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		<title>HC de Ribeirão Preto chega aos 70 anos entre a tradição e a saúde do futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 17:31:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Inteligência artificial, cirurgia robótica e formação de profissionais especializados reforçam o papel do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP como referência em alta complexidade para o Sistema Único de Saúde (SUS) Texto: Rose Talamone &#8211; Sábado, 6 de junho de 2026 O passado e o futuro caminharam lado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 class="wp-block-heading">Inteligência artificial, cirurgia robótica e formação de profissionais especializados reforçam o papel do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP como referência em alta complexidade para o Sistema Único de Saúde (SUS)</h2>



<p>Texto: Rose Talamone &#8211; Sábado, 6 de junho de 2026</p>



<p>O passado e o futuro caminharam lado a lado nos 70 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP). Referência nacional em assistência de alta complexidade, ensino e pesquisa, a instituição realizou quase 27 mil cirurgias e 297 transplantes em 2025, números que ajudam a dimensionar seu papel dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, aposta em novas fronteiras da saúde, como a inteligência artificial e a cirurgia robótica.</p>



<p>As comemorações já começaram e continuam nesta quinta-feira, 4 de junho, com o Concerto HC 70 Anos e a abertura da exposição&nbsp;<em>Memórias do HCFMRP-USP</em>. Ao longo do ano, a programação inclui exposição itinerante, corrida comemorativa, lançamento de livro histórico, inauguração de espaços de memória e homenagens aos profissionais que ajudaram a construir a trajetória da instituição.</p>



<p>Criado em 1956 para servir de hospital-escola da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o HC acompanhou a expansão da Universidade e da própria medicina brasileira. Inicialmente instalado na região central da cidade, consolidou-se ao longo das décadas como referência para casos de alta complexidade vindos de todo o interior paulista, além de participar de avanços que marcaram a medicina brasileira, como transplantes, reprodução assistida e cirurgia para tratamento da epilepsia.</p>



<p>Para o superintendente do hospital, o professor Ricardo Cavalli, a história da instituição pode ser compreendida a partir de três grandes momentos. O primeiro foi a instalação da unidade original na região central de Ribeirão Preto. O segundo ocorreu em 1978, com a transferência para o campus da USP. O terceiro, segundo ele, está sendo construído agora. “Temos agora uma nova Unidade de Emergência. É um novo cenário. Quase uma tríade hospitalar ao longo desses 70 anos”, afirma.</p>



<p>Já em construção, a nova Unidade de Emergência representa o maior projeto de expansão do HC nas últimas décadas. A&nbsp;estrutura ampliará significativamente a capacidade de atendimento do complexo hospitalar, com novos leitos, centros cirúrgicos e unidades especializadas, fortalecendo sua posição como referência para casos de alta complexidade no interior paulista.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20260603_Ricardo_Cavalli_HCFMRP_circulo-rof7m59uiwmw9ub74nkdpvbe6i73litbk5xat2iamc.jpg" alt="Ricardo Cavalli, professor da FMRP e superintendente do HC - Foto: Divulgação/HCFMRP" style="width:146px;height:auto" title="20260603_Ricardo_Cavalli_HCFMRP_circulo"/><figcaption class="wp-element-caption">Ricardo Cavalli, professor da FMRP e superintendente do HC &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>
</div>


<p>Para Cavalli, no entanto, a nova fase do hospital não se resume ao crescimento físico. Ela também está associada à incorporação de tecnologias capazes de transformar a assistência, a pesquisa e a formação de profissionais de saúde. “Temos tecnologias de ponta em diversas áreas ligadas à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. São estruturas de excelência reconhecidas no Estado de São Paulo, no Brasil e até internacionalmente”, afirma.</p>



<p>O desafio, segundo o superintendente, é incorporar inovação em um hospital que atende exclusivamente pelo SUS. “Muitas vezes a tecnologia parece cara no momento da aquisição. Mas, quando reduz complicações, tempo de internação e intercorrências, ela passa a ter custo-efetividade no médio prazo”, avalia.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_unidade_emergencia_FMRP2.jpg" alt="" class="wp-image-1016555"/></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_unidade_emergencia_FMRP1.jpg" alt="" class="wp-image-1016554"/></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_unidade_emergencia_FMRP3.jpg" alt="" class="wp-image-1016556"/></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_unidade_emergencia_FMRP4.jpg" alt="" class="wp-image-1016557"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Nova Unidade de Emergência representa o maior projeto de expansão do HC nas últimas décadas &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</h2>



<h2 class="wp-block-heading">Inteligência artificial e SUS</h2>



<p>A inteligência artificial costuma aparecer associada a promessas futuristas. No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, porém, ela já começa a ser incorporada à rotina de trabalho de médicos, pesquisadores e gestores.</p>



<p>Criado recentemente, o Núcleo de Inteligência Artificial (NIA) representa uma das apostas mais ambiciosas do hospital para os próximos anos. A proposta vai além da adoção de softwares comerciais:&nbsp;a ideia é construir capacidade própria para desenvolver, treinar e validar sistemas de inteligência artificial voltados às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). “O objetivo não é simplesmente comprar tecnologia pronta, mas criar uma estrutura capaz de identificar problemas reais da rotina hospitalar, desenvolver ou adaptar soluções, validar essas ferramentas com segurança e incorporá-las de forma responsável ao cuidado, à pesquisa e à gestão”, afirma o coordenador do núcleo, o médico radiologista Julio Cesar Nather Junior.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20260603_Julio_Nader_coordenador-do_Nucleo_IA_HCFMRP-rof7m4c0c2lly8cka55r5djxl4bqdtpl819tbsjosk.jpg" alt="Foto: Divulgação/HCFMRP" style="width:143px;height:auto" title="20260603_Julio_Nader_coordenador do_Nucleo_IA_HCFMRP"/><figcaption class="wp-element-caption">Julio Cesar Nather Junior, médico radiologista e coordenador do Núcleo de Inteligência Artificial (NIA) &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p>O projeto nasce de uma matéria-prima valiosa: os dados produzidos diariamente pelo próprio hospital. Somente em 2025, o HC realizou mais de 800 mil consultas e procedimentos, mais de 1 milhão de atendimentos multidisciplinares e mais de 4 milhões de exames laboratoriais. Somados a décadas de registros médicos, exames de imagem, laudos e prontuários, esses dados formam uma das maiores bases de informações clínicas do País. Transformar esse volume de informação em conhecimento útil para a assistência, a pesquisa e a gestão é um dos principais objetivos do Núcleo de Inteligência Artificial.&nbsp;</p>



<p>Segundo Nather, o núcleo já atua em projetos que utilizam inteligência artificial para triagem de tomografias de crânio com suspeita de hemorragia, identificação de alterações em ressonâncias magnéticas, detecção de novas lesões em pacientes com esclerose múltipla e análise de radiografias de tórax, abdômen e membros inferiores. “Em vez de substituir especialistas, os sistemas funcionam como uma camada adicional de apoio. Exames potencialmente graves podem ser sinalizados mais rapidamente, permitindo que casos urgentes recebam prioridade.”&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_dia_a_dia_HCFMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016330"/><figcaption class="wp-element-caption">Uso da inteligência artificial pode ajudar na agilidade do atendimento no HCFMRP &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>



<p>Outra frente de trabalho busca atacar um dos maiores gargalos da medicina contemporânea: a burocracia. Projetos em desenvolvimento permitem que a inteligência artificial transforme automaticamente consultas gravadas em textos estruturados para prontuários eletrônicos. Em outra aplicação, sistemas analisam informações já registradas e produzem versões preliminares de relatórios médicos, reduzindo o tempo gasto com tarefas repetitivas. “Quando a inteligência artificial ajuda a recuperar informações do prontuário, apoiar codificação hospitalar, organizar filas ou priorizar exames, ela libera tempo para que os profissionais possam se dedicar ao que realmente importa: o atendimento ao paciente“, afirma Nather.</p>



<p>A expectativa é que os primeiros impactos apareçam justamente nas áreas que concentram grandes volumes de informação. “Diagnóstico por imagem e gestão hospitalar tendem a ser os setores com ganhos mais rápidos. A inteligência artificial pode ajudar a organizar filas, prever demanda, otimizar agendas, apoiar a regulação de leitos e reduzir retrabalho”, explica.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/08/aspaspng_rosa_50px.png" alt="" class="wp-image-265569"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><a href="http://lorem%20ipsum%20dolor%20sit%20amet,%20con/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quando a inteligência artificial ajuda a recuperar informações do prontuário, apoiar codificação hospitalar, organizar filas ou priorizar exames, ela libera tempo para que os profissionais possam se dedicar ao que realmente importa: o atendimento ao paciente&#8221;</a></h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_cotidiano_HCFMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016329"/><figcaption class="wp-element-caption">HC de Ribeirão Preto busca ser referência nacional em inteligência artificial aplicada ao SUS &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>



<p>A escolha de desenvolver essas soluções dentro de um hospital universitário também tem uma dimensão estratégica.&nbsp;Enquanto boa parte dos algoritmos disponíveis no mercado internacional é treinada com populações e sistemas de saúde muito diferentes da realidade brasileira, o NIA pretende construir modelos baseados em dados produzidos no próprio SUS. “Muda muito a lógica. Quando a inteligência artificial é desenvolvida a partir das necessidades do SUS, a prioridade não é apenas criar um produto comercial, mas resolver problemas de acesso, filas, tempo de atendimento, segurança do paciente e uso eficiente dos recursos públicos”, afirma o pesquisador.</p>



<p>Ao mesmo tempo, a equipe procura estabelecer salvaguardas para questões éticas e de privacidade. Os projetos passam por processos de governança, anonimização de dados, controle de&nbsp;acesso e avaliação ética antes de serem incorporados às rotinas assistenciais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/08/aspaspng_rosa_50px.png" alt="" class="wp-image-265569"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><a href="http://lorem%20ipsum%20dolor%20sit%20amet,%20con/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O algoritmo pode indicar um achado, sugerir uma prioridade ou chamar atenção para um risco. Mas quem interpreta o conjunto do caso, conversa com o paciente e decide a conduta continua sendo a equipe de saúde&#8221;</a></h2>



<p>Nather acredita que a inteligência artificial transformará profundamente a saúde pública brasileira nos próximos anos, mas faz uma ressalva:&nbsp;os algoritmos não substituirão médicos, enfermeiros ou outros profissionais. “O algoritmo pode indicar um achado, sugerir uma prioridade ou chamar atenção para um risco. Mas quem interpreta o conjunto do caso, conversa com o paciente e decide a conduta continua sendo a equipe de saúde“, afirma.</p>



<p>A ambição é grande. O objetivo declarado do núcleo é transformar o HC de Ribeirão Preto em uma referência nacional em inteligência artificial aplicada ao SUS, produzindo inovação desenvolvida dentro do sistema público e voltada para os desafios da saúde pública brasileira.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_HCFMRP_cirurgia_robotica.jpg" alt="" class="wp-image-1016332"/><figcaption class="wp-element-caption">Cirurgias robóticas já acontecem no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Robôs já integram a rotina cirúrgica</h2>



<p>Enquanto a inteligência artificial representa uma aposta para os próximos anos, a cirurgia robótica já é uma realidade consolidada dentro do HC. A tecnologia vem sendo incorporada em diferentes especialidades e tem produzido resultados semelhantes em diversas áreas, como redução do tempo de internação, menor sangramento durante os procedimentos, recuperação mais rápida dos pacientes, maior precisão cirúrgica e menor índice de complicações. Os avanços observados pelas equipes reforçam uma tendência que vem transformando a prática cirúrgica em hospitais de referência no Brasil e no mundo.</p>



<p>Apesar do nome, a cirurgia robótica não significa que os procedimentos sejam realizados de forma autônoma. “O robô depende integralmente do planejamento e da atuação do cirurgião. Ele funciona como uma ferramenta de altíssima precisão, capaz de auxiliar principalmente em procedimentos complexos”, explica o professor Ricardo Santos de Oliveira, coordenador do Laboratório de Técnica Cirúrgica do HCFMRP.</p>



