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	<title>Saúde digital |</title>
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	<title>Saúde digital |</title>
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		<title>Ozempic no marketplace expõe limites da saúde digital no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 12:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Operação do Mercado Livre com a Novo Nordisk no México é vista pela XP como avanço estratégico, mas regras brasileiras restringem a venda online de medicamentos com prescrição A venda de medicamentos de alto valor em marketplaces começa a ganhar força na América Latina, mas ainda encontra uma barreira importante no Brasil: a regulação. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h5 class="wp-block-heading"><strong><em>Operação do Mercado Livre com a Novo Nordisk no México é vista pela XP como avanço estratégico, mas regras brasileiras restringem a venda online de medicamentos com prescrição</em></strong></h5>



<p class="wp-block-paragraph">A venda de medicamentos de alto valor em marketplaces começa a ganhar força na América Latina, mas ainda encontra uma barreira importante no Brasil: a regulação. O exemplo mais recente vem do México, onde o Mercado Livre passou a contar com uma loja oficial da Novo Nordisk para a venda de medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, mediante apresentação de receita médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A iniciativa foi avaliada pela XP Investimentos como um avanço estratégico do Mercado Livre na vertical de saúde. Para os analistas liderados por Danniela Eiger, os medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade, têm perfil atraente para o e-commerce por reunirem alto valor, demanda recorrente e uso crônico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A iniciativa sinaliza progresso contínuo na construção da vertical de saúde do Mercado Livre. A principal questão continua sendo a replicabilidade no Brasil, onde o arcabouço regulatório atual restringe materialmente tal modelo”, afirma a XP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No México, a operação será apoiada pela infraestrutura do Mercado Livre, incluindo Mercado Envios e centros de distribuição. A entrega final, porém, ficará sob responsabilidade de operadores de transporte farmacêutico licenciados. A loja oficial da Novo Nordisk também faz parte do Programa de Proteção de Marcas da plataforma, voltado a reduzir riscos de produtos falsificados ou desviados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O modelo mexicano é possível porque a legislação local permite a venda online de medicamentos com prescrição, desde que o vendedor tenha licença sanitária e conte com um farmacêutico responsável pela validação das receitas antes da entrega. Segundo a XP, embora a regra não tenha sido desenhada especificamente para marketplaces, ela abre espaço para que fabricantes operem canais diretos ao consumidor com apoio de logística licenciada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a situação é mais restritiva. A regulação limita a venda online de medicamentos à extensão digital de farmácias licenciadas e impede que marketplaces atuem diretamente como vendedores de remédios com prescrição. Além disso, medicamentos como a semaglutida estão sujeitos a regras adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Dado que medicamentos GLP-1 são substâncias controladas, a semaglutida enfrenta uma camada regulatória adicional, enquanto fabricantes não podem se envolver em distribuição direta ao consumidor, já que a comercialização de medicamentos permanece exclusiva de farmácias licenciadas”, avaliam os analistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A XP lembra que a Lei 15.354/2026 permitiu que farmácias terceirizem serviços de logística e entrega, como ocorre em plataformas de delivery. A mudança, porém, não altera a regra central sobre quem pode vender medicamentos. Hoje, o Mercado Livre opera no Brasil por meio do MELI Farma, com uma farmácia licenciada em São Paulo e sortimento limitado, concentrado em produtos de higiene, cuidados pessoais e medicamentos sem prescrição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a XP vê impacto limitado no curto prazo para as redes de farmácias brasileiras. Na avaliação dos analistas, o México pode servir como uma prévia do que poderia acontecer em caso de flexibilização das regras no Brasil, mas um eventual debate regulatório tende a ser longo e deve enfrentar resistência dos principais players do setor farmacêutico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, a operação mostra o potencial da saúde digital como nova frente de crescimento para o Mercado Livre, mas também evidencia que, no Brasil, o avanço desse mercado dependerá menos de tecnologia e mais de mudanças regulatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Money Report</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“Mudanças na NR1 e as obrigações das empresas gerenciarem os riscos psicossociais “" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/osWsh8e3BJQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Para entender os riscos do PL da Saúde Digital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 13:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[Riscos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Novo projeto de lei abre brechas para dados de saúde de brasileiros serem monetizados por Big Techs. Em entrevista, Leandro Modolo explica as problemáticas Por Gabriela Leite O processo de digitalização do SUS, com a chegada de novas tecnologias, pode tanto ampliar o acesso quanto abrir mais uma porta para a infiltração do setor privado. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Novo projeto de lei abre brechas para dados de saúde de brasileiros serem monetizados por Big Techs. Em entrevista, Leandro Modolo explica as problemáticas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por Gabriela Leite</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo de digitalização do SUS, com a chegada de novas tecnologias, pode tanto ampliar o acesso quanto abrir mais uma porta para a infiltração do setor privado. Essa é a preocupação de pesquisadores e ativistas com o projeto de lei nº 5.785/2013, que originalmente tratava da “criação do cartão de identificação do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS)” mas que, ao tramitar no Congresso Nacional, suscitou debates mais amplos em torno da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e da chamada interoperabilidade dos dados em saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ajudar a compreender melhor os riscos abertos por esse PL, convidamos&nbsp;<strong>Leandro Modolo</strong>, professor e pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz, além de colunista do&nbsp;<strong><em>Outra Saúde</em></strong>, para nosso programa de entrevistas no Farol Brasil (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=RINCtSfI39U">assista</a>). “O texto trata da Rede Nacional de Dados em Saúde, a RNDS, do Cadastro Único, e das plataformas do SUS Digital. É um PL absolutamente estratégico para o SUS atual, sobretudo para o SUS que está por vir. É um PL que vem para dar solos legais para esse SUS que está em processo de transformação – para o bem ou para o mal”, ele alerta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na entrevista, falamos de duas brechas que os pesquisadores veem abertas pelo PL. A primeira diz respeito à interoperabilidade dos sistemas, ou seja, “A capacidade de diferentes sistemas trocarem dados de forma significativa, se entenderem. Trata-se de permitir acesso, integração e uso coordenado de informação dentro do SUS. Assim a gente garante continuidade no cuidado e o cidadão garante que aquelas informações que ele deixou num lugar também serão utilizadas nos outros. Isso também permite reduzir a duplicação de exames e procedimentos”, explicou Modolo.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://apoia.se/outraspalavras"><img decoding="async" src="https://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2025/12/15.png.webp" alt=""/></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O problema é que, no projeto de lei, fala-se em vedar a “mercantilização e comercialização dos dados em saúde”, mas omite-se a&nbsp;<em>monetização</em>&nbsp;– ou seja, o uso dos dados como moeda que enriquece a Big Pharma. É um grande problema, como explica o pesquisador: “Pensar como os dados operam dentro das cadeias de valor da economia de dados é algo complexo e recente. Se você faz uma PL dessas e não garante de forma explícita algum tipo de regulação sobre a monetização, a gente abre brechas, abre as portas para uma insegurança jurídica. Isso é um erro político”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o PL propõe uma estranha “governança participativa”, ignorando toda a estrutura do SUS de participação popular por meio do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Segundo Leandro, “O pressuposto era que o público está permanentemente sob ameaça do privado. Hoje, predomina a ideia de que a parceria público-privado é virtuosa e que só bons contratos bastam. A saúde digital é a forma exemplar disso: parte do pressuposto que o público não tem condições de fazer sozinho”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para alertar sobre esses perigos, Leandro Modolo e outros pesquisadores publicaram um&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-digital-manifesto-aponta-problemas-do-pl-5875-2013/">manifesto</a>, que foi reproduzido no&nbsp;<strong><em>Outra Saúde</em></strong>. O tema também foi tratado em&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/um-caminho-para-soberania-digital-brasileira/">artigo</a>&nbsp;de Sonia Fleury e Lívia Gouvêa, no&nbsp;<em>Outras Palavras.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Maio Laranja!" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/TbDheLXB87A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Saúde digital: Manifesto aponta riscos do PL 5875/2013</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[PL 5875/2013]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em documento coletivo, ativistas e pesquisadores alertam: projeto de lei traz “insuficiente proteção dos dados sensíveis da população” e intensifica controle do setor privado sobre a Saúde. Por isso, movimento sanitário deve analisá-lo com atenção A legislação brasileira não pode ter brechas que permitam a monetização dos dados sensíveis em saúde, pressionando ainda mais a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Em documento coletivo, ativistas e pesquisadores alertam: projeto de lei traz “insuficiente proteção dos dados sensíveis da população” e intensifica controle do setor privado sobre a Saúde. Por isso, movimento sanitário deve analisá-lo com atenção</p>



<p class="wp-block-paragraph">A legislação brasileira não pode ter brechas que permitam a monetização dos dados sensíveis em saúde, pressionando ainda mais a natureza pública do SUS. Esta é uma das preocupações centrais por trás da tramitação do projeto de lei n. 5875, de 2013, que pode ser&nbsp; pautado na Comissão de Saúde da Câmara Federal a qualquer momento. Este projeto trata da consolidação da saúde digital e da interoperabilidade no Sistema Único de Saúde (SUS).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">De partida, afirmamos que o debate sobre interoperabilidade de dados é, necessariamente, político e que o último substitutivo do PL 5875, de 12 maio de 2026, segue com problemas importantes. O SUS passa por intensa transformação digital e é necessário que a legislação acompanhe este processo. No entanto, o campo sanitário necessita olhar com mais detalhe para o conteúdo deste projeto e também para o processo de aprovação da proposta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O conteúdo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há diversos aspectos que merecem atenção, com três destaques:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Desrespeito à diretriz constitucional de participação social: Ao invés de tratar de <strong>participação social</strong>, o texto propõe uma “governança participativa”, o que tanto remodela mecanismos participativos já existentes e consolidados, quanto explica a ausência de citação ao Conselho Nacional de Saúde pela redação.</li>



<li>Lacuna na proteção a dados sensíveis: A monetização de dados tratados pela administração pública (anonimizados ou não) deixa de ser vedada pelo novo texto. Apesar do PL vedar a mercantilização e a comercialização de dados, é necessária menção expressa à <strong>proibição de monetização dos dados</strong> tratados. Há projetos em curso sobre esse tema sendo conduzidos por empresas públicas que prestam serviços para o Ministério da Saúde – segundo estudos publicados pela Estratégia Latino-Americana de Inteligência Artificial.</li>



<li>Intensificação do setor privado sobre a saúde: O reforço à ideia de “ecossistema” da saúde como chave de legitimação à cada vez maior participação da iniciativa privada no SUS, que, entre outras coisas, ao “naturalizar” a dinâmica do mercado, oculta relações de poder e interesses voltados a <strong>retornos financeiros</strong> por meio do SUS. Esta dinâmica foi explicitada por um relatório publicado pela Coalizão Direitos na Rede, que aponta para a progressiva flexibilização normativa quanto ao tema.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>O processo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O PL 5875 tramita desde 2013 e já sofreu diversas modificações decorrentes, inclusive, da atualização das demandas vinculadas ao processo histórico de desenvolvimento de tecnologias. Atualmente sob relatoria da deputada federal Adriana Ventura, do Novo/SP, o substitutivo que deve ser votado na Comissão de Saúde da Câmara Federal carece de debate social mais amplo, segundo já defendido pela Recomendação 42 do Conselho Nacional de Saúde. Destaca-se que existem audiências públicas aprovadas para tratar do tema, as quais deveriam ocorrer antes dessa votação. Sendo aprovado na Comissão de Saúde, seguirá com mais força para votação no plenário da Câmara – com maiores possibilidades de aprovação, nesse sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Convite à ação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Interoperabilidade é uma palavra que se esconde no campo da técnica, mas se define politicamente – assim como a contratação da Palantir pela Fundação Butantan, em São Paulo. O Brasil é o sétimo país mais populoso do mundo e conta com um sistema público com capacidade de integrar dados de toda a população. Mesmo que anonimizados, são estratégicos na dinâmica capitalista atual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A insuficiente proteção de dados sensíveis da população, o desrespeito à estrutura de controle social e participação popular no SUS, e a intensificação do setor privado sobre o sistema são questões que convocam o campo sanitário crítico a olhar com maior atenção ao tema e a exigir que esses pontos sejam aprofundados antes da aprovação do PL.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quer saber mais?</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>PL 5875/2013</strong> – versão de 12 de maio de 2026: <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=3127509&amp;filename=Tramitacao-101-PL-5875-2013">https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=3127509&amp;filename=Tramitacao-101-PL-5875-2013</a> </li>



<li><strong>Requerimento de audiência pública</strong> sobre o PL 5875/2013, aprovado em 25 de fevereiro de 2026: <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2603942">https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2603942</a>  </li>



<li><strong>Recomendação </strong>de agendas de debate pelo CNS: <a href="https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/recomendacoes/2024/recomendacao-no-042-de-19-de-dezembro-de-2024">https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/recomendacoes/2024/recomendacao-no-042-de-19-de-dezembro-de-2024</a></li>



<li><strong>Interoperabilidade</strong> em saúde: <a href="https://direitosnarede.org.br/2025/11/25/interoperabilidade-na-saude-brasileira/">https://direitosnarede.org.br/2025/11/25/interoperabilidade-na-saude-brasileira/</a> </li>



<li><strong>Monetização </strong>de dados: <a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/drumwave-uma-agenda-obscura/">https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/drumwave-uma-agenda-obscura/</a> </li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Análise sobre o substitutivo de 2025</strong>&nbsp;ao PL 5875/2013:&nbsp;<a href="https://analisepoliticaemsaude.org/debate/a-retirada-de-pauta-do-substitutivo-ao-pl-5875-reabre-a-disputa-sobre-o-futuro-da-saude-digital-no-sus-e-evidencia-que-interoperabilidade-e-dados-em-saude-sao-questoes-politicas-nao-merament/">https://analisepoliticaemsaude.org/debate/a-retirada-de-pauta-do-substitutivo-ao-pl-5875-reabre-a-disputa-sobre-o-futuro-da-saude-digital-no-sus-e-evidencia-que-interoperabilidade-e-dados-em-saude-sao-questoes-politicas-nao-merament/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Assinam:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Aluisio G. da Silva Junior</p>



<p class="wp-block-paragraph">André Dantas</p>



<p class="wp-block-paragraph">André Vieira dos Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antônio Python Cirino</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ariane Leites Larentis</p>



<p class="wp-block-paragraph">Beá Tibiriçá</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Chapadeiro Ribeiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bruno Elias Penteado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carla Straub</p>



<p class="wp-block-paragraph">Clarissa França</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cristiane L. Simão Lemos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deivison Faustino</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deivisson Vianna D. dos Santos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Douglas B. Rodrigues</p>



