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	<title>Jumentos |</title>
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	<title>Jumentos |</title>
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		<title>A invenção brasileira que promete salvar os jumentos da extinção no Nordeste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 18:33:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os principais pesquisadores de equinos de universidades federais do Brasil têm se unido para enfrentar o risco de extinção de jumentos no Nordeste. A crise é consequência de uma demanda bilionária da China que compra as peles destes animais para fazer ejiao, um elixir que promete vitalidade, entre outros benefícios para saúde, segundo os preceitos milenares da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os principais pesquisadores de equinos de universidades federais do Brasil têm se unido para enfrentar o risco de extinção de jumentos no Nordeste.</p>



<p>A crise é consequência de uma demanda bilionária da China que compra as peles destes animais para fazer <em>ejiao</em>, um elixir que promete vitalidade, entre outros benefícios para saúde, segundo os preceitos milenares da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).</p>



<p>Entre os estudos desenvolvidos pelos cientistas, se destaca uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que pode gerar até o final de 2026 os primeiros resultados para produzir colágeno de jumento feito em laboratório a partir da fermentação de precisão.</p>



<p>Trata-se de uma técnica avançada de biotecnologia para o cultivo de células e produção de tecidos, também conhecida como agricultura celular.</p>



<p>Os avanços do projeto foram apresentados pela primeira vez no 13º Congresso Mundial de Alternativas e Uso de Animais nas Ciências da Vida (WC13), realizado no Rio de Janeiro no começo de setembro, e podem oferecer uma alternativa ao abate desses animais pelo mundo.</p>



<p>A demanda pelo colágeno produzido a partir da pele do jumento já provocou o risco de desaparecimento desses animais na África, continente de onde são originários, e ameaça a espécie no Brasil, onde, segundo cientistas, houve uma redução de 94% da população de jumentos nas últimas décadas.</p>



<p>Os cientistas tentam salvar a espécie&nbsp;<em>Equus asinus</em>, que chegou ao Brasil em 1534, em uma expedição liderada pelo administrador colonial português Martim Afonso de Souza para a Capitania de São Vicente, tornando-se a maior população desse animal na América do Sul, com uma concentração de 90% no Nordeste.</p>



<p>Nos anos 1990, no entanto, os jumentos começaram a ser substituídos por motos, iniciando um processo de desaparecimento da espécie que piorou muito na última década por conta da demanda pelo&nbsp;<em>ejiao</em>.</p>



<p>Segundo a ONG internacional The Donkey Sanctuary, de 2018 a 2024, pelo menos 248 mil jumentos foram abatidos apenas na Bahia, único Estado com três frigoríficos autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) para realizar esse tipo de atividade.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/9d10/live/16a66760-9d64-11f0-92db-77261a15b9d2.jpg.webp" alt="Fachada do frigorífico Frinordeste em Amargosa na Bahia"/><figcaption class="wp-element-caption">Felix Lima/BBC<br></figcaption></figure>



<p>&#8220;Estamos prestes a ficar sem jumentos no Brasil, e não é um comércio que se defenda, nem do ponto de vista puramente pragmático do comércio&#8221;, diz Carla Molento, doutora em zootecnia e coordenadora do Laboratório de Bem-Estar Animal (Labea) e do Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR.</p>



<p>&#8220;É um beco sem saída, então, seria muito importante que isso fosse parado antes que acabemos com os jumentos, porque só vai parar na hora que acabarmos com eles. Então, não faz sentido.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Ameaça-de-extinção">Ameaça de extinção</h2>



<p>Celebrado na China como um dos tesouros da sua cultura, o aumento da demanda de&nbsp;<em>ejiao</em>&nbsp;tem provocado a diminuição do rebanho não só no Brasil e na Ásia, mas na África, onde o comércio de pele de jumento foi proibido em 2024 com uma moratória de 15 anos para o abate, em uma decisão unânime de 55 chefes de Estado reunidos na Cúpula da União Africana.</p>



<p>Nem o fato de se opor à China, seu maior parceiro comercial, abalou a decisão africana a favor do E<em>quus asinus</em>&nbsp;que esse continente domesticou e espalhou há quase 7 mil anos pelo mundo. Pesou também na decisão dos líderes africanos o custo sociocultural de perder a espécie.</p>



<p>Isso porque o afeto aos jumentos não é apenas nordestino e símbolo cultural do semiárido como sugere a literatura de cordel ou a&nbsp;<em>Apologia ao jumento&nbsp;</em>cantada por Luiz Gonzaga.</p>



<p>Os jumentos ajudaram a&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-64464191">mudar o curso da história humana</a>. Pela história e pelo planeta, carregando crianças, levando água, ajudando na agricultura familiar, os jumentos se tornaram animais de estimação nas culturas de países em desenvolvimento, nos mesmos lugares onde hoje eles vêm sendo perseguidos para a produção de&nbsp;<em>ejiao</em>.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/0332/live/239217c0-9d65-11f0-928c-71dbb8619e94.jpg.webp" alt="Trabalhadores carregam burros com sacos de areia na orla marítima da Cidade Velha de Lamu, no Quênia"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br></figcaption></figure>



