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	<title>Setembro Amarelo |</title>
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	<title>Setembro Amarelo |</title>
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		<title>Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2025 03:32:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho Por Bruno Chapadeiro Ribeiro &#8211; Domingo, 21 de setembro de 2025 Há algo de profundamente perverso na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por <a href="https://outraspalavras.net/author/brunochapadeiroribeiro/">Bruno Chapadeiro Ribeiro</a> &#8211; Domingo, 21 de setembro de 2025</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há algo de profundamente perverso na maneira como transformamos sofrimento coletivo em&nbsp;<em>commodity</em>&nbsp;individual. Em tempos de capitalismo consciente, as empresas descobriram que não basta vender produtos – é preciso vender também o bem-estar psicológico. O Setembro Amarelo, que deveria ser um momento de crítica radical às estruturas que produzem morte, transformou-se numa sofisticada operação de maquiagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto as campanhas oficiais vendem consciência individualizada e distribuem números de CVV como se fossem aspirinas para dor existencial,&nbsp;27,3 trabalhadores morrem por suicídio a cada dia no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados são de um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">estudo rigoroso</a>&nbsp;que acompanhou a população trabalhadora brasileira entre 2010 e 2019:&nbsp;112.164 suicídios em uma década, com tendência crescente sustentada de 60,1%. Entre os homens, o risco é 3,5 vezes maior que entre as mulheres&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não por acaso, a pressão da masculinidade tóxica do “provedor” faz vítimas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eis que surge uma nova modalidade de lavagem: o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>. Se o&nbsp;<em>greenwashing</em>&nbsp;pinta de verde o que deveria ser ecologicamente transformado, o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>&nbsp;pinta de amarelo o que deveria ser socialmente revolucionado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Explosão definitiva: 440 mil afastamentos em 2024</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Previdência Social (MPS) divulgou dados que confirmam o que já sabíamos:&nbsp;2024 foi o ano da explosão definitiva da crise de Saúde Mental Relacionada ao Trabalho. Mais de&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/afastamentos-por-transtornos-mentais-dobram-em-dez-anos-chegam-440-mil">440 mil trabalhadores brasileiros se afastaram</a>&nbsp;de suas funções por transtornos mentais e comportamentais&nbsp;<em>–</em>mais que o dobro do registrado em 2014&nbsp;e um&nbsp;aumento brutal de 67% apenas em relação a 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hierarquia do sofrimento revela o retrato de uma sociedade em colapso emocional:&nbsp;transtornos de ansiedade lideram com 141 mil casos, seguidos de&nbsp;episódios depressivos com 113 mil casos, depressão recorrente, transtorno bipolar e dependência de substâncias. São números que transformam estatísticas em tragédia humana coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o&nbsp;<a href="https://smartlabbr.org/sst">Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho</a>&nbsp;(SmartLab SST),&nbsp;os afastamentos por transtornos mentais já figuram entre as principais causas de concessão de auxílio-doença, superando, em alguns setores, até mesmo os tradicionais problemas osteomusculares que historicamente dominavam as estatísticas previdenciárias.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A cruel ironia dos dados globais</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Numa&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/Jh3TQ5zJwWHK84FbThWcBjw/">revisão literária em 130 estudos sociológicos</a>&nbsp;sobre o fenômeno do suicídio datados de 1981 a 1995, destacou-se a pobreza como uma situação que pode predispor ao suicídio, incluindo fatores como o desemprego, o estresse econômico e a instabilidade familiar. Pessoas sem emprego apresentam taxas de suicídio maiores que as empregadas, principalmente entre a população masculina, mais sensível aos reveses econômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial de Saúde, somente no ano de 2016, num mundo pré-pandemia de covid-19,&nbsp;79% dos suicídios no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. O&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240114487">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;da OMS revela um cenário devastador que contextualiza a crise brasileira numa perspectiva global.&nbsp;Mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com transtornos mentais&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento significativo que coincide, não por acaso, com a intensificação das políticas neoliberais globais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10888055/">revisão de 31 artigos científicos</a>&nbsp;publicados entre 1959 e 2001, que engloba 15.629 casos de suicídios na população geral, demonstrou-se que&nbsp;em 96,8% dos casos, caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal. Dentre eles, a depressão, transtorno bipolar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos atrás,&nbsp;<a href="https://www.who.int/docs/default-source/gho-documents/global-health-estimates/ghe2019_cod_methods.pdf">a OMS previu</a>&nbsp;que a depressão se tornaria a principal causa de absenteísmo nas organizações a partir da década de 2020. Trabalhadores faltariam mais por crises depressivas do que por dores na coluna, gripes e resfriados. A mesma&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240026643">OMS analisou</a>&nbsp;dados internacionais no período de 2000 a 2012 e mostrou que&nbsp;a prevalência mundial de suicídios caiu em média 26% ao passo que no Brasil aumentou 10,4%. A organização aponta o Brasil como o&nbsp;2º país com maior número de depressivos nas Américas, sendo também o país com&nbsp;maior prevalência de ansiedade no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/30/estudo-mostra-que-casos-de-suicidio-no-brasil-tiveram-crescimento-maior-apos-setembro-amarelo-associacao-brasileira-de-psiquiatria-contesta.ghtml">estudo recente</a>&nbsp;revelou que,&nbsp;desde 2015&nbsp;<em>–</em>&nbsp;ano em que foi lançada a campanha Setembro Amarelo no Brasil&nbsp;<em>–</em>, as mortes por suicídio não apenas continuaram a aumentar, mas também apresentaram aceleração no crescimento. A taxa média de aumento anual saltou de 1,67% (2000-2015) para 4,24% (2015-2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que a campanha causa suicídios, mas expõe a limitação de abordagens que individualizam problemas estruturais. O suicídio deve ser compreendido enquanto “expressão da organização deficiente de nossa sociedade”&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não como fracasso individual a ser corrigido com fitinhas amarelas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A depressão e ansiedade sozinhas custam à economia global US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade, enquanto&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2025/09/02/apenas-9percent-das-pessoas-com-depressao-recebe-tratamento-adequado-afirma-oms.ghtml">apenas 9,1% das pessoas com depressão</a>&nbsp;recebem tratamento minimamente adequado globalmente. No Brasil, essa realidade se manifesta de forma ainda mais cruel.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A matemática cruel dos que “desistem”</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os números&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">revelam</a>&nbsp;uma geografia da morte que coincide perfeitamente com a geografia da desigualdade.&nbsp;Trabalhadores da agricultura lideram com 21,7 suicídios por 100 mil habitantes&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quase quatro vezes a média nacional.&nbsp;A população indígena apresenta taxa de 19,5 por 100 mil, numa macabra correlação entre genocídio histórico e&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/capitalismo-e-a-morte-por-desespero/">desespero contemporâneo</a>. Entre os trabalhadores rurais, 4,5% se matam por autointoxicação com pesticidas&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quando não é o agrotóxico que mata lentamente por câncer, é ele que oferece a “solução final” para o desespero.&nbsp;63% dos suicídios rurais ocorrem entre pessoas negras, 77,1% tinham no máximo ensino médio. A geografia do suicídio coincide, assim, com a geografia da desigualdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também uma divisão sexual da morte. No Rio Grande do Sul,&nbsp;<a href="https://www3.ghc.com.br/files/IEViolenciaAPSetembroAmarelo2024.pdf">69,94% das notificações de lesão autoprovocada</a>&nbsp;são de mulheres, enquanto 80,04% dos suicídios consumados são de homens. O que isso nos diz? Que elas pedem ajuda, eles morrem calados. As mulheres tentam 4 vezes mais, os homens “conseguem” 4 vezes mais. Como se até na morte houvesse uma divisão sexual do trabalho: a elas, o grito de socorro; a eles, o silêncio mortal.&nbsp;O enforcamento é o método mais escolhido&nbsp;<em>–</em>&nbsp;71,4% dos casos no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O setor bancário, laboratório do neoliberalismo brasileiro, oferece um caso exemplar desta dinâmica. Entre 1996 e 2005, foram&nbsp;<a href="https://apcefce.org.br/portal/apcef-ce-portal/informacoes/noticias-apcef/pesquisa-inedita-da-unb-revela-alta-taxa-de-suicidio-entre-os-bancarios-do-pais.htm">181 bancários mortos por suicídio</a>&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma média de um suicídio a cada 20 dias. No período anterior (1993-1995), haviam sido 72 casos&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada 15 dias. A escalada coincide exatamente com a reestruturação produtiva dos anos 1990, quando&nbsp;<a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/09/26/adoecimento-mental-dos-bancarios-e-tema-de-conferencia-realizada-de-forma-hibrida-nesta-terca-26-em-porto-alegre/">430 mil bancários foram demitidos</a>&nbsp;e os sobreviventes passaram de funcionários a “vendedores e consultores”.&nbsp;<a href="https://sc.cut.org.br/noticias/trabalho-bancario-segue-como-fonte-de-adoecimento-e-morte-810b">Pesquisa recente</a>&nbsp;da Fenae/UnB revela que&nbsp;53% dos bancários já sofreram assédio moral e 47% já tiveram conhecimento de algum episódio de suicídio entre colegas. Apesar de representarem menos de 1% da força de trabalho formal,&nbsp;os&nbsp;<a href="https://www.ctb.org.br/2024/08/16/crise-oculta-no-setor-bancario-metas-agressivas-e-jornadas-extremas-afetam-a-saude-mental-dos-bancarios/">bancários correspondem a 25% dos registros de adoecimento mental</a>&nbsp;junto ao INSS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os profissionais de saúde, observa-se um paradoxo cruel: quem deveria cuidar da saúde mental alheia não consegue preservar a própria.&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/conteudo-especial/80-dos-profissionais-de-enfermagem-de-sp-ja-foram-agredidos">80% dos profissionais de enfermagem de São Paulo já foram agredidos no trabalho</a>. É como se a violência fosse o preço a pagar por querer cuidar numa sociedade que transformou saúde em mercadoria.&nbsp;A reincidência nas notificações de lesão autoprovocada chegou a 49,44% em 2023&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada dois casos já havia tentado antes. Isso revela não apenas a ineficácia das intervenções individuais, mas a persistência das condições estruturais que produzem sofrimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia do bem-estar fictício</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos&nbsp;440 mil afastamentos em 2024&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento de&nbsp;67% em apenas um ano&nbsp;<em>–</em>&nbsp;as empresas descobriram que é mais barato comprar selos de “empresa saudável” do que mudar estruturalmente suas práticas tóxicas. A nova lei que&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/04/01/lei-cria-certificacao-para-empresa-que-promove-saude-mental">instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental</a>&nbsp;é magistral nessa estratégia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas ganham certificação de dois anos para mostrar que se importam, enquanto mantêm as práticas que destroem a saúde mental dos trabalhadores. É como dar morfina para quem precisa de cirurgia&nbsp;<em>–</em>&nbsp;alivia o sintoma, mantém a doença.&nbsp;86% dos funcionários consideram trocar de emprego por questões de saúde mental, então as empresas oferecem&nbsp;<em>mindfulness</em>&nbsp;para lidar com o estresse que elas próprias produzem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do&nbsp;<a href="https://www.who.int/news/item/02-09-2025-over-a-billion-people-living-with-mental-health-conditions-services-require-urgent-scale-up">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;revelam que, globalmente,&nbsp;a mediana dos gastos governamentais com saúde mental permanece estagnada em apenas 2,1% dos orçamentos de saúde desde 2017. Enquanto países de alta renda investem US$ 65,89 per capita, países de baixa renda investem apenas US$ 0,04 per capita&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma diferença de mais de 1.600 vezes. A força de trabalho especializada em saúde mental é dramaticamente insuficiente: apenas 13,5 trabalhadores especializados por 100.000 habitantes globalmente, com países de baixa renda tendo apenas 1,1 por 100.000 comparado a 67,2 nos países de alta renda.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A receita corporativa para não resolver</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações corporativas revelam a superficialidade das soluções oferecidas. Para empresas, sugerem: “implantar programas de apoio psicológico”, “capacitar líderes”, “flexibilizar jornadas”, “promover pausas” e “mapear riscos psicossociais”. Para trabalhadores, a&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/seria-a-ia-o-novo-capataz/">cartilha neoliberal</a>&nbsp;é ainda mais perversa: “estabelecer limites claros”, “manter hábitos saudáveis”, “buscar suporte profissional”, “preservar vínculos sociais” e “praticar técnicas de gestão do estresse”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Notem a inversão: as empresas devem fazer “programas” e “mapeamentos”, enquanto os trabalhadores devem se “adequar”, “buscar” e “praticar”. A responsabilidade sempre recai sobre quem sofre, nunca sobre quem explora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sinais típicos do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Salas de relaxamento anunciadas mas desencorajadas na prática</li>