<p>A história da cirurgia robótica no Hospital das Clínicas começou em 2019, quando a Divisão de Urologia realizou os primeiros procedimentos utilizando a tecnologia. Desde então, mais de 300 cirurgias robóticas foram realizadas apenas pela especialidade. “A urologia foi a pioneira na realização de cirurgia robótica no Hospital das Clínicas. Tivemos um grande ganho para os pacientes, com menor sangramento, internações mais curtas e recuperação mais rápida das funções urinária e sexual”, afirma o professor da FMRP e chefe da Divisão de Urologia do HC,&nbsp;Rodolfo Borges dos Reis.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20220905_dr-ricardosantosdeoliveira-piof2giotaffvuiwxkmg5nswm77k3rkbydtt2b0nyc.png" alt="Ricardo Santos de Oliveira - Foto: Arquivo pessoal" title="20220905_dr-ricardosantosdeoliveira"/><figcaption class="wp-element-caption">Ricardo Santos de Oliveira, professor da FMRP e coordenador do Laboratório de Técnica Cirúrgica do HC &#8211; Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
</div>


<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/08/aspaspng_rosa_50px.png" alt="" class="wp-image-265569"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><a href="http://lorem%20ipsum%20dolor%20sit%20amet,%20con/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quanto mais complexa a cirurgia, maior o benefício que podemos atingir com as plataformas robóticas&#8221;</a></h2>



<p>Além das cirurgias para câncer de próstata, a tecnologia é utilizada em procedimentos para retirada da bexiga e tratamento de tumores renais. “Vejo o futuro da cirurgia robótica como algo sem volta. Cada vez mais áreas vão ampliar sua atuação, trazendo benefícios dos procedimentos minimamente invasivos para pacientes e instituições”, afirma.</p>



<p>A expansão da tecnologia alcançou também a ginecologia. Atualmente, o HC realiza procedimentos robóticos para tratamento da endometriose, especialmente nos casos mais complexos da doença.&nbsp;Segundo o professor&nbsp;Julio Rosa e Silva, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP, o potencial das plataformas robóticas cresce à medida que aumenta a complexidade dos procedimentos.&nbsp;“Quanto mais complexa a cirurgia, maior o benefício que podemos atingir com as plataformas robóticas”, destaca.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_Julio_Rosa_e_Silva_rodolfo_borges_reis_FMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016456"/></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Julio Rosa e Silva, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP, e Rodolfo Borges dos Reis, professor da FMRP e chefe da Divisão de Urologia do HC &#8211; Fotos: Arquivo pessoal e Jornal FMRPUSP</h2>



<p>Na ortopedia e na neurocirurgia, o destaque é o robô Mazor, incorporado ao HC em junho de 2024. Desde então, cerca de 100 pacientes já foram submetidos a procedimentos utilizando a tecnologia. Segundo o professor Helton Luiz Aparecido Defino, chefe do Departamento de Ortopedia e Anestesiologia da FMRP, as principais indicações envolvem deformidades vertebrais, tumores, doenças degenerativas e infecções que exigem a colocação de implantes. “O sistema robótico permite a colocação precisa dos implantes, reduzindo complicações relacionadas ao mau posicionamento e possibilitando abordagens menos invasivas”, afirma.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_Robo_Mazor_HCFMRP3.jpg" alt="" class="wp-image-1016530"/><figcaption class="wp-element-caption">Robô Mazor, utilizado no HCFMRP &#8211; Foto: Divulgação/FMRP</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_cirurgia_com_robo_-HCFMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016325"/></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_cirurgia_utilizando_robo_no-HCFMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016327"/><figcaption class="wp-element-caption">Cirurgia realizada no HCFMRP com ajuda de robô &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/08/aspaspng_rosa_50px.png" alt="" class="wp-image-265569"/></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><a href="http://lorem%20ipsum%20dolor%20sit%20amet,%20con/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Essa é uma luta que vem sendo construída há cerca de 30 anos&#8221;</a></h2>



<p>O professor Ricardo Oliveira destaca também que o HC ocupa posição pioneira nessa área. “O robô Mazor foi o primeiro sistema deste tipo utilizado em um hospital público da América Latina”, afirma. Segundo ele, a principal contribuição da tecnologia está na colocação de implantes e parafusos na coluna vertebral. “Conseguimos maior precisão e acurácia na colocação dos implantes, aumentando a segurança do procedimento para o paciente.”</p>



<p>Para o professor&nbsp;José Sebastião dos Santos, chefe da Divisão de Cirurgia do Aparelho Digestivo da FMRP, a cirurgia robótica representa mais um capítulo de uma transformação iniciada há décadas. “Essa é uma luta que vem sendo construída há cerca de 30 anos”, afirma.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_helton_delfino_jose_sebastiao_dos_santos_FMRP.jpg" alt="" class="wp-image-1016464"/></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Helton Luiz Aparecido Defino, chefe do Departamento de Ortopedia e Anestesiologia da FMRP; e José Sebastião dos Santos, chefe da Divisão de Cirurgia do Aparelho Digestivo da FMRP &#8211; Fotos: Divulgação / FMRP</h2>



<p>Segundo ele, a incorporação de técnicas endoscópicas, videoendoscópicas, percutâneas e robóticas modificou profundamente o processo assistencial, contribuindo para reduzir complicações, ampliar a produção cirúrgica e melhorar o acesso da população aos tratamentos pelo SUS.</p>



<p>Para Cavalli, o desafio agora é garantir que a incorporação tecnológica continue acessível dentro do sistema público. “Muitas vezes a tecnologia parece cara quando olhamos apenas o investimento inicial. Mas ela, além de reduzir complicações e tempo de internação, traz benefícios que se refletem no custo do tratamento ao longo do tempo”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O futuro como legado</h2>



<p>Com 938 leitos e mais de 52 mil internações registradas em 2025, o HC se consolidou como uma das maiores estruturas hospitalares vinculadas ao SUS no País.&nbsp;Para o diretor da FMRP, Jorge Elias Junior, a importância do hospital vai além da assistência prestada à população. Ao longo de sete décadas, o HC tornou-se um dos principais ambientes de formação de profissionais de saúde do País, oferecendo aos estudantes contato com diferentes níveis de atenção, casos de alta complexidade e a realidade do sistema público de saúde. “A crescente adoção de tecnologias como a cirurgia robótica, a inteligência artificial e métodos avançados de diagnóstico influencia diretamente a formação de nossos estudantes e residentes. Essas ferramentas ampliam as possibilidades de diagnóstico, tratamento e gestão do cuidado, mas exigem profissionais capazes de utilizá-las de forma crítica, ética e centrada no ser humano”, afirma.</p>



<p>Segundo o diretor, a expansão do complexo HC-FMRP-Faepa (Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do HCFMRP), que hoje inclui o Hospital Estadual de Ribeirão Preto, o Hospital Santa Tereza e a nova Unidade de Emergência em construção, amplia ainda mais as oportunidades de ensino, pesquisa e assistência dentro do SUS.</p>



<p>Ao refletir sobre o legado construído ao longo de sete décadas, Cavalli afirma que a principal contribuição do HC para o SUS foi consolidar um modelo de assistência altamente especializada associado ao ensino e à pesquisa. “A referência em alta complexidade salva vidas. São casos que muitas vezes só encontram solução em hospitais com esse perfil”, afirma.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20260603_jorge_elias_jr_FMRP-rofhuehk28r0u3ecru2ikxwkgz3z8krjiv1jfohow4.jpg" alt="20260603_jorge_elias_jr_FMRP" title="20260603_jorge_elias_jr_FMRP"/></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Jorge Elias Junior, diretor da FMRP &#8211; Foto: Divulgação /FMRP</h2>



<p>70 anos depois de sua criação, o hospital que ajudou a transformar Ribeirão Preto em um dos principais polos de saúde do País continua apostando na mesma estratégia que marcou sua trajetória: combinar assistência, formação de profissionais e produção de conhecimento. A diferença&nbsp;é que, agora, parte desse conhecimento também está sendo usada para ensinar algoritmos, desenvolver novas tecnologias e preparar o SUS para os desafios das próximas décadas.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2026/06/20260603_00_complexo_HCFMRP_no_campus.jpg" alt="" class="wp-image-1016328"/><figcaption class="wp-element-caption">Vista aérea do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Sete décadas de cuidado e uma agenda de celebrações</h2>



<p>Confira a programação das comemorações dos 70 anos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP:</p>



<p><strong>4 de junho</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Concerto HC 70 Anos</li>



<li>Abertura da exposição <em>Memórias do HCFMRP-USP</em></li>



<li>Apresentação da USP Filarmônica Ribeirão Preto</li>
</ul>



<p><strong>26 de junho</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Jantar festivo comemorativo</li>
</ul>



<p><strong>16 de agosto</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Corrida HC 70 Anos: Movimento Que Cuida</li>
</ul>



<p><strong>Setembro</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Lançamento do livro <em>Memórias HCFMRP-USP</em></li>



<li>Inauguração da Galeria dos Ex-Superintendentes</li>



<li>Inauguração do Recanto de Paz</li>



<li>Entrega da revitalização da Praça da Amizade</li>
</ul>



<p><strong>26 a 30 de outubro</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Homenagem aos funcionários do complexo hospitalar</li>
</ul>



<p>Fonte: Jornal USP / Fachada do Hospital das Clínicas da FMRP &#8211; Foto: Divulgação/HCFMRP</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Bate Papo com o vereador Nielson Buraem" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/pYR-elUo5s8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Senado aprova criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 13:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Exame Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que será obrigatório para obtenção de registro profissional. A proposta mantém a condução do exame sob responsabilidade do Conselho Federal de Medicina (CFM) e segue agora para análise da Câmara dos Deputados. O texto, relatado pelo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que será obrigatório para obtenção de registro profissional. A proposta mantém a condução do exame sob responsabilidade do Conselho Federal de Medicina (<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/cfm/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CFM</a></strong>) e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.</p>



<p>O texto, relatado pelo senador Hiran Gonçalves (PP-RR) e de autoria do senador Marcos Pontes (PL-SP), já havia recebido aval da comissão em dezembro de 2025, em primeiro turno. Na deliberação mais recente, os parlamentares analisaram as emendas apresentadas, rejeitaram alterações e confirmaram a versão que preserva a competência do CFM.</p>



<p>A proposta estabelece dois instrumentos de avaliação. O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que será aplicado pelo Ministério da Educação no quarto ano da graduação, com foco no acompanhamento do desempenho dos estudantes e na supervisão da qualidade dos cursos de medicina; e o Profimed, que ocorrerá após a conclusão da graduação e funcionará como etapa obrigatória para obtenção do registro profissional.</p>



<p>De acordo com o texto, candidatos não aprovados no Profimed poderão exercer apenas atividades técnicas e científicas, sem contato direto com pacientes, por meio da Inscrição de Egresso em Medicina. A aplicação do exame deverá ocorrer ao menos duas vezes por ano em todos os estados e no Distrito Federal, sob responsabilidade dos Conselhos Regionais de Medicina, com envio dos resultados aos Ministérios da Educação e da Saúde, sem divulgação nominal.</p>



<p>A proposta também prevê sanções administrativas a cursos com desempenho insatisfatório no exame, incluindo redução de vagas, suspensão de novos ingressos e eventual encerramento das atividades, conforme a gravidade dos indicadores.</p>



<p>Relator da proposta, o senador Hiran defendeu as punições para os cursos que não atingirem o desempenho mínimo. “Está consignado que nós devemos estabelecer sanções aos cursos de medicina que eventualmente não aprovam um determinado percentual dos seus egressos, com diminuição do número de vagas, suspensão do vestibular e, eventualmente, até dependendo da gravidade da questão, fechar esse curso de medicina”, esclareceu.</p>



<p>Para o presidente da&nbsp;<strong><a href="https://medicinasa.com.br/tag/anadem/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Anadem</a>&nbsp;</strong>(Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), Raul Canal, a medida tende a gerar efeitos positivos para todo o sistema de saúde. “A criação do Profimed representa um avanço relevante para a qualificação da prática médica. Um exame de proficiência amplia a segurança da população e também protege o profissional ao estimular padrões técnicos mais elevados. Com médicos mais preparados, a tendência é reduzir a judicialização relacionada a falhas assistenciais”, avaliou.</p>