<p>No desejo de ajudar a salvar essa espécie, Molento, referência internacional em pesquisas de zootecnia celular, lidera um grupo de cientistas que trabalha com apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Fundação Araucária do Paraná, mas também com uma colaboração entre a UFPR e o departamento de Engenharia de Bioprocessos da Universidade de Wageningen, na Holanda.</p>



<p>O objetivo das pesquisas é oferecer uma alternativa rastreável, segura e sustentável ao mercado chinês, mas principalmente tornar desnecessário o abate, a extinção e o sofrimento de jumentos, vítimas de uma alta demanda e de uma prática extrativista.</p>



<p>&#8220;A grande inovação está na forma de produzirmos o colágeno idêntico ao do jumento, que é codificado pelo DNA do animal e que é então a mesma proteína, mas de uma forma desacoplada da matança do animal que é hoje a única forma de obtenção desse colágeno&#8221;, explica a cientista que tem pós-doutorado em Bem-estar Animal, pelo Instituto ILVO (Bélgica).</p>



<p>A metodologia de produção de colágeno não é nova, mas nunca antes tinha sido estudada em jumentos.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/e8d6/live/ea5397d0-9d65-11f0-b741-177e3e2c2fc7.jpg.webp" alt="Carla Molento, uma mulher de meia idade de cabelos longos grisalhos e óculos, de braços cruzados olhando para a câmera. Ela veste um terno feminino listrado e usa um colar com formato de borboleta"/><figcaption class="wp-element-caption">Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior/Governo do Paraná<br></figcaption></figure>



<p>O processo, explica Molento, insere esse DNA em microorganismos geneticamente programados.</p>



<p>&#8220;Quando esses microorganismos se multiplicam, eles produzem também o colágeno do jumento. E aí a gente purifica, da mesma forma que na produção convencional desse colágeno&#8221;, diz a cientista.</p>



<p>&#8220;Enquanto na produção atual eles precisam pegar uma pele inteira para extrair só o colágeno, na produção por fermentação de precisão, vamos pegar toda aquela biomassa que é produzida dentro do biorreator e purificar só o colágeno&#8221;, acrescenta.</p>



<p>&#8220;A partir daí temos o colágeno do jumento e podemos atender essa demanda crescente. Continuaremos tendo um produto para exportação, mas sem dizimar nossos animais, sem causar crueldade contra eles e também com uma pegada ambiental muito menor&#8221;, diz a pesquisadora.</p>



<p>Embora a situação em que se encontram os jumentos seja urgente, a cientista reconhece que a pesquisa levará um tempo até que a tecnologia esteja pronta para sua industrialização.</p>



<p>As fases do projeto envolvem estudos de escalonamento e de otimização de custo de produção, e por ser feito para o consumo humano, é necessário definir seus processos ideais, além de solicitar aprovação regulatória de agências nacionais e internacionais, especialmente chinesas, considerando o objetivo de exportação a esse país consumidor.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/8942/live/c4ec9770-9d66-11f0-b741-177e3e2c2fc7.jpg.webp" alt="Cientistas trabalhando no Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR"/><figcaption class="wp-element-caption">Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior/Governo do Paraná<br></figcaption></figure>



<p>&#8220;Nós precisaríamos de duas coisas, diante da urgência da situação e do que é a realidade da pesquisa: mais investimento, porque quando você tem mais bolsistas e cientistas trabalhando, produz as respostas mais rápido, e legislação com uma moratória nessa venda de colágeno. É uma coisa difícil, mas é uma pauta relevante, se nós quisermos de fato, tomarmos decisões inteligentes&#8221;, adverte a cientista que com seus colegas também tem atuado na articulação política de defesa da espécie.</p>



<p>No Congresso, há alguns projetos de lei tramitando para proibir o abate de cavalos, equídeos, mulas e jumentos no Brasil, uma prática que hoje é permitida por uma lei de 1984.</p>



<p>Para o&nbsp;<em>ejiao</em>&nbsp;do Paraná sair do papel, o MMA e a Fundação Araucária, têm disponibilizado um total de R$ 500 mil, um valor considerado importante pelos cientistas, mas ainda pouco para imprimir uma maior velocidade ao estudo.</p>



<p>&#8220;O projeto existe muito em função de uma sensibilidade do ministério, que percebeu a seriedade da questão dos jumentos&#8221;, reconhece Molento, que não esconde que precisaria ainda de mais apoio para não ficar apenas no registro da patente e na publicação do estudo, que é o principal objetivo da universidade.</p>



<p>&#8220;Podemos até ter uma&nbsp;<em>startup&nbsp;</em>incubada dentro da própria universidade ou uma iniciativa privada. Temos interesse em apoiar qualquer iniciativa industrial para o desenvolvimento dessa produção em escala comercial&#8221;, oferece a pesquisadora.</p>



