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	<title>Jorge Amado |</title>
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	<title>Jorge Amado |</title>
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		<title>Filme sobre amizade de Jorge Amado, Caymmi e Carybé tem pré-estreia em Salvador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Aug 2025 14:19:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com sala lotada no Cine Glauber Rocha, em Salvador, a pré-estreia do documentário “3 Obás de Xangô”, que celebra a amizade e o legado cultural de três ícones da Bahia: Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. Dirigido pelo cineasta soteropolitano&#160;Sérgio Machado, o filme chega ao circuito nacional no dia&#160;4 de setembro, após conquistar diversos prêmios, como o&#160;Grande Otelo de Melhor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Com sala lotada no Cine Glauber Rocha, em Salvador, a pré-estreia do documentário <strong>“3 Obás de Xangô”</strong>, que celebra a amizade e o legado cultural de três ícones da Bahia: <strong>Jorge Amado</strong>, <strong>Dorival Caymmi</strong> e <strong>Carybé</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Dirigido pelo cineasta soteropolitano&nbsp;<strong>Sérgio Machado</strong>, o filme chega ao circuito nacional no dia&nbsp;<strong>4 de setembro</strong>, após conquistar diversos prêmios, como o&nbsp;<strong>Grande Otelo de Melhor Documentário</strong>&nbsp;no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, além de reconhecimentos no&nbsp;<strong>Festival do Rio</strong>, na&nbsp;<strong>Mostra de Cinema de Tiradentes</strong>&nbsp;e na&nbsp;<strong>Mostra de São Paulo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com&nbsp;<strong>narração de Lázaro Ramos</strong>&nbsp;e depoimentos de familiares e amigos, o documentário destaca o papel dos três artistas como transmissores do imaginário baiano para o Brasil e o mundo. O título do filme faz referência à honraria de&nbsp;<strong>Obá de Xangô</strong>, concedida aos três no terreiro&nbsp;<strong>Ilê Axé Opô Afonjá</strong>, liderado por Mãe Senhora. No candomblé, o obá é considerado uma espécie de ministro, responsável por fazer a ponte entre o terreiro e a sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A obra mostra como Jorge, Caymmi e Carybé, cada um em sua linguagem – literatura, música e artes visuais – ajudaram a moldar uma identidade baiana moderna, profundamente conectada à ancestralidade africana, ao candomblé e à cultura popular.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“3 Obás de Xangô”</strong>&nbsp;é uma coprodução da&nbsp;<strong>Coqueirão</strong>,&nbsp;<strong>Janela do Mundo</strong>,&nbsp;<strong>Globo Filmes</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>GloboNews</strong>, com distribuição da&nbsp;<strong>Gullane+</strong>&nbsp;e patrocínio da&nbsp;<strong>Global Participações em Energia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Alô alô Bahia / Foto:  Divulgação</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ADULTIZAÇÃO: O QUE É? QUAIS SÃO OS IMPACTOS QUE REFLETEM NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/AGH5Ib6rkHM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Jorge Amado e a volta da narrativa da nação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 13:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A obra de Jorge Amado ocupou ao longo de décadas uma posição curiosa na literatura brasileira. Simultaneamente foi consagrada pelo grande público e tratada com reticência por boa parte da crítica. Os romances conquistaram leitores aqui e em todo o mundo, mas, em muitos círculos intelectuais, eram vistos como folclorizantes, populistas ou datados por conta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">A obra de Jorge Amado ocupou ao longo de décadas uma posição curiosa na literatura brasileira. Simultaneamente foi consagrada pelo grande público e tratada com reticência por boa parte da crítica. Os romances conquistaram leitores aqui e em todo o mundo, mas, em muitos círculos intelectuais, eram vistos como folclorizantes, populistas ou datados por conta do viés político. A situação tem mudado sob novas lentes, com reconhecimento de sua importância histórica e o resgate da proposta narrativa. Um projeto literário que, no fundo, sempre enfrentou o desafio de imaginar o Brasil enquanto nação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a literatura brasileira parece reencontrar na atualidade o desejo de narrar o país, Jorge Amado ressurge como um precursor necessário e também incômodo. A volta da narrativa da nação na atualidade, longe de significar um retorno a modelos superados de nacionalismo, implica repensar o projeto de Amado à luz dos impasses contemporâneos. Nesse movimento, destacam-se estudos e novos autores e autoras que, ao seu modo, atualizam a tradição que ele inaugurou nos anos 1930. Estamos falando de uma literatura popular e política que elaborou a ideia de um país miscigenado.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.revistabula.com/wp/wp-content/uploads/2025/07/Jorge-Amado-300x449.webp" alt="Jorge Amado" class="wp-image-109643"/><figcaption class="wp-element-caption">Jorge Amado: Jorge Amado, entre a utopia popular e a reinvenção da ideia de Brasil | Foto / Companhia das Letras</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Por muito tempo, a fortuna crítica de Jorge Amado revelou uma desconfiança acadêmica. Um dos desconfiados foi Alfredo Bosi, que classificou os romances do autor baiano de “baixa tensão” narrativa, populistas e sensuais, em sua “História Concisa da Literatura Brasileira”. “O populismo literário deu uma mistura de equívocos, e o maior deles será por certo o de passar por arte revolucionária”, avaliou o crítico paulista. Nota-se, neste trecho, o ranço de certos pensadores de esquerda com as diretrizes do Partido Comunista, o Partidão, ao buscar o “homem simples” brasileiro e apostar numa aliança furada entre revolucionários e a burguesia nacional.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Antonio Candido, nos livros de Jorge Amado, “o negro entrou pela primeira vez maciçamente na ficção brasileira, com a sua poesia e a sua pobreza, as suas lutas e crenças. Escritor cursivo, irregular, Jorge Amado insuflou, todavia, na sua obra uma poesia e uma vibração que pareciam redimir as falhas, tornadas no entanto bastante visíveis na passagem do tempo. Nesses romances, há um intuito ideológico ostensivo de mais, vírgula, que, por não ser incorporado com o elemento necessário à composição, parece com frequência superposição indigerida”.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-novas-leituras"><strong>Novas leituras</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, a obra de Amado encontra novos intérpretes que reconfiguram seu lugar no campo literário. O principal deles é Eduardo de Assis Duarte, que lançou neste ano “Narrador do Brasil — Jorge Amado, Leitor de seu Tempo e de seu País”. Antes, em “Jorge Amado: Romance em Tempo de Utopia”, Duarte se debruçou na chamada “fase proletária” do autor baiano, marcada pelo engajamento e pela militância comunista, entre os anos 1930 e 1950. Neles, esboçava-se a literatura de construção do povo brasileiro como sujeito histórico, articulando luta de classes, consciência política e denúncia social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O “Narrador do Brasil” avança para a fase mais madura e popular do escritor. Romances como “Gabriela, Cravo e Canela”, “Tieta do Agreste”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “Tereza Batista Cansada de Guerra” consolidaram o prestígio nacional e internacional de Jorge Amado, o que o tornou para muitos leitores e leitoras o maior contador de histórias do país. Nessa fase, a narrativa abandona o tom político deliberado e mergulha na complexidade de uma brasilidade baiana, sensual, contraditória, mestiça e profundamente marcada por desigualdades históricas.