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	<title>IA |</title>
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		<title>A nova Guerra Fria é sobre bombas atômicas inteligência artificial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 18:35:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<category><![CDATA[IA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A China vetou a compra da empresa de inteligência artificial Manus pela Meta, realizada no final do ano passado por cerca de US$ 2 bilhões. A medida foi anunciada em uma breve declaração do governo chinês, sem muitas explicações. Caso não saiba, a Manus é uma empresa de agentes de AI, ou seja, utiliza inteligência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A China vetou a compra da empresa de inteligência artificial Manus pela Meta, realizada no final do ano passado por cerca de US$ 2 bilhões. A medida foi anunciada em uma breve declaração do governo chinês, sem muitas explicações.</p>



<p>Caso não saiba, a Manus é uma empresa de agentes de AI, ou seja, utiliza inteligência artificial para executar tarefas automaticamente. Em abril de 2025, um mês depois do seu lançamento, ela já era avaliada em US$ 500 milhões.</p>



<p>O que está por trás: À medida que a rivalidade no setor de AI entre China e Estados Unidos se intensifica, Xi Jinping tenta proteger suas tecnologias, seus talentos e afastar os americanos de setores sensíveis.</p>



<p>Nas últimas semanas, o próprio governo chinês determinou que as principais empresas de inteligência artificial do país rejeitassem investimentos dos EUA — a menos que fossem explicitamente aprovados pelos governantes.</p>



<p>Em certa medida, o movimento lembra o período da Guerra Fria. As duas maiores potências correm para desenvolver as tecnologias mais avançadas, mas enfrentam alto grau de desconfiança e polarização.</p>



<p>Na prática, com a medida, a China fica mais protegida de ter seus dados e suas tecnologias vazados, mas deixa de receber bilhões de dólares que poderiam acelerar suas operações.</p>



<p>Já para a Meta, a determinação representa um golpe na disputa com as rivais Microsoft, Google, OpenAI e Anthropic, deixando a empresa de Zuckerberg mais longe da liderança do setor de agentes, que deve ser avaliado em US$ 182 bilhões até 2033.</p>



<p>Fonte: The News / (Imagem: Ken Ishii | Getty Im)</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A HISTÓRIA DA TECHNET FIBRA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/iALoRhgfty4?start=2570&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Inteligência artificial identifica dor em bebês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[dor em bebês]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Engenheiros do&#160;Centro Universitário FEI&#160;e pediatras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram em parceria uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar o nível de dor de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A tecnologia usa modelos multimodais de linguagem e visão (vision-language models), que integram imagens e textos para interpretar expressões [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Engenheiros do&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/fei/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro Universitário FEI</a></strong>&nbsp;e pediatras da Universidade Federal de São Paulo (<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/unifesp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Unifesp</a></strong>) desenvolveram em parceria uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar o nível de dor de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A tecnologia usa modelos multimodais de linguagem e visão (vision-language models), que integram imagens e textos para interpretar expressões faciais dos bebês com mais precisão e menos subjetividade.</p>



<p>“Como a dor é um fenômeno subjetivo e o bebê ainda não consegue se comunicar verbalmente, ele depende essencialmente da observação de terceiros. Em UTIs neonatais, utilizamos escalas de dor, mas elas são muito subjetivas. As interpretações podem variar conforme o estado emocional de quem o observa, já que um médico, um enfermeiro ou uma mãe mais angustiada podem ter percepções diferentes. Nesse contexto, a ferramenta de inteligência artificial pode ajudar a reduzir essa subjetividade e apoiar a tomada de decisões clínicas”, afirma Ruth Guinsburg, professora de pediatria neonatal da Unifesp e coordenadora-geral da UTI Neonatal do Hospital São Paulo.</p>



<p>A pesquisa, financiada pela&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/fapesp/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">FAPESP</a></strong>, foi&nbsp;<a href="http://nature.com/articles/s41390-025-04669-8" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicada</a>&nbsp;na revista Pediatric Research e demonstrou que o sistema de inteligência artificial supera técnicas tradicionais de deep learning na identificação de estados de dor e conforto. Além disso, o modelo não precisa ser treinado separadamente para cada tarefa, o que amplia sua aplicabilidade clínica.</p>



<p>“Até pouco tempo atrás, se utilizavam modelos clássicos de machine learning que exigiam um banco de dados enorme e específico para cada tarefa, além da necessidade de um pré-processamento complexo das imagens. Com a chegada dos modelos de linguagem multimodais, como ChatGPT e Gemini, por exemplo, tornou-se possível utilizar modelos pré-treinados em uma imensidão de dados da internet para resolver tarefas médicas específicas com maior rapidez”, explica Carlos Eduardo Thomaz, professor da FEI.</p>



<p>Segundo Guinsburg, um bebê internado em uma UTI neonatal pode ser submetido a até 13 procedimentos dolorosos por dia, como punções, inserção de cateteres, cirurgias e intubações. “Essas intervenções são vitais, mas causam dor. Por isso, é essencial equilibrar necessidade clínica e sofrimento, já que a dor mal gerenciada pode deixar sequelas duradouras”, ressalta.</p>



<p>Ela conta que até os anos 1990 acreditava-se que recém-nascidos não sentiam dor por serem neurologicamente imaturos. “Hoje se sabe o exato oposto: por serem imaturos neurologicamente, eles são ainda mais vulneráveis aos efeitos adversos dos estímulos dolorosos”, diz.</p>



<p>Por isso, os pesquisadores acreditam que a ferramenta de IA pode ser uma aliada para transformar sinais subjetivos em parâmetros objetivos, funcionando como um “fiel da balança” na avaliação clínica.</p>



<p>A expectativa é que, no futuro, a ferramenta poderá emitir alertas em tempo real, atuando como um monitor de dor ao lado dos dispositivos cardíacos e respiratórios. E também poderia apoiar prescrições mais seguras de analgésicos.</p>



<p>“No cérebro em desenvolvimento, tanto a dor não tratada quanto o excesso de medicação podem ser neurotóxicos. O desafio é acertar o alvo: tratar quando há dor e suspender quando ela cessa”, ressalta Guinsburg.</p>



<p>Para o engenheiro Lucas Pereira Carlini, integrante da equipe, o impacto da IA vai além da performance técnica. “Buscamos sempre mais precisão, mas é importante lembrar: o que cada ponto percentual de acerto representa para um bebê?”, conclui.</p>



<p><em>(Com informações da Agência Fapesp)</em></p>



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<iframe title="O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NA SAÚDE MENTAL" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/-Cm1LC7gAjo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/inteligencia-artificial-identifica-dor-em-bebes/">Inteligência artificial identifica dor em bebês</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>MEC autoriza criação de bacharelado em IA em novo campus da UFRB</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 17:56:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lívia Patrícia Batista Criação de novo campus em Nazaré representa um passo para o projeto de regionalização da universidade federal O Governo Federal autorizou a criação da graduação de Inteligência Artificial pela UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), no novo campus de Nazaré. A portaria publicada pelo MEC em 6 de abril autorizou a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Lívia Patrícia Batista<br><br>Criação de novo campus em Nazaré representa um passo para o projeto de regionalização da universidade federal</p>



<p>O Governo Federal autorizou a criação da graduação de Inteligência Artificial pela UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), no novo campus de Nazaré.</p>



<p>A portaria publicada pelo MEC em 6 de abril autorizou a criação dos bacharelados em Inteligência Artificial e Comércio Exterior e dos cursos tecnológicos em Ciência de Dados Para Negócios e Logística – todos eles em Nazaré. Ao todo, serão disponibilizadas 200 vagas.</p>



<p>Os cursos fazem parte da primeira fase de implantação do Centro de Ciências Aplicadas, Tecnologia e Inovação (CECATI) da UFRB, na cidade de Nazaré.</p>



<p>A autorização de funcionamento para o novo campus da UFRB foi entregue no mês passado e representa um passo para o projeto de regionalização da universidade federal. A construção da nova unidade será viabilizada através do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).</p>



<p>A proposta que definia o perfil do Centro de Ensino em Nazaré foi aprovada pelo Conselho Superior (CONSUNI) em 2019. De acordo com a UFRB, a implantação da unidade é fundamentada na localização logística do município e no alcance regional de cerca de 900 mil habitantes, visando elevar os indicadores de educação e renda.</p>