<p>Um estudo publicado em 2021 pela The Donkey Sanctuary, sobre<em>&nbsp;ejiao&nbsp;</em>e agricultura celular mostra que um produto como o que está sendo desenvolvido no Brasil teria grandes possibilidades de ser vendido no gigantesco mercado chinês.</p>



<p>O documento cita uma pesquisa da empresa britânica YouGov, realizada online em 2020, que mostra que 58% dos consumidores chineses de&nbsp;<em>ejiao</em>&nbsp;comprariam produtos feitos com agricultura celular se estivessem disponíveis a um preço acessível.</p>



<p>Segundo a consultoria empresarial e financeira Newsijie, com sede em Pequim, o tamanho do mercado da indústria de&nbsp;<em>ejiao</em>&nbsp;ultrapassou os 58 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 8 bilhões ou R$ 42 bilhões.</p>



<p>Segundo a ONG britânica, isso representa uma indústria que consome cerca de 5,9 milhões de peles de jumentos por ano para produzir&nbsp;<em>ejiao</em>.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/93bf/live/94fbaf00-9d67-11f0-92db-77261a15b9d2.jpg.webp" alt="Ejiao, medicina tradicional chinesa feita com gelatina de pele de jumento"/><figcaption class="wp-element-caption">The Donkey Sanctuary<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Outras-frentes-de-pesquisa">Outras frentes de pesquisa</h2>



<p>A união dos cientistas começou a partir de uma tragédia em fevereiro de 2019, quando uma denúncia anônima levou à descoberta que 200 jumentos tinham morrido de fome em uma fazenda de Canudos, a 372 km de Salvador.</p>



<p>Além deles, outros 800 caminhavam para o mesmo fim enquanto esperavam o abate para serem exportados para a China. O caso levou a outros similares, como em Itapetininga, também na Bahia, onde se soube que meses antes outras centenas de jumentos tinham morrido de fome e sede.</p>



<p>&#8220;Foi por causa de tudo, mas foi esse episódio [de Canudos] que realmente uniu as universidades federais do Brasil&#8221;, conta o professor Pierre Barnabé Escodro, pesquisador de Medicina Veterinária, Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).</p>



<p>Segundo o cientista, as soluções de curto, médio e longo prazo para salvar os jumentos, não são apenas tecnológicas, mas um conjunto de medidas com perspectivas de impacto socioeconômico, ecológico e de biossegurança em busca e do bem-estar animal da espécie, além de buscar o reconhecimento dos jumentos como patrimônio histórico e cultural do país.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/6703/live/0f421a90-9d6a-11f0-928c-71dbb8619e94.jpg.webp" alt="Jumentos resgatados e adotados recebendo cuidados no Grupequi"/><figcaption class="wp-element-caption">Divulgação/Grupequi<br></figcaption></figure>



<p>O professor alagoano também coordena o Grupo de Pesquisa em Equídeos e Saúde Integrativa (Grupequi), uma organização que reúne cientistas das áreas de agronomia, biologia, ciências sociais, economia, medicina veterinária e zootecnia.</p>



<p>Os pesquisadores recomendam, além da suspensão do abate, um censo fidedigno da população de jumentos para passar a cuidar deles inclusive em termos demográficos e evitar uma nova explosão da espécie que a torne invasora no futuro.</p>



<p>&#8220;Nosso trabalho é também estudar este ecótipo, fazer um melhoramento genético associado à raça nordestina, para ter um controle populacional que não traga de volta a justificativa de capturá-los para o abate por demandas como a da China&#8221;, diz Escodro.</p>



<p>Os cientistas trabalham em quatro frentes de pesquisa, sendo a principal delas o apoio à produção do colágeno de laboratório no Paraná.</p>



<p>As outras três frentes buscam a reinserção dos jumentos na rotina do interior do Nordeste como patrimônio cultural e genético e na agricultura familiar; como uma espécie que pode ajudar na terapia assistida de crianças, como já acontece com os cavalos; e na criação de bioprodutos que podem vir a partir dela, como estudos de leite de jumenta que vem sendo realizados na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, ou no desenvolvimento de vacinas.</p>



<p>Escodro reconhece que alguns desses pontos encontram resistência de organizações protetoras de animais, mas defende a busca de alternativas para reintroduzir os jumentos em uma cadeia produtiva para evitar o que vem acontecendo na realidade do consumo extrativista, que é a mais cruel.</p>



<p>&#8220;Se a cadeia de carne não é produtiva, a gente precisa achar atividades, aptidões para esse jumento para que realmente ele seja reintroduzido de uma maneira ética sem maus tratos, mas reintroduzi-lo para ajudar a sociedade, como sempre fez, abrindo os recantos do Nordeste&#8221;, diz o pesquisador.</p>



<p>Um dos motivos que impedem a produção intensiva da espécie — como acontece com o gado — é o tempo de gestação dos jumentos, que dura de 11 a 12 meses. O animal pode levar até três anos para estar apto para o abate.</p>



<p>Para Patrícia Tatemoto, doutora em medicina veterinária que integra a rede de cientistas e é porta-voz da The Donkey Sanctuary no Brasil, a preservação dos jumentos é uma questão de justiça social.</p>