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.revistabula.com/wp/wp-content/uploads/2025/07/Narrador-do-Brasil-300x433.webp" alt="Narrador do Brasil" class="wp-image-109638"/><figcaption class="wp-element-caption">Narrador do Brasil, de Eduardo de Assis Duarte (FT Editora, 244 Páginas)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O mérito de Duarte está em reler essa produção com categorias contemporâneas: classe, gênero e etnicidade. Não se trata apenas de identificar personagens negros ou mulheres fortes nos romances, mas de entender como essas figuras constroem um imaginário nacional a partir da Bahia. Um território simbólico onde se encontram tradições ibéricas, africanas (especialmente iorubás) e indígenas. O Brasil de Jorge Amado é um país marcado por sincretismos e antagonismos. Há o entrelaçamento de erotismo, candomblé, cultura popular, conflitos de classe, patriarcalismo e força feminina em suas narrativas. Uma nação contada desde as suas margens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A revalorização crítica vem acompanhada por um resgate biográfico e simbólico de sua figura pública. A biografia assinada por Josélia Aguiar cumpre um papel decisivo nesse sentido. Ao reconstituir a trajetória de vida do autor, da infância às viagens internacionais, da militância comunista à consagração como ícone da literatura nacional, o livro contribui para firmar a imagem complexa e coerente de Jorge Amado. Um intelectual orgânico, profundamente inserido em seu tempo, mas também artesão narrativo capaz de articular o popular e o político com rara eficácia junto aos leitores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A imagem do grande escritor popular foi além da construção doméstica, para consumo nacional. Como mostra Marcelo Ridenti, em “Internacionalização cultural comunista: Jorge Amado e seus camaradas da América Latina”, o autor baiano virou também produto de uma rede internacional de circulação cultural forjada no interior do comunismo internacional. Os escritores Louis Aragon e Pablo Neruda foram fundamentais na difusão de sua obra na Europa e na América Latina. A imagem do Brasil mestiço e politicamente engajado atravessou fronteiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, talvez, nenhum veículo tenha sido tão poderoso na consagração de Jorge Amado quanto as adaptações para o cinema e a televisão. Telenovelas como “Gabriela” e “Tieta” fizeram de seus personagens arquétipos populares, sedimentando a ideia de um Brasil exuberante, sincrético, profundamente ligado às raízes africanas e à religiosidade popular. Era, de certo modo, a tradução visual e dramatúrgica do que a crítica chamaria de “nacional-popular”. Surgiu um esforço de construir, por meio da arte, uma ideia de povo, cultura brasileira e identidade comum a partir traços culturais baianos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ideologia-da-mesticagem"><strong>Ideologia da mestiçagem</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A brasilidade de Jorge Amado se ancorava claramente na ideia de sincretismo religioso, na força dos orixás nas tensões entre coronelismo local e resistência popular. Tudo isso emoldurado por uma narrativa que buscava conciliar conflito e celebração, denúncia e encantamento. Junto a isso, havia uma ideologia da mestiçagem que revirou de cabeça para baixo a visão que os brasileiros tinham de si mesmos na primeira metade do século 20. Nesse trabalho, Jorge Amado teve a companhia de Gilberto Freyre, com o seu “Casa Grande &amp; Senzala”. O branqueamento racial e cultural deu lugar a uma perspectiva inovadora e que ainda persiste no debate público brasileiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a permanência apaziguadora dessa imagem positiva se vê hoje atravessada por novas tensões. No século 21, a sociedade brasileira assiste ao avanço de uma cultura cristã conservadora que rejeita frontalmente a herança cultural africana e os valores celebrados por Jorge Amado. &nbsp;Ao mesmo tempo, paradoxalmente, nunca se valorizou tanto a cultura negra como matriz fundadora do Brasil. Isso vem muitas vezes associado ao que setores conservadores chamam de “identitarismo”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que as leituras conservadoras ignoram é que as questões de identidade (classe, gênero, etnia) já estão na obra de Jorge Amado desde o início. Muito antes de se serem bandeiras de militância ou categorias analíticas da crítica, esses temas eram matéria viva em seus romances. Sua literatura foi, talvez, uma das primeiras tentativas de narrar o Brasil em sua complexidade e de fazê-lo com alcance popular.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-os-herdeiros-literarios"><strong>Os herdeiros literários</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A prova definitiva da vitalidade de Jorge Amado está na qualidade e na ousadia de seus herdeiros. Três nomes se destacam nessa linhagem, cada um à sua maneira aprofundando e reinventando a narrativa de seu mestre: João Ubaldo Ribeiro, Ana Maria Gonçalves e Itamar Vieira Júnior. Como não poderia deixar de ser, uma parte da crítica ainda faz caras e bocas ao analisar esses autores. Incomoda os críticos o recurso ao transe, ao lado irracional da vida, presentes nessa tradição narrativa que se formou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Ubaldo talvez seja o mais direto na herança, por partilhar o mesmo espaço simbólico e carregar adiante a ideia de narrativa totalizante da nação. Em “Viva o Povo Brasileiro”, ele atravessa quatro séculos de história brasileira num romance ambicioso, polifônico e profundamente irônico. A construção de um Brasil contraditório, onde a opressão e a astúcia popular se misturam, remete à tradição do romance histórico e ao tom popular que Jorge Amado também cultivou. A novidade foi levar essa proposta a um novo grau de densidade formal e crítica. É, sem dúvida, um livro que ainda não foi compreendido em sua totalidade.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.revistabula.com/wp/wp-content/uploads/2025/07/Ana-Maria-Goncalves-1-300x433.webp" alt="Ana Maria Gonçalves" class="wp-image-109642"/><figcaption class="wp-element-caption">Em Um Defeito de Cor, Ana Maria Gonçalves reata os fios da história do Brasil com as mãos de quem já foi apagada</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Maria Gonçalves, em “Um Defeito de Cor”, retoma os fios da narrativa da nação para reescrevê-los a partir de um olhar radicalmente outro. A protagonista negra, africana, mulher, reconta o Brasil a partir da dor da escravidão, da travessia atlântica, da resistência íntima e coletiva. A Bahia de Ana Maria é, como a de Jorge Amado, um território simbólico, mas agora filtrado por uma consciência pós-colonial, atenta aos apagamentos e às violências estruturais que moldaram o país. A escrita é densa, detalhista, caudalosa e alinha-se com uma tradição de romances de formação crítica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Itamar Vieira Júnior consolida essa linhagem numa chave ainda mais contemporânea. Em “Torto arado” e “Salvar o Fogo”, ele retoma os temas fundadores da obra de Jorge Amado (conflito rural, herança africana). O passo adiante em relação ao precursor está numa estética contida e lírica. A literatura de Vieira participa de um movimento mais amplo na literatura mundial atual, onde questões de território, identidade racial, ancestralidade e gênero convergem na busca por formas narrativas capazes de representar a complexidade das experiências periféricas. É Jorge Amado relido à luz de uma nova sensibilidade que é mais trágica e marcada pelas fraturas expostas do país.