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	<title>Sao Francisco |</title>
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	<title>Sao Francisco |</title>
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		<title>Goleada do Bahia de Feira sobre o Jacobina é a maior em estreias no Baianão desde 1998</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jan 2024 14:23:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Segunda-Feira, 15/01/2024 &#8211; 10h30 Por&#160;Ulisses Gama / Leandro Aragão O Bahia de Feira registrou a maior goleada em estreias no Campeonato Baiano desde a edição de 1998. Na tarde deste domingo (14), o Tremendão aplicou 6 a 1 sobre o Jacobina, na Arena Cajueiro, no jogo de abertura da competição neste ano. O placar elástico [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Segunda-Feira, 15/01/2024 &#8211; 10h30</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por&nbsp;Ulisses Gama / Leandro Aragão</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Bahia de Feira registrou a maior goleada em estreias no Campeonato Baiano desde a edição de 1998. Na tarde deste domingo (14), o Tremendão aplicou 6 a 1 sobre o Jacobina, na Arena Cajueiro, no jogo de abertura da competição neste ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O placar elástico do tricolor feirense iguala em termos de diferença a goleada aplicada pelo Vitória em 1998. Naquele ano, o Leão enfiou 5 a 0 no São Francisco, na rodada de abertura. Quem mais se aproximou desses dois resultados foi o triunfo do Bahia por 5 a 1 sobre o Colo-Colo no Baianão de 2010.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o resultado, o Bahia de Feira abre a competição no primeiro lugar e aguarda os demais resultados da primeira rodada, que será encerrada somente na noite da próxima quarta-feira (17). O time comandado por Oliveira Canindé volta ao gramado no sábado (20), às 16h, para enfrentar o Vitória, no Barradão, pela segunda jornada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bahia Noticias</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Alimentos probióticos: para que serve? vantagens e desvantagens" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/9MN7tOxLjJA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/goleada-do-bahia-de-feira-sobre-o-jacobina-e-a-maior-em-estreias-no-baianao-desde-1998/">Goleada do Bahia de Feira sobre o Jacobina é a maior em estreias no Baianão desde 1998</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Theodoro Sampaio no Baixo São Francisco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2022 08:13:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sao Francisco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quinta, 27 de outubro de 2022 Publicado no Blog&#160;História de Alagoas&#160;em 18/07/2022.https://www.historiadealagoas.com.br/theodoro-sampaio-no-baixo-sao-francisco.html/embed#?secret=gPfvLZxRC7#?secret=U3D4IVgKcy Dentre as várias&#160;expedições&#160;organizadas pelo&#160;Governo Imperial&#160;para analisar as possibilidades de melhoria na&#160;navegação&#160;no rio São Francisco, destaca-se a&#160;Comissão Hidráulica.[i] Constituída em 5 de janeiro de 1879, pelo&#160;Conselheiro Cansanção de Sinimbu[ii], à frente do 27º Gabinete Ministerial, e comandada pelo engenheiro americano&#160;William Milnor Roberts. Dela fazia [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://ipiracity.com/theodoro-sampaio-no-baixo-sao-francisco/">Theodoro Sampaio no Baixo São Francisco</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Quinta, 27 de outubro de 2022</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso_km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.-e1658181722494.webp"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso_km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.-e1658181722494-696x348.webp" alt="" title="Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso_km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.