<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Maquiagem |</title>
	<atom:link href="https://ipiracity.com/tag/maquiagem/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sun, 21 Sep 2025 03:32:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2020/07/cropped-icon-32x32.png</url>
	<title>Maquiagem |</title>
	<link>https://ipiracity.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</title>
		<link>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2</link>
					<comments>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2025 03:32:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[EMPRESAS]]></category>
		<category><![CDATA[Maquiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=159982</guid>

					<description><![CDATA[<p>Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho Por Bruno Chapadeiro Ribeiro &#8211; Domingo, 21 de setembro de 2025 Há algo de profundamente perverso na [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2/">Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho</p>



<p>Por <a href="https://outraspalavras.net/author/brunochapadeiroribeiro/">Bruno Chapadeiro Ribeiro</a> &#8211; Domingo, 21 de setembro de 2025</p>



<p>Há algo de profundamente perverso na maneira como transformamos sofrimento coletivo em&nbsp;<em>commodity</em>&nbsp;individual. Em tempos de capitalismo consciente, as empresas descobriram que não basta vender produtos – é preciso vender também o bem-estar psicológico. O Setembro Amarelo, que deveria ser um momento de crítica radical às estruturas que produzem morte, transformou-se numa sofisticada operação de maquiagem.&nbsp;</p>



<p>Enquanto as campanhas oficiais vendem consciência individualizada e distribuem números de CVV como se fossem aspirinas para dor existencial,&nbsp;27,3 trabalhadores morrem por suicídio a cada dia no Brasil.&nbsp;</p>



<p>Os dados são de um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">estudo rigoroso</a>&nbsp;que acompanhou a população trabalhadora brasileira entre 2010 e 2019:&nbsp;112.164 suicídios em uma década, com tendência crescente sustentada de 60,1%. Entre os homens, o risco é 3,5 vezes maior que entre as mulheres&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não por acaso, a pressão da masculinidade tóxica do “provedor” faz vítimas.&nbsp;</p>



<p>Mas eis que surge uma nova modalidade de lavagem: o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>. Se o&nbsp;<em>greenwashing</em>&nbsp;pinta de verde o que deveria ser ecologicamente transformado, o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>&nbsp;pinta de amarelo o que deveria ser socialmente revolucionado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Explosão definitiva: 440 mil afastamentos em 2024</strong></h3>



<p>O Ministério da Previdência Social (MPS) divulgou dados que confirmam o que já sabíamos:&nbsp;2024 foi o ano da explosão definitiva da crise de Saúde Mental Relacionada ao Trabalho. Mais de&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/afastamentos-por-transtornos-mentais-dobram-em-dez-anos-chegam-440-mil">440 mil trabalhadores brasileiros se afastaram</a>&nbsp;de suas funções por transtornos mentais e comportamentais&nbsp;<em>–</em>mais que o dobro do registrado em 2014&nbsp;e um&nbsp;aumento brutal de 67% apenas em relação a 2023.</p>



<p>A hierarquia do sofrimento revela o retrato de uma sociedade em colapso emocional:&nbsp;transtornos de ansiedade lideram com 141 mil casos, seguidos de&nbsp;episódios depressivos com 113 mil casos, depressão recorrente, transtorno bipolar e dependência de substâncias. São números que transformam estatísticas em tragédia humana coletiva.</p>



<p>Segundo o&nbsp;<a href="https://smartlabbr.org/sst">Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho</a>&nbsp;(SmartLab SST),&nbsp;os afastamentos por transtornos mentais já figuram entre as principais causas de concessão de auxílio-doença, superando, em alguns setores, até mesmo os tradicionais problemas osteomusculares que historicamente dominavam as estatísticas previdenciárias.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A cruel ironia dos dados globais</strong></h3>



<p>Numa&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/Jh3TQ5zJwWHK84FbThWcBjw/">revisão literária em 130 estudos sociológicos</a>&nbsp;sobre o fenômeno do suicídio datados de 1981 a 1995, destacou-se a pobreza como uma situação que pode predispor ao suicídio, incluindo fatores como o desemprego, o estresse econômico e a instabilidade familiar. Pessoas sem emprego apresentam taxas de suicídio maiores que as empregadas, principalmente entre a população masculina, mais sensível aos reveses econômicos.</p>



<p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde, somente no ano de 2016, num mundo pré-pandemia de covid-19,&nbsp;79% dos suicídios no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. O&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240114487">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;da OMS revela um cenário devastador que contextualiza a crise brasileira numa perspectiva global.&nbsp;Mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com transtornos mentais&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento significativo que coincide, não por acaso, com a intensificação das políticas neoliberais globais.</p>



<p>Numa&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10888055/">revisão de 31 artigos científicos</a>&nbsp;publicados entre 1959 e 2001, que engloba 15.629 casos de suicídios na população geral, demonstrou-se que&nbsp;em 96,8% dos casos, caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal. Dentre eles, a depressão, transtorno bipolar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.</p>



<p>Anos atrás,&nbsp;<a href="https://www.who.int/docs/default-source/gho-documents/global-health-estimates/ghe2019_cod_methods.pdf">a OMS previu</a>&nbsp;que a depressão se tornaria a principal causa de absenteísmo nas organizações a partir da década de 2020. Trabalhadores faltariam mais por crises depressivas do que por dores na coluna, gripes e resfriados. A mesma&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240026643">OMS analisou</a>&nbsp;dados internacionais no período de 2000 a 2012 e mostrou que&nbsp;a prevalência mundial de suicídios caiu em média 26% ao passo que no Brasil aumentou 10,4%. A organização aponta o Brasil como o&nbsp;2º país com maior número de depressivos nas Américas, sendo também o país com&nbsp;maior prevalência de ansiedade no mundo.</p>