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-brasil-reconfigurado"><strong>Brasil reconfigurado</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Retomar Jorge Amado significa também reposicionar a ideia de Brasil. Nas últimas décadas do século 20 e os primeiros anos do 21, o conceito de “nação” passou por um longo declínio, ao sabor da “Fim da História”. Influenciado por teorias pós-modernas, o debate cultural rejeitou as grandes narrativas totalizantes (marxistas, psicanalíticas ou identitárias) em nome de perspectivas fragmentárias, desconstrutivas e focadas na pluralidade das vozes minoritárias. Aflorou a desconfiança diante de qualquer projeto de totalidade cultural. A crítica à identidade nacional como essencialista, paralisante ou mesmo opressora se tornou dominante em muitos círculos acadêmicos e artísticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas o século 21, com suas crises e suas urgências, tem cobrado outra postura. Desde o 11 de setembro de 2001, a geopolítica global recolocou em cena as questões religiosas, os pertencimentos territoriais e os discursos de identidade. A questão migratória colocou o tema da colonialidade na ordem do dia da Europa e dos Estados Unidos. A literatura, por sua vez, redescobriu espaços para pensar coletividades, memórias e reimaginar formas de comunidade. Nesse contexto, a obra de Jorge Amado reaparece para além nostalgia e pode entrar nesse campo de disputa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A identidade brasileira está sendo reimaginada a partir de múltiplos vetores. Por um lado, está o resgate de raízes africanas, atlânticas, indígenas e mestiças. De outro, ocorreu o avanço de uma cultura cristã-evangélica que rejeita abertamente essas matrizes em nome de valores tradicionalistas. O Brasil é atravessado por narrativas em conflito, e é justamente nesse embate que a literatura ganha força. A valorização de Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Ana Maria Gonçalves e Itamar Vieira Júnior revela um país em busca de sentido, por imagens de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ler Jorge Amado hoje pode ser um gesto estético e político (para horror dos descontentes com a voga identitária). A literatura ainda pode tentar dar forma à ideia de nação, nesse mundo atravessado de crises sistêmicas. Não vai ser um projeto homogêneo ou autoritário como foi no passado e que ainda se sonha na extrema-direita, mas como um campo em permanente elaboração. O povo brasileiro tem uma complexidade histórica que demanda continuamente a construção de narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bula Conteúdo / <strong>Foto / Bernard Gotfryd</strong></p>



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</div></figure>



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		<title>‘Gabriela – O Musical’ traz nova adaptação do clássico de Jorge Amado aos palcos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 19:20:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O clássico&#160;Gabriela, Cravo e Canela, de&#160;Jorge Amado, ganhará uma nova versão para os palcos em formato de musical, com estreia marcada para novembro no Teatro Dulcina, da Funarte, no Centro do Rio de Janeiro. A produção está sendo realizada pelo Ceftem Produções e conta com uma equipe de grandes nomes do teatro musical brasileiro:&#160;João Fonseca&#160;e&#160;Nello [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O clássico&nbsp;<em>Gabriela, Cravo e Canela</em>, de&nbsp;<strong>Jorge Amado</strong>, ganhará uma nova versão para os palcos em formato de musical, com estreia marcada para novembro no Teatro Dulcina, da Funarte, no Centro do Rio de Janeiro. A produção está sendo realizada pelo Ceftem Produções e conta com uma equipe de grandes nomes do teatro musical brasileiro:&nbsp;<strong>João Fonseca&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>Nello Marrese</strong>&nbsp;na direção;&nbsp;<strong>Bella Mac&nbsp;</strong>na coreografia e&nbsp;<strong>Tony Lucchesi&nbsp;</strong>na direção musical e composição das músicas originais juntamente com João Fonseca. A adaptação é assinada por&nbsp;<strong>Vitor de Oliveira</strong>, conhecido por seu trabalho em novelas da TV Globo, como<em>&nbsp;O Astro</em>&nbsp;e&nbsp;<em>I Love Paraisópolis</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As atrizes&nbsp;<strong>Tairini&nbsp;</strong>e<strong>&nbsp;Sarah Aysha&nbsp;</strong>dividirão o papel de Gabriela em sessões diferentes, enquanto<strong>&nbsp;Allan Baluwt</strong>&nbsp;interpretará o sírio Nacib, formando o casal protagonista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ambientado na Ilhéus dos anos 1920, o musical narra a história do romance entre o sírio Nacib e a jovem retirante Gabriela. A trama explora as mudanças sociais da época, abordando temas como a liberdade feminina e a luta contra as normas patriarcais de uma sociedade conservadora e machista. Gabriela, com sua espontaneidade e beleza, desafia as convenções sociais, transformando a vida dos moradores da cidade, enquanto o relacionamento com Nacib revela tensões entre o tradicional e o moderno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">João Fonseca, um dos diretores do musical, é conhecido por suas adaptações de ícones da música brasileira como&nbsp;<strong>Tim Maia</strong>,&nbsp;<strong>Cazuza&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>Cássia Eller.</strong>&nbsp;“Essa adaptação de Gabriela é baseada no original de Jorge Amado, mas com algumas liberdades e inspirações também vindas das adaptações para a TV. Acho que é um musical novo para a época de hoje, focado na libertação e no empoderamento da mulher. Todas as mulheres da história são confrontadas com uma sociedade absolutamente machista de cem anos atrás e as questões de cem anos atrás continuam absolutamente relevantes”, conta João à&nbsp;<strong>Quem</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trilha sonora do espetáculo será uma combinação de músicas originais e clássicos da MPB, como canções já interpretadas por&nbsp;<strong>Gal Costa</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Maria Bethânia</strong>, entre outros. Tony Lucchesi, responsável pela direção musical, compôs músicas especialmente para o musical. Ele, que também já foi arranjador do&nbsp;<em>The Voice Brasil</em>, da TV Globo, esteve envolvido na produção de&nbsp;<em>Conserto Para Dois</em>, de&nbsp;<strong>Cláudia Raia&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>Jarbas Homem de Melo</strong>. “Gabriela já foi montado muitas vezes, então é um assunto bastante conhecido. Poder mexer nesse material e trazer referências, ideias e correspondências com a atualidade é muito interessante”, afirma Lucchesi.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O elenco do musical conta ainda com&nbsp;<strong>André Celant</strong>,&nbsp;<strong>Avner Proba</strong>,&nbsp;<strong>Beatriz Faria</strong>,&nbsp;<strong>Clarissa Chaves</strong>,<strong>&nbsp;Dan Mello</strong>,<strong>&nbsp;Fernanda Botelho</strong>,&nbsp;<strong>Gabiá</strong>,&nbsp;<strong>Igor Barros</strong>,&nbsp;<strong>Isabella Antunes</strong>,<strong>&nbsp;Isadora Gomes</strong>,&nbsp;<strong>Jennifer Lemos</strong>,&nbsp;<strong>Jhony Maia</strong>,&nbsp;<strong>Julio Lima</strong>,<strong>&nbsp;Lucas San</strong>,&nbsp;<strong>Luísa Gomes</strong>,&nbsp;<strong>Marcela Amorim</strong>,&nbsp;<strong>Matheus Damaso</strong>,&nbsp;<strong>Mathias José</strong>,<strong>&nbsp;Sofia Kirk</strong>,&nbsp;<strong>Sônia Corrêa&nbsp;</strong>e&nbsp;<strong>Vinícius Medeiros</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Gabriela – O Musical</em>&nbsp;fará curta temporada no Teatro Dulcina, de 22 de novembro a 8 de dezembro, com apresentações às sextas e sábados às 19h, e aos domingos às 18h. Os ingressos já estão à venda pelo Sympla. Mais informações pelas redes sociais do espetáculo em @gabrielaomusical.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.26-720x489.jpeg" alt="" width="720" height="489" srcset="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.26-720x489.jpeg 720w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.26-768x521.jpeg 768w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.26.jpeg 1000w"></p>