<p>Com Informações do Site Medicina SA</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="EMAGRECIMENTO MODERNO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/FeGat2T796U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>MEC revoga edital para criação de cursos particulares de medicina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Feb 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[cursos]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Ministério da Educação (MEC) revogou o edital para a criação de novos cursos de medicina por instituições privadas de ensino superior. O chamamento foi lançado em outubro de 2023, quando foi autorizada a abertura de até 95 novos cursos em municípios pré-selecionados, priorizando o interior do país. A medida ocorreu no âmbito da retomada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério da Educação (MEC) revogou o edital para a criação de novos cursos de medicina por instituições privadas de ensino superior. O chamamento foi lançado em outubro de 2023, quando foi autorizada a abertura de até 95 novos cursos em municípios pré-selecionados, priorizando o interior do país.</p>



<p>A medida ocorreu no âmbito da retomada do programa Mais Médicos, que visa ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a redução de desigualdades regionais, com a descentralização da oferta de cursos e promoção da qualidade da formação médica.</p>



<p>De lá para cá, o cronograma foi adiado diversas vezes diante do grande volume de propostas e de ações judiciais apresentadas pelos interessados. Em outubro do ano passado, o MEC já havia suspendido o edital por 120 dias e agora, após esse prazo, vem a decisão da revogação. A portaria que revoga o edital foi publicada na noite dessa terça-feira (10) em edição extra do Diário Oficial da União.</p>



<p>Em comunicado, o MEC explicou que a decisão tem caráter técnico e que uma série de eventos alteraram, “de forma substancial”, o cenário que fundamentou o edital para o funcionamento dos novos cursos.</p>



<p>A pasta cita a recente expansão de vagas de medicina, notadamente provocada pela judicialização dos pedidos de autorização de novos cursos, pela expansão da oferta de cursos dos sistemas estaduais e distrital de ensino e pela conclusão de processos administrativos relativos a aumento de vagas em cursos já existentes.</p>



<p>“Diante desse quadro, a manutenção do edital deixaria de atender aos objetivos de ordenação da oferta, redução das desigualdades regionais e garantia de padrão de qualidade que orientam o Programa Mais Médicos”, diz o MEC.</p>



<p>Proibição</p>



<p>Para controlar a qualidade dos novos cursos no país, a abertura de vagas de medicina foi proibida por portaria do Ministério da Educação, a partir de abril de 2018, com validade de cinco anos. Em 2023, após esse prazo, o governo atual autorizou a abertura de novos cursos em regiões do país onde faltam médicos e, com o edital, tinha o objetivo de retomar do protagonismo do Estado na coordenação da expansão dessas vagas.</p>



<p>Após a proibição, entretanto, foram recebidas mais de 360 liminares judiciais contra a União, determinando ao MEC o recebimento e processamento de pedidos de autorização de novos cursos de medicina e de aumentos de vagas em cursos previamente autorizados. Essa judicialização representou pedidos de aproximadamente 60 mil novas vagas.</p>



<p>De acordo com nota técnica da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), que motivou a suspensão do edital em 2025, a vedação à abertura de cursos e ao aumento de vagas em medicina não significou a estagnação da oferta de ensino médico no país, mas, “pelo contrário, possibilitou a abertura de cursos que não se submeteram ao processo regulatório e avaliativo instituído”.</p>



<p>Os dados do Censo da Educação Superior indicam que, em 2018, existiam 322 cursos de medicina no país, com 45.896 vagas. Em 2023, esse número subiu para 407 cursos e 60.555 vagas.</p>



<p>“Além disso, a maior parte dos processos instaurados por força de decisão judicial só foi decidida após 2023, de forma que a expansão ocasionada pelo sobrestamento não se limitou ao período de sua vigência”, diz a Seres.</p>



<p>Além do cenário de expansão da formação médica no sistema federal de ensino, o MEC cita o aumento de cursos de medicina por intermédio de conselhos estaduais de Educação, totalizando hoje 77 cursos no sistema estadual.</p>



<p>Ainda, segundo a secretaria, mesmo com a expansão ocorrida, ainda persistiam as desigualdades regionais na área de saúde, com regiões onde a relação de médicos por habitantes era muito inferior à média nacional, como os estados do Acre, Amazonas, Maranhão e Pará.</p>



<p>Qualidade</p>



<p>De acordo com o comunicado do MEC, somam-se ao novo cenário da oferta de vagas de medicina no país a implementação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), as novas Diretrizes Curriculares Nacionais e os debates públicos sobre a instauração de um exame de proficiência do egresso do curso de medicina.</p>



<p>O resultado da primeira edição do Enamed levantou uma discussão sobre a má qualidade da formação médica no Brasil. Cerca de 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório, porque menos de 60% dos estudantes não alcançaram a nota mínima para proficiência. A maioria dessas instituições é municipal ou privada com fins lucrativos.</p>



<p>“Embora esses elementos tenham surgido após a elaboração do edital de seleção, e não reflitam diretamente sobre os procedimentos de autorização de novos cursos, eles revelam alteração significativa do contexto fático, social e regulatório no qual se insere a política de formação médica no país, reforçando a importância da centralidade da qualidade da oferta e da adequação da formação às necessidades do SUS”, diz o MEC.</p>



<p>Não há prazo para um novo chamamento. Mas o MEC informou que a revogação do atual edital não representa a interrupção da política pública de expansão da formação médica e que, em coordenação com o Ministério da Saúde e outros órgãos, seguirá atuando para “consolidar um diagnóstico atualizado” sobre a oferta de cursos e vagas e seus impactos na qualidade da formação médica e no atendimento do SUS.</p>



<p> (Com informações da Agência Brasil)</p>



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<iframe title="ATIVIDADES DO CONSELHO TUTELAR" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/E4B1OIER-XI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Depressão se tornou mais aceita como doença de causas biológicas, diz psiquiatra Philip Gold</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Nov 2025 17:39:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[causas biologicas]]></category>
		<category><![CDATA[Depressao]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Saude Mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Domingo, 16/11/2025 &#8211; 14h20 Por&#160;Luana Lisboa &#124; Folhapress Um dos principais pesquisadores do mundo sobre transtornos depressivos, Philip William Gold acredita que o aumento de casos neste século se relaciona ao fato de que a depressão tem sido mais aceita como uma doença de causas biológicas em vez de como uma falha em se adaptar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo, 16/11/2025 &#8211; 14h20</p>



<p>Por&nbsp;Luana Lisboa | Folhapress</p>



<p>Um dos principais pesquisadores do mundo sobre transtornos depressivos, Philip William Gold acredita que o aumento de casos neste século se relaciona ao fato de que a depressão tem sido mais aceita como uma doença de causas biológicas em vez de como uma falha em se adaptar ao mundo ao nosso redor.</p>



<p></p>



<p>Desde 1974, Gold atua nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), nos Estados Unidos, onde já ocupou o cargo de chefe de pesquisa neuroendócrina. Em entrevista à Folha, ele fala sobre seu mais recente livro, lançado em 2023, e traduzido no Brasil neste ano com o título &#8220;A Geração Deprimida&#8221;, pelo selo Paidós, da editora Planeta.<br>&nbsp;</p>



<p>O autor afirma que, hoje, as pessoas estão mais conscientes da depressão, mais dispostas a falar sobre o assunto e a procurar ajuda. Para ele, isso pode explicar melhor o aumento de casos do que a possibilidade de vivermos em um ritmo mais estressante.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Minha sensação é que, há 100 anos, era provavelmente mais estressante estar vivo, porque não tínhamos medicamentos que poderiam tratar as infecções, e as pessoas e os seus filhos sempre foram vulneráveis de formas que não são hoje&#8221;, diz.<br>&nbsp;</p>



<p>No ensaio, que aborda as descobertas mais recentes sobre as origens biológicas da depressão, o psiquiatra explica que a doença é uma resposta fisiológica desregulada ao estresse. Essa reação envolve diversos locais do cérebro e impacta todos os tecidos e todas as células do corpo. Por essa razão, afirma, a depressão é uma doença do corpo inteiro.<br>&nbsp;</p>



<p>Também por isso, diz ser uma tragédia o fato de que o tratamento adequado não esteja ao alcance de todos que sofrem com o transtorno &#8220;especialmente as mais pobres e desfavorecidas, prisioneiras de um desespero perpétuo e implacável&#8221;.<br>&nbsp;</p>



<p>Ele fala por experiência própria: Gold viveu a depressão durante a juventude. Quando tinha 6 anos, a vida da família se alterou completamente quando o irmão perdeu a capacidade de falar e engolir. Estava com uma infecção chamada pólio bulbar, que invade o tronco cerebral, interferindo na respiração e nas funções cardíacas. Na época, a doença tinha uma taxa de 80% de mortalidade. Com os pais arrasados, ele jurou para si mesmo que não lhes causaria problemas e sentiu culpa pelo irmão estar doente, e não ele.<br>&nbsp;</p>



<p>Já durante a faculdade, sofreu uma desilusão amorosa na mesma época em que o pai foi internado com fortes dores no peito. Por isso, teve uma grave crise de depressão.<br>&nbsp;</p>



<p>O estresse extremo ou trauma durante a infância, defende, pode plantar as sementes para o início da depressão anos depois.<br>&nbsp;</p>



<p>Perdas não lamentadas são fontes de enorme estresse. Manter os sentimentos afastados nos impede de fazer as pazes com o sofrimento e de passar pelo processo curativo de se debater com a tristeza, diz. Da mesma forma, evitar a raiva e sentir vergonha pela imperfeição são fatores que podem gerar propensão à depressão.<br>&nbsp;</p>



<p>Gold diz ter tido que superar o próprio perfeccionismo para ser um melhor terapeuta para os pacientes. &#8220;O perfeccionismo faz com que pacientes se sintam envergonhados do que acham ser uma falha. Eu me senti assim também, não podia cometer erros&#8221;, afirma.<br>&nbsp;</p>



<p>&#8220;Tratando esse perfeccionismo por anos, passei a ter uma visão mais realística de mim mesmo, tentando aprender com meus erros, com as pessoas e com o mundo ao meu redor&#8221;.<br>&nbsp;</p>



<p>Os traumas se entrelaçam a fatores genéticos para moldar a vulnerabilidade emocional. Embora não exista uma &#8220;sentença&#8221; genética para a depressão, os genes ainda têm um papel na previsão das chances de uma pessoa vir a sofrer a doença.<br>&nbsp;</p>



<p>Os estudos genéticos são vistos por Gold como o futuro dos tratamentos para depressão. Isso pode envolver, por exemplo, a testagem de pacientes quanto a mutações em genes candidatos para anomalias.<br>&nbsp;</p>



<p>No caso da depressão, esses candidatos incluem o CRH (hormônio liberador de corticotropina), componente central do sistema de resposta ao estresse do corpo e o BDNF, proteína essencial para a sobrevivência, crescimento e desenvolvimento dos neurônios, por exemplo.<br>&nbsp;</p>



<p>Enquanto o CRH desencadeia manifestações da depressão melancólica, como a ansiedade e comportamentos relacionados ao medo, níveis baixos de BDNF estão associados à disfunção da plasticidade cerebral, o que pode levar a uma redução dos neurônios e das conexões.<br>&nbsp;</p>



<p>Pesquisadores demonstraram que a deficiência de BDNF acontece em face do estresse. Gold afirma que a intervenção farmacológica com o melhor potencial envolve a continuidade dos estudos sobre essa proteína e o desenvolvimento de um composto oral, hoje difícil, por ele ser quebrado no trato intestinal.<br>&nbsp;</p>



<p>Menciona que o uso de psicodélicos também têm efeitos robustos na ativação do sistema do BDNF. Defende as drogas psicodélicas como agentes promissores que, quando usados com efetividade, na presença de um psicoterapeuta, podem ter impacto maior sobre a depressão, devido aos seus efeitos biológicos.<br>&nbsp;</p>



<p>A descoberta de que a cetamina pode exercer efeitos antidepressivos é um dos eventos mais importantes da pesquisa sobre a depressão em anos, também afirma Gold, pelo seu efeito quase imediato. A substância deu pistas sobre os efeitos que o neurotransmissor glutamato desempenha na depressão, mas tem riscos significativos, como a perda de respostas posteriores, levando à frustração do paciente.<br>&nbsp;</p>