<p>Um&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/30/estudo-mostra-que-casos-de-suicidio-no-brasil-tiveram-crescimento-maior-apos-setembro-amarelo-associacao-brasileira-de-psiquiatria-contesta.ghtml">estudo recente</a>&nbsp;revelou que,&nbsp;desde 2015&nbsp;<em>–</em>&nbsp;ano em que foi lançada a campanha Setembro Amarelo no Brasil&nbsp;<em>–</em>, as mortes por suicídio não apenas continuaram a aumentar, mas também apresentaram aceleração no crescimento. A taxa média de aumento anual saltou de 1,67% (2000-2015) para 4,24% (2015-2019).</p>



<p>Isso não significa que a campanha causa suicídios, mas expõe a limitação de abordagens que individualizam problemas estruturais. O suicídio deve ser compreendido enquanto “expressão da organização deficiente de nossa sociedade”&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não como fracasso individual a ser corrigido com fitinhas amarelas.&nbsp;</p>



<p>A depressão e ansiedade sozinhas custam à economia global US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade, enquanto&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2025/09/02/apenas-9percent-das-pessoas-com-depressao-recebe-tratamento-adequado-afirma-oms.ghtml">apenas 9,1% das pessoas com depressão</a>&nbsp;recebem tratamento minimamente adequado globalmente. No Brasil, essa realidade se manifesta de forma ainda mais cruel.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A matemática cruel dos que “desistem”</strong></h3>



<p>Os números&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">revelam</a>&nbsp;uma geografia da morte que coincide perfeitamente com a geografia da desigualdade.&nbsp;Trabalhadores da agricultura lideram com 21,7 suicídios por 100 mil habitantes&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quase quatro vezes a média nacional.&nbsp;A população indígena apresenta taxa de 19,5 por 100 mil, numa macabra correlação entre genocídio histórico e&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/capitalismo-e-a-morte-por-desespero/">desespero contemporâneo</a>. Entre os trabalhadores rurais, 4,5% se matam por autointoxicação com pesticidas&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quando não é o agrotóxico que mata lentamente por câncer, é ele que oferece a “solução final” para o desespero.&nbsp;63% dos suicídios rurais ocorrem entre pessoas negras, 77,1% tinham no máximo ensino médio. A geografia do suicídio coincide, assim, com a geografia da desigualdade.</p>



<p>Há também uma divisão sexual da morte. No Rio Grande do Sul,&nbsp;<a href="https://www3.ghc.com.br/files/IEViolenciaAPSetembroAmarelo2024.pdf">69,94% das notificações de lesão autoprovocada</a>&nbsp;são de mulheres, enquanto 80,04% dos suicídios consumados são de homens. O que isso nos diz? Que elas pedem ajuda, eles morrem calados. As mulheres tentam 4 vezes mais, os homens “conseguem” 4 vezes mais. Como se até na morte houvesse uma divisão sexual do trabalho: a elas, o grito de socorro; a eles, o silêncio mortal.&nbsp;O enforcamento é o método mais escolhido&nbsp;<em>–</em>&nbsp;71,4% dos casos no Brasil.</p>



<p>O setor bancário, laboratório do neoliberalismo brasileiro, oferece um caso exemplar desta dinâmica. Entre 1996 e 2005, foram&nbsp;<a href="https://apcefce.org.br/portal/apcef-ce-portal/informacoes/noticias-apcef/pesquisa-inedita-da-unb-revela-alta-taxa-de-suicidio-entre-os-bancarios-do-pais.htm">181 bancários mortos por suicídio</a>&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma média de um suicídio a cada 20 dias. No período anterior (1993-1995), haviam sido 72 casos&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada 15 dias. A escalada coincide exatamente com a reestruturação produtiva dos anos 1990, quando&nbsp;<a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/09/26/adoecimento-mental-dos-bancarios-e-tema-de-conferencia-realizada-de-forma-hibrida-nesta-terca-26-em-porto-alegre/">430 mil bancários foram demitidos</a>&nbsp;e os sobreviventes passaram de funcionários a “vendedores e consultores”.&nbsp;<a href="https://sc.cut.org.br/noticias/trabalho-bancario-segue-como-fonte-de-adoecimento-e-morte-810b">Pesquisa recente</a>&nbsp;da Fenae/UnB revela que&nbsp;53% dos bancários já sofreram assédio moral e 47% já tiveram conhecimento de algum episódio de suicídio entre colegas. Apesar de representarem menos de 1% da força de trabalho formal,&nbsp;os&nbsp;<a href="https://www.ctb.org.br/2024/08/16/crise-oculta-no-setor-bancario-metas-agressivas-e-jornadas-extremas-afetam-a-saude-mental-dos-bancarios/">bancários correspondem a 25% dos registros de adoecimento mental</a>&nbsp;junto ao INSS.</p>



<p>Entre os profissionais de saúde, observa-se um paradoxo cruel: quem deveria cuidar da saúde mental alheia não consegue preservar a própria.&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/conteudo-especial/80-dos-profissionais-de-enfermagem-de-sp-ja-foram-agredidos">80% dos profissionais de enfermagem de São Paulo já foram agredidos no trabalho</a>. É como se a violência fosse o preço a pagar por querer cuidar numa sociedade que transformou saúde em mercadoria.&nbsp;A reincidência nas notificações de lesão autoprovocada chegou a 49,44% em 2023&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada dois casos já havia tentado antes. Isso revela não apenas a ineficácia das intervenções individuais, mas a persistência das condições estruturais que produzem sofrimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia do bem-estar fictício</strong></h3>



<p>Diante dos&nbsp;440 mil afastamentos em 2024&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento de&nbsp;67% em apenas um ano&nbsp;<em>–</em>&nbsp;as empresas descobriram que é mais barato comprar selos de “empresa saudável” do que mudar estruturalmente suas práticas tóxicas. A nova lei que&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/04/01/lei-cria-certificacao-para-empresa-que-promove-saude-mental">instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental</a>&nbsp;é magistral nessa estratégia.</p>