<p class="wp-block-paragraph" id="caption-attachment-61025">Sarah Aysha e Allan Baluwt em “Gabriela – O Musical” — Foto: RL Fotografia/Divulgação</p>



<p class="wp-block-paragraph"><img decoding="async" src="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.27-1-720x480.jpeg" alt="" width="720" height="480" srcset="https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.27-1-720x480.jpeg 720w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.27-1-768x512.jpeg 768w, https://aloalobahia.com/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-26-at-15.35.27-1.jpeg 1000w"></p>



<p class="wp-block-paragraph" id="caption-attachment-61023">Sarah Aysha e Allan Baluwt em “Gabriela – O Musical” — Foto: RL Fotografia/Divulgação</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com informações da QUEM /  RL Fotografia/Divulgação</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="MARLUCE SILVA CANDIDATO A VEREADOR - AGIR, é o convidado do BATE PAPO NA CITY" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/_yhGZr02-bM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>&#8220;Jorge Amado mudou a vida de muita gente por seus livros&#8221;, diz neto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 13:07:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Flipelô]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flipelô celebra há oito anos memória e legado do escritor No último sábado (10), o escritor Jorge Amado (1912-2001) completaria 112 anos de nascimento. Há oito anos, como forma de celebrar a sua memória e o seu legado, a Fundação Casa de Jorge Amado realiza a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), sempre em seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Flipelô celebra há oito anos memória e legado do escritor</p>



<p class="wp-block-paragraph">No último sábado (10), o escritor Jorge Amado (1912-2001) completaria 112 anos de nascimento. Há oito anos, como forma de celebrar a sua memória e o seu legado, a Fundação Casa de Jorge Amado realiza a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), sempre em seu aniversário.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1607512&amp;o=node"><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1607512&amp;o=node"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Autor de livros como<em>&nbsp;Dona Flor e Seus Dois Maridos</em>,&nbsp;<em>Tenda dos Milagres</em>,<em>&nbsp;Tieta do Agreste</em>,&nbsp;<em>Gabriela, Cravo e Canela</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Tereza Batista Cansada de Guerra</em>, Jorge Amado é a tradução da Bahia. “Meu avô sempre dizia que&nbsp;não tinha criado os personagens que lhe deram fama e notoriedade. Ele apenas tinha reconhecido aqueles personagens prontos no povo da Bahia”, contou o neto do escritor, Jorge Amado Neto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os romances escritos por Jorge Amado apresentam as ruas, os casarios, o povo, os cheiros e os costumes baianos, mas em sua obra também sempre esteve muito presente a reflexão sobre os problemas sociais brasileiros. “A partir do momento em que Jorge Amado começa a escrever e à medida em que vai desenvolvendo sua literatura, ele vai demonstrando que é necessário, sim, por meio&nbsp;da cultura e da literatura, enfrentar questões sociais. Ele coloca esses problemas&nbsp;em uma situação de evidência para chamar as pessoas a repensar e a criar uma consciência social”, acrescentou&nbsp;Neto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Ele fez parte de uma geração de notáveis, que foi responsável pela própria construção da identidade do baiano. Aquilo que a gente hoje chama de baianidade &#8211; da forma de falar, de resolver questões, de se posicionar, a forma de se comunicar, de se vestir e de externar a cultura por meio&nbsp;da alegria, da dança, da música e das artes &#8211; ele, juntamente com outras pessoas da época, como Calasans Neto, Carybé, João Ubaldo Ribeiro e Dorival Caymmi, foi&nbsp;responsável&nbsp;por dar uma identidade ou consolidar essa identidade muito marcada da Bahia”, afirmou.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Memórias de família</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Jorge Amado Neto tinha 16 anos quando seu avô morreu. “Eu tinha uma ligação muito grande com ele, que me chamava de meu compadre. Ele falava: ‘meu compadre, vem aqui para eu conversar com você’. Aí eu ia lá, eu devia ter uns cinco para seis anos.&nbsp;Minha avó vinha atrás de mim e ele falava: ‘Zélia, isso aqui é uma conversa de homens. Aqui sou eu e meu compadre aqui’. E eu ficava todo chique, me achando”, contou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Tem uma história que é famosa, que eu já contei até algumas vezes, que foi quando eu saí pra colher uns jambos aqui [na casa do Rio Vermelho]. No jardim, colhi um cesto de jambos. Cheguei com esses jambos pra ele, que estava assistindo televisão. Eu falei: ‘tudo bom, meu amor? Quer comprar uns jambos aqui na minha mão?’ Aí ele respondeu: ‘mas, vem cá, você vai no meu jardim, pega meus jambos, e vem aqui pra me vender?’. E eu respondi: ‘mas&nbsp;tive trabalho de colher, subi no jambeiro podendo cair, tá tudo lavadinho aqui pra você’. Ele achava o máximo essas coisas e dizia: ‘Pegue lá minha carteira. Qual é o preço dessa cesta aqui de jambos?’. Eu dizia um valor e depois chegava nele e falava: ‘me dá um desses jambos aí?’. E ele respondia: ‘mas você acabou de vender!’. E eu acrescentava: ‘Pois é, agora&nbsp;são seus. Estou lhe pedindo um porque não comi antes de lhe vender’. E ele então me deixava pegar os jambos”.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Legado</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista à&nbsp;<strong>Agência Brasil</strong>&nbsp;na Casa do Rio Vermelho, em Salvador, onde seu avô e sua avó Zélia Gattai viveram, Jorge Amado Neto refletiu sobre o legado deixado por ele. “Repare que muitas pessoas que não conheciam o Brasil, que nunca tinham vindo à Bahia, vieram nos visitar a exemplo de [Jean-Paul] Sartre, de Simone de Beauvoir, de Nicolas Guillén e tantas outras personalidades, porque leram Jorge Amado. Como foi muito divulgado e publicado em outros países, ele deu a oportunidade de as pessoas do outro lado do mundo experimentarem um pouco dos cheiros e dos sabores da nossa terra. Ninguém mais do que Jorge Amado trouxe mais gente de outros países pra cá, a fim de&nbsp;conhecer aquilo que só estava nas folhas dos livros”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse legado, contou&nbsp;Neto, perpassa os romances escritos pelo avô e sua importância para a cultura brasileira. Há também, muito fortes, as memórias que ele deixou dentro da família. “Meu avô foi uma das melhores pessoas que conheci porque era amoroso, brincalhão, presente. Ele fazia tudo que um avô faz com seus netos: levava pra passear, brincava, tomava sorvete. Sinto muita saudade dele e digo que as pessoas que reconhecem Jorge Amado como um grande escritor, muitas vezes não o conhecem na sua intimidade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a família, o escritor deixou valores como honestidade, hombridade e justiça. “Eu tenho certeza que esse foi o maior patrimônio que ele deixou pra gente”, disse. Já para o Brasil, analisou o neto, ficou como herança o exemplo de escutar os marginalizados pela sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Meu avô foi um dos maiores escritores do Brasil e o responsável por uma mudança de paradigma na literatura brasileira, porque&nbsp;começou a dar voz a vários segmentos sociais que eram totalmente colocados à margem como a figura da mulher, do negro, do pobre e dos desvalidos”, disse o neto. “Em um período em que você não tinha os direitos reconhecidos para essas pessoas, ele teve papel muito importante em dar voz e visão para elas. Acho que ele foi um grande mestre de literatura, mas teve também&nbsp;importância social muito grande. Mudou a vida de muita gente por meio&nbsp;de seus livros”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>*A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto CCR, patrocinador da Flipelô</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Agência Brasil / Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil</p>



