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	<title>João do Rio |</title>
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	<title>João do Rio |</title>
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		<title>Por que a obra de João do Rio, apesar de sua enorme popularidade, caiu no esquecimento?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Oct 2024 19:43:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O relógio marcava 21h40 quando João do Rio (1881-1921) tomou o caminho de casa. Estava tão cansado que recusou convite para assistir a&#160;Tristão e Isolda&#160;no Municipal. No Largo da Carioca, sede do jornal A Pátria, pegou o primeiro táxi rumo à Avenida Meridional, atual Vieira Souto, em Ipanema, onde morava com a mãe, Florência. Na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>André Bernardo</strong></li>



<li><strong>Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O relógio marcava 21h40 quando João do Rio (1881-1921) tomou o caminho de casa. Estava tão cansado que recusou convite para assistir a&nbsp;<em>Tristão e Isolda</em>&nbsp;no Municipal. No Largo da Carioca, sede do jornal A Pátria, pegou o primeiro táxi rumo à Avenida Meridional, atual Vieira Souto, em Ipanema, onde morava com a mãe, Florência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na esquina das ruas Pedro Américo e Bento Lisboa, no Catete, começou a passar mal. “Um copo d’água, pelo amor de Deus!”, suplicou, levando a mão até o peito. Tarde demais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o motorista voltou do botequim mais próximo, já encontrou o passageiro morto no banco de trás.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vítima de um infarto fulminante, João do Rio morreu no dia 23 de junho de 1921, aos 39 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A notícia espalhou-se pela noite carioca como uma epidemia”, escreveu o jornalista João Carlos Rodrigues na biografia <em>João do Rio – Vida, Paixão e Obra</em> (Civilização Brasileira, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O corpo de João do Rio foi levado para a sede do jornal que ele fundou em 1920. O cadáver foi embalsamado e vestido com o fardão da Academia Brasileira de Letras (ABL).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ter sido eleito para a cadeira 26 em 1910, não frequentava a instituição desde 1919, quando Humberto de Campos (1886-1934), um antigo desafeto, tornou-se acadêmico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por essa razão, sua mãe doou a biblioteca do filho para o Real Gabinete Português de Leitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como seu corpo não foi velado na ABL, também não foi sepultado no mausoléu da instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desavenças à parte, a popularidade de João do Rio era tanta que, segundo estimativas da época, 100 mil pessoas compareceram ao seu enterro no São João Batista, em Botafogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Nessa época, o Rio tinha 400 mil habitantes”, estima Rodrigues. “Um quarto da população compareceu ao cemitério para prestar sua última homenagem”. A título de comparação, o funeral de Getúlio Vargas (1882-1954) atraiu 300 mil pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De luto pela morte de João do Rio, os teatros suspenderam as sessões e o comércio não abriu suas portas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os taxistas ofereceram corridas gratuitas para quem morava no subúrbio chegar até o velório”, observa a jornalista e editora Graziella Beting, organizadora do livro de crônicas Gente às Janelas (Carambaia, 2024).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O funeral atraiu tanto anônimos, como ambulantes, estivadores e prostitutas, quanto famosos, como políticos, escritores e socialites.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Só ex-presidentes da República, foram dois: Hermes da Fonseca (1855-1923) e Nilo Peçanha (1867-1924). Quem não pôde ir passou telegrama de pêsames ou mandou coroa de flores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia de sua morte, João do Rio atraiu uma multidão estimada em 100 mil pessoas, um quarto da população do Rio de JaneiroCrédito,Fundação da Biblioteca Nacional<br>Legenda da foto,No dia de sua morte, João do Rio atraiu uma multidão estimada em 100 mil pessoas, um quarto da população do Rio de Janeiro<br>Ostracismo literário<br>Apesar de sua enorme popularidade, a obra de João do Rio logo caiu em esquecimento. Solteiro, não deixou filhos. Mas, deixou um acervo de 2,5 mil textos, entre crônicas, contos e romances.