<p class="wp-block-paragraph">Edemilson Paraná</p>



<p class="wp-block-paragraph">Emerson Merhy</p>



<p class="wp-block-paragraph">Francisco Pedra</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gabriel Simeone</p>



<p class="wp-block-paragraph">Helena Martins</p>



<p class="wp-block-paragraph">Heleno Rodrigues Corrêa Filho</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isabel Coronel</p>



<p class="wp-block-paragraph">Joyce Maldonado</p>



<p class="wp-block-paragraph">Juliana Martins Pinto</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leandro Modolo</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leonardo Carnut&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lucas da Costa Brandão</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luis Gonçalves</p>



<p class="wp-block-paragraph">Luiz Vianna Sobrinho&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcelo Fornazin</p>



<p class="wp-block-paragraph">Márcia Cassimiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcos Dantas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mariana Albuquerque&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marília Cintra</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rafael Evangelista</p>



<p class="wp-block-paragraph">Raquel Rachid</p>



<p class="wp-block-paragraph">Renato Balão Cordeiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosana Onocko-Campos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sérgio Amadeu</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tatiana de Vasconcellos Anéas</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tica Moreno</p>



<p class="wp-block-paragraph">Túlio Batista Franco</p>



<p class="wp-block-paragraph">Walter Lippold</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>(o manifesto segue aberto para novas assinaturas)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Foto: Caureem/Shutterstock<br><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="“A SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL&quot;" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/bkqF2QlqZGY?start=14&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/saude-digital-manifesto-aponta-riscos-do-pl-5875-2013/">Saúde digital: Manifesto aponta riscos do PL 5875/2013</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Saúde digital no Brasil: soberania ou dependência?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 14:07:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Joyce Souza A introdução da IA e outras tecnologias avança no SUS. Novo livro alerta: na ausência de diretrizes mais explícitas, a porta está aberta à infiltração empresarial no serviço público e ao aprofundamento de nossa subordinação às Big Techs e grandes potências A transformação digital da saúde no Brasil avança em ritmo acelerado. Mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Joyce Souza<br></p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução da IA e outras tecnologias avança no SUS. Novo livro alerta: na ausência de diretrizes mais explícitas, a porta está aberta à infiltração empresarial no serviço público e ao aprofundamento de nossa subordinação às Big Techs e grandes potências</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transformação digital da saúde no Brasil avança em ritmo acelerado. Mas cabe a pergunta: esse processo vem ocorrendo de modo a reforçar a soberania do país, melhorar os serviços públicos e resguardar a privacidade dos dados dos brasileiros ou por caminhos que aprofundam nossa dependência em relação às grandes potências imperialistas, proprietárias das principais tecnologias?<br>No trecho a seguir, a pesquisadora da UFABC Joyce Souza repassa o histórico das políticas do país neste campo, desde os primeiros esforços de informatização da saúde na década de 1970 até questionáveis iniciativas contemporâneas, como a hospedagem da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) nos servidores da Amazon Web Services e a incorporação da IA por meio de contratos com grandes empresas de tecnologia.<br>A estudiosa alerta: “As ações para o desenvolvimento da saúde digital no país permanecem bastante próximas e alinhadas a elementos e práticas neoliberais. Tais práticas indicam uma acentuada e alarmante tendência à privatização da saúde brasileira, não necessariamente no atendimento direto à população, mas no ecossistema que sustenta a infraestrutura e as tecnologias digitais do setor”.<br>O escrito faz parte de Inteligência artificial, sociedade e classe: como a IA impacta o trabalho, a saúde e as políticas públicas, coletânea de artigos publicada por nossos parceiros da Autonomia Literária que traz importantes subsídios para o objetivo de criar “políticas de soberania digital, regulação, transparência e participação popular para que a IA contribua para a redução das desigualdades e o desenvolvimento autônomo dos países dependentes”. Boa leitura! (G. A.)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saúde digital e IA: imperialismo e dependência na saúde pública brasileira (excerto)<br>O Brasil, sendo um dos países fundadores da OMS e tendo ocupado a posição de direção-geral da organização por 20 anos (1953-1973), tem uma longa história de incorporação das orientações da OMS no desenvolvimento e fortalecimento das políticas públicas implementadas pelo Ministério da Saúde (MS).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa relação histórica se aprofunda no âmbito do desenvolvimento da saúde digital. Os primeiros avanços nesse sentido surgiram na década de 1970, quando a OMS começou a abordar temas relacionados à informação e comunicação em saúde. Naquele período, a noção de “dados” ainda não era considerada um elemento central no contexto de uma saúde digitalizada. No entanto, a OMS já identificava como sistemas e mecanismos iniciais poderiam contribuir para uma melhor coleta e análise de informações de saúde. Foi nesse cenário que o Brasil começou a desenvolver seus primeiros sistemas informatizados, voltados para análises laboratoriais, registros médicos e cálculos estatísticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses primeiros sistemas ainda eram bastante simples e de certa forma ainda manuais. A coleta de informações, por exemplo, ainda estava intrinsecamente baseada no preenchimento de formulários e o seu tratamento ficava restrito a trabalhos específicos, como o dos sanitaristas. Apesar do progresso que isso já representava ao setor de saúde, não havia uma política com normas e diretrizes claras sobre como todo esse processo deveria ser operacionalizado, o que acabou gerando sobreposição de responsabilidades, atribuições equivocadas e interesses diversos na coleta e no uso das informações de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cenário gerou preocupações que abrangiam desde a qualidade das informações coletadas e seu uso até o armazenamento, o fluxo e a troca dessas informações entre as secretarias municipais, estaduais e a esfera federal. Diante dessas questões, surgiu a necessidade de padronizar as atividades no setor de saúde. Apesar das diversas discussões e reuniões iniciadas em 1975, foi apenas em 1991 que se concretizou a criação de algumas das estruturas fundamentais nesse contexto. Por exemplo, ocorreu com a promulgação da Lei 8080/90 a criação do Sistema Nacional de Informações em Saúde (SNIS) e com o Decreto 100, de 16 de abril de 1991, a instituição do Departamento de Informática do SUS (Datasus).</p>



<p class="wp-block-paragraph">É a partir da década de 1990, com a criação do SUS, a promulgação da Constituição de 1988, a expansão da internet em sua fase comercial e os avanços dos sistemas computacionais, que se inicia no Brasil uma série de iniciativas no âmbito da saúde. Isso inclui desde conferências nacionais de saúde até a criação de portarias, leis e decretos destinados à implementação de políticas públicas de informática em saúde, visando modernizar e integrar os sistemas de informação no setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os registros históricos desse período revelem a intensa participação de pesquisadores, profissionais de saúde e movimentos sociais na formulação de diretrizes e normativas, buscando atender aos interesses e as necessidades da sociedade civil, o MS já acenava para o processo de aprofundamento da dependência tecnológica e das práticas neoliberais, que começavam a se consolidar no Brasil por meio de mecanismos baseados em um sistema disciplinar e por práticas interpretadas como coercitivas. Em ambos os casos, o neoliberalismo avançava a partir de um conjunto de instituições, que poderiam ser ou não estatais, mas que buscavam apresentar (ou impor) políticas regulatórias, fiscais e monetárias que, por sua vez, deveriam ser adotadas necessariamente para que a economia de mercado prevalecesse, incluindo o setor da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo desse cenário ocorre no final da década de 1990. Em vez de criar uma política pública de investimento em P&amp;D para o desenvolvimento de tecnologias e infraestruturas digitais nacionais voltadas ao setor da saúde, o MS decide recorrer ao apoio do Banco Mundial e realizar a contratação de empresas internacionais para a implementação do Cartão Nacional de Saúde, o Cartão SUS. Essa iniciativa, considerada uma demanda histórica do setor saúde no Brasil, tinha como objetivo identificar os cidadãos e registrar os atendimentos realizados no sistema público de saúde, independentemente da geolocalização de cada um.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2010, com a evolução das tecnologias digitais impactando cada vez mais as diversas esferas sociais no Brasil, incluindo as políticas governamentais federais, o MS inicia um movimento de adesão a ações voltadas para a implementação de sistemas baseados em dados. Esse processo ocorre em alinhamento com as normativas da OMS, que já promoviam uma transição conceitual importante: a passagem de uma saúde digitalizada – focada na informatização de processos existentes – para uma saúde digital, que incorpora as tecnologias como elemento estruturante do cuidado e da gestão. Nesse contexto, o conceito de “dados em saúde” começa a ganhar destaque, ocupando um espaço que, até então, era dominado quase exclusivamente pela perspectiva da informação. Essa mudança reflete um deslocamento no discurso e nas práticas de gestão, priorizando a centralização, o armazenamento, o controle de fluxos e a disseminação de dados como pilares da administração do sistema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dessa mudança, o MS ainda seguia orientado por estratégias e ações generalizadas do governo federal e de outros órgãos e ministérios, que já utilizavam e exploravam tecnologias digitais em suas atividades. Esses órgãos avançavam na formulação de novos planos, estratégias e até na criação de secretarias específicas para lidar com as demandas do setor e as possibilidades de implementação de novas tecnologias digitais. Foi justamente a partir de 2019, concomitantemente ao avanço da IA e de suas possibilidades de aplicação no setor da saúde, que o MS criou um plano de ação para a saúde digital com diversas ações, dentre as quais: em 2020 lança a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028 (ESD) e a plataforma nacional de interoperabilidade (troca de dados) em saúde, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS); em 2021 publica a atualização da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS); e em 2023 institui a primeira Secretaria de Informação e SaúdeDigital (SEIDIGI),31 voltada a coordenar a transformação digital do SUS e a integrar as inovações tecnológicas às políticas públicas de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o plano de ação de saúde digital do MS contemple estratégias e diretrizes desenvolvidas em momentos políticos distintos no Brasil, como a ESD, a RNDS e a PNIIS, lançadas durante o governo de Jair Bolsonaro (então no Partido Social Liberal – PSL), e a criação da SEIDIGI no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores – PT), as ações para o desenvolvimento da saúde digital no país permanecem bastante próximas e alinhadas a elementos e práticas neoliberais. Tais práticas indicam uma acentuada e alarmante tendência à privatização da saúde brasileira, não necessariamente no atendimento direto à população, mas no ecossistema que sustenta a infraestrutura e as tecnologias digitais do setor. Além disso, a construção de políticas públicas voltadas ao tema, como a PNIIS, tem sido alvo de críticas devido à baixa participação social, levantando dúvidas sobre sua capacidade de refletir os interesses da sociedade e fortalecer a transparência nas políticas públicas. O mesmo cenário se repete nas iniciativas conduzidas pela SEIDIGI, onde ainda há um espaço muito reduzido para debates mais profundos com pesquisadores, profissionais de saúde, organizações e movimentos sociais sobre os rumos da digitalização do SUS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para exemplificar como tem ocorrido a privatização de infraestruturas tecnológicas pelo SUS, apesar das trocas de governo, vale ressaltar que, em abril de 2020, o MS e a Embratel anunciaram uma parceria para que a RNDS, plataforma nacional de interoperabilidade (troca de dados) em saúde, fosse armazenada pela Amazon Web Service (AWS). Na ocasião, o ex-diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), Jacson Barros, responsável pela medida, celebrou a parceira e destacou em entrevista pública que a iniciativa representava um fortalecimento para o setor: “estamos pavimentando uma estrada para o fortalecimento da estratégia de Saúde Digital para o Brasil”. Atualmente, Jacson Barros ocupa o cargo de Gerente de Desenvolvimento de Negócios no Setor Público de Saúde na AWS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Devido às complexidades que significa a RNDS estar armazenada na AWS no que tange à dependência tecnológica, à soberania de infraestrutura e de dados digitais e à transferência de valor aos países imperialistas, neste caso aos Estados Unidos, essa parceria suscitou inúmeras críticas. Em 2023, buscando responder a essas preocupações, no contexto de um novo governo progressista, o MS anunciou que a RNDS passaria a ser gerida pelo Serpro, empresa estatal, por meio do projeto Serpro Multicloud. Inicialmente, a notícia gerou um certo entusiasmo, sugerindo uma possível mudança do MS em relação às práticas de privatização da saúde digital. No entanto, logo ficou claro que o Serpro Multicloud representava apenas mais um avanço do neoliberalismo na infraestrutura tecnológica do governo federal. O projeto tem como objetivo apenas gerenciar, sob responsabilidade da equipe do Serpro, a escolha das plataformas internacionais onde os dados coletados em território brasileiro serão armazenados. No caso da RNDS, os dados permanecem na AWS, mas agora com análises e pareceres técnicos, como questões de segurança cibernética, sendo conduzidos pelos profissionais do Serpro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No contexto específico da implementação de IA na saúde brasileira, não há uma estratégia direta publicada pelo MS sobre o tema. O MS tem se baseado em diretrizes da OMS publicadas no Ethics and Governance of Artificial Intelligence for Health – WHO Guidance, que de forma resumida apresenta duas categorias centrais de recomendações. A primeira concentra-se em diretrizes para a criação de estruturas de governança de IA, tanto nacionais quanto internacionais, visando a implementação de IA como uma ferramenta na ampliação da cobertura universal de saúde. A segunda oferece orientações práticas direcionadas a desenvolvedores de IA, ministérios e instituições de saúde, com o objetivo de lidar com os desafios e riscos associados a essas tecnologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do documento, a OMS apresenta preocupações atreladas à perspectiva da privacidade, considerando desde a concepção de um sistema até seus padrões, à importância da confidencialidade e da segurança, mencionando políticas e práticas internacionais, como as da ISO, as diretrizes do National Institute of Standards and Technology (NIST), a série IEEE 7000 e o Health Level Seven, e à questão da criação e implementação de legislações robustas sobre o tema em âmbitos nacionais internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A OMS também ressalta a importância de evitar vieses prejudiciais nos sistemas de IA afirmando que, para os desenvolvedores, isso implica considerar fatores como etnia, idade, raça e gênero durante o treinamento e a aplicação dos modelos de IA. Para a organização, o objetivo é garantir que os resultados enviesados da IA, caso haja, não causem impactos negativos sobre indivíduos ou grupos específicos. A OMS alerta que vieses algorítmicos são especialmente problemáticos quando geram consequências sociais adversas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar das importantes preocupações levantadas em seu guia, a OMS não avança em diretrizes concretas que abordem a dependência tecnológica, a soberania de países de baixa e média renda no desenvolvimento da saúde digital e a crescente privatização do setor, impulsionada por tecnologias digitais privadas voltadas à acumulação do capital internacional. Em vez disso, a OMS reafirma, como já fazia em resoluções anteriores, a recomendação para que os ministérios da saúde busquem, em caso de deficiência em suas infraestruturas digitais, parcerias e articulações com organismos internacionais para seu aprimoramento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mantendo sua tradição histórica, o Brasil tem seguido as orientações da OMS e implementado, embora sem diretrizes próprias específicas para o setor da saúde, sistemas baseados em IA em diversas áreas. Na ciência da saúde, destacam-se a coleta e o processamento de grandes volumes de dados. No campo da gestão, surgem sistemas voltados à administração de cuidados, infraestrutura, qualidade dos serviços, tele-atendimento, dispensação de medicamentos e análises preditivas. Já no monitoramento e cuidado aos pacientes, a IA tem sido utilizada para promover o autocuidado por meio de dispositivos vestíveis inteligentes, apoiar diagnósticos e tratamentos de doenças e facilitar o registro e a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para esses fins, a IA tem sido cada vez mais incorporada ao setor da saúde por meio de contratos com grandes empresas de tecnologia e, impulsionada pelas práticas neoliberais, trazem consigo a ideologia dos cuidados de saúde cada vez mais centrados no paciente (indivíduo). Essa abordagem, frequentemente associada à ideia de “eus quantificados”, conforme destacado pelo FEM ao discutir a revolução 4.0 na saúde, promove uma visão individualizada da saúde. Nessa perspectiva, o paciente é visto como o principal responsável por suas escolhas e riscos que incorre, sendo frequentemente culpabilizado por suas condições de saúde. Esse discurso se reflete tanto no incentivo ao automonitoramento contínuo do próprio estado de saúde quanto na imposição de encargos financeiros por escolhas consideradas inadequadas. Além disso, surgem iniciativas, com aval federal, que desenvolvem projetos de saúde privada direcionados às classes baixas, reforçando a privatização do setor em detrimento de soluções coletivas, gratuitas e de acesso universal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Imagem retirada do livro “The New Colonialism of Big Tech and How to Fight Back” de Ulises A. Mejias e Nick Couldry.<br><br></p>