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<iframe title="Bate Papo com o(a) pré-candidato(a) a vereador(a) Lis Braga - PT - Santo Estevao" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/ogSMz3aTh-g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Vândalos furtam placa de bronze do monumento em homenagem a Jorge Amado, no Rio Vermelho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Nov 2023 10:42:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Anualmente, a recuperação de equipamentos vandalizados em Salvador gera um gasto anual de R$ 4 milhões Ponto de referência no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o monumento em homenagem ao centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, situado no Largo de Santana, acumula um longo histórico de depredações. A última ocorreu durante a madrugada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Anualmente, a recuperação de equipamentos vandalizados em Salvador gera um gasto anual de R$ 4 milhões</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ponto de referência no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o monumento em homenagem ao centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, situado no Largo de Santana, acumula um longo histórico de depredações. A última ocorreu durante a madrugada desta quinta-feira (23), quando a placa de cobre que identificava a obra foi furtada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As estátuas do escritor e da esposa dele, Zélia Gattai, não foram prejudicadas desta vez. Apenas a calçada foi danificada após o totem, que ficava no local, ter sido arrancado do piso. Após o ato criminoso, a Secretaria de Manutenção fez a limpeza do espaço.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pasta também afirmou que, através da Diretoria de Equipamentos e Espaços Públicos (DEE), enviou representantes para verificar a ocorrência, recolher o material vandalizado e assegurou que, posteriormente, será realizada a reposição ou reinstalação da placa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Depredação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso desta quinta-feira não é isolado. A depredação de patrimônios tem sido uma prática comum na capital baiana. Anualmente, a recuperação de equipamentos vandalizados em Salvador gera um gasto anual de R$ 4 milhões.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em abril deste ano, o assunto foi tratado em uma reportagem do <strong>Metro1</strong>, <a href="https://www.metro1.com.br/noticias/cidade/135293,vandalismo-cresce-em-salvador-e-exige-gastos-de-mais-de-rdollar-1-milhao-dos-cofres-publicos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">que alertou para a onda crescente de vandalismo na capital</a>. De lá para cá, pouca coisa mudou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Metro 1</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Avaliando o intermunicipal 2023 e o brasileirão com ênfase no Bahia e Vitória" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/Z4tX0A7yMts?start=3629&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Como os comunistas salvaram um filme dos EUA baseado em obra de Jorge Amado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Dec 2022 13:59:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[CAPITÃES DE AREIA]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
		<category><![CDATA[UNIÃO SOVIÉTICA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação de Capitães da Areia teve mais de 40 milhões de espectadores nos cinemas soviéticos. Filme concorreu em 1971 no Festival Internacional de Moscou, onde Jorge Amado era um dos autores mais Por André Cintra O romance Capitães da Areia (1937), do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001), ganhou duas versões cinematográficas. A mais recente é o filme homônimo de 2011, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Adaptação de <em>Capitães da Areia</em> teve mais de 40 milhões de espectadores nos cinemas soviéticos. Filme concorreu em 1971 no Festival Internacional de Moscou, onde Jorge Amado era um dos autores mais Por <a href="https://vermelho.org.br/autor/andre-cintra/">André Cintra</a></p>



<p class="wp-block-paragraph">O romance <em>Capitães da Areia</em> (1937), do escritor baiano Jorge Amado (1912-2001), ganhou duas versões cinematográficas. A mais recente é o filme homônimo de 2011, escrito e dirigido por Cecília Amado, neta do escritor baiano. Uma cópia do longa-metragem pode ser assistida no <em>YouTube</em>, o que o torna acessível a qualquer espectador.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022" width="827" height="103"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A outra versão tinha tudo para estar perdida em definitivo, não fosse a ação dos comunistas que participaram da experiência soviética no século 20. Lançado nos Estados Unidos em 1971 com dois títulos –&nbsp;<em>The Sandpit Generals</em>&nbsp;(Os Generais da Areia) e&nbsp;<em>The Wild Pack</em>&nbsp;(Pacote Selvagem) –, o filme de Hall Bartlet foi rebatizado em 1975 para&nbsp;<em>The Defiant</em>&nbsp;(O Desafiador). Não foi apenas o título original que se perdeu. A película, produzida de forma independente, também foi dada como perdida. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa saga, pouco conhecida, foi revisitada na semana passada pelo site&nbsp;<em>Russia Beyond Brasil&nbsp;</em>(<em>RB</em>). Conforme a reportagem, a primeira adaptação de&nbsp;<em>Capitães da Areia</em>&nbsp;concorreu em 1971 no Festival Internacional de Cinema de Moscou, onde Jorge Amado era um dos autores mais populares. “Apesar de não vencer a premiação, foi a cópia do filme ali utilizada a única remanescente, e seu sucesso (inclusive com o presidente Vladimir Putin), contribuiu para sua preservação”, resume o&nbsp;<em>RB</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A distribuição do longa ficou a cargo da American International Pictures, mas, em abril de 1971, o Departamento de Estado norte-americano vetou a participação de filmes do país no festival soviético. Uma pequena empresa, no entanto, se articulou com os organizadores do evento e liberou uma cópia do filme.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem contou essa história, em 2019, no talk-show&nbsp;<em>Zakriti Pokaz</em>&nbsp;(Exibição Fechada), foi o crítico de cinema russo Serguêi Lavrentiev. “Uma pequena empresa concordou em conceder o filme. Ele mesmo não recebeu nenhum prêmio no festival, mas concorreu”, lembra a reportagem. “Depois de dois anos, o filme entrou no circuito, e tanto para o governo como para o público isso foi muito bom.” Mais de 40 milhões de soviéticos assistiram a&nbsp;<em>The Sandpit Generals&nbsp;</em>nos cinemas soviéticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até que, em 1997, uma emissora estatal, o Primeiro Canal, tentou exibir o filme pela primeira vez na TV. “Pedimos à Columbia Pictures, mas descobrimos que ela não tinha cópias do filme. Nem mesmo a Biblioteca do Congresso respondeu nada de muito concreto sobre os direitos dele”, relatou Konstantin Ernst, ex-diretor-geral do canal.