<p>Gold mostra-se empolgado com as pesquisas futuras sobre o tratamento. &#8220;Iniciou-se uma era completamente nova quanto à compreensão que temos da doença depressiva, em que estão sendo identificados os alvos mais importantes para o seu tratamento rápido e eficaz&#8221;, escreve.<br>&nbsp;</p>



<p>A Geração Deprimida<br>&nbsp;</p>



<p>Preço: R$ R$ 79,90<br>&nbsp;</p>



<p>Autoria: Philip W. Gold<br>&nbsp;</p>



<p>Editora: Paidós</p>



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<iframe title="NOVEMBRO AZUL: MÊS MUDIAL DE COMBATE AO CÂNCER DE PRÓSTATA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/2axkOlm19WQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/depressao-se-tornou-mais-aceita-como-doenca-de-causas-biologicas-diz-psiquiatra-philip-gold/">Depressão se tornou mais aceita como doença de causas biológicas, diz psiquiatra Philip Gold</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>As células que são &#8216;agentes de segurança&#8217; do sistema imunológico e renderam Nobel de Medicina de 2025 aos descobridores</title>
		<link>https://ipiracity.com/as-celulas-que-sao-agentes-de-seguranca-do-sistema-imunologico-e-renderam-nobel-de-medicina-de-2025-aos-descobridores/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=as-celulas-que-sao-agentes-de-seguranca-do-sistema-imunologico-e-renderam-nobel-de-medicina-de-2025-aos-descobridores</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Oct 2025 13:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Real Academia Sueca outorgou o Prêmio Nobel de Medicina de 2025 a Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, pelas suas descobertas no campo da chamada tolerância imunológica periférica. Trata-se de um mecanismo que evita que o sistema imunológico prejudique o próprio corpo. Este conhecimento permitiu desenvolver novos tratamentos médicos. &#8220;Suas descobertas foram decisivas para compreendermos como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Real Academia Sueca outorgou o Prêmio Nobel de Medicina de 2025 a Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, pelas suas descobertas no campo da chamada tolerância imunológica periférica.</p>



<p>Trata-se de um mecanismo que evita que o sistema imunológico prejudique o próprio corpo. Este conhecimento permitiu desenvolver novos tratamentos médicos.</p>



<p>&#8220;Suas descobertas foram decisivas para compreendermos como funciona o sistema imunológico e por que nem todos nós desenvolvemos doenças autoimunes severas&#8221;, explicou Olle Kämpe, presidente do Comitê do Prêmio Nobel.</p>



<p>A Real Academia Sueca decidiu dividir o prêmio entre os três pesquisadores, que desenvolveram seus trabalhos em universidades dos Estados Unidos e do Japão.</p>



<p>Mary Brunkow, nascida em 1961, trabalha no Instituto de Biologia de Sistemas, de Seattle, nos Estados Unidos. Fred Ramsdell (1960), na Sonoma Biotherapeutics de São Francisco, também nos EUA. E Shimon Sakaguchi (1951) realiza suas pesquisas na Universidade de Osaka, no Japão.</p>



<p>O prêmio é de 11 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,17 milhão, ou cerca de R$ 6,2 milhões) e será repartido em partes iguais entre os vencedores.</p>



<p>Os laureados identificaram as &#8220;agentes de segurança do sistema imunológico&#8221; — as células T reguladoras, que evitam que as células imunológicas ataquem nosso próprio organismo.</p>



<p>Suas descobertas impulsionaram o desenvolvimento de tratamentos contra o câncer e as doenças autoimunes. E podem também possibilitar maior sucesso em transplantes, segundo destacou a Academia.</p>



<p>Diversos destes tratamentos estão atualmente em fase de ensaios clínicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Percurso-de-anos">Percurso de anos</h2>



<p>Shimon Sakaguchi fez a primeira descoberta importante em 1995, nadando contra a corrente.</p>



<p>Naquele momento, muitos pesquisadores estavam certos de que a tolerância imunológica só se desenvolvia eliminando do nosso organismo as células imunológicas potencialmente prejudiciais no timo, em um processo denominado &#8220;tolerância central&#8221;.</p>



<p>Mas Sakaguchi demonstrou que o sistema imunológico é mais complexo e descobriu uma classe de células imunológicas até então desconhecidas, que protegem o organismo das doenças autoimunes.</p>



<p>Por outro lado, Mary Brunkow e Fred Ramsdell realizaram outra descoberta fundamental em 2001. Eles explicaram por que uma cepa específica de ratos era particularmente vulnerável às doenças autoimunes.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/c02b/live/4fc29200-a2e4-11f0-ba2e-7d74c4f6f1cb.jpg.webp" alt="Micrografia eletrônica colorida de uma célula T ou linfócito T. Seu aspecto é similar a uma esponja, com bordas parecidas com pétalas de flores."/><figcaption class="wp-element-caption">NIH-NIAID/Image Point FR/BSIP/Universal Images Group via Getty Images<br></figcaption></figure>



<p>Eles haviam descoberto que os ratos contêm uma mutação em um gene que denominaram Foxp3. E também demonstraram que as mutações no equivalente humano deste gene causam uma grave doença autoimune, a síndrome IPEX.</p>



<p>Dois anos depois, em 2003, Shimon Sakaguchi conseguiu relacionar estas descobertas entre si. Ele demonstrou que o gene Foxp3 controla o desenvolvimento das células identificadas por ele em 1995.</p>



<p>Estas células são, agora, conhecidas como células T reguladoras. Elas supervisionam outras células imunológicas e garantem que o nosso sistema imunológico tolere nossos próprios tecidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-que-são-as-células-T">O que são as células T</h2>



<p>As células T, ou linfócitos T, são uma espécie de células imunológicas. Seu principal propósito é identificar e matar patógenos invasores ou células infectadas.</p>



<p>Elas agem utilizando proteínas localizadas na sua superfície que, por sua vez, podem se aderir a proteínas da superfície desses impostores.</p>



<p>Cada célula T é altamente específica. Existem bilhões de possíveis variações destas proteínas de superfície e cada uma delas pode reconhecer um objetivo diferente.</p>



<p>Como as células T podem se manter no sangue durante anos após uma infecção, elas também colaboram para a &#8220;memória de longo prazo&#8221; do sistema imunológico, permitindo que ele organize uma resposta mais rápida e eficiente quando fica exposto a um antigo inimigo.</p>



<p>Conhecendo quais aspectos do sistema imunológico são os mais importantes, os cientistas podem direcionar seus esforços para fazer funcionar as vacinas e tratamentos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Como-funcionam-as-diferentes-células-imunológicas">Como funcionam as diferentes células imunológicas</h2>



<p>Quando o corpo é infectado, por exemplo, com um vírus, ele reage produzindo glóbulos brancos, chamados linfócitos.</p>



<p>Os principais tipos de linfócitos são as células B, produtoras de anticorpos, e as células T, que auxiliam a produção de anticorpos de células B ou agem como células assassinas para destruir o vírus.</p>



<p>Algumas células T e B também se transformam em células de memória de longa duração, que sabem o que fazer se encontrarem novamente a mesma infecção.</p>



<p>As células B e T &#8220;observam&#8221; o vírus de diferentes formas.</p>



<p>Em termos gerais, as células B reconhecem as formas no lado externo do vírus, criando anticorpos que se travam ou se acoplam a elas. Elas funcionam mais ou menos como duas peças de um quebra-cabeça que se encaixam.</p>



<p>Por outro lado, as células T reconhecem fragmentos dos aminoácidos que compõem o vírus, incluindo fragmentos que, normalmente, se encontram no seu interior.</p>



<p>Cada vírus possui muitas características únicas, tanto interna quanto externamente. A reação imunológica de cada pessoa pode acabar produzindo uma série de células T e B que, entre si, atacam uma ampla variedade dessas características.</p>



<p>Isso, às vezes, se chama &#8220;amplitude de resposta&#8221;. E uma boa amplitude de resposta envolve muitos linfócitos diferentes que observam diferentes partes do vírus, dificultando a ocultação completa do invasor.</p>



<p>O estudo das células T e sua aplicação em vacinas teve importância fundamental durante a pandemia de covid-19, devido ao seu papel chave na resposta imunológica.</p>



<p>Fonte: BBC Brasil / Foto: CLAUDIO BRESCIANI/TT NEWS AGENCY/AFP via Getty Images</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="ANÁLISE POLÍTICA DOS DESTAQUES DA SEMANA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/9MqrfbZoSO0?start=400&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/as-celulas-que-sao-agentes-de-seguranca-do-sistema-imunologico-e-renderam-nobel-de-medicina-de-2025-aos-descobridores/">As células que são ‘agentes de segurança’ do sistema imunológico e renderam Nobel de Medicina de 2025 aos descobridores</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Governo cria bolsa de R$ 700 para estudantes de medicina de baixa renda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 19:17:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Estudantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Serão 1.500 bolsas destinadas a estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio e inscritos no CadÚnico O MEC (Ministério da Educação) anunciou a criação do programa Bolsa Permanência, voltada a alunos de medicina de baixa renda, matriculados em cursos de universidades federais e de instituições de ensino superior privadas que participam do Mais Médicos. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Serão 1.500 bolsas destinadas a estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio e inscritos no CadÚnico</p>



<p>O<strong> MEC (Ministério da Educação)</strong> anunciou a criação do <strong>programa Bolsa Permanência,</strong> voltada a alunos de medicina de baixa renda, matriculados em cursos de universidades federais e de instituições de ensino superior privadas que participam do <strong>Mais Médicos</strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p><strong>Serão 1.500 bolsas mensais de R$ 700</strong>, destinadas a estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio e inscritos no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais). A medida busca reduzir a evasão e garantir a conclusão do curso por jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica.</p>



<p>Segundo o MEC, o <strong>investimento anual será de R$ 12,6 milhões e será pago pelo FNDE</strong> (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Os pagamentos começam em 2026. O edital com todas as regras e cronograma do programa está previsto para outubro, quando também deve ocorrer a inscrição dos alunos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Regras de acesso</h2>



<p>A&nbsp;<a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-mec-n-655-de-18-de-setembro-de-2025-657172414" target="_blank" rel="noreferrer noopener">portaria nº 655/2025</a>, publicada no Diário Oficial da União, define que podem concorrer às bolsas estudantes de medicina matriculados em universidades federais e em instituições privadas que participem do programa Mais Médicos.</p>



<p>Além dos critérios de renda e inscrição no CadÚnico, é exigido que o aluno esteja regularmente matriculado e não tenha concluído outro curso superior.&nbsp;Não será permitido o acúmulo com outras modalidades da Bolsa Permanência, hoje voltada principalmente a indígenas e quilombolas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Inclusão</h2>



<p>O MEC afirma que a iniciativa é parte de uma estratégia de inclusão para enfrentar desigualdades no acesso ao diploma de medicina. Estudantes de baixa renda são maioria em várias regiões, mas enfrentam custos elevados de material, transporte e dedicação integral ao curso.&nbsp;“O objetivo é minimizar desigualdades sociais e contribuir para a permanência e diplomação dos alunos em situação de vulnerabilidade”, disse a pasta.</p>



<p>O governo também vê na medida um passo para ampliar a diversidade entre médicos formados no país, o que, segundo o ministério, fortalece a representatividade social e tem impacto direto no direito à saúde da população.</p>



<p>Fonte: CNN Brasil / Foto: Divulgação/MEC</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="CAMPANHA DE FINAL DE ANO 2025 DA CDL - IPIRÁ" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/hU52x4QQw_M?start=2774&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Como os robôs estão revolucionando a medicina? Contribuição vai além de IAs</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 13:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tecnologia permite cirurgias mais precisas, reduz tempo de recuperação e pode levar atendimento especializado a regiões remotas A presença de robôs na área da saúde não é exatamente nova. Desde o final da década de 1980, quando os primeiros dispositivos automatizados começaram a ser testados em procedimentos cirúrgicos, os avanços vêm ocorrendo em ritmo acelerado. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Tecnologia permite cirurgias mais precisas, reduz tempo de recuperação e pode levar atendimento especializado a regiões remotas</p>



<p>A presença de robôs na área da saúde não é exatamente nova. Desde o final da década de 1980, quando os primeiros dispositivos automatizados começaram a ser testados em procedimentos cirúrgicos, os avanços vêm ocorrendo em ritmo acelerado.</p>



