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	<title>Jogos de azar |</title>
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	<title>Jogos de azar |</title>
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		<title>Apostas online e jogos de azar custaram R$ 38,8 bi ao país</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 11:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[Apostas online]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perdas estão associadas a danos como depressão e desemprego Jogos de azar e apostas&#160;online, popularizadas pelas chamadas&#160;bets, provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente. Esse valor é o somatório de danos à sociedade, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho. O cálculo é do estudo inédito&#160;A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h5 class="wp-block-heading"><strong><em>Perdas estão associadas a danos como depressão e desemprego</em></strong></h5>



<p>Jogos de azar e apostas&nbsp;<em>online</em>, popularizadas pelas chamadas<em>&nbsp;bets</em>, provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente. Esse valor é o somatório de danos à sociedade, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1670370&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1670370&amp;o=node"></p>



<p>O cálculo é do estudo inédito&nbsp;A saúde dos brasileiros em jogo, divulgado nesta terça-feira (2), que analisa efeitos da expansão das apostas&nbsp;<em>online</em>&nbsp;no Brasil.</p>



<p>Para ter uma noção do tamanho da perda, o valor de R$ 38,8 bilhões projetado pela pesquisa representaria expansão de 26% no&nbsp;orçamento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida&nbsp;do ano passado,&nbsp;ou 23% a mais no&nbsp;Bolsa Família de 2024.</p>



<p>O estudo é uma parceria de organizações sem fins lucrativos dedicadas à saúde pública:&nbsp;o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e a Umane, e da&nbsp;Frente Parlamentar Mista&nbsp;para Promoção da Saúde Mental (FPSM), que reúne quase 200 parlamentares no Congresso Nacional.&nbsp;</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Perdas</strong></h5>



<p>Os pesquisadores citam que o Brasil teve 17,7 milhões de apostadores em apenas seis meses. Eles também se baseiam em levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para estimar em cerca de 12,8 milhões o número de pessoas em situação de risco com relação a apostas.</p>



<p>Os autores se inspiraram em estudo britânico sobre efeito dos jogos para projetar o tamanho nas perdas diretas e indiretas para o Brasil e chegaram aos seguintes números:</p>



<p>– R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio</p>



<p>– R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão</p>



<p>– R$ 3 bilhões em tratamentos médicos para depressão</p>



<p>– R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego</p>



<p>– R$ 4,7 bilhões encarceramento por atividade criminal</p>



<p>– R$ 1,3 bilhão diz respeito à perda de moradia</p>



<p><strong>Desse total, 78,8% (R$ 30,6 bilhões) estão associados a custos ligados à saúde.</strong>&nbsp;“Estudos internacionais recentes demonstram a associação entre o transtorno do jogo e o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e risco de suicídio”, assinala o documento, que utilizou estimativas de valor monetário para medir as perdas de qualidade e duração de vida.</p>



<p><strong>Os pesquisadores afirmam que o crescimento acelerado do setor de apostas&nbsp;<em>online</em>, favorecido pela tecnologia, falta de regulação, ampla exposição midiática e pela ausência de políticas públicas estruturadas, “já apresenta&nbsp;impactos significativos sobre o endividamento das famílias, o aumento dos casos de transtorno do jogo e o agravamento de quadros de sofrimento mental”.</strong></p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Retorno insuficiente</strong></h5>



<p>De acordo com o Banco Central (BC), os brasileiros destinaram cerca de&nbsp;R$ 240 bilhões às&nbsp;bets&nbsp;em 2024 e os&nbsp;beneficiários do Bolsa Família gastaram&nbsp;R$ 3 bilhões em&nbsp;<em>bets</em>, por meio de&nbsp;&nbsp;Pix, em agosto de 2024.&nbsp;</p>



<p>As&nbsp;<em>bets</em>&nbsp;foram legalizadas no Brasil em 2018, regulamentadas apenas em 2023&nbsp;e só passaram a pagar volume maior de impostos a partir de 2025. Até setembro deste ano, a arrecadação com a atividade chegou a R$ 6,8 bilhões, diz o relatório. No mês seguinte, o acumulado passou para&nbsp;perto de R$ 8 bilhões.</p>



<p>“O contraste entre a arrecadação – ainda que consideremos a projeção anual de R$ 12 bilhões – e o custo anual estimado de R$ 38,8 bilhões revela uma conta que não fecha do ponto de vista do interesse público”, ressalta o texto.</p>