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		<title>Qual Saúde Digital o Brasil constrói?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 14:19:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Gabriela Leite Ana Estela Haddad, secretária do Ministério da Saúde que comanda a transformação digital do SUS, fala sobre seu trabalho e os próximos planos – que incluem a unificação de prontuários, a segurança dos dados e tentativas de diminuir a dependência das Big Tech As novas tecnologias digitais podem&#160;contribuir para a ampliação do acesso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Gabriela Leite</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ana Estela Haddad, secretária do Ministério da Saúde que comanda a transformação digital do SUS, fala sobre seu trabalho e os próximos planos – que incluem a unificação de prontuários, a segurança dos dados e tentativas de diminuir a dependência das Big Tech</p>



<p class="wp-block-paragraph">As novas tecnologias digitais podem&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-digital-futuro-do-sus/">contribuir para a ampliação do acesso à saúde</a>&nbsp;e impulsionar pesquisas científicas, mas também servir para&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-digital-a-estranha-interferencia-do-reino-unido/">entrega de dados sensíveis</a>&nbsp;para as Big Techs e representar um risco à soberania do país. Podem ser úteis para para o atendimento médico e para diagnósticos mais precisos, mas também deixar o cuidado&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/transformacao-digital-do-sus-e-o-paradoxo-de-topol/">menos humano</a>&nbsp;ao transformar pessoas em dados e torná-las ainda mais vulneráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante desses&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/uma-saude-digital-que-adoece-trabalhadores/">dilemas</a>&nbsp;e de uma&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/big-tech-quer-definir-padroes-da-ia-na-saude-e-nos/">pressão cada vez maior</a>&nbsp;das grandes corporações, uma das primeiras medidas do Ministério da Saúde no novo governo Lula, em 2023, foi criar a Secretaria de Informação e Saúde Digital, a Seidigi.&nbsp;<strong>Ana Estela Haddad</strong>, professora titular da Faculdade de Odontologia da USP, foi nomeada para comandá-la e está no cargo desde então. Ela foi uma das convidadas para o&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/sus35anos/">Seminário SUS 35 anos</a>, organizado por&nbsp;<strong><em>Outra Saúde</em></strong>&nbsp;e seus parceiros, para participar de um debate sobre a transformação digital da saúde (<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/como-digitalizar-o-sus-sem-rendicao-as-big-techs/">assista e saiba mais</a>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">À ocasião do debate, a secretaria concedeu uma entrevista exclusiva para este boletim, na qual refletiu sobre o trabalho desempenhado por sua gestão e quais os planos para os próximos meses. Ana Estela falou especialmente sobre uma das principais mudanças em andamento: a incorporação do número do CPF dos brasileiros para unificar os cadastros no SUS, integrando todos os prontuários de forma a facilitar o atendimento nos serviços públicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A medida é importante porque, hoje, um usuário pode ter mais de um registro no SUS, o que prejudica seu cuidado. O trabalho que está sendo feito para reduzir a fragmentação ainda levará alguns meses, explica a secretária: “Havia 340 milhões de registros, e já limpamos 54 milhões. Muitos eram duplicados, com pessoas tendo quatro ou cinco registros diferentes. Esperamos que até abril de 2026 o número chegue a cerca de 234 milhões, próximo ao total de CPFs ativos na Receita Federal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como os dados de saúde são considerados extremamente sensíveis, é preciso que haja cuidado para seu tratamento. Ana Estela reafirma que “qualquer compartilhamento de dados atende exclusivamente ao interesse do usuário do SUS, para um atendimento seguro e para subsidiar políticas públicas”.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ter cuidado com o tratamento dos dados é importante, mas não haverá soberania plena enquanto o seu armazenamento estiver em servidores das megacorporações do Norte Global. Hoje, o Brasil não possui tecnologia e nem&nbsp;<em>data centers</em>&nbsp;suficientes para guardar os dados de sua população.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de uma preocupação declarada pela Seidigi: “Vínhamos de uma situação de desvantagem tecnológica e dependência de infraestrutura de outros países. Agora há um movimento do governo para mudar isso. Foi publicada uma medida provisória que oferece incentivos para empresas que investirem em infraestrutura de data centers e tecnologia no Brasil”, afirma Ana Estela, citando também o plano do governo para construir uma Inteligência Artificial nacional, “baseada na nossa língua, população e dados – e que seja usada para o bem coletivo, com transparência e sem manipulação dos usuários”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fique com a entrevista completa</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A saúde digital é uma realidade relativamente nova para o SUS, e vem se tornando cada vez mais importante, inclusive nesse novo governo do Lula. Queria que você falasse um pouco sobre a importância para o futuro que queremos construir para a Saúde brasileira.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas mudanças ao longo dos anos para mim estão marcadas nas minhas duas incursões no Ministério da Saúde. A primeira aconteceu há 20 anos, quando a Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (SGTES) também estava recém-criada, dando consequência ao inciso do artigo 200 da Constituição, que diz que cabe ao SUS ordenar a formação de recursos humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De lá para cá, muita coisa foi se consolidando na política de formação e educação permanente no trabalho em saúde. E agora, 20 anos depois da criação da SGTES, o Ministério cria uma nova secretaria, a de Informação e Saúde Digital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante marcar que seria muito diferente criar uma secretaria como essa em um país que não tivesse um sistema público de saúde como o nosso. Podemos fazer a transformação digital porque temos uma base robusta sobre a qual construir. O DataSUS tem mais de 400 sistemas de informação que monitoram ações e serviços de saúde, acompanhando a linha da vida da população brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há 20 anos, começamos também a aplicar e usar a telessaúde, acumulando uma experiência que hoje permite juntar tudo isso. Temos um marco teórico que começa com a Reforma Sanitária Brasileira e a criação do SUS, o que nos permite pensar e construir essa transformação de forma única e original em relação a outros países.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Queria que você falasse um pouco sobre a novidade do uso do CPF no cartão do SUS. O que isso significa e o que vem pela frente?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje há um esforço do governo de implantar a carteira de identificação nacional, digital, unificada e ligada a dados biométricos. Isso permite uma identificação única e integração dos serviços públicos para o cidadão. A saúde participa desse movimento e há ganhos diretos para as pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um deles é a agilidade no atendimento: o CPF é um número que todos sabem de cor, diferente do número extenso do cartão do SUS. É um número único e vitalício. Além disso, evita a fragmentação dos registros de saúde, algo que ainda ocorre quando são gerados diferentes números de cartão para uma mesma pessoa. Com o CPF como número único, teremos o prontuário unificado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é importante porque o cidadão poderá conhecer seu histórico de atendimentos, exames e tratamentos, e o profissional poderá realizar atendimentos com continuidade e qualidade, baseados nesse histórico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Isso ajuda na integração, inclusive da Atenção Primária, certo?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Exatamente. Por exemplo, se o paciente é atendido na Atenção Primária e depois em outro serviço ou hospital, os registros poderão ser integrados. Com a interoperabilidade dos sistemas e o CPF como identificador único, os profissionais terão acesso em tempo real a essas informações, em diferentes locais e momentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E quanto tempo isso deve levar para ser implementado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">São vários passos. O primeiro, já em vigor, é que os novos cartões de saúde passam a trazer o CPF junto ao nome. O segundo é a higienização do Cadastro Nacional de Usuários, iniciado em julho. Havia 340 milhões de registros, e já limpamos 54 milhões. Muitos eram duplicados, com pessoas tendo quatro ou cinco registros diferentes. Esperamos que até abril de 2026 o número chegue a cerca de 234 milhões, próximo ao total de CPFs ativos na Receita Federal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A higienização será contínua, mas esse é um bom patamar. Ao mesmo tempo, estamos “fechando a torneira”: o CPF será o identificador padrão e novos números só poderão ser gerados de forma temporária, sendo depois desativados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O terceiro passo, até o fim de 2026, é ajustar os sistemas do SUS que ainda não usam o CPF como identificador. Alguns exigem pequenas mudanças, outros têm impacto alto, com mais de 40 alterações necessárias. Até o final de 2026, queremos concluir isso e realizar capacitações com profissionais de saúde e campanhas com a população sobre o uso do CPF.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Você falou um pouco sobre soberania digital, mas queria retomar a questão da relação entre a saúde pública e a saúde privada. No governo Bolsonaro houve a tentativa de implementar o chamado&nbsp;</strong><strong><em>Open Health</em></strong><strong>, que integrava – ou, na verdade, entregava – dados do SUS ao setor privado. Como vocês veem isso hoje?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Temos total preocupação com isso. O que estamos fazendo não tem nada a ver com o&nbsp;<em>Open Health</em>. Escolhemos um modelo de interoperabilidade baseado na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O decreto 12.560, que institui a RNDS, é claro ao afirmar que qualquer compartilhamento de dados atende exclusivamente ao interesse do usuário do SUS, para um atendimento seguro e para subsidiar políticas públicas. A arquitetura é totalmente compatível com a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados], e não está no nosso horizonte de forma alguma o compartilhamento de dados com o setor privado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>E quanto à soberania digital?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vínhamos de uma situação de desvantagem tecnológica e dependência de infraestrutura de outros países. Agora há um movimento do governo para mudar isso. Foi publicada uma medida provisória que oferece incentivos para empresas que investirem em infraestrutura de data centers e tecnologia no Brasil. Isso reduz custos e estimula o desenvolvimento nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, Dataprev e Serpro estão desenvolvendo suas próprias nuvens de governo, o que chamamos de “nuvem soberana”. Isso significa que os dados e servidores estão no país e que buscamos autonomia sobre a tecnologia usada. Ainda não completamos esse movimento, mas estamos caminhando nessa direção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo também conduz o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com investimento de R$ 23 bilhões, liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A ideia é desenvolver uma IA própria, inclusive generativa, baseada na nossa língua, população e dados – e que seja usada para o bem coletivo, com transparência e sem manipulação dos usuários.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Quais são os planos da secretaria para o próximo ano e até o fim da gestão?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Precisamos consolidar o componente do SUS Digital dentro do programa “Agora Tem Especialistas”, fortalecendo a comunicação direta com o paciente, o monitoramento e avaliação e a expansão da telesaúde. Ao mesmo tempo, queremos deixar bem consolidada a direcionalidade da nossa arquitetura de interoperabilidade e da Rede Nacional de Dados em Saúde, dentro de uma infraestrutura que represente a soberania digital. Esses são alguns dos objetivos que pretendemos entregar até o final do mandato do presidente Lula.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Ana Estela Hadad fala no Seminário SUS 35 anos, em São Paulo. Créditos: Eduardo Ogata/Seidigi</p>



