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	<title>Máquina de Escrever |</title>
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	<title>Máquina de Escrever |</title>
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		<title>Máquina de Escrever</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 21:21:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ângela Monize]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>faz sentido que algumas coisas cheguem antes da linguagem.antes da escolha das palavras, da intenção de escrever, até mesmo de saber que aquilo um dia teria nome. fenômenos poéticos… é como eu costumo chamar tudo isso que me atravessa. mas isso começou antes mesmo de qualquer tentativa de entendimento. antes da ideia de organizar palavras, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>faz sentido que algumas coisas cheguem antes da linguagem.<br>antes da escolha das palavras, da intenção de escrever, até mesmo de saber que aquilo um dia teria nome.</p>



<p>fenômenos poéticos… é como eu costumo chamar tudo isso que me atravessa. mas isso começou antes mesmo de qualquer tentativa de entendimento.</p>



<p>antes da ideia de organizar palavras, antes de caber em explicação e de se tornar algo que eu pudesse apontar e dizer “é isso!”. começou quando ainda não havia um nome suficiente para o que eu sentia, nem um tipo de tradução específica.</p>



<p>no gesto de ver algo ganhar forma, eu fui. no barulho ritmado de uma máquina respondendo ao toque, no movimento repetido que, aos poucos, deixava de ser mecânico e passava a ser íntimo.</p>



<p>antes de saber que aquilo era escrita e que as palavras se soltavam de mim, isso já era encontro.</p>



<p>com o tempo das coisas, a insistência necessária para que algo exista de dentro pra fora. como se, ali, eu estivesse sendo apresentada não às palavras, mas ao processo de dar sentido a elas.</p>



<p>eu amo narrar histórias, momentos, tudo o que faz sentido num instante qualquer, mas que ganha importância quando observados por um olhar sensível.</p>



<p>tudo começou com uma máquina de escrever e gestos que vieram antes de mim. a máquina respondia ao toque com um som seco, quase definitivo. nada de deslizar os dedos na tela como se faz hoje em dia. ali, cada letra exigia algo. o dedo descia com decisão, encontrava resistência, e então o pequeno impacto acontecia.<br>metal contra fita, fita contra papel.<br>e a letra nascia.</p>



<p>o primeiro contato não foi com a escrita como ideia, mas com a escrita como acontecimento.<br>o corpo participava.<br>o pulso, o ritmo, a força.<br>não dava para escrever distraída.<br>cada tecla pressionada era uma escolha que não voltava. apagar não era fácil. não havia desfazer.<br>eu seguia um passo de cada vez, a minha tela era uma máquina de escrever e, ao fundo, um pé de pinha e outro de acerola.</p>



<p>e um fascínio muito específico…<br>ver o pensamento se tornando visível em tempo real, com pequenas imperfeições, desalinhamentos mínimos, marcas de tinta mais fortes em algumas letras do que em outras.<br>a palavra não vinha perfeita,<br>ela vinha viva.</p>



<p>o papel era conduzido. preso por um rolo firme, girado com cuidado, medindo o espaço do que ainda iria ser dito.<br>e cada avanço era um pequeno ritual.<br>girar, alinhar, ajustar.<br>um tempo entre uma linha e outra.<br>um tempo que obrigava a sustentar o que se pensava.</p>



<p>quando a linha chegava ao fim, eu precisava agir de novo.<br>a mão empurrava a alavanca lateral, e então vinha aquele movimento inteiro.<br>o carro deslizando de volta, rápido, com um som contínuo, quase satisfatório.<br>eu sentia a máquina respirar antes de recomeçar.<br>e tudo voltava ao início.<br>pronto para mais uma tentativa de continuidade das coisas.</p>



<p>ah… a continuação das coisas…<br>algo tão bonito…</p>



<p>a máquina carregava isso. não era só uma ferramenta de trabalho.</p>



<p>quanto mais se escrevia, mais se fixava uma ideia.<br>cada palavra tinha peso.<br>cada erro permanecia ali.</p>



<p>já pararam para pensar que a nossa vida é assim? tudo o que fazemos, tudo o que somos, tudo o que construímos… nos atravessa, mas não se desfaz.<br>a continuidade acontece mesmo assim.</p>



<p>e talvez tenha sido ali que a escrita ganhou outro sentido pra mim. não é algo que precisa sair certo de primeira, mas algo que se constrói mesmo com falhas visíveis, ruídos ou interrupções.</p>



<p>a máquina de escrever ensina isso sem explicar muito.</p>



<p>ensina que ideia não basta.<br>é preciso tocar, insistir, atravessar, viver…</p>



<p>quando a folha já está preenchida, existe um gesto final de puxar o papel para fora e sentir a leve resistência antes dele se soltar. segurar nas mãos aquilo que, minutos antes, não existia.</p>



<p>a folha vem com marcas.<br>algumas mais fundas, outras quase apagadas.</p>



<p>escrever, desde então, nunca foi sobre evitar falhas ou buscar fluidez.<br>talvez tenha ficado mais próximo disso mesmo…</p>



<p>aceitar o som, o peso, o intervalo,<br>sustentar o movimento até o fim da linha,<br>e entender que, às vezes, o que permanece no papel não é só o que se quis dizer,<br>mas tudo o que foi necessário atravessar para conseguir dizer.</p>



<p>escrever, pra mim, é como viver.<br>escrever, pra mim, é como respirar.<br>não tem como voltar ou apagar.<br>vou. escrevo. erro. percebo.<br>e continuo…</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/maquina-de-escrever/">Máquina de Escrever</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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