<p>Atualmente as&nbsp;<em>bets</em>&nbsp;são tributadas em 12% sobre a receita bruta. No Senado tramita o&nbsp;Projeto de Lei 5473/2025, que propõe até duplicar a alíquota para 24%.&nbsp;Além disso, os apostadores pagam 15% de Imposto de Renda sobre o prêmio recebido.</p>



<p>Os autores do estudo criticam que, de todo o valor arrecadado com as&nbsp;bets, apenas 1% é direcionado aos cofres do Ministério da Saúde. Até agosto, o montante efetivamente repassado somava R$ 33 milhões.</p>



<p>Eles lembram que essa receita não tem vinculação orçamentária específica com o financiamento de ações no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), ambiente do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece cuidado em saúde mental.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Redução de danos</strong></h5>



<p>A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, acredita que&nbsp;sem uma regulação firme, fiscalização rigorosa e responsabilidade das operadoras, aumentam os riscos de endividamento, adoecimento e impactos sobre a saúde mental, especialmente entre grupos mais vulneráveis.</p>



<p>Ela constata que as&nbsp;<em>bets</em>&nbsp;já fazem parte da vida de milhões de brasileiros, por isso a questão central sobre o tema deve ser em torno de garantir proteção à população.</p>



<p>No entanto, completa a diretora, o cenário atual mostra o oposto. “A prática está sendo incentivada por um&nbsp;<em>lobby</em>&nbsp;comercial poderoso, ainda que às custas da saúde do povo brasileiro”, disse à&nbsp;Agência Brasil.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>CPI das Bets</strong></h5>



<p>Os danos causados pelas bets chegaram a ser tema de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado.&nbsp;A CPI investigou o impacto das apostas&nbsp;<em>online</em>&nbsp;no orçamento das famílias, supostas ligações com crime organizado e atuação de influenciadores que divulgam essas apostas.</p>



<p>No entanto, os parlamentares rejeitaram o relatório final, que pedia o indiciamento de 16 pessoas. Foi a primeira vez, nos últimos dez anos, que uma CPI do Senado teve o&nbsp;relatório rejeitado.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Sem impacto positivo</strong></h5>



<p>No campo econômico, o estudo considera que a atividade das&nbsp;<em>bets</em>&nbsp;é “irrisória” em termos de geração de empregos e renda para o trabalhador. Com base em dados oficiais do Ministério do Trabalho, o levantamento aponta que o setor representava 1.144 empregos formais.</p>



<p>Em termos de renda, os pesquisadores estimam que, de cada R$ 291 de receita obtida pelas empresas, apenas R$ 1 se transforma em salário formal. “Enquanto cada trabalhador formal no setor gera cerca de R$ 3 milhões mensais em receitas para as empresas, ele próprio recebe uma fração mínima (0,34%) desse valor”, citam.</p>



<p>A pesquisa alerta também para a alta informalidade: 84% dos trabalhadores do setor não contribuíram para a previdência em 2024, enquanto a média da economia brasileira era de 36%, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Modelo britânico</strong></h5>



<p>O dossiê&nbsp;A saúde dos brasileiros em jogo&nbsp;apresenta medidas existentes no Reino Unido voltadas à prevenção, ao tratamento e à regulação do setor de apostas:</p>



<p>– Autoexclusão: permite ao usuário bloquear o próprio acesso a todos os&nbsp;<em>sites</em>&nbsp;licenciados no Reino Unido por até cinco anos.</p>



<p>– Restrição à publicidade: permitida, mas altamente regulada. Anúncios não podem sugerir que o jogo é uma solução para problemas financeiros, ser direcionados a menores de idade&nbsp;ou usar influenciadores ou celebridades que tenham apelo junto ao público jovem.</p>



<p>– Destinação da arrecadação para o tratamento de saúde das pessoas afetadas: vale para 50% do que as&nbsp;<em>bets</em>&nbsp;pagam de imposto.</p>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Sugestões para o Brasil</strong></h5>



<p>A diretora de Relações Institucionais do Ieps, Rebeca Freitas, assinala que&nbsp;“uma vez que a proibição ainda não está em pauta”, o instituto sugere cinco caminhos para mitigar os danos das apostas no Brasil:</p>



<p>– Aumentar a parcela da taxação das apostas&nbsp;<em>online</em>&nbsp;destinada à saúde;</p>



<p>– Formar profissionais de&nbsp;saúde no tema para realizar o acolhimento no SUS;</p>



