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	<title>Harvard |</title>
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	<title>Harvard |</title>
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		<title>Brasil defendeu democracia melhor que EUA, diz professor de Harvard</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Aug 2025 12:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Steven Levitsky, autor do livro &#8220;Como as democracias morrem&#8221;, esteve no Senado Federal Autor de Como as democracias morrem, o professor de ciência política Steven Levitsky, da Universidade de Harvard, disse que o Brasil respondeu melhor à tentativa de golpe de Estado do que os Estados Unidos.   Para ele, que participou do seminário Democracia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Steven Levitsky, autor do livro &#8220;Como as democracias morrem&#8221;, esteve no Senado Federal</p>



<p>Autor de Como as democracias morrem, o professor de ciência política Steven Levitsky, da Universidade de Harvard, disse  que o Brasil respondeu melhor à tentativa de golpe de Estado do que os Estados Unidos.  </p>



<p>Para ele, que participou do seminário Democracia em Perspectiva na América Latina e no Brasil, promovido pelo Senado, a resposta do Brasil à ameaça oferecida pela trama golpista que, segundo a Procuradoria Geral da República, foi liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro tem sido consideravelmente mais eficaz do que a resposta americana a medidas autoritárias de Donald Trump.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p><strong><em>“A Suprema Corte Brasileira fez o certo ao defender a democracia agressivamente”</em></strong>, afirmou ele, que comparou:&nbsp;<strong><em>“O Congresso e o Judiciário americanos abdicaram das suas responsabilidades ao encararem o autoritarismo”</em></strong>. &nbsp;</p>



<p>Levitsky considera que a grande ironia é que os Estados Unidos estão punindo o Brasil hoje por fazer o que os americanos deveriam ter feito.&nbsp;<strong><em>“Como cidadão americano, eu sinto vergonha dessa situação”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p>O professor de Harvard se refere à interferência política de Trump no julgamento de Jair Bolsonaro, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Os Estados Unidos anunciaram tarifas de 50% contra exportações brasileiras, além de uma investigação comercial contra o país e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.</p>



<p>Para Levitsky, a resposta americana a um presidente autoritário foi fraca por não haver memória coletiva de perda da democracia.</p>



<p><strong><em>“Diferentemente do Brasil, da Argentina, da China, da Coreia do Sul e da Alemanha, a sociedade americana não tem memória coletiva de autoritarismo. A gente não tem experiência com autoritarismo”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p><strong>Ameaças</strong></p>



<p>O professor de Harvard ponderou que, diferentemente do passado, em que as liberdades eram revogadas pelas armas dos militares, as democracias hoje “morrem na mão de pessoas eleitas”.</p>



<p><strong><em>“São pessoas que atacam as instituições democráticas para subverter tudo. Esses autocratas são populistas”</em></strong>, afirmou.</p>



<p>Esses líderes populistas, como o pesquisador classifica, teriam como estratégia se impor sobre instituições como o Congresso Nacional ou o Judiciário.&nbsp;<strong><em>“Isso pode levar a crises e a quebra das democracias”</em></strong>, reiterou o professor de Harvard.</p>



<p><strong>Resiliência e desafios</strong></p>



<p>Entre esses líderes, o pesquisador exemplificou com presidentes como Jair Bolsonaro, no Brasil, e Javier Milei, atual mandatário na Argentina. No entanto, Levitsky observa que as democracias latino-americanas têm se mostrado resilientes.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“Havia muitas razões para esperar que as democracias latino-americanas falhassem na última década. O ambiente internacional está muito menos favorável às democracias do que na década de 1990”</em></strong>, apontou.</p>



<p>O pesquisador em ciência política ressalta que as condições mudaram drasticamente no Século 21, quando o poder, o prestígio e a autoconfiança do Ocidente liberal declinaram.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“Os poderes ocidentais não mais promovem as democracias consistentemente ou energeticamente, como no passado. Essas mudanças no ambiente internacional dramaticamente aumentaram o poder autocrata</em></strong>”, contextualizou o professor, que considera ter se tornado muito mais fácil ser um autocrata hoje do que há 30 anos.&nbsp;</p>



<p>No contexto das democracias latino-americanas, ele pontua grandes desafios domésticos, como economias estagnadas, aumento de crime e da violência e escândalos de corrupção.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“Isso gerou muito descontentamento em toda a região. Esses problemas foram exacerbados pela Covid-19”</em></strong>.</p>



<p><strong>Poder de erosão</strong></p>



<p>Outro poder de erosão da confiança pública nos poderes constituídos teve relação com a expansão das redes sociais.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“Não é surpreendente que a satisfação com as democracias caiu drasticamente na América Latina na última década”</em></strong>, considerou ele, que citou que 28% dos latino-americanos não estão satisfeitos com as democracias.&nbsp;</p>



<p>O autor avalia que, em 1995, havia dez democracias plenas na América Latina, com eleições diretas e respeito aos direitos humanos.</p>



<p><strong><em>“Em 2005, eram 13 democracias plenas, mas, em 2015, só havia 12. Hoje, de acordo com a minha contagem, há 12 democracias, apesar de um ambiente internacional menos favorável”</em></strong>.</p>



<p><strong>Descontentamentos</strong></p>



<p>O pesquisador entende que populistas e autocratas têm sido eleitos na América Latina por conta de diferentes tipos de descontentamentos.&nbsp;<strong><em>“Isso ocorre por causa das desigualdades sociais que criam lacunas entre a elite e as massas. Além disso, quando os Estados são ineficazes e fracos, é quase impossível para os gestores governarem bem, independentemente das suas intenções”</em></strong>.</p>