<p>Hoje, a robótica médica é uma aliada indispensável para garantir segurança, eficiência e precisão em diversas etapas do cuidado com o paciente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Onde os robôs já atuam na medicina</h2>



<p>Segundo o ortopedista Marcos Cortelazo, membro da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte, os robôs já desempenham um papel essencial em diferentes especialidades médicas.</p>



<p>Atualmente, as aplicações estão concentradas principalmente em cirurgias. Isso inclui cirurgia geral, urologia, ginecologia, neurocirurgia, ortopedia e procedimentos gastrointestinais, por exemplo.&nbsp;Os braços robóticos utilizados nesses casos são controlados pelo próprio médico, funcionando como uma extensão de seus movimentos.</p>



<p>Em algumas técnicas, o braço pode ser manipulado por meio de um joystick (similar aos de videogames), em que o cirurgião visualiza o local operado por um monitor ou até mesmo por óculos 3D.&nbsp;Há também aplicações em reabilitação e na produção de próteses, instrumentos e equipamentos médicos.</p>



<p>No campo do&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/nova-tecnologia-robotica-pode-acelerar-diagnostico-de-cancer-de-pulmao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">diagnóstico</a>, embora os robôs não sejam diretamente utilizados, tecnologias associadas, como a&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/tailandia-lanca-robo-policial-de-inteligencia-artificial-em-festival/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">inteligência artificial</a>&nbsp;(IA), têm ganhado destaque, oferecendo suporte na identificação de doenças e na análise de exames.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Diferenciais da cirurgia robótica</h2>



<p>Uma das principais vantagens da cirurgia robótica é a&nbsp;<strong>precisão</strong>. Os braços mecânicos permitem realizar movimentos com<strong>&nbsp;exatidão submilimétrica</strong>&nbsp;— algo praticamente impossível para as mãos humanas.&nbsp;Isso significa que o cirurgião pode operar com muito mais controle, evitando danos a estruturas delicadas e&nbsp;<strong>reduzindo riscos de complicações</strong>.</p>



<p>“Os braços robóticos permitem chegar onde, muitas vezes, a mão e a visão humanas não alcançam. Com isso, conseguimos garantir maior segurança ao manipular estruturas nobres”, destaca Cortelazo.</p>



<p>Além disso, como os movimentos do robô são filtrados e não sofrem interferência dos tremores naturais do corpo humano, a performance do procedimento tende a ser mais estável e confiável.&nbsp;Para o paciente, isso se traduz em menos cortes,<strong>&nbsp;recuperação mais rápida e menor risco de infecções</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Robótica e inteligência artificial</h2>



<p>É comum confundir os conceitos de robótica e inteligência artificial, mas eles não são sinônimos.</p>



<p>“Cirurgia robótica e IA são coisas distintas, mas que se interrelacionam. O braço robótico nas mais diversas especialidades consiste em uma&nbsp;<strong>extensão das mãos do cirurgião</strong>, sendo comandado por ele. A IA é o aprendizado que a máquina faz das informações com as quais é abastecida, criando diversos padrões que podem ser repetidos e replicados, ajudando na tomada de decisões&#8221;, diferencia Cortelazo.</p>



<p>Sergio Arap, cirurgião de cabeça e pescoço e diretor adjunto do Hospital Sírio Libanês, ainda destaca o papel atual das IA em diagnósticos.</p>



<p>&#8220;Principalmente no reconhecimento de padrões que possam indicar uma possível doença ou um aumento no risco de piora clínica. Isso não é algo tão recente. Já existem monitores cardíacos que reconhecem determinadas curvas e identificam o tipo de arritmia que o paciente apresenta ou apresentou. Há também os desfibriladores semiautomáticos (presentes em metrôs ou shoppings) que detectam se o paciente precisa de um choque para que o coração retome o ritmo adequado&#8221;, diz Arap.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cirurgia feita apenas por robôs. É possível?</h2>



<p>Para ambos os médicos, essa hipótese está descartada. Mesmo com os avanços tecnológicos, a participação humana ainda é indispensável.</p>



<p>“O robô é um coadjuvante da atividade médica. É uma ferramenta para melhorar o desempenho, precisão e segurança dos procedimentos. Mas precisa ser comandado até para a tomada de decisões&#8221;, afirma Cortelazo.</p>



<p>&#8220;Ele pode direcionar a um diagnóstico, mas não pode fazê-lo; pode direcionar a uma área a ser tratada, mas o médico que precisa<br>comandar o robô a fazer determinado movimento ou autorizar um corte, após checagens de segurança. É como ocorre na aviação. Existe legalmente a necessidade do ato e a responsabilização do médico por tudo que o profissional demanda aos robôs&#8221;, comenta Arap.</p>



<h2 class="wp-block-heading">E uma operação à distância?</h2>



<p>Um dos pontos mais promissores da robótica médica é sua capacidade de romper barreiras geográficas. Em locais remotos, onde não há especialistas disponíveis, a tecnologia pode representar a diferença entre o acesso ou não a um tratamento adequado.</p>



<p>Neste aspecto, Cortelazo enxerga tanto a robótica quanto a IA como ferramentas fundamentais para ampliar o acesso à saúde.</p>



<p>Em junho de 2024, o médico chinês Zhang Xu foi o primeiro a realizar uma cirurgia à longa distância. De Pequim, na China, ele conduziu a telecirurgia de um paciente que estava em Roma, na Itália, a mais de 8 mil quilômetros de distância. O procedimento em questão foi a retirada completa da próstata de um paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Principais obstáculos no Brasil</h2>



<p>Apesar dos benefícios, a robótica médica ainda enfrenta desafios importantes no Brasil. O principal deles é o custo. Um robô cirúrgico pode custar milhões de dólares,&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/da-vinci-conheca-o-robo-que-vai-operar-o-ex-bbb-rodrigao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dependendo do modelo</a>.</p>



<p>&#8220;O robô mais conhecido do mercado, o Da Vinci, só teve aumento em seu custo desde a implantação no Brasil, em 2008. O primeiro modelo custou US$ 1,8 milhão, e os mais recentes chegaram ao valor de US$ 3,2 milhões. Não houve barateamento. E isso considerando apenas o custo do equipamento. Além disso, para cada cirurgia, há um custo adicional com materiais, que varia entre R$ 9 mil e R$ 13 mil&#8221;, comenta Arap.</p>



<p>Outro obstáculo é a cobertura por parte dos convênios ou seguradoras. &#8220;A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não obriga a cobertura dessas cirurgias, e, na maioria dos planos, os pacientes precisam arcar com esse custo adicional&#8221;, adiciona Arap.</p>



<p>Por fim, ele destaca o desafio social. &#8220;As cirurgias robóticas são mais caras, tanto para o SUS quanto para a saúde suplementar. Isso aumenta os<br>custos, o que pode ser justificável em procedimentos com vantagens comprovadas. No entanto, para intervenções em que não há benefícios claros (como a retirada de uma vesícula ou a correção de uma hérnia mais simples), o uso do robô representa um desperdício de recursos.&#8221;</p>



<p>Fonte: CNN Brasil / Foto: Flickr</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="QUAIS SÃO OS DESDOBRAMENTOS DEPOIS DA MORTE DO PAPA FRANCISCO?" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/I-SHIH7Wm0s?start=4509&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p> <br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/como-os-robos-estao-revolucionando-a-medicina-contribuicao-vai-alem-de-ias/">Como os robôs estão revolucionando a medicina? Contribuição vai além de IAs</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>A médica que trocou fazer partos por ajudar pessoas a morrer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 May 2025 17:11:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Médica]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta reportagem contém descrições explícitas de procedimentos que levam à morte. &#8220;Então, ele está deitado no pátio desse apartamento de cobertura, é um lindo cenário, os amigos à sua volta. Eu estou prestes a administrar os medicamentos, ele segura minhas mãos, olha nos meus olhos e diz, doutora Green, isso vai soar um pouco louco, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Esta reportagem contém descrições explícitas de procedimentos que levam à morte.</em></p>



<p>&#8220;Então, ele está deitado no pátio desse apartamento de cobertura, é um lindo cenário, os amigos à sua volta. Eu estou prestes a administrar os medicamentos, ele segura minhas mãos, olha nos meus olhos e diz, doutora Green, isso vai soar um pouco louco, mas eu acho que você salvou a minha vida. Muito obrigado.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p>&#8220;Um momento como esse é inesquecível&#8221;, diz a médica canadense Stefanie Green. Mas ao contrário do que pode parecer, os remédios que ela, minutos depois, aplicou por via intravenosa no paciente agradecido não eram uma cura milagrosa para a dor insuportável que ele estava sentindo. As drogas eram, na verdade, uma combinação de substâncias que iriam matar o paciente dentro de poucos minutos.</p>



<p>Stefanie Green é pioneira entre médicos que oferecem&nbsp;<a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz6jx3nl3x8o">morte assistida</a>&nbsp;no Canadá. E é autora do livro de memórias&nbsp;<em>This is Assisted Dying&nbsp;</em>(em tradução livre, Isto é Morte Assistida) onde relata suas experiências atuando nesse campo da medicina.</p>



<p>Em seu site, ela declara que, na sua visão, morte assistida não é dar um fim à vida de alguém.</p>



<p>No Canadá, a legislação permite a morte assistida há quase dez anos.</p>



<p>O país introduziu inicialmente, em 2016, uma lei que permite a adultos com doença grave e incurável, que causa sofrimento intolerável, em estado terminal, solicitar a morte assistida.</p>



<p>Em 2021, a regra foi flexibilizada para permitir que pacientes não terminais sofrendo de forma que consideram ser intolerável também recebam assistência para morrer.</p>



<p>E há planos para que, dentro de dois anos, adultos com transtornos mentais exclusivamente, sem outras doenças, também possam optar pela morte assistida.</p>



<p>Na entrevista a seguir, Green, que é referência no assunto e se dedica há anos a ajudar pacientes que querem morrer, responde com franqueza e, às vezes, grande emoção, às perguntas da BBC News Brasil.</p>



<p>Por que optou por esse campo da medicina? Como é uma morte assistida? Como ela se sente fazendo esse trabalho? Como ela responde às críticas das pessoas que são contra a morte assistida?</p>



<p>No processo, a médica também explica que métodos são utilizados para levar o paciente à morte e quem se qualifica para receber essa assistência no Canadá.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Atuando-nos-extremos-opostos-da-vida-do-nascimento-à-morte">Atuando nos extremos opostos da vida, do nascimento à morte</h2>



<p>&#8220;Muitas pessoas pensam que o nosso papel como médicos é salvar vidas, estender vidas, e num certo sentido isso é verdade. Mas eu acho que a essência do que um médico faz é ajudar pessoas&#8221;, diz Stefanie Green.</p>



<p>Em seu depoimento à BBC News Brasil, ela reflete sobre algo que, para muitos, pode parecer uma contradição: a ideia de um médico que decide dedicar sua carreira a ajudar pacientes a morrer.</p>



<p>&#8220;Nós ajudamos pessoas a lutar contra doenças, mas com frequência não temos nada a oferecer. Nos deparamos com doenças que não podemos combater com sucesso. E nosso papel não é abandonar os pacientes.&#8221;</p>



<p>&#8220;Eu acho que o papel do médico é ajudar as pessoas em todos os estágios de suas vidas, e a morte assistida é uma extensão disso.&#8221;</p>



<p>Mas quem observa a trajetória da médica ao longo da carreira talvez se surpreenda por ela ter decidido atuar nessa área.</p>



<p>Stefanie Green tem 56 anos. Iniciou sua vida profissional trabalhando como clínica geral e depois foi dar atendimento a mulheres grávidas, fazer partos e acompanhar recém nascidos.</p>



<p>Mais de duas décadas mais tarde, em 2016, quando a lei canadense passou a permitir a morte assistida para cidadãos e residentes no país, Green mudou seu foco de atuação.</p>



<p>Hoje ela dedica 75% do seu tempo a oferecer o que os canadenses chamam de Medical Assistance in Dying (MAID na sigla em inglês) &#8211; um termo que poderíamos traduzir como assistência médica para a morte. (Nessa reportagem, usaremos o termo morte assistida.)</p>



<p>O que levou a médica a deixar de ajudar bebês a nascer para ir ajudar adultos a morrer?</p>



