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	<title>indústria brasileira |</title>
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		<title>Acordo Mercosul-UE reacende debate sobre competitividade da indústria brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2026 11:49:00 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Após duas décadas de negociações, a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é apresentada ao público como uma conquista histórica. Contudo, para quem vive o cotidiano da indústria de transformação, o sentimento é de um alerta urgente combinado a uma expectativa cautelosa: a integração de um mercado que representa 25% do PIB mundial não é uma oportunidade automática; sem a correção das assimetrias competitivas brasileiras, ela é um risco de desindustrialização, mas, se bem conduzida, pode ser o passaporte para o Brasil se tornar um hub global de tecnologia sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=201%2C300&amp;ssl=1" alt="" width="201" height="300" srcset="https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=201%2C300&amp;ssl=1 201w, https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=687%2C1024&amp;ssl=1 687w, https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=768%2C1145&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=300%2C447&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?resize=600%2C894&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/opresenterural.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Jose-Velloso.jpg?w=805&amp;ssl=1 805w"></p>



<p class="wp-block-paragraph" id="caption-attachment-204381">Artigo escrito por José Velloso, engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Historicamente, o Brasil optou por um modelo que pune quem produz. Enquanto o fabricante europeu, especialmente na Alemanha e na Itália, opera em um ambiente de juros civilizados, logística de ponta e desoneração completa de investimentos, o industrial brasileiro carrega o “Custo Brasil” como uma âncora. Assinar um tratado de livre comércio nos obriga a fazer a “lição de casa”, ou seja, melhorar nossa competitividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O risco central reside na assimetria estrutural. Se o cronograma de redução tarifária avançar mais rápido do que as reformas internas, assistiremos à substituição da produção nacional por bens importados. Todavia, há um lado positivo que não pode ser ignorado: o acordo impõe uma “agenda de eficiência” obrigatória. O acesso facilitado a componentes e tecnologias de ponta europeias poderá acelerar a modernização do parque fabril brasileiro, reduzindo custos de produção a médio prazo e elevando o padrão de qualidade da nossa engenharia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de temor à concorrência, mas de necessidade de isonomia. A reforma tributária sobre o consumo é um passo fundamental, mas sua eficácia depende de uma implementação que garanta o crédito financeiro pleno e imediato. Com a isonomia garantida, o cenário muda de figura. O Brasil tem uma oportunidade ímpar de se destacar na Neoindustrialização Verde. A indústria brasileira de máquinas já é uma das mais limpas do mundo e, com o selo do acordo, ganha um canal direto para fornecer soluções em energias renováveis, biocombustíveis e hidrogênio verde para uma Europa ávida por descarbonização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do peso fiscal, a disparidade do custo de capital é alarmante. A modernização para a Manufatura 4.0 exige investimentos. Sem uma política de crédito competitiva, a “janela de oportunidade” do acordo será apenas uma vitrine para produtos estrangeiros. Mas, se o Estado Brasileiro oferecer os instrumentos financeiros adequados, o setor de bens de capital pode dar um salto qualitativo, integrando-se definitivamente às cadeias globais de valor e deixando de ser apenas um fornecedor local para ser um player internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O potencial de mercado é vasto. Exportamos atualmente apenas US$ 1 bilhão para a Europa, uma cifra irrisória perto da nossa capacidade. O acesso a esse mercado consumidor de alto poder aquisitivo é a grande promessa positiva deste tratado. Ele pode abrir portas para que a criatividade e a resiliência da engenharia brasileira conquistem nichos de alta tecnologia que antes eram inviabilizados por barreiras burocráticas e tarifárias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acordo Mercosul-União Europeia impõe ao Brasil um desafio inadiável. Ele pode ser o motor da nossa integração global, transformando a pressão da concorrência em incentivo para a inovação. A abertura comercial é um instrumento de desenvolvimento, mas o seu êxito depende de arrumarmos a nossa própria casa. Se fizermos o dever de casa, o Brasil não apenas sobreviverá à abertura, mas poderá emergir como um dos grandes fornecedores de soluções tecnológicas para os desafios do século XXI.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Fonte: Artigo escrito por José Velloso, engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).</em></p>



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