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	<title>Microcefalia |</title>
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	<title>Microcefalia |</title>
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		<title>Estudo sugere marcadores para diagnosticar pelo plasma microcefalia por zika em recém-nascido</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2021 15:59:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sexta, 2 de Julho de 2021 Análise de lipídios no plasma pode contribuir para detecção precoce e monitoramento da zika congênita em bebês com microcefalia e assintomáticos Cientistas identificaram consideráveis alterações na composição de lipídios no plasma de recém-nascidos que tiveram exposição ao vírus da zika ainda na barriga da mãe. Esses resultados podem contribuir [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sexta, 2 de Julho de 2021</p>



<p class="wp-block-paragraph">Análise de lipídios no plasma pode contribuir para detecção precoce e monitoramento da zika congênita em bebês com microcefalia e assintomáticos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cientistas identificaram consideráveis alterações na composição de lipídios no plasma de recém-nascidos que tiveram exposição ao vírus da zika ainda na barriga da mãe. Esses resultados podem contribuir para o diagnóstico precoce e monitoramento da zika congênita, tanto em bebês com microcefalia quanto nos assintomáticos. As conclusões da pesquisa são apresentadas em&nbsp;<a href="https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0009388">artigo</a>&nbsp;publicado na revista&nbsp;<em>PLOS Neglected Tropical Diseases</em>. A equipe autora do trabalho inclui pesquisadores do&nbsp;Instituto de Química (IQ) da USP e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro e da Bahia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando bebês começaram a nascer com microcefalia durante o surto de zika em 2015 e 2016 no Brasil, o governo declarou situação de emergência em saúde pública, embora a associação entre a doença e a microcefalia ainda não estivesse confirmada. Hoje se sabe que o vírus da zika atinge a placenta e desencadeia uma inflamação que pode causar insuficiência placentária, resultando em deficiência na liberação de determinados lipídios e levando a déficits no cérebro e na retina durante o desenvolvimento fetal. “Com esses resultados, temos uma assinatura molecular que poderia ser usada como um biomarcador para crianças que foram expostas ao vírus durante o período pré-natal”, afirma Marcos Yukio Yoshinaga, pesquisador em pós-doutorado no laboratório da professora Sayuri Miyamoto, do IQ e do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Processos Redox (Cepid Redoxoma), e coordenador da pesquisa.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/elementor/thumbs/20210604_bebe_microcefalia-scaled-p86etuvmc665v465folvppl7xww3ivtiu14ot9brzk.jpg?w=1200&amp;ssl=1" alt="Bebê com microcefalia - Foto: Wikimedia Commons" title="20210604_bebe_microcefalia"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Bebê com microcefalia. Mesmo os recém-nascidos expostos ao vírus da zika que não apresentam microcefalia podem desenvolver anormalidades significativas de 1 a 3 anos e meio de idade – Foto: Wikimedia Commons</p>



<p class="wp-block-paragraph">A zika congênita, caracterizada pela transmissão do vírus da mãe para o bebê durante a gestação, é uma síndrome com um amplo espectro de quadros clínicos, que vão de casos assintomáticos à microcefalia e outras anormalidades no desenvolvimento neurológico, manifestadas na primeira infância. Recém-nascidos expostos ao vírus da zika que não apresentam microcefalia podem desenvolver anormalidades significativas de 1 a 3 anos e meio após o nascimento, conforme revelado por imagens do cérebro e avaliações de desenvolvimento neurológico. Durante o desenvolvimento inicial do cérebro, os lipídios desempenham um papel central no metabolismo, na estrutura de membranas e na sinalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transporte lipídico por via transplacentária é delicadamente regulado durante a gravidez. Alterações no metabolismo lipídico da placenta podem afetar o desenvolvimento embrionário, especialmente do cérebro e dos olhos, que dependem da transferência de ácidos graxos poli-insaturados, como o ácido docosahexaenoico (DHA) e o ácido araquidônico (ARA), através da placenta. Coautora do artigo, a infectologista e pesquisadora Isadora Cristina de Siqueira, da Fiocruz Bahia, ressalta que a maioria dos estudos sobre a infecção congênita por zika encontrada na literatura é relacionada às descrições epidemiológicas e clínicas das crianças. “A gente acredita que tenha um número enorme de crianças que foram acometidas com um quadro mais leve e que precisam de um acompanhamento a longo prazo”, afirma. “Não temos nada palpável do ponto de vista laboratorial, nenhum biomarcador de acompanhamento ou de gravidade.&nbsp;O estudo traz informações novas sobre a patogênese da doença, ao mostrar que crianças menos afetadas também apresentam alterações de lipídios, então ele traz marcadores laboratoriais que podem ser usados na prática.” Ela destacou ainda a importância, para a realização do estudo, da colaboração entre pesquisadores e instituições de três Estados brasileiros. Para a professora Sayuri, a qualidade da análise experimental e a precisão em termos de identificação das espécies lipídicas foram fundamentais para os resultados da pesquisa. “A plataforma lipidômica que foi implantada no Cepid Redoxoma permitiu mais um estudo que mostra o potencial dessa técnica para discriminar marcadores importantes para doenças.”