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		<title>Uma saúde digital que adoece trabalhadores?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Sep 2025 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Leandro Modolo e Manoela de Carvalho O avanço das tecnologias digitais vai melhorar o cuidado. Será? Médicos, enfermeiros e outros profissionais gastam horas em frente a telas – e os dados que geram servem para alimentar sistemas de vigilância e controle. Resultados: exaustão e falta de autonomia No final do último mês, o histórico jornalista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Leandro Modolo e Manoela de Carvalho</p>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço das tecnologias digitais vai melhorar o cuidado. Será? Médicos, enfermeiros e outros profissionais gastam horas em frente a telas – e os dados que geram servem para alimentar sistemas de vigilância e controle. Resultados: exaustão e falta de autonomia</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final do último mês, o histórico jornalista do campo progressista, Luis Nassif,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jrzTda1jIoA">entrevistou</a>&nbsp;a liderança da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad – ao fim, também coproduziu com uma IA, um&nbsp;<a href="https://jornalggn.com.br/politicas-sociais/ana-estela-haddad-a-arte-de-montar-politicas-publicas-na-saude-digital">resumo</a>&nbsp;da entrevista e publicou em seu portal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que nos chamou mais atenção da entrevista mencionada foi o tom laudatório do jornalista. Sabemos que a maior parte do campo progressista optou taticamente por não desferir nenhuma crítica ao Lula 3 e à sua equipe, inclusive da saúde. O argumento, também sabido, é que se fizermos tais críticas, favoreceremos nossos maiores adversários e inimigos. Desde janeiro de 2022, então, este pacto de silêncio corre por corredores, salas, redes sociais, grupos de WhatsApp e, logicamente, canais jornalísticos alinhados. Mas será mesmo que esse é o tom mais acertado para reconstruirmos, com as novas gerações, um campo de esquerda combativo e comprometido com um SUS efetivamente universal, equânime, integral e com participação popular?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixando de lado, por hora, as divergências de tática e estratégia da esquerda socialista frente ao social-liberalismo, gostaríamos apenas de chamar atenção para alguns dados que já registram que a chamada “transformação digital da saúde” não é um mar de rosas tal como Nassif pinta. Para tanto, é simples, basta lembrarmos de um personagem central da história: os trabalhadores da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os sistemas de saúde ao redor do mundo estão correndo para desenvolver e adotar tecnologias digitais em seus processos de trabalho e, como de praxe, a promessa vinda dos negócios é mais eficiência, mais produtividade, menos burocracia e, de quebra, dizem eles, profissionais liberados para se dedicar ao que realmente importa – cuidar de pessoas. A realidade, no entanto, revela-se bem mais complexa. Evidências começam sugerir ou demonstrar que essas mesmas tecnologias podem aprofundar e criar novas formas de precarização das condições de trabalho – sempre variando segundo a função, formação, gênero, raça, localização, nível de experiência e contexto institucional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Peguemos o caso dos registros eletrônicos de saúde (RES), do qual o Prontuário Eletrônico faz parte como um dos protagonistas da digitalização e datificação. Uma&nbsp;<a href="https://medinform.jmir.org/2024/1/e54811">meta-análise de 2024&nbsp;</a>revelou que 40,4% dos profissionais de saúde apresentam&nbsp;<em>burnout</em>&nbsp;diretamente associado ao uso desses sistemas. Para quem gasta mais tempo em tarefas administrativas digitais, a probabilidade de desenvolver&nbsp;<em>burnout</em>&nbsp;aumenta em 2,43 vezes. As&nbsp;<a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/20552076231220241">causas</a>&nbsp;são conhecidas: documentação excessiva, design inadequado dos sistemas, problemas de usabilidade, sobrecarga, horas extras e fadiga por alertas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse impacto também é sentido em&nbsp;<a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/21501319231166921">outro estudo</a>&nbsp;feito com os serviços de atenção primária nos EUA. Em alguns casos, diz o estudo, os profissionais podem despender aproximadamente duas horas documentando cada hora de atendimento direto ao paciente, ampliando o tempo em atividades administrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para enfermeira/os, a situação tem mais detalhes. Embora as tecnologias possam facilitar comunicação e acesso à informação, também intensificam a carga cognitiva e criam novos estressores ocupacionais. Um&nbsp;<a href="https://bmjopen.bmj.com/content/14/7/e085705#xref-ref-18-3">estudo pioneiro</a>&nbsp;realizado na Alemanha analisou as relações de trabalho com base no&nbsp;<em>tecnostress</em>, em curtas palavras, nos fatores que produzem estresse a partir do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação, diminuindo a satisfação no trabalho e o compromisso organizacional. O estudo então identificou que a sobrecarga de informações e comunicação devido às tecnologias digitais que exigem que os funcionários trabalhem mais rapidamente, e as situações em que os trabalhadores aumentam os esforços para aprender e compreender as novas tecnologias, ambas estão significativamente associados ao&nbsp;<em>burnout&nbsp;</em>dos enfermeiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, as consequências da “saúde digital” para a saúde dos trabalhadores podem ser de muito sofrimento e adoecimento. E entrevistas como a de Nassif são oportunidades valiosas para ponderar também essas questões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se o jornalista esqueceu dos médicos e enfermeiros, não poderia ser diferente quanto a um outro degrau da divisão técnica do trabalho: os agentes comunitários de saúde (ACS). Um&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/icse/a/t7gMY3r9VjF5Xfm5nVPHHkL/?lang=en">estudo qualitativo</a>&nbsp;com os ACS revelou sinais de que o uso de tablets na coleta de dados vem transformando também negativamente as suas atividades. O resultado tem sido o afastamento desses profissionais de suas funções essenciais de promoção e prevenção para focar na alimentação de bases de dados, na produção de dados. Em outras palavras, a tecnologia que deveria potencializar o trabalho comunitário, acaba burocratizando-o e alienando-o ainda mais. Os agentes relatam que agora passam mais tempo olhando para telas do que para as pessoas de suas comunidades – já não bastava a estrutural desvalorização da função.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns mais ligados às novas novidades que pululam semanalmente dirão que não há com que se preocupar, pois com os novos “Prontuários por voz” – de tipo&nbsp;<em>multilingual automatic speech recognition</em>&nbsp;– esse trabalho todo também será automatizado, capturando a voz e preenchendo as “planilhas” sozinho. O que é sem dúvidas um dispositivo primoroso. Mas, para os&nbsp;<a href="https://baixacultura.org/2020/05/04/a-ideologia-do-solucionismo-tecnologico">tecnosolucionistas</a>&nbsp;vale considerar, primeiro: até isso ser disseminado, mantidas as coordenadas atuais, muitos trabalhadores já terão caído de esgotamento. Segundo: quando isso acontecer, como toda tecnologia nova, ela terá qualidades diferentes e com preços diferentes, logo, chegará de modo desigual aos serviços e às diferentes ocupações, mantendo os mesmos riscos ditos acima para boa parte das ocupações.</p>