<li>Palestras sobre autocuidado enquanto se mantêm metas impossíveis</li>



<li>Certificações compradas em vez de mudanças implementadas</li>



<li>Ginástica laboral como resposta ao assédio moral</li>



<li>Apps de mindfulness enquanto se intensifica a precarização</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A redistribuição que de fato funciona</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Há evidências robustas de que políticas sérias de redistribuição de renda funcionam melhor que qualquer sessão de terapia corporativa. Um estudo com&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/redistribuicao-de-renda-uma-politica-para-a-saude-mental/">a introdução do salário-mínimo na Inglaterra</a>&nbsp;descobriu que&nbsp;aumentos salariais efetivos geraram melhora na saúde mental comparável ao efeito dos antidepressivos&nbsp;(0,37 versus 0,39 desvio padrão).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30905484/">demonstram</a>&nbsp;que estados norte-americanos que aumentam seus salários-mínimos veem as taxas de suicídio crescerem mais lentamente.&nbsp;Para cada US$ 1/hora aumentado, corresponde uma redução de 1,9% na taxa anual de suicídio. Também evidenciaram que indivíduos de famílias com maiores rendimentos têm menos risco de tirar a própria vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que&nbsp;269 milhões de novos empregos seriam criados no mundo se os investimentos em educação, saúde e assistência social fossem duplicados até 2030.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que países que mantiveram ou reforçaram suas políticas de proteção social, incluindo as de transferências monetárias para populações pobres e extremamente pobres, apresentaram níveis menores de suicídios. A&nbsp;<a href="https://cidacs.bahia.fiocruz.br/2022/07/risco-de-suicidio-caiu-pela-metade-entre-beneficiarios-do-programa-bolsa-familia-indica-estudo-da-fiocruz/">pesquisa com 5.507 municípios entre 2004 e 2012</a>&nbsp;revelou que aqueles com maior cobertura do&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30456426/">Bolsa Família tiveram&nbsp;redução de 56% no risco de suicídio entre beneficiários</a>. Na Indonésia, programas similares geraram queda de 18%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recado é claro:&nbsp;dinheiro no bolso funciona melhor que conversa sobre resiliência. Mas isso, claro, não vende consultoria nem gera certificados dourados. Nunca se esteve tanto na pauta do dia tornar a renda básica algo permanente, bem como resolver injustiças históricas do sistema tributário, tendo na agenda a taxação de grandes fortunas, conduzida por um Estado forte e protetor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Atlas de Saúde Mental 2024 expõe a crueza da realidade:&nbsp;menos de 10% dos países completaram a transição para modelos de cuidado comunitário, com a maioria ainda&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/psiquiatria-crise-especifica-ou-crise-generalizada/">dependendo de hospitais psiquiátricos</a>.&nbsp;Quase 50% das internações psiquiátricas são involuntárias globalmente, e mais de 20% dos pacientes permanecem internados por mais de um ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cobertura de serviços para psicose é de apenas 40% globalmente, variando dramaticamente: menos de 10% em países de baixa renda versus mais de 50% em países de alta renda.&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilhas/2017/17-0522-cartilha-agenda-estrategica-publicada-pdf/view">O Ministério da Saúde constatou</a>&nbsp;que&nbsp;em locais onde há Centros de Atenção Psicossocial – CAPS em funcionamento, o risco de suicídio é 14% menor. O custo médio de 12 mil internações hospitalares no SUS por autointoxicação intencional, entre 2007 e 2016, foi de 3 milhões/ano, o equivalente ao custo de implantação e custeio de 8 CAPS/ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/reben/a/33QwKvHTdQMFTNYXKdKJ9cz/">averiguam</a>&nbsp;que, no período em que se agravou a crise ética-política-econômica brasileira (2014-2017) com altas taxas de desemprego,&nbsp;o comportamento suicida se amplia. Entretanto, o que se vê no horizonte são medidas de austeridade que preveem a retirada de direitos sociais e o congelamento do orçamento público para políticas de proteção social.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>É possível um Setembro Amarelo “anticapitalista”?</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O capital precisa de crises estruturais para se reinventar, expandir e se valorizar. Com isso, a história nos mostra que a miséria e a desigualdade social tendem a se agravar, e, tal como o exposto nesse texto, resulta, dentre outras mazelas, na elevação das taxas de suicídios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os índices de suicídios são altos em grupos que foram vulnerabilizados pela exclusão social e mais afetados pelas crises: desempregados, pessoas em insegurança alimentar, alvos de violência policial como a juventude negra, pobre e periférica, e populações em territórios permanentemente ameaçados pela invasão predatória e pela ausência de políticas públicas, como indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suicídio entre crianças indígenas é 18,5 vezes maior&nbsp;do que entre crianças não indígenas e afeta principalmente meninas (58,2%). As maiores taxas de suicídio foram observadas na&nbsp;população idosa brasileira a partir de 70 anos, demonstrando o projeto societário de “eliminação dos indesejáveis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira prevenção exige mais que fitinhas e hashtags motivacionais. A intervenção deve ser sistêmica:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Políticas econômicas reais:</strong>&nbsp;Programas de transferência de renda comprovadamente eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Fim do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</strong>&nbsp;Regulamentação séria das certificações de bem-estar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. SUS fortalecido:</strong>&nbsp;Investimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e na&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/para-levar-a-saude-do-trabalhador-ao-centro-do-sus">Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora</a>&nbsp;(Renastt)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Trabalho que não mate:</strong>&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/5a-cnstt-propoe-jornada-de-30-horas-e-programa-de-saude-mental-no-trabalho/">Regulação efetiva</a>&nbsp;das dimensões psicossociais relacionadas ao trabalho, não questionários burocráticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Justiça tributária:</strong>&nbsp;Financiamento adequado para políticas sociais através da taxação de grandes fortunas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Da consciência à consciência de classe</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, as cada vez mais ampliadas taxas de suicídios ao redor do globo são apenas a ponta do iceberg da barbárie inerente ao sociometabolismo do capital que têm nas medidas de austeridade e crescentes taxas de desemprego estrutural sua expressão de desejo. Mas isso as campanhas do Setembro Amarelo passam longe de abordar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências são cristalinas:&nbsp;suicídio é problema político que exige soluções políticas. A introdução do salário-mínimo inglês teve efeito igual aos antidepressivos. O Bolsa Família reduziu suicídios em 56%. Mas empresas preferem comprar selos dourados e oferecer yoga corporativa e o SUS tem apostado que IAs deem conta da&nbsp;<a href="https://www.poder360.com.br/poder-saude/projeto-desenvolve-app-com-ia-para-tratar-transtornos-mentais-no-sus/">saúde mental por apps</a>. Globalmente, em 2021,&nbsp;o suicídio matou 727.000 pessoas, sendo uma das principais causas de morte entre jovens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os&nbsp;440 mil afastamentos de 2024&nbsp;representam um aumento de&nbsp;mais de 100% em relação a 2014&nbsp;– uma escalada que coincide perfeitamente com a implementação de políticas de austeridade, reforma trabalhista e precarização sistemática do trabalho. Apesar dos esforços globais, apenas 12% de redução será alcançada até 2030, muito longe da meta da ONU de reduzir um terço das mortes por suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma perversidade particular em transformar setembro num mês de “conscientização” quando o que precisamos é de&nbsp;consciência de classe. Não basta falar sobre suicídio – é preciso falar sobre as estruturas que o produzem. Políticas que garantam vida digna são o principal promotor de saúde mental.&nbsp;O resto é teatro amarelo para plateia distraída.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, a coisa mais saudável que uma empresa pode fazer pela saúde mental de seus funcionários não é contratar um&nbsp;<em>coach de wellness</em>&nbsp;ou comprar uma certificação internacional, mas questionar se sua própria existência – na forma como está organizada – não é um fator de risco para a sanidade coletiva. Mas isso, óbvio, não vem com selo certificador nem marketing institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saude / Ilustração: Craig Johnson</p>