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="154" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/PMI-1-1024x154.png" alt="" class="wp-image-69853" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/PMI-1-1024x154.png 1024w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/PMI-1-300x45.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/PMI-1-768x115.png 768w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/PMI-1.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O filme foi um fiasco de bilheteria nos Estados Unidos e, por isso, o produtor cedeu os direitos sobre o título, em vez de remunerá-lo pelo trabalho de direção. Com a morte de Hall Bartlet, em 1993, a família herdou os direitos. Ernst localizou, então, parentes de Bartlet e conseguiu autorização para exibir o filme na televisão russa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pouca gente sabia, porém, que a cópia em poder da Gosfilmfond (a empresa pública de preservação cinematográfica) era a única conhecida do filme. Ademais, mesmo com boas condições de armazenamento da película, a Gosfilmfond executou um minucioso trabalho de restauração manual, quadro a quadro, mobilizando ainda coloristas e técnicos para garantir “l as mesmas condições em que os espectadores do festival de Moscou a viram”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<em>Russia Beyond Brasil&nbsp;</em>conclui: “Foi o sucesso alcançado pela película que a salvou da extinção na URSS e, posteriormente, na Rússia”. Serguêi Lavrentiev, o crítico de cinema, atribui o sucesso da adaptação de&nbsp;<em>Capitães da Areia&nbsp;</em>ao fato de que a censura soviética evitava liberar filmes norte-americanos mais “políticos ou críticos”. E por que esse longa, em especial, escapou do crivo?</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Porque era baseado no romance de um autor comunista, popular entre nós e altamente propagandeado, Jorge Amado. Um filme sobre crianças abandonadas sob o amaldiçoado sistema capitalista”, opina Lavrentiev. “Já para o povo, se tratava de um melodrama, com os mais incríveis e belos jovens heróis, que dava prazer de olhar.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A isso se soma a singularidade dos protagonistas – “dois jovens loiros de olhos claros, em uma clara decisão eugênica” –, as cenas de nudez e a trilha musical embalada por canções de Dorival Caymmi, como <em>Suíte do Pescador</em>.  De tão popular, essa música teve versões em russo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Vermelho.org</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/como-os-comunistas-salvaram-um-filme-dos-eua-baseado-em-obra-de-jorge-amado/">Como os comunistas salvaram um filme dos EUA baseado em obra de Jorge Amado</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Webinário Estudos Amadianos reúne escritores e intelectuais de diversas universidades brasileiras</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2021 14:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos maiores escritores do mundo, Jorge Amado, morreu em 6 de agosto de 2001 consternando o mundo. O autor acreditava, segundo a jornalista, escritora, pesquisadora e biógrafa dele, Josélia Aguiar, que depois de 20 anos de sua morte seria esquecido. Engano. Não só continua lembrado como sua obra permanece cada vez mais debatida, analisada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores escritores do mundo, Jorge Amado, morreu em 6 de agosto de 2001 consternando o mundo. O autor acreditava, segundo a jornalista, escritora, pesquisadora e biógrafa dele, Josélia Aguiar, que depois de 20 anos de sua morte seria esquecido. Engano. Não só continua lembrado como sua obra permanece cada vez mais debatida, analisada e provocando novas reflexões e releituras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das ações que discute o autor maior da Bahia é o II Webinário Estudos Amadianos, que começa nesta quarta-feira, 4, e prossegue até o final do mês. Reúne autores consagrados como Antônio Torres, Socorro Acioli, Itamar Vieira Júnior, Josélia Aguiar, Aleilton Fonseca, Cyro de Matos, Ordep Serra, Ruy Póvoas, Nelson Cerqueira, Sérgio Habib, Edilene Matos, entre outros grandes nomes, totalizando 60 convidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Jorge Amado é um dos grandes representantes da afro-brasilidade. A partir da literatura amadiana, impossível não o perceber como régua e compasso para outras afro-brasilidades e afro-baianidades literárias, pictóricas, audiovisuais e musicais ao lado de Caymmi. O filho de Oxóssi e ministro de Xangô desafiou parâmetros estabelecidos, tornou o povo pobre e negro-mestiço da Bahia protagonista de suas obras, lidas e divulgadas em diversos idiomas”, afirma Gildeci Leite, coordenador geral do evento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Perceber e discutir parte da contribuição de Jorge Amado para nossa afirmação identitária plural, diversa, é também mapear o quanto de baianidade há pelo mundo, fruto da caneta deste grapiúna. Se a Bahia e algumas de suas cidades são conhecidas e prestigiadas em diversas partes do planeta, isso, sem dúvida, deve-se a nosso maior embaixador e diplomata untado de dendê”, acrescenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gildeci informa que o Webinário Estudos Amadianos foi criado pelo Grupo de Pesquisa Crítica Literária e Identidade Cultural (Clic), com a finalidade de se constituir um instrumento de divulgação, difusão, apoio e incentivo a pesquisas, atividades extensionistas e de ensino, relacionadas à obra do autor brasileiro mais lido em todo mundo. Ele informa que a ideia é que seja um projeto de formação de leitores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cátedra</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O público, que poderá conferir 20 mesas dos mais variados temas sobre o autor, poderá acessar o evento através do Canal Universidade da Gente no&nbsp;<strong><a href="https://youtube.com/channel/UCIn2MteQi%20bM5p2l3Np%20KWdNA." target="_blank" rel="noreferrer noopener">YouTube</a></strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Contaremos, também, com a participação da família de Jorge Amado e teremos o apoio cultural do Grupo Companhia das Letras, através da Companhia na Educação, que irá doar e-books de obras do escritor durante o evento”, informa Gildeci Leite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O coordenador-geral destaca que também é intenção do CLIC lutar para criar uma cátedra (cadeira de quem ensina; cadeira professoral) sobre Jorge Amado nas universidades baianas, incentivando novas pesquisas e interpretações de seus livros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O II Webinário contará com conferência magna do prof. Dr. Félix Ayoh’Omidire, intitulada A yorubaianidade de Jorge Amado e o Triunfo dos Orixás Nagô-Yorubanos na Literatura Brasileira. Félix representa Obafemi Awolowo University, Ile-Ife, da Nigéria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do país africano, por telefone, ele afirma que, em sua tese de doutorado, demonstra como Jorge Amado “extrapolou a imagem identitária do povo Ketu/Nagô do candomblé da Bahia para a construção da identidade do baiano comum”, acrescentando que o imaginário yourubano também está presente em municípios como Santo Amaro, Maragojipe e Nazaré das Farinhas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Literatura