<figure class="wp-block-image"><a href="https://lojahucitec.com.br/"><img decoding="async" src="https://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2025/08/HUCITEC-basaglia5.png" alt=""/></a></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Terceiro, e sobretudo, em todos os séculos de vigência do capitalismo, não há qualquer sinal de que um novo processo de automação do trabalho tenha levado “naturalmente” o/a trabalhador/a a mais tempo livre. Muitíssimo pelo contrário, a pressão dos andares de cima foi e tem sido desde sempre a mesma: sugar o máximo de trabalho vivo. Quando os computadores e a internet chegaram no&nbsp;<em>postinho</em>, o discurso era o mesmo: maior eficiência com mais qualidade de trabalho. Onde? Quando? Alguém viu? Atualmente&nbsp;<a href="https://bmjopen.bmj.com/content/7/10/e017902">a duração média das consultas</a>&nbsp;varia de 48 segundos na periferia do sistema, como visto em Bangladesh, a 22,5 minutos nos seus centros de excelência, como na Suécia. Para qual lado da balança vocês acham que a “saúde digital” vai pesar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ademais, isso não apenas prejudica uma boa clínica, mas fere diretamente a capacidade das equipes de saúde de planejarem e avaliarem seus processos de trabalho a partir das necessidades da população sob seus cuidados. Para começar, os dados produzidos, registrados pelos trabalhadores, não retornam para eles mesmos como&nbsp;<em>intelecto coletivo</em>&nbsp;para melhorarem suas condições de trabalho – como aperfeiçoarem o planejamento e a execução de suas funções. Além disso, esses dados também podem ser utilizados como novos meios de vigilância e controle&nbsp;<em>sobre eles</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda sem dados particulares sobre o campo da saúde propriamente, é isso que&nbsp;<a href="https://feps-europe.eu/wp-content/uploads/2024/09/Algorithmic-management-in-traditional-workplaces.pdf">apontam</a>&nbsp;alguns&nbsp;<a href="https://research.gold.ac.uk/id/eprint/38775/1/AI-Inequalities-At-Work.pdf">novos</a>&nbsp;relatórios sobre os impactos da IA no mundo do trabalho. Segundo eles, a chamada “gestão algorítmica” intensifica o monitoramento dos trabalhadores, promove individualização excessiva e competição interna, reduzindo autonomia e fragmentando ainda mais a solidariedade coletiva. Além de abrir espaço constante para os riscos de novas formas de discriminação e opressão contra os lados mais vulnerabilizados da classe trabalhadora, como as mulheres, idosos, racializados e LGBTQI+ devido a vieses algorítmicos. E, logicamente, jogando ainda mais brasa na pressão pelas metas e seus indicadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A chegada dessas tecnologias ocorre em contextos estruturais de pressão organizacional constante para aumento de produtividade e redução de custos, sem consideração adequada sobre os impactos nas condições de trabalho e segurança do cuidado ao usuário. E o agravante é que isso não é a exceção de uma empresa ou outra. É a regra, ou melhor, a lei tendencial do capital – elevada à última potência nas ultimas décadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso insistir, nas sociedades reféns do acúmulo infinito de capital: a lei é que as tecnologias são erigidas para sugar trabalho vivo. Os saberes e práticas dos profissionais são cristalizados em máquinas – no caso atual em máquinas estatísticas – ao mesmo tempo em que precarizam as atividades que se fazem necessárias para operar essas mesmas máquinas. A inovações que deveriam liberar tempo para cuidado ao paciente, ao contrário resultam em maior tempo gasto em tarefas para administrar máquinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, se o objetivo central é reduzir os custos de produção ao máximo, além de eliminar trabalho vivo, uma das consequências desse imperativo é a reorganização da divisão técnica do trabalho, posto que um minuto de uma médica é mais caro do que o da enfermeira, este mais do que o da técnica de enfermagem, este mais do que o da… De tal modo, a linha de produção capitalista termina por rebaixar as exigências de qualificação e, consequentemente, da qualidade dos serviços. Ao fim, pelas leis da concorrência entre os capitalistas, a tendência é a desvalorização e precarização desigual e combinada de todas as ocupações – inclusive a médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A “saúde digital”, portanto, nesses moldes, aponta para o recrudescimento da desvalorização dos trabalhadores, e a subordinação do cuidado ao trabalho “intelectual” rotinizado, maquínico. Jogando o paciente real na competição por tempo com o&nbsp;<em>avatar</em>&nbsp;dos sistemas digitais. (Não duvidemos disso, pois isso só não acontecerá se houver luta política).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já há sinais nesse sentido, o que alguns pesquisadores denominam de&nbsp;<em>deskilling</em>. Trata-se do processo pelo qual há a degradação progressiva das competências e qualificações profissionais, como a clínica, causada pela dependência excessiva de tecnologias digitais automatizadas. Este fenômeno foi empiricamente documentado em 2024, quando um&nbsp;<a href="https://www.thelancet.com/journals/langas/article/PIIS2468-1253(25)00133-5/abstract">estudo</a>&nbsp;clínico com 1.400 colonoscopias revelou que médicos experientes apresentaram queda de 20% na detecção de adenomas após apenas três meses usando assistência de IA. Segundo o conjunto da&nbsp;<a href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=5166364">literatura</a>, o&nbsp;<em>deskilling</em>&nbsp;manifesta-se através de múltiplos mecanismos: atrofia por desuso de habilidades diagnósticas, erosão da confiança no julgamento clínico próprio, e substituição de competências cognitivas centrais por algoritmos. As competências mais vulneráveis incluem exame físico, diagnóstico diferencial, julgamento clínico e comunicação médico-paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez, em sala de aula, ouvi (Leandro) da professora Lilia Schreiber que a industrialização da medicina havia transformado o médico em “operador de protocolos”. Uma expressão para designar a tecnificação&nbsp;do processo de trabalho em saúde e a consequente transformação do profissional em um executor mecânico de condutas padronizadas, enquanto o paciente se reduz a um corpo-objeto onde se dá a doença e, consequentemente, o ato médico. Com essa “saúde digital” a caminho, o protocolo agora automatizado transformará o profissional em um operador de prompts da IA, que passará a raciocinar por ele – à semelhança da metáfora de Marx sobre o trabalhador como apêndice da máquina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dos impactos na saúde dos trabalhadores à degradação das suas competências não dá, portanto, para pintar um mar de rosas. Se, logicamente, não podemos esperar que a defesa dos trabalhadores da saúde venha dos nossos adversários e inimigos políticos, enquanto ficarmos reféns do pacto de silêncio do progressismo, quem trará as reflexões e críticas? E, sem elas, como serão pautadas e criadas saídas a curto, médio e longo prazo? Como educaremos as novas gerações de profissionais?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com efeito, hoje não conseguiremos barrar com todas as nossas forças a agenda de “transformação digital da saúde” que não se preocupa com os trabalhadores da saúde. Mas, hoje mesmo algumas ações já poderiam estar sendo realizadas para que amanhã e depois de amanhã a correlação de forças mude. Poderíamos, por exemplo, destinar recursos e especialistas para pesquisas sobre os impactos da “saúde digital” no mundo do trabalho em saúde; recursos e especialistas para construir políticas de design participativo de construção de soluções efetivamente a favor do SUS e seus trabalhadores; recursos e especialistas para provisão de treinamento e educação – crítica – em literacia digital para os trabalhadores; recursos e vontade política para ter canais de comunicação e jornalismo robustos que estimulem e favoreçam o pensamento crítico sobre “saúde digital”; bem como maior vontade política em ver as categorias da saúde organizadas e mobilizadas para debater e pautar saídas que atendam aos seus interesses e anseios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, pouco<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/uma-saude-digital-que-adoece-trabalhadores/#sdfootnote1sym"><sup>1</sup></a>&nbsp;ou nada disso está de fato na agenda do SEIDIGI, do Ministério e da Presidência. E só as vozes críticas poderão fazer com que um dia estejam!</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/uma-saude-digital-que-adoece-trabalhadores/#sdfootnote1anc">1</a>&nbsp;Vale a pena citar a iniciativa do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde: Informação e Saúde Digital (PET-Saúde/I&amp;SD), uma oportunidade que poderá ser aproveitada com fôlego como espaço de criação de experiência nesse sentido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Créditos: Eros Dervishi/<em>Stat News</em><br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A FÉ É A DEPRESSÃO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/UemMeW7RQX8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Saúde digital, futuro do SUS?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2025 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[SUS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcelo Fornazin&#160;em entrevista a&#160;Gabriela Leite, para a série&#160;SUS 35 anos O debate da digitalização da saúde é incontornável quando paramos para pensar no futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Em que ponto estamos e qual lugar almejamos alcançar, nos próximos anos? A sua influência pode chegar até onde, em termos de saúde pública? Quais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><strong>Marcelo Fornazin</strong>&nbsp;em entrevista a&nbsp;<strong>Gabriela Leite</strong>, para a série&nbsp;<em><a href="https://outraspalavras.net/sus35anos/">SUS 35 anos</a></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate da digitalização da saúde é incontornável quando paramos para pensar no futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Em que ponto estamos e qual lugar almejamos alcançar, nos próximos anos? A sua influência pode chegar até onde, em termos de saúde pública? Quais serão os impactos da inteligência artificial? Essas foram algumas perguntas que o pesquisador da Fiocruz&nbsp;<strong>Marcelo Fornazin&nbsp;</strong>respondeu, em entrevista à série&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/sus35anos/"><em>SUS 35 Anos</em></a>, do&nbsp;<strong><em>Outra Saúde</em></strong>, publicada hoje.&nbsp;Você pode assistir acima.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Marcelo, além de pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), é conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI) e coordenador do Grupo Temático Informação, Saúde e População (GTISP) da Abrasco. Como ele frisou, na entrevista, a Lei Orgânica do SUS – aquela que comemora 35 anos em 2025 – já previa a criação de um Sistema Nacional de Informações em Saúde.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse projeto se estende até hoje, e a questão da digitalização se acelerou sobretudo desde a pandemia e após um incentivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a criação de estratégias para os países, conta Marcelo. “O que vimos nesses últimos anos é uma aposta muito grande numa incorporação mais massiva da tecnologia, aquilo que se chama de&nbsp;<em>potencial da saúde digital.</em>”</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil criou sua Estratégia de Saúde Digital em 2020, em pleno governo de Jair Bolsonaro – quando, inclusive, tentou-se criar um sistema que permitiria entregar os dados do SUS às operadoras de seguros de saúde, iniciativa felizmente frustrada que ficou conhecida como&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/open-health-a-nova-tentativa-de-privatizacao-da-saude/"><em>Open Health</em></a>. Mas foi no governo Lula, a partir de 2023, que o tema começou a ter ênfase de fato, e a Saúde Digital ganhou secretaria dentro do Ministério da Saúde, capitaneada por Ana Estela Haddad.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas por que caminhos avançam essas tecnologias? Na entrevista, Marcelo levanta alguns pontos cruciais para pensar o futuro da saúde digital no SUS. O primeiro diz respeito à desigualdade. Apesar dos avanços, a transformação digital no SUS ainda é desigual. Enquanto grandes centros urbanos contam com infraestrutura robusta, regiões rurais, periferias e a região amazônica carecem de internet estável e equipamentos adequados. Para resolver esse problema, pontua Marcelo, o esforço precisa ir além do Ministério da Saúde.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Soberania digital</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, outro problema que não deve ser ignorado: o Brasil segue dependente de empresas estrangeiras para armazenar dados sensíveis, como os da Rede Nacional de Dados em Saúde, que está hospedada em servidores da Amazon. Para Marcelo, essa fragilidade expõe o país a riscos geopolíticos e limita a capacidade de criar soluções adaptadas à realidade do SUS. “Havia uma série de ações para construir infraestrutura local que, há 10 ou 15 anos, o Brasil não conseguiu perceber a importância – e hoje sentimos a falta”, lamenta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Marcelo explica que o país enfrenta, hoje, uma profunda dependência de tecnologias e serviços digitais externos, situação que nos coloca em posição vulnerável diante de interesses geopolíticos e econômicos de outras nações. O controle efetivo e o conhecimento tecnológico foram entregues majoritariamente nas mãos dessas corporações estrangeiras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa fragilidade se torna ainda mais evidente quando consideramos que decisões tomadas por governos de outros países podem impactar diretamente serviços essenciais brasileiros. Apesar das dimensões continentais do Brasil e de seu potencial econômico, desenvolver uma infraestrutura tecnológica completamente autônoma – incluindo a produção local de componentes como processadores e memórias – ainda representa um desafio complexo, embora estratégico para garantir a soberania nacional no campo da Saúde Digital e em outros setores críticos.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Abertura ao setor privado?</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Outro desafio é evitar que a digitalização sirva de cavalo de Troia para a privatização do SUS. Sistemas desenvolvidos pelo setor privado, muitas vezes focados em modelos hospitalares ou individuais, podem ignorar a integralidade do SUS. Marcelo relembra que, quando o SUS foi criado, a proposta de um sistema 100% público não vingou na Constituinte, abrindo espaço para a coexistência com o setor privado. Essa dualidade se reflete hoje no mercado de tecnologia: empresas que desenvolveram sistemas para planos de saúde e hospitais privados agora veem o SUS como um nicho comercial, mas suas soluções frequentemente ignoram particularidades cruciais do sistema público, como o trabalho em equipe na atenção primária e a integração com a vigilância epidemiológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transferência acrítica de tecnologias do setor privado para o SUS gera distorções perigosas. Sistemas hospitalares adaptados para unidades básicas de saúde criam sobrecarga de trabalho e falhas no registro de informações essenciais, enquanto modelos inspirados no setor financeiro – eficientes para transações bancárias – mostram-se inadequados para a complexidade da saúde coletiva. Além disso, a comercialização de dados de saúde por empresas de tecnologia ameaça os princípios de universalidade, já que a lógica de mercado naturalmente exclui quem não pode pagar. Para Marcelo, a saída está em desenvolver tecnologias a partir da realidade concreta do SUS, com participação de trabalhadores e gestores, evitando que soluções prontas importadas do setor privado perpetuem desigualdades ou transformem direitos em mercadorias.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Tecnologias digitais e epidemiologia</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para o pesquisador, a Saúde Digital e a inteligência artificial podem representar uma revolução para a epidemiologia no SUS, permitindo transformar dados de atendimentos em ferramentas poderosas de vigilância em saúde. Ele destaca como plataformas como o&nbsp;<a href="https://cidacs.bahia.fiocruz.br/">Cidacs da Fiocruz Bahia</a>&nbsp;e a&nbsp;<a href="https://pcdas.icict.fiocruz.br/">Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde</a>&nbsp;(PCDaS) do Icict/Fiocruz já utilizam essas tecnologias para monitorar em tempo real a dinâmica de doenças como dengue e síndromes respiratórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles integram informações que vão além dos prontuários eletrônicos – incluindo dados ambientais e sociais. Essa abordagem inovadora permite não apenas detectar surtos com maior agilidade, mas também compreender os determinantes sociais da saúde, criando possibilidades reais de intervenção preventiva e fortalecendo a capacidade do SUS em promover saúde de forma integral, indo muito além do modelo tradicional de assistência curativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Participação popular como caminho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que Marcelo frisa ao longo de toda a entrevista é: para que a saúde digital cumpra seu potencial, é essencial envolver trabalhadores e usuários do SUS na construção das ferramentas. Exemplos como o e-SUS APS, desenhado a partir da rotina das equipes de atenção básica, mostram que tecnologias colaborativas podem reduzir a sobrecarga e melhorar a qualidade do registro. Já a criação da Câmara Técnica de Saúde Digital no Conselho Nacional de Saúde (CNS) é um passo para garantir que a população decida – e não apenas sofra – os impactos dessa transformação. O futuro do SUS depende de escolhermos: queremos tecnologia a serviço do lucro ou da universalidade? É o que provoca Fornazin.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Créditos da imagem: IEPS</em></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A ANSIEDADE E SUAS RAÍZES NO PASSADO: UMA PERSPECTIVA PSICANALISTA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/DYmQVFt-4ko?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Saúde digital: Agora Tem… mais do mesmo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jun 2025 14:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem horizonte, governo apresenta programa para atenção especializada como se alegasse: “não há alternativa”. À digitalização do SUS, sugere a plataformização sem diálogo com o controle social. Haverá outro caminho que não o de pactuar com os andares de cima? É chegada a metade de 2025, terceiro ano do governo Lula III. O exercício de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Sem horizonte, governo apresenta programa para atenção especializada como se alegasse: “não há alternativa”. À digitalização do SUS, sugere a plataformização sem diálogo com o controle social. Haverá outro caminho que não o de pactuar com os andares de cima?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">É chegada a metade de 2025, terceiro ano do governo Lula III. O exercício de uma análise conjuntural abrangente, atrelada à avaliação teórico-política crítica, mostra uma plêiade de desconcertos, negociatas pelo alto (<a href="https://www.infomoney.com.br/economia/apos-pressao-governo-inclui-cortes-em-pe-de-meia-seguro-defeso-e-mais-em-mp/"><em>alô</em>&nbsp;Pé-de-Meia</a>), ausência de projeto nacional claro e expectativas sem lastro popular – em paralelo, a busca por uma&nbsp;<a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/03/06/entrevista-sociologo-governo-lula.htm">campanha publicitária</a>&nbsp;que emplaque.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><a href="https://outraspalavras.net/leandromodolo/">Leia todos os artigos da coluna de Leandro Modolo</a></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No campo da saúde, estamos com os olhos voltados para “saúde digital”, em razão da nossa atuação na Câmara Técnica de Saúde Digital e Comunicação em Saúde, do Conselho Nacional de Saúde – e nos parece que o caráter sistêmico da chamada “transformação digital da saúde” (junto de todas as suas consequências para o SUS) segue confinado em uma lógica tecnocrática.