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	<title>SUS Quilombola |</title>
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	<title>SUS Quilombola |</title>
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		<title>Cinco motivos para defender o SUS Quilombola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Mar 2025 13:49:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ministério da Saúde abre consulta pública sobre a nova Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola. Aceita participações até dia 31. Quais os motivos para sua criação? Como se relaciona com a questão territorial e os saberes tradicionais? A pandemia da covid-19 expôs as fragilidades da atenção à saúde ofertada para as comunidades quilombolas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><em>Ministério da Saúde abre consulta pública sobre a nova Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola. Aceita participações até dia 31. Quais os motivos para sua criação? Como se relaciona com a questão territorial e os saberes tradicionais?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pandemia da covid-19 expôs as fragilidades da atenção à saúde ofertada para as comunidades quilombolas do Brasil. Naquele momento, a gestão federal se mostrou incapaz de prover a proteção necessária para os quilombolas, em meio a um período de intensificação de vulnerabilidades sociais nos territórios.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2025/01/Banner-para-loja-online-frete-gratis-mercado-shops-medio-720-x-90-px-1.gif" alt=""/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">As primeiras ações de enfrentamento à pandemia nos quilombos começaram a ser realizadas tardiamente, o que resultou em uma taxa de mortalidade pela covid-19 de cerca de 5% a mais em quilombolas do que na população geral, segundo dados da CONAQ (2022).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os processos de mobilização em torno da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF n. 742), protocolada pela CONAQ junto a Suprema Corte, se desdobraram no aprofundamento dos debates acerca dos limites e desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) nos territórios quilombolas, bem como a necessidade de se pensar em um modelo de atenção à saúde específico para os quilombos do Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A realização da primeira Conferência Nacional Livre de Saúde Quilombola, em 2023, organizada pela CONAQ em parceria com o Conselho Nacional de Saúde (CNS), resultou no estabelecimento de princípios e diretrizes acerca do modelo ideal de atenção à saúde para os quilombos. O documento final da conferência se âncora em pelo menos cinco argumentos, segundo os quais, se justifica a criação da primeira&nbsp;<strong>Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola</strong>&nbsp;(PNASQ/SUS).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Abaixo, listamos os principais pontos, oriundos dos intensos debates que envolveram cerca de mil de duzentos quilombolas de todo o país, no bojo das discussões da Conferência de Saúde Quilombola, de 2023.</p>



<p class="wp-block-paragraph">•&nbsp;<strong>Questão territorial e barreiras de acesso à saúde:</strong>&nbsp;segundo dados do Ministério da Saúde (2023), as distâncias entre um território quilombola e o serviço de saúde mais próximo chegam a uma média de 43 Km em estados do Norte do país. Para além disso, os territórios quilombolas vivenciam uma realidade crescente de violências: segundo dados do ISA e CONAQ (2024), cerca de 98% dos quilombos do país estão de alguma forma ameaçados por disputas fundiárias, requerimentos minerários e especulação imobiliária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>• Especificidades etnoculturais e saúde:&nbsp;</strong>ao longo dos mais de 500 anos de história dos quilombos no Brasil, na maior parte do tempo a única alternativa de cuidado em saúde se ancorou nos saberes e práticas das medicinas quilombolas, vistas no uso dos chás, infusões, garrafadas, raizadas, lambedores, dentre outras tecnologias ancestrais de cuidado. Os mestres e mestras das medicinas quilombolas são guardiões da memória e dos costumes desses territórios, representando um patrimônio cultural que deve ser valorizado pelo sistema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>• Reparação histórica:&nbsp;</strong>apesar de reconhecidos os direitos sociais quilombolas no âmbito da Constituição de 1988, o Estado brasileiro tem uma dívida para com os territórios quilombolas. Das cerca de 7 mil comunidades registradas pelo Censo do IBGE (2022), apenas cerca de 500 delas contam com algum tipo de regularização territorial. Se seguido o ritmo atual de titulação, o Brasil levará cerca de dois mil e setecentos anos para titular todos os quilombos do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>• Insuficiência das políticas de saúde:</strong> até os dias atuais não se tem uma política de saúde específica, que leve em consideração a realidade das comunidades quilombolas do país. Ao invés disso, a população quilombola é citada de forma pulverizada e superficial em algumas políticas de equidade do SUS, no entanto, nenhuma delas foi capaz de produzir respostas efetivas às demandas de saúde nos territórios</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>• Direito à memória:&nbsp;</strong>o racismo vivenciado por quilombolas nos serviços de saúde do SUS e a violência perpetrada pelo conflitos fundiários precisam ser reconhecidos como determinantes sociais da saúde, refletindo a história de exclusão e marginalização à qual os quilombos foram expostos ao longo dos séculos. As feridas da colonização e escravização se refletem em indicadores sociais e sanitários que dão conta de expressar a grave vulnerabilidade social vivenciada pelos quilombos, de ontem e de hoje.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A perspectiva tomada pelo movimento social quilombola no debate da saúde coloca a questão ambiental no centro do debate, compreendendo a saúde como o direito de viver o território ancestral em comunidade – o território ancestral como parte vital do quilombo e a comunidade como a junção dos mortos e vivos (Provérbio&nbsp;<em>Bantu</em>) – de modo que um novo modelo de saúde para o SUS nos quilombos não só é possível, como se faz urgente, sobretudo em épocas de mudança do clima, onde os territórios quilombolas pautam a manutenção da vida e a construção de territórios livres, autônomos, saudáveis e sustentáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>As reflexões presentes nesse artigo são o resultado da dissertação de mestrado intitulada&nbsp;<strong>“Aquilombar a saúde, contracolonizar as lutas: o projeto político do movimento quilombola para a saúde no Brasil”</strong>, Mateus Brito – Membro do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola (CONAQ), Mestre e Doutorando em Saúde Coletiva (ISC/UFBA), Quilombola da Lagoa de Maria Clemência/BA.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Outra Saúde / Foto: Éder Braz</p>



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