contemporânea</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a escritora Josélia Aguiar, que no próximo dia 11, às 19h, participa da mesa Jorge Amado e a Literatura Contemporânea, junto com os escritores Itamar Vieira (Torto Arado) e Socorro Acioli (A Cabeça do Santo), com a coordenação do Prof. Dr. Schneider Carpeggiani, afirma que a obra de Jorge Amado se renova constantemente. “Ele deu grande contribuição ao protagonismo feminino, à defesa das religiões de matriz africana, ao debate da questão racial, entre outros temas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A biógrafa de Jorge Amado afirma que na mesa em que participa será analisado o eco da obra de Jorge Amado na produção literária brasileira. Entre os temas que são revistados por outros escritores, Josélia cita a luta pela terra. “Ele também tinha uma escrita cativante e um olhar afetuoso sobre seus personagens”, complementa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na programação, as mesas Corpos alugados: uma Leitura do trabalho em Cacau e Suor, de Jorge Amado; Literatura e Saúde, Narrando Epidemias e Contaminações Sociais na obra de Jorge Amado; Mar Morto: A morte mítica entre a Terra e o Mar e Dona Flor – nas Encruzilhadas da Nova Mulher. Vale agendar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: A Tarde</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/webinario-estudos-amadianos-reune-escritores-e-intelectuais-de-diversas-universidades-brasileiras/">Webinário Estudos Amadianos reúne escritores e intelectuais de diversas universidades brasileiras</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Idealizada por Jorge Amado, isenção aqueceu mercado editorial agora ameaçado por Guedes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Aug 2020 12:30:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Amado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sábado, 22 de Agosto de 2020 &#8211; 00:00 por Jamile Amine Foi o célebre escritor baiano Jorge Amado, enquanto deputado federal, que apresentou uma proposta de emenda à Constituição de 1946 que garantiu a imunidade de impostos para livros, jornais e periódicos. Mantida na Carta de 1988, a iniciativa – que teve como objetivo incentivar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sábado, 22 de Agosto de 2020 &#8211; 00:00</p>



<p class="wp-block-paragraph">por Jamile Amine</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi o célebre escritor baiano Jorge Amado, enquanto deputado federal, que apresentou uma proposta de emenda à Constituição de 1946 que garantiu a imunidade de impostos para livros, jornais e periódicos. Mantida na Carta de 1988, a iniciativa – que teve como objetivo incentivar o mercado editorial através de isenção fiscal – voltou ao centro das discussões por causa da reforma tributária proposta pelo governo federal e enviada ao Congresso. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Isto porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, incluiu o mercado editorial na cobrança da Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), que substituiria PIS e Cofins, eliminando as isenções destes tributos vigentes até então. Com a medida, o setor, que hoje tem zero de alíquota, passaria a pagar 12%, assim como o restante dos setores econômicos atualmente tributados entre 3,65% e 9,25% pela União. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Angela Fraga, diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, criada em 1987 para preservar a obra do escritor e incentivar as pesquisas literárias na Bahia, a medida é um retrocesso. &#8220;Acho que a produção literária precisaria de muito mais incentivos do que os que já lhes são garantidos”, avalia. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do forte impacto que a mudança geraria, o setor cultural, em especial o literário, tem se mobilizado contra a proposta do governo. Algumas entidades, a exemplo da União Brasileira de Escritores (UBE), têm feito críticas incisivas e chegaram a apontar a reforma como inconstitucional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um manifesto assinado pelo presidente da UBE, Ricardo Ramos Filho, a instituição destaca que “a alínea D do inciso Vl do Artigo 150 da Constituição do Brasil estabelece ser vetada à União, Distrito Federal, estados e municípios, a instituição de qualquer imposto sobre o livro, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão” e afirma que a proposta de tributar o setor “conspira contra os objetivos de promover o desenvolvimento e aumentar a competitividade do país no cenário global”, já que a Constituição Federal “enfatiza a importância da leitura como instrumento de educação, liberdade, igualdade de oportunidades, democracia e justiça social”.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.bahianoticias.com.br/fotos/entretenimento_noticias/38456/mg/Jorge-Amado-na-maquina-de-escrever.jpg" alt=""/><figcaption><em>Insenção tributária de livros periódicos e jornais foi idealizada pelo baiano Jorge Amado | Foto: Zélia Gattai / Divulgação Fundação Casa de Jorge Amado</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A questão é que a manobra do governo se dá dentro da lei, isto porque o setor editorial está protegido da cobrança de impostos, mas não de outros tipos de tributos, como é o caso da CBS proposta por Guedes, além do PIS e do Cofins – que hoje estão zerados por conta de políticas públicas de incentivo que não as estabelecidas na Constituição. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado tributário Rafael Figueiredo afirma que, apesar de ser crítico à proposta, ela não é inconstitucional. “Esse artigo 150 da Constituição, que trata das imunidades, diz que elas são direcionadas apenas aos impostos, e há uma diferença entre impostos e contribuições, são duas espécies de tributos diferentes. Então, não é possível instituir impostos sobre o mercado de livros e impressos, jornais e tudo mais, inclusive até o eletrônico já foi reconhecido no STF”, explica. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“[Os impostos] são uma espécie tributária referente ao que a gente chama, de forma mais técnica, tributos não vinculados, que cobram em razão de uma capacidade contributiva do contribuinte e o Estado não tem nenhuma vinculação com o que vai fazer com aquele dinheiro, que pode ser usado para qualquer coisa”, detalha o advogado, dando como exemplos o Imposto de Renda, IPI e ICMS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Rafael Figueiredo, a reforma, no entanto, atinge as contribuições sociais, que são outro tipo de tributo. “Elas são tributos cuja arrecadação é destinada a alguma finalidade. Inclusive, no Brasil é bem comum as pessoas brigarem ‘ah, eu pago IPVA e a estrada está esburacada’, mas isso não tem nenhuma relação. O Estado não é obrigado a gastar o dinheiro do IPVA para consertar rodovia ou tapar buraco. É diferente, por exemplo, da taxa de resíduos sólidos domiciliares, a taxa de lixo. Essa daí é um tributo vinculado, utilizado para custear o serviço de coleta de lixo domiciliar”, exemplifica, lembrando que a arrecadação de PIS e Cofins é destinada à assistência e seguridade social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O advogado explica ainda que a proposta do governo apenas une as duas contribuições (PIS e Cofins) criando uma única, a CBS, que não é um imposto e, portanto, não se enquadraria na imunidade prevista em cláusula pétrea. “Temos dois tipos de desoneração. A imposta na Constituição, que é a imunidade, essa daí ninguém pode mexer, só se mudarem a Constituição. Mas no âmbito infra-constitucional, nas leis ordinárias, podem ser instituídas o que a gente chama de isenções, que são uma faculdade do ente tributante”, compara, lembrando que hoje está vigente a isenção para o PIS e Cofins sobre os livros. “Então, além de não pagar os impostos, ICMS, imposto de renda e tudo mais, também não paga PIS e Cofins por causa da isenção que existe na lei. Esta isenção pretende ser revogada por esse projeto da CBS e não tem nenhuma nova isenção ou algo parecido. Ou seja, hoje quem não paga nada teria que pagar a alíquota que foi proposta na reforma, de 12%, que é altíssima”, alerta. </p>