-e1658181722494"/></a><figcaption>Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso -km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Publicado no Blog&nbsp;<em>História de Alagoas</em>&nbsp;em 18/07/2022.https://www.historiadealagoas.com.br/theodoro-sampaio-no-baixo-sao-francisco.html/embed#?secret=gPfvLZxRC7#?secret=U3D4IVgKcy</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentre as várias<strong>&nbsp;expedições</strong>&nbsp;organizadas pelo&nbsp;<strong>Governo Imperial</strong>&nbsp;para analisar as possibilidades de melhoria na&nbsp;<strong>navegação&nbsp;</strong>no rio São Francisco, destaca-se a&nbsp;<strong>Comissão Hidráulica</strong>.[i] Constituída em 5 de janeiro de 1879, pelo&nbsp;<strong>Conselheiro Cansanção de Sinimbu</strong>[ii], à frente do 27º Gabinete Ministerial, e comandada pelo engenheiro americano&nbsp;<strong>William Milnor Roberts</strong>. Dela fazia parte o engenheiro&nbsp;<strong>Theodoro Sampaio</strong>.[iii]</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Theodoro-Sampaio.webp"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Theodoro-Sampaio.webp" alt="" class="wp-image-7394"/></a><figcaption>Theodoro Sampaio – (1855, Santo Amaro-BA – 1937, Rio de Janeiro-RJ).</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Tinha, então,&nbsp;<strong>24 anos de idade</strong>&nbsp;e há apenas dois se formara em&nbsp;<strong>Engenharia Civil</strong>&nbsp;pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, conhecida como “<strong>Escola Central</strong>”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 17 de agosto de 1879, por volta das seis horas da manhã, partia do&nbsp;<strong>Penedo</strong>, a bordo do&nbsp;<strong>vapor Sinimbu</strong>, com destino a&nbsp;<strong>Piranhas</strong>, último ponto do trecho navegável do Baixo São Francisco, “viagem que ordinariamente se faz em&nbsp;<strong>dois dias</strong>, pousando-se na cidade de Pão de Açúcar, que se alcança antes do pôr do sol.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Naquele mesmo dia, Sampaio e os demais membros da comissão chegaram a&nbsp;<strong>Pão de Açúcar</strong>&nbsp;e logo saltaram para conhecer a cidade. Seu relato é breve, mas preciso:</p>



<p class="wp-block-paragraph">“… atravessamos a pé o largo&nbsp;<strong>lençol d’areia</strong>&nbsp;que a precede e percorremos-lhe as ruas retilíneas, planas, marginadas de&nbsp;<strong>edificações humildes</strong>&nbsp;e sem elegância. Nenhum edifício notável se descobre, nem mesmo a<strong>&nbsp;igreja&nbsp;</strong>que, aliás, oferece melhor aspecto vista de longe.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<strong>Pão de Açúcar</strong>&nbsp;não oferece de notável senão a sua paisagem pitoresca, que a&nbsp;<strong>montanha cônica</strong>&nbsp;que lhe dá o nome aformoseia, e o perfil azulado da&nbsp;<strong>serra dos Meirus</strong>, duas léguas longe, torna quase encantador.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retornando já tarde ao&nbsp;<strong>navio</strong>, neste pernoitaram para, no dia seguinte às 7 horas da manhã, “apesar da&nbsp;<strong>abundante chuva</strong>&nbsp;que caia”, continuar a viagem até chegar a&nbsp;<strong>Piranhas&nbsp;</strong>às 10 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Três horas depois chegava a&nbsp;<strong>Piranhas</strong>, que então pertencia ao&nbsp;<strong>Município de Pão de Açúcar</strong>, sendo a Comissão recebida no porto pelos&nbsp;<strong>técnicos</strong>&nbsp;que iniciavam a construção da&nbsp;<strong>estrada de ferro</strong>, chefiados pelo engenheiro&nbsp;<strong>Reynaldo Kruger</strong>.[iv]</p>



<p class="wp-block-paragraph">Encontraram ali uma população majoritariamente composta de&nbsp;<strong>mulheres</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>crianças</strong>, posto que os&nbsp;<strong>homens</strong>&nbsp;se achavam distribuídos ao longo da<strong>&nbsp;estrada&nbsp;</strong>que se construía. E assim se fazia a despeito das&nbsp;<strong>péssimas condições topográficas</strong>&nbsp;do lugar, deixadas de lado pela forte influência do&nbsp;<strong>Conselheiro Sinimbu</strong>, alagoano e ministro do Império, que pleiteou a construção da estrada justamente para mitigar os&nbsp;<strong>danos causados pela seca</strong>&nbsp;de 1877, cujos efeitos se fazia mais sentir justamente naquele momento.