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		<title>Estudantes das Agências de Notícias produzem conteúdo sobre o Setembro Amarelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2025 17:41:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Estudante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No mês dedicado à valorização da vida e à prevenção ao suicídio, estudantes do projeto Agência de Notícias na Escola estão produzindo conteúdos para as redes sociais sobre o tema. No material produzido, os alunos explicam como a campanha surgiu e falam sobre a importância da conscientização sobre a prevenção ao suicídio, buscando alertar a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">No mês dedicado à valorização da vida e à prevenção ao suicídio, estudantes do projeto Agência de Notícias na Escola estão produzindo conteúdos para as redes sociais sobre o tema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No material produzido, os alunos explicam como a campanha surgiu e falam sobre a importância da conscientização sobre a prevenção ao suicídio, buscando alertar a população sobre a importância e necessidade de cuidar da saúde mental.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudantes trazem em suas publicações a mensagem de que um simples gesto de carinho pode salvar vidas. Que ouvir, acolher e estender a mão são atitudes fundamentais para ajudar quem precisa. Destacam ainda que pedir ajuda não é fraqueza, é sinônimo de coragem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O objetivo do vídeo foi impulsionar a campanha contra o suicídio mostrando a importância do apoio que cada um pode dar. Queríamos frisar que uma simples conversa pode ajudar a salvar uma vida”, destacou o estudante do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares e integrante da Agência de Notícias Jornal PEPCV, Welington Oliveira Santos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudante contou ainda como foi produzir este conteúdo para a agência. “Produzir um vídeo é sempre uma avalanche de ideias, dessa vez principalmente, porque a equipe que se juntou foi muito criativa. Então, juntos, pensamos num roteiro que expressasse bem aquilo que queríamos, em como seriam feitas as cenas e quais os cenários. E apesar do tema sério, foi muito divertido fazer tudo isso entre amigos”, destacou explicou. Participaram da produção, além de Welington Oliveira, Levy da Cunha Lima, Juliane Cruz dos Santos e Stephany Rocha Almeida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O nosso objetivo foi conscientizar a comunidade escolar sobre a importância da saúde mental, promovendo a valorização da vida e o diálogo sobre prevenção ao suicídio. Temos uma psicóloga na escola, uma equipe de Educação Especial, professores, coordenação e uma gestão que está sempre a postos para cuidar e direcionar ajuda para os alunos que precisam”, explicou a professora Charlene de Jesus, que coordena o projeto no CEPCV. &nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A docente pontuou também que sempre busca estimular a expressão criativa dos alunos, a colaboração em grupo e a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos nos estudos, seja pela disciplina de Educação Midiática ou nas discussões em grupo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Resolvemos falar sobre esse tema, porque ele é muito relevante para a nossa comunidade e para o mundo todo. Então, nós da agência nos sentimos na obrigação de falar sobre ele”, contou a estudante Luiza Silva Mangueira Santos, da agência de notícias do Colégio Estadual Quilombola da Bacia do Iguape, Tambor da Palavra, que produziu uma série de 03 vídeos sobre o Setembro Amarelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com Luiza, o primeiro vídeo é sobre a origem do Setembro Amarelo e do símbolo da campanha. No segundo, a agência trouxe reportagens sobre suicídio, depressão e como combater os sintomas. O último vídeo mostrou como apoiar quem precisa. Nele o grupo trouxe frases motivacionais e palavras de incentivo para que quem passa pelo problema busque ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O objetivo do vídeo é mobilizar a comunidade e trazer visibilidade para esta que é uma campanha tão importante. Para a gente gravar este vídeo não foi fácil, por se tratar de uma pauta tão sensível. Nas pesquisas que fizemos sobre o assunto vimos reportagens sobre crianças e adolescentes que tiraram a própria vida e isso é muito triste, porque são pessoas que tinham um lindo futuro pela frente e foram embora tão silenciosamente”, afirmou a estudante Talita Almeida Santos, que também integra a agência Tambor da Palavra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio. Durante todo o mês de setembro, ações são realizadas a fim de sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e para a necessidade e importância de cuidar da saúde mental. Para o Setembro Amarelo, a melhor forma de se evitar um suicídio é através de diálogos e discussões que abordem o problema.<br>&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: ASCOM/IAT </p>



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		<title>Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Sep 2025 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[EMPRESAS]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Maquiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Bruno Chapadeiro Ribeiro Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho Título original:&#160;Setembro Amarelo: quando a desigualdade adoece e o trabalho mata Há algo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Bruno Chapadeiro Ribeiro</p>



<p class="wp-block-paragraph">Corporações promovem cada vez mais ações fictícias de “bem estar”, mas dados são claros: trabalhar nunca causou tanto sofrimento. Neste mês, é preciso lutar por mudanças reais – fortalecimento do SUS e regulação efetiva das dimensões psicossociais do trabalho</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Título original:</strong>&nbsp;<em>Setembro Amarelo: quando a desigualdade adoece e o trabalho mata</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há algo de profundamente perverso na maneira como transformamos sofrimento coletivo em&nbsp;<em>commodity</em>&nbsp;individual. Em tempos de capitalismo consciente, as empresas descobriram que não basta vender produtos – é preciso vender também o bem-estar psicológico. O Setembro Amarelo, que deveria ser um momento de crítica radical às estruturas que produzem morte, transformou-se numa sofisticada operação de maquiagem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto as campanhas oficiais vendem consciência individualizada e distribuem números de CVV como se fossem aspirinas para dor existencial,&nbsp;27,3 trabalhadores morrem por suicídio a cada dia no Brasil.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados são de um&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">estudo rigoroso</a>&nbsp;que acompanhou a população trabalhadora brasileira entre 2010 e 2019:&nbsp;112.164 suicídios em uma década, com tendência crescente sustentada de 60,1%. Entre os homens, o risco é 3,5 vezes maior que entre as mulheres&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não por acaso, a pressão da masculinidade tóxica do “provedor” faz vítimas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eis que surge uma nova modalidade de lavagem: o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>. Se o&nbsp;<em>greenwashing</em>&nbsp;pinta de verde o que deveria ser ecologicamente transformado, o&nbsp;<em>wellbeing washing</em>&nbsp;pinta de amarelo o que deveria ser socialmente revolucionado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Explosão definitiva: 440 mil afastamentos em 2024</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O Ministério da Previdência Social (MPS) divulgou dados que confirmam o que já sabíamos:&nbsp;2024 foi o ano da explosão definitiva da crise de Saúde Mental Relacionada ao Trabalho. Mais de&nbsp;<a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/afastamentos-por-transtornos-mentais-dobram-em-dez-anos-chegam-440-mil">440 mil trabalhadores brasileiros se afastaram</a>&nbsp;de suas funções por transtornos mentais e comportamentais&nbsp;<em>–</em>mais que o dobro do registrado em 2014&nbsp;e um&nbsp;aumento brutal de 67% apenas em relação a 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A hierarquia do sofrimento revela o retrato de uma sociedade em colapso emocional:&nbsp;transtornos de ansiedade lideram com 141 mil casos, seguidos de&nbsp;episódios depressivos com 113 mil casos, depressão recorrente, transtorno bipolar e dependência de substâncias. São números que transformam estatísticas em tragédia humana coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o&nbsp;<a href="https://smartlabbr.org/sst">Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho</a>&nbsp;(SmartLab SST),&nbsp;os afastamentos por transtornos mentais já figuram entre as principais causas de concessão de auxílio-doença, superando, em alguns setores, até mesmo os tradicionais problemas osteomusculares que historicamente dominavam as estatísticas previdenciárias.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>A cruel ironia dos dados globais</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Numa&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/tes/a/Jh3TQ5zJwWHK84FbThWcBjw/">revisão literária em 130 estudos sociológicos</a>&nbsp;sobre o fenômeno do suicídio datados de 1981 a 1995, destacou-se a pobreza como uma situação que pode predispor ao suicídio, incluindo fatores como o desemprego, o estresse econômico e a instabilidade familiar. Pessoas sem emprego apresentam taxas de suicídio maiores que as empregadas, principalmente entre a população masculina, mais sensível aos reveses econômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a Organização Mundial de Saúde, somente no ano de 2016, num mundo pré-pandemia de covid-19,&nbsp;79% dos suicídios no mundo ocorreram em países de baixa e média renda. O&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240114487">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;da OMS revela um cenário devastador que contextualiza a crise brasileira numa perspectiva global.