<p>Levitsky aponta que, mesmo com governos eleitos bem-sucedidos, quando falham na entrega de serviços, as pessoas se frustram. “Parte da população começa a acreditar que todos os partidos políticos são os mesmos”.</p>



<p><strong>Antigos guardiões</strong></p>



<p>Para ele, no século passado, os partidos políticos e a mídia serviam como guardiões da democracia. Hoje, autocratas encontram espaços ou até criam seus próprios partidos, e as campanhas online mudaram características dos períodos eleitorais.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“Eles podem até ser ignorados pela mídia convencional. Os políticos, hoje em dia, não precisam mais de mediadores. Eles podem responder diretamente aos eleitores deles e inclusive violar normas”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p><strong>Como salvar as democracias</strong></p>



<p>Levitsky entende que a proteção à democracia, diante de líderes autocratas, exige que as nações tenham uma reação institucional do Estado mais forte. Ele exemplifica que essa abordagem foi desenvolvida depois da guerra na Alemanha.</p>



<p><strong><em>“Dar o poder às entidades de banir candidatos, mesmo sendo muito arriscado, porque o processo pode ser errado”</em></strong>, diz ele, que cita que erros desse tipo podem ter ocorrido na Venezuela e outros países, como Peru e na Guatemala.&nbsp;</p>



<p><strong><em>“A democracia só vai estar segura quando os políticos convencionais, esquerda, centro e direita, trabalharem ativamente para manter extremistas do lado de fora”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p>Esse caminho foi seguido pela Bélgica e pela Finlândia, em 1930, quando a esquerda e a direita se uniram para derrotar os fascistas.&nbsp;<strong><em>“Recentemente, a gente encontrou coalizões democráticas que se juntaram para acabar com forças que não são liberais na França. Se as entidades não vão proteger a democracia, os políticos precisam fazer isso”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p>Se instituições e políticos falharem, o pesquisador defende que o guardião da democracia deve ser a sociedade civil.&nbsp;<strong><em>“Os líderes precisam, de maneira enérgica, defender normas democráticas. Todos os tipos de líderes precisam defender a democracia publicamente, Precisam repetidamente lembrar o cidadão que existem linhas que nunca podem ser ultrapassadas”</em></strong>.&nbsp;</p>



<p><strong>Coletânea</strong></p>



<p>Além da palestra e de discursos de parlamantares, o seminário lançou a coletânea Democracia Ontem, Hoje e Sempre, composta por quatro livros reeditados pelo Conselho Editorial do Senado.&nbsp;</p>



<p>Foram lançados os livros 1964 Visto e Comentado pela Casa Branca, de Marcos Sá Corrêa, Sessenta e Quatro: anatomia da crise, de Wanderley Guilherme dos Santos, Explode um Novo Brasil – diário da campanha das Diretas, do jornalista Ricardo Kostcho; e 1964: Álbum Fotográfico de um Golpe de Estado, organizado por Heloisa Starling, Danilo Marques e Livia de Sá.</p>



<p>Fonte: Notícias ao Minuto / Foto: © Shutterstock</p>



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		<title>Estudante e professora da rede estadual da Bahia têm experiência no MIT e Harvard</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Apr 2025 19:53:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p>A equipe foi formada virtualmente, durante a pandemia da Covid‑1, e reuniu seis estudantes de diferentes regiões do Brasil, como Paraná, São Paulo, Brasília, Natal e Bahia para participar da OBT. Entre eles, estavam a baiana Yasmin Amorim, da rede estadual. O grupo contou com a orientação da professora Cardiria Monte, do Anexo do Colégio Estadual de Jacobina de Caatinga do Moura (Jacobina‑BA), escola escolhida como sede do projeto. Unidos pelo desejo de desenvolver soluções tecnológicas para demandas sociais, eles criaram um protótipo de aplicativo voltado ao apoio de pessoas com TDAH. O trabalho garantiu o primeiro lugar na fase inicial da OBT, em São José dos Campos (SP), e, na etapa seguinte, nomeada de “Escola de Inteligência”, obteve aprovação unânime do júri técnico e do público, em 2022.</p>



<p>A professora Cardiria destacou a importância da experiência para os estudantes. &#8220;Foi uma oportunidade única que permitiu aos alunos se aprofundarem no conhecimento tecnológico e acadêmico. Quando comecei a participar, estava na gestão da escola e abracei totalmente o projeto deles. Foi muito bacana perceber que aqueles meninos tiveram ideias tão criativas e que estavam realmente protagonizando algo especial ao desenvolver um aplicativo tão interessante e atual. Ver o impacto positivo desse prêmio na vida deles é algo imensurável&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.ba.gov.br/educacao/sites/site-sec/files/2025-04/Estudante%20e%20professora%20da%20rede%20t%C3%AAm%20experi%C3%AAncia%20no%20MIT%20e%20Harvard%204.jpg" alt="Estudante e professora da rede estadual da Bahia têm experiência no MIT e Harvard"/></figure>



<p>Foto: Yasmin Amorim</p>



<p>Em Boston, os participantes exploraram espaços icônicos de inovação. No Broad Institute Museum, no MIT Media Lab e no MIT Museum tiveram a oportunidade de conhecer as fronteiras da pesquisa interdisciplinar. O Harvard Art Museums e o Harvard Al Brazil demonstraram como a arte e a tecnologia podem gerar impacto social, enquanto a visita às instalações do Google evidenciou a dimensão corporativa da inovação. Todos também participaram de um workshop exclusivo sobre negociação, conduzido pelo especialista Anselmo Cassiano.</p>



