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	<title>Saúde Mental brasileira |</title>
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	<title>Saúde Mental brasileira |</title>
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		<title>Os dois desafios da Saúde Mental brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Mar 2023 21:16:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Rosana Onocko, psicanalista e presidente da Abrasco, sustenta: primeiro passo é reverter o subfinanciamento e estímulo às “comunidades terapêuticas”. Mas crise só será resolvida com o fim do sufoco material e psíquico imposto à população A solução para os problemas de saúde mental da população brasileira terá de vir não só do SUS, mas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>Rosana Onocko, psicanalista e presidente da Abrasco, sustenta: primeiro passo é reverter o subfinanciamento e estímulo às “comunidades terapêuticas”. Mas crise só será resolvida com o fim do sufoco material e psíquico imposto à população</em></p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/Sem-nome-720-×-90-px.jpg" alt="" class="wp-image-77220" width="829" height="104" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/Sem-nome-720-×-90-px.jpg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/Sem-nome-720-×-90-px-300x38.jpg 300w" sizes="(max-width: 829px) 100vw, 829px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A solução para os problemas de saúde mental da população brasileira terá de vir não só do SUS, mas de uma série de políticas públicas e iniciativas para que a vida comunitária seja recriada. Essa, em resumo,&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=jM8euvWupaQ">foi a reflexão</a>&nbsp;que Rosana Onocko, psicanalista, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Unicamp e presidente da Abrasco, fez em 28/3 ao PULSO, programa de entrevistas do&nbsp;<em>Outra Saúde</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil, frisou Rosana, conquistou algo muito importante com a Reforma Psiquiátrica, aprovada em lei em 2001 – uma das primeiras da América Latina. A ideia de tratar pessoas com transtornos mentais em manicômios ou instituições que limitavam seus direitos foi derrubada. Em seu lugar, entrou a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) com dispositivos como os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e muitos outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A Rede articula outros dispositivos como os Consultórios de Rua, que estão vinculados à Atenção Primária mas que buscam dar assistência às pessoas em situação de rua”, enumera Rosana, “como também os centros de cultura e comunidade, onde se pode propiciar de uma forma mais cuidadosa e mais amparada o convívio das pessoas que têm problemas de saúde mental com a própria comunidade. Também há algumas experiências muito bem-sucedidas de trabalho em cooperativas de produção que permitem a essas pessoas retornar a uma vida produtiva.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais problemas que havia nesses programas de atenção à saúde mental eram, segundo ela, de cobertura e de articulação das redes. Mas um grande entrave foi posto a partir de 2016: os dados relacionados à Raps pararam de ser divulgados<em>&nbsp;</em>&nbsp;pelo ministério da Saúde, deixando no escuro os pesquisadores como Rosana, que estava no Grupo de Trabalho de Saúde Mental da Abrasco na época. “A gente passou a dirigir um carro de olhos vendados”, lamenta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também na época do pós-golpe de 2016 uma lei que regularizou o financiamento às chamadas Comunidades Terapêuticas, uma volta ao modelo de tratamento isolado e com desrespeito a liberdades individuais, geralmente ligadas a igrejas, sobretudo evangélicas. Os governos Temer e Bolsonaro dão “torneira aberta” para grupos fundamentalistas, comenta Rosana. E, para ela, com a correlação de forças que há no Brasil, hoje, não conseguiremos nos livrar delas de um dia para o outro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas sua fala deixa claro que a solução não está mesmo aí. O país está adoecido, em especial após a pandemia e o pandemônio que se abateram nos últimos anos. O isolamento trouxe angústia a todos, mas em especial a idosos e jovens, reflete ela. “Esse panorama da louvação da violência, do armamento da sociedade, do discurso de ódio, da intolerância, do desrespeito à diversidade, tudo isso produz um clima social muito ruim para a saúde mental”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil foi um dos únicos países onde mecanismos de proteção foram minados durante a pandemia. Há uma relação muito forte entre a falta de emprego e o sofrimento mental, explica Rosana: “até mesmo o suicídio está vinculado à condição de trabalho precário e estressado. Se você não tem com quem relacionar, se não tem seus pares, o sindicato, os colegas de trabalho e nem um patrão, acaba jogando tudo para si mesmo. E se não dá conta de se virar sozinho, vira um ‘perdedor’ – e aí as pessoas estão jogando esse sofrimento contra si mesmas”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, não é um problema que cabe apenas ao ministério da Saúde resolver. “Nós temos um desafio da saúde mental brasileira que é o de fazer um exercício inédito de transversalidade – que sempre esteve no discurso, mas nunca chegou à prática. Não tem como pensar a promoção de saúde sem pensar cultura, esporte, sem criar políticas antirracistas, sem combater o poder patriarcal.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rosana relembra o episódio do ataque à escola por um aluno de 13 anos, que aconteceu na segunda-feira em São Paulo, para pensar no sofrimento dos jovens brasileiros. “Nossos jovens perderam a esperança”, lamenta. “Nós temos que pensar em como fazer os jovens voltarem a ter esperança para estudar, trabalhar, suportar o esforço que é se deslocar nas cidades brasileiras. Para isso ele precisa acessar arte, cultura, espaços de convivência, cinemas, lugares de convívio.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra saúde</p>



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