&nbsp;Mais de 1 bilhão de pessoas vivem atualmente com transtornos mentais&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento significativo que coincide, não por acaso, com a intensificação das políticas neoliberais globais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10888055/">revisão de 31 artigos científicos</a>&nbsp;publicados entre 1959 e 2001, que engloba 15.629 casos de suicídios na população geral, demonstrou-se que&nbsp;em 96,8% dos casos, caberia um diagnóstico de transtorno mental à época do ato fatal. Dentre eles, a depressão, transtorno bipolar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos atrás,&nbsp;<a href="https://www.who.int/docs/default-source/gho-documents/global-health-estimates/ghe2019_cod_methods.pdf">a OMS previu</a>&nbsp;que a depressão se tornaria a principal causa de absenteísmo nas organizações a partir da década de 2020. Trabalhadores faltariam mais por crises depressivas do que por dores na coluna, gripes e resfriados. A mesma&nbsp;<a href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240026643">OMS analisou</a>&nbsp;dados internacionais no período de 2000 a 2012 e mostrou que&nbsp;a prevalência mundial de suicídios caiu em média 26% ao passo que no Brasil aumentou 10,4%. A organização aponta o Brasil como o&nbsp;2º país com maior número de depressivos nas Américas, sendo também o país com&nbsp;maior prevalência de ansiedade no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/09/30/estudo-mostra-que-casos-de-suicidio-no-brasil-tiveram-crescimento-maior-apos-setembro-amarelo-associacao-brasileira-de-psiquiatria-contesta.ghtml">estudo recente</a>&nbsp;revelou que,&nbsp;desde 2015&nbsp;<em>–</em>&nbsp;ano em que foi lançada a campanha Setembro Amarelo no Brasil&nbsp;<em>–</em>, as mortes por suicídio não apenas continuaram a aumentar, mas também apresentaram aceleração no crescimento. A taxa média de aumento anual saltou de 1,67% (2000-2015) para 4,24% (2015-2019).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não significa que a campanha causa suicídios, mas expõe a limitação de abordagens que individualizam problemas estruturais. O suicídio deve ser compreendido enquanto “expressão da organização deficiente de nossa sociedade”&nbsp;<em>–</em>&nbsp;não como fracasso individual a ser corrigido com fitinhas amarelas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A depressão e ansiedade sozinhas custam à economia global US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade, enquanto&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2025/09/02/apenas-9percent-das-pessoas-com-depressao-recebe-tratamento-adequado-afirma-oms.ghtml">apenas 9,1% das pessoas com depressão</a>&nbsp;recebem tratamento minimamente adequado globalmente. No Brasil, essa realidade se manifesta de forma ainda mais cruel.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>A matemática cruel dos que “desistem”</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Os números&nbsp;<a href="https://doi.org/10.1590/1413-81232024291000922023">revelam</a>&nbsp;uma geografia da morte que coincide perfeitamente com a geografia da desigualdade.&nbsp;Trabalhadores da agricultura lideram com 21,7 suicídios por 100 mil habitantes&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quase quatro vezes a média nacional.&nbsp;A população indígena apresenta taxa de 19,5 por 100 mil, numa macabra correlação entre genocídio histórico e&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/capitalismo-e-a-morte-por-desespero/">desespero contemporâneo</a>. Entre os trabalhadores rurais, 4,5% se matam por autointoxicação com pesticidas&nbsp;<em>–</em>&nbsp;quando não é o agrotóxico que mata lentamente por câncer, é ele que oferece a “solução final” para o desespero.&nbsp;63% dos suicídios rurais ocorrem entre pessoas negras, 77,1% tinham no máximo ensino médio. A geografia do suicídio coincide, assim, com a geografia da desigualdade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também uma divisão sexual da morte. No Rio Grande do Sul,&nbsp;<a href="https://www3.ghc.com.br/files/IEViolenciaAPSetembroAmarelo2024.pdf">69,94% das notificações de lesão autoprovocada</a>&nbsp;são de mulheres, enquanto 80,04% dos suicídios consumados são de homens. O que isso nos diz? Que elas pedem ajuda, eles morrem calados. As mulheres tentam 4 vezes mais, os homens “conseguem” 4 vezes mais. Como se até na morte houvesse uma divisão sexual do trabalho: a elas, o grito de socorro; a eles, o silêncio mortal.&nbsp;O enforcamento é o método mais escolhido&nbsp;<em>–</em>&nbsp;71,4% dos casos no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O setor bancário, laboratório do neoliberalismo brasileiro, oferece um caso exemplar desta dinâmica. Entre 1996 e 2005, foram&nbsp;<a href="https://apcefce.org.br/portal/apcef-ce-portal/informacoes/noticias-apcef/pesquisa-inedita-da-unb-revela-alta-taxa-de-suicidio-entre-os-bancarios-do-pais.htm">181 bancários mortos por suicídio</a>&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma média de um suicídio a cada 20 dias. No período anterior (1993-1995), haviam sido 72 casos&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada 15 dias. A escalada coincide exatamente com a reestruturação produtiva dos anos 1990, quando&nbsp;<a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/09/26/adoecimento-mental-dos-bancarios-e-tema-de-conferencia-realizada-de-forma-hibrida-nesta-terca-26-em-porto-alegre/">430 mil bancários foram demitidos</a>&nbsp;e os sobreviventes passaram de funcionários a “vendedores e consultores”.&nbsp;<a href="https://sc.cut.org.br/noticias/trabalho-bancario-segue-como-fonte-de-adoecimento-e-morte-810b">Pesquisa recente</a>&nbsp;da Fenae/UnB revela que&nbsp;53% dos bancários já sofreram assédio moral e 47% já tiveram conhecimento de algum episódio de suicídio entre colegas. Apesar de representarem menos de 1% da força de trabalho formal,&nbsp;os&nbsp;<a href="https://www.ctb.org.br/2024/08/16/crise-oculta-no-setor-bancario-metas-agressivas-e-jornadas-extremas-afetam-a-saude-mental-dos-bancarios/">bancários correspondem a 25% dos registros de adoecimento mental</a>&nbsp;junto ao INSS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os profissionais de saúde, observa-se um paradoxo cruel: quem deveria cuidar da saúde mental alheia não consegue preservar a própria.&nbsp;<a href="https://www.metropoles.com/conteudo-especial/80-dos-profissionais-de-enfermagem-de-sp-ja-foram-agredidos">80% dos profissionais de enfermagem de São Paulo já foram agredidos no trabalho</a>. É como se a violência fosse o preço a pagar por querer cuidar numa sociedade que transformou saúde em mercadoria.&nbsp;A reincidência nas notificações de lesão autoprovocada chegou a 49,44% em 2023&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um a cada dois casos já havia tentado antes. Isso revela não apenas a ineficácia das intervenções individuais, mas a persistência das condições estruturais que produzem sofrimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia do bem-estar fictício</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Diante dos&nbsp;440 mil afastamentos em 2024&nbsp;<em>–</em>&nbsp;um aumento de&nbsp;67% em apenas um ano&nbsp;<em>–</em>&nbsp;as empresas descobriram que é mais barato comprar selos de “empresa saudável” do que mudar estruturalmente suas práticas tóxicas. A nova lei que&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/04/01/lei-cria-certificacao-para-empresa-que-promove-saude-mental">instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental</a>&nbsp;é magistral nessa estratégia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas ganham certificação de dois anos para mostrar que se importam, enquanto mantêm as práticas que destroem a saúde mental dos trabalhadores. É como dar morfina para quem precisa de cirurgia&nbsp;<em>–</em>&nbsp;alivia o sintoma, mantém a doença.&nbsp;86% dos funcionários consideram trocar de emprego por questões de saúde mental, então as empresas oferecem&nbsp;<em>mindfulness</em>&nbsp;para lidar com o estresse que elas próprias produzem.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados do&nbsp;<a href="https://www.who.int/news/item/02-09-2025-over-a-billion-people-living-with-mental-health-conditions-services-require-urgent-scale-up">Atlas de Saúde Mental 2024</a>&nbsp;revelam que, globalmente,&nbsp;a mediana dos gastos governamentais com saúde mental permanece estagnada em apenas 2,1% dos orçamentos de saúde desde 2017. Enquanto países de alta renda investem US$ 65,89 per capita, países de baixa renda investem apenas US$ 0,04 per capita&nbsp;<em>–</em>&nbsp;uma diferença de mais de 1.600 vezes. A força de trabalho especializada em saúde mental é dramaticamente insuficiente: apenas 13,5 trabalhadores especializados por 100.000 habitantes globalmente, com países de baixa renda tendo apenas 1,1 por 100.000 comparado a 67,2 nos países de alta renda.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A receita corporativa para não resolver</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações corporativas revelam a superficialidade das soluções oferecidas. Para empresas, sugerem: “implantar programas de apoio psicológico”, “capacitar líderes”, “flexibilizar jornadas”, “promover pausas” e “mapear riscos psicossociais”. Para trabalhadores, a&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/seria-a-ia-o-novo-capataz/">cartilha neoliberal</a>&nbsp;é ainda mais perversa: “estabelecer limites claros”, “manter hábitos saudáveis”, “buscar suporte profissional”, “preservar vínculos sociais” e “praticar técnicas de gestão do estresse”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Notem a inversão: as empresas devem fazer “programas” e “mapeamentos”, enquanto os trabalhadores devem se “adequar”, “buscar” e “praticar”. A responsabilidade sempre recai sobre quem sofre, nunca sobre quem explora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sinais típicos do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Salas de relaxamento anunciadas mas desencorajadas na prática</li>