<p>Egressa da rede estadual e, atualmente, estudante de Ciência da Computação, na Universidade Federal do Ceará, Yasmin compartilhou sua experiência. &#8220;Foi um momento de intenso aprendizado, trocas enriquecedoras e ampliação de horizontes. Mais do que isso, foi uma experiência marcada pelo orgulho de nossas raízes. Todas as três equipes presentes nessa viagem eram times nordestinos, mostrando a força, o talento e o potencial inovador da nossa região&#8221;.</p>



<p>Fonte: ASCOM/ SEC &#8211; BA / Foto: Yasmin Amorim</p>



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<iframe title="A EXEMPLO DO BOM PASTOR, PEREGRINO DO PAI, SEJAMOS PEREGRINO DE ESPERANÇA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/QfC-Be-E4K8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Mandioca’ é tema de palestra de Alex Atala em Harvard, nos Estados Unidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Nov 2024 19:08:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Atala]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Harvard]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Mandioca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por &#160;José Mion/Alô Alô Bahia Insumo que desempenha papel vital na segurança alimentar de muitos países e comunidades,&#160;a mandioca será tema da palestra que Alex Atala ministra, no próximo dia 11 de novembro, em Harvard, nos Estados Unidos. O chef paulista, conhecido por popularizar ingredientes brasileiros fora do país, é o único convidado do Brasil [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por &nbsp;José Mion/Alô Alô Bahia</p>



<p>Insumo que desempenha papel vital na segurança alimentar de muitos países e comunidades,&nbsp;<strong>a mandioca será tema da palestra que Alex Atala ministra, no próximo dia 11 de novembro, em Harvard</strong>, nos Estados Unidos. O chef paulista, conhecido por popularizar ingredientes brasileiros fora do país, é o único convidado do Brasil para a temporada de 2024 da “Science and Cooking Lecture Series”.</p>



<p>Na renomada universidade de Boston, o cara à frente do duplamente estrelado D.O.M. pretende provocar uma reflexão sobre o valor da ciência milenar, que desenvolveu os derivados da mandioca, e&nbsp;<strong>falar sobre a importância do ingrediente no contexto da cultura brasileira</strong>.</p>



<p>Com o mesmo tema da palestra aberta ao público, “A ciência por trás da tapioca: notas sobre fermentação e cultura brasileira”, Atala&nbsp;<strong>ainda dá uma aula para aproximadamente 200 alunos de Harvard</strong>, na manhã do dia 12. O chef é autor de diversos livros, entre eles o&nbsp;<em>“Mandioca: manihot utilissima pohl”</em>.</p>



<p><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/11/Alex-Atala_credito-Jairo-Goldflus-2-720x480.jpeg" alt="" width="720" height="480" srcset="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/11/Alex-Atala_credito-Jairo-Goldflus-2-720x480.jpeg 720w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/11/Alex-Atala_credito-Jairo-Goldflus-2-768x511.jpeg 768w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/11/Alex-Atala_credito-Jairo-Goldflus-2.jpeg 1000w"></p>



<p id="caption-attachment-77246"><em>Chef do D.O.M., duas estrelas Michelin, “leva” mandioca para Harvard | Foto: Jairo Goldflus</em></p>



<p>Atala diz que a ideia não é se colocar como um expert em fermentação, mas sim levar uma reflexão aos ouvintes,&nbsp;<strong>reconhecendo o valor desta ciência originária brasileira milenar, de um ingrediente que já existia “muito antes de o Brasil ser o Brasil”.</strong>&nbsp;“A fermentação faz parte de todas as camadas que derivam da mandioca. Vira goma, vira líquido, vira farinha. Quando a gente fala de ciência, será que só se refere à ciência moderna? A ciência milenar não será tão valiosa quanto?”, questiona o chef, que já havia sido convidado duas vezes para ir a Harvard e não conseguiu ir.</p>



<p>“Agora deu certo. Este é o momento da concretização de um grande trabalho”, celebra o também dono do Dalva e Dito, igualmente na capital paulista, destacando a importância de estar entre os palestrantes do projeto, que vai contar com outros grandes nomes da cena gastronômica mundial, como Arielle Johnson, ex-cientista residente do Noma; o escritor Harold McGee; a chef Daniela Soto-Innes, eleita chef mulher do ano; e Kyo Pang, à frente do café malasiano Kopitiam, em Nova York.</p>



<p>Criada em 2010 pela universidade norte-americana, em parceria com os espanhóis Ferran Adrià e José Andrés,&nbsp;<strong>a “Science and Cooking Lecture Series” reúne professores da própria instituição, chefs célebres e grandes especialistas da gastronomia mundial</strong>&nbsp;para apresentar a ciência que existe por trás das diferentes técnicas de cozinha. O projeto é organizado pela John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences de Harvard (SEAS) e é baseada no curso “Science and Cooking: From Haute Cuisine to the Science of Soft Matter” (Ciência e Culinária: Da Alta Cozinha à Ciência das Matérias Moles).</p>



<p>Fonte: Alô alô Bahia /  Foto: Jairo Goldflus</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="AS NUANCES NO MUNDO DA FOTOGRAFIA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/lfpUtp-g8BU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/mandioca-e-tema-de-palestra-de-alex-atala-em-harvard-nos-estados-unidos/">Mandioca’ é tema de palestra de Alex Atala em Harvard, nos Estados Unidos</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A curiosa e desconhecida história de Alves Ribeiro, o 1º médico brasileiro formado em Harvard</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Apr 2024 02:52:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
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		<category><![CDATA[Medico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando nos deparamos com um personagem que acumulou feitos notáveis durante a vida, costumamos dizer que &#8220;esteve à frente de seu tempo&#8221;. Mas, para o historiador Eduardo Vasconcelos, professor da Universidade Estadual de Goiás, não parece adequado usar essa frase para definir a trajetória de Joaquim Antonio Alves Ribeiro, o primeiro brasileiro a se formar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>André Biernath</strong></li>