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso_km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.-e1658181722494-1.webp"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso_km-26-Foto-Ignaco-Mendo-1880.-e1658181722494-1.webp" alt="" class="wp-image-7398"/></a><figcaption><strong>Estrada de Ferro Paulo Afonso, km 26, em construção. Foto Ignácio Mendo, 1880</strong>.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Esse fato não passou desapercebido a&nbsp;<strong>Theodoro Sampaio</strong>, que chegava “exatamente na ocasião em que se&nbsp;<strong>distribuíam</strong>&nbsp;os socorros pela&nbsp;<strong>população faminta</strong>&nbsp;no barracão próximo à&nbsp;<strong>estação</strong>&nbsp;da estrada de ferro. O aspecto dessa gente não negava os&nbsp;<strong>sofrimentos</strong>&nbsp;por que tinham passado. As mulheres e as crianças macilentas e com as&nbsp;<strong>roupas em farrapos</strong>, assentadas pelo chão, traiam um sofrimento que os&nbsp;<strong>primeiros socorros</strong>&nbsp;não lograram totalmente extinguir.”</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Theodoro-Sampaio-manipula-o-teodolito-em-excursao-de-1916-em-Aratu-na-Bahia-1.webp"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Theodoro-Sampaio-manipula-o-teodolito-em-excursao-de-1916-em-Aratu-na-Bahia-1.webp" alt="" class="wp-image-7402"/></a><figcaption><strong>Theodoro Sampaio manipula o teodolito em excursão de 1916 em Aratu-Ba.</strong></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Após a visita à Cachoeira de Paulo Afonso,&nbsp;<strong>Theodoro Sampaio</strong>&nbsp;publicou na revista&nbsp;<em><strong>ILUSTRAÇÃO DO BRASIL</strong></em>&nbsp;– Ano II – Nº 14 – 1880, um artigo intitulado:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A CACHOEIRA DE PAULO AFONSO – IMPRESSÕES DE VIAGEM</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não sei, meu amigo, como traduzir-lhe em nossa linguagem, tão pobre e mesquinha, as impressões variadíssimas, os&nbsp;<strong>sentimentos&nbsp;</strong>desencontrados, que experimentei em face desses&nbsp;<strong>abismos extraordinários</strong>&nbsp;onde se precipitam as águas volumosas do&nbsp;<strong>S. Francisco</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">– A&nbsp;<strong>Cachoeira de Paulo Afonso</strong>! Quem, no Brasil, não a conhece, mas quão poucos a tem visitado!</p>



<p class="wp-block-paragraph">É, pois, fácil de compreender com quanto afã, com quanto&nbsp;<strong>ardor</strong>&nbsp;seguíamos nós através daqueles tabuleiros estéreis, pedregosos, tostados pelo&nbsp;<strong>sol abrasador</strong>&nbsp;do estio em demanda da famosa&nbsp;<strong>catarata</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esquecíamos tudo: a&nbsp;<strong>escassez d’água</strong>, a ruindade dos caminhos, a intensidade do calor, e mais que tudo, a “<strong>excelência</strong>” das cavalgaduras de nossa montada, as mais próprias para curar a monomanias de viagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Havíamos partido do&nbsp;<strong>porto de Piranhas</strong>, onde cessa completamente a navegação do Baixo São Francisco; ganhamos o planalto, e paralelamente a&nbsp;<strong>estrada de ferro</strong>, agora em construção, fomos pousar depois de&nbsp;<strong>dois dias</strong>&nbsp;de marcha na&nbsp;<strong>Estação da Pedra</strong>, quatro ou cinco léguas distante da cachoeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como são tristes estas terras onde&nbsp;<strong>o céu não chove</strong>, e onde a vegetação, sem viço, jaz perdida e sem conforto!</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=%22http://www.w3.org/2000/svg%22%20viewBox=%220%200%201024%20646%22%3E%3C/svg%3E"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Imagem-3-Piranhas.-Habitacoes-dos-retirantes-e-trabalhadores-na-ferrovia.-Foto-Ignacio-Mendo-1880.webp" alt="" class="wp-image-7404"/></a><figcaption><strong>Piranhas. Habitações precárias de retirantes e empregados na construção da Estrada de Ferro. Foto Ignácio Mendo, 1880</strong>.