<p>&#8220;O Brasil precisa ser solidário à União Africana, que já busca banir essa atividade extrativista e proteger as pessoas invisibilizadas que ainda dependem desses animais&#8221;, diz.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/3b0b/live/e6d55440-9d6a-11f0-92db-77261a15b9d2.jpg.webp" alt="Um homem transporta peles de jumento num matadouro do Quênia, enquanto diversas outras podem ser vistas no chão"/><figcaption class="wp-element-caption">The Donkey Sanctuary<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Um-conto-chinês-na-Bahia">Um conto chinês na Bahia</h2>



<p>Outro alerta importante dos cientistas brasileiros é que o&nbsp;<em>ejiao</em>&nbsp;só dá dinheiro para indústria chinesa e não tem trazido nenhum retorno financeiro importante para os municípios do Nordeste.</p>



<p>&#8220;Não é um bom negócio, alguns municípios tentam justificar no sentido de geração de emprego, mas não gera tanto emprego assim, se você pensar que mais ou menos 100 pessoas estariam sendo empregadas&#8221;, diz o engenheiro agrônomo Roberto Arruda Souza Lima, professor doutor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), que estuda a produção de carne de jumento há 20 anos e é especialista em economia monetária no agronegócio e em equideocultura.</p>



<p>&#8220;Não é uma criação que vai mudar a história da cidade. Em termos de arrecadação de imposto, também não é o principal fator para a sustentação do município. É lógico que tem uma contribuição, mas não é o suficiente para você justificar todos os problemas que existem com relação ao bem-estar, a transferência de renda do Brasil para o exterior, porque a margem de lucro fica na indústria chinesa e não no frigorífico aqui no Brasil. É como se você estivesse passando recursos brasileiros para a China&#8221;, explica o pesquisador.</p>



<p>&#8220;Nós não temos uma cadeia produtiva desses jumentos, não temos uma criação. Temos na verdade o extrativismo internacional em relação a essa pele para abate&#8221;, explica o professor Barnabé Escodro.</p>



<p>As declarações dos cientistas contradizem os argumentos levantados nos acordos entre políticos e empresários chineses e brasileiros.</p>



<p>A demanda chinesa por jumentos chegou aos abatedouros do Brasil, a partir de 2015, quando a então ministra de agricultura Kátia Abreu, comentou em tom de piada no seu Twitter que tinha recebido na China um pedido de exportação para atender uma demanda de 1 milhão de jumentos por ano.</p>



<p>&#8220;Morro e não vejo tudo&#8221;, disse Abreu na época.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/683f/live/f237b010-9d6c-11f0-b741-177e3e2c2fc7.png.webp" alt="Tuítes da então ministra de agricultura Kátia Abreu, em 2015, em que ela comenta a demanda chinesa por jumentos para exportação"/><figcaption class="wp-element-caption">Reprodução/Twitter<br></figcaption></figure>



<p>Mais recentemente políticos do interior da Bahia começaram a ostentar acordos internacionais com o governo chinês.</p>



<p>Releases da prefeitura de Amargosa, sede de três abatedouros de jumentos, registraram as viagens de suas lideranças a Shandong e Xangai comemorando acordos que seriam símbolos de uma &#8220;revolução econômica&#8221; e de um &#8220;desenvolvimento tecnológico&#8221;.</p>



<p>Em 2023, a imprensa do interior da Bahia registrou a assinatura de um protocolo de intenções entre o então prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT), e Wang Yantao, vice-presidente da Deej World.</p>



<p>No comunicado distribuído pela prefeitura, a corporação é descrita como uma &#8220;empresa da área de alimentos do Estado de Shandong&#8221;.</p>



<p>Segundo essas notícias, Amargosa receberia &#8220;tecnologia e apoio técnico na pecuária, para o melhoramento genético do rebanho, e no agronegócio da região, visando aumentar a produção e geração de empregos no município&#8221;.</p>



<p>Em nenhum momento, as divulgações da prefeitura mencionaram que os jumentos baianos fariam parte dessa negociação.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/ceb6/live/5c7ad590-9d6f-11f0-ad93-736e0674b289.jpg.webp" alt="Júlio Pinheiro, prefeito de Amargosa, na Bahia, em viagem à China em 2023, para assinatura de um protocolo de intenções com a Deej World"/><figcaption class="wp-element-caption">Divulgação/Prefeitura de Amargosa<br></figcaption></figure>



<p>A Deej World é parte da DEEJ, iniciais da Dong&#8217;e Ejiao Corporation Limited, a maior produtora de ejiao da China. A DEEJ é controlada pelo conglomerado estatal China Resources Pharmaceutical, que tem 93,64% da sua produção dedicada ao ejiao, segundo informa o site da Bolsa de Shenzhen, onde está listada.</p>



<p>O site da bolsa chinesa também diz que em 2024 a DEEJ registrou receita anual de 5,92 bilhões de yuans (cerca de R$ 4,43 bilhões) e um lucro líquido de 1,56 bilhão de yuans (R$ 1,18 bilhão), com avanço de dois dígitos ano a ano, um crescimento que tem sacrificado os jumentos globalmente.</p>