<p>– Proibir propagandas e realizar campanhas nacionais de conscientização;</p>



<p>– Restringir o acesso, principalmente de pessoas com perfil de risco e/ou menores de idade;</p>



<p>– Implementar regras duras para as empresas de apostas, que visem retorno financeiro ao país, inibam a corrupção e possibilitem políticas públicas de monitoramento.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“Se o Estado entende que a legalização é um caminho sem volta, ele precisa mitigar os danos causados pelas empresas de apostas e assegurar mecanismos sólidos de redução de danos”, afirma&nbsp;Rebeca.</p>
</blockquote>



<h5 class="wp-block-heading"><strong>Bets contra aumento de imposto</strong></h5>



<p>O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade fundada em 2023, representa cerca de 75% do mercado brasileiro e reúne as principais empresas de apostas do país.</p>



<p>No perfil de LinkedIn da instituição, há a reprodução de um conteúdo em que a entidade se manifesta contrária ao aumento de tributação. Para o IBJR, “isso pode acabar fortalecendo o mercado clandestino”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“A oferta legal limitada, impulsionada pela tributação excessiva, fragiliza o setor. Esse desequilíbrio aumenta o risco de operadores licenciados migrarem para o ambiente ilegal, comprometendo tanto a competitividade do mercado regulado, quanto a arrecadação governamental prevista”, registra.</p>
</blockquote>



<p>De acordo com o IBJR, mais de 51% das apostas no âmbito virtual no Brasil operam na clandestinidade.</p>



<p><strong><em>(Agência Brasil)</em> / Foto: Shutterstock</strong></p>



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		<title>Senadores usam pindaíba orçamentária para reviver PL dos jogos de azar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2022 11:44:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos de azar]]></category>
		<category><![CDATA[Senado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes considerado “enterrado” pelo&#160;Senado Federal, o projeto de lei que dispõe sobre a regulamentação e a legalização de jogos de azar no país ganhou sobrevida nos últimos dias, e voltou às discussões.&#160;Aprovada pela Câmara dos Deputados em fevereiro, a proposta chegou aos senadores com imensa resistência interna, mas tem visto a rejeição entre alguns parlamentares [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Antes considerado “enterrado” pelo&nbsp;Senado Federal, o projeto de lei que dispõe sobre a regulamentação e a legalização de jogos de azar no país ganhou sobrevida nos últimos dias, e voltou às discussões.&nbsp;Aprovada pela Câmara dos Deputados em fevereiro, a proposta chegou aos senadores com imensa resistência interna, mas tem visto a rejeição entre alguns parlamentares ruir, em razão do impacto econômico esperado com a sua aprovação.</p>



<p>Defensores da matéria no Senado avaliam que seria possível, apenas com a tributação das atividades hoje consideradas contravenções, arrecadar bilhões de reais com a medida. Há expectativa, ainda, de que a instalação de cassinos, bem como a ampliação de negócios que atualmente operam em um limbo legal, permitiria a criação de milhares de empregos.</p>



<p>Justamente diante do significativo impacto econômico da proposta, senadores se dizem mais abertos a discutir a regulamentação da prática. Um exemplo disso ocorreu na última semana, durante sessão destinada à votação da&nbsp;proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa dar maior segurança jurídica ao piso salarial dos enfermeiros.</p>



<p>A PEC foi criada para constitucionalizar a instituição do piso para a categoria. Por meio da proposta, o Senado assegura que o patamar mínimo remuneratório deverá ser observado por pessoas jurídicas de direito público e privado. A matéria, porém, não resolve o maior problema da fixação do piso salarial, que é a ausência de uma fonte financeira para pagamento dos eventuais aumentos nos vencimentos.</p>



<p>Agora, senadores buscam uma alternativa para viabilizar o custeio da instauração do piso salarial para a categoria. Na ocasião, uma das sugestões ventiladas para financiamento foi a desoneração da folha de pagamentos do setor. Alguns parlamentares, entretanto, aproveitaram a oportunidade para defender que a Casa delibere sobre o projeto de lei que legaliza os jogos de azar.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Apoio de ex-presidente</h4>



<p>A falta de recursos para o pagamento dos salários da categoria foi uma das questões responsáveis por reviver a discussão em torno da legalização dos jogos de azar – que havia estagnado após senadores articularem a criação de uma frente parlamentar contra o projeto. No entanto, outro fator que pesa a favor do projeto de lei é o apoio manifestado por Davi Alcolumbre (União-AP), ex-presidente da Casa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Alcolumbre é o atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o mais importante colegiado do Senado, e tem forte influência nos bastidores, além de bom trânsito entre os parlamentares, justamente por já ter comandado a Casa. No dia da votação da PEC, o amapaense exigiu a deliberação sobre o assunto.</p></blockquote>