<p>Green explica, antes de mais nada, que vê muita similaridade entre as habilidades requeridas de médicos que atuam no início e no fim da vida do paciente.</p>



<p>Para ela, tanto no nascimento quanto na morte de alguém, o papel do médico é ser um guia em um processo natural.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/2f97/live/54ed2630-2681-11f0-8f57-b7237f6a66e6.jpg.webp" alt="Médico injetando medicamento em paciente"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br></figcaption></figure>



<p>Mas em resposta à pergunta &#8211; por que mudou seu foco do início para o fim da vida? &#8211; a médica cita um conjunto de fatores.</p>



<p>&#8220;Resisti muito à ideia de deixar o trabalho que fazia na maternidade&#8221;, ela conta. &#8220;Não conseguia imaginar nada que pudesse chegar perto de ser tão recompensador para mim.&#8221;</p>



<p>Ela diz, no entanto, que com o passar dos anos, demorava cada vez mais para se recuperar dos longos plantões fazendo partos madrugada adentro. No plano familiar, sentia necessidade de aproveitar o pouco tempo que ainda restava para estar com os filhos adolescentes antes que saíssem de casa para prosseguir com os estudos.</p>



<p>Foi nesse período, depois de anos de debates, que o Canadá legalizou a assistência médica para a morte. Green conta que tinha acompanhado as discussões atentamente.</p>



<p>&#8220;Com 25 anos de experiência clínica, eu tinha visto muitas mortes. Boas mortes, mas também mortes ruins&#8221;, diz.</p>



<p>&#8220;Eu acreditava firmemente em uma medicina centrada no paciente, na autonomia do paciente para tomar decisões.&#8221;</p>



<p>Para a médica, a morte assistida parecia ser a epítome perfeita dessa medicina.</p>



<p>Green diz que começou a estudar o assunto e notou que havia poucos médicos aptos a trabalhar nessa área. &#8220;Quanto mais eu aprendia, mais interessada eu ficava&#8221;, diz.</p>



<p>Poucos dias após a lei entrar em vigor, o primeiro paciente bateu à sua porta.</p>



<p>&#8220;Eu estava preparada.&#8221;</p>



<p>Durante a entrevista, Green se expressa de forma segura, enunciando claramente as palavras e falando rapidamente. Mas em certos momentos, sua expressão muda. A voz fica mais suave e ela fala mais devagar. Como quando conta a história de Harvey.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-primeiro-paciente">O primeiro paciente</h2>



<p>Green dedica bastante espaço em seu livro à história de seu primeiro paciente.</p>



<p>&#8220;Claro que foi impressionante. Extraordinário. Claro que nunca vou me esquecer daquele momento&#8221;, diz.</p>



<p>&#8220;Tenho muita sorte e gratidão por ter trabalhado com aquele paciente e a família dele naquele primeiro evento.&#8221;</p>



<p>Ela conta que foi uma das primeiras pessoas a oferecer morte assistida no Canadá.</p>



<p>&#8220;Foi um passo no escuro. Eu não tinha muitos colegas com quem conversar sobre o assunto, ninguém para me ensinar como fazer isso.&#8221;</p>



<p>Harvey era um pessoa notável, lembra. Estava muito doente e provavelmente teria morrido dentro de poucas semanas.</p>



<p>&#8220;Era um homem com um jeito de pensar muito original. Estava esperando pela mudança na lei e bateu na minha porta com os papéis em punho dizendo, &#8216;é isso o que eu quero&#8217;. Sabia o que queria e esperava viver o suficiente para fazer isso.&#8221;</p>



<p>Ele tinha o apoio da família, prossegue a médica.</p>



<p>&#8220;Uma família corajosa. Não conheciam pessoas que tinham vivido aquela experiência e estavam apoiando seu ente querido.&#8221;</p>



<p>&#8220;Na primeira vez que fiz isso me dei conta de quão privilegiada eu era, em ser convidada para esse espaço tão íntimo.&#8221;</p>



<p>&#8220;É uma experiência extraordinária, estar junto com alguém nessa jornada. Ouvi-los explicar por que desejam encerrar sua vida dessa forma, receber a confiança dessas pessoas, fazer bem (o que me pedem) e ser parte daquele momento.&#8221;</p>



<p>A médica conta que continua se sentindo privilegiada.</p>



<p>E quase se desculpando por soar, nas palavras dela &#8220;talvez um pouco dramática&#8221;, diz que oito anos desse trabalho fizeram dela uma médica e uma pessoa melhores.</p>



<p>&#8220;(Esse trabalho) me deu mais compaixão. Me fez abrir os olhos para outras perspectivas, para o que as pessoas querem, e por que.&#8221;</p>



<p>&#8220;Me mostrou que a questão não é a morte, ou o morrer, e sim o que tem significado para as pessoas. O que elas perderam, como elas explicam o que perderam e por que isso é importante para elas.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/8a64/live/7554e520-2681-11f0-b26b-ab62c890638b.jpg.webp" alt="Paciente em hospital tem a mão segurada por outra pessoa"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br></figcaption></figure>



<p>Green prossegue: &#8220;(O trabalho) abriu minha cabeça, me fez valorizar mais os relacionamentos na minha vida, me fez pensar em quem é importante na minha vida, e por que. (Me fez) dizer isso a eles.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Como-é-uma-morte-assistida-no-Canadá">Como é uma morte assistida no Canadá?</h2>



<p>Harvey adormeceu pela última vez olhando nos olhos da esposa com quem fora casado por 52 anos. O livro&nbsp;<em>This is Assisted Dying</em>&nbsp;traz outros relatos comoventes de pessoas dizendo seu último adeus, como a esposa que tirou a roupa, se deitou na cama ao lado do marido, também nu, e permaneceu ali, abraçada a ele durante vários minutos, até que Green administrasse os medicamentos.</p>



<p>Mortes, assim como nascimentos, são situações únicas, a médica diz. &#8220;Porque as pessoas são únicas.&#8221;</p>



<p>Mas depois de anos fazendo esse trabalho, ela diz que existe um processo que tende a seguir com todos os pacientes.</p>



<p>Antes de descrever esse processo, Green detalha os dois métodos usados no Canadá para levar o paciente à morte.</p>



<p>No primeiro, raramente usado, o médico dá ao paciente um copo contendo um poderoso barbitúrico. O próprio paciente bebe o líquido, adormece, entra em coma profundo e morre dentro de cerca de meia hora &#8211; o tempo varia, diz Green.</p>



<p>&#8220;Para algumas pessoas, a auto-medicação é muito importante, esse auto-controle. Então oferecemos (esse método).&#8221;</p>



<p>Muito mais comum, explica, é o método por meio do qual o médico administra o medicamento na veia do paciente.</p>



<p>São usados quatro medicamentos, ela diz. O primeiro, um remédio para ansiedade, é usado para relaxar o paciente.</p>



<p>&#8220;É uma dose alta, então 98 ou 99% dos pacientes adormecem. Seus sintomas desaparecem e eles se sentem bem.&#8221;</p>



<p>A segunda medicação, opcional, é um anestésico leve que insensibiliza a veia por onde as drogas serão administradas. Green diz que sempre a usa.</p>



<p>A terceira medicação é uma droga usada para fazer uma pessoa dormir durante uma cirurgia. Em dose alta, esse medicamento leva o paciente de um sono leve para um sono profundo e, depois, o coma.</p>



<p>Quando isso acontece, continua Green, normalmente a respiração fica mais lenta e para. Muitas pessoas morrem após a terceira medicação, mas Green diz que os médicos não contam com isso.</p>



<p>&#8220;Usamos um protocolo que pegamos emprestado de colegas na Holanda, que vêm fazendo esses procedimentos há muito mais tempo do que nós&#8221;, diz.</p>



<p>&#8220;Eles têm muitos dados sobre segurança, então usamos uma quarta medicação que interrompe os movimentos dos músculos do corpo.&#8221;</p>



<p>&#8220;Então, uso esses quatro medicamentos e sei que, se forem aplicados na veia do paciente, ele vai morrer&#8221;, diz. E acrescenta:</p>



<p>&#8220;Essa é uma forma brutal de explicar, mas isso é o que acontece.&#8221;</p>



<p>Detalhados os métodos, Green conta como é uma morte assistida, esclarecendo que outros médicos podem seguir rotinas um pouco diferentes. Todos, no entanto, são guiados pelos desejos do paciente, ela enfatiza.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Serenamente-confortavelmente-dignamente-eles-adormecem-e-morrem">&#8216;Serenamente, confortavelmente, dignamente, eles adormecem e morrem&#8217;</h2>



<p>A morte do paciente é o culminar de um longo processo durante o qual Green avalia se a pessoa se qualifica para receber a assistência segundo a lei.</p>



<p>Green lista os cinco critérios de avaliação, resumidos a seguir.</p>



<p>O paciente precisa ter mais de 18 anos.</p>



<p>Precisa ter direito a assistência médica pública no Canadá.</p>



<p>Precisa fazer o pedido voluntariamente, sem interferência de outras pessoas.</p>



<p>O paciente precisa ter condições mentais de fazer o pedido, o que implica compreender o que está errado com ele e ser capaz de dar seu consentimento para o procedimento.</p>



<p>A pessoa também precisa estar informada sobre outras opções de cuidado disponíveis, incluindo cuidados paliativos.</p>



<p>A lei exige ainda que o paciente tenha uma doença grave e irremediável, em estado avançado.</p>



<p>E o paciente precisa estar sofrendo de forma que ele considere ser insuportável e inaceitável.</p>



<p>&#8220;Além de tudo isso, existe uma série de procedimentos que envolvem pareceres de especialistas etc&#8221;, acrescenta.</p>



<p>&#8220;E se ao fim desse processo eu não estiver certa de que a pessoa atende aos critérios, não assino os papéis.&#8221;</p>



<p>Estando claro que a pessoa pode ter uma morte assistida, Green prepara pacientes e familiares para o evento. Isso envolve conhecer o paciente ao longo de várias visitas, ela diz.</p>



<p>No dia marcado, a médica chega ao local escolhido pelo paciente para receber a assistência. Se a pessoa optou pelo método intravenoso), a médica vem acompanhada por um(a) enfermeiro(a).</p>



<p>&#8220;Passo uns dez minutos a sós com o paciente e reavalio se isso é realmente o que quer. Eles sempre têm a oportunidade de mudar de ideia, até o último minuto.&#8221;</p>



<p>Green diz que nessa conversa também avalia o estado mental do paciente. Ele está em condições de dar seu consentimento?</p>



<p>&#8220;Precisam saber quem eu sou e por que estou ali. Se fica claro que querem seguir em frente, o(a) enfermeiro(a) entra e insere o catéter no braço da pessoa.&#8221;</p>



<p>Enquanto isso, Green conversa com os convidados do paciente. São normalmente familiares próximos, às vezes são grupos maiores de amigos, ou apenas o esposo ou esposa.</p>



<p>&#8220;Eu explico, passo a passo, o que vai acontecer. Feito isso, nos reunimos no lugar que o paciente escolheu. Pode ser na sala, no jardim, no quarto.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/a4d9/live/b0bbea60-2680-11f0-8c66-ebf25fc2cfef.jpg.webp" alt="Stefanie Green "/><figcaption class="wp-element-caption">Stefanie Green<br></figcaption></figure>



<p>A médica prossegue: &#8220;Agora, criamos um espaço para quaisquer rituais que o paciente tenha solicitado. Orações, leituras, música. Às vezes, a pessoa quer falar, contar histórias, rir, chorar. Dizer o último adeus. Alguns não querem nada, outros querem muito.&#8221;</p>



<p>&#8220;Eu dou a última palavra ao paciente e pergunto mais uma vez se ele quer seguir em frente. Se tenho a permissão, pego os medicamentos e, explicando ao paciente o que estou fazendo, inicio o processo.&#8221;</p>



<p>&#8220;Sem pressa, dou a eles os medicamentos e eles adormecem em frente à família. Serenamente, confortavelmente, dignamente. Adormecem &#8211; e morrem.&#8221;</p>



<p>Green explica que tem como hábito informar a família quando o paciente de fato morreu.</p>



<p>&#8220;Nesse ponto, me retiro da sala e deixo os familiares a sós para que possam iniciar seu processo de luto e ficar alguns momentos com seu ente querido.&#8221;</p>