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além das dificuldades em superar a fragmentação das informações em saúde, e apesar das boas intenções, as ações do governo caminham para&nbsp;<strong>atualização dos contratos em favor dos setores privados e das elites médicas</strong>, da&nbsp;<strong>expansão da precarização de trabalhadores da saúde</strong>&nbsp;e do&nbsp;<strong>recrudescimento da lógica médico-centrada e hospitalocêntrica</strong>, sem impor freios à expansão da mercadorização. Além, é claro, de uma condução das políticas de digitalização&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-digital-a-estranha-interferencia-do-reino-unido/">permeada por constrangimentos imperialistas</a>, sem sinais de grandes resistências e enfrentamentos – tal como em outras esferas governamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso das práticas em curso na Câmara Técnica, por exemplo, ao contrário da retirada da solicitação de análise de um convite para que o Brasil participe do Conselho de Investidores da HealthAI (entidade internacional privada voltada à padronização de mecanismos regulatórios na seara do que se chama de&nbsp;<em>inteligência artificial</em>), era dever da Secretaria de Informação de Saúde Digital (SEIDIGI) prestar informes sobre tal decisão, assim como&nbsp;<strong>voltar a pautar a discussão no espaço do “controle social”</strong>. Um&nbsp;<a href="https://www.healthai.agency/about"><em>think tank</em>&nbsp;global</a>&nbsp;não é mais indicado que o conjunto das contribuições críticas do CNS para essa discussão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais recentemente, observamos debates, defesas e aplausos em resposta à&nbsp;<a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/medpro/2025/medidaprovisoria-1301-30-maio-2025-797527-publicacaooriginal-175524-pe.html">Medida Provisória n.º 1.301/25</a>&nbsp;– aquela que estabelece o&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tag/agora-tem-especialistas/">Programa Agora Tem Especialistas</a>. Sem contraditar a premência da oferta de atenção especializada, ressaltamos que a MP altera a lei orgânica do SUS, em especial o Art. 47, e &nbsp;impacta a seara do “digital” quando comenta sobre o sistema de dados públicos a ser mantido pelo Ministério da Saúde (MS), contendo informações sobre o tempo médio de espera para a realização de consultas, procedimentos, exames e demais ações e serviços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse sentido, a competência para a regulamentação do sistema, especialmente quanto à interoperabilidade, é atribuída ao MS – que deve atuar segundo a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Até aí,&nbsp;<em>okay</em>. Mas, não podemos esquecer que toda a celeuma da interoperabilidade envolve a Rede Nacional de Dados em Saúde, estruturada durante o governo anterior, por meio de solução de&nbsp;<strong>armazenamento em nuvem estadunidense</strong>, e com vocação para laboratório de inovação aberta (leia-se, “privada”, nos moldes do texto de 2021 da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde). Agora, viriam também as operadoras de planos e seguros privados de assistência à saúde, não ressalvados pela portaria. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A&nbsp;<strong>Estratégia de Saúde Digital 2020-2028 trouxe um direcionamento indubitável à privatização “por dentro do SUS”</strong>&nbsp;e, até o presente momento, se mantém neste governo. A primeira pergunta que fazemos então é: o que esperar desse fluxo de dados correndo nas mãos de mais&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/saude-privada-poder-captura-e-redea-solta/"><em>players</em></a>&nbsp;do setor privado que historicamente jogam contra a natureza pública e universalista do SUS? Mesmo porque, não se trata apenas de dados úteis ao mercado, mas do&nbsp;<strong>constrangimento ao desenho de políticas inteiras</strong>&nbsp;– que incluem também outros ministérios.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário de uma preocupação “superada”, como&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/06/parceria-privada-no-sus-e-debate-superado-e-paciente-quer-atendimento-nao-importa-onde-diz-padilha.shtml">disse</a>&nbsp;o atual Ministro da Saúde Alexandre Padilha, a nós assusta que essa mecânica de fruição de créditos financeiros a serem compensados por meio de renúncia fiscal esteja fundamentalmente atrelada à participação do setor privado. Tal como nos importa que a “transformação digital da saúde” seja não só um meio de fortalecer o setor privado em detrimento do público, mas<strong>&nbsp;um caminho absolutamente estratégico na “<a href="https://www.scielo.br/j/csc/a/sDNmTKLRvW3j3NhqdNdfHbN/abstract/?lang=pt">plataformização</a>” do Estado brasileiro.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em “Doutrina do Choque” (2007), Naomi Klein analisa como políticas econômicas neoliberais são frequentemente impostas em países após grandes crises ou desastres, aproveitando a urgência e desorientação para implementar reformas que favorecem corporações e o “mercado livre”. Embora os principais exemplos utilizados por Klein sejam desastres de grande magnitude, a jornalista insiste que não é preciso algo como o&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=uVfDKoKdH7M">furacão Katrina</a>&nbsp;para que se abra uma janela de oportunidades para a “terapia do choque econômico”. Se a janela for a urgência do problema a ser resolvido, os “terapeutas” podem aproveitar a conjuntura favorável e presentear a população com seu cavalo(s) de Troia.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pois, é difícil não fazer paralelos. O novo programa está sendo construído também mediante certa excepcionalidade. No começo do mês, o MS publicou uma&nbsp;<a href="https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-7.061-de-6-de-junho-de-2025-634742862">Declaração de Situação de Urgência em Saúde Pública</a>, formalizada “em razão da manutenção prolongada do tempo de espera para procedimentos especializados eletivos e seus impactos na assistência, na morbimortalidade, na equidade e na capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde – SUS com vistas a combater potencial evolução para uma Emergência em Saúde Pública e desassistência em todo território nacional”. Tal ato garante o estabelecimento imediato de todas as medidas previstas na MP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Detalhe:&nbsp;<strong>tudo&nbsp;<a href="https://www.viomundo.com.br/blogdasaude/atencao-especializada-no-sus-entidades-historicas-e-cns-foram-excluidos-da-construcao-da-proposta-empresarios-da-saude-privada-os-primeiros-a-saber.html">sem</a>&nbsp;diálogos consistentes com os movimentos sociais da saúde e o controle social</strong>, como se depreende de alegações gravadas na oportunidade da&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=K3AG2svOW_g">367ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde</a>, bem como em uma importante cobertura&nbsp;<a href="https://www.viomundo.com.br/blogdasaude/atencao-especializada-no-sus-entidades-historicas-e-cns-foram-excluidos-da-construcao-da-proposta-empresarios-da-saude-privada-os-primeiros-a-saber.html">aqui</a>&nbsp;realizada. Perguntas não faltam. Como crer que algo que começa dessa forma, nos seus passos seguintes terá o real e verdadeiro compromisso com a participação popular? Como crer que a construção histórica do SUS em seus princípios balizadores será defendida, ou melhor, fortalecida na condição de ponte para outro projeto de sociedade? O que representa o movimento sanitário neste momento tão delicado? Sabemos que se esse conjunto de medidas fosse tomado em um governo à direita, as reclamações, notas de repúdio etc. seriam garantidas. Mas em geral o que vimos foram manifestações condescendentes, com&nbsp;<a href="https://www.viomundo.com.br/blogdasaude/marco-brito-comenta-a-carta-aos-petistas-sobre-o-agora-tem-especialistas.html">raras</a>&nbsp;<a href="https://manifestopetista.com.br/carta-aos-petistas-sobre-o-agora-tem-especialistas/">exceções</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Logicamente, ninguém questiona a necessidade de acesso da população à atenção especializada, drasticamente agravado pela pandemia de&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/covid-19">covid-19</a>. Mas, não podemos mais avaliar o mérito desses “programas” apenas pelas intenções ou pelos ganhos imediatos e sazonais; isso não contenta mais o povo e não ilude mais os comprometidos com os SUS. Como sabemos, neste século, os maiores dirigentes do MS foram os sanitaristas alinhados ao lulismo, então é também urgente nos perguntarmos: o que foi feito de mudança estrutural nos mais de 15 anos de Ministério da Saúde para que (não) chegássemos ao atual cenário de urgência? Justificar que agora é preciso algo emergencial e que “<a href="https://aterraeredonda.com.br/entre-a-conciliacao-e-a-submissao/">não há alternativa</a>” para tal a não ser um abraço amigo com o privado? Sinceramente, das duas uma: ou continuam enganados ou continuam enganando!&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entendendo que o que vem sendo chamado de&nbsp;<em>saúde digital&nbsp;</em>não compreende apenas aspectos tecnológicos forjados sob o manto da&nbsp;<em>inovação</em>&nbsp;<em>empreendedora,&nbsp;</em>quem deveria estar na linha de frente dos questionamentos? Sem espaço para condescendências: deveria estar na linha de frente quem entende que o SUS é uma grande conquista não integralmente realizada e sob ataque há décadas, e que sobretudo ele deve servir de esteio para as lutas por um outro Brasil, radicalmente igualitário. Está cada vez mais nítido que o sanitarismo alinhado ao governo não representa mais esse horizonte.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indignação exige confronto de ideias e despersonalização das críticas. Ficar na zona de conforto burocratizada oferecendo recursos à iniciativa privada é rolar a bola de neve e fingir que não está ficando gigantesca. Ela está, aliás. 2026 vem logo ali e não vai adiantar dizer que tem sempre uma opção menos pior – as pessoas cansam, a militância passa a desconfiar e a fascistização rola solta. Esse silêncio e essa passividade só reforçam a lógica de pactos pelo alto e de acomodação que inviabilizam a prática da participação popular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde a vitória eleitoral, perdemos a chance de levantar a voz, repactuar não com os andares de cima, mas com as classes subalternizadas, um outro projeto de país. Projeto com vistas a desafiar esse&nbsp;<em>status quo&nbsp;</em>que só serve a quem não absorveu que os arranjos do pós 2ª Guerra Mundial já não dão conta da&nbsp;<a href="https://ihu.unisinos.br/categorias/643580-apenas-a-guerra-de-classes-pode-frear-a-crise-climatica-e-a-hipocrisia-do-capitalismo-verde">crise sistêmica</a>&nbsp;em que estamos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que se denomina de <em>saúde digital </em>pode ser uma ferramenta de transformação, mas não no jogo que vem sendo jogado – <strong>sem projeto e horizonte real de transformação da realidade brasileira</strong>. Se, ao que parece, o conserto liberal fez gerações crerem que o Estado de bem-estar era o <a href="https://aterraeredonda.com.br/o-povo-do-capital/">ideal a se buscar</a>, hoje tanto uma profunda autocrítica das posições teóricas e políticas, quanto o cenário mundial em que estamos, mostram que é preciso se reinventar. A necessidade em torno dos procedimentos especializados deveria pautar a  urgência da reinvenção do movimento sanitário – e não do aprofundamento da privatização e dos pactos já conhecidos. Então, com avidez pelas críticas de camaradas, esperamos também pelas manifestações de quem achou tudo isso sem sentido e pela aglutinação das pessoas dispostas ao chamado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Créditos: TMF</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<title>Panorama da Saúde Digital 2025</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Mar 2025 13:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[IA]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inteligência artificial na saúde: potencialidades, riscos e perspectivas para o Brasil O Brasil está em estágio inicial de desenvolvimento e implementação de ferramentas de inteligência artificial na saúde. A conclusão é do estudo “Inteligência artificial na saúde: diagnóstico qualitativo sobre o cenário brasileiro”, lançado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h3 class="wp-block-heading">Inteligência artificial na saúde: potencialidades, riscos e perspectivas para o Brasil</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil está em estágio inicial de desenvolvimento e implementação de ferramentas de inteligência artificial na saúde. A conclusão é do estudo “Inteligência artificial na saúde: diagnóstico qualitativo sobre o cenário brasileiro”, lançado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Com o objetivo de reconhecer as principais questões na agenda atual da IA aplicada à área no país, a pesquisa, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (<strong>Cetic.br</strong>&nbsp;/&nbsp;<strong>NIC.br</strong>), fez um mapeamento inédito das ideias emergentes, preocupações e expectativas sobre o tema.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/inteligencia-artificial-digital-chip-sistema-3.jpg" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de uma abordagem exploratória, foram investigados as oportunidades, riscos e desafios para o aproveitamento do potencial dessa tecnologia no setor. Para isso, o estudo entrevistou gestores e especialistas da academia e de centros de pesquisa, do poder público, de empresas e estabelecimentos de saúde (públicos e privados), além de profissionais de saúde que usam essas tecnologias no atendimento a pacientes.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo também coletou informações sobre iniciativas e práticas em andamento em diferentes segmentos da saúde, e opiniões sobre gestão de dados, segurança da informação, ética, regulação, entre outros temas relevantes para essa discussão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Identificamos que há um intenso debate sobre a IA no campo da saúde no Brasil, e que o ecossistema desfruta de muito otimismo em relação aos benefícios potenciais dessa tecnologia”, resume Graziela Castello, coordenadora de estudos setoriais no Cetic.br e responsável pela pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais avanços citados pelos entrevistados incluem o uso da IA para melhorar processos de assistência médica e gestão, com ênfase na ampliação da eficiência e na redução de custos. “Apesar do entusiasmo, o entendimento geral é que o país está apenas engatinhando nessa jornada”, completa Graziela.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Oportunidades</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação às potencialidades da IA, os entrevistados destacaram três eixos principais de oportunidades: melhorias para pacientes, profissionais de saúde e prestadores de serviços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os pacientes, a inteligência artificial pode ampliar o acesso aos serviços de saúde e melhorar a precisão diagnóstica. Para os profissionais de saúde, essa tecnologia é capaz de reduzir processos burocráticos, otimizar o tempo gasto em tarefas administrativas e oferecer apoio na tomada de decisões clínicas, promovendo diagnósticos mais rápidos e precisos, além de ampliar a capacidade de atendimento em regiões com escassez de especialistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos prestadores de serviços de saúde, as ferramentas de IA podem trazer, tanto no setor público quanto no privado, eficiência operacional, otimização de recursos e melhoria nos processos de gestão, logística e atendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A IA é percebida como uma ferramenta capaz de promover melhorias significativas em diversos aspectos da saúde no Brasil, desde a gestão operacional até o cuidado clínico, com benefícios tanto para os profissionais da área quanto para os pacientes e a sociedade como um todo”, comenta a coordenadora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo a pesquisa, esse potencial também pode servir para o enfrentamento das desigualdades na oferta de saúde, “ampliando acesso aos serviços e reduzindo o impacto da escassez de recursos em regiões mais desfavorecidas do país”.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/grafico-1-cetic-nicbr.jpg" alt="" class="wp-image-129317"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>SUS</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Sistema Único de Saúde (SUS) foi apontado como o grande diferencial brasileiro em relação à obtenção de dados, por contar com volume e diversidade suficientes para o desenvolvimento de algoritmos e aplicações robustas e confiáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É muito forte a percepção de que há um grande potencial de uso da IA no sistema público de saúde brasileiro graças ao SUS e às suas bases de dados de abrangência nacional. Os dados coletados pelo SUS são de enorme valor, considerando a capilaridade e a escala do sistema, e a diversidade da população brasileira. Representarão um passo importante em direção à integração de dados, caso sejam tratados e preparados para essa finalidade”, reforça a pesquisa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os entrevistados avaliaram ainda que a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma de interoperabilidade do governo federal, tem um grande potencial em promover a troca de informações e criar um ambiente propício para o desenvolvimento e a aplicação da IA no setor. A condição fundamental para que isso aconteça, conforme os atores ouvidos, é que os dados sejam de qualidade, e não apenas em grande volume, o que implica a importância de protocolos e rotinas que assegurem, entre outros elementos, a padronização de informações de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Desafios</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os desafios apontados pelos entrevistados, estão a falta de uma estratégia nacional organizada e centralizada para incentivar a IA na saúde e questões regulatórias e deficiências na qualidade e na integração de dados, que são o principal insumo das tecnologias de IA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução da IA na saúde brasileira é percebida como desigual, com o setor privado liderando o movimento, enquanto o setor público lida mais com processos internos e enfrenta escassez de recursos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As principais lacunas apontadas são relacionadas à qualidade dos dados e à falta de regulação específica. Na avaliação dos grupos ouvidos pela pesquisa, superar essas barreiras é fundamental para o avanço da IA aplicada à saúde no Brasil.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/inteligencia-artificial-digital-chat-8.jpg" alt="" class="wp-image-129334"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Riscos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as preocupações apresentadas em relação ao uso da inteligência artificial na saúde, uma questão destacada na pesquisa foi a privacidade e a segurança dos dados dos pacientes. Os entrevistados apontaram o risco de vazamento de informações sensíveis, considerando a possibilidade de aplicação inapropriada dos dados utilizados ou gerados pelas ferramentas de IA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já a discussão sobre os direitos dos usuários dos sistemas de saúde apresentou limitações, enfatizando a necessidade de educação digital para promover uma compreensão dos benefícios da tecnologia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para mitigar os potenciais riscos do avanço da IA na saúde, é preciso que haja transparência nas decisões que embasam a construção das ferramentas, estrutura clara de governança para avaliação de riscos e desenvolvimento de algoritmos livres de vieses, a fim de que produzam resultados confiáveis, de acordo com os entrevistados”, destaca o estudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Práticas em andamento</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><a href="https://cetic.br/pt/publicacao/inteligencia-artificial-na-saude-potencialidades-riscos-e-perspectivas-para-o-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/grafico-1-cetic-nicbr-2b.jpg" alt="" class="wp-image-129319"/></a></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O estudo também investigou práticas e usos de IA em saúde que já estão em andamento nos quatro segmentos analisados: academia, equipamentos de saúde, poder público e mercado. O intuito foi apresentar um panorama amplo do cenário atual brasileiro em relação à aplicação dessa tecnologia no setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De maneira geral, as iniciativas visam otimizar processos de gestão e aprimorar a qualidade do cuidado. Cada esfera tem seus focos específicos. Na academia, destaca-se o desenvolvimento de algoritmos com ênfase na diversidade populacional brasileira e na correção de vieses algorítmicos, pois podem ter implicações sociais nocivas. No mercado, há um foco na IA generativa para criar produtos variados, como&nbsp;<em>chatbots</em>&nbsp;para atendimento ao paciente, além de ferramentas para otimizar diagnósticos por imagens. No poder público, a digitalização e a interoperabilidade de dados estão no centro. Já nos equipamentos de saúde, há uma ênfase em projetos diversos para assistência ao diagnóstico e à gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“As similaridades e as divergências observadas entre as iniciativas ilustram as potencialidades das ferramentas e as dificuldades no desenvolvimento e implementação”, conclui Graziela Castello.</p>