<p>Fonte: Bahia.ba / Foto: Carlos Augusto/Reprodução/Jornal da Bahia</p>



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<iframe title="“A VERDADE SOBRE O CONSEG DE DIAS D’DAVILA”" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/GFRsacZs57g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br></p>



<p><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/mec-autoriza-criacao-de-bacharelado-em-ia-em-novo-campus-da-ufrb/">MEC autoriza criação de bacharelado em IA em novo campus da UFRB</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Polícia de Goiás usa IA e prende pai e filho por suspeita de matarem morador de rua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 01:42:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Domingo, 12/04/2026 &#8211; 19h00 Por&#160;Francisco Lima Neto / Folhapress A Polícia Militar de Goiás utilizou ferramenta de IA (inteligência artificial) para prender dois homens que teriam matado um morador de rua, em Goiânia. Os suspeitos são pai e filho. O morador de rua foi morto na rua 68, no Setor Central de Goiânia, na madrugada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo, 12/04/2026 &#8211; 19h00</p>



<p>Por&nbsp;Francisco Lima Neto / Folhapress</p>



<p>A Polícia Militar de Goiás utilizou ferramenta de IA (inteligência artificial) para prender dois homens que teriam matado um morador de rua, em Goiânia. Os suspeitos são pai e filho.</p>



<p>O morador de rua foi morto na rua 68, no Setor Central de Goiânia, na madrugada de quinta-feira (9).</p>



<p>A Polícia Militar foi acionada e, de acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), as equipes de inteligência da corporação fizeram levantamentos para entender como o crime aconteceu e encontrar os responsáveis. Imagens de câmeras de monitoramento de comércios da região foram fundamentais para o avanço das investigações.</p>



<p>&#8220;A análise do material permitiu identificar características específicas do veículo suspeito, como danos visíveis na lataria, ausência da placa traseira, rodas sem calotas e marcas de queimadura no teto, elementos que ajudaram a filtrar e cruzar dados nos sistemas&#8221;, explica o comandante de Policiamento da Capital, coronel Pedro Henrique Batista.</p>



<p>Com uso da plataforma de IA, que integra bases de dados das forças de segurança, a polícia conseguiu identificar o carro usado no crime. Os policiais fizeram buscas, conseguiram localizar os suspeitos e apreender o veículo e a arma utilizada no crime.</p>



<p>Durante a abordagem, a polícia descobriu que os suspeitos são pai e filho. O mais jovem contou que trabalha como entregador por aplicativo e que teria discutido com a vítima momentos antes do crime. Ele relatou que, após o desentendimento, foi até sua casa, pegou uma arma de pressão calibre 5,5 mm, retirou a placa do veículo voltou ao local onde o crime aconteceria, junto com o pai.</p>



<p>O que indicaria premeditação, segundo a secretaria.</p>



<p>Pai e filho foram presos em flagrante e encaminhados à Central Geral de Flagrantes de Goiânia, junto com os objetos apreendidos.</p>



<p>O caso segue em investigação pela Polícia Civil.</p>



<p>Os nomes da vítima e dos presos não foram divulgados.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="OS EFEITOS DA MUDANÇA CLIMÁTICA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/b_CiIReHsQk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/policia-de-goias-usa-ia-e-prende-pai-e-filho-por-suspeita-de-matarem-morador-de-rua/">Polícia de Goiás usa IA e prende pai e filho por suspeita de matarem morador de rua</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Livro “A Modernidade Caiu na Rede: A arte, a cultura e a economia no mundo da Inteligência Artificial” será lançado em abril</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 12:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escritor e economista Armando Avena reúne uma série de textos tendo como tema o domínio das redes sociais e da Inteligência Artificial Por que os homens aceitaram que um pequeno grupo de big techs se apropriasse do conhecimento acumulado da humanidade para lucrar com ele? Essa indagação perpassa o livro “A Modernidade Caiu na Rede: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Escritor e economista Armando Avena reúne uma série de textos tendo como tema o domínio das redes sociais e da Inteligência Artificial</em></p>



<p>Por que os homens aceitaram que um pequeno grupo de big techs se apropriasse do conhecimento acumulado da humanidade para lucrar com ele?</p>



<p>Essa indagação perpassa o livro “A Modernidade Caiu na Rede: A arte, a cultura e a economia no mundo da inteligência artificial”, do escritor e economista Armando Avena, que terá um pré-lançamento no dia 16 de abril, na Bienal do Livro Bahia.</p>



<p>Este é o 12º livro de Armando Avena, que é professor-doutor da Universidade Federal da Bahia, membro da Academia de Letras da Bahia e colunista do jornal A Tarde.&nbsp; O livro reúne uma série de textos lítero-sociais tendo como tema o domínio das redes sociais e da inteligência artificial.</p>



<p>A obra, que terá lançamento oficial no dia 23 de abril, promete causar polêmica, pois o autor sustenta que, da forma como foi imposta à sociedade, a inteligência artificial pode desestimular ou mesmo dar um fim à autoria.</p>



<p>Segundo Avena, algumas poucas empresas, chamadas de big techs, se apropriaram de todo o conhecimento humano acumulado durante séculos e o disponibilizam de acordo com os seus interesses financeiros e políticos. E isso tem impacto não só na produção de mercadorias, mas na produção social da arte e da cultura.</p>



<p>O livro começa abordando a contribuição do poeta Charles Baudelaire e do filósofo Karl Marx na análise das mudanças que ocorreram no mundo no século XIX e de como eles criaram o conceito de modernidade. A partir daí, Avena afirma que essa modernidade caiu na rede, e que hoje existe uma nova modernidade moldada pelas redes sociais e pela inteligência artificial.</p>



<p>“Se no século XIX, a vida se vivia nas fábricas de Londres e nos bulevares de Paris, hoje se vive nos feeds luminosos do Instagram e do TikTok”, diz Avena, acrescentando que essa nova modernidade está sendo regulada, cada vez mais, pela inteligência artificial.</p>



<p>A Modernidade caiu na rede é composto de textos, com tom literário, que passeiam pelas ideias de pensadores que estão atualmente analisando o impacto das redes sociais e da IA na sociedade, a exemplo de Byung-Chul Han, Christian Fuchs e Franco Berardi. São “fragmentos de crítica em tempo real” que fazem da análise crítica um exercício de literatura, diz a orelha da publicação.</p>



<p>No livro, será possível ver Dante Alighieri reunindo os pensadores liberais para discutir a ascensão da direita no século XXI. E Karl Marx dizendo que a inteligência artificial não é nenhuma novidade e que pode ser a mãe do socialismo.</p>



<p>O livro terá pré-lançamento na Bienal do Livro Bahia, no dia 16 de abril, no Centro de Convenções de Salvador; e o lançamento será no Shopping Salvador em 23 de abril.</p>



<p>A publicação é da editora Caramurê, de Salvador, e estará disponível na Amazon a partir do dia 16 de abril.</p>



<p><strong>Serviço</strong></p>



<p><strong>A Modernidade Caiu na Rede – A arte, a cultura e a economia no mundo da Inteligência Artificial</strong></p>



<p>Autor: Armando Avena</p>



<p>Editora: Caramurê</p>



<p>Preço: a definir</p>



<p>101 páginas</p>



<p>1ª edição / 2026</p>



<p>Formato: 15,5 x 23 cm</p>



<p>Idioma Português</p>



<p>Venda disponível na Amazon – a partir de 15 de abril</p>



<p>ISBN: 978.85.94311.85.6</p>



<p><strong>Pré-lançamento:</strong></p>



<p>Dia 16 de abril – Bienal do Livro da Bahia no Centro de Convenções de Salvador. No stand da editora Caramurê. A partir das 16 horas.</p>



<p><strong>Lançamento:</strong></p>



<p>Dia 23 de abril – Shopping Salvador, piso L1. Local:&nbsp; Varanda do Amado do Shopping Salvador.&nbsp; A partir das 17 horas</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://aldeianago.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/2026/04/10030531/armando-avena.jpg" alt="" class="wp-image-320418"/></figure>