<p>As empresas ganham certificação de dois anos para mostrar que se importam, enquanto mantêm as práticas que destroem a saúde mental dos trabalhadores. É como dar morfina para quem precisa de cirurgia&nbsp;<em>–</em>&nbsp;alivia o sintoma, mantém a doença.&nbsp;86% dos funcionários consideram trocar de emprego por questões de saúde mental, então as empresas oferecem&nbsp;<em>mindfulness</em>&nbsp;para lidar com o estresse que elas próprias produzem.&nbsp;</p>



<p>Os dados do&nbsp;<a href="https://www.who.int/news/item/02-09-2025-over-a-billion-people-living-with-mental-health-conditions-services-require-urgent-scale-up">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;revelam que, globalmente,&nbsp;a mediana dos gastos governamentais com saúde mental permanece estagnada em apenas 2,1% dos orçamentos de saúde desde 2017. Enquanto países de alta renda investem US$ 65,89 per capita, países de baixa renda investem apenas US$ 0,04 per capita&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma diferença de mais de 1.600 vezes. A força de trabalho especializada em saúde mental é dramaticamente insuficiente: apenas 13,5 trabalhadores especializados por 100.000 habitantes globalmente, com países de baixa renda tendo apenas 1,1 por 100.000 comparado a 67,2 nos países de alta renda.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A receita corporativa para não resolver</strong></h3>



<p>As recomendações corporativas revelam a superficialidade das soluções oferecidas. Para empresas, sugerem: “implantar programas de apoio psicológico”, “capacitar líderes”, “flexibilizar jornadas”, “promover pausas” e “mapear riscos psicossociais”. Para trabalhadores, a&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/seria-a-ia-o-novo-capataz/">cartilha neoliberal</a>&nbsp;é ainda mais perversa: “estabelecer limites claros”, “manter hábitos saudáveis”, “buscar suporte profissional”, “preservar vínculos sociais” e “praticar técnicas de gestão do estresse”.</p>



<p>Notem a inversão: as empresas devem fazer “programas” e “mapeamentos”, enquanto os trabalhadores devem se “adequar”, “buscar” e “praticar”. A responsabilidade sempre recai sobre quem sofre, nunca sobre quem explora.</p>



<p>Sinais típicos do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Salas de relaxamento anunciadas mas desencorajadas na prática</li>



<li>Palestras sobre autocuidado enquanto se mantêm metas impossíveis</li>



<li>Certificações compradas em vez de mudanças implementadas</li>



<li>Ginástica laboral como resposta ao assédio moral</li>



<li>Apps de mindfulness enquanto se intensifica a precarização</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A redistribuição que de fato funciona</strong></h3>



<p>Há evidências robustas de que políticas sérias de redistribuição de renda funcionam melhor que qualquer sessão de terapia corporativa. Um estudo com&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/redistribuicao-de-renda-uma-politica-para-a-saude-mental/">a introdução do salário-mínimo na Inglaterra</a>&nbsp;descobriu que&nbsp;aumentos salariais efetivos geraram melhora na saúde mental comparável ao efeito dos antidepressivos&nbsp;(0,37 versus 0,39 desvio padrão).</p>



<p>Pesquisas&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30905484/">demonstram</a>&nbsp;que estados norte-americanos que aumentam seus salários-mínimos veem as taxas de suicídio crescerem mais lentamente.&nbsp;Para cada US$ 1/hora aumentado, corresponde uma redução de 1,9% na taxa anual de suicídio. Também evidenciaram que indivíduos de famílias com maiores rendimentos têm menos risco de tirar a própria vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que&nbsp;269 milhões de novos empregos seriam criados no mundo se os investimentos em educação, saúde e assistência social fossem duplicados até 2030.</p>



<p>Estudos demonstram que países que mantiveram ou reforçaram suas políticas de proteção social, incluindo as de transferências monetárias para populações pobres e extremamente pobres, apresentaram níveis menores de suicídios. A&nbsp;<a href="https://cidacs.bahia.fiocruz.br/2022/07/risco-de-suicidio-caiu-pela-metade-entre-beneficiarios-do-programa-bolsa-familia-indica-estudo-da-fiocruz/">pesquisa com 5.507 municípios entre 2004 e 2012</a>&nbsp;revelou que aqueles com maior cobertura do&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30456426/">Bolsa Família tiveram&nbsp;redução de 56% no risco de suicídio entre beneficiários</a>. Na Indonésia, programas similares geraram queda de 18%.</p>



<p>O recado é claro:&nbsp;dinheiro no bolso funciona melhor que conversa sobre resiliência. Mas isso, claro, não vende consultoria nem gera certificados dourados. Nunca se esteve tanto na pauta do dia tornar a renda básica algo permanente, bem como resolver injustiças históricas do sistema tributário, tendo na agenda a taxação de grandes fortunas, conduzida por um Estado forte e protetor.</p>



<p>O Atlas de Saúde Mental 2024 expõe a crueza da realidade:&nbsp;menos de 10% dos países completaram a transição para modelos de cuidado comunitário, com a maioria ainda&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/psiquiatria-crise-especifica-ou-crise-generalizada/">dependendo de hospitais psiquiátricos</a>.&nbsp;Quase 50% das internações psiquiátricas são involuntárias globalmente, e mais de 20% dos pacientes permanecem internados por mais de um ano.</p>



<p>A cobertura de serviços para psicose é de apenas 40% globalmente, variando dramaticamente: menos de 10% em países de baixa renda versus mais de 50% em países de alta renda.&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilhas/2017/17-0522-cartilha-agenda-estrategica-publicada-pdf/view">O Ministério da Saúde constatou</a>&nbsp;que&nbsp;em locais onde há Centros de Atenção Psicossocial – CAPS em funcionamento, o risco de suicídio é 14% menor. O custo médio de 12 mil internações hospitalares no SUS por autointoxicação intencional, entre 2007 e 2016, foi de 3 milhões/ano, o equivalente ao custo de implantação e custeio de 8 CAPS/ano.</p>