<li>Role,<strong>Da BBC News Brasil em Londres</strong></li>



<li><a href="https://twitter.com/andre_biernath">Twitter,<strong>@andre_biernath</strong></a></li>



<li>8 abril 2024</li>
</ul>



<p>Quando nos deparamos com um personagem que acumulou feitos notáveis durante a vida, costumamos dizer que &#8220;esteve à frente de seu tempo&#8221;.</p>



<p>Mas, para o historiador Eduardo Vasconcelos, professor da Universidade Estadual de Goiás, não parece adequado usar essa frase para definir a trajetória de Joaquim Antonio Alves Ribeiro, o primeiro brasileiro a se formar em&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94y3jj2kt">medicina</a>&nbsp;na prestigiada&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3gy0kk5d4zo">Universidade Harvard</a>, nos EUA, no ano de 1853.</p>



<p>Na avaliação dele, Alves Ribeiro foi precisamente &#8220;um homem de seu tempo&#8221;.</p>



<p>Depois de formar-se nos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/cdr56r2r88wt">Estados Unidos</a>, ele voltou para a terra natal, onde virou &#8220;médico da pobreza&#8221;, foi o primeiro profissional contratado pela Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, ajudou a lidar com problemas de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c340q430z4vt">saúde pública</a> e trouxe <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c404v027pd4t">inovações tecnológicas</a> ao Brasil.</p>



<p>O dr. Alves Ribeiro também publicou um livro para auxiliar <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c510djjg8y2o">o trabalho das parteiras</a> e criou uma das primeiras publicações médico-científicas do país — batizada de &#8220;A Lancêta&#8221;, numa provável alusão ao tradicional periódico científico inglês The Lancet.</p>



<p>E mais: o médico ainda fundou o primeiro museu do Ceará, a partir de uma coleção de objetos de&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/aprenda-ingles-53851696">história natural</a>&nbsp;(fósseis, penas, pedras…) que reuniu durante a vida.</p>



<p>Apesar desses feitos, a trajetória de Alves Ribeiro passou praticamente sem chamar a atenção de quase ninguém por mais de um século e meio — por fatos e contextos que, em diferentes níveis, afetaram (e ainda afetam) o&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c5qvpqyq38jt">Ceará</a>, o Brasil e o mundo.</p>



<p>Mas, como você vai conhecer ao longo desta reportagem, o trabalho de pesquisa de Vasconcelos ajudou a desenterrar a história.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="De-Icó-a-Cambridge">De Icó a Cambridge</h2>



<p>Vasconcelos ouviu falar no dr. Alves Ribeiro pela primeira vez quando ainda estava fazendo a graduação em história na Universidade Federal do Ceará.</p>



<p>&#8220;Lembro de ler um boletim que mencionava o fato de o primeiro museu do Ceará ter sido fundado pelo &#8216;saudoso médico Joaquim Antonio Ribeiro'&#8221;, destaca ele.</p>



<p>&#8220;Isso acendeu uma luz na minha cabeça. Queria saber quem foi esse cidadão e por que ninguém falava dele.&#8221;</p>



<p>&#8220;Após alguma pesquisa, não encontrei muitas informações sobre Alves Ribeiro nem em publicações locais, regionais, nacionais ou internacionais. Havia um silêncio, uma obliteração com relação a esse cidadão&#8221;, constata Vasconcelos.</p>



<p>Após concluir o mestrado em história da ciência pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), no Rio de Janeiro, o pesquisador decidiu dedicar seu doutorado, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a desvendar quem de fato foi esse médico cearense que viveu no século 19.</p>



<p>A tese de doutorado virou o livro&nbsp;<em>A Ciência Peculiar de Joaquim Antonio Alves Ribeiro</em>, publicado recentemente pela Editora Cancioneiro. O autor&nbsp;<a href="https://alvesribeirocientista.com.br/">também criou um site</a>&nbsp;para reunir e compartilhar informações sobre o cearense.</p>



<p>&#8220;Minha pretensão não era fazer uma biografia e explicitar detalhadamente todos os aspectos da vida de Alves Ribeiro, mas, sim, iluminar algumas de suas ações e atividades científicas&#8221;, pondera o pesquisador.</p>



<p>Há pouquíssimas informações sobre os anos de juventude desse personagem: sabe-se apenas que ele nasceu em 1830 na cidade de Icó, na região sul do Ceará.</p>



<p>&#8220;Até o início da formação médica, não se conhece praticamente nada sobre ele, pois não foram identificados documentos ou informações concretas&#8221;, admite Vasconcelos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/144e/live/61f83030-ed17-11ee-860f-4b0b053e4cd0.png" alt="Capa do livro de Eduardo Vasconcelos"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,No livro recém-lançado, Vasconcelos compila toda a investigação que fez sobre a vida de Alves Ribeiro</figcaption></figure>



<p>Os fatos começam a ficar mais sólidos a partir dos anos em que ele cursou medicina em Harvard, onde obteve o diploma em 1853.</p>



<p>Vale lembrar aqui que, à época, essa universidade americana não tinha o prestígio internacional dos dias de hoje — como o próprio historiador escreve no livro, as elites brasileiras sempre preferiam mandar os filhos para estudar em instituições europeias, como as universidades de Coimbra, em Portugal, ou de Montpellier, na França.</p>



<p>Mas o que fez Alves Ribeiro optar por Harvard? Vasconcelos não tem nenhum documento que comprove os motivos da escolha, mas a pesquisa permite que ele faça algumas conjecturas.</p>