<p><strong>Sobre o autor</strong></p>



<p>Armando Avena é economista, jornalista e escritor. Membro da Academia de Letras da Bahia, é professor-doutor pela UFBA – Universidade Federal da Bahia. É autor de 11 livros, com destaque para os romances: Luiza Mahin (Geração); Maria Madalena: O evangelho segundo Maria (Geração); Recôncavo (Versal) e o Afilhado de Gabo (Relume Dumará).&nbsp;Seu livro &nbsp;“O Manuscrito Secreto de Marx” (Ed. Casarão do Verbo) foi finalista do Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional em 2012.&nbsp;É professor da Ufba e assina coluna semanal no Jornal a Tarde de Salvador.</p>



<p>Fonte: Aldeia Nagô </p>



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<iframe title="ELEIÇÕES 2026: UM PANORAMA REAL NO CENÁRIO POLÍTICO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/AudYU1cuGaA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Saúde digital no Brasil: soberania ou dependência?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Joyce Souza A introdução da IA e outras tecnologias avança no SUS. Novo livro alerta: na ausência de diretrizes mais explícitas, a porta está aberta à infiltração empresarial no serviço público e ao aprofundamento de nossa subordinação às Big Techs e grandes potências A transformação digital da saúde no Brasil avança em ritmo acelerado. Mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Joyce Souza<br></p>



<p>A introdução da IA e outras tecnologias avança no SUS. Novo livro alerta: na ausência de diretrizes mais explícitas, a porta está aberta à infiltração empresarial no serviço público e ao aprofundamento de nossa subordinação às Big Techs e grandes potências</p>



<p>A transformação digital da saúde no Brasil avança em ritmo acelerado. Mas cabe a pergunta: esse processo vem ocorrendo de modo a reforçar a soberania do país, melhorar os serviços públicos e resguardar a privacidade dos dados dos brasileiros ou por caminhos que aprofundam nossa dependência em relação às grandes potências imperialistas, proprietárias das principais tecnologias?<br>No trecho a seguir, a pesquisadora da UFABC Joyce Souza repassa o histórico das políticas do país neste campo, desde os primeiros esforços de informatização da saúde na década de 1970 até questionáveis iniciativas contemporâneas, como a hospedagem da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) nos servidores da Amazon Web Services e a incorporação da IA por meio de contratos com grandes empresas de tecnologia.<br>A estudiosa alerta: “As ações para o desenvolvimento da saúde digital no país permanecem bastante próximas e alinhadas a elementos e práticas neoliberais. Tais práticas indicam uma acentuada e alarmante tendência à privatização da saúde brasileira, não necessariamente no atendimento direto à população, mas no ecossistema que sustenta a infraestrutura e as tecnologias digitais do setor”.<br>O escrito faz parte de Inteligência artificial, sociedade e classe: como a IA impacta o trabalho, a saúde e as políticas públicas, coletânea de artigos publicada por nossos parceiros da Autonomia Literária que traz importantes subsídios para o objetivo de criar “políticas de soberania digital, regulação, transparência e participação popular para que a IA contribua para a redução das desigualdades e o desenvolvimento autônomo dos países dependentes”. Boa leitura! (G. A.)</p>



<p>Saúde digital e IA: imperialismo e dependência na saúde pública brasileira (excerto)<br>O Brasil, sendo um dos países fundadores da OMS e tendo ocupado a posição de direção-geral da organização por 20 anos (1953-1973), tem uma longa história de incorporação das orientações da OMS no desenvolvimento e fortalecimento das políticas públicas implementadas pelo Ministério da Saúde (MS).</p>



<p>Essa relação histórica se aprofunda no âmbito do desenvolvimento da saúde digital. Os primeiros avanços nesse sentido surgiram na década de 1970, quando a OMS começou a abordar temas relacionados à informação e comunicação em saúde. Naquele período, a noção de “dados” ainda não era considerada um elemento central no contexto de uma saúde digitalizada. No entanto, a OMS já identificava como sistemas e mecanismos iniciais poderiam contribuir para uma melhor coleta e análise de informações de saúde. Foi nesse cenário que o Brasil começou a desenvolver seus primeiros sistemas informatizados, voltados para análises laboratoriais, registros médicos e cálculos estatísticos.</p>



<p>Esses primeiros sistemas ainda eram bastante simples e de certa forma ainda manuais. A coleta de informações, por exemplo, ainda estava intrinsecamente baseada no preenchimento de formulários e o seu tratamento ficava restrito a trabalhos específicos, como o dos sanitaristas. Apesar do progresso que isso já representava ao setor de saúde, não havia uma política com normas e diretrizes claras sobre como todo esse processo deveria ser operacionalizado, o que acabou gerando sobreposição de responsabilidades, atribuições equivocadas e interesses diversos na coleta e no uso das informações de saúde.</p>



<p>Esse cenário gerou preocupações que abrangiam desde a qualidade das informações coletadas e seu uso até o armazenamento, o fluxo e a troca dessas informações entre as secretarias municipais, estaduais e a esfera federal. Diante dessas questões, surgiu a necessidade de padronizar as atividades no setor de saúde. Apesar das diversas discussões e reuniões iniciadas em 1975, foi apenas em 1991 que se concretizou a criação de algumas das estruturas fundamentais nesse contexto. Por exemplo, ocorreu com a promulgação da Lei 8080/90 a criação do Sistema Nacional de Informações em Saúde (SNIS) e com o Decreto 100, de 16 de abril de 1991, a instituição do Departamento de Informática do SUS (Datasus).</p>



<p>É a partir da década de 1990, com a criação do SUS, a promulgação da Constituição de 1988, a expansão da internet em sua fase comercial e os avanços dos sistemas computacionais, que se inicia no Brasil uma série de iniciativas no âmbito da saúde. Isso inclui desde conferências nacionais de saúde até a criação de portarias, leis e decretos destinados à implementação de políticas públicas de informática em saúde, visando modernizar e integrar os sistemas de informação no setor.</p>



<p>Embora os registros históricos desse período revelem a intensa participação de pesquisadores, profissionais de saúde e movimentos sociais na formulação de diretrizes e normativas, buscando atender aos interesses e as necessidades da sociedade civil, o MS já acenava para o processo de aprofundamento da dependência tecnológica e das práticas neoliberais, que começavam a se consolidar no Brasil por meio de mecanismos baseados em um sistema disciplinar e por práticas interpretadas como coercitivas. Em ambos os casos, o neoliberalismo avançava a partir de um conjunto de instituições, que poderiam ser ou não estatais, mas que buscavam apresentar (ou impor) políticas regulatórias, fiscais e monetárias que, por sua vez, deveriam ser adotadas necessariamente para que a economia de mercado prevalecesse, incluindo o setor da saúde.</p>



<p>Um exemplo desse cenário ocorre no final da década de 1990. Em vez de criar uma política pública de investimento em P&amp;D para o desenvolvimento de tecnologias e infraestruturas digitais nacionais voltadas ao setor da saúde, o MS decide recorrer ao apoio do Banco Mundial e realizar a contratação de empresas internacionais para a implementação do Cartão Nacional de Saúde, o Cartão SUS. Essa iniciativa, considerada uma demanda histórica do setor saúde no Brasil, tinha como objetivo identificar os cidadãos e registrar os atendimentos realizados no sistema público de saúde, independentemente da geolocalização de cada um.</p>



<p>Em 2010, com a evolução das tecnologias digitais impactando cada vez mais as diversas esferas sociais no Brasil, incluindo as políticas governamentais federais, o MS inicia um movimento de adesão a ações voltadas para a implementação de sistemas baseados em dados. Esse processo ocorre em alinhamento com as normativas da OMS, que já promoviam uma transição conceitual importante: a passagem de uma saúde digitalizada – focada na informatização de processos existentes – para uma saúde digital, que incorpora as tecnologias como elemento estruturante do cuidado e da gestão. Nesse contexto, o conceito de “dados em saúde” começa a ganhar destaque, ocupando um espaço que, até então, era dominado quase exclusivamente pela perspectiva da informação. Essa mudança reflete um deslocamento no discurso e nas práticas de gestão, priorizando a centralização, o armazenamento, o controle de fluxos e a disseminação de dados como pilares da administração do sistema de saúde.</p>