<p>No começo de setembro, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) considerou inconstitucional esse memorando de cooperação e suspendeu os planos da companhia chinesa Shandong Dong&#8217;e Black Donkey Husbandry Technology Co., Ltd. — controlada pela DEEJ —, de instalar um complexo de &#8220;melhoramento genético de jumentos&#8221; em Amargosa, por considerar que o acordo tentava implantar no Brasil uma estrutura de exploração em massa de jumentos para a produção do&nbsp;<em>ejiao</em>.</p>



<p>A prefeitura de Amargosa não respondeu a um pedido de entrevista para comentar a decisão do MP. Em 2021, falando à BBC News Brasil, o então prefeito Júlio Pinheiro disse que o setor era o terceiro maior empregador de Amargosa, atrás só da própria prefeitura e de uma fábrica de sapatos.</p>



<p>Amargosa é a sede do abatedouro Frinordeste (Nordeste Pecuária, Indústria e Comércio Ltda.) o maior fornecedor brasileiro de peles de jumento para a China, habilitado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF).</p>



<p>Em julho, o MP já havia dado um parecer negativo informando que o acordo tinha potencial de causar impactos ambientais e apontou lacunas em relação ao marco legal brasileiro, ao omitir a necessidade de licenciamento ambiental, a fiscalização por órgãos estaduais e aprovação de eventuais técnicas de melhoramento genético pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).</p>



<p>&#8220;O protocolo prevê genericamente quais seriam essas tecnologias sem cumprir as normas da Resolução Normativa 16/2018, que exige a submissão prévia à CTNBio para a avaliação de riscos&#8221;, avaliou uma bióloga do MP.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/bccb/live/adb32e90-9d6e-11f0-b741-177e3e2c2fc7.jpg.webp" alt="Vista aérea da cidade de Amargosa, na Bahia"/><figcaption class="wp-element-caption">Felix Lima/BBC<br></figcaption></figure>



<p>O abandono destes animais e a sua perseguição, explica Barnabé, tem criado outros problemas graves com riscos sanitários identificados no abate, como casos de mormo em humanos, uma doença infecciosa que causa pneumonia, dores musculares e pode levar à morte.</p>



<p>Os casos foram registrados em uma nota técnica da Agência de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia, realizada depois do caso de Canudos, e em publicações científicas.</p>



<p>A coleta extrativista e o transporte irregular de jumentos pelo Nordeste, com principal destino para os abatedouros de Amargosa, tem acarretado outros problemas como a constatação de casos de trabalho infantil e análogo a escravidão denunciados pelo MP da Bahia.</p>



<p>&#8220;Temos o trabalho de evitar extinção, mas também de fazer uma força tarefa para entender esse jumento naquele ecossistema no Nordeste&#8221;, diz Barnabé Escodro sobre o esforço da rede de cientistas.</p>



<p>Fonte: BBC Brasil / Foto: AFP</p>



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<p><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/a-invencao-brasileira-que-promete-salvar-os-jumentos-da-extincao-no-nordeste/">A invenção brasileira que promete salvar os jumentos da extinção no Nordeste</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Os milhões de jumentos mortos todos os anos para produzir remédio tradicional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2024 19:15:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para ganhar a vida vendendo água, Steve dependia completamente de seus&#160;jumentos.&#160;Eram eles que puxavam a carroça carregada com 20 galões para dividir entre seus clientes. Quando os jumentos de Steve foram roubados por causa de suas peles, ele ficou sem ter como trabalhar. Aquele dia tinha começado como a maioria dos outros. De manhã, Steve [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/os-milhoes-de-jumentos-mortos-todos-os-anos-para-produzir-remedio-tradicional/">Os milhões de jumentos mortos todos os anos para produzir remédio tradicional</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Victoria Gill e Kate Stephens</strong></li>



<li>Role,<strong>Ciência, BBC News</strong></li>



<li>21 fevereiro 2024, 12:33 -03Atualizado Há 1 hora</li>
</ul>



<p>Para ganhar a vida vendendo água, Steve dependia completamente de seus&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-39791949">jumentos.</a>&nbsp;Eram eles que puxavam a carroça carregada com 20 galões para dividir entre seus clientes.</p>



<p>Quando os jumentos de Steve foram roubados por causa de suas peles, ele ficou sem ter como trabalhar.</p>



<p>Aquele dia tinha começado como a maioria dos outros. De manhã, Steve deixou sua casa nos arredores de Nairóbi e e foi para o campo buscar seus animais.</p>



<p>&#8220;Eu não conseguia vê-los&#8221;, lembra. &#8220;Eu procurei o dia todo, a noite toda e no dia seguinte.&#8221; Três dias depois ele recebeu a ligação de um amigo dizendo que havia encontrado os esqueletos dos animais. &#8220;Eles foram mortos, massacrados, a pele deles não estava lá.&#8221;</p>