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Já lá vão&nbsp;<strong>três anos</strong>&nbsp;que a última&nbsp;<strong>gota de chuva</strong>&nbsp;se desprendeu das nuvens por sobre essas paragens, e até hoje o céu, conquanto nublado, coberto de cúmulos e nimbos prometedores, lá está ainda a negar uma gota de água, a essa&nbsp;<strong>terra sequiosa e infeliz</strong>. Só o&nbsp;<strong>cardo&nbsp;</strong>medra nestas paragens inóspitas, e, esguio, viçoso, espinhento e inalterável ergue os&nbsp;<strong>braços</strong>&nbsp;para um céu indiferente, desapiedado!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante de tanta aridez, o povo&nbsp;<strong>fugiu</strong>. Fugiu ou pereceu toda a criação dos campos, os pássaros, os próprios pássaros sumiram-se, desapareceram também; uma tristeza, uma&nbsp;<strong>monotonia esmagadora</strong>, imperam por toda parte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal é o aspecto da região que atravessamos em caminho a&nbsp;<strong>Paulo Afonso</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saímos da&nbsp;<strong>Pedra</strong>&nbsp;pela manhã, e só depois de&nbsp;<strong>quatro horas</strong>&nbsp;de péssimos caminhos, avistamos ao longe as planícies onde corre o S. Francisco, de que nos havíamos apartado desde&nbsp;<strong>Piranhas</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que&nbsp;<strong>planícies niveladas</strong>, que tabuleiros extensos, onde a custo rompem a monotonia alguns serros azuis nos confins do horizonte, alguns&nbsp;<strong>outeiros isolados</strong>&nbsp;no imenso tapete verde-negro das “<strong>caatingas</strong>”! Depois o rio, como uma enorme fita prateada, retalhando o horizonte, em meio desaparecendo estão os sítios onde vai formar as&nbsp;<strong>cachoeiras</strong>. Estas distavam de nós uns&nbsp;<strong>três quilômetros</strong>&nbsp;apenas, devíamos já ouvir-lhe o&nbsp;<strong>bramido atroados</strong>&nbsp;das catadupas, e avistar também o&nbsp;<strong>nevoeiro denso</strong>&nbsp;que se lhe ergue dos abismos. Tudo isto se nos passou desapercebido, por um estado particular da atmosfera.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=%22http://www.w3.org/2000/svg%22%20viewBox=%220%200%201024%20678%22%3E%3C/svg%3E"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/imagem-4-Estrada-de-Ferro-Paulo-Afonso-no-km-3vendo-se-Caninde.-Foto-Ignaco-Mendo-1880.webp" alt="" class="wp-image-7406"/></a><figcaption><strong>Estrada de Ferro Paulo Afonso no km 3, em frente a Canindé, na outra margem do Rio São Francisco. Foto Ignácio Mendo, 1880</strong>.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Chegamos, enfim, apeamo-nos à porta de uma&nbsp;<strong>pobre cabana</strong>, em cujo alpendre devíamos&nbsp;<strong>pernoitar</strong>. O guia, morador deste lugar, havia partido horas antes, e só pela noite estaria de volta a seu posto. Resolvemos, pois,&nbsp;<strong>examinar os sítios</strong>&nbsp;com os nossos próprios recursos, aproveitando o resto da tarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As&nbsp;<strong>cachoeiras</strong>, que são muitas, traíam-se apenas por um&nbsp;<strong>rumor surdo</strong>. Marchamos contra este&nbsp;<strong>ruído</strong>, que nos parecia longínquo, paramos para ver o&nbsp;<strong>bronze comemorativo</strong>&nbsp;da viagem do Imperador, e seguimos além por entre&nbsp;<strong>pedras enegrecidas</strong>, blocos graníticos arredondados, polidos, reluzentes, ora pretos em seco; mas depois assoberbados pelas águas impetuosas do inverno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meia hora depois chegamos ao alto de uma&nbsp;<strong>penedia</strong>, verticalmente talhada, quase ao nível do tabuleiro. Dir-se-ia que a terra em suas&nbsp;<strong>primeiras épocas</strong>&nbsp;se retraiu convulsionada, deixando um&nbsp;<strong>sulco profundo</strong>&nbsp;e estreitíssimo, para onde se despenham as águas do rio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do alto desta medonha&nbsp;<strong>penedia</strong>, 500 metros adiante de nós, precipitava-se no abismo uma bela e volumosa&nbsp;<strong>coluna d’água</strong>, obliquamente iluminada pelos últimos raios de sol do ocaso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das&nbsp;<strong>belezas do sítio</strong>, senti, entretanto, que se me arrefecia o&nbsp;<strong>entusiasmo</strong>. A cachoeira que eu havia imaginado, o meu ideal de&nbsp;<strong>Paulo Afonso</strong>&nbsp;estava muito além do que eu acabava de ver. Para meu&nbsp;<strong>consolo</strong>, porém, fui logo informado que a queda d’água que acabávamos de visitar era&nbsp;<strong>uma das menores</strong>, e das menos importantes. A maior, vê-la-íamos amanhã.