<p>Apesar dessa mudança, o MS ainda seguia orientado por estratégias e ações generalizadas do governo federal e de outros órgãos e ministérios, que já utilizavam e exploravam tecnologias digitais em suas atividades. Esses órgãos avançavam na formulação de novos planos, estratégias e até na criação de secretarias específicas para lidar com as demandas do setor e as possibilidades de implementação de novas tecnologias digitais. Foi justamente a partir de 2019, concomitantemente ao avanço da IA e de suas possibilidades de aplicação no setor da saúde, que o MS criou um plano de ação para a saúde digital com diversas ações, dentre as quais: em 2020 lança a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD) e a plataforma nacional de interoperabilidade (troca de dados) em saúde, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS); em 2021 publica a atualização da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS); e em 2023 institui a primeira Secretaria de Informação e SaúdeDigital (SEIDIGI),31 voltada a coordenar a transformação digital do SUS e a integrar as inovações tecnológicas às políticas públicas de saúde.</p>



<p>Embora o plano de ação de saúde digital do MS contemple estratégias e diretrizes desenvolvidas em momentos políticos distintos no Brasil, como a ESD, a RNDS e a PNIIS, lançadas durante o governo de Jair Bolsonaro (então no Partido Social Liberal – PSL), e a criação da SEIDIGI no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores – PT), as ações para o desenvolvimento da saúde digital no país permanecem bastante próximas e alinhadas a elementos e práticas neoliberais. Tais práticas indicam uma acentuada e alarmante tendência à privatização da saúde brasileira, não necessariamente no atendimento direto à população, mas no ecossistema que sustenta a infraestrutura e as tecnologias digitais do setor. Além disso, a construção de políticas públicas voltadas ao tema, como a PNIIS, tem sido alvo de críticas devido à baixa participação social, levantando dúvidas sobre sua capacidade de refletir os interesses da sociedade e fortalecer a transparência nas políticas públicas. O mesmo cenário se repete nas iniciativas conduzidas pela SEIDIGI, onde ainda há um espaço muito reduzido para debates mais profundos com pesquisadores, profissionais de saúde, organizações e movimentos sociais sobre os rumos da digitalização do SUS.</p>



<p>Para exemplificar como tem ocorrido a privatização de infraestruturas tecnológicas pelo SUS, apesar das trocas de governo, vale ressaltar que, em abril de 2020, o MS e a Embratel anunciaram uma parceria para que a RNDS, plataforma nacional de interoperabilidade (troca de dados) em saúde, fosse armazenada pela Amazon Web Service (AWS). Na ocasião, o ex-diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), Jacson Barros, responsável pela medida, celebrou a parceira e destacou em entrevista pública que a iniciativa representava um fortalecimento para o setor: “estamos pavimentando uma estrada para o fortalecimento da estratégia de Saúde Digital para o Brasil”. Atualmente, Jacson Barros ocupa o cargo de Gerente de Desenvolvimento de Negócios no Setor Público de Saúde na AWS.</p>



<p>Devido às complexidades que significa a RNDS estar armazenada na AWS no que tange à dependência tecnológica, à soberania de infraestrutura e de dados digitais e à transferência de valor aos países imperialistas, neste caso aos Estados Unidos, essa parceria suscitou inúmeras críticas. Em 2023, buscando responder a essas preocupações, no contexto de um novo governo progressista, o MS anunciou que a RNDS passaria a ser gerida pelo Serpro, empresa estatal, por meio do projeto Serpro Multicloud. Inicialmente, a notícia gerou um certo entusiasmo, sugerindo uma possível mudança do MS em relação às práticas de privatização da saúde digital. No entanto, logo ficou claro que o Serpro Multicloud representava apenas mais um avanço do neoliberalismo na infraestrutura tecnológica do governo federal. O projeto tem como objetivo apenas gerenciar, sob responsabilidade da equipe do Serpro, a escolha das plataformas internacionais onde os dados coletados em território brasileiro serão armazenados. No caso da RNDS, os dados permanecem na AWS, mas agora com análises e pareceres técnicos, como questões de segurança cibernética, sendo conduzidos pelos profissionais do Serpro.</p>



<p>No contexto específico da implementação de IA na saúde brasileira, não há uma estratégia direta publicada pelo MS sobre o tema. O MS tem se baseado em diretrizes da OMS publicadas no Ethics and Governance of Artificial Intelligence for Health – WHO Guidance, que de forma resumida apresenta duas categorias centrais de recomendações. A primeira concentra-se em diretrizes para a criação de estruturas de governança de IA, tanto nacionais quanto internacionais, visando a implementação de IA como uma ferramenta na ampliação da cobertura universal de saúde. A segunda oferece orientações práticas direcionadas a desenvolvedores de IA, ministérios e instituições de saúde, com o objetivo de lidar com os desafios e riscos associados a essas tecnologias.</p>



<p>Ao longo do documento, a OMS apresenta preocupações atreladas à perspectiva da privacidade, considerando desde a concepção de um sistema até seus padrões, à importância da confidencialidade e da segurança, mencionando políticas e práticas internacionais, como as da ISO, as diretrizes do National Institute of Standards and Technology (NIST), a série IEEE 7000 e o Health Level Seven, e à questão da criação e implementação de legislações robustas sobre o tema em âmbitos nacionais internacionais.</p>



<p>A OMS também ressalta a importância de evitar vieses prejudiciais nos sistemas de IA afirmando que, para os desenvolvedores, isso implica considerar fatores como etnia, idade, raça e gênero durante o treinamento e a aplicação dos modelos de IA. Para a organização, o objetivo é garantir que os resultados enviesados da IA, caso haja, não causem impactos negativos sobre indivíduos ou grupos específicos. A OMS alerta que vieses algorítmicos são especialmente problemáticos quando geram consequências sociais adversas.</p>



<p>Apesar das importantes preocupações levantadas em seu guia, a OMS não avança em diretrizes concretas que abordem a dependência tecnológica, a soberania de países de baixa e média renda no desenvolvimento da saúde digital e a crescente privatização do setor, impulsionada por tecnologias digitais privadas voltadas à acumulação do capital internacional. Em vez disso, a OMS reafirma, como já fazia em resoluções anteriores, a recomendação para que os ministérios da saúde busquem, em caso de deficiência em suas infraestruturas digitais, parcerias e articulações com organismos internacionais para seu aprimoramento.</p>



<p>Mantendo sua tradição histórica, o Brasil tem seguido as orientações da OMS e implementado, embora sem diretrizes próprias específicas para o setor da saúde, sistemas baseados em IA em diversas áreas. Na ciência da saúde, destacam-se a coleta e o processamento de grandes volumes de dados. No campo da gestão, surgem sistemas voltados à administração de cuidados, infraestrutura, qualidade dos serviços, tele-atendimento, dispensação de medicamentos e análises preditivas. Já no monitoramento e cuidado aos pacientes, a IA tem sido utilizada para promover o autocuidado por meio de dispositivos vestíveis inteligentes, apoiar diagnósticos e tratamentos de doenças e facilitar o registro e a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde.</p>



<p>Para esses fins, a IA tem sido cada vez mais incorporada ao setor da saúde por meio de contratos com grandes empresas de tecnologia e, impulsionada pelas práticas neoliberais, trazem consigo a ideologia dos cuidados de saúde cada vez mais centrados no paciente (indivíduo). Essa abordagem, frequentemente associada à ideia de “eus quantificados”, conforme destacado pelo FEM ao discutir a revolução 4.0 na saúde, promove uma visão individualizada da saúde. Nessa perspectiva, o paciente é visto como o principal responsável por suas escolhas e riscos que incorre, sendo frequentemente culpabilizado por suas condições de saúde. Esse discurso se reflete tanto no incentivo ao automonitoramento contínuo do próprio estado de saúde quanto na imposição de encargos financeiros por escolhas consideradas inadequadas. Além disso, surgem iniciativas, com aval federal, que desenvolvem projetos de saúde privada direcionados às classes baixas, reforçando a privatização do setor em detrimento de soluções coletivas, gratuitas e de acesso universal.</p>



<p>Fonte: Outra Saúde / Imagem retirada do livro “The New Colonialism of Big Tech and How to Fight Back” de Ulises A. Mejias e Nick Couldry.<br><br></p>



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<iframe title="A CÂMARA COMO A VOZ DA POPULAÇÃO !" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/qVe4792Zsys?start=1931&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>IA na saúde: sobre tecnologias e quem as controla</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem estabelecer relação humana, um estetoscópio é apenas um colar. Lógica semelhante se dá com a inteligência artificial, que só existe em uso contínuo e nunca se completa. É hora de debater sob quem deveria estar seu controle – e para onde ela levará o SUS Por Leandro Modolo No fim do ano passado, tive [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sem estabelecer relação humana, um estetoscópio é apenas um colar. Lógica semelhante se dá com a inteligência artificial, que só existe em uso contínuo e nunca se completa. É hora de debater sob quem deveria estar seu controle – e para onde ela levará o SUS</p>



