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		<title>Brasil é líder em processos de passageiros contra aéreas, dizem entidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Jul 2023 00:10:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sexta-Feira, 14/07/2023 &#8211; 20h40 Por Rafael Balago &#124; Folhapress O aumento de processos movidos por passageiros brasileiros preocupa as empresas aéreas. Entidades do setor apontam o Brasil como líder em ações judiciais no mundo, e dizem que a questão encarece as passagens e trava a entrada de novas empresas no mercado brasileiro. O gasto das empresas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta-Feira, 14/07/2023 &#8211; 20h40</p>



<p>Por Rafael Balago | Folhapress</p>



<p>O aumento de processos movidos por passageiros brasileiros preocupa as empresas aéreas. Entidades do setor apontam o Brasil como líder em ações judiciais no mundo, e dizem que a questão encarece as passagens e trava a entrada de novas empresas no mercado brasileiro. O gasto das empresas com as reclamações está perto de R$ 1 bilhão por ano.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;O Brasil continua a ser o maior país do mundo em número de processos legais contra o setor [aéreo], de passageiros registrando queixas, do que qualquer outro país no mundo&#8221;, diz Peter Cerdá, diretor para as Américas da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo).<br>&nbsp;</p>



<p>Segundo a Alta (Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo), há cerca de 80 milhões de processos judiciais em tramitação contra as aéreas no Brasil.<br>&nbsp;</p>



<p>A ampla maioria destes processos é aberta por passageiros, que reclamam de problemas como alterações, atrasos e cancelamentos de voos, extravio de bagagens e cobrança indevida de taxas.<br>&nbsp;</p>



<p>De acordo com dados da Alta, de cada 100 voos no Brasil, 8 geram processo. Nos EUA, o índice é de 0,01 processo a cada 100 voos.<br>&nbsp;</p>



<p>Os processos também vem pesando mais no caixa das empresas. Em 2017, os gastos com condenações judiciais relacionadas aos serviços prestados pelas aéreas brasileiras foi de R$ 280 milhões, ou 0,8% dos custos totais, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil. Em 2021, foram R$ 490 milhões, ou 1,4% das despesas.<br>&nbsp;</p>



<p>Além disso, há gastos com indenizações extrajudiciais e assistência a passageiros. A Alta estima que o custo total relacionado às queixas dos viajantes deve ter ficado em torno de R$ 1 bilhão em 2022. A Anac ainda não divulgou os dados consolidados do ano passado.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Hoje temos várias empresas &#8216;low fare&#8217; [baixo custo] voando de e para o Brasil, mas não dentro do Brasil, por insegurança jurídica, causada pelo excesso de demandas judiciais e também porque muitas vezes o Congresso Nacional tenta reverter normas votadas pelo órgão regulador [Anac], afirma José Ricardo Botelho, diretor-executivo da Alta.<br>&nbsp;</p>



<p>Como exemplo, ele cita o caso da Flybondi. &#8220;Em pouco tempo voando aqui, ela passou a ter mais ações contra ela do que em três anos voando na Argentina&#8221;, exemplifica Botelho. &#8220;É a judicialização mais agressiva do planeta Terra. Isso impõe um custo operacional para a empresa muito grande.&#8221;<br>&nbsp;</p>



<p>Em dezembro de 2022, a Alta firmou um convênio com a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) para pesquisar as razões da alta quantidade de processos e possíveis soluções para o gargalo.<br>&nbsp;</p>



<p>As empresas reclamam que, muitas vezes, os juízes ampliam as punições e compensações previstas nas regras da Anac [veja como elas funcionam ao final do texto], para incluir indenizações por dano moral, por exemplo, o que eleva o valor das causas.<br>&nbsp;</p>



<p>As empresas também pedem padronização entre as decisões: para uma mesma situação, um passageiro pode receber uma indenização muito alta, enquanto outro tem o pedido negado. A questão, no entanto, só deverá ser pacificada quando o tema chegar a tribunais superiores, que poderão definir jurisprudência.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;É difícil fixar parâmetros de dano moral. Se a pessoa tem a passagem cancelada e perde um casamento, vai gerar um dano porque ela vai perder um evento único na vida. É diferente de quem estava viajando a passeio e não tinha nenhum compromisso&#8221;, comenta Igor Marchetti, advogado do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).<br>&nbsp;</p>