<p>Casos como esse, de roubo de jumentos, têm se tornado cada vez mais comuns em diversas partes da <a href="https://www.bbc.com/portuguese/topics/c8y94yx9p2qt">África</a>, mas também em outras partes do mundo com grandes populações desses animais.</p>



<p>Steve e seus jumentos são um de muitos casos em um controverso comércio global de pele dos animais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/3ce8/live/00231080-ccbc-11ee-b83b-0f87a864f372.jpg" alt="Um homem transporta peles de jumento num matadouro do Quênia, enquanto diversas outras podem ser vistas no chão"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,União Africana aprovou uma proposta de proibição sem prazo definido do abate e a comercialização das peles dos animais</figcaption></figure>



<p>As origens desse mercado estão a milhares de quilômetros do Quênia. Mais precisamente na China, onde há alta demanda por um remédio medicinal tradicional feito com a gelatina de pele de jumento.</p>



<p>Chama-se ejiao e acredita-se que tenha propriedades que melhoram a saúde e preservem a juventude. As peles são fervidas para extrair a gelatina, que é transformada em pó, pílulas ou líquido, ou é adicionada aos alimentos.</p>



<p>Ativistas contra o comércio dizem que pessoas como Steve, e os jumentos dos quais dependem, são vítimas de uma demanda insustentável pelo ingrediente tradicional do ejiao.</p>



<p>Em um novo estudo, a organização The Donkey Sacntuary, que faz campanha contra o comércio desde 2017, estima que globalmente pelo menos 5,9 milhões de jumentos são abatidos todos os anos para abastecê-lo.</p>



<p>E a instituição de caridade diz que a demanda está crescendo, embora a BBC não tenha sido capaz de verificar esses números de forma independente.</p>



<p>É muito difícil obter o número exato de jumentos mortos para abastecer a indústria de ejiao.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/edc6/live/5aa2f110-ccbc-11ee-b83b-0f87a864f372.jpg" alt="Ejiao, medicina tradicional chinesa feita com gelatina de pele de jumento"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,O ejiao é um remédio tradicional vendido em pó, pílulas ou líquido</figcaption></figure>



<p>Na África, onde vivem cerca de dois terços dos 53 milhões de jumentos do mundo, os países têm leis diferentes: a exportação de peles desses animais é legal em alguns e ilegal em outros.</p>



<p>No último domingo (18/2), a União Africana aprovou uma proposta de proibição sem prazo definido do abate e a comercialização das peles dos animais em toda a África.</p>



<p>Mas a alta demanda somada aos altos preços pagos pelas peles alimentam o roubo de animais, e a Donkey Sanctuary diz ter descoberto animais sendo transportados para locais onde o comércio é permitido.</p>



<p>No entanto, em breve poderá haver um ponto de virada, com os governos dos Estados africanos e do Brasil discutindo a proibição do abate e a exportação de jumentos em resposta à diminuição das populações.</p>



<p>&#8220;Entre 2016 e 2019, estimamos que cerca de metade dos jumentos do Quênia foram abatidos (para abastecer o comércio de pele),&#8221; diz Solomon Onyango, que trabalha para Donkey Sanctuary, de Nairóbi.</p>



<p>Estes são os mesmos animais que transportam pessoas, bens, água e alimentos, e são espinha dorsal de comunidades rurais pobres. Portanto, a escala e o rápido crescimento do comércio de pele alarmaram ativistas e especialistas e levaram muitas pessoas a participar de manifestações contra o comércio de pele no Quênia.</p>



<p>No Brasil, um imbróglio jurídico permite que os abates continuem ocorrendo no Estado da Bahia, onde três frigoríficos atuam no setor.</p>



<p>Após uma série de ações pedindo a proibição, uma decisão de 2021 do Tribunal Regional Federal da 1ª região (TRF-1) manteve a atividade.&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-60267352">Mas um ano depois, o mesmo tribunal proibiu os abates em todo o país</a>, sob o argumento de risco sanitário e à sobrevivência da espécie no Nordeste.</p>



<p>Os frigoríficos e o governo da Bahia argumentam que a primeira decisão é a que vale – ou seja, o setor pode continuar operando. Já ONGs e entidades de defesa do direitos dos animais discordam e dizem que a segunda decisão do TRF deve ser seguida. A Justiça ainda deve se manifestar sobre o caso.</p>



<p>A Câmara dos Deputados também discute a questão e, em novembro de 2023, aprovou projeto que proíbe o abate de jumentos, jegues e cavalos para o comércio de carne, pele e outras partes. Ele ainda precisa precisar ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/a4d9/live/96025fc0-ccbc-11ee-b83b-0f87a864f372.jpg" alt="Uma família com seu jumento na aldeia de Manda, no Quênia"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Quando um animal é roubado, as mulheres e as meninas acabam tendo que compensar a falta do animal</figcaption></figure>



<p>Steve espera que uma possível proibição em toda a África ajude a proteger os animais, &#8220;ou a próxima geração não terá jumentos&#8221;.</p>