<p>Por Leandro Modolo</p>



<p>No fim do ano passado, tive a oportunidade de fazer de abertura, no IMS/UERJ, para uma oficina sobre “soberania popular em tecnologias em saúde” (uma realização do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio do Ministério da Saúde. Nela estavam inúmeras autoridades oficiais, acadêmicos e nomes históricos do movimento da reforma sanitária, mas sobretudo compareceram diversos representantes de movimentos sociais contemporâneos.</p>



<p>Na ocasião defendi três premissas. Tal como três passos atrás, o esforço foi de recuperar teoricamente conceitos fundamentais para os tempos de digitalização das práticas de cuidado e atenção à saúde.</p>



<p>A primeira premissa mencionada foi de que tecnologia não é sinônimo de instrumento ou ferramenta. A segunda de que não há – e nunca houve na história humana – práticas de cuidado e atenção à saúde que não tenham sido tecnológicas. E a terceira se referia à ideia de que não há possibilidades de efetivamente produzir saúde e bem-estar sem autodeterminação daqueles/as que praticam e recebem cuidado.</p>



<p>Nesta coluna, tomo a liberdade de reformular a fala daquela ocasião: neste mês resumo a primeira premissa, no mês que vêm, tratarei da segunda e, por fim, em maio, me dedicarei a terceira.</p>



<p>De pronto, pode-se dizer: “Nunca antes na história…” se tornou tão importante lembrar que tecnologia não pode ser reduzida a uma simples “coisa” que seguramos na mão, manipulamos, implementamos etc.</p>



<p>Embora tendamos a – quase que por metonímia – chamar de tecnologia todos os instrumentos/ferramentas, para darmos conta do seu conceito, é preciso dar uma complicada na questão. Para começar, podemos relembrar o clássico Ricardo Bruno Mendes-Gonçalves. Dizia ele que, se não é totalmente errado chamarmos um estetoscópio, uma máquina de Raio-X ou um smartphone de tecnologias – porque de fato elas são ferramentas que pegamos nas mãos –, essa é só a forma com a qual a tecnologia nos aparece no aqui e agora, é tão somente a sua forma acabada como artefato técnico.</p>



<p>Quando suspendemos essa imediatez prática à qual o quotidiano insiste nos prender, diz Ricardo Bruno é preciso considerar, todavia, que esse artefato não tem sentido, função e utilidade – “valor de uso” – antes ou fora das relações com as demais coisas, formas de vida e, sobretudo, com os sujeitos humanos e com as distintas organizações sociais das quais participa.</p>



<p>A rigor, não há qualquer dose de realismo se considerarmos uma tecnologia tão somente como uma coisa – fantasmagoricamente – isolada do objeto que ela pretende manipular ou transformar e das pessoas que executam a atividade – e da qual ela é um meio. Se um profissional não retirar o estetoscópio do pescoço e utilizá-lo para auscultar, o artefato técnico pouco ou nada será diferente de um colar. A tecnologia é sempre algo processual, relacional.</p>



<p>É por isso que Ricardo Bruno insistia que é no interior de um determinado arranjo com os objetos sobre os quais realizamos as nossas intervenções e as atividades propriamente ditas que encontramos o conceito de tecnologia. Em saúde, isso significa por exemplo que embora possamos nos referir ao estetoscópio, à máquina de Raio-X, ao prontuário eletrônico ou a um chatbot, todos como tecnologia, se faz necessário considerá-los arranjos tecnológicos. Os artefatos são apenas partes – nunca isoláveis – dos modos como nós organizamos uma consulta, um acolhimento, um campanha ou programa de saúde pública… Como organizamos um (ou mais) sistema(s) de saúde.</p>



<p>Isso significa que os artefatos nunca são neutros, estão sempre arranjados com o modo como concebemos, organizamos e executamos nossas práticas de cuidado e atenção à saúde. Inclusive na maneira como hierarquizamos saberes, profissões e práticas, reproduzimos dominações, opressões e explorações. São processos guiados por saberes específicos, com fins econômicos particulares, reprodutores de normas institucionais próprias, vetores de relações de poder e de diferentes formas de produzir cuidado.</p>



<p>Um exemplo simples e caro ao pensamento crítico da saúde coletiva são os protocolos clínicos: de um lado, podem apoiar decisões e reduzir erros, mas também podem padronizar de tal forma a consulta que esvazia a escuta do usuário, restringe a autonomia da equipe e subordina o cuidado a indicadores gerenciais definidos por poderes estranhos, alienados dos territórios. O mesmo artefato técnico, portanto, pode operar como suporte de uma prática reflexiva e emancipadora, ou como instrumento de controle e dominação – do profissional e do paciente.</p>



<p>Isolar a tecnologia – como um mero artefato – do conjunto de relações que lhe dá sentido e significado, seja político e econômico, seja cultural, socioambiental ou ético, seja clínico ou sanitário, é um erro brutal e com consequências destrutivas.</p>



<p>Um velho movimento artístico como o construtivismo russo, com suas esquisitices e brilhantismo, defendiam obras de arte na quais os processos de criação e produção não ficassem apagados, omitidos no artefato final. Eles queriam que a obra de algum modo se mostrasse como um momento de um processo mais amplo e complexo. Os contra‑relevos de Vladimir Tatlin, por exemplo, a madeira, metal e vidro eram deixados à mostra, com encaixes, cortes e sistemas de suspensão aparentes, de modo que a obra “final” não fosse apresentada como uma simples coisa, fechada e estanque, mas como um resultado parcial de uma montagem em criação.</p>



<p>A proposta vanguardista, importante registrar, não visava apenas nos lembrar do processo que já havia acontecido antes do aqui e agora com que entramos em contato com a coisa, isto é, o passado do artefato disposto em nossas mãos ou de fronte ao nossos olhos. O conceito estético não era só um antídoto ao fetichismo das mercadorias que nos faz esquecer como, porque e por quem foi produzido a coisa que utilizamos.</p>



<p>Além de nos lembrar dos corações, mentes e braços que ficam cristalizados nos artefatos, a ideia dos revolucionários russos era nos interpelar sobre o futuro, sobre as aberturas inscritas nos artefatos e defender a sua contínua recriação. Segundo Boris Arvatov, ao defender que o artefato é um momento de um complexo processo, nunca uma coisa isolada do seu antes e depois, tratava de (re)educar as pessoas para o pertencimento ao processo criativo. Daí a máxima de que todos somos construtores e criadores em uma rede cooperativa de re-design, na qual as coisas estão sempre à espera de serem (re)definidas como novos valores de uso. Consequentemente, tudo em um fluxo de (re)construção de redes de saberes, habilidades e vínculos entre os construtores.e mais como um “agente” que acompanha o caso junto ao paciente. Ao fim, como lembra Christina Kiaer, segundo os construtivistas russos, os artefatos também deveriam ser “camaradas”.</p>



<p>Se isso já valia para artefatos mecânicos e analógicos, imagine agora com os artefatos digitais conectado com as redes globais de computadores como uma IA?</p>



<p>A IA e a adaptabilidade<br>Emprestemos uma ideia do filósofo Luciano Floridi. Para ele, a IA tem um diferencial totalmente novo enquanto artefato: a adaptabilidade. Tais tecnologias emergentes não apenas reagem ao ambiente, mas se reorganizam em algum medida diante dele. As chamadas IAs “generativas” são um exemplo dessa condição.</p>



<p>Pensemos em chatbots como o ChatGPT ou no que a própria literatura médica já denomina “agentes conversacionais”. Esses sistemas ajustam seus serviços de acordo com os inputs que recebem. Em cada interação, uma camada de seu funcionamento interno se adequa ao usuário. Assim, um paciente que se relaciona com uma IA de monitoramento de diabetes, no primeiro mês, receberá uma assistência mais ou menos igual a todos os demais usuários com os mesmo problema de saúde. Com os dias, meses ou anos de interação, longitudinalmente, todavia, o que vemos é a IA incorporando nossos dados clínicos, comportamentais, ambientais e preferências etc.</p>