<p>Pesquisas&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/reben/a/33QwKvHTdQMFTNYXKdKJ9cz/">averiguam</a>&nbsp;que, no período em que se agravou a crise ética-política-econômica brasileira (2014-2017) com altas taxas de desemprego,&nbsp;o comportamento suicida se amplia. Entretanto, o que se vê no horizonte são medidas de austeridade que preveem a retirada de direitos sociais e o congelamento do orçamento público para políticas de proteção social.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>É possível um Setembro Amarelo “anticapitalista”?</strong></h3>



<p>O capital precisa de crises estruturais para se reinventar, expandir e se valorizar. Com isso, a história nos mostra que a miséria e a desigualdade social tendem a se agravar, e, tal como o exposto nesse texto, resulta, dentre outras mazelas, na elevação das taxas de suicídios.</p>



<p>Os índices de suicídios são altos em grupos que foram vulnerabilizados pela exclusão social e mais afetados pelas crises: desempregados, pessoas em insegurança alimentar, alvos de violência policial como a juventude negra, pobre e periférica, e populações em territórios permanentemente ameaçados pela invasão predatória e pela ausência de políticas públicas, como indígenas.</p>



<p>Suicídio entre crianças indígenas é 18,5 vezes maior&nbsp;do que entre crianças não indígenas e afeta principalmente meninas (58,2%). As maiores taxas de suicídio foram observadas na&nbsp;população idosa brasileira a partir de 70 anos, demonstrando o projeto societário de “eliminação dos indesejáveis”.</p>



<p>A verdadeira prevenção exige mais que fitinhas e hashtags motivacionais. A intervenção deve ser sistêmica:</p>



<p><strong>1. Políticas econômicas reais:</strong>&nbsp;Programas de transferência de renda comprovadamente eficazes.</p>



<p><strong>2. Fim do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</strong>&nbsp;Regulamentação séria das certificações de bem-estar.</p>



<p><strong>3. SUS fortalecido:</strong>&nbsp;Investimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e na&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/para-levar-a-saude-do-trabalhador-ao-centro-do-sus">Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora</a>&nbsp;(Renastt)</p>



<p><strong>4. Trabalho que não mate:</strong>&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/5a-cnstt-propoe-jornada-de-30-horas-e-programa-de-saude-mental-no-trabalho/">Regulação efetiva</a>&nbsp;das dimensões psicossociais relacionadas ao trabalho, não questionários burocráticos.</p>



<p><strong>5. Justiça tributária:</strong>&nbsp;Financiamento adequado para políticas sociais através da taxação de grandes fortunas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Da consciência à consciência de classe</strong></h3>



<p>Em resumo, as cada vez mais ampliadas taxas de suicídios ao redor do globo são apenas a ponta do iceberg da barbárie inerente ao sociometabolismo do capital que têm nas medidas de austeridade e crescentes taxas de desemprego estrutural sua expressão de desejo. Mas isso as campanhas do Setembro Amarelo passam longe de abordar.</p>



<p>As evidências são cristalinas:&nbsp;suicídio é problema político que exige soluções políticas. A introdução do salário-mínimo inglês teve efeito igual aos antidepressivos. O Bolsa Família reduziu suicídios em 56%. Mas empresas preferem comprar selos dourados e oferecer yoga corporativa e o SUS tem apostado que IAs deem conta da&nbsp;<a href="https://www.poder360.com.br/poder-saude/projeto-desenvolve-app-com-ia-para-tratar-transtornos-mentais-no-sus/">saúde mental por apps</a>. Globalmente, em 2021,&nbsp;o suicídio matou 727.000 pessoas, sendo uma das principais causas de morte entre jovens.&nbsp;</p>



<p>No Brasil, os&nbsp;440 mil afastamentos de 2024&nbsp;representam um aumento de&nbsp;mais de 100% em relação a 2014&nbsp;– uma escalada que coincide perfeitamente com a implementação de políticas de austeridade, reforma trabalhista e precarização sistemática do trabalho. Apesar dos esforços globais, apenas 12% de redução será alcançada até 2030, muito longe da meta da ONU de reduzir um terço das mortes por suicídio.</p>



<p>Há uma perversidade particular em transformar setembro num mês de “conscientização” quando o que precisamos é de&nbsp;consciência de classe. Não basta falar sobre suicídio – é preciso falar sobre as estruturas que o produzem. Políticas que garantam vida digna são o principal promotor de saúde mental.&nbsp;O resto é teatro amarelo para plateia distraída.</p>



<p>Às vezes, a coisa mais saudável que uma empresa pode fazer pela saúde mental de seus funcionários não é contratar um&nbsp;<em>coach de wellness</em>&nbsp;ou comprar uma certificação internacional, mas questionar se sua própria existência – na forma como está organizada – não é um fator de risco para a sanidade coletiva. Mas isso, óbvio, não vem com selo certificador nem marketing institucional.</p>



<p>Fonte: Outra Saude / Ilustração: Craig Johnson</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ESCOLA SOL MAIOR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/uRQy8eJKPuo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2/">Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas-2/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</title>
		<link>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas</link>
					<comments>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[EMPRESAS]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Maquiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=159689</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Bruno Chapadeiro Ribeiro Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho Título original:&#160;Setembro Amarelo: quando a desigualdade adoece e o trabalho mata Há algo [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/">Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Por Bruno Chapadeiro Ribeiro</p>



<p>Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho</p>



<p><strong>Título original:</strong>&nbsp;<em>Setembro Amarelo: quando a desigualdade adoece e o trabalho mata</em></p>



<p>Há algo de profundamente perverso na maneira como transformamos sofrimento coletivo em&nbsp;<em>commodity</em>&nbsp;individual. Em tempos de capitalismo consciente, as empresas descobriram que não basta vender produtos – é preciso vender também o bem-estar psicológico. O Setembro Amarelo, que deveria ser um momento de crítica radical às estruturas que produzem morte, transformou-se numa sofisticada operação de maquiagem.&nbsp;</p>



<p>Enquanto as campanhas oficiais vendem consciência individualizada e distribuem números de CVV como se fossem aspirinas para dor existencial,&nbsp;27,3 trabalhadores morrem por suicídio a cada dia no Brasil.&nbsp;</p>