<p>Mas as proibições em toda a África e no Brasil não poderiam acabar somente mudando o comércio para outro lugar?</p>



<p>Os produtores de ejiao costumavam usar peles de jumentos provenientes da China. Mas, de acordo com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês, o número de jumentos no país despencou de 11 milhões em 1990 para pouco menos de 2 milhões em 2021.</p>



<p>Ao mesmo tempo, o ejiao passou de um produto de nicho de luxo para um item popular e amplamente disponível.</p>



<p>E as empresas chinesas foram buscar seus suprimentos de pele no exterior. Matadouros de jumentos foram estabelecidos em partes da África, América do Sul e Ásia.</p>



<p>Na África, isso levou a um cabo de guerra sombrio sobre o comércio.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/f18f/live/e0ee36d0-ccbc-11ee-a734-b5c4e6ed1081.jpg" alt="Jumentos trabalham em uma pedreira no Quênia"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Jumentos puxam carroça em uma pedreira</figcaption></figure>



<p>Na Etiópia, onde o consumo de carne de jumento é tabu, um dos dois matadouros do país foi fechado em 2017 em resposta a protestos públicos e nas redes sociais.</p>



<p>Países como Tanzânia e Costa do Marfim proibiram o abate e a exportação de peles de jumentos em 2022, mas o vizinho da China, o Paquistão, abraça o comércio. No final do ano passado, matérias na imprensa alardearam a primeira &#8220;fazenda oficial de criação de jumentos&#8221; do país para criar &#8220;algumas das melhores raças&#8221;.</p>



<p>E trata-se de um grande negócio. De acordo com a professora Lauren Johnston, da Universidade de Sydney, estudiosa das relações China-África, o mercado de ejiao na China aumentou de cerca de US$ 3,2 bilhões em 2013 para cerca de US$ 7,8 bilhões em 2020.</p>



<p>Virou uma preocupação para autoridades de saúde pública, ativistas de bem-estar animal e até mesmo investigadores de crimes internacionais.</p>



<p>A pesquisa revelou ainda que os carregamentos de peles de jumentos são usados para traficar outros produtos ilegais da vida selvagem. E há a preocupacão de que proibições nacionais ao comércio&nbsp;acabem empurrando-o ainda mais para a clandestinidade.</p>



<p>Para os líderes dos países afetados, há uma questão fundamental: os jumentos valem mais para uma economia em desenvolvimento mortos ou vivos?</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/a90f/live/20197a90-ccbd-11ee-a734-b5c4e6ed1081.jpg" alt="Jumentos em um cercado num matadouro no Quênia"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Ativistas consideram o comércio de peles desumano e insustentável</figcaption></figure>



<p>&#8220;A maioria das pessoas na minha comunidade é agricultor de pequeno porte e usa os jumentos para vender produtos&#8221;, diz Steve. Ele estava economizando dinheiro vendendo água para pagar a mensalidade para estudar Medicina.</p>



<p>Faith Burden, veterinária e vice-executiva chefe da Donkey Sanctuary, diz que os animais são &#8220;absolutamente intrínsecos&#8221; à vida rural em muitas partes do mundo. São animais fortes e adaptáveis. &#8220;Um jumento pode ficar por 24 horas sem beber água e se reidratar muito rapidamente, sem problemas.&#8221;</p>



<p>Mas, apesar de todas as suas qualidades, os jumentos não se reproduzem fácil ou rapidamente. Portanto, os ativistas temem que, se o comércio não for reduzido, as populações continuarão a encolher, privando pessoas mais pobres de uma tábua de salvação e também de uma companhia.</p>



<p>&#8220;Não criamos nossos jumentos para o abate em massa,&#8221; explica Onyango.</p>



<p>A professora Lauren Johnston relembra que os jumentos &#8220;carregaram os pobres&#8221; por milênios. &#8220;Eles carregam crianças, mulheres. Eles carregaram Maria quando ela estava grávida de Jesus&#8221;, diz.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/0caa/live/7a1732d0-ccbd-11ee-a734-b5c4e6ed1081.jpg" alt="Um menino com um jumento"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Alguns temem que, se o comércio não for interrompido, a próxima geração não terá acesso aos animais</figcaption></figure>



<p>Mulheres e meninas, acrescenta ela, carregam o peso da perda quando um animal é levado. &#8220;Uma vez que o jumento se vai, as mulheres basicamente tornam-se o jumento novamente&#8221;, explica ela. E há uma amarga ironia nisso, porque o ejiao é comercializado principalmente para as mulheres chinesas mais ricas.</p>



<p>É um remédio que tem milhares de anos e que se acredita ter inúmeros benefícios, desde o fortalecimento do sangue até ajudar no sono e aumentar a fertilidade.</p>



<p>Mas foi um programa de TV chinês de 2011 chamado&nbsp;<em>Imperatrizes no Palácio</em>&nbsp;&#8211; um conto fictício de uma corte imperial &#8211; que elevou as buscas pelo remédio.</p>