<p>Tudo de modo a se tornar cada vez mais adaptada, produzindo uma espécie de customização dinâmica. Funcionando menos como um glicosímetro tradicional e mais como um “agente” que acompanha o caso junto ao paciente. A cada conversa, a cada dado novo, ela vai se ajustando, “aprendendo” um pouco mais sobre aquela pessoa e mudando os serviços que oferece. Ofertando assistência digital que se adapta em tempo real em acordo com a interação e o histórico.</p>



<p>Essa adaptabilidade coloca em questão algo nada trivial na história humana: ao interagir com uma IA, não consumimos um artefato acabado como um medicamento ou equipamento médico tradicional. O momento de uso – consumo – do artefato é também um dos momentos em que ele está sendo produzido. Quando um usuário – profissional ou paciente – utiliza o artefato, alimentando-o com dados, ele participa de um processo no qual consumo e produção se confundem. O artefato é montado, desmontado e remontando continuamente com a participação do usuário. Embora tecnicamente há distintos níveis de atualização dos sistemas, o certo é que nunca há uma versão final da IA.</p>



<p>O segredo é que a interface com a qual interagimos, a coisa com que lidamos, é apenas um terminal: a ponta visível de uma imensa indústria em rede espalhada – desigualmente – pelo planeta Terra, disposta em uma complexa e gigantesca anatomia. Para que haja adaptabilidade, para que a IA alcance uma customização razoável e em tempo real na prestação de serviços, ela depende necessariamente do funcionamento dessa indústria global. Não há valor de uso possível de uma IA nas práticas de cuidado e atenção à saúde sem a relação que ela, enquanto mero artefato, estabelece ininterruptamente com outros artefatos e outros “construtores” – que, por sinal, nunca estão no aqui e agora que o usuário se vale do serviço.</p>



<p>Os serviços oferecidos por uma IA dependem de uma ampla infraestrutura que está operando em muitos lugares. Dependem de data centers que devoram água com impactos socioambientais e sanitários dramáticos, redes elétricas que colocam cidades e equipamentos de saúde em apagões, além de um exército global de trabalhadores fantasmas sem condições mínimas de trabalho – adoecendo.</p>



<p>Hoje, cada vez mais vemos profissionais da ponta sendo treinados para manusear IAs de modo eficaz, vemos cursos para introduzi-las nos processos formativos dos novos profissionais, vemos gestores correndo para incorporá-las nas performances administrativa, vemos recém-formados sonhando com um nova healthtech comprada por milhões de algum capital estrangeiro etc. (Afinal, como dizem, a roda não pode parar!)</p>



<p>Ao mesmo tempo, raros ou mesmo inexistentes têm sido os espaço onde nos perguntamos: tais arranjos tecnológicos envoltos na chamada “saúde digital” atual estão levando o SUS para onde? As novas tecnologias incorporadas ou implementadas como novos instrumentos estão (re)construindo arranjos com que(m) e para que(m)? As escolhas que tem sido feitas nos municípios, estados e união resultarão em qual SUS daqui 1, 5, 10… 40 anos? Ou ainda, envoltos numa acelerada e crescente indústria da IA, qual o processo de saúde-doença-cuidado que estamos decidindo hoje enfrentar amanhã?</p>



<p>Quando falamos nas novas tecnologias, portanto, estamos falando por definição de artefatos que são eles mesmos terminais de uma rede permanente de (re)construções. Certamente que não se trata das redes de construtores idealizadas pela vanguarda artística dos soviéticos, cujo horizonte era o da emancipação – em outras palavras, da “ponte para uma outra civilização”. Mas, talvez a Arte devolva o que o olhar cansado de anos de gerencialismo e tecnocracia esqueceu de refletir e sentir: para além das resoluções de problemas no aqui e agora, o movimento da reforma sanitária tem a responsabilidade com os antes e depois que os artefatos escondem, dissimulam e fetichizam.</p>



<p>Fonte: Outra Saúde / <em>Jogadores de Bilhar</em> de <strong>Varvara Fyodorovna Stepanova</strong>, expoente do movimento construtivista russo.<br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A CÂMARA COMO A VOZ DA POPULAÇÃO !" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/qVe4792Zsys?start=1931&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/ia-na-saude-sobre-tecnologias-e-quem-as-controla/">IA na saúde: sobre tecnologias e quem as controla</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Como a inteligência artificial está redesenhando a oncologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 13:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Oncologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O câncer continua sendo um dos maiores desafios da medicina contemporânea, não apenas pela complexidade biológica da doença, mas pela escala global que ela alcançou. Em 2022, quase 20 milhões de novos casos foram diagnosticados no mundo e 9,7 milhões de pessoas morreram da doença, segundo o levantamento&#160;GLOBOCAN. A projeção é ainda mais contundente: até [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O câncer continua sendo um dos maiores desafios da medicina contemporânea, não apenas pela complexidade biológica da doença, mas pela escala global que ela alcançou. Em 2022, quase 20 milhões de novos casos foram diagnosticados no mundo e 9,7 milhões de pessoas morreram da doença, segundo o levantamento&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/globocan/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">GLOBOCAN</a></strong>. A projeção é ainda mais contundente: até 2050, o número anual de novos casos deve chegar a 35 milhões, pressionando sistemas de saúde, pesquisadores e profissionais a buscarem novas respostas.</p>



<p>Nesse cenário, a inteligência artificial (IA) deixa de ser uma promessa futurista para assumir um papel cada vez mais prático na oncologia. O diferencial não está apenas na tecnologia em si, mas na capacidade de transformar grandes volumes de dados, clínicos, genômicos, radiológicos e populacionais, em decisões mais ágeis, assertivas e consistentes.</p>



<p>“O câncer é uma doença global, mas o acesso ao cuidado ainda é profundamente desigual. Para enfrentar esse cenário, precisamos de estratégias que conectem dados, ampliem a capacidade analítica e permitam decisões mais bem fundamentadas”, afirma Denis Jardim, oncologista da&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/grupo-oncoclinicas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Oncoclínicas</a></strong>.</p>



<p>Um dos maiores impactos esperados da inteligência artificial está na detecção precoce do câncer. Globalmente, tumores como o câncer de pulmão, o mais letal do mundo, ainda são diagnosticados majoritariamente em estágios avançados. Em 2022, ele liderou tanto em incidência quanto em mortalidade global, seguido por mama e colorretal em número de casos, e por colorretal e fígado em letalidade.</p>



<p>Ferramentas baseadas em IA já demonstram capacidade de analisar exames de imagem com alto grau de precisão, identificando lesões muito pequenas que podem passar despercebidas na avaliação tradicional. Ao reduzir a variabilidade na interpretação e trazer mais padronização, esses sistemas atuam como um suporte clínico relevante, ampliando a segurança diagnóstica.</p>



<p>“Em oncologia, o diagnóstico precoce muda completamente o desfecho. Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as chances de tratamentos menos agressivos e mais eficazes”, destaca Denis Jardim.</p>



<p><strong>Agentes de IA e a nova fronteira da pesquisa oncológica</strong></p>



<p>Além do diagnóstico, a inteligência artificial avança rapidamente na pesquisa clínica. Sistemas mais recentes, conhecidos como “agentes de IA”, já são capazes de executar tarefas complexas de forma semi-autônoma: analisar grandes bases de dados, cruzar evidências científicas, simular cenários terapêuticos, desenhar novos estudos e até apoiar o desenvolvimento de novos medicamentos.</p>



<p>Essas ferramentas ampliam o alcance da pesquisa translacional, encurtando o caminho entre descobertas laboratoriais e a prática clínica. Em um contexto no qual o câncer não é uma única doença, mas um conjunto diverso de enfermidades influenciadas por fatores genéticos, ambientais e comportamentais, integrar essas informações passa a ser essencial.</p>



<p>“Não é apenas o volume de dados que transforma o cuidado, mas a forma como conseguimos interpretá-los e aplicá-los na prática clínica, sempre com responsabilidade e foco no paciente”, explica o oncologista.</p>



<p><strong>Brasil: desafios e oportunidades</strong></p>



<p>O avanço da doença no país acompanha a tendência global, mas impõe desafios próprios. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/inca/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">INCA</a></strong>), a estimativa é de que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, um crescimento relevante em relação ao triênio anterior.</p>



<p>O perfil da doença também evidencia pontos de atenção. O câncer de pele não melanoma segue como o mais frequente, enquanto tumores como mama, próstata e colorretal aparecem entre os mais incidentes no país. Esse cenário reflete tanto o envelhecimento da população quanto mudanças no estilo de vida.</p>