<p>Os dados são de um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">estudo rigoroso</a>&nbsp;que acompanhou a população trabalhadora brasileira entre 2010 e 2019:&nbsp;112.164 suicídios em uma década, com tendência crescente sustentada de 60,1%. Entre os homens, o risco é 3,5 vezes maior que entre as mulheres&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não por acaso, a pressão da masculinidade tóxica do “provedor” faz vítimas.&nbsp;</p>



<p>Mas eis que surge uma nova modalidade de lavagem: o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>. Se o&nbsp;<em>greenwashing</em>&nbsp;pinta de verde o que deveria ser ecologicamente transformado, o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>&nbsp;pinta de amarelo o que deveria ser socialmente revolucionado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Explosão definitiva: 440 mil afastamentos em 2024</strong></h3>



<p>O Ministério da Previdência Social (MPS) divulgou dados que confirmam o que já sabíamos:&nbsp;2024 foi o ano da explosão definitiva da crise de Saúde Mental Relacionada ao Trabalho. Mais de&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/afastamentos-por-transtornos-mentais-dobram-em-dez-anos-chegam-440-mil">440 mil trabalhadores brasileiros se afastaram</a>&nbsp;de suas funções por transtornos mentais e comportamentais&nbsp;<em>–</em>mais que o dobro do registrado em 2014&nbsp;e um&nbsp;aumento brutal de 67% apenas em relação a 2023.</p>



<p>A hierarquia do sofrimento revela o retrato de uma sociedade em colapso emocional:&nbsp;transtornos de ansiedade lideram com 141 mil casos, seguidos de&nbsp;episódios depressivos com 113 mil casos, depressão recorrente, transtorno bipolar e dependência de substâncias. São números que transformam estatísticas em tragédia humana coletiva.</p>



<p>Segundo o&nbsp;<a href="https://smartlabbr.org/sst">Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho</a>&nbsp;(SmartLab SST),&nbsp;os afastamentos por transtornos mentais já figuram entre as principais causas de concessão de auxílio-doença, superando, em alguns setores, até mesmo os tradicionais problemas osteomusculares que historicamente dominavam as estatísticas previdenciárias.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A cruel ironia dos dados globais</strong></h3>



<p>Numa&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/Jh3TQ5zJwWHK84FbThWcBjw/">revisão literária em 130 estudos sociológicos</a>&nbsp;sobre o fenômeno do suicídio datados de 1981 a 1995, destacou-se a pobreza como uma situação que pode predispor ao suicídio, incluindo fatores como o desemprego, o estresse econômico e a instabilidade familiar. Pessoas sem emprego apresentam taxas de suicídio maiores que as empregadas, principalmente entre a população masculina, mais sensível aos reveses econômicos.</p>



<p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde, somente no ano de 2016, num mundo pré-pandemia de covid-19,&nbsp;79% dos suicídios no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. O&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240114487">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;da OMS revela um cenário devastador que contextualiza a crise brasileira numa perspectiva global.&nbsp;Mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com transtornos mentais&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento significativo que coincide, não por acaso, com a intensificação das políticas neoliberais globais.</p>



<p>Numa&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10888055/">revisão de 31 artigos científicos</a>&nbsp;publicados entre 1959 e 2001, que engloba 15.629 casos de suicídios na população geral, demonstrou-se que&nbsp;em 96,8% dos casos, caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal. Dentre eles, a depressão, transtorno bipolar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.</p>



<p>Anos atrás,&nbsp;<a href="https://www.who.int/docs/default-source/gho-documents/global-health-estimates/ghe2019_cod_methods.pdf">a OMS previu</a>&nbsp;que a depressão se tornaria a principal causa de absenteísmo nas organizações a partir da década de 2020. Trabalhadores faltariam mais por crises depressivas do que por dores na coluna, gripes e resfriados. A mesma&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240026643">OMS analisou</a>&nbsp;dados internacionais no período de 2000 a 2012 e mostrou que&nbsp;a prevalência mundial de suicídios caiu em média 26% ao passo que no Brasil aumentou 10,4%. A organização aponta o Brasil como o&nbsp;2º país com maior número de depressivos nas Américas, sendo também o país com&nbsp;maior prevalência de ansiedade no mundo.</p>



<p>Um&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/30/estudo-mostra-que-casos-de-suicidio-no-brasil-tiveram-crescimento-maior-apos-setembro-amarelo-associacao-brasileira-de-psiquiatria-contesta.ghtml">estudo recente</a>&nbsp;revelou que,&nbsp;desde 2015&nbsp;<em>–</em>&nbsp;ano em que foi lançada a campanha Setembro Amarelo no Brasil&nbsp;<em>–</em>, as mortes por suicídio não apenas continuaram a aumentar, mas também apresentaram aceleração no crescimento. A taxa média de aumento anual saltou de 1,67% (2000-2015) para 4,24% (2015-2019).</p>



<p>Isso não significa que a campanha causa suicídios, mas expõe a limitação de abordagens que individualizam problemas estruturais. O suicídio deve ser compreendido enquanto “expressão da organização deficiente de nossa sociedade”&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não como fracasso individual a ser corrigido com fitinhas amarelas.&nbsp;</p>



<p>A depressão e ansiedade sozinhas custam à economia global US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade, enquanto&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2025/09/02/apenas-9percent-das-pessoas-com-depressao-recebe-tratamento-adequado-afirma-oms.ghtml">apenas 9,1% das pessoas com depressão</a>&nbsp;recebem tratamento minimamente adequado globalmente. No Brasil, essa realidade se manifesta de forma ainda mais cruel.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A matemática cruel dos que “desistem”</strong></h3>