<p>Marchetti concorda que a variação ampla de decisões gera insegurança jurídica e dúvidas entre os consumidores, e que deveria haver mais isonomia. Ele questiona, no entanto, a postura das empresas aéreas de criticar a busca dos passageiros por reparação.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Todos os fornecedores e prestadores de serviço seguem as leis do Brasil, que incluem dano moral, e ninguém fala que as atividades ficam inviáveis. Me parece um discurso um pouco exagerado. Em 2016, tivemos mudanças [nas regras da Anac] que mitigaram direitos do consumidor, como a franquia de bagagem, mas o preço das passagens não diminuiu&#8221;, critica.<br>&nbsp;</p>



<p>Henrique Lian, diretor de Relações Institucionais da Proteste, sugere que as aéreas precisam deixar suas regras mais claras. &#8220;Cada bilhete traz um conjunto de regras diferentes em temas como remarcação. Algumas companhias explicam isso melhor do que outras&#8221;, pondera.<br>&nbsp;</p>



<p>O Idec e a Proteste recomendam aos consumidores que tentem resolver as questões primeiro diretamente com as empresas, depois em espaços de mediação, como o site consumidor.gov.br, do Ministério da Justiça, e que só procurem abrir uma ação depois de esgotar outras possibilidades.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Os processos têm duração média de um ano e meio, e são desgastantes do ponto vista emocional e financeiro. É preciso preparar documentação, ir mais de uma vez até o juizado, para ter uma indenização que poderia ter tido por vias amigáveis&#8221;, comenta Lian.<br>&nbsp;</p>



<p>Outro ponto que tem ampliado o volume de ações na Justiça contra o setir é o avanço de startups e escritórios especializados em processos relacionados a problemas com voos, que entram na Justiça em nome do passageiro e prometem indenizações sem esforço.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Temos visto algumas &#8216;lawtechs&#8217; e aplicativos que captam clientes de companhias aéreas que tiveram algum problema, exercendo uma espécie advocacia um tanto predatória, porque não favorece os acordos e a mediação&#8221;, diz Lian, da Proteste.<br>&nbsp;</p>



<p>Uma das startups, a Resolvii, diz já ter indenizado 10 mil clientes e obtido R$ 50 milhões em vitórias judiciais. A indenização média é de R$ 5.000 por pessoa, segundo o site da empresa. Em caso de vitória, a empresa fica com 35% do valor obtido.</p>



<p>PROBLEMAS QUE COSTUMAM GERAR PROCESSOS<br>&nbsp;</p>



<p>Atrasos e cancelamentos de voos<br>&nbsp;</p>



<p>Perda de bagagem<br>&nbsp;</p>



<p>Falta de apoio da companhia aérea em caso de problemas</p>



<p>QUAIS SÃO OS DIREITOS DO VIAJANTE AÉREO NO BRASIL?<br>&nbsp;</p>



<p>Atrasos e cancelamentos<br>&nbsp;</p>



<p>Ser informado pela empresa sobre mudanças no voo, por razões programadas, até 72 horas antes da partida.<br>&nbsp;</p>



<p>Caso o voo atrase mais de duas horas, o passageiro tem direito a voucher de alimentação<br>&nbsp;</p>



<p>Se o atraso passar de quatro horas ou o voo for cancelado, a empresa deve oferecer acomodação para pernoite (se necessário), reembolso integral ou oferta de transporte por outra forma, de acordo com a escolha do passageiro.</p>



<p>Bagagens<br>&nbsp;</p>



<p>Cada passageiro pode levar bagagem de mão de até 10 kg, mas o peso e o conteúdo podem ser reduzidos se houver falta de capacidade na aeronave.<br>&nbsp;</p>



<p>Caso haja extravio de bagagem, a empresa tem até sete dias para devolvê-la ou indenizar o passageiro. Em voos internacionais, o prazo é de 21 dias.</p>



<p>O QUE O PASSAGEIRO PODE FAZER EM CASO DE PROBLEMAS?<br>&nbsp;</p>



<p>1. Buscar resolver diretamente com a companhia aérea, por telefone, atendimento presencial, email ou mensagens. É importante guardar registros dos contatos, como protocolos, que servem como prova.</p>



<p>2. Caso não haja solução, o passo seguinte é fazer queixas em canais de mediação e entidades como Anac, Procon e o site consumidor.gov.br, do Ministério da Justiça.</p>



<p>3. Se o impasse persistir, pode-se entrar com processo judicial, geralmente no Juizado Especial Cível. É comum que haja uma audiência de conciliação, na qual as empresas oferecem um acordo. Se o consumidor não aceitar, o caso é decidido por um juiz, que determinará se a empresa aérea deve ou não indenizar o passageiro.</p>



<p>Fontes: Anac, Idec e Proteste</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/brasil-e-lider-em-processos-de-passageiros-contra-aereas-dizem-entidades/">Brasil é líder em processos de passageiros contra aéreas, dizem entidades</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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