<p>&#8220;O pai de Alves Ribeiro tinha terras e criava gado para o fornecimento de couro. A família dele estava inserida no contexto da ocupação do sertão&#8221;, contextualiza o pesquisador.</p>



<p>&#8220;É possível que o pai dele tivesse contato com algum comerciante estrangeiro, em especial dos EUA ou do Reino Unido, para quem pode ter pedido sugestões sobre onde estudar fora&#8221;, especula.</p>



<p>&#8220;A partir de 1847, tivemos também uma crise econômica internacional que elevou os preços globais e valorizou as principais moedas europeias.&#8221;</p>



<p>Nesse cenário, estudar nos Estados Unidos possivelmente virou uma alternativa mais viável.</p>



<p>&#8220;As universidades americanas eram boas e mais baratas. Além disso, o processo de seleção era relativamente simples, com provas de latim, matemática e inglês&#8221;, acrescenta o historiador.</p>



<p>Especulações à parte, Alves Ribeiro de fato zarpou para os Estados Unidos e estudou medicina na Universidade Harvard — como mencionado anteriormente, ele se formou em 1853.</p>



<p>Durante as pesquisas para o doutorado, Vasconcelos avaliou listas de matrículas para se certificar que o cearense havia sido de fato o primeiro brasileiro a ingressar no curso de Medicina da instituição.</p>



<p>Ele até identificou que, nos registros de Harvard de 1833-34 e 1836-37, há menção a dois estudantes que tinham o sobrenome White. Eles são identificados como &#8220;naturais do Rio de Janeiro, Brasil&#8221;.</p>



<p>&#8220;Mas White não é um nome nada comum para o Brasil do século 19… Eu acredito que eles tinham alguma ascendência anglo-saxã, ou eram filhos de representantes comerciais ou diplomáticos dos Estados Unidos ou do Reino Unido&#8221;, avalia Vasconcelos.</p>



<p>&#8220;Com isso, à luz dos documentos pesquisados, é possível dizer que, até o presente momento, Joaquim Antonio Alves Ribeiro foi o primeiro brasileiro não descendente de estrangeiros, filho de brasileiros natos, que se formou em medicina por Harvard&#8221;, conclui ele.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/5971/live/cb8277e0-ed17-11ee-890a-7f9c0a6cf42e.jpg" alt="Fachada da Harvard Medical School"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Harvard virou uma opção viável para a família de Alves Ribeiro, especula historiador</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-bom-filho-à-casa-torna">O bom filho à casa torna</h2>



<p>Após a formação, Alves Ribeiro voltou ao Brasil e precisou revalidar o diploma antes de poder atuar como médico no país. Ele cumpriu essa etapa, que é exigida até os dias de hoje, na Faculdade de Medicina da Bahia.</p>



<p>Na sequência, ele se mudou para o interior do Rio Grande do Norte, onde foi contratado para lidar com uma epidemia.</p>



<p>&#8220;Ele passou cerca de um ano lá, mas logo foi embora porque se deparou com atrasos de salários e condições ruins de trabalho&#8221;, destaca Vasconcelos.</p>



<p>Depois, ele estabeleceu um consultório particular em Recife, Pernambuco, onde permaneceu por três anos.</p>



<p>&#8220;Ele recebia pacientes brasileiros e da comunidade internacional, pois fazia atendimentos em inglês e francês&#8221;, detalha o historiador.</p>



<p>Após essa experiência, Alves Ribeiro decidiu regressar ao seu Estado natal. Desde a década de 1830, o governo do Ceará mantinha um cargo conhecido como &#8220;médico da pobreza&#8221;.</p>



<p>Curiosidade histórica: essa função foi instituída durante o governo de José Martiniano Pereira de Alencar, o pai do escritor José de Alencar, autor de clássicos como&nbsp;<em>Iracema</em>,&nbsp;<em>Senhora&nbsp;</em>e&nbsp;<em>O Guarani.</em></p>



<p>&#8220;O médico da pobreza era pago pelo governo da província para atender as pessoas com problemas de saúde que não tinham dinheiro para custear uma consulta&#8221;, resume Vasconcelos.</p>



<p>Num cenário onde não existia qualquer rascunho de saúde pública, essa era uma forma de oferecer algum tipo de atendimento a quem mais precisava.</p>



<p>O pesquisador destaca que, à época, a figura do médico não tinha o prestígio e a autoridade dos dias de hoje.</p>



<p>Até os idos de 1860, a medicina sequer sabia o que causava a maioria das doenças — bactérias, vírus e outros patógenos eram desconhecidos, e demoraria mais de meio século até que os antibióticos estivessem disponíveis.</p>



<p>&#8220;Principalmente entre as camadas mais populares, o médico disputava espaço com outros agentes de cura, como as benzedeiras, os xamãs e os raizeiros&#8221;, lista Vasconcelos.</p>



<p>Alves Ribeiro trabalhou justamente nesse universo, onde precisou lidar com epidemias, contaminações de açudes e outros males que atingiam a província.</p>



<p>&#8220;Em março de 1871, é criado o primeiro hospital de caridade do Ceará, a Santa Casa de Misericórdia que, está em funcionamento até os dias de hoje&#8221;, diz o autor.</p>



<p>&#8220;E Alves Ribeiro se torna o primeiro médico da Santa Casa de Fortaleza&#8221;, complementa.</p>



<p>Ele também se notabilizou por estar em contato com as novidades e adotar tecnologias inovadoras da época.</p>



<p>Um dos aparatos que o médico incorporou na prática foi o insensibilizador, um aparelho que borrifava éter para &#8220;anestesiar&#8221; os pacientes e diminuir a dor durante procedimentos cirúrgicos, como amputações, extrações de dentes, queima de tumores e até cesarianas.</p>