<p class="wp-block-paragraph">______________________________</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo “Inteligência artificial na saúde: diagnóstico qualitativo sobre o cenário brasileiro” foi realizado pelo Cetic.br, em parceira com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Ele integra a publicação “Inteligência artificial na saúde: potencialidades, riscos e perspectivas para o Brasil”, apresentada no 1º Seminário do Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial (OBIA).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para fazer o download do estudo na integra, acesse:&nbsp;<a href="https://cetic.br/pt/publicacao/inteligencia-artificial-na-saude-potencialidades-riscos-e-perspectivas-para-o-brasil" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://cetic.br</a>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">______________________________</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Avanço das healthtechs na América Latina</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O mercado de startups de saúde na América Latina registrou um crescimento de 37,6% nos investimentos em 2024, alcançando US$ 253,7 milhões, comparados aos US$ 184,3 milhões de 2023, revelam os dados do&nbsp;“Relatório HealthTech Recap”, lançado pelo&nbsp;<strong>Distrito&nbsp;</strong>em parceria com a&nbsp;<strong>ABSS&nbsp;</strong>– Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs. Apesar da redução no número de deals – foram 56 em 2024, contra 71 no ano anterior –, o aumento no volume de capital reflete a preferência dos investidores por startups mais maduras e com soluções inovadoras.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados demonstram plena liderança brasileira no setor. O Brasil concentra 64,8% das healthtechs investidas, seguido pelo México, com 16,2%, Argentina (5%), Colômbia (4,4%) e Chile (3,9%). Entre as maiores rodadas do ano, quatro são brasileiras e uma mexicana: a Amigo (Gestão e PEP), que recebeu uma rodada série B de US$ 33 milhões; a Mevo (Gestão e PEP), com uma série B de US$ 20 milhões; a Beep (Diagnóstico), com uma série D de US$ 17 milhões; a Escala (Gestão e PEP), que captou US$ 12 milhões em uma série A; e a Eden (IA e Data), que levantou US$ 10 milhões em uma série A.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O mercado de Venture Capital mantém sinais de recuperação, o que se reflete diretamente no segmento de healthtech. Estamos atentos a esse movimento e observamos o avanço dos investimentos, mostrando uma retomada gradual. É notável ver startups mais maduras avançando para rodadas em estágios mais elevados, agora com maiores criticidade e confiança em seus modelos de negócio. Essa evolução demonstra que investidores estão cada vez mais seletivos, valorizando empresas capazes de mostrar resultados concretos e escalabilidade”, destaca Gustavo Gierun, CEO e cofundador do Distrito.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O executivo reforça que o Brasil concentra 64,8% das startups de saúde da América Latina e continua a liderar o setor, que avança com modelos de negócios voltados à eficiência e à acessibilidade, com a IA no centro do&nbsp;<em>core business</em>. Esse domínio reflete não apenas a maturidade do ecossistema nacional, mas também os avanços tecnológicos que acompanham uma demanda latente e as parcerias público-privadas que estimulam a inovação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Guilherme-Sakajiri_Diretor-Executivo-da-ABSS.jpg" alt="" class="wp-image-129320"/></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Os investimentos em startups early-stage (séries A e séries B) representaram 50% do volume total de capital investido entre 2014 e 2024, mas apenas 14% do número total de deals. Para&nbsp;<strong>Guilherme Sakajiri</strong>, diretor-executivo da ABSS – Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs, o fato de metade do montante investido estar nas startups em early-stage indica uma tendência dos investidores em empresas com produtos já validados, em oposição às startups em estágio seed ou pré-seed.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As exigências para esse estágio são ainda maiores e está mais difícil fazer a transição do investimento seed para série A. “A dificuldade para startups early-stage captarem recursos mostra que, mesmo com soluções inovadoras, ainda é desafiador conquistar a confiança dos investidores. Isso reforça a importância das conexões e do ambiente de apoio para estas startups escalarem”, explica Sakajiri.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ticket médio para cada estágio de investimento na América Latina entre 2014 e 2024 apresenta uma progressão clara de valores conforme o nível de maturidade das startups: anjo (US$ 0,2 milhão), pré-seed (US$ 0,4 milhão), seed (US$ 1,5 milhão), série A (US$ 7,4 milhões), série B (US$ 14,9 milhões) e série C (US$ 49,6 milhões). Outro ponto evidenciado no relatório é a baixa quantidade de empresas que conseguem chegar até as rodadas séries D em diante, o que reflete o fato de que dificilmente as startups na área da saúde conseguem escalar para fora do país ou alcançar um IPO; isso geralmente acontece na etapa de late stage.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Startups de inteligência artificial&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos cinco anos, já foram mapeadas 70 startups de IA voltadas à saúde na América Latina, um crescimento significativo impulsionado pelos avanços em&nbsp;<em>deep learning</em>, processamento de linguagem natural e computação em nuvem. Apesar desses números ainda estarem longe de representarem o potencial da tecnologia, a mudança no percentual de healthtechs utilizando IA nos últimos 2 anos, saindo de 14% para 20%, mostra que essa categoria deve ganhar cada vez mais importância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A inteligência artificial está transformando o setor de saúde ao integrar dados clínicos em tempo real e ampliar a previsibilidade dos tratamentos. Modelos baseados em IA têm permitido que empresas reduzam custos e aprimorem a eficiência dos cuidados, além de abrir espaço para inovações disruptivas. Entretanto, as soluções de IA ainda estão muito conectadas ao apoio de gestão das instituições de saúde, dados a maturidade das soluções e seus potenciais riscos para os consumidores finais desse setor”, ressalta Gustavo Araújo, CIO e cofundador do Distrito.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/inteligencia-artificial-digital-chat-grafico.jpg" alt="" class="wp-image-129321"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a telemedicina, agora integrada à inteligência artificial, tornou-se essencial, principalmente para ampliar o acesso a cuidados em regiões remotas. “O formato à distância evoluiu para um mercado mais maduro e estruturado, entregando linhas completas de cuidado remoto que melhoram a experiência dos pacientes. Soluções para saúde mental, cuidados de gestantes e condições como TEA são algumas das frentes promissoras”, explica Guilherme Sakajiri, diretor-executivo da ABSS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sakajiri ainda destaca a aposta da ABSS em tendências que combinam IA com experiências diferenciadas para o consumidor final: “No curto prazo, a eficiência operacional será prioridade, mas, no longo prazo, acreditamos no potencial de soluções voltadas ao paciente, que entreguem acessibilidade e personalização, principalmente usando IA generativa”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Perfil do paciente digital no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As mulheres ainda são as que mais usam plataformas digitais para agendar serviços de saúde, mas os homens vêm utilizando cada vez mais o serviço: de 24% (2018) para 37% (2024). Em paralelo, o acesso às plataformas pelo desktop vem diminuindo, enquanto via tablet vem aumentando, e o celular reina absoluto: 84%. Nesse contexto, as cinco especialidades mais buscadas são ginecologia e obstetrícia (12%), psiquiatria (9%), dermatologia (8%), ortopedia (7%) e psicologia (7%). Esses são apenas alguns dados da 6ª edição do “Perfil do paciente digital”, que acaba de ser lançado pela&nbsp;<strong>Doctoralia</strong>, maior plataforma de saúde do mundo e líder em agendamento online de consultas no Brasil. O relatório, feito a partir dos dados gerados pelos mais de 20 milhões de usuários únicos/mês em 2024, busca traçar um panorama sobre as preferências e expectativas dos pacientes brasileiros em relação aos serviços de saúde.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Jose-Mauricio-Doctoralia-2.jpeg" alt="" class="wp-image-129322"/></figure>
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<p class="wp-block-paragraph">“Conhecer o perfil do paciente digital é essencial para oferecer atendimentos mais personalizados e otimizar a gestão de consultórios e clínicas. De 2023 para 2024, houve um aumento de 53% nos agendamentos de consultas via telemedicina”, afirma José Maurício Orsolini, COO da Doctoralia. Para o executivo, esse consumidor resolve tudo online, pelo celular, buscando comodidade, praticidade e segurança validadas por outras pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento traz uma análise sobre o uso da telemedicina pelos pacientes. As especialidades de saúde mental, psiquiatria e psicologia, representaram 82% dos agendamentos de teleconsulta em 2024 na Doctoralia&nbsp;<em>versus&nbsp;</em>79% no ano anterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Comportamento do paciente digital</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo apresenta insights interessantes sobre o comportamento dos pacientes: 13% preferem agendar consultas médicas aos finais de semana e 33% dos agendamentos são realizados fora do horário comercial, antes das 9h e depois das 18h. Isso demonstra uma demanda crescente por profissionais que tenham agenda online disponível para que os pacientes possam fazer o agendamento em horas alternativas em qualquer dia da semana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já com relação ao mês, janeiro costuma ser o mais procurado para consultas médicas, enquanto dezembro é o com menos agendamentos: 236 mil em 2024 frente a 164 mil em 2023. O relatório aponta também as cidades com maior concentração de usuários: São Paulo (37,3%), Rio de Janeiro (17,8%), Belo Horizonte (7,8%), Curitiba (7,5%) e Brasília (6,1%) são as cinco primeiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O estudo mostra também os critérios usados pelos pacientes para agendamento de consultas, como o número de opiniões no perfil e localização do consultório. Além disso, os usuários analisam o conteúdo do perfil, principalmente as fotos, a presença nas redes sociais, os horários disponíveis e a localização”, comenta o COO.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para Orsolini, o estudo traz dados valiosos para ajudar profissionais da saúde a criar serviços alinhados às necessidades dos pacientes. “Espero que essas informações sejam úteis para aprimorar o atendimento e tornar a experiência em saúde mais eficiente e humanizada. Afinal, compreender as preferências do paciente é um grande diferencial para melhorar sua experiência, fortalecer a fidelização, reduzir conflitos e destacar o profissional no mercado”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Percepção dos médicos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O&nbsp;<strong>Medscape&nbsp;</strong>realizou a pesquisa “Os médicos e a inteligência artificial – Brasil (2024)”, com 1.279 médicos de diversas especialidades que exercem a profissão no país. Entre as especialidades que mais se beneficiam com essas inovações, a radiologia e o diagnóstico por imagem lideram, com 39% dos médicos destacando o uso da IA para facilitar a análise de exames e reduzir erros. Em segundo e terceiro lugar, estão a clínica médica (8%) e a oncologia (6%), que também estão incorporando a IA em suas práticas, especialmente no desenvolvimento de tratamentos específicos e diagnósticos mais precisos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os profissionais que atuam em consultório, 54% disseram ter um baixo nível de conhecimento sobre inteligência artificial, enquanto 52% dos médicos que trabalham em hospital também reconheceram um entendimento limitado do tema. Apesar disso, 59% dos entrevistados afirmaram que consideram muito relevante aprender sobre IA, com uma leve preferência dos homens (9%) em relação às mulheres (4%).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a IA seja vista como uma ferramenta poderosa, o levantamento revelou preocupações quanto ao uso da tecnologia para autodiagnóstico. Cerca de 83% dos médicos acreditam que há uma alta probabilidade de que os pacientes recebam informações incorretas ao usarem a inteligência artificial com essa finalidade. Desses, 53% acham “provável” e 30% consideram “muito provável” que esses equívocos ocorram.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/digital-robo-inteligencia-artificial-robotica.jpg" alt="" class="wp-image-129326"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">“Essa percepção reflete um receio de que a inteligência artificial, sem a devida supervisão humana, possa induzir pacientes ao erro e comprometer a qualidade dos cuidados.”, comenta Leoleli Schwartz, editora sênior do Medscape em português. A inquietação se estende, ainda, à confiança excessiva nas respostas geradas pela IA, com 45% dos médicos “muito preocupados”, temendo que os pacientes possam dar mais valor às recomendações da tecnologia do que à experiência médica tradicional (35% se declararam “um pouco preocupados”). Outra questão relevante levantada pela pesquisa é o potencial da IA em reduzir ou aumentar o risco de negligência médica. A maioria dos médicos (52%) acredita que a IA pode, de fato, diminuir o risco de erros clínicos, graças à sua capacidade de processar grandes volumes de dados e fornecer análises rápidas e precisas. No entanto, 34% dos participantes expressaram a preocupação de que o uso inadequado da IA possa aumentar o risco de negligência, especialmente em mãos de profissionais mal preparados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O levantamento também destaca um otimismo cauteloso entre os médicos brasileiros quanto ao futuro da IA na medicina. Entre os entrevistados, 65% afirmaram estar “entusiasmados” ou “muito entusiasmados” com o potencial da IA para transformar a prática médica. Contudo, 35% disseram sentir apreensão, com uma leve diferença entre as gerações: 67% dos médicos mais jovens expressaram entusiasmo em comparação a 65% dos médicos mais velhos. Além disso, a maioria reconhece o valor da IA em áreas administrativas e diagnósticas, mas há uma resistência considerável quando se trata de interação direta com os pacientes. Para garantir que a IA seja uma aliada na prática médica, 80% dos médicos com menos de 45 anos apoiam a supervisão por agências públicas e associações médicas, enquanto 67% dos médicos mais velhos compartilham dessa visão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Investimento em novas tecnologias</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A inovação é a chave para o sucesso no setor de life sciences, com os CEOs intensificando investimentos em novas tecnologias, digitalização e IA para impulsionar o crescimento. Essas são algumas das conclusões da “Pesquisa CEO Outlook: Life Sciences”, conduzida pela&nbsp;<strong>KPMG&nbsp;</strong>com 120 CEOs do setor de life sciences de 11 países e territórios, representando organizações com receitas superiores a US$ 500 milhões.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/inteligencia-artificial-digital-chat-5.jpg" alt="" class="wp-image-129332"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Sobre IA generativa, 60% dizem que esta é a prioridade principal de investimento. Além disso, 58% estão investindo mais em novas tecnologias do que em novas habilidades e competências da força de trabalho. Mais de três quartos deles também dizem que a IA ajudará a criar vantagens competitivas em um futuro próximo, e 77% esperam ter retorno sobre investimentos nos próximos cinco anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perguntados sobre os principais benefícios esperados com a implementação da IA generativa em suas empresas, eles responderam: novas oportunidades de crescimento; aumento de eficiência e produtividade automatizando operações rotineiras; aumento da inovação; alta da lucratividade, diversidade de habilidades e competências. Um dado adicional é que 70% desses executivos consideram que o ritmo do progresso das regulamentações da IA será um obstáculo.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa revelou também que a maioria (79%) dos CEOs do setor de life sciences estão confiantes em relação às perspectivas de crescimento de suas empresas, um aumento de 10% em relação ao índice do ano passado. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Estamos em uma era de inovação sem precedentes. Muitas empresas estão avançando na medicina de precisão e no diagnóstico de doenças. Ao mesmo tempo, o setor é um ecossistema diverso com organizações farmacêuticas globais e laboratórios com forte presença regional. Há ainda startups e unidades respeitadas de pesquisas em biotecnologia. As conclusões da nossa publicação evidenciam como os líderes estão transformando modelos operacionais e de negócios para atingirem seus objetivos estratégicos. Nesse ambiente, eles precisarão permanecer ágeis, tomar decisões ousadas e agir com integridade”, afirma Gustavo Vilela, sócio-líder do setor de healthcare &amp; life sciences da KPMG no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Cibersegurança no Brasil</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A<strong>&nbsp;IBM</strong>&nbsp;publicou o relatório “Cost of a Data Breach”,&nbsp;revelando que o custo médio por violação de dados em 2024, no Brasil, foi de R$ 6,75 milhões, à medida que as violações se tornam mais disruptivas e aumentam ainda mais as demandas para as equipes de cibersegurança. As empresas de saúde e serviços experimentaram as violações mais caras entre os setores no Brasil, com custos médios de R$ 10,46 milhões e R$ 8,82 milhões, respectivamente. Os ataques de&nbsp;<em>phishing</em>&nbsp;foram o vetor mais comum, representando 16% de incidentes e custando uma média de R$ 7,75 milhões por violação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright"><img decoding="async" src="https://medicinasa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/ciberseguranca-segurana-digital-cibersecurity.jpg" alt="" class="wp-image-129328"/></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">O relatório também aponta que a inteligência artificial (IA) desempenha um papel crucial na redução do impacto das violações para as organizações no país. As descobertas mostram que 31% das empresas brasileiras estão, agora, implantando a segurança impulsionada por IA e automação extensivamente a fim de prevenir e combater as violações, em comparação com 23% em 2023 – o que levou a uma redução de custos e duração. De fato, as organizações com uso extensivo de segurança impulsionada por IA e automação tinham violações que eram 72 dias mais curtas e que custaram R$ 2,17 milhões a menos, em média, na comparação com as empresas que não usavam essas tecnologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O relatório chamou a atenção para a importância do armazenamento e da gestão adequada dos dados. No Brasil, 47% das violações envolviam dados armazenados em vários ambientes. Essas violações custaram mais de R$ 7,29 milhões, em média, e levaram mais tempo para serem identificadas e contidas (355 dias).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda de acordo com o relatório,&nbsp;os principais fatores que ampliaram os custos de violação&nbsp;foram&nbsp;a&nbsp;complexidade dos sistemas de segurança (em R$ 615.296) e a escassez de habilidades dos times (em R$ 535.368). Por outro lado, os fatores que ajudaram a reduzir custos de violação de dados no Brasil foram&nbsp;a inteligência para ameaças&nbsp;(em R$ 631.372), a&nbsp;implementação de&nbsp;insights&nbsp;impulsionados por IA e machine learning&nbsp;(em R$ 613.558) e os planos/testes de resposta a incidentes (em R$ 524.422).</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Muitas organizações estão percebendo que suas pegadas digitais estão cheias de complexidades e incógnitas. E, infelizmente, as companhias experimentam isso da maneira mais dura, quando seus dados são vítimas de uma violação”, diz Nicolas Mucci, líder em serviços de cibersegurança para a IBM América Latina. “Com quase a metade das violações no Brasil envolvendo dados armazenados em ambientes distribuídos – que podem ser complexos de proteger –, está claro que as organizações estão lutando para acompanhar a explosão de dados. No entanto, a IA pode ajudar. Ao integrar segurança impulsionada por IA e automação, as empresas podem reduzir o impacto financeiro e o risco de interrupção de negócios causados pelas violações”, conclui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Medicinasa / Foto: Reprodução</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A ANSIEDADE E SUAS RAÍZES NO PASSADO: UMA PERSPECTIVA PSICANALISTA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/DYmQVFt-4ko?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Máquinas que cuidam? Leveza e dureza na saúde digital</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 16:01:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O uso da tecnologia na medicina interdita as necessidades e desejos que o paciente apresenta na consulta? Ou abre possibilidades ao profissional ir além da operação de protocolos e dar atenção efetiva ao sujeito que está sob seus cuidados? Em uma contribuição clássica da Saúde Coletiva para pensar as tecnologias em saúde, sobretudo no contexto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">O uso da tecnologia na medicina interdita as necessidades e desejos que o paciente apresenta na consulta? Ou abre possibilidades ao profissional ir além da operação de protocolos e dar atenção efetiva ao sujeito que está sob seus cuidados?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma contribuição clássica da Saúde Coletiva para pensar as tecnologias em saúde, sobretudo no contexto do processo de trabalho em saúde,&nbsp;<a href="https://lojahucitec.com.br/produto/emerson-elias-merhy-saude-a-cartografia-do-trabalho-vivo/">Emerson Merhy</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://lojahucitec.com.br/produto/tulio-batista-franco-emerson-elias-merhy-trabalho-producao-do-cuidado-e-subjetividade-em-saude-textos-reunidos/">Túlio Franco</a>&nbsp;trouxeram um olhar sob a ótica da micropolítica dos processos de trabalho. Os médico e intelectuais sanitaristas propuseram que o trabalhador da saúde, para atuar, “<a href="https://www.scielo.br/j/icse/a/hWjdyMG9J4YhwPLLXdY3kfD">utiliza três tipos de valises</a>: uma, vinculada à sua mão e na qual cabe, por exemplo, o estetoscópio, bem como o ecógrafo, o endoscópio, entre vários outros equipamentos que expressam uma caixa de ferramentas tecnológicas formada por&nbsp;<em><u>tecnologias duras</u></em>; outra, que está na sua cabeça, na qual cabem saberes bem estruturados como a clínica e a epidemiologia, que expressam uma caixa formada por&nbsp;<em><u>tecnologias leve-duras</u></em>; e, finalmente, uma outra, presente no espaço relacional trabalhador–usuário, que contém&nbsp;<em><u>tecnologias leves</u></em><em>&nbsp;</em>implicadas com a produção das relações entre dois sujeitos, que só tem materialidade em ato”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como toda tecnologia é sociotécnica – ou seja, relacional –, nenhum objeto técnico é duro, leve-duro ou leve&nbsp;<em>per se</em>. As valises com suas durezas ou levezas variam em acordo com o contexto, com as relações e sujeitos que as agenciam. Em tempos de “saúde digital” algumas transformações parecem nos convidar a algumas boas e – julgo eu – urgentes questões. Vamos por partes!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando pensamos numa valise de “tecnologias duras” – tensiômetro, tomógrafo, estetoscópio etc. – sob o prisma da “saúde digital”, já é possível afirmar que, em muitos casos, nenhuma pessoa na condição de trabalhador da saúde (médico, enfermeiro etc.) precisa estar diretamente presente no encontro profissional-paciente para que os dados clínicos do paciente sejam coletados ou mesmo uma intervenção seja realizada. Hoje as tecnologias duras de um&nbsp;<em>smartphone</em>&nbsp;permitem coletar e processar tanto imagens quanto dados físicos e exames laboratoriais, entre outros. Do mesmo modo, robôs já fazem cirurgias, caixas-eletrônicos já realizam diagnósticos…</p>