<p>Os números&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">revelam</a>&nbsp;uma geografia da morte que coincide perfeitamente com a geografia da desigualdade.&nbsp;Trabalhadores da agricultura lideram com 21,7 suicídios por 100 mil habitantes&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quase quatro vezes a média nacional.&nbsp;A população indígena apresenta taxa de 19,5 por 100 mil, numa macabra correlação entre genocídio histórico e&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/capitalismo-e-a-morte-por-desespero/">desespero contemporâneo</a>. Entre os trabalhadores rurais, 4,5% se matam por autointoxicação com pesticidas&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quando não é o agrotóxico que mata lentamente por câncer, é ele que oferece a “solução final” para o desespero.&nbsp;63% dos suicídios rurais ocorrem entre pessoas negras, 77,1% tinham no máximo ensino médio. A geografia do suicídio coincide, assim, com a geografia da desigualdade.</p>



<p>Há também uma divisão sexual da morte. No Rio Grande do Sul,&nbsp;<a href="https://www3.ghc.com.br/files/IEViolenciaAPSetembroAmarelo2024.pdf">69,94% das notificações de lesão autoprovocada</a>&nbsp;são de mulheres, enquanto 80,04% dos suicídios consumados são de homens. O que isso nos diz? Que elas pedem ajuda, eles morrem calados. As mulheres tentam 4 vezes mais, os homens “conseguem” 4 vezes mais. Como se até na morte houvesse uma divisão sexual do trabalho: a elas, o grito de socorro; a eles, o silêncio mortal.&nbsp;O enforcamento é o método mais escolhido&nbsp;<em>–</em>&nbsp;71,4% dos casos no Brasil.</p>



<p>O setor bancário, laboratório do neoliberalismo brasileiro, oferece um caso exemplar desta dinâmica. Entre 1996 e 2005, foram&nbsp;<a href="https://apcefce.org.br/portal/apcef-ce-portal/informacoes/noticias-apcef/pesquisa-inedita-da-unb-revela-alta-taxa-de-suicidio-entre-os-bancarios-do-pais.htm">181 bancários mortos por suicídio</a>&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma média de um suicídio a cada 20 dias. No período anterior (1993-1995), haviam sido 72 casos&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada 15 dias. A escalada coincide exatamente com a reestruturação produtiva dos anos 1990, quando&nbsp;<a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/09/26/adoecimento-mental-dos-bancarios-e-tema-de-conferencia-realizada-de-forma-hibrida-nesta-terca-26-em-porto-alegre/">430 mil bancários foram demitidos</a>&nbsp;e os sobreviventes passaram de funcionários a “vendedores e consultores”.&nbsp;<a href="https://sc.cut.org.br/noticias/trabalho-bancario-segue-como-fonte-de-adoecimento-e-morte-810b">Pesquisa recente</a>&nbsp;da Fenae/UnB revela que&nbsp;53% dos bancários já sofreram assédio moral e 47% já tiveram conhecimento de algum episódio de suicídio entre colegas. Apesar de representarem menos de 1% da força de trabalho formal,&nbsp;os&nbsp;<a href="https://www.ctb.org.br/2024/08/16/crise-oculta-no-setor-bancario-metas-agressivas-e-jornadas-extremas-afetam-a-saude-mental-dos-bancarios/">bancários correspondem a 25% dos registros de adoecimento mental</a>&nbsp;junto ao INSS.</p>



<p>Entre os profissionais de saúde, observa-se um paradoxo cruel: quem deveria cuidar da saúde mental alheia não consegue preservar a própria.&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/conteudo-especial/80-dos-profissionais-de-enfermagem-de-sp-ja-foram-agredidos">80% dos profissionais de enfermagem de São Paulo já foram agredidos no trabalho</a>. É como se a violência fosse o preço a pagar por querer cuidar numa sociedade que transformou saúde em mercadoria.&nbsp;A reincidência nas notificações de lesão autoprovocada chegou a 49,44% em 2023&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada dois casos já havia tentado antes. Isso revela não apenas a ineficácia das intervenções individuais, mas a persistência das condições estruturais que produzem sofrimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia do bem-estar fictício</strong></h3>



<p>Diante dos&nbsp;440 mil afastamentos em 2024&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento de&nbsp;67% em apenas um ano&nbsp;<em>–</em>&nbsp;as empresas descobriram que é mais barato comprar selos de “empresa saudável” do que mudar estruturalmente suas práticas tóxicas. A nova lei que&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/04/01/lei-cria-certificacao-para-empresa-que-promove-saude-mental">instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental</a>&nbsp;é magistral nessa estratégia.</p>



<p>As empresas ganham certificação de dois anos para mostrar que se importam, enquanto mantêm as práticas que destroem a saúde mental dos trabalhadores. É como dar morfina para quem precisa de cirurgia&nbsp;<em>–</em>&nbsp;alivia o sintoma, mantém a doença.&nbsp;86% dos funcionários consideram trocar de emprego por questões de saúde mental, então as empresas oferecem&nbsp;<em>mindfulness</em>&nbsp;para lidar com o estresse que elas próprias produzem.&nbsp;</p>



<p>Os dados do&nbsp;<a href="https://www.who.int/news/item/02-09-2025-over-a-billion-people-living-with-mental-health-conditions-services-require-urgent-scale-up">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;revelam que, globalmente,&nbsp;a mediana dos gastos governamentais com saúde mental permanece estagnada em apenas 2,1% dos orçamentos de saúde desde 2017. Enquanto países de alta renda investem US$ 65,89 per capita, países de baixa renda investem apenas US$ 0,04 per capita&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma diferença de mais de 1.600 vezes. A força de trabalho especializada em saúde mental é dramaticamente insuficiente: apenas 13,5 trabalhadores especializados por 100.000 habitantes globalmente, com países de baixa renda tendo apenas 1,1 por 100.000 comparado a 67,2 nos países de alta renda.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A receita corporativa para não resolver</strong></h3>