<p>“É muito importante nós nos debruçarmos sobre esse tema, porque o projeto de lei que autoriza os jogos no Brasil será, inevitavelmente, uma fonte de arrecadação, não só para cumprir o piso salarial dos enfermeiros”, disse.</p>



<p>O parlamentar recebeu, em seguida, o apoio do senador Ângelo Coronel (PSD-BA), que também é grande defensor do tema: “Não adianta votarmos piso sem termos de onde tirar o dinheiro para pagar. A legalização dos jogos, que está tramitando nesta Casa, já aprovada na Câmara Federal, pode vir a ser a solução do problema.”</p>



<h4 class="wp-block-heading">“Falso moralismo”</h4>



<p>Em entrevista ao&nbsp;<strong>Metrópoles</strong>, Coronel afirmou que o Brasil é, hoje, “exceção à regra” entre as grandes potências do mundo que já caminharam para legalização da atividade. O parlamentar argumenta que as críticas ao texto no Senado são “falsos moralismos e hipocrisia”. “Se isso fosse aumentar a criminalidade, como alguns defendem, será que todas as potências do mundo estão erradas e nós que estamos certos?”, indagou.</p>



<p>“Esse é um falso moralismo que não cola e não colará mais no Brasil. Não podemos deixar de ter a legalização de algo que já existe no Brasil. É momento de regular, fiscalizar e arrecadar. Brasil tem ferramentas para fiscalizar eventuais práticas ilícitas. Não vejo problema para isso, não podemos deixar como está o Brasil hoje, com jogos em atividade sem entrar um centavo de recurso para os entes federativos. Isso que é um absurdo”, prosseguiu.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Cenário ainda é desfavorável</h4>



<p>Apesar de ter ganho uma sobrevida nos últimos dias, a proposta está longe de ser assunto pacificado no Senado. O projeto de lei demandará muito esforço dos defensores para agilizar o debate em torno da matéria e, quem sabe, construir um acordo para levá-la à votação. Isso porque, hoje, o cenário segue sendo desfavorável para a tramitação da proposição.</p>



<p>Um dos principais articuladores contra o PL é o senador Eduardo Girão (Podemos). Foi a partir de uma iniciativa dele que se criou na Casa a Frente Parlamentar Contra Jogos de Azar. O cearense entende que a legalização da jogatina resultará em “custos para a sociedade muito superiores a qualquer benefício”. “Os benefícios serão privados para os operadores da jogatina, e os custos serão para a sociedade como um todo”, destaca.</p>



<p>“Os argumentos dos proponentes só olham o lado positivo e não levam em conta os efeitos negativos. Se houver aumento na arrecadação, será mínimo e não cobrirá as despesas; haverá perda líquida de empregos; o jogo não atrairá turistas estrangeiros; a legalização não acabará com o jogo ilegal, possivelmente até aumentará; os riscos de lavagem de dinheiro, evasão de receita e sonegação fiscal aumentam; os custos para regular e fiscalizar um setor que movimenta bilhões de reais e com o qual não temos experiência será imenso e o governo não tem recursos para tanto”, explica.</p>



<p>Para o parlamentar, não há a previsão de arrecadação e aumento de emprego com a regulamentação da prática. “É o falso milagre da multiplicação do emprego. Querem de uma forma desleal, valendo-se de números fantasiosos e sem nenhuma fundamentação detalhada, para criar uma infundada expectativa de geração de oportunidades, principalmente quando o desemprego é altíssimo em nosso país”, critica.</p>



<p>Sobre o fato de a prática já existir no país, mesmo sem regulamentação, o senador defende: “Sim, é verdade que existe jogo ilegal no Brasil. O problema é que a legalização não acaba com o jogo ilegal. Na verdade, a tendência é aumentar”, sugere.</p>



<p>“Pequenos operadores de jogos continuarão a operar ilegalmente – ou por não se enquadrarem nos critérios da legalização ou para fugirem da tributação. A legalização não acabará com o jogo ilegal. Muito provavelmente vai ampliar o mercado ilegal dos jogos”, avalia Girão.</p>



<p>Fonte: <strong>Metrópoles</strong></p>



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