<p>Green diz que antes de se despedir conversa novamente com os familiares.</p>



<p>&#8220;Falamos sobre o que acaba de acontecer, eles compartilham o que estão sentindo. Fazemos os processos oficiais, telefonamos para a funerária.&#8221;</p>



<p>&#8220;Em geral, fico na casa durante uma hora. Esse é o processo.&#8221;</p>



<p>Você se comove? &#8211; pergunto.</p>



<p>Green faz uma longa pausa. &#8220;Ah, sim.&#8221; E falando mais lentamente: &#8220;Como é possível alguém não se comover ao ver uma pessoa morrer?&#8221;</p>



<p>&#8220;O ato por si só é muito intenso e comovente. Mas o que me comove mais é a forma como as pessoas dizem adeus umas às outras.&#8221;</p>



<p>&#8220;Com frequência, estou presente no quarto quando elas dizem suas palavras finais e vejo expressões imensas de amor. E de gratidão pelo que foram umas para as outras. É terrivelmente emocionante. São emoções cruas, que você raramente testemunha na vida dos outros. Vejo pessoas dizendo adeus aos filhos, aos pais, aos esposos. O que as pessoas dizem nesses momentos? Sou testemunha disso.&#8221;</p>



<p>E como você não chora?</p>



<p>&#8220;Bem, às vezes eu choro. Sou humana&#8221;, responde.</p>



<p>&#8220;Às vezes a emoção é tanta! Às vezes, é impossível não me projetar naquela cena. O que eu faria se fossem meus pais? Ou se fosse um filho meu? Você não consegue evitar de se emocionar e uma lágrima vai cair.&#8221;</p>



<p>Green diz que desde que consiga manter seu profissionalismo, não vê problema nisso.</p>



<p>&#8220;Se eu perdesse o controle, não poderia fazer esse trabalho.&#8221;</p>



<p>Que casos têm maior impacto sobre você?</p>



<p>&#8220;São todos tão especiais&#8221;, ela responde. &#8220;Mas os que me marcam mais, de maneira geral, são aqueles em que eu vejo aquele amor tão intenso. Como aquele primeiro paciente. E tem um no final do meu livro. É simplesmente uma linda, linda cena se desenrolando à minha frente. Os (casos) que têm essa beleza &#8211; acho que essa é a palavra correta &#8211; são os que mais me impressionam.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Não-desejam-isso-para-si-próprios-e-eu-não-desejo-isso-para-eles">&#8216;Não desejam isso para si próprios e eu não desejo isso para eles&#8217;</h2>



<p>Outros casos deixam marcas por ser mais difíceis, explica Green.</p>



<p>Por exemplo, situações em que existe uma identificação pessoal entre a médica e o paciente. Por terem idades parecidas, ou por terem filhos da mesma idade.</p>



<p>Ou casos em que os pacientes são mais jovens, com menos de 50 anos. &#8220;Acho esses muito tristes, especialmente quando tem crianças pequenas envolvidas&#8221;, ela diz.</p>



<p>&#8220;Quando vejo alguém que tem 50 anos e está com raiva, não quer morrer, sente que tem mais vida para viver, tem filhos… a maioria das pessoas que atendo não quer morrer. Mas simplesmente não podem imaginar continuar vivendo do jeito como estão. Pessoas que estão morrendo com doenças terríveis e estão sofrendo.&#8221;</p>



<p>&#8220;Quando vejo alguém com raiva porque chegou ao final de sua vida, isso é mais difícil. É mais duro para mim porque eles não desejam isso para si próprios, e eu não desejo isso para eles.&#8221;</p>



<p>Green deixa claro, no entanto, que não se sente mal após auxiliar um paciente a morrer.</p>



<p>&#8220;Algumas pessoas pensam que eu talvez fique triste e me sinta mal. Talvez pareça que eu estou na defensiva ao dizer isso, mas a verdade é que durmo muito bem à noite.&#8221;</p>



<p>&#8220;Sinto que estou fazendo um trabalho que é muito importante para os pacientes e as famílias. Sinto grande satisfação no meu trabalho.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Resposta-aos-críticos-da-morte-assistida">Resposta aos críticos da morte assistida</h2>



<p>Embora os canadenses sejam majoritariamente favoráveis a que uma pessoa possa optar pela morte assistida em certas circunstâncias (cerca de três quartos apoiam o serviço, segundo pesquisas recentes), médicos que oferecem esse tipo de assistência recebem duras críticas por grupos que desaprovam a possibilidade dessa escolha.</p>



<p>Green deixa claro, logo no início da entrevista, que não está defendendo uma causa.</p>



<p>&#8220;Estou aqui para trabalhar, usando minhas habilidades como médica de acordo com as leis do meu país&#8221;, ela diz.</p>



<p>Mas em e-mail à BBC News Brasil, a médica refuta enfaticamente alguns dos principais argumentos contra a morte assistida.</p>



<p>Entre entidades que defendem os direitos de pessoas com deficiência, por exemplo, algumas argumentam que a morte assistida coloca populações vulneráveis em risco. Elas dizem que pessoas com deficiência podem acabar recorrendo à morte assistida devido à falta de assistência pública, inclusive, de cuidados paliativos.</p>



<p>Green questiona: &#8220;Deveríamos melhorar a assistência financeira pelo Estado a quem tem deficiência? Minha resposta é um retumbante SIM. Estamos cumprindo bem nossa função de apoiar as pessoas que têm deficiências? Eu digo que nós com certeza poderíamos fazer melhor. Mas será que eu acho que isso é razão para infringirmos os direitos de adultos competentes que estão sofrendo intoleravelmente, em estado grave e irremediável? Eu digo que não. E a Suprema Corte do Canadá concorda. Não podemos transformar as pessoas que estão sofrendo em reféns das falhas da sociedade&#8221;, escreve Green.</p>



<p>A médica ressalta ainda que ter uma deficiência por si só não qualifica uma pessoa para uma morte assistida no Canadá. O paciente precisa, por exemplo, ter uma doença ou deficiência grave e irremediável, e estar em estado avançado de declínio em suas capacidades e funções, escreve.</p>



<p>O debate em torno da morte assistida no Canadá atualmente também tem como foco as doenças mentais. Pacientes com transtornos mentais deveriam ter o direito de requisitar e receber assistência para morrer? Legislação que permitiria isso tem entrada em vigor prevista para 2027.</p>



<p>Entre os argumentos contrários à lei está a ideia de que esses pacientes não estariam em condições de fazer esse tipo de escolha.</p>



<p>Alguns médicos dizem, por exemplo, que impulsos suicidas são muitas vezes parte dos sintomas em certos transtornos mentais. Como saber se o desejo de morrer do paciente não é parte da doença? &#8211; questionam.</p>



<p>Green dá sua opinião: &#8220;A noção de que por ter um transtorno mental uma pessoa não teria capacidade de tomar decisões sobre sua saúde é antiquada e, francamente, ofensiva para muita gente, (especialmente os que tem diagnósticos relacionados à saúde mental!)&#8221;, escreve Green.</p>



<p>&#8220;A questão não é se ela tem ou não um transtorno mental, a questão é: existe alguma preocupação em relação ao estado mental dessa pessoa estar interferindo com seu pedido ou com sua habilidade de consentir?&#8221;</p>



<p>Na opinião de Green, dizer que toda pessoa com um transtorno mental não tem capacidade de tomar decisões é discriminação.</p>



<p>O Canadá é visto hoje como um dos países com leis mais liberais do mundo em relação à morte assistida. E os números de pessoas que receberam assistência para morrer no país vêm crescendo. Em 2021, mais de dez mil canadenses tiveram mortes assistidas. Em 2023, foram 15 mil.</p>



<p>Alguns canadenses, entre eles, alguns médicos, dizem que as leis são vagas e que o número de procedimentos no país está alto demais. Isso a preocupa? &#8211; pergunto.</p>



<p>&#8220;De maneira alguma&#8221;, escreve Green.</p>



<p>&#8220;O número de pessoas solicitando e acessando MAID é exatamente o que se esperava que fosse e ainda é menor do que o de países com leis similares.&#8221;</p>



<p>Green compara a porcentagem de mortes assistidas no Canadá em 2024 &#8211; segundo ela, 4,7 % do total de mortes &#8211; com o equivalente na Holanda &#8211; 5,5 % de todas as mortes, ela escreve.</p>



<p>Na opinião de Green, para quem considera errado ajudar uma pessoa a morrer, o número de mortes assistidas será sempre muito alto.</p>



<p>Ela propõe: &#8220;O número &#8216;correto&#8217; é quando todas as pessoas que pedem MAiD e que estão também legalmente qualificadas para receber esse cuidado são capazes de acessá-lo.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/f94a/live/923774f0-2681-11f0-b26b-ab62c890638b.jpg.webp" alt="Mulher sentada em uma mesa com embalagem de remédios em sua frente"/><figcaption class="wp-element-caption">Getty Images<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="Morte-Assistida-onde-é-oferecida">Morte Assistida &#8211; onde é oferecida?</h2>



<p>Em grande parte do mundo a morte assistida é ilegal. Mas segundo a Federação Mundial das Sociedades pelo Direito de Morrer, ela é permitida, sob algumas condições, em países como Suíça, Portugal, Espanha, Bélgica, Áustria e Nova Zelândia, entre outros.</p>



<p>O Parlamento da Inglaterra está atualmente discutindo um projeto para legalizar a morte assistida apenas para pessoas com doenças terminais.</p>



<p>Já no Brasil, qualquer forma de eutanásia é proibida. Ajudar uma pessoa a morrer, mesmo que por vontade dela, é crime com pena de prisão.</p>



<p>O que é permitido, desde 2006, por uma resolução do Conselho Federal de Medicina, é uma prática chamada ortotanásia. Ou seja, médicos podem interromper o tratamento de um paciente terminal se isso for da vontade dele.</p>



<p>Alguns projetos de lei já tentaram abrir caminho para a eutanásia, mas nunca foram aprovados pelo Congresso Nacional.</p>



<p>Em outubro do ano passado, um caso chamou a atenção do Brasil. O famoso escritor e poeta Antonio Cícero se submeteu a um processo de morte assistida na Suíça, onde isso é permitido.</p>



<p>Ele tinha doença de Alzheimer e havia decidido passar pelo procedimento antes de ter sua cognição totalmente comprometida. Como no Brasil essa não é uma opção disponível, viajou à Suíça para morrer.</p>



<p>Fonte: BBC Brasil / Foto: Stefanie Green</p>



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<p><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/a-medica-que-trocou-fazer-partos-por-ajudar-pessoas-a-morrer/">A médica que trocou fazer partos por ajudar pessoas a morrer</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Medicina: por que rejeitar exames de proficiência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Mar 2025 16:08:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[proficiencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Projetos de lei buscam transferir a conselhos profissionais a definição de quem poderá exercer as profissões de médico e dentista. Não parece boa ideia: prejudica estudantes e não garante qualidade de atendimento. Conheça quatro motivos para rechaçá-los por Hêider Aurélio Pinto &#8211; Sábado, 8 de março de 2025 Em dezembro de 2024, projetos de lei [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Projetos de lei buscam transferir a conselhos profissionais a definição de quem poderá exercer as profissões de médico e dentista. Não parece boa ideia: prejudica estudantes e não garante qualidade de atendimento. Conheça quatro motivos para rechaçá-los</p>



<p>por <a href="https://outraspalavras.net/author/heideraureliopinto/">Hêider Aurélio Pinto</a> &#8211; Sábado, 8 de março de 2025</p>



<p>Em dezembro de 2024, projetos de lei que instituem os chamados Exames Nacionais de Proficiência para Medicina (PL 2.294/24) e para a Odontologia (PL 3.000/24) foram aprovados em comissão do Senado. Outras organizações profissionais já estão mostrando interesse em atuar pela instituição de exames similares. Porém, a análise dos PLs mostra que se trata de medidas que miram em dois problemas importantes sem conseguir enfrentá-los de fato. Na essência, os PLs revelam evidentes conflitos de interesses, responsabilizam e prejudicam uma das vítimas e poderão ter profundos e negativos efeitos no sistema de saúde, público e privado.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="720" height="90" data-id="145082" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/02/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt="" class="wp-image-145082"/></figure>
</figure>