</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lipídios oxidados</strong><br>Em 2016, Isadora conduziu um estudo na maternidade pública José Maria Magalhães Netto, em Salvador, uma das primeiras cidades atingidas pela epidemia de bebês com microcefalia, e estabeleceu uma vigilância ativa para identificar gestantes que tivessem relatos sugestivos de zika durante a gestação. Na ocasião, foram coletadas amostras do sangue do cordão umbilical de recém-nascidos. Para o presente estudo foram usadas amostras de três grupos: dez bebês não infectados, nove infectados assintomáticos e 11 infectados que tiveram microcefalia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As amostras foram submetidas a extração de lipídios e análise. “Utilizamos um método chamado&nbsp;<em>untargeted</em>, ou seja, sem alvos pré-estabelecidos”, explica Adriano Britto Chaves-Filho, pós-doutorando no IQ e primeiro autor do artigo junto com Nieli Rodrigues da Costa Faria, então pós-doutoranda no Laboratório de Flavivírus da Fiocruz do Rio de Janeiro, sob a supervisão da pesquisadora Ana Maria Bispo de Filippis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como há poucos trabalhos publicados com plasma de recém-nascidos, o método utilizado foi o ideal para a identificação de lipídios neste meio. Nas amostras, foram identificadas 274 espécies individuais de lipídios, distribuídas em 20 classes e subclasses.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2021/06/20210604_zika_virus.png?fit=945%2C945&amp;ssl=1" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Imagem 3D do vírus zika colorida digitalmente – Foto: Wikimedia Commons</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelaram que, em recém-nascidos com microcefalia, as concentrações plasmáticas de ácido hidroxioctadecadienoico (HODE), principalmente o isômero 13-HODE, foram maiores em comparação com os outros dois grupos (recém-nascidos sem microcefalia expostos ao vírus e grupo controle). O HODE é um ácido graxo oxidado, derivado do ácido linoleico, e é considerado um marcador de estresse oxidativo, principalmente no plasma. As concentrações totais de HODE também foram associadas aos níveis de outros lipídios oxidados e a vários ácidos graxos livres circulantes nos recém-nascidos, indicando uma possível assinatura de lipídios plasmáticos da microcefalia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os cientistas também observaram que o grupo dos recém-nascidos infectados mas sem microcefalia exibiu concentrações plasmáticas mais altas do lipídio lisofosfatidilcolina em relação aos outros grupos, sugerindo uma possível interrupção do transporte de ácidos graxos poli-insaturados para o sistema nervoso central dos fetos. A interrupção na absorção desses ácidos graxos poli-insaturados pode levar a vários danos cerebrais e oculares em bebês. Isso acontece, por exemplo, quando uma mutação raríssima desativa a proteína Mfsd2a, responsável pelo transporte de ácidos graxos poli-insaturados, especialmente DHA, para o cérebro, e causa microcefalia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Quando essa proteína não funciona, você tem menos transporte de poli-insaturados para o cérebro e um acúmulo de lisofosfatidilcolina, exatamente o que vimos acumulado como uma assinatura molecular dos assintomáticos. E recentemente foi relatado que o vírus zika inibe a ação dessa proteína,” afirma Yoshinaga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os mecanismos pelos quais a infecção pelo vírus da zika leva a defeitos cerebrais não são conhecidos. No entanto, segundo os pesquisadores, estudos observacionais e experimentais documentaram que o vírus tem como alvo as células da placenta, resultando não apenas no aumento da inflamação sistêmica, mas também em mudanças significativas no metabolismo lipídico da placenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora, dizem eles, serão necessários novos estudos, com grupos maiores, para se investigar o papel de cada um dos lipídios na maneira como o vírus da zika causa danos ao sistema nervoso e para transformar o perfil de lipídio do plasma em um marcador para o diagnóstico precoce de recém-nascidos com suspeita de exposição ao vírus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo&nbsp;<em>Plasma lipidome profiling of newborns with antenatal exposure to Zika virus</em>, de Nieli Rodrigues da Costa Faria, Adriano Britto Chaves-Filho, Luiz Carlos Junior Alcantara, Isadora Cristina de Siqueira, Juan Ignacio Calcagno, Sayuri Miyamoto, Ana Maria Bispo de Filippis e Marcos Yukio Yoshinaga, pode ser lido&nbsp;<a href="https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0009388">aqui</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Texto adaptado de Maria Célia Wider, da Assessoria de Comunicação do Cepid Redoxoma</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Jornal USP</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/estudo-sugere-marcadores-para-diagnosticar-pelo-plasma-microcefalia-por-zika-em-recem-nascido/">Estudo sugere marcadores para diagnosticar pelo plasma microcefalia por zika em recém-nascido</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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