<p>A Gazeta Médica da Bahia, um periódico especializado, fez um artigo sobre o tal insensibilizador em julho de 1866.</p>



<p>&#8220;Os primeiros ensaios [no Brasil com o insensibilizador] de que temos notícias foram feitos no Ceará pelo nosso ilustre colega Sr. Dr. J. A. A. Ribeiro.&#8221;</p>



<p>O próprio Alves Ribeiro contribui para o artigo, ao compartilhar um pouco de sua experiência com a nova tecnologia — o que denota um outro traço importante da personalidade do médico, sobre o qual falaremos adiante.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/dc62/live/7e3f9c00-ed18-11ee-890a-7f9c0a6cf42e.jpg" alt="Insensibilizador"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,O insensibilizador, aparelho que Alves Ribeiro trouxe ao Brasil</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-valor-da-comunicação-em-saúde">O valor da comunicação em saúde</h2>



<p>O médico cearense também se destacou pelas publicações que fez durante a vida.</p>



<p>A mais famosa delas se chama&nbsp;<em>Manual da Parteira, ou Pequena Compilação de Conselhos na Arte de Partejar, Escrita em Linguagem Familiar</em>.</p>



<p>Por meio de um texto acessível e do uso de imagens, Alves Ribeiro compilou uma série de orientações sobre como realizar um parto com sucesso.</p>



<p>&#8220;Como médico, ele sabia que precisava socializar as informações&#8221;, diz Vasconcelos.</p>



<p>&#8220;Ele tinha essa preocupação recorrente, até porque a prevenção e o tratamento de surtos, epidemias e outras questões de saúde dependia de uma abordagem coletiva.&#8221;</p>



<p>O historiador explica que, à época, certamente existia uma enorme demanda por informações em temas de saúde.</p>



<p>&#8220;Precisamos ter em mente que o Ceará é grande. Uma mulher que entrava em trabalho de parto no Crato, a 600 km da capital, não chegaria a tempo à Santa Casa em Fortaleza. E seguramente o médico também não conseguiria se deslocar até o local para socorrê-la&#8221;, conta ele.</p>



<p>&#8220;O Manual da Parteira surge da necessidade de suprir a comunidade com informações de uma maneira simples, com imagens, para que a maioria das pessoas conseguisse ler e interpretar.&#8221;</p>



<p>Alves Ribeiro ainda foi a mente por trás da criação periódico científico A Lancêta, um dos primeiros do gênero no Brasil, em 1862</p>



<p>Vasconcelos revela que o médico conhecia o jornal The Lancet, fundado em 1823 no Reino Unido. Ele chegou a enviar correspondências à pubicação britânica em 1858.</p>



<p>Portanto, o nome aportuguesado d&#8217;A Lancêta, que tratava de temas relacionados a medicina, fisiologia, cirurgia e química, entre outros, para um público especializado, pode ser interpretado como uma espécie de homenagem.</p>



<p>&#8220;Nesse sentido, ao intitular o jornal como A Lancêta, o dr. Alves Ribeiro desejava que a folha médica tivesse características análogas ao instrumento cirúrgico, já que, como médico, ele estava habilitado a manusear tanto a lanceta de fato, o instrumento, quanto a lanceta como figura alegórica, o jornal, por meio do qual a palavra impressa também poderia ou deveria provocar cortes e incisões nos debates em pauta&#8221;, escreve Vasconcelos no livro.</p>



<p>Durante a pesquisa, o historiador encontrou seis edições disponíveis do periódico. &#8220;Ele se propunha a ser uma espécie de arena pública para discutir e refletir sobre o que estava acontecendo na medicina&#8221;, caracteriza ele.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/09ba/live/d4b0f930-ed18-11ee-9410-0f893255c2a0.jpg" alt="Capa do periódico A Lancêta, fundada por Alves Ribeiro"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Capa do periódico A Lancêta, fundado por Alves Ribeiro</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-Gabinete-de-História-Natural">O Gabinete de História Natural</h2>



<p>Mas os interesses de Alves Ribeiro iam além da sua profissão: no final da década de 1850, ele começou a colecionar objetos de história natural, como animais taxidermizados, minerais, moedas e artefatos indígenas.</p>



<p>Em 1867, o médico resolveu abrir sua coleção para visitação pública. Ele cobrava uma taxa para manter a exposição.</p>



<p>Um jornal da época publicou: &#8220;Amanhã abrir-se-á às 4 horas da tarde o Museu de História Natural na rua da Boa Vista, esquina da travessa Municipal. Igualmente estará aberto todos os domingos e dias santos à mesma hora.&#8221;</p>



<p>&#8220;Os bilhetes vendem-se à porta do edifício a 500 réis cada um. O proprietário, não mirando interesse pecuniário, é, contudo, obrigado a taxar aos visitantes essa espórtula [quantia], a fim de ocorrer às despesas com o estabelecimento, e à aquisição de novos produtos&#8221;, finaliza o anúncio</p>



<p>O gabinete de história natural é considerado o primeiro museu criado no Ceará — e um dos pioneiros nesta área do conhecimento de todo o Brasil.</p>



<p>No início da década de 1870, Alves Ribeiro decidiu doar toda a sua coleção para o governo estadual, que a partir dos objetos criou o Museu Provincial, que funcionava no mesmo prédio da biblioteca pública.</p>



<p>Vasconcelos entende que o interesse do médico em história natural está relacionado à formação dele em Harvard.</p>



<p>&#8220;John Collins Warren, um decano da Escola de Medicina de Harvard, tinha uma coleção de História Natural que foi posteriormente doada à universidade&#8221;, diz o professor.</p>