<p>&#8220;Foi um&nbsp;<em>product placement</em>&nbsp;inteligente&#8221;, explica a professora Lauren. &#8220;As mulheres do programa consumiam ejiao todos os dias para se manterem bonitas e saudáveis &#8211; para pele e fertilidade. Virou um produto de feminilidade da elite. Ironicamente, isso agora está destruindo a vida de muitas mulheres africanas.&#8221;</p>



<p>Steve, que tem 24 anos, está preocupado em ter perdido, junto com seus jumentos, o controle sobre sua vida e meios de subsistência. &#8220;Estou preso agora&#8221;, diz ele.</p>



<p>Trabalhando com uma instituição de caridade local de bem-estar animal em Nairóbi, a instituição Brooke atua para encontrar jumentos para jovens como Steve, que precisam deles para acessar trabalho e educação.</p>



<p>Janneke Merkx, da Donkey Sanctuary, diz que quanto mais países criarem legislação para proteger seus jumentos, &#8220;mais difícil será&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/f770/live/dcc0eb60-ccbd-11ee-b83b-0f87a864f372.jpg" alt="Janneke Merkx com um dos jumentos do santuário de Devon"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Janneke Merkx com um dos jumentos do santuário de Devon</figcaption></figure>



<p>&#8220;O que gostaríamos de ver é as empresas de ejiao pararem de importar peles de jumento e invistirem em alternativas sustentáveis &#8211; como a agricultura celular (produzindo colágeno em laboratórios). Já existem maneiras seguras e eficazes de fazer isso.&#8221;</p>



<p>Faith, da Donkey Sanctuary, chama o comércio de pele de jumento de &#8220;insustentável e desumano&#8221;.</p>



<p>&#8220;Eles estão sendo roubados, potencialmente caminham centenas de quilômetros, são mantidos em um curral lotado e depois massacrados na frente dos outros jumentos&#8221;, diz ela. &#8220;Eles precisam que a gente denuncie isso.&#8221;</p>



<p>A Brooke deu a Steve um novo jumento, uma fêmea, que ele batizou de Joy Lucky.</p>



<p>&#8220;Eu sei que ela vai me ajudar a alcançar meus sonhos&#8221;, diz ele. &#8220;E eu vou garantir que ela esteja protegida.&#8221;</p>



<p>Fonte: BBC / THE DONKEY SANCTUARYLegenda da foto,Os jumentos são considerados parte essencial da vida de muitas comunidades rurais pelo mundo</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Exercícios físicos e os pontos positivos na rotina diária" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/lpyYdUUHKy0?start=9&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Abate de jumentos na Bahia pode aumentar para abastecimento de mercado de remédios na China</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Araujo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Oct 2023 18:18:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Abate]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Jumentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atividade foi suspensa no Brasil em 2022 por determinação da Justiça Federal; espécie corre risco de extinção O prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT), anunciou na última semana a assinatura de um protocolo de intenções para ampliar o abate de jumentos na região. O compromisso foi firmado durante visita do gestor à companhia alimentícia Deej World, na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Atividade foi suspensa no Brasil em 2022 por determinação da Justiça Federal; espécie corre risco de extinção</em></p>



<p>O prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT), anunciou na última semana a assinatura de um protocolo de intenções para ampliar o abate de jumentos na região.</p>



<p>O compromisso foi firmado durante visita do gestor à companhia alimentícia Deej World, na China. A parceria acontece devido a produção de um remédio chinês feito a partir do couro de jumentos, através da extração do ejiao, uma substância de consistência gelatinosa à base de colágeno.</p>



<p>Com propriedades medicinais, o ejiao é usado tradicionalmente como medicamento ou tônico no país asiático há séculos. Apesar de não ter comprovação científica, o produto se popularizou na China como uma espécie de elixir milagroso para tratamento de anemias, cólicas e menstruação desregulada, impotência sexual, entre outros problemas de saúde.&nbsp;</p>



<p>Amargosa sedia o principal frigorífico de abate desses animais no Brasil. Em 2022 a Justiça Federal suspendeu o abate de jumentos no Brasil, mas a prática continuou sendo praticada na Bahia, como maneira de exportação à China. No mesmo ano, o Ministério Público da Bahia ajuizou uma ação civil pública contra a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia (Adab) para fortalecer a fiscalização nas propriedades criadoras e que recebem jumentos no estado.</p>



<p>Segundo o Ministério da Agricultura, de 2019 até 2021, o volume de abates de equídeos no Brasil cresceu em 200% e esse percentual é ainda maior se comparado os períodos de 2010 a 2014 com 2015 a 2019, onde o crescimento registrado foi de 8.000%. No ano de 2021, especialistas da Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo (Usp) emitiram um alerta de risco de extinção da espécie.</p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4f2.png" alt="📲" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />  <strong><a href="https://whatsapp.com/channel/0029Va7POUB9sBI88RkOb31T">Clique aqui e participe do Canal do Ipirá City no WhatsApp</a></strong></p>



<p>Fonte: <strong>Metro1</strong></p>



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<iframe title="Rumo as quartas de final" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/5m99KA0wYlc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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