<p class="wp-block-paragraph">CALIBRAGEM </p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Apesar de ser uma manobra legal, a medida tem impacto expressivo &#8211; e negativo &#8211; em diversos setores, talvez ainda mais no editorial. Segundo o advogado Rafael Figueiredo, a alíquota proposta pelo governo “já é um problema por si só”, que fica ainda mais grave para aqueles que hoje estão isentos e são “jogados” dentro da reforma. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o baiano Saymon Nascimento, fundador da pequena editora Bissau Livros, a reforma pode significar um grande risco ou até o fim do negócio, que já vem passando por dificuldades por causa da pandemia (<a href="https://www.bahianoticias.com.br/cultura/noticia/38214-em-tempos-de-de-pandemia-editora-baiana-dribla-crise-com-e-books-e-jogo-de-cintura.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saiba mais</a>). “No caso das editoras pequenas, que ainda não têm a escala das maiores empresas e trabalham com tiragens menores, o preço [dos livros] é naturalmente mais alto. A gente não consegue imprimir um livro, por exemplo, pelo mesmo preço que uma editora grande, já que naturalmente o papel custa uma coisa para quem faz mil livros, como eu, e outra coisa para quem imprime 30 mil. Eu não tenho como absorver isso sem passar para o preço de capa. O resultado é simples: eu elitizo o livro, e, caso não consiga vendê-lo a um preço mais alto num cenário de crise como o atual, quebro”, afirma. “Penso que isso vai diminuir o tamanho do mercado, diminuindo inclusive a democratização de vozes ocorrida nos últimos anos com o surgimento de novas editoras, mais plurais. É algo ruim sob todos os aspectos”, avalia o baiano.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://www.bahianoticias.com.br/fotos/entretenimento_noticias/38456/mg/af8acde3-ef73-4558-8c72-3d9de77f9baa.jpg" alt=""/><figcaption><em>Pequenas editoras como a Bissau Livros, do baiano Saymon Nascimento, podem quebrar com a aprovação da reforma | Foto: Arilson Almeida / Divulgação</em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">De uma forma mais abrangente, o advogado tributarista explica que também para aqueles que não têm isenção a reforma traz impactos muito fortes. Segundo Figueiredo, atualmente existem dois sistemas de arrecadação de PIS e Cofins: cumulativo e não cumulativo. No primeiro, o empresário paga 3,65% sem direito a crédito. “Quando você compra alguma coisa tributada pelo PIS e Cofins, aquilo não te dá direito a crédito. É o que a gente chama de cumulativo. Sobre o que eu vender, 3,65% de débito de tributo e ponto”, detalha. Já no outro sistema, não cumulativo, a alíquota é de 9,25%, dando direito a crédito nas aquisições de insumos. A crítica do advogado é que com a CBS todos pagarão os mesmos 12%, e provavelmente não poderão repassar as novas despesas ao consumidor final, já bastante afetado pela crise.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael lembra ainda que a reforma de Guedes não abrange a tributação nos âmbitos municipais e estaduais, ou seja, além do valor já alto cobrado pela União, os empreendedores ainda devem se preocupar com as demais contribuições e os impostos cobrados para os que não estão isentos. Segundo Rafael, existem inclusive alternativas mais complexas e robustas em discussão no parlamento, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 45, que inclui estados e cidades, mas ela encontra resistência de governadores e prefeitos para ser aprovada.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>LIVRO COMO PRODUTO DE ELITE</strong></h4>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Se o impacto econômico por si só já era motivo para forte reação do setor cultural, a justificativa do ministro Paulo Guedes para a tributação dos livros gerou ainda mais mal estar. </p>



<p class="wp-block-paragraph">“Mais grave do que a própria proposição é a justificativa do ministro, de que ‘livros são artigos para a elite’ e que o governo os dará de graça aos pobres. Repudiamos esse pensamento retrógrado, alinhado a práticas dos regimes mais nocivos da humanidade, incluindo a queima de milhares de volumes. A triste chama não pode incinerar a memória dos povos. É preciso aprender com a história”, defendeu a União Brasileira de Escritores (UBE), em nota oficial. Segundo a entidade, o acesso à leitura “jamais deve ser privilégio, mas uma prerrogativa de toda a população”, destacando que todos os brasileiros, incluindo os de baixa renda,”têm o direito de escolher o que querem ler e não podem ficar sujeitos às doações de livros pelo poder público, pois tal paternalismo implica instrumentalizar os conteúdos conforme a orientação político-ideológica do governo de plantão”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não faltaram manifestações, entre abaixo-assinados, hashtags e campanhas em defesa do livro, nas quais criticam e ironizam as afirmações do ministro da Economia do governo Bolsonaro, consideradas como preconceituosas e ignorantes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, de forma mais concreta, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou uma proposta de Emenda à Constituição (PEC), nesta terça-feira (18), na tentativa de impedir a cobrança de tributos para livros, jornais e periódicos, assim como o papel destinado à impressão. “A CF proíbe a cobrança de impostos, estamos estendendo isso a todos os tipos de tributos”, explicou o senador, em sua conta no Twitter. “Investir em armas e taxar livros é um projeto. Precarizar a Educação serve para eles que querem a manutenção da desigualdade social, das injustiças. As prioridades do Governo não condizem com a realidade do nosso povo! Bolsonaro é sinônimo de retrocesso!”, protestou Randolfe.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Veja algumas manifestações contra a proposta do governo:</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">O Ministro da Economia, Paulo Guedes, quer a taxação de 12% em livros, além disso, classificou os livros como produtos da elite. O Movimento @DefendaLivros  foi criado para lutar contra isso e está próximo de 1 milhão de assinaturas! <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2b07.png" alt="⬇" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <a href="https://t.co/vto6vF0jEU">https://t.co/vto6vF0jEU</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/DefendaOLivro?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw">#DefendaOLivro</a></p>&mdash; Change.org Brasil (@change_br) <a href="https://twitter.com/change_br/status/1296239475798966274?ref_src=twsrc%5Etfw">August 20, 2020</a></blockquote><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed-flickr wp-block-embed is-type-rich is-provider-flickr"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<a data-flickr-embed='true' href='https://www.flickr.com/photos/129929080@N07/albums/72157715576611092' title='Protestos contra tributação de livros e pela justificativa dada por Paulo Guedes by bahianoticiasoficial, on Flickr'><img src='https://live.staticflickr.com/65535/50251501601_2106681421_z.jpg' width='800' height='600' alt='Protestos contra tributação de livros e pela justificativa dada por Paulo Guedes'></a><script async src='https://embedr.flickr.com/assets/client-code.js' charset='utf-8'></script>
</div></figure>



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