<p>Ao mesmo tempo, o Brasil convive com realidades distintas dentro do próprio território. Regiões mais desenvolvidas concentram maior incidência de tumores associados ao comportamento e à longevidade, enquanto áreas com menor acesso a serviços de saúde ainda registram maior ocorrência de cânceres evitáveis, como o de colo do útero.</p>



<p>Nesse contexto, a inteligência artificial surge como uma ferramenta estratégica não apenas para inovação, mas para equidade. A possibilidade de ampliar o acesso a diagnósticos mais precisos e padronizar condutas clínicas pode ajudar a reduzir diferenças históricas no cuidado oncológico.</p>



<p>Para que esse potencial se concretize, no entanto, especialistas apontam a necessidade de avançar em pontos estruturais, como a integração de sistemas de saúde, a qualidade das bases de dados e a capacitação dos profissionais.</p>



<p>Mais do que uma revolução tecnológica, a inteligência artificial na oncologia representa uma mudança na forma de organizar o cuidado, mais conectada, orientada por evidências e centrada nas necessidades do paciente.</p>



<p>“O grande desafio não é apenas desenvolver novas soluções, mas garantir que elas sejam implementadas de forma efetiva e alcancem quem realmente precisa. Inovação, na prática, é aquilo que consegue gerar impacto real na vida das pessoas”, conclui Denis Jardim.</p>



<p>Com Informações do Site Medicina SA</p>



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<iframe title="O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NA SAÚDE MENTAL" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/-Cm1LC7gAjo?start=4&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>7 em cada 10 brasileiros recorreram à IA para tirar dúvidas sobre doenças</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2026 13:26:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Febre persistente, dores incomuns, mal-estar: diante de sinais que geram preocupação, cada vez mais brasileiros têm recorrido à&#160;inteligência artificial&#160;em busca de respostas rápidas. Estudo do&#160;Olá Doutor&#160;aponta que 7 em cada 10 pessoas utilizaram a IA no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou possíveis doenças, transformando tais plataformas em uma espécie de primeiro ponto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Febre persistente, dores incomuns, mal-estar: diante de sinais que geram preocupação, cada vez mais brasileiros têm recorrido à&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/inteligencia-artificial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inteligência artificial</a>&nbsp;</strong>em busca de respostas rápidas. Estudo do&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/ola-doutor/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Olá Doutor</a></strong>&nbsp;aponta que 7 em cada 10 pessoas utilizaram a IA no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou possíveis doenças, transformando tais plataformas em uma espécie de primeiro ponto de contato para questões de saúde. A pesquisa ouviu pessoas de diferentes regiões do país e analisou desde a frequência de uso dessas ferramentas até os temas de saúde mais buscados pelos usuários.</p>



<p>Além das dúvidas gerais sobre sintomas, quase metade dos entrevistados também relataram pesquisar sobre medicamentos ou compreender diagnósticos médicos via IA — hábitos que, muitas vezes, trazem consigo efeitos indesejados: 30,4% deles afirmaram já ter interpretado sintomas como mais graves do que realmente eram, enquanto 22,4% disseram ter minimizado sinais que depois se mostraram mais sérios.</p>



<p><strong>Quais são os principais temas relacionados à saúde que levam os brasileiros a utilizar IA?</strong></p>



<p>Em um contexto marcado pela busca por mais agilidade nos serviços de saúde e a popularização da IA no cotidiano, os dados comprovam uma impressão geral: como, nos últimos anos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez mais presente na rotina dos pacientes, antes ou após uma consulta médica.</p>



<p>Ao serem questionados pela plataforma, 71% dos entrevistados afirmaram ter recorrido à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou doenças, prática ainda mais comum entre pessoas com doenças crônicas (81,4%) se comparadas àquelas que não convivem com condições contínuas de saúde (61,6%).</p>



<p>Outras diferenças também aparecem quando se observa o perfil dos usuários: as mulheres brasileiras tendem a utilizar mais a IA para questões médicas do que os homens (74,5% contra 66,2%), hábito também mais frequente entre os estudantes e pessoas de até 30 anos — grupos que mais recorreram à tecnologia nos últimos doze meses.</p>



<p>Na prática, canais como o ChatGPT e Gemini servem como uma espécie de ferramenta de apoio para compreender orientações ou informações técnicas. Não por acaso, quase metade dos entrevistados (49%) afirmaram ter usado a IA nos últimos meses para pesquisar sobre medicamentos, 41,6% recorreram à tecnologia para entender diagnósticos e 35,4% disseram usá-la para interpretar exames ou laudos.</p>



<p>Mas, afinal, quais tópicos de saúde vêm levando a população até a inteligência artificial recentemente? Quando o assunto são os temas que mais despertam as buscas, sintomas gerais, como febre, dores e desconfortos lideram o ranking (59,6%), seguidos por nutrição e alimentação (54%) e questões de saúde mental, como ansiedade, estresse ou depressão (46,8%) — que evidenciam como a tecnologia tem sido utilizada tanto para dúvidas imediatas quanto para questões relacionadas ao bem-estar no dia a dia.</p>



<p><strong>O outro lado da tecnologia: os riscos de se recorrer à IA para fins de saúde</strong></p>



<p>Mais do que um recurso para esclarecer dúvidas rápidas, a pesquisa descobriu que o uso da IA também vem influenciando a forma como os brasileiros observam e interpretam a própria saúde, afetando o modo pelo qual a população se informa e toma decisões relacionadas ao próprio corpo e organismo.</p>



<p>Entre os efeitos positivos identificados pelos entrevistados, muitos relataram uma postura mais ativa em relação aos cuidados pessoais: cerca de 58,8% afirmaram ter passado a prestar mais atenção em sintomas e sinais do próprio corpo após utilizar ferramentas de IA, enquanto 52,4% disseram se informar com maior frequência sobre prevenção e cuidados de saúde. Além disso, uma parcela considerável destacou ter adotado mudanças de hábitos no dia a dia (45,4%), incluindo melhorias na alimentação ou na rotina de atividades físicas.</p>



<p>Por outro lado, o estudo também revela que o uso dessas ferramentas pode trazer uma série de riscos sem a orientação médica adequada. Muitos respondentes, por exemplo, afirmaram ter passado a pesquisar de forma excessiva sobre possíveis doenças (20,2%) ou se tornar mais ansiosos em relação à saúde após recorrer à IA (16,8%).</p>



<p>Em alguns casos, a interpretação das informações também gerou distorções: 3 em cada 10 deles relataram já ter interpretado um sintoma como mais grave do que realmente era, ao passo que 22,4% minimizaram sinais que depois se mostraram mais sérios.</p>



<p>Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, esse cenário reforça o papel da tecnologia como complemento, e não substituto, da avaliação médica. “Ferramentas podem, sim, ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”, explica. “Com o avanço da telemedicina, ser atendido por um médico deixou de ser um processo demorado e burocrático: hoje, consultas online permitem que pacientes tenham acesso à orientação profissional em poucos cliques, reduzindo o risco de decisões baseadas apenas em informações encontradas na internet.”</p>



<p><strong>Qual será o futuro da IA na saúde? As apostas dos brasileiros</strong></p>



<p>Embora o uso da IA para esclarecer dúvidas médicas já faça parte da rotina de muitos brasileiros, essa relação, segundo os respondentes, ainda é marcada por certo nível de cautela.</p>



<p>A pesquisa também mostra que mais da metade dos entrevistados (52,8%) afirmaram ter algum grau de desconfiança quanto ao armazenamento de seus dados de saúde, por exemplo, entre aqueles que confiam parcialmente nas ferramentas (33,8%), confiam pouco (12,6%) ou não confiam de forma alguma nesse tipo de tecnologia quando o assunto são informações de ordem pessoal (6,4%).</p>



<p>É um cenário que ajuda a explicar como a população enxerga o futuro da inteligência artificial no setor: quando questionados sobre os próximos anos, a maioria dos ouvidos pela empresa acreditam que tal tecnologia deve avançar, mas com certas limitações e cuidados.</p>



<p>Para 29,8% dos respondentes, a IA tende a impulsionar certas inovações na saúde, desde que acompanhada por regulamentações adequadas, enquanto 26,8% acreditam que seu uso será mais restrito — funcionando principalmente como uma ferramenta de apoio, e não uma sucessora do trabalho médico.</p>