<li>Palestras sobre autocuidado enquanto se mantêm metas impossíveis</li>



<li>Certificações compradas em vez de mudanças implementadas</li>



<li>Ginástica laboral como resposta ao assédio moral</li>



<li>Apps de mindfulness enquanto se intensifica a precarização</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A redistribuição que de fato funciona</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Há evidências robustas de que políticas sérias de redistribuição de renda funcionam melhor que qualquer sessão de terapia corporativa. Um estudo com&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/redistribuicao-de-renda-uma-politica-para-a-saude-mental/">a introdução do salário-mínimo na Inglaterra</a>&nbsp;descobriu que&nbsp;aumentos salariais efetivos geraram melhora na saúde mental comparável ao efeito dos antidepressivos&nbsp;(0,37 versus 0,39 desvio padrão).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30905484/">demonstram</a>&nbsp;que estados norte-americanos que aumentam seus salários-mínimos veem as taxas de suicídio crescerem mais lentamente.&nbsp;Para cada US$ 1/hora aumentado, corresponde uma redução de 1,9% na taxa anual de suicídio. Também evidenciaram que indivíduos de famílias com maiores rendimentos têm menos risco de tirar a própria vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que&nbsp;269 milhões de novos empregos seriam criados no mundo se os investimentos em educação, saúde e assistência social fossem duplicados até 2030.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos demonstram que países que mantiveram ou reforçaram suas políticas de proteção social, incluindo as de transferências monetárias para populações pobres e extremamente pobres, apresentaram níveis menores de suicídios. A&nbsp;<a href="https://cidacs.bahia.fiocruz.br/2022/07/risco-de-suicidio-caiu-pela-metade-entre-beneficiarios-do-programa-bolsa-familia-indica-estudo-da-fiocruz/">pesquisa com 5.507 municípios entre 2004 e 2012</a>&nbsp;revelou que aqueles com maior cobertura do&nbsp;<a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30456426/">Bolsa Família tiveram&nbsp;redução de 56% no risco de suicídio entre beneficiários</a>. Na Indonésia, programas similares geraram queda de 18%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recado é claro:&nbsp;dinheiro no bolso funciona melhor que conversa sobre resiliência. Mas isso, claro, não vende consultoria nem gera certificados dourados. Nunca se esteve tanto na pauta do dia tornar a renda básica algo permanente, bem como resolver injustiças históricas do sistema tributário, tendo na agenda a taxação de grandes fortunas, conduzida por um Estado forte e protetor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Atlas de Saúde Mental 2024 expõe a crueza da realidade:&nbsp;menos de 10% dos países completaram a transição para modelos de cuidado comunitário, com a maioria ainda&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/psiquiatria-crise-especifica-ou-crise-generalizada/">dependendo de hospitais psiquiátricos</a>.&nbsp;Quase 50% das internações psiquiátricas são involuntárias globalmente, e mais de 20% dos pacientes permanecem internados por mais de um ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cobertura de serviços para psicose é de apenas 40% globalmente, variando dramaticamente: menos de 10% em países de baixa renda versus mais de 50% em países de alta renda.&nbsp;<a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilhas/2017/17-0522-cartilha-agenda-estrategica-publicada-pdf/view">O Ministério da Saúde constatou</a>&nbsp;que&nbsp;em locais onde há Centros de Atenção Psicossocial – CAPS em funcionamento, o risco de suicídio é 14% menor. O custo médio de 12 mil internações hospitalares no SUS por autointoxicação intencional, entre 2007 e 2016, foi de 3 milhões/ano, o equivalente ao custo de implantação e custeio de 8 CAPS/ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisas&nbsp;<a href="https://www.scielo.br/j/reben/a/33QwKvHTdQMFTNYXKdKJ9cz/">averiguam</a>&nbsp;que, no período em que se agravou a crise ética-política-econômica brasileira (2014-2017) com altas taxas de desemprego,&nbsp;o comportamento suicida se amplia. Entretanto, o que se vê no horizonte são medidas de austeridade que preveem a retirada de direitos sociais e o congelamento do orçamento público para políticas de proteção social.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>É possível um Setembro Amarelo “anticapitalista”?</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O capital precisa de crises estruturais para se reinventar, expandir e se valorizar. Com isso, a história nos mostra que a miséria e a desigualdade social tendem a se agravar, e, tal como o exposto nesse texto, resulta, dentre outras mazelas, na elevação das taxas de suicídios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os índices de suicídios são altos em grupos que foram vulnerabilizados pela exclusão social e mais afetados pelas crises: desempregados, pessoas em insegurança alimentar, alvos de violência policial como a juventude negra, pobre e periférica, e populações em territórios permanentemente ameaçados pela invasão predatória e pela ausência de políticas públicas, como indígenas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suicídio entre crianças indígenas é 18,5 vezes maior&nbsp;do que entre crianças não indígenas e afeta principalmente meninas (58,2%). As maiores taxas de suicídio foram observadas na&nbsp;população idosa brasileira a partir de 70 anos, demonstrando o projeto societário de “eliminação dos indesejáveis”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verdadeira prevenção exige mais que fitinhas e hashtags motivacionais. A intervenção deve ser sistêmica:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. Políticas econômicas reais:</strong>&nbsp;Programas de transferência de renda comprovadamente eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2. Fim do&nbsp;<em>wellbeing washing</em>:</strong>&nbsp;Regulamentação séria das certificações de bem-estar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3. SUS fortalecido:</strong>&nbsp;Investimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e na&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/para-levar-a-saude-do-trabalhador-ao-centro-do-sus">Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora</a>&nbsp;(Renastt)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4. Trabalho que não mate:</strong>&nbsp;<a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/5a-cnstt-propoe-jornada-de-30-horas-e-programa-de-saude-mental-no-trabalho/">Regulação efetiva</a>&nbsp;das dimensões psicossociais relacionadas ao trabalho, não questionários burocráticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5. Justiça tributária:</strong>&nbsp;Financiamento adequado para políticas sociais através da taxação de grandes fortunas.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Da consciência à consciência de classe</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, as cada vez mais ampliadas taxas de suicídios ao redor do globo são apenas a ponta do iceberg da barbárie inerente ao sociometabolismo do capital que têm nas medidas de austeridade e crescentes taxas de desemprego estrutural sua expressão de desejo. Mas isso as campanhas do Setembro Amarelo passam longe de abordar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências são cristalinas:&nbsp;suicídio é problema político que exige soluções políticas. A introdução do salário-mínimo inglês teve efeito igual aos antidepressivos. O Bolsa Família reduziu suicídios em 56%. Mas empresas preferem comprar selos dourados e oferecer yoga corporativa e o SUS tem apostado que IAs deem conta da&nbsp;<a href="https://www.poder360.com.br/poder-saude/projeto-desenvolve-app-com-ia-para-tratar-transtornos-mentais-no-sus/">saúde mental por apps</a>. Globalmente, em 2021,&nbsp;o suicídio matou 727.000 pessoas, sendo uma das principais causas de morte entre jovens.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, os&nbsp;440 mil afastamentos de 2024&nbsp;representam um aumento de&nbsp;mais de 100% em relação a 2014&nbsp;– uma escalada que coincide perfeitamente com a implementação de políticas de austeridade, reforma trabalhista e precarização sistemática do trabalho. Apesar dos esforços globais, apenas 12% de redução será alcançada até 2030, muito longe da meta da ONU de reduzir um terço das mortes por suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há uma perversidade particular em transformar setembro num mês de “conscientização” quando o que precisamos é de&nbsp;consciência de classe. Não basta falar sobre suicídio – é preciso falar sobre as estruturas que o produzem. Políticas que garantam vida digna são o principal promotor de saúde mental.&nbsp;O resto é teatro amarelo para plateia distraída.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes, a coisa mais saudável que uma empresa pode fazer pela saúde mental de seus funcionários não é contratar um&nbsp;<em>coach de wellness</em>&nbsp;ou comprar uma certificação internacional, mas questionar se sua própria existência – na forma como está organizada – não é um fator de risco para a sanidade coletiva. Mas isso, óbvio, não vem com selo certificador nem marketing institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Ilustração: Craig Johnson</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="VEM AI A PRIMEIRA FLIPIRA" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/UDDz9jxb6mw?start=259&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-maquiagem-para-empresas/">Setembro Amarelo: maquiagem para empresas?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Setembro Amarelo: como pais podem ajudar na saúde mental dos filhos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 14:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo especialista, a escuta ativa, sem julgamentos, e a manutenção do próprio bem-estar emocional são fundamentais para combater depressão e ansiedade nos adolescentes Mais de 14% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em todo o mundo enfrentam problemas de saúde mental, de acordo com o relatório KidsRights Index 2025, divulgado em junho [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Segundo especialista, a escuta ativa, sem julgamentos, e a manutenção do próprio bem-estar emocional são fundamentais para combater depressão e ansiedade nos adolescentes</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais de 14% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em todo o mundo enfrentam problemas de saúde mental, de acordo com o relatório KidsRights Index 2025, divulgado em junho deste ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais fatores associados ao aumento dos problemas de&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/adolescentes-com-pior-saude-mental-passam-mais-tempo-nas-redes-sociais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saúde mental em jovens</a>&nbsp;estão as cobranças da escola, a comparação com colegas, a pressão social, o uso excessivo de redes sociais, desigualdades socioeconômicas e os impactos da pandemia de Covid-19, de acordo com Geiza Antunes, neuropsicóloga e responsável pelos grupos de apoio de crianças e adolescentes da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA).</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Além disso, segundo a OMS, relações familiares difíceis, situações como violência, bullying e até a busca por identidade podem pesar muito no bem-estar mental dos adolescentes&#8221;, afirma a especialista à&nbsp;<strong>CNN</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das formas de combater os impactos desses fatores na saúde mental dos adolescentes é contar com uma rede de apoio, que envolve familiares, amigos e, até mesmo, a escola. Mas como os pais podem desempenhar esse papel respeitando o espaço individual dos filhos e evitando cobranças que podem piorar a condição?</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O ideal é encontrar um equilíbrio: mostrar expectativas, mas também dar apoio emocional e valorizar os esforços dos jovens. Uma sugestão é usar a Comunicação Não-Violenta, que ensina a observar sem julgar, falar dos sentimentos e necessidades, e transformar exigências em pedidos. Isso ajuda a criar um diálogo mais leve e de confiança&#8221;, orienta Antunes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, ela reforça que a escuta ativa é essencial para que os jovens se sintam acolhidos. Neste sentido, os pais podem criar um espaço em que validam os sentimentos dos filhos sem julgamentos, para que eles se sintam mais à vontade para falar sobre suas angústias sem críticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Pesquisas relatam que a presença ativa dos pais, mesmo com suas rotinas corridas, fortalece vínculos e cria senso de pertencimento. As evidências sugerem que não precisa ser o dia todo, mas ter momentos de qualidade, como refeições juntos, uma caminhada, ou até mesmo uma boa conversa, já fortalecem o vínculo&#8221;, afirma a neuropsicóloga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Quando os pais demonstram interesse real nos hobbies e na rotina dos filhos, eles se sentem mais valorizados e seguros. Esse tipo de presença é um fator de proteção contra problemas de saúde mental&#8221;, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto importante para a manutenção da saúde mental dos filhos é os pais cuidarem do próprio bem-estar emocional. Uma pesquisa publicada recentemente na revista JAMA Pediatrics mostrou que o sofrimento mental dos pais está associado a um desenvolvimento infantil abaixo da média, afetando áreas como cognição, habilidades socioemocionais, linguagem e desenvolvimento físico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Pesquisas mostram que a saúde mental comprometida dos pais pode gerar instabilidade familiar, insegurança e dificuldades na regulação emocional dos filhos. Depressão ou ansiedade não tratadas reduzem a qualidade da comunicação e do tempo em família, além de favorecerem conflitos que aumentam o risco de transtornos emocionais nos filhos&#8221;, afirma Antunes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como, então, fortalecer a saúde mental familiar? Segundo a especialista, manter uma rotina equilibrada pode ajudar bastante nesse desafio: melhorar a qualidade do sono, manter uma alimentação saudável e fazer atividade física.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Mas não é só isso: momentos de lazer em família, passeios ou até mesmo atividades simples, com os pais, criam boas memórias e reduzem o estresse. Não menos importante é incentivar a conversa aberta, buscar apoio psicológico quando necessário e fortalecer as redes de amigos e familiares. Técnicas de respiração, ioga ou até leitura contribuem para um ambiente emocionalmente mais seguro&#8221;, finaliza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: CNN Brasil / Foto: Lock Stock/GettyImages</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="A FÉ É A DEPRESSÃO" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/UemMeW7RQX8?start=2944&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph"><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-como-pais-podem-ajudar-na-saude-mental-dos-filhos/">Setembro Amarelo: como pais podem ajudar na saúde mental dos filhos?