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caia a noite quando voltamos à&nbsp;<strong>cabana</strong>. No dia seguinte, pela manhã, o<strong>&nbsp;guia</strong>&nbsp;rompia a marcha por entre as pedras e os precipícios do leito posto em seco. Uma hora depois galgávamos um&nbsp;<strong>rochedo</strong>, de cujo ápice se desfrutava toda a&nbsp;<strong>grande cachoeira</strong>. Vimos então, numa&nbsp;<strong>profunda depressão&nbsp;</strong>do granito, rolarem as águas em borbotões de&nbsp;<strong>espuma alvíssima</strong>, em esplêndido contraste com as&nbsp;<strong>lajes negras</strong>&nbsp;do fundo. Vimos desde o alto da penedia, onde o rio começa a despenhar-se, até a bacia interior onde&nbsp;<strong>refervem</strong>&nbsp;as águas em turbilhão, por toda a encosta, por todas as anfractuosidades do rochedo, de 250 palmos de alto, despenharem-se os&nbsp;<strong>novelos de espuma</strong>, quebrarem-se de encontro às portas de pedra, espadanarem pelas encostas e,&nbsp;<strong>rugindo</strong>, abismarem-se em vórtice imenso. Por sobre as fauces do abismo, o Ires desdobrava então o seu&nbsp;<strong>diadema múltiplo</strong>&nbsp;de cores cambiantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quedamos silenciosos diante de tanta&nbsp;<strong>majestade</strong>! O guia, porém, ergueu a voz, e do peito largo saiu uma dessas interjeições prolongadas, sonoras,&nbsp;<strong>misto de admiração</strong>, de espanto e de alegria; mas que o bramir das águas sufocou em meio, tornando-a apenas perceptível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns dos nossos companheiros eram&nbsp;<strong>norte-americanos</strong>; outros já haviam visitado a célebre cascata do&nbsp;<strong>Niágara</strong>, e concordaram todos que a&nbsp;<strong>Paulo Afonso</strong>, conquanto de tipo inteiramente diverso, é, entretanto,&nbsp;<strong>mais volumosa</strong>, mais cheia de variedades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<strong>capitão Burton</strong>[v] chama-a “<strong>O rei dos Rápidos</strong>” (the king of Rapids), apelidando a do Niágara “<strong>A&nbsp;rainha das cascatas</strong>” (the King of the Falls).</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="data:image/svg+xml,%3Csvg%20xmlns=%22http://www.w3.org/2000/svg%22%20viewBox=%220%200%201024%20743%22%3E%3C/svg%3E"><img decoding="async" src="https://bonifacio.net.br/wp-content/uploads/Imagem-5-Cachoeira-de-Paulo-Afonso_foto-Marc-Ferrez-1875.1.webp" alt="" class="wp-image-7409"/></a><figcaption><strong>Cachoeira de Paulo Afonso em 1875, foto de Marc Ferrez</strong>.</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito, lá, no&nbsp;<strong>Niágara</strong>, as águas se despenham verticalmente em imenso lençol; aqui, em&nbsp;<strong>Paulo Afonso</strong>, temos um plano fortemente inclinado por onde se precipitam as águas em gigantesco rápido. Lá, é mais alta a queda, mais pronunciada, mais elegante; aqui, já mais volume d’água, há mais&nbsp;<strong>asperezas</strong>, mais majestade, mais&nbsp;<strong>variedade de sítios</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tirei o lápis, o&nbsp;<strong>meu álbum</strong>, companheiro inseparável de viagem, e fazia a largos traços um&nbsp;<strong>esboço</strong>&nbsp;desse esplêndido conjunto de águas e de penedias, quando senti que já havia&nbsp;<strong>ficado só</strong>&nbsp;naquele labirinto de pedras. Olhei em torno de mim, não vi viva alma; meus companheiros haviam&nbsp;<strong>descido o despenhadeiro</strong>, ganhavam a caverna numa das extremidades da cachoeira, percorriam-na em grande