<p><strong>Metodologia</strong></p>



<p>Para entender o impacto da IA nos hábitos de saúde dos brasileiros, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.</p>



<p>Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que exploraram a frequência com que recorrem à IA para fins de saúde, os tópicos mais populares nas ferramentas e seus impactos no dia a dia. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere o percentual de cada alternativa apontada pelos entrevistados.</p>



<p>Fonte: Medicina SA</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="DOR PÉLVICA : O QUE É E POR QUE ACONTECE?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/QAtd_0EztaM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/7-em-cada-10-brasileiros-recorreram-a-ia-para-tirar-duvidas-sobre-doencas/">7 em cada 10 brasileiros recorreram à IA para tirar dúvidas sobre doenças</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>CNE vota proibição do uso de IA para correções de questões dissertativas sem o “olhar” de um professor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 19:08:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[CNE]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Daniel Cara comenta a respeito do projeto de regulamentação e a situação atual da inteligência artificial no Brasil no campo educacional O Conselho Nacional de Educação (CNE) votará, nesta segunda-feira (16), a regulamentação do uso da inteligência artificial (IA) na educação brasileira, com regras e medidas que abrangem desde a educação básica até o ensino [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Daniel Cara comenta a respeito do projeto de regulamentação e a situação atual da inteligência artificial no Brasil no campo educacional</p>



<p>O Conselho Nacional de Educação (CNE) votará, nesta segunda-feira (16), a regulamentação do uso da inteligência artificial (IA) na educação brasileira, com regras e medidas que abrangem desde a educação básica até o ensino superior. O documento começou a ser discutido no último dia 23, em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), e inclui a proibição do uso da tecnologia para correções de questões dissertativas sem o acompanhamento de um professor. Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP, comenta a respeito dos principais pontos do projeto.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized is-style-rounded" id="attachment_815014"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2024/10/20241014_Daniel-Cara-300x300.jpg" alt="" class="wp-image-815014" style="width:248px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Daniel Tojeira Cara – Foto:&nbsp;<a href="https://flickr.com/photos/49143546@N06/46994732915">Jane de Araújo/Agência Senado via Flickr</a></figcaption></figure>



<p>“A proposta é tentar determinar um uso regulado da IA em relação aos dois atores do processo educacional, que são os professores e estudantes, essa foi a preocupação de início. Na sequência, existe uma preocupação sobre os procedimentos de trabalho, tanto de professores como de alunos, como a elaboração de trabalhos ou correções de provas, por exemplo. Acontece que tanto a iniciativa no Congresso Nacional quanto no Conselho Nacional de Educação são duas iniciativas que não atingem o problema maior: o Brasil não tem pensado sobre a soberania em relação à criação de uma inteligência artificial própria. Essa questão não está sendo debatida na regulamentação e eu considero a mais importante, trata-se de uma regulamentação fraca, que não chega próxima do que os países escandinavos e a União Europeia têm discutido e não chega nem perto do que a China tem feito com suas inteligências artificiais próprias.”</p>



<p>“A inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta de trabalho que deve ser controlada e comandada pelos seres humanos. No caso brasileiro, considerando que as inteligências artificiais têm que produzir respostas em língua portuguesa, deveria ser discutida uma forma de garantir com que a informação sobre o algoritmo e o banco de dados das inteligências artificiais tivessem um equilíbrio em relação ao viés, por exemplo, além de uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, ou seja, a produção autóctone, construir modelos de inteligência artificial que são próprios do Brasil. Isso é algo que nós temos condição, a USP, muito provavelmente nos próximos anos, tem intenção de trabalhar em conjunto com o Instituto Militar de Engenharia (IME). Isso assusta muita gente, eu entendo até se assustarem por isso, mas, em termos de estratégia, é necessário”, explica o professor.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Uso inadequado da IA nas escolas</h2>



<p>Cara ressalta que, atualmente, existem muitas escolas que utilizam a inteligência artificial de forma inadequada, que reforçam o que ele chama de ‘viés de alucinação’. “A Rede Estadual de São Paulo, por exemplo, faz um uso inadequado que pode ser limitado pelas regulamentações nacionais. A forma atual como se opera a IA é na produção de material didático, então todo esse problema de viés de alucinação acaba acontecendo no trabalho com os alunos. O viés de alucinação não é uma alucinação em relação à qualidade da resposta, não se trata da IA inventando dados ou criando fontes, mas ela cria interpretações que não são verdadeiras. Um exemplo é a Guerra dos Cem Anos, que é relatada como um épico e vitorioso inglês, ou a questão da Revolução Industrial, também é tratada como se o Reino Unido tivesse praticamente realizado tudo. Se você for analisar em termos curriculares, você vai encontrar uma coincidência com a forma como o material didático é operacionalizado nos Estados Unidos.”</p>



<p>“Uma aula criada por inteligência artificial, que é o que está sendo feito no Estado de São Paulo, é uma aula que não tem solidez efetiva para o processo de ensino-aprendizado. O professor não pode ser submetido ao material didático, ainda mais um material didático frágil, como a inteligência artificial. Se for esse caminho, o livro didático é melhor do que a inteligência artificial, tanto para o aluno como para o professor poder trabalhar, isso é o que a Suécia tem feito, por exemplo. A Suécia retrocedeu o modelo de utilização de tecnologias ao perceber que utilizar somente as tecnologias não funcionava, eles voltaram até para métodos da primeira metade do século 20, com livros didáticos e exercícios escritos à mão para desenvolvimento cerebral. Há evidências que comprovam que eles estão em um caminho que é sólido, ainda que assustadoramente saudosista, mas que tem sido sólido.”</p>



<p>De acordo com Cara, a correção de questões dissertativas e provas feita por professores é fundamental para o aprendizado dos alunos. “Toda vez que o professor entra em uma sala de aula, ele faz uma aposta. Uma aposta de que ele vai ensinar, que é o que ele pode fazer, e de que os alunos vão aprender, que é o que eles podem fazer. Esses são os dois esforços, o do ensino e o do aprendizado. A única forma de você checar se isso está indo bem, da forma mais objetiva possível, é a correção das atividades avaliativas, que devem servir ao aprendizado e à melhoria do ensino e não à atribuição de nota. A atribuição de nota é uma consequência do processo necessária para criar um diálogo comum entre quem ensinou e quem fez o esforço de aprender. Se eu utilizar inteligência artificial para me auxiliar na correção do trabalho, eu nunca vou ter uma ideia real de como a turma aprendeu, porque eu não sei exatamente o que a inteligência artificial, com todos os vieses que ela tem, vai considerar o que é uma resposta correta ou não. A resposta correta passa a ser uma resposta reprodutiva do trabalho feito pelo professor em sala de aula, e a resposta reprodutiva mata uma característica essencial que o Brasil deveria investir: a criatividade do aluno, esse é um problema de uma cultura pedagógica, o que torna a situação mais dramática.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Observatório Nacional de IA na Educação</h2>



<p>O professor acredita que a ideia de um Observatório Nacional de IA voltado para a educação, como previsto na regulamentação, não parece estar próxima de se tornar realidade. “Essas são aquelas ideias institucionalistas que o Congresso Nacional cria para fingir que está resolvendo um problema e não resolve problema nenhum. É importante observar que existem processos paralelos tanto no Conselho Nacional de Educação como no Congresso Nacional, e o Ministério da Educação vai se pronunciar e, sendo honesto, de maneira completamente insuficiente nos dois casos. O Conselho está para homologar o parecer e o Congresso Nacional tem participado das audiências públicas, mas eu considero que tem feito uma intervenção vergonhosa no Congresso, porque simplesmente enaltece tecnologia sem pensar criticamente na tecnologia. A tecnologia não precisa ser enaltecida, porque os seres humanos, homens e mulheres, nunca negam a tecnologia, porque a tecnologia é inerente à produção humana e a gente vai fazer uso da tecnologia. É possível ver isso com a maravilha que são os smartphones e o uso franco até mesmo de crianças que não sabem ler e conseguem utilizar”, finaliza o professor.</p>



<p>*<em>Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira</em></p>



<p>Fonte: Jornal da USP / A inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta de trabalho que deve ser controlada e comandada pelos seres humanos – Foto: José Cruz/Agência Brasil</p>



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