<p>As recomendações corporativas revelam a superficialidade das soluções oferecidas. Para empresas, sugerem: “implantar programas de apoio psicológico”, “capacitar líderes”, “flexibilizar jornadas”, “promover pausas” e “mapear riscos psicossociais”. Para trabalhadores, a&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/seria-a-ia-o-novo-capataz/">cartilha neoliberal</a>&nbsp;é ainda mais perversa: “estabelecer limites claros”, “manter hábitos saudáveis”, “buscar suporte profissional”, “preservar vínculos sociais” e “praticar técnicas de gestão do estresse”.</p>



<p>Notem a inversão: as empresas devem fazer “programas” e “mapeamentos”, enquanto os trabalhadores devem se “adequar”, “buscar” e “praticar”. A responsabilidade sempre recai sobre quem sofre, nunca sobre quem explora.</p>



<p>Sinais típicos do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Salas de relaxamento anunciadas mas desencorajadas na prática</li>



<li>Palestras sobre autocuidado enquanto se mantêm metas impossíveis</li>



<li>Certificações compradas em vez de mudanças implementadas</li>



<li>Ginástica laboral como resposta ao assédio moral</li>



<li>Apps de mindfulness enquanto se intensifica a precarização</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A redistribuição que de fato funciona</strong></h3>



<p>Há evidências robustas de que políticas sérias de redistribuição de renda funcionam melhor que qualquer sessão de terapia corporativa. Um estudo com&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/redistribuicao-de-renda-uma-politica-para-a-saude-mental/">a introdução do salário-mínimo na Inglaterra</a>&nbsp;descobriu que&nbsp;aumentos salariais efetivos geraram melhora na saúde mental comparável ao efeito dos antidepressivos&nbsp;(0,37 versus 0,39 desvio padrão).</p>



<p>Pesquisas&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30905484/">demonstram</a>&nbsp;que estados norte-americanos que aumentam seus salários-mínimos veem as taxas de suicídio crescerem mais lentamente.&nbsp;Para cada US$ 1/hora aumentado, corresponde uma redução de 1,9% na taxa anual de suicídio. Também evidenciaram que indivíduos de famílias com maiores rendimentos têm menos risco de tirar a própria vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que&nbsp;269 milhões de novos empregos seriam criados no mundo se os investimentos em educação, saúde e assistência social fossem duplicados até 2030.</p>



<p>Estudos demonstram que países que mantiveram ou reforçaram suas políticas de proteção social, incluindo as de transferências monetárias para populações pobres e extremamente pobres, apresentaram níveis menores de suicídios. A&nbsp;<a href="https://cidacs.bahia.fiocruz.br/2022/07/risco-de-suicidio-caiu-pela-metade-entre-beneficiarios-do-programa-bolsa-familia-indica-estudo-da-fiocruz/">pesquisa com 5.507 municípios entre 2004 e 2012</a>&nbsp;revelou que aqueles com maior cobertura do&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30456426/">Bolsa Família tiveram&nbsp;redução de 56% no risco de suicídio entre beneficiários</a>. Na Indonésia, programas similares geraram queda de 18%.</p>



<p>O recado é claro:&nbsp;dinheiro no bolso funciona melhor que conversa sobre resiliência. Mas isso, claro, não vende consultoria nem gera certificados dourados. Nunca se esteve tanto na pauta do dia tornar a renda básica algo permanente, bem como resolver injustiças históricas do sistema tributário, tendo na agenda a taxação de grandes fortunas, conduzida por um Estado forte e protetor.</p>



<p>O Atlas de Saúde Mental 2024 expõe a crueza da realidade:&nbsp;menos de 10% dos países completaram a transição para modelos de cuidado comunitário, com a maioria ainda&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/psiquiatria-crise-especifica-ou-crise-generalizada/">dependendo de hospitais psiquiátricos</a>.&nbsp;Quase 50% das internações psiquiátricas são involuntárias globalmente, e mais de 20% dos pacientes permanecem internados por mais de um ano.</p>



<p>A cobertura de serviços para psicose é de apenas 40% globalmente, variando dramaticamente: menos de 10% em países de baixa renda versus mais de 50% em países de alta renda.&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilhas/2017/17-0522-cartilha-agenda-estrategica-publicada-pdf/view">O Ministério da Saúde constatou</a>&nbsp;que&nbsp;em locais onde há Centros de Atenção Psicossocial – CAPS em funcionamento, o risco de suicídio é 14% menor. O custo médio de 12 mil internações hospitalares no SUS por autointoxicação intencional, entre 2007 e 2016, foi de 3 milhões/ano, o equivalente ao custo de implantação e custeio de 8 CAPS/ano.</p>



<p>Pesquisas&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/reben/a/33QwKvHTdQMFTNYXKdKJ9cz/">averiguam</a>&nbsp;que, no período em que se agravou a crise ética-política-econômica brasileira (2014-2017) com altas taxas de desemprego,&nbsp;o comportamento suicida se amplia. Entretanto, o que se vê no horizonte são medidas de austeridade que preveem a retirada de direitos sociais e o congelamento do orçamento público para políticas de proteção social.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>É possível um Setembro Amarelo “anticapitalista”?</strong></h3>



<p>O capital precisa de crises estruturais para se reinventar, expandir e se valorizar. Com isso, a história nos mostra que a miséria e a desigualdade social tendem a se agravar, e, tal como o exposto nesse texto, resulta, dentre outras mazelas, na elevação das taxas de suicídios.</p>



<p>Os índices de suicídios são altos em grupos que foram vulnerabilizados pela exclusão social e mais afetados pelas crises: desempregados, pessoas em insegurança alimentar, alvos de violência policial como a juventude negra, pobre e periférica, e populações em territórios permanentemente ameaçados pela invasão predatória e pela ausência de políticas públicas, como indígenas.</p>



<p>Suicídio entre crianças indígenas é 18,5 vezes maior&nbsp;do que entre crianças não indígenas e afeta principalmente meninas (58,2%). As maiores taxas de suicídio foram observadas na&nbsp;população idosa brasileira a partir de 70 anos, demonstrando o projeto societário de “eliminação dos indesejáveis”.</p>