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1912, teve uma de suas peças, A Bela Madame Vargas, encenada no Municipal. A obra escandalizou o público ao mostrar uma inédita cena de beijo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Era considerado imoral. Um verdadeiro tabu”, define Orna Messer Levin, doutora em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e organizadora da antologia de contos João do Rio (Editora Nacional, 2010). “Mais um traço do pioneirismo de João do Rio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A memória do jornalista e escritor começou a ser resgatada em 1978 quando Raimundo Magalhães Júnior (1907-1981), outro imortal da academia, escreveu sua primeira biografia, A Vida Vertiginosa de João do Rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, o autor de A Alma Encantadora das Ruas (1908), sua obra mais famosa, é homenageado na 22ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a mais importante do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Imagino que ele tenha ficado tanto tempo sem ser lido pelo próprio gênero em que escrevia – a crônica costuma ser tratada como um gênero menor – e porque não deixou herdeiros para levar adiante seu legado”, arrisca Ana Lima Cecilio, curadora do evento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há outras hipóteses para o fato de João do Rio ser menos lido do que alguns de seus contemporâneos, como Machado de Assis (1839-1908) e Lima Barreto (1881-1922).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Durante muito tempo, não esteve nos livros didáticos e nas aulas de literatura, as duas principais portas de entrada da leitura no Brasil”, afirma Fabiano Ormaneze, doutor em Linguística pela Unicamp e autor do volume dedicado a João do Rio da coleção infantojuvenil Black Power da Editora Mostarda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A segunda razão é que, sendo mais conhecido como jornalista, a obra de João do Rio nem sempre esteve no cânone literário. Romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881 &#8211; Machado de Assis) e Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915 &#8211; Lima Barreto) têm larga trajetória de aclamação pela crítica”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João do Rio é o autor homenageado na 22ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)Crédito,Arquivo Nacional<br>Legenda da foto,João do Rio é o autor homenageado na 22ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)<br>Entrevista: Flip cresceu mais que &#8216;sonhos&#8217; de seus criadores, diz mentora<br>17 maio 2012<br>“Apagamento histórico”<br>Ao longo de sua curta trajetória, João do Rio sofreu incontáveis ataques por ser gordo, pardo e homossexual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1902, tentou a carreira diplomática, mas foi rejeitado pelo Barão do Rio Branco (1845-1912).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Por ser gorducho e amulatado, estava bem distante do tipo garboso preferido pelo chanceler”, descreve Rodrigues em sua biografia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos ataques racistas e homofóbicos, não foi o preconceito ou a discriminação os responsáveis pelo seu “apagamento histórico”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Houve quem criticasse o que João do Rio escrevia. Não era unanimidade. Para muitos, era considerado pré-moderno”, observa a historiadora Tânia Regina de Luca, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e organizadora do volume O Momento Literário (Rafael Copetti Editorial, 2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os autores modernistas e os críticos paulistanos estavam mais interessados em promover a ideia de vanguarda. Neste sentido, o Rio de Janeiro da Belle Époque foi entendido como ‘atrasado’”, endossa Giovanna Dealtry, doutora em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e organizadora do volume de crônicas Vida Vertiginosa (José Olympio, 2021).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Uma literatura que, com exceção de Lima {Barreto} e Euclides da Cunha (1866-1909), não pensava no Brasil. Como vemos, um grande erro”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pouco mais de um século depois de sua morte, João do Rio volta às livrarias. A começar pela biografia de João Carlos Rodrigues, publicada pela última vez em 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Teve a coragem de afrontar a sociedade com ideias moderníssimas. À frente de seu tempo, defendeu, entre outras pautas, o voto feminino e o divórcio”, ilustra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros títulos, como A Alma Encantadora das Ruas, Pavor Dentro da Noite e Memórias de Um Rato de Hotel, também ganharam novas edições da José Olympio, Antofágica, Carambaia, Bandeirola e Elo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A redescoberta tardia da obra de João do Rio tem algumas vantagens. Está sendo lido por prazer e não por obrigação”, afirma Ormaneze.