<p class="wp-block-paragraph">É certo que, para serem realizados, além do trabalho morto das máquinas, estes objetos técnicos consomem o trabalho vivo de seus “operadores” com seus saberes e suas ações à distância e/ou assíncronas. Mas, ao falarmos de tecnologia dura, enfatiza-se a captura do momento vivo do processo de trabalho pelo trabalho morto do objeto técnico. O/a médico/a que usa o estetoscópio analógico para captar os batimentos cardíacos – mas nem sequer escuta atenciosamente o paciente, nem sequer olha no olho de quem cuida e tampouco o toca efetivamente – tem no encontro profissional-paciente um coeficiente em que predomina a dureza das máquinas, das tecnologias duras. Ou seja, a máquina é neste caso a protagonista do encontro; como suporte do capital é ela quem rege o tempo e a qualidade da relação, com a dureza das coisas sem vida e, sobretudo, sem a pessoalidade que requer o vínculo do cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensemos então num&nbsp;<a href="https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abo5867">estetoscópio digital</a>, capaz de auscuta cardíaca e pulmonar sem o ouvido do profissional, conectado na internet e transmitindo tais dados para um arquivo na&nbsp;<em>tag</em>&nbsp;do perfil do paciente e armazenado em uma “nuvem” qualquer. Além do trabalho morto contido no objeto técnico, a produção destes dados clínicos estará consumindo o trabalho vivo de um novo “operador”, o próprio usuário-paciente. Essa questão tanto faz sentido que, sem nos aprofundarmos, basta lembrarmos que há décadas assistimos ao debate sobre a produção dos dados no “capitalismo digital” a partir de formulações conceituais como os&nbsp;<em>prosumidores</em><em>.</em>&nbsp;Em resumo, para se referir às atuais possibilidades de o próprio ato de consumo de algo – por exemplo de um estetoscópio digital de autominotoramento – ser ele mesmo atividade produtiva de dados pessoais realizadas pelo produtor-consumidor, dados que são armazenados e processados por inúmeras empresas com fins de acumulação de capital.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso em mente, vem à cabeça: estaria a dureza de tais objetos técnicos invadindo o cuidado de si? Ou estaríamos colocando nas mãos de qualquer cidadão leigo o saber-fazer de um profissional? Seriam com isso os usuários-pacientes mais responsáveis e protagonistas da sua saúde, mais autônomos? Ou estaríamos atribuindo responsabilidades indevidas a um leigo? Quem seria o efetivo responsável pela produção desses dados e qual seria a contrapartida de tal produção?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora olhemos para as tecnologias leve-duras. Os sanitaristas se referem a elas para dizer sobre a “valise da cabeça”, pois são elas que permitem “o recorte” que o “olhar do médico sobre o usuário, enquanto objeto de sua intervenção”, produz e, então, permite capturar o “mundo” e as “necessidades” do paciente “sob uma forma particular de significá-lo”. A epidemiologia, a clínica médica, a psicanálise, os questionários, os prontuários, os protocolos etc. são suas sedimentações como “saberes bem definidos”, que&nbsp;<em>na cabeça</em>&nbsp;do profissional funcionam como “trabalho morto” e que, portanto, é nela que encontramos o lado&nbsp;<em>duro</em>&nbsp;desta caixa de ferramentas. Mas se aí reside a “dureza”, onde encontramos o lado da “leveza”?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores, de modo hábil, trazem para análise aquele&nbsp;<em>x</em>&nbsp;da questão que é – paradoxalmente – muitas vezes esquecido: o mundo, as necessidades e os desejos dos usuários, dos pacientes. Ou seja, quando os usuários são atendidos menos como pacientes e mais como sujeitos. É “no agir do médico sobre o usuário, mediante seu trabalho vivo em ato”, que a “dureza” dos “saberes bem definidos” encontra a realidade; e nesta vemos a “relação centralmente leve que o usuário real impõe para o raciocínio clínico”. O paciente é um sujeito do encontro, não só um paciente da ação médica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Merhy &amp; Franco chamam atenção para o fato de que há um&nbsp;<em>o</em><em>utro</em>&nbsp;singular – que existe, sente e fala – do lado do protocolo biomédico “endurecido”. E é nessa escuta, nesse&nbsp;<em>entre&nbsp;</em>existente no ato clínico que, portanto, emerge a leveza da qual falam os sanitaristas. Ela é fruto da distância entre&nbsp;<em>a cabeça</em>&nbsp;do profissional – treinada pelos protocolos – e os ouvidos que de fato escutam o outro, os olhos que o observam e as mãos que o tocam, todos atentos à singularidade do encontro. É neste terreno “da valise da cabeça e de seus processos produtivos, que os produtos da valise da mão adquirem significados como atos de saúde”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, sabemos também que esta interação pode ser “circunscrita pela imposição do lado mais duro deste processo sobre o mais leve”, isto é, que os saberes técnicos endurecidos na cabeça do profissional podem implicar numa interdição às possibilidades de o mundo do usuário participar de fato. Ou como Lilia Schraiber disse certa vez: os “operadores de protocolos” não&nbsp;<em>escutam</em>&nbsp;o paciente como sujeito-singular. Na verdade, com frequência, os profissionais de saúde agem apenas como “uma unidade de produção de procedimentos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui nos aparecem outras novidades da “transformação digital da saúde” que merecem problematizações. Hoje, parte dos saberes que estavam na “valise da cabeça” agora são eles mesmos saberes processados em sistemas algorítmicos automatizados (SAA)<em>.</em>Os protocolos já eram algoritmos, agora são automatizados!Um robô treinado com dados clínicos e epidemiológicos se relaciona com o usuário-paciente e o orienta a tomada de decisões – quando não decisões terapêuticas biomédicas/medicamentosas, decisões sobres ações de promoção à saúde e prevenção à doença. Seja uma nova dieta ou novas práticas comportamentais, seja um encaminhamento clínico ou aconselhamento de práticas integrativas, partes importantes da atenção à saúde já são realizadas por SAA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos dizer que tais SAA são,&nbsp;<em>enfim</em><em>,</em>a realização do “endurecimento dos processos produtivos em torno de saberes tecnológicos muito bem definidos”. Parece que a atual “transformação digital” não só pode recrudescer a captura do momento vivo das práticas de cuidado e atenção à saúde pela lógica do trabalho morto, como também o próprio saber antes vivo na cabeça do “operador” é agora um tipo de “trabalho morto” na forma de algoritmos de&nbsp;<em>machine learning</em>e cia. Afinal, hoje o profissional pode – a depender das pressões das metas e resultados, e também dá sua ética – delegar sua “valise da cabeça” para as&nbsp;<em>large language models</em>&nbsp;como o&nbsp;<a href="https://www.openevidence.com/">OpenEvidence</a>, para que ela pense por ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seria o caso então – com o perdão do trocadilho – de chamarmos esse processo de trabalho pautado em SAA de trabalho morto-vivo? Imagine a cena: o paciente que questiona seu/a médico/a e este – tradicionalmente refratário/a a qualquer questionamento “desde baixo” –, para ratificar sua autoridade clínica reafirma categoricamente a sua decisão diagnóstica e terapêutica ao mostrar para o paciente, na tela do computador, o protocolo sugerido por um&nbsp;<a href="https://www.openevidence.com/about">SAA calibrado em tempo real pela Medicina Baseada em Evidências</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estariam as tecnologias leve-duras da “saúde digital” fazendo o pêndulo da balança&nbsp;<em>travar</em>&nbsp;do lado da dureza, intensificando as interdições das necessidades e desejos do usuário-paciente aparecerem ativamente no encontro? Ou estaríamos abrindo as possibilidades do profissional não se reduzir a ser “operador de protocolos” e passar a uma efetiva atenção pessoalizada e singularizada àquele/a que se encontra sob seus cuidados?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A última valise é a “valise do espaço relacional trabalhador-usuário” que “só se realiza em ato e nas interseções do médico e do usuário”, sempre produzindo “relações, expressando, como seus produtos, por exemplo, a construção ou não de acolhimentos, vínculos e responsabilizações, jogos transferenciais, entre outros”. A tecnologias leves acontece quando as situações mais duras são praticamente insignificantes, “pois mesmo que para o encontro também tenha que se ter uma certa materialidade dura, ele não é dependente desta.” Aqui é o acolhimento, a escuta, o diálogo, o vínculo etc. que predominam. E, consequentemente, no balanço geral, é neste espaço que os desejos e interesses do usuário apresentam maiores chances de se expressarem e serem ouvidos, ou seja, o usuário-paciente tem maior liberdade,&nbsp;<em>autonomia</em>&nbsp;como sujeito-singular.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a></a>Ora, não podemos desprezar o fato de que é na leveza que talvez resida um dos principais pontos em sobressalto na “saúde digital”. Se não podemos atribuir ao SAA a designação ontológica e axiológica de&nbsp;<em>sujeito;&nbsp;</em>é possível reconhecermos um nível de simetria prática, conversacional… entre pessoa e SAA. Enquanto agentes-actantes, ambos se comunicam, transmitem informações um ao outro e, sobretudo, alteram suas ações a partir do&nbsp;<em>feedback loops</em>, ou seja, produzem&nbsp;<em>outputs</em>&nbsp;novos emergidos da interação (dos inputs) – o que os ciberneticistas chamam de transversalidade entre cognição humana e maquínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma pesquisa publicada na&nbsp;<a href="https://www.nature.com/articles/s41591-023-02766-x#MOESM1">Nature</a>&nbsp;sobre a desigualdade no acesso ao tratamento à saúde mental, centrou-se nas ferramentas digitais – um chatbot – para reduzir a lacuna de acessibilidade. Com uma população (n) de mais de 120.000 usuários do NHS, avaliou-se o volume de encaminhamento de pacientes e a diversidade de etnia, gênero e orientação sexual. Descobriu-se, entre outros, que indivíduos não binários e de minorias étnicas aumentaram sua procura de serviços de saúde mental depois e com o&nbsp;<em>chatbot&nbsp;</em>ofertado<em>,</em>&nbsp;um aumento de 179% e 29% respectivamente. Nesse contexto um dos achados mais intrigantes foi que entre as principais razões vantajosas, do ponto de vista dos usuários, para a adesão ao serviço digital, estava a ausência do envolvimento humano e, com isso, a possibilidade de procurar ajuda sem medo de julgamento ou&nbsp;discriminação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos analisar, ponderar e julgar muitas questões vindas desses dados, mas certamente uma de destaque é: seria esse um exemplo factual da presença de uma leveza maquínica? Será que os SAA são capazes de promoverem acolhimentos mais leves que muitos profissionais? Será que uma máquina pode oferecer cuidado mais humanizado que uma pessoa? Ou seria o caso de nos perguntarmos quais profissionais estão nos atendendo de modo que até mesmo máquinas podem ser mais acolhedoras?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Foto: Freepik</p>



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