parte, e voltarem por sobre precipícios, ora faltando-lhe o equilíbrio, ora margeando nas pontas ásperas do rochedo,&nbsp;<strong>feridos os joelhos</strong>, o facto rodo e as mãos calejadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Voltei, pois, aos meus esboços, concluídos que foram, segui a esmo através daquelas asperezas, e fui deparar com o&nbsp;<strong>caminho do dia anterior</strong>, quando já assustado me considerava&nbsp;<strong>perdido</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Inundado de&nbsp;<strong>suor</strong>, sequioso porque inacessível era a água do rio nesses sítios, deixei-me cair fatigado sob a copa frondosa do&nbsp;<strong>angico</strong>, cuja sombra amiga contrastava imenso com a&nbsp;<strong>ardência do sol</strong>&nbsp;já em seu Zenith.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duas horas depois prosseguimos em nossa&nbsp;<strong>jornada</strong>, levando a&nbsp;<strong>alma satisfeita</strong>&nbsp;e a memória enriquecida de um dos passos&nbsp;<strong>mais interessantes da nossa vida</strong>. Partimos para Jatobá, onde deviam começar os trabalhos do governo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">Adaptado do livro&nbsp;<strong>Terra do Sol Espelho da Lua</strong>, AMORIM, Etevaldo Alves. Ecos Gráfica e Editora – Maceió – 2004.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A CACHOEIRA DE PAULO AFONSO – IMPRESSÕES DE VIAGEM, transcrito do ILUSTRAÇÃO DO BRASIL – Ano II – Nº 14 – 1880. Disponível na Hemeroteca Digital Brasileira:&nbsp; http://memoria.bn.br/DocReader/758124/819</p>



<p class="wp-block-paragraph">***</p>



<p class="wp-block-paragraph">[i] Comissão Hidráulica. Composta pelos engenheiros William Milnor Roberts, Antônio Plácido Peixoto do Amarante, Rodolf Wieser, Domingos Sérgio de Sabóia e Silva, Alfredo Lisboa, Miguel Antônio Lopes Pecegueiro, Tomás de Aquino e Castro, Orville Adelbert Derby e Theodoro Fernandes Sampaio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[ii] João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu (1810-1906). Foi o 22º Presidente da Bahia, de agosto de 1856 a maio de 1858. Foi Senador por Alagoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[iii] Theodoro Fernandes Sampaio nasceu no dia 7 de janeiro de 1855, na sacristia da capela do Engenho Canabrava, em Bom Jardim, município de Santo Amaro, Estado da Bahia. Sua mãe era Domingas da Paixão do Carmo, escrava do Visconde de Aramaré. Suspeita-se que seu pai seria o sacerdote da igrejinha da Casa Grande do Engenho. No seu registro de óbito consta como pai: Joaquim Fernandes Sampaio. Entretanto, na sua biografia no CPDOC/FGV, consta que é filho, não reconhecido, de Francisco Antônio da Costa Pinto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi casado com Capitulina Maia Fernandes, com quem teve o filho Carlos Theodoro Sampaio e, em segundas núpcias, a 14 de agosto de 1935, com Amália Augusta Barreto, filha do Coronel João José Barreto e Adelaide Augusta Barreto. Participou ativamente do movimento abolicionista, tendo sido sócio-fundador da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, entidade fundada por Joaquim Nabuco, em parceria com José do Patrocínio e André Rebouças. Foi Deputado Federal pela Bahia, tendo tomado posse em 02/05/1927. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1937, aos 82 anos de idade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[iv] Reynaldo von Kruger. Engenheiro em Chefe da construção da Estrada de Ferro Paulo Afonso, designado em 1878. Faleceu em Uberaba-MG, aos 84 anos, no dia 25 de julho de 1919. Alemão naturalizado brasileiro, posto que aqui permaneceu por mais de 50 anos de sua vida. Casado com Maria Alves Montes, com quem teve cinco filhos, entre eles Fernando von Kruger.</p>



<p class="wp-block-paragraph">[v] Richard Francis Burton KCMG FRGS (Torquay, 19 de março de 1821 — Trieste, 20 de outubro de 1890) foi um escritor, tradutor, linguista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata britânico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Bonifácio</p>



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