8220;Na entrada do Laranjeiras, tínhamos dois morteiros apontados para o Palácio Guanabara&#8221;, revela Proença. &#8220;Faltou só a ordem, o comando&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No mesmo dia, membros do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) atacavam estudantes na Faculdade Nacional de Direito. O capitão Proença e seus subordinados expulsaram os agressores e salvaram os estudantes, que estavam encurralados e sendo sufocados pelo gás lacrimogêneo. &#8220;Tinha gente já pronta pra pular lá de cima&#8221;, diz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na volta, Proença foi detido pelos militares e enviado para uma cela no Forte Imbuhy, em Niterói.</p>



<h2 class="wp-block-heading">No olho do furacão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Continuamos lutando, corri muito de polícia&#8221;, conta Terezinha Batalha. Ela criou um grupo de bairro com mais de cem jovens, dos setores cultural, político, recreativo e litúrgico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Os orientadores da JEC eram os padres mais avançados, que tinham espírito revolucionário, estudavam marxismo e tinham a intenção de melhorar as condições sociais&#8221;, conta Terezinha, que segue com os mesmos ideais, mas tornou-se ateia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando entrou na Universidade Católica, foi escolhida como uma das delegadas para o congresso clandestino da UNE, em Ibiúna, em 1968. &#8220;Já na chegada tinham helicópteros vendo o nosso movimento.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O congresso foi debelado pela repressão e os estudantes foram presos. &#8220;Estavam armados até os dentes, com metralhadoras em cima da gente. A gente ia cantando: ‘Somos todos iguais, braços dados ou não&#8217;. Andamos um dia inteiro, na chuva e na lama, para chegar até os ônibus&#8221;, diz, referindo-se a Caminhando, música de Geraldo Vandré lançada naquele ano.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-5-1024x576.png" alt="" class="wp-image-117889" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-5-1024x576.png 1024w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-5-300x169.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-5-768x432.png 768w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/04/image-5.png 1110w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">João Goulart (à dir.) em sua última aparição pública antes do golpe, na sede do Automóvel Clube no Rio<small>Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã</small></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1974, Terezinha foi selecionada para trabalhar como assistente social na retirada dos moradores para a construção da hidrelétrica de Sobradinho, uma das obras faraônicas da ditadura. &#8220;A reação das pessoas era muito sofrida. Muita gente ficou doente mental, muita gente se suicidou&#8221;, conta. &#8220;A pressão sobre nós era muito grande, tinham agentes lá dentro nos vigiando.&#8221; Sua história foi mostrada no documentário&nbsp;Sobradinho, em 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atuante no movimento estudantil, Perly Cipriano foi preso pela repressão. Solto, foi estudar na União Soviética e, quando retornou ao Brasil, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), a mais ativa organização da luta armada contra a ditadura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preso e torturado em 1970, foi um dos coordenadores da greve de fome dos presos políticos pela anistia, em 1979. &#8220;Teotônio Vilela foi lá, Ulysses Guimarães foi lá, Itamar Franco,&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/lula/t-17432178">Lula</a>, Olívio Dutra, Jacó Bittar,&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/oscar-niemeyer/t-19497662">Oscar Niemeyer</a>, Darcy Ribeiro, Antônio Houaiss&#8221;, lista Perly, que na época apresentou-se a Lula e conversou com ele sobre a criação do PT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Eles vinham trazendo muitas esperanças pra gente, muito conforto&#8221;, diz Perly, que também recebeu a visita de artistas, religiosos e dos primeiros anistiados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Teotônio Vilela disse pra mim: &#8216;Apoiei o golpe militar por ideologia. Agora estou visitando os presídios pra purgar meus pecados, defender a democracia e a anistia'&#8221;. Perly não foi anistiado, mas saiu da cadeia em livramento condicional.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Golpe e ditadura ainda reverberam</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Cassado e vigiado pelos militares, Ivan Proença se formou em Letras, tornando-se professor e escritor. Nos anos 90, trabalhou no governo Brizola, no Rio de Janeiro. No próximo dia 1º de abril, a convite do Grupo Tortura Nunca Mais, em evento sobre os 60 anos do golpe, voltará à mesma Faculdade de Direito onde salvou os estudantes em 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia anterior, a&nbsp;Marcha Reversa, com Perly Cipriano dentre os organizadores, sairá de vários lugares do Brasil rumo a Juiz de Fora, cidade mineira onde Olímpio Mourão Filho, militar que se autointitulou de &#8220;vaca fardada&#8221;, iniciou a marcha do golpe militar em 1964.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos dois primeiros mandatos de Lula, quando era subsecretário de Direitos Humanos, Perly foi responsável por articular as revelações do ex-delegado Cláudio Guerra. &#8220;Eu percebi que o que ele falava tinha consistência&#8221;, explicou. Guerra depôs na&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/o-legado-da-comiss%C3%A3o-da-verdade-10-anos-depois/a-61810166">Comissão Nacional da Verdade</a>&nbsp;e contou detalhes de crimes da ditadura como o&nbsp;<a href="https://www.dw.com/pt-br/autoridades-militares-sabiam-do-atentado-ao-riocentro-conclui-cnv/a-17601716">atentado ao Riocentro</a>&nbsp;e a queima de corpos de opositores na Usina Cambahyba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Apesar do compromisso político que os governos progressistas tiveram com o tema, faltou uma verdadeira educação pública sobre o que foi a ditadura civil-militar no Brasil. Para isso colaborou muito o caráter reservado das Comissões da Verdade. A passagem da ditadura para a democracia foi fruto de uma conciliação pelo alto, refém da imposição das Forças Armadas, que se autoanistiaram e nunca fizeram sua <em>mea culpa</em>&#8220;, diz a historiadora Maria Cláudia Badan. &#8220;Há um ditado camponês do leste europeu que diz: se você poupar o lobo, estará sacrificando as ovelhas&#8221;, sintetiza Ivan Proença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: DW / Dois jovens conversam com soldado durante o golpe militar, em 1º de abril de 1964<small>Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã</small></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Seletiva alimentar: o que você precisa saber" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/7oUnD5u__yU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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