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Setembro amarelo: o sofrimento dos trabalhadores da saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Sep 2024 19:17:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[trabalhadores da saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Célia Regina Costa Dados pós-pandemia são alarmantes no mundo inteiro. Mas é preciso atentar-se ao caso de São Paulo, onde há jornadas extensivas, salários reduzidos, além de falta de condições mínimas e de apoio institucional – e a privatização via OSSs contribuiu com a desestabilização Hoje, dia 10 de setembro, é Dia Mundial de Prevenção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Por Célia Regina Costa</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados pós-pandemia são alarmantes no mundo inteiro. Mas é preciso atentar-se ao caso de São Paulo, onde há jornadas extensivas, salários reduzidos, além de falta de condições mínimas e de apoio institucional – e a privatização via OSSs contribuiu com a desestabilização</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, dia 10 de setembro, é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Segundo a pesquisa “<em>COVID-19 Health care wOrkErs Study (HEROES)</em>”, divulgada em 2022, até 15% dos profissionais da saúde ouvidos pelo estudo pensaram em cometer suicídio. De acordo com o levantamento, trabalhadores e trabalhadoras de 11 países latino-americanos apresentavam altas taxas de sintomas depressivos e sofrimento psíquico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A análise realizada pelas universidades do Chile e&nbsp;da Columbia (nos Estados Unidos), com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), indicou a necessidade de modificar o ambiente laboral e garantir condições de trabalho adequadas. Medidas que incluíam a orientação de remuneração digna, condições contratuais estáveis ​​e criar espaços onde as equipes possam conversar, desabafar e praticar o autocuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos esses fatores, porém, estão muito longe das práticas aplicadas pelo governo de São Paulo para a área de saúde. No segmento, a realidade é de duplas jornadas por conta dos baixos salários que obrigam a ter um segundo emprego, falta de condições mínimas de trabalho, como materiais e insumos básicos, além de um número inadequado para atendimento à população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hospitais sem estrutura física mínima, com problemas que colocam profissionais em risco, sem segurança e onde, muitas vezes, impera o assédio moral, ajudam a explicar esse cenário alarmante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para piorar, a política de entrega das unidades hospitalares por meio das privatizações amplia a insegurança, já que os profissionais presentes nos locais transferidos à iniciativa privada convivem com constantes incertezas. Sem saber se continuarão onde construíram uma história e laços com a população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A situação crítica não se resume a uma profissão. Em 2022, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também publicou um estudo para caracterizar a situação de mais de 2 milhões de trabalhadores de nível técnico e auxiliar, que atuavam na assistência, no cuidado e no enfrentamento à pandemia de covid-19 no Brasil. Segundo a pesquisa, 80% desse grupo vive desgastado profissionalmente com estresse psicológico, ansiedade e esgotamento mental. Além disso, 70% citaram falta de apoio institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São homens e mulheres invisíveis aos olhos do governo paulista, como profissionais da limpeza, recepcionistas, motoristas, entre tantos outros que fazem compõem as engrenagens que colocam a saúde em funcionamento, mas que se tornam alvo dos cidadãos e cidadãs no cenário de serviços que, mesmo com muito esforço, não atende à necessidade de todos e todas. Situação que amplia ainda mais a violência e o estresse já presentes no cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, esse cenário, além de não se alterar, piorou em São Paulo. A reversão dessa conjuntura deve incluir a valorização das trabalhadoras e trabalhadores da saúde e, para isso, qualquer gestão que esteja minimamente comprometida precisa colocar em prática políticas públicas voltadas à abertura de concursos públicos, salários dignos e jornadas decentes. O que temos hoje é o oposto, silêncio às pautas de reivindicações da categoria, vale-refeição de apenas R$ 12 por dia e a liquidação da saúde pública por meio de terceirizações de setores ou as privatizações de unidades inteiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um ambiente saudável para trabalhar, proporciona qualidade de vida e cuidado com a saúde mental e isso começa com condições dignas de trabalho, de alimentação e de direitos, como negociação coletiva e respeito às pautas que refletem as necessidades da categoria!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Foto: Divulgação</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Laser Lavieen : tecnologia avançada para a beleza de todas as peles!" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/weFnyJm4Ewk?start=1435&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Setembro Amarelo: qual o papel dos pais na saúde mental dos filhos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2024 19:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[OPAS]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), as consequências de não abordar as condições de saúde mental dos adolescentes podem se estender à idade adulta O Setembro Amarelo é a campanha mundial de promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), as consequências de não abordar as condições de saúde mental dos adolescentes podem se estender à idade adulta</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Setembro Amarelo é a campanha mundial de promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), da OMS, enfatiza que as consequências de não abordar as condições de <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/como-diagnosticar-e-lidar-com-a-depressao-em-adolescentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saúde mental dos adolescentes</a> podem se estender à idade adulta, prejudicando a saúde física e mental e limitando futuras oportunidades. Por isso, a promoção da saúde mental é fundamental ainda na infância e na adolescência, e os pais possuem um papel importante nesse processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É pré-requisito que os pais e/ou a rede de suporte conheçam seus filhos. Pode parecer óbvio, mas a conexão afetiva precisa existir, além da convivência na rotina da criança para se entender como é sua personalidade, seus gostos e suas reações mais comuns”, afirma Filipe Colombini, psicólogo parental e CEO da Equipe AT, empresa com foco em acompanhamento terapêutico, à&nbsp;<strong>CNN</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como identificar sinais de depressão e outros transtornos psiquiátricos nos filhos?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Lilian Vendrame, psicóloga e neuropsicóloga, crianças saudáveis gostam de brincar e, geralmente, têm humor animado. Ao notar mudanças de humor e comportamento, tristeza que persistente, desinteresse por atividades que antes gostava de fazer, alterações no apetite e no sono, além de queixas persistentes na escola, é importante ficar alerta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Uma coisa muito interessante da gente falar é sobre o comportamento das crianças na escola. A criança começa a pedir para ir embora com dor de cabeça ou com dor de estômago. São coisas que chamam bastante a atenção na escola. Além disso, também começamos a perceber a dificuldade de a criança se concentrar, o desempenho que era bom e começa a declinar, ela fica sozinha, evita os amiguinhos na escola e começamos a perceber mudanças na autoestima”, elenca a neuropsicóloga.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porém, os&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/setembro-amarelo-quais-sao-os-sinais-de-alerta-da-depressao/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sinais de alerta</a>&nbsp;podem variar de uma criança para outra. “O que é comum são mudanças bruscas ou graduais no jeito da criança. Por exemplo, se uma criança muito agitada começa a ficar mais quieta e isolada, ou se uma que é mais introvertida começa a ficar mais agitada”, exemplifica Columbini. “Pode haver também alterações nos comportamentos de rotina; a depender da fase de desenvolvimento, começa a se expressar por meio de desenhos e brincadeiras ou verbalizando falas de autodepreciação, culpa e raiva de uma forma diferente do habitual”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos adolescentes, os sinais podem ser semelhantes, mas por terem um maior desenvolvimento neurobiológico, eles podem conseguir se expressar melhor. “Entretanto, como estão em uma fase de distanciamento maior da figura dos pais e uma maior proximidade e conexão com os amigos, é comum se esquivarem de falarem sobre seus sentimentos, sensações e dificuldades nas próprias casas”, alerta o psicólogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a adolescência é marcada por fortes alterações hormonais, o que pode tornar mais comuns episódios de irritabilidade e isolamento social. Portanto, a atenção dos pais e a proximidade com os filhos será ainda mais importante nessa fase.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É comum perceber que o adolescente usa as redes sociais, mas começa a usar demais”, exemplifica Vendrame. “É legal prestar atenção nesse comportamento, porque o tédio pode significar dificuldades de lidar com a autoestima e dificuldades de lidar com as próprias dificuldades da adolescência”, alerta. Segundo a neuropsicóloga, esse tipo de comportamento pode esconder um transtorno ansioso depressivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outros sinais de alerta na adolescência incluem&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/buscas-por-remedios-para-dormir-e-melatonina-crescem-no-brasil-diz-levantamento/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">alterações no sono</a>&nbsp;e na rotina alimentar, além do aumento na agressividade e nos comportamentos de riscos. “O uso de drogas e de bebidas diz muito sobre dificuldades com a autoestima e de controle de impulso. Por isso, é muito importante que a gente preste atenção. Parece normal e adolescentes vão, sim, para festas, começam a conhecer a bebida, e a droga está ali no meio deles, mas é muito importante prestar atenção nesse uso e no que está acontecendo”, alerta Vendrame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns sinais de alerta podem apontar, também, para inseguranças com o próprio corpo. “Um ponto importante de perceber é se o adolescente está usando um agasalho no verão, por que será que ele tá usando esse agasalho no verão? O adolescente só usa calça e não usa uma bermuda? Essa adolescente, ela usa uma blusa mais curta? Não usa? Ela tem muita dificuldade de mostrar as pernas, barriga e braço? São coisas que nos chamam a atenção, porque pode estar ocorrendo a automutilação e a gente não está percebendo”, descreve.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Papel dos pais no tratamento da depressão e apoio à saúde mental</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo para os pais ajudarem na promoção de&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/dieta-do-pai-pode-impactar-na-saude-dos-filhos-sugere-estudo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">saúde mental dos filhos</a>&nbsp;é a aproximação afetiva. Segundo Columbini, isso pode ser feito por meio de brincadeiras lúdicas, no caso das crianças, e de conversas, revelações e contato físico respeitoso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É fundamental conhecer o comportamento do filho antes de se ter a depressão, ou seja, o vínculo é fundamental para se perceber as mudanças, seja nos comportamentos, seja nas rotinas de casa, da escola”, afirma o psicólogo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso dos adolescentes, o contrário pode acontecer: ao invés de os pais abordarem o assunto com os filhos, eles próprios podem pedir ajuda de profissionais de saúde mental para abordar o assunto com os pais. “Eu conheço muitos adolescentes que me buscam com dificuldade de falar para os pais que eles precisam de ajuda, porque os pais querem que eles falem com eles. Muitas vezes, os filhos vão ter vergonha de contar as coisas”, relata Vendrame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse aspecto, o processo terapêutico passa a ser fundamental na vida e na saúde dos adolescentes. “A terapia vai ajudar o adolescente a colocar para fora, primeiro no processo terapêutico, e depois para os pais. Como eles são menores de idade, esse profissional também vai chamar esses pais se o que o adolescente trouxer for algo grave”, afirma a psicóloga.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Cuidado com o que não deve ser abordado com os filhos durante o processo terapêutico</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns cuidados são importantes na abordagem da depressão e outros problemas de saúde mental com os filhos. Um dos primeiros passos é não minimizar os sentimentos da criança e do adolescente. Em seguida, oferecer escuta, mas sem o pressionar para conversar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Não pressione o seu filho a falar sobre os sentimentos se ele não estiver pronto. Então, por exemplo, você pode falar: ‘percebi que você está triste, você quer falar sobre isso?’. Se a resposta for: ‘Não, não quero’, e sai de perto. Outro dia, convide seu filho para fazer uma atividade de que ele gosta, como tomar um sorvete ou passear em algum lugar de que ele goste. Abra essa comunicação com ele”, sugere&nbsp;Vendrame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Críticas e julgamentos também devem ser evitados. “Não é indicado colocar a culpa na criança ou no adolescente, nem fazer comparações com outras pessoas”, alerta Columbini. “A depressão precisa ser encarada como um assunto de saúde mental e existem profissionais habilitados para oferecer todo suporte e tratamento (para os pais e para os filhos)”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro passo importante é criar um ambiente em casa que promova o bem-estar e a estabilidade emocional. Por fim, é fundamental se educar sobre&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/o-que-e-depressao-sazonal-conheca-as-caracteristicas-e-os-tratamentos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depressão</a>&nbsp;e&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ansiedade/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ansiedade</a>, além de outros transtornos psiquiátricos, para compreensão total do assunto e dos sentimentos do filho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É preciso entender também que, muitas vezes, a depressão é um processo químico, que realmente exige uma consulta psiquiátrica e medicação. Então, é preciso entender melhor cientificamente sobre o assunto e se livrar de alguns preconceitos que estão muito relacionados com a saúde mental”, finaliza Vendrame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: CNN Brasil / Foto: Divulgação</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Doenças gordurosa do fígado" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/ukiOYzWwzrU?start=625&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-qual-o-papel-dos-pais-na-saude-mental-dos-filhos/">Setembro Amarelo: qual o papel dos pais na saúde mental dos filhos?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Setembro Amarelo: quais são os sinais de alerta da depressão?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2024 18:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Doença pode se manifestar de maneiras diferentes de pessoa para pessoa, mas, geralmente, primeiros sinais envolvem mudança persistente no humor O Brasil é o país com maior prevalência de depressão, segundo o Ministério da Saúde. A doença é a mais associada ao suicídio, de acordo com a pasta. No país, são registrados 14 mil casos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Doença pode se manifestar de maneiras diferentes de pessoa para pessoa, mas, geralmente, primeiros sinais envolvem mudança persistente no humor</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil é o país com maior prevalência de depressão, segundo o Ministério da Saúde. A doença é a mais associada ao suicídio, de acordo com a pasta. No país, são registrados 14 mil casos por ano, o que equivale, em média, a 38 mortes por dia. Diante disso, a campanha <strong>Setembro Amarelo</strong> busca conscientizar acerca da depressão e prevenir o suicídio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência da <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/6-tipos-diferentes-de-depressao-sao-descobertos-em-novo-estudo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depressão</a> ao longo da vida no Brasil é de 15,5%. Entre os fatores de risco estão histórico familiar, transtornos psiquiátricos correlatados, estresse crônico, ansiedade crônica, disfunções hormonais, traumas psicológicos, conflitos conjugais, mudança brusca de condições financeiras e desemprego. Além disso, existem evidências que indicam que a doença pode ter causas genéticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A depressão pode se manifestar de maneiras sutis e variar de pessoa para pessoa, mas, de modo geral, os primeiros sinais envolvem uma mudança persistente no humor”, afirma Jacqueline Mazzoni, coordenadora adjunta do curso de psicologia e coordenadora da Clínica-Escola de Psicologia da Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid). “As pessoas podem começar a se sentir tristes ou vazias, com perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, os primeiros&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/como-diagnosticar-e-lidar-com-a-depressao-em-adolescentes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">sinais de depressão</a>&nbsp;podem incluir sintomas como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Desânimo e sentimento de tristeza, na maior parte dos dias;</li>