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Elogios ao golpe de 64 e críticas ao Brasil: quem foi Elizabeth Bishop, a polêmica homenageada da Flip<br>27 novembro 2019<br>De repórter a diretor<br>João do Rio é o pseudônimo mais famoso de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto. Era filho de Alfredo Coelho Barreto, um professor de matemática gaúcho, e Florência dos Santos Barreto, uma negra alforriada carioca, e irmão de Bernardo Gutemberg, dois anos mais novo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se Paulo Barreto, seu nome de batismo, nasceu no dia 3 de agosto de 1881, no sobrado de número 284 da Rua do Hospício, atual Rua Buenos Aires, João do Rio, seu alter-ego, nasceu na redação do jornal Gazeta de Notícias no dia 26 de novembro de 1904. Houve outros, porém: X, Joe, Claude, João Coelho, José Antônio José…</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inspiração para o pseudônimo famoso veio da França. Napoléon-Adrian Marx (1837-1906) assinava sua coluna no Le Figaro como Jean de Paris. “De Jean de Paris para João do Rio foi um pulo”, brinca Rodrigues.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na infância, Paulo Barreto estudou no Colégio São Bento e, na adolescência, no Ginásio Nacional, atual Colégio Pedro II.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu caçula, de saúde frágil, não conseguiu ir tão longe – morreu precocemente, aos 12 anos. Ainda no colégio, Paulo Barreto montou seu primeiro jornal, O Ensaio, com alguns colegas de turma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu primeiro trabalho, não por acaso, foi em um jornal: A Tribuna, em 1899. Seu primeiro texto foi uma crítica da peça Uma Casa de Bonecas (1879), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Viver da pena é difícil. Mas, João do Rio conseguiu ascender socialmente como jornalista. Não teve emprego público”, observa Tânia de Luca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Em 1919, foi mandado para a Europa, como correspondente estrangeiro, para cobrir a Conferência de Versalhes pelo jornal O Paiz”. A viagem deu origem a três volumes de crônicas e reportagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João do Rio se distinguiu dos colegas de profissão por trocar a redação pela rua. Em vez de escrever a matéria a partir do relato de terceiros, se transformou em testemunha ocular da própria notícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Foi o primeiro a visitar um terreiro de candomblé, a assistir a uma roda de samba e a cobrir uma partida de foot-ball”, destaca a editora Beting.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi assim que nasceu, entre outras reportagens, As Religiões no Rio, uma série sobre diversidade religiosa publicada no jornal Gazeta de Notícias entre janeiro e março de 1904.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O repórter entrevistou líderes religiosos, como evangélicos, judeus, espíritas, cartomantes e até um exorcista do Morro do Castelo!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até 1889, data da Proclamação da República, era proibido praticar outra religião que não fosse a católica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em dezembro de 1904, a série foi transformada em livro e, em apenas seis meses, vendeu oito mil exemplares. Um verdadeiro best-seller!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra série famosa assinada por João do Rio foi O Momento Literário. Publicada na Gazeta entre março e maio de 1905, trazia entrevistas, feitas por carta ou presencialmente, com 28 escritores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três anos depois, ao publicar o livro homônimo, João do Rio acrescentou mais oito sabatinas. Participaram do projeto, entre outros literatos, Aluísio Azevedo (1857-1913), Olavo Bilac (1865-1918) e Graça Aranha (1868-1931).