<p>As propostas dessas medidas são simples: modificam as respectivas leis das profissões para condicionar o exercício profissional à realização e aprovação do egresso do curso de graduação em uma prova elaborada e aplicada pelo próprio conselho profissional. Ou seja, o estudante poderia terminar o curso com aprovação, mas ao contrário de poder exercer a Medicina ou a Odontologia, se não passar na prova do Conselho, não terá uma profissão. Há ainda um agravante na comparação com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): o graduado em direito que não é aprovado na prova da OAB não pode advogar, mas pode desenvolver diversas atividades nos setores público e privado. O formado em medicina e odontologia não poderá exercer a profissão, provavelmente, só poderá ser aluno do cursinho preparatório para a pretendida prova.</p>



<p>Os problemas-alvo declarados pelo PL 2.294/24 são a “proliferação indiscriminada de cursos de Medicina” e a “precariedade na formação de médicos”. O primeiro problema, em verdade, exige maior efetividade da regulação estatal, já estabelecida legalmente e, recentemente, reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei e as normas do Programa Mais Médicos (PMM), por exemplo, condicionam a expansão de cursos privados somente em municípios que ainda não têm um curso e, mesmo assim, somente onde haja capacidade institucional e necessidade social, medida objetivamente pelo número total de vagas existentes nos municípios daquela região dividido pelo número de habitantes. A legislação que hoje se aplica à Medicina pode ser estendida para abraçar outras profissões, caso o Congresso queira intervir na raiz do problema.</p>



<p>O segundo problema declarado tampouco é atacado. Não há qualquer intervenção na precariedade da formação, há apenas o impedimento do estudante que foi prejudicado por essa precariedade. Ele é, portanto, prejudicado duas vezes e ainda como cidadão (porque o Estado não o protegeu) e como consumidor (porque pagou caro por algo cuja qualidade mínima não lhe foi assegurada).</p>



<p>As soluções efetivas para esse problema são bem conhecidas por quem estuda as medidas implementadas tanto internacionalmente quanto na história recente do Brasil. Passam pela combinação de iniciativas de qualificação da formação, de avaliação de cursos e estudantes e de regulação e punição das instituições que não atingem o mínimo exigido de qualidade. Para esta finalidade a Lei 12.871/2013, por exemplo, criou uma avaliação específica para o curso de Medicina no SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), a envolver governo, instituições de ensino, de estudantes e as organizações profissionais da Medicina. Mas a avaliação foi interrompida no Governo Temer, justamente o período que teve o boom de criação de novas escolas fora das regras da Lei 12.871/2013.</p>



<p>Essa mesma Lei resultou na criação em 2015 da Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem), mais efetiva e mais justa que a proposta do exame de proficiência porque avalia o estudante no 2°, 4° e 6° ano do curso de medicina, detectando o problema ainda enquanto o jovem está sendo formado. Avaliando, responsabiliza e exige medidas concretas da escola antes da conclusão da graduação do estudante. Esta avaliação que seria para a medicina um análogo ao sistema ENEM-SISU, deveria ser também a avaliação de acesso ao Programa de Residência Médica (que forma os médicos especialistas) e de revalidação de diplomas para atuação no Brasil, submetendo a condições rigorosamente iguais os estudantes formados no Brasil ou fora do Brasil, sejam eles brasileiros ou não. Mas esta avaliação também foi interrompida pelo Governo Temer em 2016.</p>



<p>Se o Exame de Proficiência for criado ocorrerá um deletério conluio entre dois interesses particulares que têm sido adversários nos últimos 40 anos: o interesse das empresas de educação de comercializar vagas de graduação com o mínimo de regulação do Estado e o interesse de organizações médicas que querem frear a entrada de novos médicos no mercado de trabalho para evitar perda de valor dos serviços médicos.</p>



<p>Com o exame, perde força o argumento em prol da ação de controle responsável do Estado sobre a quantidade e qualidade dos cursos de medicina, porque o controle passará a ser feito pelo exame. Assim, poder-se-ia abrir cursos à vontade porque, no fim, a prova é que teria o papel de proteger a população do médico mal formado.</p>



<p>Assim, é necessário reconhecer que a análise destas medidas, de seus objetivos, de sua provável inefetividade e de seus efeitos negativos, leva-nos a concluir que são simplórias e equivocadas por muitos motivos, dentre os quais destacamos quatro:</p>



<p>1) não atacam as causas dos problemas, nem a criação de novas vagas sem necessidade tampouco a qualidade insuficiente da formação. Ao contrário, desobrigam o Estado de agir sobre essas causas;</p>



<p>2) deixam de lado as escolas e atacam os estudantes, que além de não serem protegidos das más escolas, passam a ser duplamente prejudicados. Os pesados investimentos de anos a fio de muitos jovens e suas famílias seriam perdidos, em metade dos casos (considerando que quase 50% dos estudantes são reprovados em exame similar realizado por conselho profissional no estado de São Paulo), resultando em uma nova categoria de profissionais: os graduados em uma determinada profissão, mas sem direito de exercício;</p>



<p>3) há uma consequência negativa não planejada pela medida, uma vez que parte significativa dessa categoria de profissionais tenderia, para pagar as dívidas com a formação ou para se manterem, atuar “ilegalmente” ou sendo subcontratada pelos profissionais que teriam a autorização e poderiam “carimbar” por eles;</p>



<p>4) equivocadamente, essas medidas tentam transferir as responsabilidades legais de avaliação da qualidade, que cabem ao MEC, e as de definição da necessidade de profissionais no sistema de saúde, que cabem ao Ministério da Saúde, para os conselhos profissionais. Estas são organizações que não têm competência para nenhuma destas funções e que apresentam evidente conflito de interesse uma vez que visam e atuam pela restrição do mercado de trabalho – a popularmente chamada reserva de mercado.</p>



<p>Em nenhuma hipótese, por exemplo, uma organização nesta condição pode elaborar, controlar o grau de dificuldade e aplicar uma prova que pode impedir que metade dos profissionais formados entrem no mercado de trabalho. Por este motivo, do Canadá à União Europeia o papel de regulação profissional vem sendo ampliado pelo Estado e, para compatibilizar os interesses conflitantes, vem envolvendo progressivamente não só a respectiva profissão, mas também as demais profissões de saúde e representantes da sociedade que devem representar os interesses dos cidadãos-pacientes.</p>



<p>Aos conselhos profissionais cabem seus importantes papéis na prevenção de erros profissionais e nas ações junto aos próprios profissionais para proteger os pacientes. Ao Ministério da Saúde, apoiado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, cabe a identificação de qual a necessidade, qualitativa e quantitativa, de cada profissão para o adequado funcionamento dos sistemas públicos e privados de saúde. Ao MEC cabe a regulação da abertura, quantidade e qualidade das vagas, incluindo nesse papel a proteção dos estudantes das más escolas. Cada um dos papéis de cada uma dessas instituições deve ser fortalecido e feito com cada vez mais qualidade, abrangência, transparência e imparcialidade.</p>



<p>Fonte: Outra Saúde / Créditos: Aliburhan S/Unsplash</p>



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		<title>Queda de idosos é responsável por 10% das emergências hospitalares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 20:43:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ciências]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A situação é mais complicada do que possa parecer, já que, após a alta hospitalar, o quadro do idoso dificilmente volta ao normal Por Sandra Capomaccio &#8211; Terça, 26 de novembro de 2024 Você sabia que a queda é a segunda causa de morte em idosos? De acordo com o Ministério da Saúde, em dez anos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A situação é mais complicada do que possa parecer, já que, após a alta hospitalar, o quadro do idoso dificilmente volta ao normal</p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2024/11/QUEDA-IDOSOS_SANDRA-CAPOMACCIO.mp3"></audio></figure>



<p>Por <a href="https://jornal.usp.br/author/scapousp-br/">Sandra Capomaccio</a> &#8211; Terça, 26 de novembro de 2024</p>



<p>Você sabia que a queda é a segunda causa de morte em idosos? De acordo com o Ministério da Saúde, em dez anos – de 2013 a 2023 – o aumento foi de quase 100%. Aqui no Brasil 10 mil pessoas com mais de 60 anos morrem por ano em decorrência de um tombo.</p>



<p>Recentemente fomos surpreendidos com um grande número de pessoas famosas, com mais de 60 anos, que foram vítimas de tombos e consequentes internações. Apesar da surpresa, isso é muito mais comum do que se possa imaginar: ainda segundo dados do Ministério da Saúde, 70% dos idosos sofrem algum tipo de acidente dentro de casa.&nbsp;Rosa Yuka Sato Chubaci,&nbsp;professora de Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, explica que a queda pode ocorrer em qualquer momento da vida, mas, com o avançar dos anos, os idosos são as principais vítimas e os motivos são diversos, desde a falta de mobilidade até problemas de visão.&nbsp;</p>



<p>Os locais dos tombos são variados:&nbsp;escadas, telhados, lajes desprotegidas, além de quedas da própria altura, quando a pessoa desaba subitamente quando está em pé e sem apoio, mas o primeiro lugar continua sendo o banheiro, nele é onde ocorre o maior número de acidentes, e não apenas com os mais velhos, também acontece com os mais jovens. O tombo pode se dar quando a pessoa se senta ou levanta do vaso sanitário, por exemplo. A parte do corpo mais machucada é a cabeça, quase 14% dos que caíram foram hospitalizados por causa disso.&nbsp;“O piso molhado e escorregadio, a locomoção com dificuldade, normalmente arrastando os pés, são alguns dos motivos para as quedas”, explica a geriatra.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_598379"><img decoding="async" src="https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/01/20230110_Rosa-Yuka-Sato-Chubaci.png" alt="Mulher oriental, de colar multicolorido, blusa branca, olhando de viés para a câmera" class="wp-image-598379" style="width:127px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">Rosa Yuka Sato Chubaci – Foto:&nbsp;<strong>Jornal da USP</strong></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading">Emergência hospitalar</h2>



<p>Ainda que na maioria das vezes não leve à morte instantânea, a queda de idosos&nbsp;é a razão de aproximadamente 10% das emergências hospitalares. A situação é mais complicada do que possa parecer, já que após a alta hospitalar o quadro do idoso dificilmente volta ao normal. Muitas vezes há restrição de mobilidade, ficando restrito ao uso de cadeira de rodas, bengala ou andador, dificuldade para realizar atividades do cotidiano, perda cognitiva, isolamento e até depressão.</p>



<p>A casa precisa ser adaptada para a terceira idade. Itens e lugares de risco devem ser evitados, como degraus, tapetes, camas altas e móveis com cantos. Rosa explica que “a instalação de barras de apoio, corrimão, portas largas e fáceis de abrir, assim como janelas, ajudam o dia a dia das pessoas com mais de 60 anos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Quando o assunto são as ruas das cidades, o cuidado deve ser redobrado, principalmente com as calçadas. A especialista em envelhecimento&nbsp;diz que o Brasil não tem calçadas adequadas para a mobilidade na terceira idade. “A&nbsp;importância de existirem políticas públicas para ajudar os brasileiros que estiverem nessa faixa etária é de extrema importância e vão desde atividades culturais e esportivas até casas de convivência”, afirma.&nbsp;</p>



<p>A Universidade de São Paulo tem o Programa 60 +, criado há 30 anos por iniciativa da professora Eclea Bosi, seu principal objetivo sendo o de possibilitar ao idoso o aprofundamento de conhecimentos em áreas de seu interesse. Atendendo aos critérios da ONU e Unesco, prioriza-se a idade a partir de 60 anos.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><strong>Jornal da USP no Ar&nbsp;</strong><br><a href="https://jornal.usp.br/editorias/radio-usp/jornal-da-usp-no-ar/">Jornal da USP no Ar</a>&nbsp;no ar veiculado pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h, 16h40 e às 18h. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em&nbsp;<a href="https://www.jornal.usp.br/">www.jornal.usp.br</a>&nbsp;ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.&nbsp;</p>



<p>Fonte: Jornal USP / <em>Quando o assunto são as ruas das cidades, o cuidado deve ser redobrado, principalmente com as calçadas – Foto: </em><a href="https://www.flickr.com/photos/anepictures/26773820696/in/album-72157665537638474">Ariane Azevedo/Flickr </a><em>/</em><a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.0/">CC BY-NC-SA 2.0</a></p>



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