<li>Sentimento de culpa ou inutilidade;</li>



<li>Falta ou diminuição de interessantes ou prazer por assuntos ou atividades que, antes, eram prazerosas;</li>



<li>Dificuldade de socialização;</li>



<li>Alterações no sono (insônia ou sono excessivo);</li>



<li>Mudanças de apetite (podendo levar à perda ou ganho de peso);</li>



<li>Fadiga;</li>



<li>Dificuldade de concentração.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Em alguns casos, podem surgir&nbsp;<strong>sintomas físicos relacionados à depressão</strong>. É o caso de&nbsp;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/quando-a-dor-de-cabeca-pode-ser-algo-mais-serio-veja-sinais-de-alarme/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dor de cabeça</a>&nbsp;frequente, dor muscular e articular, problemas digestivos (dor de estômago ou constipação) e fadiga extrema. “Esses sintomas, muitas vezes, são difíceis de associar à depressão e, por isso, podem passar despercebidos ou serem tratados de forma isolada. Por isso, a terapia também desempenha um papel importante, ajudando a pessoa a entender a relação entre seus sintomas físicos e emocionais e a desenvolver formas de lidar com eles”, afirma Mazzoni.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A depressão é um transtorno multifacetado. Apesar de ter um critério de diagnóstico bem definido, as pessoas podem manifestar formas diferentes da depressão em relação aos sintomas e a intensidade deles”, reforça Elton Kanomata, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, à&nbsp;<strong>CNN.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Sinais de alerta mais graves da depressão</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Kanomata, qualquer sintoma da depressão que seja manifestado de forma mais intensa passa a ser um sinal de alerta da maior gravidade da doença. “Um apetite muito grande, ao ponto da pessoa ter um ganho significativo de peso, levando a patologias como diabetes, colesterol alto e gordura no fígado, é um deles. O oposto também, quando a pessoa perde apetite, pula várias refeições e começa a ter um emagrecimento consequente, podendo evoluir, até mesmo, para desnutrição e deficiência vitamínica”, exemplifica o especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma geral, de acordo com as fontes consultadas, os principais sinais de alerta graves para a depressão incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Desesperança profunda;</li>



<li>Isolamento social;</li>



<li>Incapacidade de realizar tarefas cotidianas;</li>



<li>Queda acentuada no desempenho em atividades que antes eram executadas com facilidade.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">“A questão da falta de autocuidado também é um sinal de alerta grave e pode ficar bastante comprometido, como deixar de fazer compras para a casa, deixando de realizar a limpeza da casa, além da falta de higiene pessoal, como tomar banho, escovar dente e pentear o cabelo”, lista Kanomata. “Eventualmente, pessoas que possuem doenças como hipertensão arterial, entre outras, podem deixar de tomar medicações ou de marcar consultas médicas. Em resumo, a pessoa deixa toda sua vida parada”, exemplifica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos quadros graves de depressão, pode acontecer, também, de a pessoa passar a ter ideação suicida, ou seja, pensamentos recorrentes relacionados à própria morte como uma solução para a angústia e a tristeza sentida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Os sinais de ideação suicida incluem o aumento do isolamento social, falar sobre morte ou suicídio, procurar meios para se machucar, como armas ou medicamentos, e mudanças drásticas no comportamento, como, repentinamente, se despedir de amigos ou familiares”, elenca Mazzoni.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Outras pistas incluem a falta de esperança em relação ao futuro, falar sobre ser um “fardo” para os outros ou mostrar uma calmaria repentina após um período de depressão, o que pode indicar que a pessoa tomou uma decisão de terminar a vida”, completa a coordenadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como procurar e oferecer ajuda</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Identificar os sinais de alerta da depressão é o primeiro passo para buscar ajuda, seja para um parente ou amigo que esteja passando pela situação, ou para si próprio. Para quem deseja oferecer apoio, o importante é demonstrar empatia e ter escuta ativa às angústias da pessoa, sem julgamentos. Também é&nbsp;<strong>fundamental buscar o atendimento psiquiátrica e psicológico</strong>&nbsp;— mesmo quando há recusa em buscar ajuda por parte da pessoa depressiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Lidar com um ente querido que se recusa a buscar ajuda pode ser desafiador, mas é importante abordar a situação com empatia e paciência. Ouvir sem julgar e oferecer apoio emocional contínuo, demonstrando que você está ali para ajudar quando a pessoa estiver pronta, pode fazer a diferença”, orienta Mazzoni.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“No entanto, é essencial também respeitar os limites dela. Incentivar a busca por um terapeuta pode ser um passo importante, oferecendo alternativas, como consultas iniciais ou até mesmo opções de terapia online, que muitas vezes são mais confortáveis para algumas pessoas”, completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso de pessoas que possuem ideação suicida, é possível buscar centros de referência que possam oferecer acolhimento e apoio emocional à pessoa. O&nbsp;<strong>Centro de Valorização da Vida (CVV)</strong>, por exemplo, oferece, gratuitamente, apoio emocional e serviço de prevenção do suicídio para pessoas que querem e precisam conversar, sob sigilo e anonimato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atendimento pode ser feito através do telefone 188, disponível 24 horas e sem custo de ligação, pelo chat, e-mail ou pessoalmente, direto nos postos do CVV (consulte o&nbsp;<a href="https://cvv.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site</a>&nbsp;para mais informações).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, familiares e amigos devem formar uma rede de apoio para a pessoa com depressão e ideação suicida, conforme orienta Kanomata. “A rede de apoio pode ajudar a garantir que a pessoa seja ajudada, pode acompanhar a pessoa em consultas psiquiátricas e médicas, auxiliá-la nos cuidados da casa e nas práticas de autocuidado. Então, é importante que tenham pessoas nesse momento grave para garantir que o tratamento seja feito de forma regular”, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sinais de melhora do quadro</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os sinais de que o tratamento contra depressão está surtindo efeito incluem, segundo os especialistas consultados, fatores como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Retomada de atividades que a pessoa gosta;</li>