<p>&#8220;Essas coleções reuniam diversos elementos da vida, como esqueletos, fósseis, animais, moedas, pedras, enfim, tudo que fosse exótico e diferente.&#8221;</p>



<p>&#8220;Nesse sentido, Alves Ribeiro é um homem de seu tempo, e sempre buscava conhecimento e as últimas novidades da ciência&#8221;, complementa ele.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/95ee/live/6187a930-ed19-11ee-9410-0f893255c2a0.jpg" alt="Ilustração da Revolução Industrial"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Acontecimentos internacionais, como a Segunda Revolução Industrial no Reino Unido e a Guerra de Secessão nos EUA, transformaram o Ceará num polo produtor de algodão — mas tudo mudou com a Grande Seca de 1877</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Esquecido-pela-história">Esquecido pela história</h2>



<p>Mas com uma trajetória tão interessante e cheia de características únicas, por que Alves Ribeiro não é um personagem mais conhecido e estudado?</p>



<p>Na visão de Vasconcelos, isso se deve a dois fatores principais, que envolvem o Ceará, o Brasil e o mundo inteiro.</p>



<p>Em primeiro lugar, é preciso resgatar dois acontecimentos globais da época. De um lado do Atlântico, o Reino Unido passava pela Segunda Revolução Industrial, pautada na fabricação de produtos têxteis.</p>



<p>Do outro, os Estados Unidos — até então a maior fonte de algodão para as fábricas britânicas — se engalfinharam em crises internas que culminaram na Guerra de Secessão a partir de 1861.</p>



<p>&#8220;A Inglaterra teve que buscar outros fornecedores ao redor do mundo, em especial na América Latina e na África. E, particularmente no Brasil, o semiárido nordestino possui o algodoeiro mocó, que não provê produtos numa grande qualidade quando comparado aos fios egípcios, por exemplo, mas pode ser utilizado para fabricar produtos de segunda ou terceira linha&#8221;, explica o historiador.</p>



<p>Nesse contexto, o Ceará virou um grande fornecedor de algodão, enriqueceu e se tornou uma província com melhores condições, apesar de afastada da capital, no Rio de Janeiro.</p>



<p>&#8220;Mas, a partir de 1877, essa região foi assolada por uma grande seca que impossibilitou o cultivo do algodão&#8221;, complementa Vasconcelos.</p>



<p>&#8220;Os historiadores então pegam esse recorte pós-1877 e concluem que não pode ter existido ali produção intelectual e científica. O Ceará passou a ser entendido apenas como um lugar de seca, cangaço, messianismo e mandonismo&#8221;, diz o especialista.</p>



<p>&#8220;Mas Alves Ribeiro antecede uma série de marcos referenciais. Ele é o homem que vem antes da seca e de todo esse processo&#8221;, avalia ele.</p>



<p>Para fechar, outro motivo que Vasconcelos aponta para o primeiro médico brasileiro formado em Harvard ser um ilustre desconhecido tem a ver com uma falha da &#8220;historiografia nacional&#8221;, que ignora o que acontecia fora do eixo político-econômico do país.</p>



<p>&#8220;Os historiadores olham a ciência como uma atividade custosa, que exige muito dinheiro. Portanto, no século 19, ela só poderia ser feita no Rio de Janeiro e, pouco depois, em São Paulo&#8221;, interpreta ele.</p>



<p>&#8220;A produção historiográfica de hoje privilegia a Ciência realizada apenas no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.&#8221;</p>



<p>&#8220;Mas essa tendência ignora histórias profícuas, de personagens que viveram em outros lugares e deveriam estar nesse panteão das atividades científicas realizadas no Brasil, como o próprio dr. Alves Ribeiro&#8221;, conclui ele.</p>



<p>O médico cearense morreu em 1875, aos 45 anos, vítima de um câncer de estômago.</p>



<p>Fonte: BBC / DOMÍNIO PÚBLICOLegenda da foto,Alves Ribeiro estudou nos EUA e atuou boa parte da carreira em Fortaleza</p>



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<iframe title="Eu, o axé, a Bahia e o Brasil: uma história contada através da música" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/5bxnoeTvXyk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Como renúncia de reitora de Harvard revela &#8216;guerra cultural&#8217; em universidades dos EUA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jan 2024 17:44:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[reitora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A renúncia de Claudine Gay, a primeira pessoa negra a se tornar reitora da prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, está sendo celebrada como uma grande vitória pelos conservadores que se opuseram a ela por&#160;motivos ideológicos&#160;desde que ela assumiu a vaga, em julho de 2023. Embora as alegações de plágio na tese de doutorado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Anthony Zurcher</strong></li>



<li>Role,<strong>Correspondente da BBC na América do Norte</strong></li>



<li>Quinta, 4 de janeiro de 2024</li>
</ul>



<p>A renúncia de Claudine Gay, a primeira pessoa negra a se tornar reitora da prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, está sendo celebrada como uma grande vitória pelos conservadores que se opuseram a ela por&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g1qnrlnq4o">motivos ideológicos</a>&nbsp;desde que ela assumiu a vaga, em julho de 2023.</p>



<p>Embora as alegações de plágio na tese de doutorado dela tenham sido um fator decisivo para que Gay deixasse o posto mais importante de Harvard, a saída dela é mais do que apenas um escândalo de desonestidade acadêmica.</p>



<p>Gay ficou em maus lençóis em dezembro de 2023 por sua participação em um painel do Congresso sobre&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd1jyn05qq5o">antissemitismo nos campi universitários</a>.</p>