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro diferencial do autor, apontado como um dos pais da crônica moderna, foi conciliar técnicas jornalísticas com recursos literários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suas andanças pela capital federal, João do Rio se vestia como um autêntico dândi: fraque, cartola, bengala e monóculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Certa ocasião, ao entrar em um teatro com um chamativo colete cor de cereja, ouviu um princípio de vaia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À época, o prefeito Pereira Passos (1836-1913) sonhava transformar o Rio numa espécie de “Paris tropical”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duelo de titãs<br>Diante da recusa do Barão do Rio Branco de aceitá-lo no Itamaraty, João do Rio tentou uma vaga na ABL. Em 1905, perdeu para Heráclito Graça (1837-1914) por oito votos a 17; dois anos depois, desistiu da disputa em prol da candidatura de Artur Jaceguai (1843-1914) e, em 1910, ganhou de Pereira Barreto (1840-1923) por 23 a cinco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Até hoje, João do Rio ostenta o título de ser o mais jovem a ser eleito para a ABL”, afirma Ormaneze. “Não bastasse, foi também o primeiro a tomar posse usando o famoso fardão da academia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Humberto de Campos não foi o único a trocar farpas com João do Rio. Seu desafeto mais famoso foi Lima Barreto. Ao escrever Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Lima Barreto criou Raul Gusmão à imagem e semelhança do rival.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A orientação sexual de Paulo Barreto sempre gerou suspeita e troça por parte dos colegas. Talvez levado pela caçoada geral, Lima, em vez de poupar o colega, incendiou ainda mais os termos: ‘mescla de suíno e símio’, ‘fisionomia de porco Yorkshire’ e ‘corpo alentado de elefante indiano’ são algumas das imagens que usa”, relata a historiadora e acadêmica Lilia Schwarcz na biografia Triste Visionário (Companhia das Letras, 2017).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1908, ao viajar para Portugal, João do Rio deu o troco. Ao ser indagado por um livreiro lisboeta se já tinha ouvido falar de um tal de Lima Barreto ou, então, de seu romance, Isaías Caminha, responde que não.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dias depois, ao cruzar pelas ruas do Rio com Lima Barreto, abre um sorriso como se nada tivesse acontecido. “Que filho da p***!”, vociferou seu oponente em carta para Noronha Santos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando João do Rio morreu, Lima Barreto até pensou em se candidatar para sua vaga na ABL. Chegou a se inscrever, mas, dois meses depois, mudou de ideia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Talvez soubesse que jamais seria eleito”, especula Schwarcz em Triste Visionário. Lima Barreto morreu em 1922, aos 41 anos, sem realizar o sonho de ingressar na instituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os 15 dias mais felizes da minha vida”<br>Para Rodrigues, suspeitava-se da homossexualidade de João do Rio por três razões: morava com os pais; não tinha noiva (ou amante) e era fã de Oscar Wilde (1854-1900).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre outros títulos do escritor irlandês, traduziu para o português o romance O Retrato de Dorian Gray (1890) e a peça Salomé (1891).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já sua obesidade era fruto de hipotireoidismo. Isso explicaria, segundo seu biógrafo, o rosto inchado, os lábios espessos e o excesso de peso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ninguém é gordo por prazer”, queixou-se João do Rio. Por repetidas vezes, refugiou-se em uma fazenda em Poços de Caldas, a 461 quilômetros de Belo Horizonte, para cuidar da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao todo, João do Rio viajou quatro vezes para a Europa – três a passeio e a última, em 1919, a trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Da primeira vez, visitou o túmulo de seu escritor favorito no badalado Père-Lachaise, o cemitério das celebridades de Paris. Noutra ocasião, fez amizade com a dançarina americana Isadora Duncan (1877-1927).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1916, durante visita ao Brasil, os dois tiveram um romance. Isadora teria dançado nua para seu amado. Onde? Não se sabe. “Uns dizem a Cascatinha da Tijuca; outros, a Praia de Ipanema”, conta Rodrigues. O local exato, a julgar por uma carta escrita por João do Rio para o poeta português João de Barros (1881-1960), parece não ter importância. O que importa é que deixou saudades. “Passei os 15 dias mais felizes da minha vida”, derrete-se.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: BBC Brasil / Foto: Arquivo Nacional</p>



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