<li>Maior envolvimento social;</li>



<li>Melhora do humor;</li>



<li>Redução dos sintomas físicos;</li>



<li>Aumento da disposição e energia;</li>



<li>Melhor capacidade para planejar o futuro;</li>



<li>Reconquista da autonomia para atividades do dia a dia.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">“A continuidade da psicoterapia é crucial para sustentar essas melhorias, ajudando a pessoa a manter as conquistas e lidar com possíveis recaídas de forma mais saudável”, reitera Mazzoni.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: CNN Brasil / Prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%, segundo Ministério da Saúde • Alvaro Medina Jurado/GettyImages</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Político:o representante legal escolhido pelo povo" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/aZt0iM8KjfI?start=3471&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br><br></p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/setembro-amarelo-quais-sao-os-sinais-de-alerta-da-depressao/">Setembro Amarelo: quais são os sinais de alerta da depressão?</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Setembro Amarelo: veja por que abordar saúde mental nas escolas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Sep 2023 17:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Ipirá City]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estatístícas de suicídio são mais altas entre jovens em idade escolar e no ensino superior, destacando importância de abordar a saúde mental A cada 40 segundos, uma pessoa em algum lugar do mundo decide encerrar a própria vida. A maior parte deles são jovens em idade escolar ou no ensino superior. Esta é uma estatística [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Estatístícas de suicídio são mais altas entre jovens em idade escolar e no ensino superior, destacando importância de abordar a saúde mental</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cada 40 segundos, uma pessoa em algum lugar do mundo decide encerrar a própria vida. A maior parte deles são jovens em idade escolar ou no ensino superior. Esta é uma estatística alarmante, mas que traz à tona a urgência do diálogo sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Nesse contexto, o Setembro Amarelo é um momento chave para a conscientização sobre a importância de prevenir o <a href="https://www.saudeemdia.com.br/noticias/e-possivel-prevenir-o-suicidio-especialistas-analisam.phtml">suicídio</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, a campanha suscita a importância do diálogo aberto e da empatia. Esses são fatores essenciais para identificar e apoiar as pessoas que estão passando por momentos difíceis. Muitas vezes, é crucial entender que o suicídio está relacionado a problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, que podem e devem ser tratados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a psicóloga Ana Carolina D’Agostini, gerente de conteúdo da Semente Educação, o primeiro ponto, quando se trata de prevenção de suicídio, é lembrar que dar importância a temas relacionados à saúde mental somente em setembro não é o mais adequado. Justamente pela complexidade do tema, é fundamental que as ações sejam feitas o ano todo, sobretudo dentro das escolas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“É muito importante pontuar que educadores não têm a responsabilidade de fazer diagnóstico ou qualquer outro acompanhamento específico em saúde mental. Afinal, isso não faz parte da formação deles e nem das obrigações das instituições de ensino. Entretanto, os educadores estão em uma posição privilegiada de contato com os estudantes, e não há praticamente ninguém que conheça mais um jovem do que um professor, exatamente pela convivência diária na sala de aula”, afirma a especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo ela, a principal forma de dar a esses profissionais ferramentas práticas para trabalhar com os alunos é por meio do desenvolvimento das competências socioemocionais, integrando, de fato, esse aprendizado no currículo escolar.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/City.jpeg" alt="" class="wp-image-94783" style="width:839px;height:105px" width="839" height="105" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/City.jpeg 720w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/City-300x38.jpeg 300w" sizes="(max-width: 839px) 100vw, 839px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-ambiente-seguro-e-acolhedor"><strong>Ambiente seguro e acolhedor</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que a escola coloque como prioridade a criação de um ambiente emocionalmente seguro, propício para trabalhar as habilidades emocionais na prática. Se o tempo para pensar sobre as emoções for algo natural e, ao mesmo tempo, um momento desafiador, o aluno enxergará a escola como um ambiente propício para pedir ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É fundamental envolver também os pais e os responsáveis na construção desse ambiente. Para tal, há de se considerar três âmbitos: escola, família e sociedade. As duas primeiras precisam trabalhar em constante parceria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para a psicóloga, é importante que a instituição escolar seja um canal aberto para que a família possa se comunicar, estar presente. Outro aspecto bastante interessante é a escola pensar em modos de trazer os pais para dentro, no sentido do aprendizado. Isto é, promovendo palestras, workshops, inclusive com as temáticas da saúde mental e do desenvolvimento socioemocional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-abordagens-mais-efetivas"><strong>Abordagens mais efetivas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo Celso Lopes de Souza, médico psiquiatra e fundador do Programa Semente, as abordagens efetivamente sábias são aquelas que levam uma aprendizagem das emoções para a escola. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecer os próprios sentimentos e a importância deles ajuda muito na prevenção e aumenta a capacidade de pedir ajuda. Segundo ele, 90% das pessoas que evoluem para suicídio ou até para tentativa tinham algum transtorno psiquiátrico. Por isso, existe a necessidade de reconhecer quando existe algo errado e de conseguir pedir ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Se a pessoa se sente com os famosos 3 ‘is’: insuportável, impossível e interminável, é muito importante procurar ajuda e entender que isso não acontece da noite para o dia”, comenta o psiquiatra.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-importancia-de-abordar-saude-mental-nas-escolas"><strong>Importância de abordar saúde mental nas escolas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Promover a conscientização sobre a importância da saúde mental entre os estudantes é uma missão crucial em um mundo em que as pressões acadêmicas, sociais e pessoais podem se acumular de maneira avassaladora. Abordar essa questão exige estratégias efetivas que não apenas eduquem, mas também inspirem mudanças positivas na forma como a saúde mental é percebida e tratada. Abaixo, os especialistas destacam algumas abordagens que têm se mostrado eficazes:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Educação Holística:&nbsp;</strong>em vez de apenas enfocar os aspectos negativos da saúde mental, é essencial adotar uma abordagem holística que eduque os estudantes sobre os diversos aspectos do bem-estar emocional. Isso inclui não apenas os sinais de alerta e os desafios enfrentados, mas também o&nbsp;<a href="https://sportlife.com.br/dia-mundial-sem-carro-5-dicas-para-incluir-habitos-saudaveis-na-rotina/">autocuidado</a>, a resiliência e as estratégias de enfrentamento das dificuldades.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Espaços de Conversa Abertos:</strong>&nbsp;criar espaços seguros e abertos, onde os estudantes possam discutir suas preocupações, medos e ansiedades é fundamental. Isso pode ser feito por meio de grupos de apoio e workshops, por exemplo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Integração no Currículo: </strong>incorporar a educação sobre saúde mental no currículo escolar normaliza a conversa desde cedo. Isso pode envolver aulas sobre gerenciamento do estresse, inteligência emocional, resolução de conflitos e habilidades de comunicação, que são relevantes não apenas para a escola, mas também para a vida em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Saúde em dia </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Eleição Conselho Tutela 2023" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/CDm_Img52t0?start=1586&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Setembro Amarelo: como monitorar a saúde mental e prevenir complicações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Sep 2022 20:54:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Veja quais são os primeiros sintomas de que algo não está legal com a mente e como conseguir ajuda A campanha&#160;Setembro Amarelo&#160;é organizada nacionalmente pela&#160;Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o&#160;Conselho Federal de Medicina (CFM). Sendo assim, o objetivo é alertar as pessoas sobre os&#160;graves riscos&#160;que transtornos mentais podem causar. Além disso, como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Veja quais são os primeiros sintomas de que algo não está legal com a mente e como conseguir ajuda</p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha&nbsp;<a href="https://www.setembroamarelo.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Setembro Amarelo</a>&nbsp;é organizada nacionalmente pela&nbsp;<a href="https://www.abp.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)</a>, em parceria com o&nbsp;<a href="https://portal.cfm.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conselho Federal de Medicina (CFM)</a>. Sendo assim, o objetivo é alertar as pessoas sobre os&nbsp;<a href="https://www.saudeemdia.com.br/saude-mental/sete-dicas-de-como-cuidar-da-saude/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">graves riscos</a>&nbsp;que transtornos mentais podem causar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, como 10/09 é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, setembro foi o mês escolhido para simbolizar a causa. Mesmo assim, os especialistas no tema salientam a importância de cuidar da mente todos os dias do ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que é Setembro Amarelo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">“As ações do Setembro Amarelo funcionam como uma forma de prevenção e sensibilização, tanto àqueles que podem estar passando por algum tipo de sofrimento, quanto às pessoas próximas, na detecção de fatores que identifiquem quando um ente querido não está bem”, explica Ligia Kaori Matsumoto, psicóloga da UBS Alto da Riviera, gerenciada pelo <a href="https://cejam.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados da&nbsp;<a href="https://www.who.int/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Organização Mundial de Saúde (OMS)</a>, apontam que, a cada 40 segundos, uma pessoa é vítima de suicídio no mundo. No Brasil, a ABP aponta que 96,8% dos casos estão relacionados diretamente a algum&nbsp;<a href="https://www.saudeemdia.com.br/saude-mental/voce-e-saudavel-conceito-de-saude-vai-alem-da-ausencia-de-doencas-entenda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">transtorno mental</a>, como depressão e ansiedade. Dessa forma, para reverter esse quadro é importante ficar atento aos sintomas e procurar ajuda quando necessário.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sintomas de saúde mental abalada</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Dra. Gesika Amorim, mestre em educação médica, pediatra pós-graduada em neurologia e psiquiatria, com especialização em tratamento integral do autismo, saúde mental e neurodesenvolvimento, conta quais são os primeiros sinais de que a saúde mental pode estar comprometida. “Em primeiro lugar, um desconforto consigo mesmo. Muitas vezes não é necessário que você tenha sinais de ansiedade, palpitação ou sintomas depressivos. Muitas vezes alterações do ritmo alimentar, com aumento ou diminuição da fome, um cansaço excessivo, uma exaustão, uma sensação de que não vai dar conta já podem ser indicativos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A médica também alerta para os sintomas que estão diretamente relacionados a doenças mentais. “Sintomas de ansiedade, o que a gente chama de catastrofização – sensação e o medo de que as coisas não deem certo. <a href="https://www.saudeemdia.com.br/saude-mental/como-covid-19-pode-impactar-na-sua-saude-mental-entenda/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Isso tem acontecido muito agora, durante a pandemia.</a> É a sensação de que eu não vou dar conta e as coisas não vão dar certo. Isso é muito comum e um sinal importante do adoecimento mental. Além, claro, dos sintomas depressivos. Do rebaixamento de humor, sintomas de menos-valia e de autoestima baixa. Tudo isso são sinais de que a nossa saúde mental pode estar comprometida”, explica a especialista.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como cuidar e preservar a mente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É comum que as pessoas se preocupem com a saúde física, façam exames e, em seguida, procurem ajuda médica em caso de dor. Porém, prestar atenção nos sintomas que a Dra. Amorim elencou também é fundamental para manter uma boa saúde mental. Para evitar as sensações descritas pela médica e se manter afastado de complicações graves é preciso atenção com alguns hábitos cotidianos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com a especialista, o estilo de vida saudável pode ser um grande aliado na luta contra as doenças mentais. “O mais importante é você lutar pela sua qualidade de vida. Lutando pela qualidade de vida você vai ter, por consequência, uma melhora da saúde mental. Então tenha uma disciplina no seu hábito de vida, alimente-se bem, pratique uma atividade física, tenha horários corretos de dormir, não abuse de álcool e drogas, tenha uma vida familiar e social saudável. Tudo isso são formas de prevenir o adoecimento mental”, conta a médica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Onde e como procurar ajuda</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Procurar auxílio especializado pode ser determinante para salvar uma vida e é mais fácil do que muitos imaginam. O <a href="https://www.cvv.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Centro de Valorização da Vida (CVV)</a> é uma associação de utilidade pública federal, que presta um apoio emocional, voluntário e gratuito em prol da prevenção do suicídio. Qualquer pessoa que queira ou precise conversar sobre o assunto pode acioná-los por chat, telefone, e-mail ou presencialmente. Tudo é realizado com profissionalismo, sigilo total e anonimato. Basta acessar o <strong><a href="https://www.cvv.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">site do CVV</a></strong> ou <strong>ligar para o número 188</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Devemos sempre oferecer acolhimento, ouvir e auxiliar na busca por ajuda. Estas posturas de respeito com aquele que está em sofrimento podem ser fundamentais à recuperação, enquanto o desdém e pouco caso podem amplificar a dor ou adiar um tratamento”, finaliza a psicóloga Matsumoto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Saúde em dia </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Targino Gondim no Bate Papo na City" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/oLfCNrICy7E?start=2628&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Elevador Lacerda entra na campanha Setembro Amarelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[dev]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Sep 2021 21:36:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[social]]></category>
		<category><![CDATA[Elevador Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Amarelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em todo este mês de setembro, o Elevador Lacerda vai estampar a cor amarela para lembrar e conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e prevenção ao suicídio. Promovida por meio da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip), vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a ação integra a campanha Setembro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Em todo este mês de setembro, o Elevador Lacerda vai estampar a cor amarela para lembrar e conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e prevenção ao suicídio. Promovida por meio da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip), vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a ação integra a campanha Setembro Amarelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para garantir apoio e atendimento à população, a Prefeitura conta com 18 unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e três Centros de Saúde Mental, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Além disso, há a emergência psiquiátrica do município, que funciona 24 horas no 5º Centro de Saúde Clementino Fraga, na Avenida Centenário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra alternativa é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza ações de apoio emocional e prevenção do suicídio, além de atender de forma gratuita e voluntária todas as pessoas que precisam conversar. O atendimento é feito pelo telefone 188, sob sigilo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte:TRBN</p><p>The post <a href="https://ipiracity.com/elevador-lacerda-entra-na-campanha-setembro-amarelo/">Elevador Lacerda entra na campanha Setembro Amarelo</a> first appeared on <a href="https://ipiracity.com"></a>.</p>]]></content:encoded>
					
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