<p>A verdadeira prevenção exige mais que fitinhas e hashtags motivacionais. A intervenção deve ser sistêmica:</p>



<p><strong>1. Políticas econômicas reais:</strong>&nbsp;Programas de transferência de renda comprovadamente eficazes.</p>



<p><strong>2. Fim do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</strong>&nbsp;Regulamentação séria das certificações de bem-estar.</p>



<p><strong>3. SUS fortalecido:</strong>&nbsp;Investimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e na&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/para-levar-a-saude-do-trabalhador-ao-centro-do-sus">Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora</a>&nbsp;(Renastt)</p>



<p><strong>4. Trabalho que não mate:</strong>&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/5a-cnstt-propoe-jornada-de-30-horas-e-programa-de-saude-mental-no-trabalho/">Regulação efetiva</a>&nbsp;das dimensões psicossociais relacionadas ao trabalho, não questionários burocráticos.</p>



<p><strong>5. Justiça tributária:</strong>&nbsp;Financiamento adequado para políticas sociais através da taxação de grandes fortunas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Da consciência à consciência de classe</strong></h3>



<p>Em resumo, as cada vez mais ampliadas taxas de suicídios ao redor do globo são apenas a ponta do iceberg da barbárie inerente ao sociometabolismo do capital que têm nas medidas de austeridade e crescentes taxas de desemprego estrutural sua expressão de desejo. Mas isso as campanhas do Setembro Amarelo passam longe de abordar.</p>



<p>As evidências são cristalinas:&nbsp;suicídio é problema político que exige soluções políticas. A introdução do salário-mínimo inglês teve efeito igual aos antidepressivos. O Bolsa Família reduziu suicídios em 56%. Mas empresas preferem comprar selos dourados e oferecer yoga corporativa e o SUS tem apostado que IAs deem conta da&nbsp;<a href="https://www.poder360.com.br/poder-saude/projeto-desenvolve-app-com-ia-para-tratar-transtornos-mentais-no-sus/">saúde mental por apps</a>. Globalmente, em 2021,&nbsp;o suicídio matou 727.000 pessoas, sendo uma das principais causas de morte entre jovens.&nbsp;</p>



<p>No Brasil, os&nbsp;440 mil afastamentos de 2024&nbsp;representam um aumento de&nbsp;mais de 100% em relação a 2014&nbsp;– uma escalada que coincide perfeitamente com a implementação de políticas de austeridade, reforma trabalhista e precarização sistemática do trabalho. Apesar dos esforços globais, apenas 12% de redução será alcançada até 2030, muito longe da meta da ONU de reduzir um terço das mortes por suicídio.</p>



<p>Há uma perversidade particular em transformar setembro num mês de “conscientização” quando o que precisamos é de&nbsp;consciência de classe. Não basta falar sobre suicídio – é preciso falar sobre as estruturas que o produzem. Políticas que garantam vida digna são o principal promotor de saúde mental.&nbsp;O resto é teatro amarelo para plateia distraída.</p>



<p>Às vezes, a coisa mais saudável que uma empresa pode fazer pela saúde mental de seus funcionários não é contratar um&nbsp;<em>coach de wellness</em>&nbsp;ou comprar uma certificação internacional, mas questionar se sua própria existência – na forma como está organizada – não é um fator de risco para a sanidade coletiva. Mas isso, óbvio, não vem com selo certificador nem marketing institucional.</p>



<p>Fonte: Outra Saúde / Ilustração: Craig Johnson</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="VEM AI A PRIMEIRA FLIPIRA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/UDDz9jxb6mw?start=259&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/">Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pâmela Tomé ensina passo a passo de maquiagem perfeita e prática</title>
		<link>https://ipiracity.com/pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica</link>
					<comments>https://ipiracity.com/pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2020 13:21:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Moda]]></category>
		<category><![CDATA[Maquiagem]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://ipiracity.com/?p=1507</guid>

					<description><![CDATA[<p>Atriz compartilha suas dicas de beleza e mostra como usar boca vermelha e olhos coloridos Por Cristiane Rodrigues, Gshow — Rio de Janeiro A atriz&#160;Pâmela Tomé&#160;sempre gostou de experimentar produtos de beleza e&#160;maquiagens&#160;diferentes no dia a dia. Durante a quarentena em casa para combater&#160;o coronavírus, ela continua se cuidando bastante e mostra como usar batom vermelhão, [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica/">Pâmela Tomé ensina passo a passo de maquiagem perfeita e prática</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h5 class="wp-block-heading">Atriz compartilha suas dicas de beleza e mostra como usar boca vermelha e olhos coloridos</h5>



<p>Por Cristiane Rodrigues, Gshow — Rio de Janeiro</p>



<p>A atriz&nbsp;<a href="https://gshow.globo.com/artistas/pamela-tome/">Pâmela Tomé</a>&nbsp;sempre gostou de experimentar produtos de beleza e&nbsp;<a href="https://gshow.globo.com/assuntos/maquiagem/">maquiagens</a>&nbsp;diferentes no dia a dia. Durante a quarentena em casa para combater&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/">o coronavírus</a>, ela continua se cuidando bastante e mostra como usar batom vermelhão, com olhos coloridos, pele iluminada e perfeita.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Veja vídeo com passo a passo!</h2>



<figure class="wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://www.instagram.com/tv/CDB3MPFDb-q/?utm_source=ig_web_copy_link
</div></figure>



<p>“Apesar de não sair, gosto de me arrumar para mim mesma. A autoestima é importante para todas as mulheres. Por isso, eu acho que precisamos criar essa corrente do bem. Cores quentes como vermelho ajudam a manter o astral lá em cima. Vamos testar essa maquiagem simples e prática e chamar as amigas para uma conversa on-line”, diverte-se a atriz.</p>



<p>Fonte:G Show.Globo</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica/">Pâmela Tomé ensina passo a passo de maquiagem perfeita e prática</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://ipiracity.com/pamela-tome-ensina-passo-a-passo-de-maquiagem-perfeita-e-pratica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