<p>As respostas tépidas e burocráticas dos membros do painel, incluindo Gay, sobre como lidar com os apelos ao genocídio dos judeus levaram à renúncia da reitora da Universidade da Pensilvânia, Liz Magill.</p>



<p>Depois desse episódio, Harvard ofereceu apoio contínuo ao mandato de Gay como reitora. Mas a batalha não acabou.</p>



<p>Para seus críticos de direita, Gay representa muito do que eles detestam no ensino superior americano moderno, que consideram dominado por uma ideologia de esquerda que coloca maior ênfase na diversidade étnica e de gênero do que no rigor acadêmico.</p>



<p>&#8220;Foi um exercício velado de raça e gênero quando escolheram Claudine Gay&#8221;, escreveu nas redes sociais o candidato presidencial republicano Vivek Ramaswamy, formado em Harvard, após a renúncia.</p>



<p>O colunista do New York Times Bret Stephens, chamou a atenção para o histórico acadêmico relativamente fraco de Gay, de 53 anos, que não inclui livros publicados e apenas 11 artigos em periódicos científicos. Ele condenou o que chamou de &#8220;modelo de justiça social do ensino superior&#8221;.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/e0d4/live/fbbcd330-aa6c-11ee-beb5-e1400df560f2.png" alt="Christopher Rufo com os olhos arregalados durante conversa"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Ativista de direita Christopher Rufo ajudou a divulgar história de plágio de Gay</figcaption></figure>
</div>


<p>Ele escreveu que a &#8220;podridão intelectual&#8221; no ensino superior americano &#8220;não vai parar de se espalhar até que as universidades retornem à ideia de que seu propósito central é identificar, nutrir e libertar as melhores mentes, e não arquitetar utopias sociais&#8221;.</p>



<p>As alegações de plágio que levaram à renúncia de Gay foram trazidas à tona por Christopher Rufo, um ativista de direita conhecido pela batalha cultural sobre o suposto ensino da&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0jl43g7gw5o">teoria crítica da raça</a>&nbsp;nas escolas dos Estados Unidos.</p>



<p>Numa publicação nas redes sociais em dezembro de 2023, Rufo expôs o que seria uma estratégia para os conservadores buscando dar visibilidade a histórias que, na opinião deles, os principais meios de comunicação estão ignorando.</p>



<p>&#8220;Lançamos a história de plágio de Claudine Gay pela direita&#8221;, escreveu Rufo.</p>



<p>&#8220;O próximo passo é introduzir isso no aparato midiático controlado pela esquerda, legitimando a narrativa para atores de centro-esquerda que podem derrubá-la. Então, fazer pressão&#8221;.</p>



<p>Os esforços de Rufo foram amplificados por meios de comunicação como o New York Post e o Washington Free Beacon, que na segunda-feira (1/1) publicaram detalhes de uma nova denúncia anônima apresentada a Harvard incluindo evidências adicionais de suposto plágio no trabalho publicado por Gay.</p>



<p>Na sua carta de renúncia, Gay disse que recebeu &#8220;ataques pessoais e ameaças alimentadas por uma animosidade racial&#8221;, acrescentando que as últimas semanas deixaram claro que é preciso fazer mais para &#8220;combater o preconceito e o ódio em todas as suas formas&#8221;.</p>



<p>Foi um sentimento ecoado, com raiva mais concentrada, por parte da esquerda.</p>



<p>&#8220;Então, o que aprendemos é o seguinte: fanáticos de má-fé que fingem estar preocupados com o antissemitismo usarão tranquilamente as mulheres de cor — especialmente as negras — como bode expiatório e para-raios para grandes questões sistêmicas&#8221;, escreveu a romancista Celeste Ng nas redes sociais.</p>



<p>&#8220;E que as pessoas que desejam a manutenção desse status-quo vão fazer de tudo para mantê-lo inalterado.&#8221;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/ce26/live/9b1f48e0-aa6d-11ee-a7c3-bf23f999b2bb.png" alt="Celeste Ng em foto com expressão de seriedade"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Nas redes sociais, autora Celeste Ng acusou Harvard de ceder &#8220;aos fascistas&#8221;</figcaption></figure>
</div>


<p>A atual polêmica de Harvard atingiu o seu auge com a renúncia de Gay, mas o esforço conservador mais amplo para minar — e, em última análise, suplantar — as instituições de ensino superior dominadas pelos liberais continua.</p>



<p>Na Flórida, o governador Ron DeSantis — atual candidato presidencial republicano — substituiu a liderança do New College of Florida, cancelando seus programas de diversidade e inclusão, demitindo membros do corpo docente e colocando ativistas de direita, incluindo Rufo, entre seus administradores.</p>



<p>Seu objetivo, em parte, é oferecer um contraponto conservador à moderna faculdade de artes liberais.</p>



<p>Donald Trump, como parte do seu plano &#8220;Agenda 47&#8221; para um segundo mandato, apelou para mudanças na forma como as universidades americanas são creditadas, para enfatizar a &#8220;defesa da tradição americana e da civilização ocidental&#8221;.</p>



<p>Ele também se comprometeu a acabar com os programas de equidade, forçar as universidades a reduzir os custos gerais e tributar as doações das escolas que não respeitarem esses pontos.</p>



<p>Harvard poderá, em última análise, substituir Gay por alguém que tenha uma disposição acadêmica e política semelhante e que continue defendendo formas de diversificar o corpo discente de Harvard.</p>



<p>Mas, ao derrubar a reitora de uma das universidades mais prestigiadas do país — aquela envolvida na luta do Supremo Tribunal sobre as preferências raciais nas admissões no início deste ano — os conservadores alcançaram uma vitória substancial a partir da qual podem avançar.</p>



<p>Fonte: BBC</p>



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